segunda-feira, 24 de agosto de 2026

DOCUMENTOS DO FUNDO DO BAÚ (221)


ALGO MAIS DA PASSAGEM DO ARQUITETO NABIL BONDUKI POR BAURU E A QUESTÃO URBANÍSTICA E DO PATRIMÔNIO HISTÓRICO
Estive nos três últimos, todos importantes, acontecimentos políticos envolvendo a presença do presidente Lula em São Paulo. No primeiro a Convenção do Haddad em Souza, distrito de Campinas, depois no Expo Center Norte, a Convenção do Lula e por fim, o incío de sua campanha, no estádio de vila Euclides, em São Bernardo do Campo. E depois disso, onde houver acontecimentos engrandecedores nesta campanha pela reeleição de Lula, também por contribuir pela eleição do Haddad governador, Mariana e Tebet para o Senado, tendo a possibilidade, lá estarei. Diante disso, passaram por Bauru duas pessoas pelas quais admiro muito, primeiro a candidata a deputada federal Erika Hilton e por último, o candidato também a deputado federal, vereador paulistano, arquiteto e urbanista paulistano NABIL BONDUKI e também compareci. É onde ando e com quem o faço, fazendo questão de fazer relatos por estes meus meios.

Nabil vem a Bauru para dar continuidade em sua campanha política, buscando ser mais conhecido no interior paulista e também para ministrar uma aula magna no curso de Arquitetura da FAAC Bauru, onde já esteve outras vezes. Seu currículo é extendo dentro do cabedal como professor sênior da FAU-USP e a primeira lembrança que dele tenho é como secretário municipal de Habitação do excelente governo municipal paulista de Luiz Erundina. De lá para cá seu nome não mais saiu das paradas de sucesso e hoje, confesso, sou um baita admirador do ele faz com seus pequenos vídeos, mostrando lugares de São Paulo - já expandidos para o Estado todo -, com aquela pitada do seu metiê, a Arquitetura e o Urbanismo. Ele faz, o que todos nós deveríamos fazer pela aí, ir aos lugares e descrevê-los, bela beleza, ressaltando sua importância e se for o caso, algo da luta pela sua preservação. Ele já deve ter uns 600 destes pequenos vídeos gravados e postados, com verdadeiras aulas urbanas. Sou fã e tive a honra de participar de um deles, quando estivemos juntos assistindo a um jogo no campo do Juventus, na Móoca.

Daí ele vem pra Bauru, depois de circular por outras cidades do interior paulista, aqui de nossa região. O primeiro lugar, seu ponto de chegada seria num lugar mais do que merecedor de um destes seus vídeos, o Bar Ubaiano, defronte o campus da Unesp Bauru. O horário, 17h30, e no convite para discussão, a propositura "roda de conversa sobre Cultura e Periferia". Fui e por lá me deparo com alguns conhecidos. Nabil estava atrasado, enroscado em outros lugares e estabelecemos uma conversação prévia. Quem por lá já estava era sua secretária, espécie de Assessora de todas as horas, a competente Rayssa Cortez e junto dela, o assessor de Imprensa, jornalista dos mais renomados e quiçá, bauruense, Gilson Ribeiro, junto de três amigos, o Diretor de Cultura de Arealva, Gilson Carraro, o ex-dirigente cultural Paulinho Pereira e o advogado e sempre militante político Arthur Monteiro Jr. Com estes todos ali juntos, o Nabil enroscado na estrada, produzimos nós mesmos a tal roda de conversa. Ubaiano circulou entre nós, reconheceu alguns, papeou e como não poderia deixar de ser, até porque o lugar sugestionava, abrimos algumas cervejas.

Falou-se de tudo um pouco e como não poderia de ser, até pelo longo de ausência em Bauru, registro algo das histórias relatadas pelo, agora visitante Gilson Ribeiro, que como jornalista já passou por redações variadas e caímos em personagens, pelos quais já escreveu dois belos livros. "Casagrande e seus demônios" e "Sócrates & Casagrande, uma história de amor", são os tais livros, dissecados de forma rápida ali com os cotovelos enconstados no balcão, isso tudo permeado com as lembranças dele por aqui, tendo estudado nos cueiros junto do Arthur. Ou seja, conversar ótimo para um ambiente como onde nos encontravámos. Eu e Carraro éramos expectadores e as vezes, com alguns pitacos, fizemos aquilo que a gente denomina como, grande motivador para se permanecer horas e horas dentro de um bar. Quando o papo é bom, a conversa é prolongada e se estende até não mais poder. Foi o que fizemos, pois Nabil, muito atrasado não pode vir ao Ubaiano e assim, com retribuição ,chegamos bocadinho atrasados em sua Aula Magna. 

Na Aula Magna, cujo tema é mais do que instigante, tema também de seru último livro, "Urbanismo na Corda Bamba - Crônicas para enfrentar a crise das cidades", coordenado pelo Departamento de Arquitetura, Urbanismo e Paisagismo da Unesp, tendo à frente dois professores o acompanhando na conversação, Adalberto Retto Jr e Kelly Magalhães. Numa sala, onde me sentei ao lado do jornalista Aurélio Alonso, tendo logo atrás o professor Fábio Pallotta e o advogado Luiz Henrique Herrera, hoje vice-presidente do Codepac Bauru. E após as apresentações, feitas pela Kelly, a fala inicial do Adalberto, sem mais salamaleques, Nabil falou, principalmente para os estudantes presentes.

Não foi uma Aula Magna como de costume e sim, uma conversa franca, tendo ao fundo estes temas todos, alguns muito pertinentes ao dia a dia da rotina de uma cidade como Bauru. O danado, além de toda sua experiência, como administrador, legislador e professor, possui o dom da oratória e como tem currículo e conhecimento, experiência própria, vivência de ruar e construir algo pensando no bem coletivo urbano, deixou todas e todos impressionados. Foi uma conversa franca e objetiva, sem salamaleques, tocando em pontos nevrálgicos de nossos problemas diários. Cito dois exemplos, quando ele disse sobre algo bem explícito do que acontece hoje dentro das Câmaras de Vereadores, com "a maioria dos vereadores não lê mais os projetos". Passamos por isso, pois aqui, caindo como uma luva, não lêem, mas votam todos chegando com o voto decidido. Depois toca em outro ponto, também já vivenciado por aqui, o de que além da pouca análise técnica, os Conselhos de Patrimônio possuem hoje a maioria de seus membros dominada pelo poder público, ou seja, quando precisam votar algo, a decisão é quase sempre favorável ao interesse do mandante local.

Num certo momento desfere algo, pelo qual, não só aprecio, como comungo e pratico: "Fazer política é também escrever artigos". Ele o faz com cabedal, pois possui histórico, folha corrida de projetos junto aos movimentos sociais. "Quando a gente escreve algo estamos interferindo com a nossa opinião". Escreveu artigos para Carta Capital e semanalmente para a Folha de SP, até 2023, quando foi afastado. Quando o espaço impresso foi dificultado, migrou para as redes sociais e assim, como também descobri, "a rede social permite chegar em mais pessoas, com uma linguagem mais acessível". Enfim, sua fala foi apreciada por todos e acabo abrindo o rol das perguntas o questionando sobre o que ouvi: "Essa cidade, cujo progresso se deu por causa da ferrovia, já tivemos destombamentos, temos também o poder público dominando os conselhos municipais e assim, a dificuldade do entendimento da importância do tomabamento histórico é imensa. Já ouvi aqui de uma senhora, dona de um imóvel prestes a ser tombado, ela achando lindo ver isso na Europa, mas não no seu imóvel. Digo mais e de seua resposta, resumo tudo numa frase: "Patrimônio não pode ser Política de Governo e sim de Estado". A partir daí, entendimentos facilitados, porém, como isso não ocorre, padecemos e assim estamos constituídos, fracionados e eternos esgrimadores por uma causa mais do que justa, ingrata, porém salutar.

Ele é didático com todos os presentes: "O planejamento surge para bloquear e estancar um fazer sem controle, pois vivenciamos proceder onde os proprietários querem ter liberdade para fazer o que quiserem. A questão patrimonial é hoje uma das nossas maiores dificuldades, daí, o vanço através dos planos urbanísticos, tem que ocorrer através de um processo participativo. (...) É cada vez mais difícil uma intervenção nossa, quando fora da política, este o motivo para continuar participando e ir ocupando espaços. (...) Se a visão neoliberal predominar, perderemos os espaços públicos e irão destruir tudo o que foi já conquistado. (...) O que é a cidade saudável? Luto pela integração das políticas públicas, ou seja, uma cidade para as pessoas". Foi o que consegui captar e aqui descrevo. Das perguntas dos estudantes, algo marcante foi como os presentes estavam sintonizados, não só com o que aprendiam ali dentro da universidade, em seus cursos, Arquitetura e mesmo desugn, mas em como poderão exercer na prática algo pensando no coletivo das pesssoas vivendo nas cidades. Creio ser este o objetivo maior de suas falas por aí e quando tudo é afunilado para algo neste sentido, ele sai plenamento satisfeito das conversas.

Por fim, Nabil é candidato e circula pelo interior paulista. É um urbanista andarilho, observador atento do que se passa nos mais diferentes lugares, fazendo questão de não só anotar, mas registrar através de seus vídeos, algo de cada lugar. Difícil passar por um lugar sem registrar algo. De Bauru já fez algo no passado e hoje, está antenado com o o que acontece com a privatização da água, nosso DAE e a imensa área do Aeroclube, hoje em vias de se transformar num palco de especulação imobiliária. De lá, ainda o sigo até o restaurante com comida árabe - seu nome diz tudo -, o Lokma Café, onde conversas tiveram continuidade. De tudo, quando batido no liquidificador e depois coado, afunilado, o entendimento é de que, este HPA continuará nessa pegada, indo atrás de quem pode transformar este país e mais que tudo, não possui só discurso bonito, mas tem algo mais que comprovado de luta, resistência e compromisso popular. Daí, me verão indo e vindo aos lados destas e destes, os que me movem, tornando minha vida mais palatável e agradável. Lula, Haddad, Erika e Nabil, são alguns destes.

Eis algo gravado por mim da fala do Nabil em sua aula magna na Unesp Bauru:

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