quarta-feira, 5 de agosto de 2026
DEPOIS DE UNS TRINTA E TANTOS ANOS, VOLTO AO MUSEU DO IPIRANGA E ATÉ CONSIGO COMPARAR O QUE VEJO COM A SITUAÇÃO DOS DE BAURU
Dificilmente passo por uma cidade sem conhecer algum dos seus museus. Em Bauru isso hoje é impossível, pois os 3 existentes encontram-se fechados por ordem da alcaide fundamentalista. Em Sampa, visitei o do Ipiranga por algumas vezes e bota tempo nisso. Ele também permaneceu fechado por longo tempo. Uma interminável reforma. Reabriu já faz tempo e com acervo renovado, agita seus visitantes com algumas novidades. A recordação que tinha do passado eram as carruagens imperiais. Na nova repaginada versão elas desapareceram. E do que, eu e Ana botamos os olhos na visita de hoje, o saldo é muito positivo. O Ipiranga está muito pomposo, o parque está impecável e a visita em suas dependências algo mais do que recomendável.
O parque num todo está muito bem cuidado e o recado por lá bem claro: Neste palácio nunca morou ninguém, este lugar foi construído para ser local de exposições. E confesso algo aqui dos tantos museus visitados. Em quase todos adentro e olho seu acervo com um pé atrás. Todos sabemos que, a Históreia Oficial, a que aprendemos na escola ela ainda privilegia os poderosos, os donos do poder em detrimento da verdade dos fatos. Neste aqui, o do Ipiranga, algo bem evidente quando vejo logo na entrada aquelas estátuas com os bandeirantes. Esses caras foram cruéis, violentos e roubavam tudo o que viam pela frente. Vê-los ali todo pomposos e sem questionamentos é impossível. No Ipiranga vejo numa de suas salas algo sobre isso, o que me alegra, pois representa não só o novo momento da historiagrafia, como devolve muito da verdade a tanta mentira dita e repetida ao longo do tempo.
Passo pela famosa tela do Pedro Américo sobre a Independência, linda, ocupando quase toda uma parede de uma das salas e a amiga de Ana Bia que nos acompanhava, Kety, olhando para a imagem do homem puxando o carro de bois, me pergunta: "O que estaria pensando ele diante de tudo o que acontece ali ao lado?". Minha resposta é a única que poderia dar. Todos sabemos, ele nada sabia do que estava em curso e a gente, olhando para a tela, imagina se tudo aconteceu exatamente daquele modo e jeito. Isso tudo é o mínimo que se pode discutir sobre essa e outras questões. Telas encomendadas e hoje expostas em museus mundo afora, refletem uma visão longe da aproximação com a realidade. A encomenda ressalta sempre o lado bom de quem paga e isso está refletido em museus mundo afora, não sendo exclusividade tupiniquim.
Mas isso é um dos lados da questão. Eu não vou visitar museus para ficar criando caso e enxergando o outro lado. Vou, relaxo e me divirto. Neste museus paulista ocorreram muitas transformações do que foi um dia o velho Ipiranga e o que é hoje sua moderna versão. Deram uma misturada no passado e presente, numa viagem no tempo, mostrando peças de antanho e com algo mais recente, tipo como se deu a evolução de utensílios domésticos. Vejo poucas telas, poucas estátuas e também pouca coisa representando o que foi o Império brasileiro. Já na apresentação de como seu deu a sua construção, foram impecáveis. Belas maquetes e uma linda versão em braile, com peças podendo ser tocadas.
Eu já trabalhei por alguns anos cuidando do acervo existente em Bauru e hoje sinto uma dor interna por ver a situação onde desembocou nossos três museus, sendo que o Histórico Municipal possui todo seu acervo em liugar incerto e não sabido. Será uma labuta sem fim se um dia resolverem reabrí-lo, pois depois de tanto tempo, muitas peças devem ter se evaporado. De uma certa forma isso ocorreu no Ipiranga e com certeza, ocorrerá nos de Bauru. Outro nas mesmas condições é o de Jaú, também fechado e com acervo mantido em lugares insalubres e espalhados, se fracionando cada vez mais. Mas o Ipiranga conseguiu vencer isso de permanecer um bom tempo fechado e hoje reaviva a memória do público paulista. E depois do passeio interno, andar pelos jardins do palácio, vendo aquele monte de meninas que vão até lá diariamente para se deixarem fotografar, no nababesco lugar é pra encher os olhos. Ah, se tivesse tempo para ir visitar outros museus paulistanos, seria algo mais que ótimo, mas o tempo urge e os compromissos fazem dividir meu tempo e assim, um tiquinho em cada lugar. Amanhã tem algo mais, dentro de outra vertente.
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