quinta-feira, 17 de setembro de 2026

RGUNTAR NÃO OFENDE (238)


"IMPRENSA BAURUENSE ESTÁ NA NOSSA MÃO", DISSE CILENE AO VORCARO BAURUENSE
Essa frase por sí só serve para exemplificar o quanto anda o trabalho de investigação feito pelas atividades jornalísticas na cidade de Bauru. Isso em relação ao trabalho investigativo que deveria ser feito, principalmente envolvendo as concessões que a atual administração municipal tem promovido em Bauru. A declaração carrega algo muito perigoso e danoso para todos em geral. Conversei com a Camila Fernandes, do Sindicato dos Jornalistas Bauru e ela me disse que, nos próximos dias responderão com uma Nota ao descrito na gravação efetuada pelo Ministério Público Estadual, dentro da operação Cavalo de Tróia.

Ficou feio e, como se sabe, não é possível generalizar. Vejo algo sendo feito, talvez individualmente, mas não por nenhum grupo jornalístico. Ocorrem investigações de cunho individual e isso, sabe-se, é muito mais complicado do que, sendo decisão de uma empresa, dispendendo tempo e até grana para sua realização. Sózinho é sempre muito difícil. Foi, inclusive, através de denúncias vindas de publicações pessoais, que tudo foi instigado e o MP deu prosseguimento. Ou seja, creio eu, é muito forte isso de afirmar que a "imprensa bauruense está na nossa mão".

Cilene Chalub Bordezan, a secretária municipal, que veio para a cidade com uma determinação específica, a de coordenar a concessão do lixo na cidade, fez o seu serviço e hoje, sabe-se da forma mais fora-da-lei possível. E manteve encontros com pessoas da imprensa, afirmando num dado momento: "no futuro isso pode nos ajudar muito". Eu sempre gostei muito do jornalista João Jabbour, o respeito por todo o seu passado, suas origens e labuta até chegar ao posto atual, de Diretor do Jornal da Cidade. O conhecido JC, não tem uma história controversa, pois desde sua criação teve um lado e dele nunca se afastou. Desde os tempos do Franciscato, foi um órgão criado e mantido para ser o reprodutor do ideal proposto pelos Donos do Poder local. Sempre tive espaço dentro de suas páginas, como leitor, na antes atuante Tribuna do Leitor. Ou seja, o JC sempre publicava opiniões antagônicas, mas nunca se afastou do campo de ação, a linha editorial proposta pelo proprietário, o dono do negócio. Praticou um bom jornalismo, desde que, as matérias não avançassem o sinal e não tocassem no viés político. Quem está predisposto a enviar textos para publicação sabe, existe um limite, pois do contrário não será publicado. E onde isso ocorre de forma diferente dentro da imprensa massiva brasileira? Eis algo das entranhas deste país.

Neste caso específico, o da atuação da empresa Estre, capitaneada pelo seu CEO, Hamilton Libório e tendo toda concessão do lixo sendo coordenada pela Cilene, nos diálogos já informados pelo Relatório de Informação, ressalto aqui o que captei e dito sobre a imprensa local. "Hamilton diz que acha importante Cilene criar um relacionamento com o JAbbour, em um ambiente em que ela não precise dele, pois no futuro isso pode nos ajudar muito. (...) ...na hora que o bicho pegar jornalista não tem muito comprometimento moral, mas pelo menos você têm um canal aberto. (...) Cilene diz que Jabbour é gente boa e já jantou com ele certa vez. (...) Cilene apresentou o projeto de concessão ao jornalista. (...) Hamilton diz que o relacionamento se constrói quando não se pede nada. (...) Que Jabbour teria dito que os vereadores Márcio e Estela betem muito em Cilene. (...) Que Jabbour disse que a Estela mora de aluguel, em um apartamento gigante aqui em Bauru, que é luxo puro e Estela não está conseguindo pagar o aluguel, 'que provavelmente é você quem está pagando, né?. (...) Hamilton responde; 'Eu tô pagando mesmo, mas nunca pedi para ela não bater em você'. (...) Cilene conta que Jbbour indagou se pode enviar a matéria a Cilene antes de publicar, que Cilene disse que pode e que quando Jabbour quiser é só ligar que ela explica tudo e ele publica. Jabbour teria dito que Cilene é uma pessoa séria, mas que Bauru não está preparada para ela. (...) Cilene diz que 'a imprensa tá na nossa mão, fique tranquilo'".

É o que encontrei sobre a imprensa bauruense. Do que li e ouvi nos bastidores desta cidade, não é possível afirmar que a "a imprensa está nas mãos" da Estre, somente levando em consideração o contato com o JC e Jabbour. Cilene cita somente o JC e profere a frase envolvendo todos. Nada contra um jornalista se encontrar, entrevistar pessoas como Cilene. Este o papel de um jornalista. Ela, inclusive, reforça a seriedade do Jabbour, ótimo isso, porém, algo precisa ser explicado e o JC ainda não fez sua mea culpa. A gravação afirma, Jabbour submete a ela o texto produzido por ele antes da publicação. E nas edições do JC, mesmo estes encontros tendo ocorrido, pouquíssima matéria consistente para ajudar a desvendar o imbróglio da concessão. Para mim, o JC ficou em cima do muro. Aguardo a próxima edição para ver o que sairá publicado. Entristecedor observar essas relações, mesmo ciente de que, o que saiu até agora é a versão da Cilene, não a do JC e de Jabbour.

Creio que, o JC não está envolvido em nada a merecer investigação. Porém, deve explicações para seu público leitor. Cilene quando fala de imprensa, cita somente este órgão da imprensa e o faz de forma não muito abonadora. O JC tem história e precisa preservá-la. Pelo bem pelo mal, é o órgão da imprensa mais significativo na história bauruense, o de maior duração e hoje, se não representa mais o "quarto poder", continua semanalmente saindo às bancas e diariamente pelas redes sociais. Eu, que escrevo vez ou outra por aí, tendo textos espalhados em publicações variadas, sigo o prescrito por Mino Carta, atuando sempre dentro da verdade factual: " A objetividade total não existe, pois o jornalista se manifesta até na escolha de uma vírgula. Por isso, o dever é buscar a honestidade e a fidelidade aos fatos apurados, que diferem de opiniões ou verdades pessoais. (...) O verdadeiro jornalista atua de forma independente, confrontando e denunciando as mazelas dos poderosos, em vez de se curvar aos interesses das elites ou integrar os aparatos de poder.(...) O que serve aos donos do poder e reproduz um pensamento único não é jornalismo, mas mero ato de propaganda".Eis algo escrito sobre ele quando de seu falecimento: https://outraspalavras.net/.../mino-carta-e-o-jornalismo.../.

Reconheço muito mais honraria na atuação do jornalista João Jabbour, do que na do Jornal da Cidade. Jabbour é um ótimo jornalista, comprovado ao longo dos anos. O JC sempre executou um papel e dele não se afastará. Eu separo muito bem a ambos. Creio que, nada foi dito que desabonasse Jabbour enquanto pessoa honrada, porém no quesito atuação jornalística, precisa vir a público. A vereadora Estela Almagro foi também acossada pelas revelações das gravações do MP. Ela veio a público e tenta se explicar. O silêncio neste momento não faz bem para ninguém. Enfim, nem sei se o Sindicato dos Jornalistas irá soltar uma nota, mas me antecipo, tenho a certeza, o momento do jornalismo em Bauru não é dos mais auspiciosos, mas ele não está totalmente nas mãos do Vorcaro da Estre.

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