segunda-feira, 31 de agosto de 2026

CARTAS (259)


o antes
O QUE POUCA GENTE DIZ SOBRE A PARADA DA DIVERSIDADE
Seria muito desleal se tivesse algum posicionamento contrário a relaização da Parada da Diversidade de Bauru. Estive junto so staff que a criou, seu primeiro ano nas ruas, quando da última administração de Tuga Angerami (2005/2008) e dos primeiros passos, guardo inenarráveis recordações, todas positivas. Foi uma luta para vergar interesses outros, os que sempre se mostram contrários a qualquer tipo de manifestação popular. Para cad uma existe um preconceito na ponta da língua. vergamos todos eles e a Parada, não só vingou, como se firmou. Teve seus altos e baixos, resistiu ao tempo e hoje, olhando para trás, vejo como o seu ponto mais problemático, o quando a usaram para privilegiar um grupo político, em detrimento do evento no todo. A Paradas deve ser entendida e tocada diante como uma ação coletiva e nunca, como iniciativa de uma só pessoa ou grupo político.

Quando a deixaram, ano após ano, ir perdendo sua característica de protesto, de alavancar não só a questão maior, a da causa LGBT, ela insuflada por interesses pertinentes à atual administração, acabaou deixando ser uma Parada em movimento, para se tornar estática. Junto a isso, um dos grandes problemas foi o de pagar um alto cachê para um artista de renome e quase nada para os locais, que são muitos e bastante representativos. Inesquecível, anos atrás, ouvir de alguns destes, que se apresentariam gratuitamente, pois se não o fizessem, não mais seriam chamados para as apresentações numa específica casa noturna. O bonito de uma festa verdadeiramente democrática é saber também valorizar o artista local.

Neste momento, quando anunciam com grande pompa da Parada voltar a ser um desfile, vejo a mudança de local como algo ainda envolto em certa névoa. Por que não mais as Nações? A balela do impedimento de eventos musicais no Vitória Régia já foi desmontada, pois os dirigentes do Hospital das Clínicas, junto da USP, disseram que nunca partiu deles nada neste sentido. Ou seja, tudo da cabeça da alcaide. A Parada tem a cara das Nações, saindo da Praça da Paz e percorrendo a Nações Unidas até o parque Vitória Régia e lá um show, com congraçamento popular. Essa tentativa de criar um novo espaço é algo ainda esquisito. Precisa ser melhor entendida e discutida. A cidade não pode aceitar tudo o que lhe é imposto, sem reagir, contestar e sem sequer poder mostrar a viabilidade do contrário.

Fui lá na Nações Norte hoje pela manhã e vi dois trios elétrico posicionados lá no alto da avenida, quase na rotatória, perto da rodovia Bauru/Marília e uma longa distância, entre essa provável concentração e o local do palco, lá quase perto da rortatória final da avenida, quando se funde com a Nações Unidas. Achei o percurso longo demais e se for mantido, creio vai dar uma canseira desnecesária em todos os que estiverem prontos para festar nas ruas. O trajeto precisa ser diminuido, pois chegar cansado lá embaixo é algo meio que impraticável e impensável. No mais, torço para que, agora com várias insituições e agrupamentos ligados à causa tomando a dianteira, ocorra menos politicagem e mais o desfraldar das reais bandeiras do movimento que as criou.

Estar nas ruas se faz necessário e logo mais me junto a uma boa cambada de amigas (os) e juntos estaremos mais uma vez nas ruas. Tenho boas lembranças de quando tudo foi criado e, nas ruas, víamos gente de todas as matizes sociais e políticas da cidade, num congraçamento necessário. Só para terem uma ideia, o arquiteto Jurandy Bueno Filho, de saudosa memória, fez questão de estar nas ruas, com todo seu charme e fidalguia, sendo um dos marcos das primeiras. Ou seja, olhando para trás tem muita coisa boa que já aconteceu em função da realização das Paradas e quando a vejo levando gente para as ruas, trazendo tantas outras da região, não existe como ficar dentro de casa e ver a banda passar sem lá estar. Eu, este meu eterno olhar crítico, lá estarei e não só festando, mas se posicionando, de forma clara e límpida, como todos devemos fazer neste momento tão crucial para os destinso de nosso país.

o durante e o depois
PARADA EM BAURU, "A RUA É NOSSA", VOLTA A SER UMA DAS MAIORES MANIFESTAÇÕES PÚBLICAS DESTA CIDADE
A Parada da Diversidade pode ter alguns problemas, como os tem, mas eles, todos reversíveis, não escamoteia algo que suplanta tudo, o de se constituir hoje na maior manifestação de rua bauruense. Pode olhar para todas as demais e constatar, sem medo de errar, é a que leva mais pessoas para as ruas. Bauru continua sendo um pólo regional e com a pegada da Parada sendo acionada, a quantodade de gente que converge para cá é imensa. Quando por lá, tomando minha cervejinha junto ao um dos pequenos comerciantes ali instalado, quase defronte o palco principal, tudo lotado, falamos sobre eventos como o que estávamos presenciando e ele, emocionado me diz: "Isso aqui não pode ter fim nunca. Olha o que está nos proporcionando. Não tem igual dentro de toda Bauru".

É a mais pura verdade e isso não tem como querer esconder, muito menos tapar o sol com a peneira. Eu, ainda pela manhã, quando fui espiar como tudo se daria, achei longo o percurso a pé que o pessoal teria pela frente. O das Nações era muito menor e nem o da avenida Paulista é tão longo. Mas quando vi os três trios elétricos descendo, eu indo de carro um trecho, estacionando e voltando para presenciar a descida, percebi que, o tempo ajudou, não tínhamos um sol de rachar de mamona e andando, cantando, se divertindo, conclamando pela possibilidade de ali estar, tudo fluiu de forma eficiente. Enfim, deu tudo certo. E até o slogan fixado nas laterais do trio elétrico tinha tudo a ver: "A rua é nossa".

Minha crítica é somente uma. O parada precisa urgentemente se soltar de ter um dono, alguém que se mostre como seu diretor maior. Ela sobrevive e deve fazê-lo cada vez melhor, quando conseguir de uma vez por todos se livrar deste peso. Hoje, com tantos agrupamentos querendo tomar a dianteira e o fazendo, ela ocorre com mais desenvoltura e isso é o primeiro reflexo de algo libertador. Muitas entidades na preparação, organização e dando ideias de como tudo deve ocorrer, isso é revolucionário, transformador. Os recursos todos alocados para a finalidade da Parada precisam ser administrados coletivamente e não por mão de ferro, concentrando-se num só agenciador. Quanto mais isso for decisão coletiva, do agrupamewnto reunido em torno do evento, melhor para tudo e todos. Isso deve acontecer já nos próximos, pois ficou evidente que, sem amarras tudo flui de forma considerável e imimitado.

Ouvi numa das poucas falar com direta ação política, algo realmente positivo sobre eleições e política. Talvez tenha passado batido por muitos, não por mim. Com o microfone nas mãos e sendo ouvido em alto e bom som, uma das grandes representantes de todos ali presentes, tendo suado a camisa em todas as Paradas disse algo assim: "Nós temos que votar em quem está do lado da gente". Creio eu, não se faz necessártio dizer mais nada. O voto dessa imensa comunidade e de todos no seu entorno, quiçá do Brasil, deve ser dado por quem nã ose mostra preconceituoso, não ofende e não expele fogo, imbecilidades contra toda e qualquer minoria - essa já deixou de ser há muito tempo - deste país. Não foi preciso ninguém fazer discursos eloquentes, pois o recado, creio eu, foi muito bem dado, "a gente deve votar em quem está do lado da gente".

Assim eu vi e presenciei a 19 Parada da Diversidade de Bauru. Abracei um tanto de pessoas que não via há muito tempo, abracei e fui abraçado, circulei incógnito no meio da massa humana, pois na Bauru de hoje é cada vez mais comum a gente não ser mais reconhecido em lugar nenhum. Poucos continuam possuindo o dom de ter conquistado ser reconhecido por quase todos. E é muito bom circular de forma incógnita no meio das massas, ouvindo e percebendo como elas se movimentam, tentando entender para onde caminham, com quem caminham e dos reais motivos delas estarem ali concentradas, unidas e compactadas numa direção. Não sei se consigo, mas tento construir isso tudo dentro de minha compreensão de como se dão as coisas neste mundo, principalmente, neste meu mundo, dentro da aldeia onde moro e promovo minhas maiores ações. Vejo a Parada como oxigenadora de muita coisa, ainda mais dentro deste mundo sendo cooptado por um tacanho conservadorismo, beirando um perigoso fascismo, que a tudo exclui e persegue. Unidos nas ruas o povo precisa entender que é cada mais imbatível. Sempre foi e assim será ad eternum, basta entender isso e colocar em prática isso de conduzir tudo o mais, sem medo de ser feliz.

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