sexta-feira, 7 de agosto de 2026

O QUE FAZER EM BAURU E NAS REDONDEZAS (201)


NADA A COMEMORAR NESTES 130 ANOS DE BAURU - SUÉLLEN ROSIN TRANSFORMOU A CIDADE NUM CAOS*
* Nas correrias, hoje sem tempo para escrevinhar nada, reproduzo texto de Fernando Redondo.

Bauru completa 130 anos entre shows, festas e comemorações oficiais. Nada contra celebrar a cidade. O problema começa quando, enquanto os holofotes estão voltados para o palco, decisões capazes de redesenhar a administração pública pelos próximos 30 anos avançam em outra direção. Em 15 de abril de 2026, a Prefeitura assinou com o Consórcio Saneamento Bauru o contrato de concessão dos serviços de esgotamento sanitário, com previsão de aproximadamente R$ 1 bilhão em investimentos. A justificativa é conhecida e, em princípio, inatacável: concluir a ETE Vargem Limpa, ampliar o tratamento de esgoto e finalmente resolver um problema que Bauru arrasta há mais de uma década. Ninguém, em sã consciência, é contra tratar esgoto. A questão é outra: quanto poder público está sendo transferido, para quem, sob quais condições e, sobretudo, quem fiscalizará tudo isso durante três décadas?

O objeto formal da concessão é o esgotamento sanitário. A água continua sob responsabilidade do DAE. Até aí, tudo muito claro. O detalhe começa quando se lê o que está efetivamente previsto nos documentos: a concessionária participará da gestão comercial integrada dos serviços de água e esgoto, com cobrança em uma única fatura. Não opera a água, mas participa da relação comercial envolvendo a água. E quem controla faturamento, atendimento, dados, medição e cobrança não está exatamente vendendo cafezinho na recepção. Está lidando com informação, arrecadação e relacionamento direto com o usuário. Por isso, as perguntas são inevitáveis: quem terá acesso aos dados? Quem fará a cobrança? Como serão separados os valores do DAE e da concessionária? Quem fiscalizará o sistema? Quem responderá ao cidadão quando houver divergência? A água continua com o DAE, formalmente. Mas a conta, essa criatura muito mais democrática do que os organogramas, chegará integrada. E contas têm uma virtude: costumam revelar quem está efetivamente envolvido na operação.

Trinta anos são quase uma geração. O contrato atravessará prefeitos, vereadores, eleições e discursos de campanha. Quem assina hoje poderá não estar no poder amanhã; quem fiscaliza hoje talvez sequer esteja no cargo quando a concessão completar metade de sua vida. Por isso, não estamos diante de uma simples decisão administrativa. Contrato de 30 anos não é despacho de governo. É uma escolha de Estado. E escolhas dessa natureza exigem metas, cronogramas, indicadores, penalidades, auditoria e fiscalização permanente. Anunciar R$ 1 bilhão em investimentos é relativamente fácil. Difícil é garantir, durante três décadas, que aquilo que foi prometido seja efetivamente entregue. A fotografia da assinatura dura alguns segundos. O contrato dura uma geração.
Alma gêmea com Suéllen

A ETE Vargem Limpa, por sua vez, não pode ser transformada em salvo-conduto para encerrar o debate. A obra começou em 2015, tinha previsão de entrega em 2016, foi paralisada em 2021 e tornou-se um monumento involuntário à capacidade brasileira de transformar prazo em patrimônio histórico. Justamente por ser necessária, sua conclusão não pode impedir perguntas sobre o modelo escolhido. A Prefeitura tem o direito de defender a concessão. A população tem o direito de questioná-la. E há razão objetiva para atenção: o Tribunal de Contas do Estado de São Paulo suspendeu o edital por duas vezes após representação da Sabesp. Isso não prova, por si só, que haja irregularidade. Prova algo mais simples: o processo não veio com certificado de infalibilidade anexado.

Mas a questão mais delicada talvez não esteja na ETE. Está no poder institucional. Em abril, o Ministério Público de São Paulo protocolou uma Ação Direta de Inconstitucionalidade no Tribunal de Justiça sustentando que a Prefeitura de Bauru não precisaria da autorização da Câmara Municipal para realizar concessões de serviços públicos. A ação nasceu de representação apresentada pelo advogado Rafael Ribeiro, que apontou como inconstitucional a exigência prevista na Lei Orgânica Municipal. A tese do Ministério Público é que legislar sobre normas gerais de licitação e contratação seria competência da União e que, portanto, a exigência local de uma “lei autorizativa” para concessões não poderia prevalecer.

Aqui convém fazer uma pausa.
Não é preciso ser jurista para compreender a dimensão política da discussão. Uma coisa é conceder um serviço público. Outra, bastante diferente, é retirar do Legislativo municipal a possibilidade de autorizar essa concessão. A primeira transfere a execução de um serviço. A segunda altera a relação de forças entre os Poderes. E isso acontece justamente quando Bauru começa a operar uma concessão de 30 anos que envolve saneamento, patrimônio, servidores, tarifas e gestão comercial.

A Câmara, evidentemente, não é dona dos serviços públicos. Mas também não é decoração institucional. Se a Lei Orgânica estabelece a participação do Legislativo nas concessões, a discussão sobre a constitucionalidade dessa exigência pode e deve existir. O que merece atenção é o efeito concreto de eventual retirada dessa barreira: o Executivo passaria a ter muito mais liberdade para conceder serviços públicos sem a necessidade de submeter a decisão ao voto dos representantes eleitos pela população.

É uma mudança de poder. E mudanças de poder merecem menos fogos de artifício e mais luz.
A questão ganha contornos ainda mais delicados diante de uma informação levada ao debate público pela vereadora Estela Almagro: segundo ela, Rafael Ribeiro, autor da representação que deu origem à ADI, teria posteriormente sido contratado pelo próprio Consórcio Saneamento Bauru e já apareceria atuando em processos relacionados à concessionária. Essa informação, por envolver uma relação profissional específica, precisa ser documentalmente confirmada antes de ser tratada como fato definitivo. Mas, se confirmada, seria uma circunstância que evidentemente mereceria explicação pública. Não porque alguém esteja proibido de mudar de cliente ou exercer sua profissão, mas porque a sociedade tem o direito de perguntar quando uma mesma pessoa aparece em movimentos jurídicos capazes de alterar o poder de decisão sobre concessões e, posteriormente, surge vinculada à empresa que acaba de receber uma concessão dessa magnitude.

Não há aqui necessidade de acusação antecipada. Há algo muito mais importante: transparência. Quem apresentou a representação ao Ministério Público? Em que circunstâncias? Com qual fundamentação? Quem se beneficiará institucionalmente da eventual procedência da ADI? Qual é a relação profissional atual do advogado com a concessionária? Em que processos ele atua? São perguntas objetivas. Respondê-las deveria ser muito mais fácil do que tentar convencer a população de que perguntas são ataques.
Porque democracia tem dessas inconveniências.

Às vezes, o cidadão pergunta. E o poder público precisa responder. E chegamos ao ponto que talvez seja mais incômodo de todos: o que sobrará do DAE? Estudo da FIPE projetou aproximadamente R$ 816,5 milhões em custos operacionais do sistema de esgotamento sanitário ao longo dos 30 anos e outros R$ 213,5 milhões para a operação e manutenção do sistema de gestão comercial integrado ao DAE. Ao mesmo tempo, servidores terão de ser reorganizados e a estrutura da autarquia será redesenhada. O presidente do DAE afirma que não haverá demissões e que um novo organograma está sendo elaborado. É uma informação relevante, mas não responde à questão principal: qual será o tamanho, o custo e a sustentabilidade do DAE depois que uma parcela relevante de suas atividades deixar de ser executada por ele?

Não demitir servidores é importante. Mas não é sinônimo de resolver o problema. É preciso saber quais funções permanecerão, quais serão reorganizadas, quais custos continuarão no DAE e quem pagará por essa estrutura remanescente. Afinal, existe um risco conhecido em operações dessa natureza: transferir para o privado a atividade mais visível e deixar no público a estrutura de custos menos visível. Se isso acontecer, a cidade poderá descobrir que não basta perguntar quanto custa a concessão. Será necessário perguntar quanto custa manter aquilo que ficou para trás.

Há ainda o patrimônio público. Equipamentos, instalações, sistemas e estruturas do DAE foram construídos durante décadas com dinheiro público. Não nasceram no patrimônio da concessionária. Qualquer transferência ou utilização desses bens exige absoluta transparência: o que será entregue, em que condições, por quanto tempo, quem fará a manutenção, quem responderá por danos e o que ocorrerá quando a concessão terminar? Patrimônio público não pode ser tratado como mobília que muda de endereço porque alguém assinou um contrato. A cidade pagou por esses bens. A cidade tem o direito de saber onde estão, quem os utiliza e em quais condições.

E a Câmara Municipal? A Câmara não pode ser espectadora dessa história. Vereador não foi eleito para assistir ao Executivo de camarote. Foi eleito para fiscalizá-lo. Uma concessão de 30 anos exige documentos, números, perguntas, acompanhamento e cobrança. A Comissão de Obras pode ouvir o DAE e o consórcio. Deve ouvir. Mas ouvir é apenas o primeiro verbo. Depois vêm cobrar, confrontar, acompanhar e, quando necessário, responsabilizar.
É justamente por isso que a discussão sobre a ADI não pode ser tratada como uma questão jurídica abstrata, confinada aos gabinetes e às páginas dos processos. Ela toca diretamente a capacidade do Legislativo de participar das decisões sobre o patrimônio e os serviços públicos de Bauru.

Pode-se argumentar que a Câmara não deveria autorizar concessões. Pode-se argumentar o contrário. O que não se pode fazer é fingir que a questão é irrelevante. Porque, se a exigência cair, o Executivo ganhará espaço de decisão. E quando um Poder ganha espaço, outro necessariamente perde. A matemática institucional não costuma respeitar discursos de ocasião. Também não é necessário transformar o debate numa guerra infantil entre “público bom” e “privado ruim”. Empresa privada pode prestar excelente serviço. Autarquia também. Ambas podem fazer exatamente o contrário. O problema verdadeiro é outro: quem controla quem?

Quando o município concede um serviço por 30 anos, não terceiriza sua responsabilidade. Terceiriza a execução. O dever de garantir qualidade, universalidade, modicidade tarifária e interesse público continua sendo do Estado. E se a concessionária se tornar institucionalmente mais forte do que o poder público encarregado de fiscalizá-la, teremos produzido uma situação bastante conveniente para quem recebe o contrato e bastante desconfortável para quem paga a conta. 

É por isso que o Ministério Público, a Câmara, o Tribunal de Contas e a sociedade civil precisam acompanhar cada etapa dessa operação. Não se trata de ser contra a iniciativa privada. Trata-se de impedir que a expressão “interesse público” vire apenas uma cláusula decorativa.
SE UM É RUIM, O OUTRO É AINDA PIOR

A festa de 130 anos termina. Os palcos são desmontados, os artistas seguem viagem e a cidade volta à rotina. O contrato, não. Ele permanece por 30 anos. E há uma ironia que Bauru deveria guardar: a comemoração dura alguns dias; a concessão atravessa uma geração. Talvez por isso seja prudente gastar menos tempo discutindo quem sobe ao palco e um pouco mais de tempo lendo quem ficou com o contrato.

Bauru precisava resolver a ETE Vargem Limpa. Precisava, e muito. Mas a necessidade de resolver um problema não transforma automaticamente a solução escolhida em verdade revelada. O contrato está assinado. Agora começa a parte menos glamorosa e mais importante: fiscalizar aquilo que foi contratado.
Porque o esgoto foi concedido.
A água continua com o DAE.
A gestão comercial será integrada.
A conta será única.
O patrimônio precisará ser disciplinado.
Os servidores serão reorganizados.
E o DAE terá de sobreviver institucional e financeiramente a uma nova realidade.
Enquanto isso, discute-se no Tribunal de Justiça se a Prefeitura sequer precisa da autorização da Câmara para realizar concessões futuras.
Convenhamos: é muita coincidência institucional para ser tratada como simples detalhe jurídico.
A pergunta, portanto, não é se a concessão é “boa” ou “ruim”. A pergunta de gente grande é outra:
Bauru tem instituições suficientemente fortes para fiscalizar, durante 30 anos, uma empresa privada que acaba de assumir uma parcela estratégica do saneamento municipal — e terá o Legislativo força suficiente para exercer esse controle?
Se a resposta for sim, que se demonstre.
Se houver dúvidas, que sejam esclarecidas.
Se houver conflitos, que sejam examinados.
E se houver irregularidades, que sejam corrigidas.
Porque saneamento não é espetáculo. Não termina quando as luzes se apagam. E contrato de 30 anos não pode ser tratado como detalhe de governo.
A festa, o pão e o circo acabam. O contrato fica. E a conta, essa, sempre encontra o cidadão.
FERNANDO REDONDO - Jornalismo Independente

quinta-feira, 6 de agosto de 2026

DICAS (272)


ALGO DA POESIA ENCONTRADA NAS RUAS PAULISTANAS - COMO FUI CONHECER A LIVRARIA PONTA DE LANÇA
São Paulo é a maior megalópolis deste pais. Aqui tem de tudo. Para se estressar um pulo, ainda mais em dias quando diante de uma greve nos trens da CPTM, parte da população padece um bocadinho mais para o seu ir e vir. Eu tento buscar descaminhos com menos agitos estressantes. No último domingo conheci o italiano Cristian, tradutor e marido da Kety, estagiária docente da Ana e ambos morando em Sampa desde muito tempo. Voltei lá do Center Norte, quando fui ver a convenção do PT, homologando Lula presidente e naquelas conversas de apresentação, ele descobriu que gosto muito de conhecer novas livrarias por onde ande. Passeamos todos junto lá pelos lados do Bexiga, na 100ª Festa da Echaropita.

Naquele dia não tivemos tempo de conhecer nenhuma livraria, mas ele me fez anotar algo sobre uma, que gostaria fosse conhecer. Trata-se da singela "PONTA DE LANÇA", encrustrada no meio de um bucólico e delicioso lugar, a vila Buarque e adjacências. Se dentro de Sampa existem lugares gostosos de ficar saracotiando, um destes é a Vila Buarque. Seus pontos comerciais são diferenciados e são a cara mais prazerosa que uma cidade grande pode expor e ter. Desço no metrô Higienópolis/Mackenzie e me enfurno por vielas que vão dar lá na rua Aureliano Coutinho. Quando chego nem acredito, o lugar não tem nada de grandão, mas logo de cara seu proprietário estava dispondo cadeiras na calçada, para quem quisesse pegar livros e ficar lendo debaixo de uma frondosa árvore, sem maiores delongas, tudo devidamente permitido.

Esse a cara da livraria e o clima do lugar. Por ali só livros descolados, todos novos, enfim ali uma livraria e não um sebo. Nos fundos uma mulher, provavelmente a esposa, sócia no pequeno negócio, dava aulas de desenho para uma menina, creio eu, filha deles. Viajei pelas estantes e senti no ar, tudo o que Cristian quis me mostrar quando me falava do lugar. Não tem nada assim de tão especial, mas tem tudo para quem busca um local repleto de paz. Na sequência, desço algumas ruas e dou de cara com um bar dos mais pequeninos, mas com aquilo tudo para se sentar na calçada e tomar uma boa gelada, sem preocupações e traumas existenciais. O Moela é destes lugares que só constam em catálogos de gente como eu, perdidos e loucos para achar um lugar desvairado onde possa desafogar os percalços todos.

E depois continuei andando, rodando em círculos e sem querer saber de horários e compromissos. Queria ir botando os olhos em lugares insólitos e inspiradores. Só quando me acalmei consegui me reposicionar e conseguir sair dali, indo dar com os costados em outros lugares com astral parecido.


EIS PORQUE LEIO SEMANALMENTE CARTA CAPITAL, ELA PERSEGUE A VERDADE DOS FATOS, COMO NA MATÉRIA DE CAPA DESTA SEMANA
Mino Carta, o prócer da revista, já falecido, tinha uma máxima e a usava para tudo: "minha revista segue a verdade factual dos fatos, doa a quem doer". E assim ela prossegue seu caminho, sem anunciantes destes grandões do mundo empresarial brasileiro, mas resistindo como aroeira, envergando, mas não se deixando quebrar. Neste momento, onde até as pedras do reino mineral observam o papel sendo cumprindo pelo ministro do STF André Mendonça, com decisões explicitamente favorecendo o clã Bolsonaro, algo perigoso e contrariando qualquer atitude isenta, no que diz respeito ao próximo pleito, principalmente o presidencial. O jui André Mendonça, todos sabem, possui um lado e dele não se afasta. Daí, pela repetição de seus atos, muito condenáveis, de proteção para Bolsonaro e os seus, o país diante de sério risco de ver essas eleições maculadas e tendo nos seus bastidores, algo a beneficiar um dos lados da questão. Neste caso, o pior de todos. Não existe como passar pano para tudo o que fizeram, fez e farão todos os membros desta nefasata famiglia Bolsonaro. Quem os defende, em primeiro lugar merece a suspeição. O que a revista faz é escancarar de uma vez por todas essas relações, mais do que perigosas e isso quando do início dessa insólita campanha política, talvez os dois meses mais preocupantes de nossas vidas, pois o que virá de fake news daqui por diante, preciusaria merecer uma ação rápida, soberana e totalmente isaenta de favorecimentos, o que se prenuncia, não ocorrerá. Tomemos todo o cuidado do mundo com André Mendonça e Nunes Marques, dois ministros que já demonstraram a que vieram. O país precisa contar, principalmente, com a ação de juízes isentos, pois estamos a um passo da barbárie.

quarta-feira, 5 de agosto de 2026


DEPOIS DE UNS TRINTA E TANTOS ANOS, VOLTO AO MUSEU DO IPIRANGA E ATÉ CONSIGO COMPARAR O QUE VEJO COM A SITUAÇÃO DOS DE BAURU

Dificilmente passo por uma cidade sem conhecer algum dos seus museus. Em Bauru isso hoje é impossível, pois os 3 existentes encontram-se fechados por ordem da alcaide fundamentalista. Em Sampa, visitei o do Ipiranga por algumas vezes e bota tempo nisso. Ele também permaneceu fechado por longo tempo. Uma interminável reforma. Reabriu já faz tempo e com acervo renovado, agita seus visitantes com algumas novidades. A recordação que tinha do passado eram as carruagens imperiais. Na nova repaginada versão elas desapareceram. E do que, eu e Ana botamos os olhos na visita de hoje, o saldo é muito positivo. O Ipiranga está muito pomposo, o parque está impecável e a visita em suas dependências algo mais do que recomendável.
O parque num todo está muito bem cuidado e o recado por lá bem claro: Neste palácio nunca morou ninguém, este lugar foi construído para ser local de exposições. E confesso algo aqui dos tantos museus visitados. Em quase todos adentro e olho seu acervo com um pé atrás. Todos sabemos que, a Históreia Oficial, a que aprendemos na escola ela ainda privilegia os poderosos, os donos do poder em detrimento da verdade dos fatos. Neste aqui, o do Ipiranga, algo bem evidente quando vejo logo na entrada aquelas estátuas com os bandeirantes. Esses caras foram cruéis, violentos e roubavam tudo o que viam pela frente. Vê-los ali todo pomposos e sem questionamentos é impossível. No Ipiranga vejo numa de suas salas algo sobre isso, o que me alegra, pois representa não só o novo momento da historiagrafia, como devolve muito da verdade a tanta mentira dita e repetida ao longo do tempo.
Passo pela famosa tela do Pedro Américo sobre a Independência, linda, ocupando quase toda uma parede de uma das salas e a amiga de Ana Bia que nos acompanhava, Kety, olhando para a imagem do homem puxando o carro de bois, me pergunta: "O que estaria pensando ele diante de tudo o que acontece ali ao lado?". Minha resposta é a única que poderia dar. Todos sabemos, ele nada sabia do que estava em curso e a gente, olhando para a tela, imagina se tudo aconteceu exatamente daquele modo e jeito. Isso tudo é o mínimo que se pode discutir sobre essa e outras questões. Telas encomendadas e hoje expostas em museus mundo afora, refletem uma visão longe da aproximação com a realidade. A encomenda ressalta sempre o lado bom de quem paga e isso está refletido em museus mundo afora, não sendo exclusividade tupiniquim.
Mas isso é um dos lados da questão. Eu não vou visitar museus para ficar criando caso e enxergando o outro lado. Vou, relaxo e me divirto. Neste museus paulista ocorreram muitas transformações do que foi um dia o velho Ipiranga e o que é hoje sua moderna versão. Deram uma misturada no passado e presente, numa viagem no tempo, mostrando peças de antanho e com algo mais recente, tipo como se deu a evolução de utensílios domésticos. Vejo poucas telas, poucas estátuas e também pouca coisa representando o que foi o Império brasileiro. Já na apresentação de como seu deu a sua construção, foram impecáveis. Belas maquetes e uma linda versão em braile, com peças podendo ser tocadas.
Eu já trabalhei por alguns anos cuidando do acervo existente em Bauru e hoje sinto uma dor interna por ver a situação onde desembocou nossos três museus, sendo que o Histórico Municipal possui todo seu acervo em liugar incerto e não sabido. Será uma labuta sem fim se um dia resolverem reabrí-lo, pois depois de tanto tempo, muitas peças devem ter se evaporado. De uma certa forma isso ocorreu no Ipiranga e com certeza, ocorrerá nos de Bauru. Outro nas mesmas condições é o de Jaú, também fechado e com acervo mantido em lugares insalubres e espalhados, se fracionando cada vez mais. Mas o Ipiranga conseguiu vencer isso de permanecer um bom tempo fechado e hoje reaviva a memória do público paulista. E depois do passeio interno, andar pelos jardins do palácio, vendo aquele monte de meninas que vão até lá diariamente para se deixarem fotografar, no nababesco lugar é pra encher os olhos. Ah, se tivesse tempo para ir visitar outros museus paulistanos, seria algo mais que ótimo, mas o tempo urge e os compromissos fazem dividir meu tempo e assim, um tiquinho em cada lugar. Amanhã tem algo mais, dentro de outra vertente.

terça-feira, 4 de agosto de 2026

AMIGOS DO PEITO (257)


HOJE ME DEIXEI LEVAR POR FAUSTO BERGOCCE NUM GLAMOUROSO PASSEIO POR SAMPA
Meu amigo Fausto Bergocce, reginopolense de quatro costados, nasceu aí nas imediações de Bauru, mas desde muito cedo aportou aqui por Sampa, morando desde sempre em Guarulhos, na Grande São Paulo e hoje, querendo reviver algo do seu passado ou mostrar para mim alguns dos descaminhos de sua vida, sabendo de minha estada por estas plagas, marca comigo de nos encontrarmos para um rolê, justamente num dos locais mais marcantes de sua vida, a Padaria Marajá, na rua Martins Fontes, há 50 metros de onde trabalhou boa parte de sua vida, na sede do Diário Popular, jornal publicando por décadas suas charges diárias. Almoçar no Marajá e ouvir suas histórias, dos tempos de antanho, quando se lembra, quem morava por ali, nas imediações, o cantante Geraldo Vandré, o jogador de bola Almir Pernambuquinho e, pasmem, depois ficou sabendo, o cachorrinho do delegado Fleury, cabo Anselmo.

A Martins Fontes era um agito e ele, saindo de madrugada, após o fechamento do jornal, a parada certa era na Marajá, ponto de encontro de jornalistas e boêmios. O jornal fechou há décadas e a Marajá resiste ao tempo. Bem defronte a padaria, um sacrosanto lugar, o Sebo Samba Discos, no nº 154. Eu e Fausto já conhecíamos o lugar e por ali, sempre boas novidades e preços baixos, mas se faz necessário sujar as mãos e vasculhar pilhas e pilhas, livros e discos, com muitas preciosidades. Para variar, escolho alguns e começo a carregar o peso na continuidade das andanças.

De lá, Fausto me faz adentrar o prédio da Biblioteca Mário de Andrade e defronte, além de uma foto juntos, explica do estilo arquitetônico, neo-nazista, onde a ideia é essa, a imensidão do prédio e a pessoa pequenininha nele. "Em São Paulo, dois outros projetos com essa característica, o estádio do Pacaembu e a Ponte das Bandeiras, todos da mesma época", me diz. De lá descemos até o Anhagabaú, pegamos o metrô, onde ambos, com mais de 65 anos, não pagamos passagem. Ele com sua carteirinha, que libera a passagem na catraca e eu de posse do meu RG. Descemos defronte o prédio da FIESP, em plena avenida Paulista.

O convite era para adentrramos o vetusto local, onde ali duas exposição, numa a Cartunistas, com fotografias de Paulo Vitale, todas tendo como pano de fundo cartunistas famosos. Um deles é o próprio Fausto e circulando pelos corredores, muita gente conhecida, desde os irmãos Caruso até o bauruense Gilberto Maringoni. Ao lado dessa, Fausto ri e me diz, ocorrer uma com alguém divindindo com ele o espaço, nada menos que a "Brecheret Modernista". Mais um edificante passeio, com ele me explicando das muitas fases do artista e do tempo, anos 40, como se deu seu trabalho na São Paulo da época.

Eu vou tentando assimilar tudo e quando saímos, poucas quadras, uma foto diante do parque Trianon, ambos sentadinhos no banco onde Maurício de Souza está junto de toda sua troupe, desde Mônica à Horácio. Atravessamos a rua e vamos descansar na cadeira de descanso junto ao vão do Masp. Não adentramos o museu e permanecemos um tempo por ali divagando e curtindo as pessoas que, como nós passeava por ali nesta tarde de terça. Fausto anota numa folha de papel o nome de dois livros, me dizendo ter que ler, pois me darão uma ampla visão da vida paulista de outros tempos, escrito por Roberto Pompeo de Toledo, o "São PAulo Capital da Solidão (Volume 1)" e "São Paulo Capital da Vertigem (Volume 2)". Guardo o papel e seguimos adiante.

Fausto me convida a seguir para descermos a Augusta e assim fecharmos uma volta pela cidade, desta feita caminhando até onde saímos. E assim começamos a descer a rua Augusta, com ele me comntando as muitas histórias dos tempos do jornal, quando a boêmia fervia por aquela rua e adjacências. Descemos numa prosa só, parando aqui e ali, adentrando galerias, espiando antigas boates, parando nas esquinas para explicações de como tudo funcionava décadas atrás. Eu conheci a Augusta tempos atrás, mas nãocomo Fuasto, alguns anos mais experiente e com maior vivência. Nunca morei em Sampa, só ia e via, convivendo en passant com tudo o que ia ouvindo.

Paramos no Cine Petrobras, parada obrigatória para se utilizar de um bom banheiro público e depois uma foto de Fausto ao lado de Oscarito e Grande Otelo. Na descidas, outra padaria, desta feita indicada por Juliano Guido, sabendo que queríamos tomar sorvete. "Essa meu pai me levava quando criança", nos diz. A Padaria Bologna tem um lindo piso, preto e branco, além de um ótimo sorvete. Foi uma parada pra descanso e na sequência, outra parada cheia de saudade, quando tiro foto dele diante onde antes funcionou o Spazio Pirandello, um bar cheio de charme de décadas atras. Fausto foi me contando de quando, num dia ali se encontrou com Henfil, numa tarde de longa conversa entre dois artistas do traço.

Passamos novamente defronte a Marajá e seguimos até a Barão de Itapeteninga, onde tenho que buscar uma mala, deixada para conserto. Nos despedimos na estação do metrô República, onde embarco no sentido Butantã e Fausto no contrário, indo até perto da estação Itaquera, onde seguirá até Guarulhos. Foi uma tarde e tanto. Primeiro reencontrei o amigo e com ele circulei por lugares que lhe dizem respeito. Uma tarde como essa é tudo o que precisamos para ser felizes, batendo perna por aí e fazendo com que, a vida tenha continuidade, aconteça de forma salutar e saudável. Fausto é como eu, alguém de bem com a vida e assim, vamos tocando elas adiante, desta forma e jeito, um visitando o outro de vez em quando.


segunda-feira, 3 de agosto de 2026

PALANQUE - USE SEU MEGAFONE (218)


SAMPA, SEGUNDA, IMENSIDÃO DE LUGARES PARA IR, ADIVINHEM ONDE APORTO? NA LIVRARIA CALIL ANTIQUÁRIA, UM OÁSIS DENTRO DA CAPITAL PAULISTA
Confesso, São Paulo está hoje um tanto lusco fusco. Nem chove, nem molha. O sol resolveu não sair, nem o frio. Ou seja, bom para bater perna. E o forasteiro sai pela aí com um destino certo. Levar uma mala para consertar lá num local na conhecida Barão de Itapeteninga, centro velho da cidade, número 50 e já na ida, paro numa vitrine anunciando uma livraria fora do comum. Na volta, inevitável para mim, subo até o 9º andar do n° 88. Nessa vitrine uma amostragem do que iria encontrar por lá. Um sebo é um sebo e por lá livros usados, mas neste, o diferencial são os antigos, relíquias e afins. Chego, caminho por um corredor até alcançar o fundo. Um sinal avisa ao atendente, da chegada de um novo cliente.

Entro e sou recebido por um jovem livreiro, Murilo Calil, 32 anos, neto do velho e já falecido Calil Atallah, um libanês que há 73 anos atrás inaugurou este espaço. Imaginem uma livraria não com portas abertas para as ruas, mas atendendo num amplo salão no alto de um edifício. Este o diferencial dessa e no mais, só mesmo vendo o resto. Circulo pelos seus corredores e peço se posso fotografar. "Sim, mas não nas capas dos títulos antigos e telas. Só fotos desfocadas", me diz. Começo a me maravilhar e num dos corredores uma senhora, sentadinha num banquinho, limpando livros com um improvisado espanador.

Começo com ela uma longa conversa e descubro ser ela Maristela Montesanti Calil Atallah, 65 anos, a proprietária da livraria. Por ali só ela e o filho, proprietários e funcionários do lugar, ela muito feliz, por sinal, pois conseguiu passar o legado ao filho e este demonstra muito querer dar continuidade para algo iniciado pelo seu avô. Ela me conta, como faz para ir limpando um por um, todas as estantes e mantendo tudo impecável, numa dedicação só encontrada mesmo em quem ama muito o que faz. E as histórias são muitas, uma delas repetida a mim, quando digo ser de Bauru. "Tive um fiel cliente de Bauru, ele vinha regularmente e só levava livros raros. Visitava a livraria quase todo mês. Não tenho o nome dele aqui no momento, mas de um momento para outro, nunca mais apareceu", me diz. Digo que, com certeza, deve ter falecido, pois ninguém abandona assim um velho hábito.

Tanto ela, como o filho são por demais atenciosos e uma delícia conseguirem tocar adiante algo iniciado há tanto tempo. Vi muita raridade e não pude permanecer o tempo necessário para vasculhar de acordo e como se deve um local de tamanha envergadura, mas o encanto foi imediato. Deixei de lado outros prováveis afazeres paulistanos e passei momentos inesquecíveis neste oásis paulistano. Sei, São Paulo possui alguns belos oásis e confesso, no velho centro da cidade, este um ainda intocável. Querendo passar por momentos como se estivesse num outro século, dentro de um mundo diferente, este um dos lugares. Não me arrependo nem um pouco de ter deixado de ir em outros indicados lugares nesta segunda, tudo por causa de ter sido despertado por uma vitrine. Nem pergunto o preço das raridades, mas acabo levando algo instigante, o livro "O ladrão do Fim do Mundo", do Joe Jackson, a história de um inglês e de como roubou 70 mil sementes de seringueira, acabando com o monopólio do Brasil sobre a borracha e dando fim no ciclo da borracha amazônica. Indico quem venha por Sampa e cansado das andanças, aportem por lá. Um lugar sem decepções.


UMA HOMENAGEM AOS 90 ANOS DE UM EMÉRITO PESQUISADOR DO BRASILEIRO, ROBERTO DA MATTA, DE AGORA EM DIANTE DEIXANDO A PESQUISA E BUSCANDO SÓ AMENIDADES
Acabo de apresentar um trabalho acadêmico sobre o Carnaval em Taquaritinga, ainda conseguindo levar pras ruas mais de 40 mil pessoas pros cortejos, numa cidade com aproximadamente 50 mil habitantes. Ele, o antropólogo ROBERTO DA MATTA explicava coisas desta natureza muito bem, aliás, sua especialidade. Uso seu livro, "A CASA & A RUA" para explicar, ou melhor, conseguir entender essas amostragens de como se dá a vida dialética deste brasileiro, enfim, nós mesmos. Ele me mostrou como ocorre essa divisão do universo social brasileiro entre a casa (o espaço privado, do afeto, do parentesco, na qual as leis não entram) e a rua (o espaço público, do trabalho, das leis impessoais, do desamparo). Vi isso bem explícito, essa tentativa que todos fazemos no dia-a-dia em transformar a rua em casa, usando para isso os laços de amizade e também redes de favor, até para conseguir fugir da frieza das leis e quetais. Eu o leio desde muito tempo, claro, tudo começando com livros como "Carnavais, Malandros e Heróis" e depois outro, texto curto, mas contundente, o "Que país é este?". Ele acaba de completar 90 anos de idade e decidido comunica, não mais efetuará pesquisas científicas e sim, parte para amenidades. Continuará escrevinhando, mas sem a pretensão de o fazer baseado em longas pesquisas.

Por ele fiz algo meio que abominável nos últimos tempos e aqui confesso: quando o vi, tendo ao fundo sua biblioteca e a manchete "O intérprete do jeitinho brasileiro chega, produtivo, aos 90 - Ele ensina que para entender um povo é necessário conhecer seus ritos e seus mitos. Ele explica porque mergulhou em temas como carnaval, jogo do bicho e futebol". Foi o bastante para me redimir, olhar para os lados e comprar um exemplar do Estadão. Ninguém estava me olhando e cometi o deslize, tudo pelo Da Matta. Enfim, como li no livro Malandros, "...uma multidão tão sem rosto e sem voz, junto a uma elite tão rouca de gritar por suas prerrogativas e direitos; uma intelectualidade tãopreocupada com o coraçãodo Brasil e, no entanto, tão voltada para o último livro francês; uma criadagem que passa tão despercebida e patrões tão egocêntricos". Para ele - e para mim e outros tantos - o povo brasileiro o intriga na "sua generosidade, sabedoria e, sobretudo, esperança".

Dele, na entrevista li algo pelo qual estou acometido neste exato momento de minha vida: "Até os 50 ninguém morre. Ninguém acha que vai morrer. Só depois os problemas começam a aparecer. (...) O maior sofrimento é nos conformarmos com a ideia de que somos finitos. E enxergar esse contrastemaravilhoso entre a nossa consciência da finitude e as artes, o cinema, a pintura, o teatro, os romances". Sofro diariamente ao me olhar no espelho e agora, com a aposentadoria, a minha chegando aos 65 anos - não que tudo tenha se encerrado -, me vejo como ele, cercado de livros em meu Mafuá - um privilégio - e queria poder no que me resta de vida ficar entretido com "amenidades". Lindo ler o que pensa sobre a IA e a inteligência artificial, acreditando que uma coisa talvez nunca se misture com a outra, exatamente por causa de um único diferencial: "nossa consciência é agasalhada por uma máquina chamada corpo humano e são esses vários tipos de memória, que fazem a nossa consciência". E por fim, quando analisa na entrevista ao vetusto jornalão dos Mesquita, algo sobre essa onda conservadora do momento: "Do ponto de vista da ética, somos reacionários, seguimos um sistema ético do século 19", E isso, por si só, nos leva a um profundo "estudo de caso", algo me levando para seus estudos anteriores. Enfim, li, leio e continuarei lendo Da Matta, até para conciliar o que entendo disto tudo, com estudos já realizados neste sentido. E assim como ele, cercado de livros e papéis em nossos locais particulares, não escrevo e nem prtoduzo como ele, mas leio além da conta e isso me move, a tentar chegar aos 90, com a mesma boa cabeça, sempre voltada para coisas e causas sociais. Agora mesmo, o que me move é eleger Haddad governador e reeleger Lula, pois não suportaria viver num mundo onde o fundamesntalismo religioso e político me impediria até de ler e expor minhas ideias. Quero continuar livre, leve e solto, mas isso não será mais possível com a extrema-direita no poder. Da Matta me explica muito bem isso tudo.

PRECONCEITO AO SAPO BARBUDO (233)


CONVENÇÃO PT, LULA E SUA REELEIÇÃO - EU HOJE NO EXPO CENTER NORTE

Existem coincidências que caem como uma luva. Vim pra sampa com a esposa Ana Bia, onde devemos permanecer por uma semana e justamente neste domingo, acontecia lá na Expo Center Norte, ao lado do terminal rodoviário Tietê, a Convenção Nacional do PT, a que homologa Lula como o candidato à Presidência da República, no caso dele, sua sucessão. Evidentemente, aqui estando, não tinha como estar em outro lugar. Quatro anos atrás estive na vitoriosa Convenção homologando Lula e comparecei novamente, como expectativas renovadas, pois mesmo diante de tanta coisa adversa, não tem como, sendo pessoa sensata, em querer se postar contrário a essa real possibilidade do país não cair nas mãos da perversa extrema-direita. E mais, sou petista, milito no Núcelo de Base, DNA Petista Bauru e assim, representando estes todos para lá me dirijo e assisto o evento do começo ao fim.

A entrada era limitada para dirigentes do partido, em todas suas instâncias, devido a limitação do espaço e abrigando gente de todo o país, ali se encontrando com candidatos de quase todos os estados da Federação. Vi gente desde a governadora do Rio Grande do Norte, ao senador por Rondônia, outro gaúcho, capixaba e assim por diante. Era possível ir trombando com gente conhecida do mundo político, destes que, na maioria das vezes só os vemos pelas redes sociais. Neste dia, todos ali diante de nossos olhos e mais que isso, podendo conversar, trocar figurinhas e se recarregar para os embates futuros que todos teremos pela frente. No palco, além de Lula e sua esposa, Alckmin e Haddad acompanhados. Nas falas convencionais, além de outras anteriores, falaram Edinho, o presidente do PT, depois Haddad, o candidato ao governo do estado de SP, Alckmin o vice-presidente e ele, Lula, que , creio eu, fez uso do microfone por aproximadamente 1h30. Deixando falaria mais e empolgado, relembra muito de sua vida e do que teremos todos pela frente.

Eu, vi tudo só e confesso, assim é melhor, pois não me prendo a nada, circulo por onde e quando quero, sem ter que permanecer atado e preocupado com outros junto de mim. Desta forma e jeito, circulei muito, não parando um só instante, ou melhor, só mesmo quando para as falas destes últimos citados. Trombei com tantos, destes que mantenho estreita admiração e de todos, recebi afeito mútuo, troca de figurinhas num momento em que, nós e eles, os já eleitos e candidatos estamos todos nas ruas, em busca da continuidade de um projeto salvador para o Brasil. Isso é relevante e nos une, o fato de termos todos plena consciência desta eleição ser um marco divisório, ou seguimos livres ou seremos todos podados e de certa forma, eliminados de participação política. Essa reunião política possui este motivo embasador, o de unidos termos uma ótima chance de vencer e assim ocorrendo, ver o país continuar florescendo, do contrário, o caos intalado e todos num mato sem cachorro.

Pelas minhas fotos alguns e algumas pelas quais pedi uma foto junto, pois os admiro, respeito e acredito no que fazem. Não pediria foto para depois expor e ao lado de alguém que desacredito. Gosto muito de estar em lugares como este, com prováveis e improváveis encontros e reencontros. Saio recarregado, algo mais do que necessário, ainda mais num momento como este. Pelo que já estamos observando ocorrer desde já, a partir do dia 16/8, quando oficialmente se iniciar a campanha - que neste ano será curta, dois meses -, uma já declarada guerra estará deflagrada. Todos sabemos disso e o que fazemos numa Convenção Nacional como essa é exatamente, essa obrigatória parada, ato oficial e a partir daí, com o pontapé inicial dado, dar início a contenda. Não temos muito o que fazer além de lutar muito e de forma organizada, se mostrar melhor que o cruel e insano oponente. O PT possui ainda um enorme cabedal de nomes, mais do que segestivos para o enfrentamento que se dará daqui por diante. Junto de outras agremiações com o mesmo ideal - pelo menos neste momento -, a vitória poderá ocorrer, mais do que viável, porém, nada ocorrerá sem "sangue, suor e lágrimas". Reúno folhetos, adesivos, propaganda de uns e outros, trago livros, cartazes, brindes e compro camisetas, bonés e bandeiras. E assim, quando tudo termina, volto para meu canto paulistano, com parada num restaurante, onde reencontro a esposa junto de amigos, mostro o que trouxe e quase fico sem nada. Todos quiseram algo, princiupalmente os adesivos. Ou seja, a querência por Lula neste momento é alta e precisa melhorar mais, para a vitória ocorrer ainda no 1º Turno.

OBS.: Conto algo da chegada, quando se fazia necessária uma pulseira para adentrar o evento. Ela foi distribuida na quantidade de 40 para para Macro Região do PT. Estava fora de Bauru e não tinha a minha. Cheguei e logo na entrada vejo um militante saindo - para cuidar da mãe, 90 anos -, páro para conversar e ele, ao saber não tinha pulseira, se predispôs a tirar a sua, colocando-a em meu braço. Trata-se de Serginho, da ABAESP e fico de descrever seu feito, até para demonstrar como somos generosos um para com os outros. Isso é a verdadeira prática socialista e de uma agremiação política onde o ser humano conta mais que tudo o mais. Das conversas que tive com todos estes, sempre surpresas positivas e acrescentando algo mais para mim. Fosse aqui contar as conversas com tantos, de vários estados brasileiros, o espaço teria que ser imenso. Resumo tudo numa só frase: Sai de lá muito recarregado.


sábado, 1 de agosto de 2026

INTERVENÇÕES DO SUPER-HERÓI BAURUENSE (193)


CRÔNICA DOS 130 ANOS DE BAURU - NÃO FOI POR FALTA DE AVISO

Parece que, com a alcaide bauruense, a fundamentalista Suéllen Rosin, não existe meio termo, nem meios de lhe dar toques, pois pela forma teocrática como exerce seu mandato, os únicos com este poder são seus pais, parceiros na empreitada de levar adiante a missão de mando sobre Bauru. Muitos já tentaram abrir seus olhos, indicando caminhos opostos ao que, faz questão de seguir, mas como todo cabeça dura, segue sua sina destrutiva, sem dar ouvidos para a patuléia.

Guardião, o intrépido super-herói destas plagaa insiste nestes toques mensais, na forma irônica, pois vê que indo pelo caminho da seriedade, nada conseguiria. "Suéllen, como se sabe, é bolsonarista. Quando observa-se, depois de tudo o que já foi revelado de Flávio e de toda famiglia Bolsonaro, muitos cegamente o louvando como salvador da Pátria, algo parecido ocorre com essa inconcebível administração pública municipal de Bauru. Até as pedras do reino mineral sabem que, dia mais dia tudo se findará da pior maneira possível, tal a sequência de fatos dantescos, mas isso parece ser pouco e age como se estivesse num mar de tranquilidade. Nero agiu assim, Mussolini e Hitler não tinha quem interompesse suas ações, Idi Amim continuaria agindo tresloucadamente não fosse interrompido e não nos esqueçamos, Donald Trump não ouve ninguém e assim leva os EUA para sua bancarrota enquanto Imperio. Suéllen faz parte deste segmento. Onde isso vai dar, tenham certeza, boa coisa não será", expoē Guardião seu ponto de vista.

E tudo culminando com o aniversário, os 130 anos de Bauru, uma data redonda onde as comemorações - se é que existem de fato - se concentram em shows musicais. "Olhemos para todos os lados e com a máxima atenção: diante de tanta barbaridade existe algo pra se comemorar? Os retrocessos são evidentes, obras paradas e promessaa de outras, que nunca sairão do papel. A cidade está relegada ao plano do abandono, suas instituições, antes pujantes, hoje sendo dilapidadas e sucateadas, vide o que acontece com o DAE. E ela, a alcaide, agindo como se nada estivesse ocorrendo. A melhor imagem representando este triste momento é o da chave da cidade, diante de tantos atos danosos e perversos seguidos, ter alcançado um descomunal tamanho, fazendo com que não possa mais ser carregado por ela. E assim, ela cai por terra, conduzida até aqui pelos próprios atos e descaminhos, sendo tragada pelo tombo, provavelmente caindo num dos tantos buracos de nossas ruas e na sequência, permanecendo à espera de internação por semanas, deitada numa maca. Este a imagem mais próxima como resultado da sequència de atos, onde mesmo sendo alertada, preferiu seguir pelos descaminhos. Bauru não merece chegar aos seus 130 e ser gerenciada desta forma e jeito", conclui.

Obs.: Guardião é obra do traço do artista Gonçalez Leandro, com pitacos escrevinhativos do mafuento HPA e é publicada todo dia 1° de cada mês.