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segunda-feira, 5 de outubro de 2009

A DESPEDIDA DE "LA NEGRA"

Nas palavras de sua amiga, Teresa Parodi, um resumo do sentimento de muitos:
“…Mercedes, salmo en los labios
amorosa madre amada
mujer de América herida
tu canción nos pone alas y hace que la patria toda
menudita y desolada no se muera todavía,
no se muera porque siempre cantarás en nuestras almas…”
Una cosa Sosa -Por Juan Sasturain
"Mercedes era una cosa Sosa./ Con mayúscula, digo: tucumana/ cantora sola, voz soberana,/ clase de una, negra y golosa.

Pero ante todo, fue generosa/ con el verso y la oreja americana./ Nos cantó a don Ata y a la hermana/ Violeta, al Cuchi y a Zitarrosa.

Mercedes hizo su destino en vida./ Más allá del aplauso y de la fama/encarnó a la Tierra. Confundida/ en piedra y consumida en llamas/ queda la imagen final, tan parecida/a un Buda criollo, a la Pachamama".

MEMÓRIA ORAL (73)

O PASSADO DE NOVO HORIZONTE GUARDADO NOS FUNDOS DE UMA CASA
A história que começo esse texto se passou há uns 15 anos. Estava vindo de carro de Catanduva com destino a Novo Horizonte e no trevo um senhor, já com certa idade a pedir carona. O levo e se inicia ali algo a emocionar. Fui conhecer seu trabalho e suas atividades. Esse senhor é JOÃO ANTONIO VAZ e o que me mostrou acabou por me marcar ao longo desses anos. Mantinha como podia uma pequena empresa de encadernação, tudo num local apertado, defronte sua residência, na avenida da Saudade 200, quase no centro de Novo Horizonte (112km de Bauru). Passei por ali mais algumas vezes e numa das últimas, diante daquele rico material, constituído de mesas com tipos, prensas, guilhotinas de papel, faz um desabafo a me marcar: “Quando se for, tudo se perderá, pois meus filhos, cada um seguiu um caminho diferente. Nenhum seguirá fazendo o que faço”.

Nas vezes seguintes, ao passar por ali ao longo desses anos, presenciava a porta fechada ou ocupada com outra atividade (na parede está inscrito ter sido utilizado por uma Tapeçaria). Triste, passava rápido pelo local, não querendo saber da consumação de algo que estava mais do que previsto. Dessa vez (02/10/2009), não resisti e pouco antes do almoço, pergunto sobre ele e para minha surpresa, residia ainda na casa, não exercia mais a antiga profissão, mas resistia ao tempo. Bati palmas e quem me aparece no portão é o próprio seu João, com 84 anos, um aparelho de surdez nos ouvidos, arrastando os pés, reclamando da precária saúde (havia tido um derrame três anos atrás) e dos parcos rendimentos (vive com pouco mais de um salário mínimo). Ao me ver, iniciarmos um bate-papo onde se recorda de tudo, da carona, das passagens por ali e constato possuir ele uma memória muito mais ativa que a minha.

Sentamos na sua pequena área e ele me conta sobre os últimos anos. “Aqui na cidade abriu uma outra firma de encadernação. Estava velho, cansado, vendi minha máquina para ele. Usou e depois de um tempo me devolveu. Não tinha mais o que fazer com aquilo e acabei dando de presente a ele”, começa seu relato. No salão onde era a encadernadora me mostra um equipamento completo para chaveiro e uma guilhotina de papel, criação dele, para facilitar seu serviço. “Engraxei ela outro dia. Ela é uma variante de um modelo que vi num tipógrafo. Aquele tinha que dar um golpe muito grande para cortar o papel. Vi outro modelo em Catanduva, juntei tudo e com um pouco de um e pouco de outro, fiz a minha”, prossegue com a voz pausada e com paradas para evitar o cansaço.

A mesa de tipos é uma raridade, muito requisitada por colecionadores, para exposições. A dele está impecável e ao me mostrar as caixas com os tipos, ainda todos muito bem organizados em pequenas divisões, fico extasiado com sua organização e por não deixar isso tudo se perder, se espalhar. Faz questão de retirar todas e ir me mostrando:“Esse tipo é um manuscrito, modelo 20, novinho, praticamente não usei. Esse outro é o 60, o 16, 48, 8, 36. Não sei quanto pode valer isso hoje em dia. Cheguei a pensar em montar um museu, mostrar isso para os meninos. Mas não estou mais ligando mais para isso. Na verdade, nem sei se aqui na cidade existe um museu”.

Nisso quem aparece na porta é a esposa, Pedrinha Lucianetti, 81 anos e me diz que completaram semana passada 61 anos de casados. Ela é de poucas palavras, vem só observar o que seu marido anda fazendo e lhe chamar para o almoço. Aproveito para perguntar dos filhos. Diz ter seis e todos envolvidos nos seus próprios negócios. O mais velho possui uma loja de material agropecuário. Não para de mostrar as peças. “Essa aqui usava para regular a largura da capa. Ninguém mais possui algo igual. Hoje tudo é computadorizado, mas isso não pode ser perder, ser jogado fora. Os tipos manuscritos estão todos perfeitinhos, são raridades, peças únicas, não se fabrica mais isso”, me diz.

Fechamos o quartinho e quer me mostrar um barracão onde guarda outras raridades, aos fundos da casa. Diante de um local, com peças entulhadas por todos os cantos, seus olhos brilham e circula por ali, pegando suavemente em cada peça, a lhe trazer recordações. “Fiz portas e batentes para uma indústria daqui. Criei uma máquina com motor, com uma serra acoplada para cortar tamanhos iguais”, prossegue. No barracão fico sabendo que além de encadernador foi também marceneiro (uma bancada com todas as peças é outra raridade lá encontrada). Uma peça chama a atenção, é uma prensa de ferro fundido, usada para prender os papéis antes do corte. Hoje, muitas iguais são encontradas como peças de decoração em afamados escritórios e entradas de firmas. Seu João mostra outras e muito mais.

Ao lado, num outro quartinho, mais uma novidade. Ele também foi uma espécie de alfaiate, mantendo até hoje uma máquina de costura, rolos e rolos de papéis de presente e revistas variadas sobre o tema, além de uma mesa com todo o material que utilizou. “Essa escrivaninha tem mais de 60 anos e essa máquina, veja, que adaptei e a deixei com um tamanho maior, para não ter que dobrar as roupas. Fiz muitas camisas e cuecas por aqui”, diz na seqüência. Ao abrir uma gaveta reencontra uma caneta Parker 51, daquelas que escreve seco com tinta líquida e tampa folheada a ouro. Diz querer vender, como muita das ricas peças ali encontradas. “Você me ajudaria a vender algumas dessas coisas?”, me pergunta.

Sua esposa o chama para o almoço e eu aproveito para as despedidas. Mesmo vendo-o ali, diante dos meus olhos, a situação me foi constrangedora. Acredito que poucos na cidade imaginam a existência de peças com alto valor histórico ali naquele pequeno espaço. Não só uma parte da história da cidade, mas muito mais que isso, um importante morador da cidade, esquecido e vendo sua história se esvair no tempo. Contar e reviver isso faz parte da valorização de um passado, que não deve ser esquecido. Isso ser vendido a compradores diversos é uma hipótese, mas não a mais inteligente. Imagino ver aquilo tudo, num rico espaço cultural, com indicações de sua utilização e conservado para a posteridade. Eu, que não sou comerciante de peças antigas, meu interesse é pela preservação das peças e da história das pessoas, como a do seu João. Deixo um alerta para todos de Novo Horizonte: cuidem daquilo, olhem para aquele rico acervo com o devido carinho e atenção. Suas peças e mais que isso, ele e sua história merecem um lugar de reconhecido destaque. Novo Horizonte lhe deve isso.

segunda-feira, 2 de agosto de 2021

ALFINETADA (206)


AINDA O CASO COHAB: JUIZ ENQUADRA A "THURMA" E DEFINE DATAS PARA DEPOIMENTOS, UMA PENA QUE SEJA SÓ A PARTIR DO ANO QUE VEM - VEJA RELAÇÃO COMPLETA DAS TESTEMUNHAS DE DEFESA DE GASPARINI JR
Tendo tempo, paciência e coragem é possível a qualquer um deter-se na leitura atenta do longo e minucioso despacho que o juiz Fábio Bonini oferece aos autos do processo 1009709-91.2021.8.26.0071 que tenta enquadrar Junior Gasparini e seus quatro comparsas na monstruosa roubalheira da COHAB-Bauru, em dois tipos de crimes: peculato e organização criminosa.

Depois da publicação da denúncia, naquelas 545 páginas cabeludas, em 20 de abril de 2021, onde os promotores do GAECO, Daniel Pegoraro, André Gândara Orlando e Guilherme Sevilha Martins debulharam toda a trama de tantos anos, os advogados de defesa do "Quinteto Poderoso" entraram com dois expedientes para tentar partir para o ataque. Arguiram a incompetência do juiz para julgar a causa e a suspeição dos três promotores que entraram com a denúncia, levantando uma porção de ocorrências e circunstâncias constantes dos autos do processo.

Nesse final de semana, o juiz Fábio Bonini, finalmente, despachou em resposta.
O seu longo e detalhado apanhado pega um por um dos elementos arrolados por Gasparini e por seus quatro asseclas sem deixar nenhum de fora da análise e rejeita todos eles.
Para fazer o processo andar sem mais protelação dando início à fase de instrução criminal, o magistrado da 4ª Vara Criminal de Bauru montou a agenda das oitivas das testemunhas de acusação e de defesa. Vai tudo para 2022. Sim, também acho que seja muito tempo, enfim, até lá, seis meses e muita água passando por debaixo dessa ponte, mas creio, dessa data não mais escaparão (toc toc toc).

Está lá, no final do despacho, se atentem principalmente para a quantidade de arrolados como TESTEMUNHAS DE DEFESA, ou seja, irão depor na defesa dos réus:
"Assim, designo as seguintes audiências, para a oitiva da seguintes testemunhas arroladas pela acusação (26):

a) para a audição das testemunhas Carolina Bravalheri da Silva Marques, Allan Sousa Mattos, David Oliveira Bassoto, Marcia Cristina Caniati e Gustavo Coelho Bastos Lopes, designo o dia 31 de janeiro de 2022, às 13h30min;
b) para a audição das testemunhas Bruna Germano Monteiro Affonso, Giselly Wasti Adasz Bovolini, Jorge Augusto Lopes Rodrigues, Cyntia Mayumi Hatano Bezerra e Wagner Alexandre Barbosa, designo o dia 01 de fevereiro de 2022, às 13h30min;
c) para a audição das testemunhas Olga Maria de Oliveira Mattosinho, Cibele Rodrigues de Freitas Mogione, Solange Sevilha Martins, Cássia Aparecida Soares Castilho Aversa, Viviane Forti Naime Agulhari e Walmir da Rocha Melges designo o dia 02 de fevereiro de 2022, às 13h30min;
d) para a audição das testemunhas Aceu Macena de Araujo, Karen Vieira Machado, Renato Bueno de Mello, João Tiago de Toledo Ferraz Silveira e Benedito Roberto Meira, designo o dia 03 de fevereiro de 2022, às 13h30min; e
e) para a audição das testemunhas Angela Marta Aiello de Paiva Dias, Silmara Siqueira Gasparini, Francisco Paulo Lemos Dalla Zuana, Cândida Camila de Araújo Furlan e Luiz Henrique Moreira da Silva, designo o dia 04 de fevereiro de 2022, às 13h30min.

Designo, também, desde, audiências para a oitiva das testemunhas arroladas pela defesa do réu Edison (26), para as seguintes datas:
a) para a audição das testemunhas Alfeu Garbin, Wellington Moreira Franco, Joaquim Lima de Oliveira, Tarcisio José Massote de Godoy, Sérgio Antonio Gomes, Adriani Orlando Palatucci e Sebastião Pedro, designo o dia 15 de fevereiro de 2022, às 13h30min;
b) para a audição das testemunhas Augusto Fernando Correia Alexandre, Danielle Mendonça de Souza dos Reis, Clodoaldo Gazetta, Alexsandro Bussola, Fabio Manfrinato, Natalino Davi da Silva e Roberval Sakai, designo o dia 16 de fevereiro de 2022, às 13h30min;
c) para a audição das testemunhas Ricardo Cabello, Roger Barude, Renato Purini, Arildo Lima Júnior, Rodrigo Agostinho, Antonio Cezar Correia Freire e José Carlos Vaz de Lima, designo o dia 17 de fevereiro de 2022, às 13h30min;
d) para a audição das testemunhas Maria Aparecida Felício, Cleberson Rocha, Nelson Gonçalves, Alexandre Pitolli, Fernando José Ramos Borges, Delegado Glaucio Eduardo Stocco e Leonardo Kubli, designo o dia 18 de fevereiro de 2022, às 13h30min.
Para audição das testemunhas arroladas exclusivamente pelas defesas dos réus Thayná (03) e Miriam Renata (03), designo o dia 11 de março de 2022, às 14h30min.
E por fim, para a audição das testemunhas arroladas exclusivamente pela defesa do réu Paulo Sérgio (06), designo o dia 25 de março de 2022, às 14h30min.
Nas audiências proceder-se-á a tomada de declarações do ofendido, a inquirição das testemunhas arroladas pela acusação e pela defesa, nesta ordem, ressalvado o disposto no artigo 222 do CPP, bem como os esclarecimentos dos peritos, às acareações e ao reconhecimento de pessoas e coisas, podendo o juiz indeferir as consideradas irrelevantes, impertinentes ou protelatórias.
Oportunamente serão designadas datas para os interrogatórios dos réus".

Deu pra sentir o peso do que está em curso pelos nomes citados. Tem para todos os gostos, procedências e enroscos. Muitos se sabe, são arrolados e quando do depoimento, se safam, dizendo simplesmente "desconheço dos motivos de aqui estar", mas o fato é este. Creio que, teremos mais longos meses pela frente, nessa tentativa de que até lá algo se modifique, que o mundo se acabe, pois daí, talvez, não veremos o final dessa longa novela. MAS E SE O MUNDO NÃO ACABAR, SERÁ ISSO TUDO SERÁ DEVIDAMENTE DESVENDADO?
Intimem-se réus, o representante do Ministério Público e os defensores.

ASTRONAUTA BAURUENSE IRONIZADO NO JORNAL O GLOBO DE ONTEM, DOMINGO, 01/08
Não estava lá para falar do aniversário de Bauru, mas para contar algo sobre onde está inserido no momento. Li o jornal pela edição virtual e comento algo da matéria e fala desconsertada do ministro, muito pertinente para com o momento atual.

A manchete da matéria com o astronauta: "Apesar dos elogios de Bolsonaro, ministro acumula insucessos - Chamado de 'brilhante' pelo presidente, Marcos Pontes já anunciou, e não entregou, vacina e remédio eficaz contra Covid". Ou seja, um ministro ENROLÃO. Pontes sempre teve um discurso bem enroladinho e ao receber o jornalista Daniel Gullino já começa tentando se mostrar uma coisa, mas ao abrir a boca mostra o despreparo já na frase inicial: "É importante pensar coisas boas, fazer coisas boas, ajudar as pessoas. Dessa forma, você programa seu inconsciente de uma forma positiva". Engana a quem com isso? O jornalista não caiu na dele. Aqui em Bauru ainda tem quem acredite. Poucos, mas existem. Todos sabem, se mantém no cargo pela subserviência à Bolsonaro. O ponto alto da entrevista foi quando ele tentou explicar o fato de ter postado nas redes sociais a foto do casal nazista em seu gabinete e como sempre, tenta fugir das polêmicas do governo: "Pontes se justificou dizendo que atendeu apenas a um pedido da deputada Bia Kicis PSL/SP para tirar uma foto para o irmão da deputada, que teria o desejo de ser astronauta, e conversou com o deputado sobre energia". Na verdade, ele sempre fez tudo o que o bolsonarismo lhe impõe e como quer continuar no cargo, tira fotos com qualquer outro, até pior que nazistas, desde que ordem recebida. O fato é que sacou a foto e a postagem com os nazistas alemães. Ainda na matéria a sempre necessária ironia pelo ministro ter meses atrás dito e apregoado sobre a eficácia de vermífugos para tratamento Covid e por se apresentar sempre de máscara, mas quando diante do chefe, sempre sem ela. Pessoa assim não merece nenhum crédito positivo e o jornal soube a tratá-lo a contento. Eis a matéria na íntegra: https://oglobo.globo.com/.../apesar-dos-elogios-de...

De uns tempos para cá, ando cada vez mais com uma certeza, esse ministro, vexatório para Bauru - ou a cara dos verde-amarelos da Getúlio Vargas - só nos faz passar vergonha e quando de boca fechada, quietinho fazendo tudo o que lhe mandam, mil vezes melhor do que quando a abre, pois daí, tomam conhecimento de sua inconsistência, inabilidade, despreparo e total submissão ao bolsonarismo de plantão. Abriu a boca, danou...

A COMUNIDADE ARTÍSTICA DE BAURU EXIGE E MERECE RESPEITO
A arte e a cultura nos seduz e nos encanta, nos faz sorrir e chorar. A arte e a cultura nutrem o corpo e a alma, transformam as pessoas, nos libertam, sem falar na importância para o desenvolvimento intelectual e cognitivo de uma pessoa. Por tudo isso é imprescindível à espécie humana, portanto, é dever do Estado fomentar políticas culturais e valorizar seus artistas, o que infelizmente não ocorre em nosso país. O Ministério da Cultura foi extinto por Bolsonaro, recentemente assistimos ao incêndio da Cinemateca, atestado inconteste do descaso do desgoverno federal com o setor cultural brasileiro. No âmbito do município o cenário não é diferente, Aliás, temos aqui uma prefeita alinhada em todos aspectos com a ideologia bolsonarista, promove o sucateamento da secretaria de Cultura pavimentando, desse modo, seu desmonte.

O setor artístico foi um dos mais prejudicados nesse pandemia, fora a Lei Aldir Blanc (projeto da deputada federal carioca Benedita da Silva-PT), nenhuma outra ação mitigadora foi adotada.
Todo nosso apoio à luta dos artistas de Bauru.

O LEMA PASSOU A SER:
SE A DIREÇÃO DA SECRETARIA MUNICIPAL DE CULTURA NÃO QUER FAZER NADA, O PESSOAL DA CULTURA OS EMPURRARÃO, OU PARA FRENTE OU PARA FORA...