Neste aqui sou convidado para ir lá, não só presenciar o encontro, como registrar tudo. Já é sabido que, continuo a realizar a coleta de depoimentos para a formatação de um documentário sobre o que representa Tibiriçá na vida das pessoas que por lá residem ou circulem. Eu me surpreendo a cada retorno e já tendo mais de 30 depoimentos conseguidos, hoje dobro a cota, pois numa reunião como essa, a real possibilidade de ver logo ali, diante de mim, uma inusitada reunião, com infinidade de pessoas, com algum tipo de ligação umbilical com o distrito. Coletar estes depoimentos é para mim algo mais que histórico. Tenho voltado para lá com certa regularidade, intercalado com tantas outras atividades e das vezes que fui, fui só adicionando o amor, já mais que consolidado com o que ia presenciando.
Enfronhado dentro da vida deste distrito, inegável e indissolúvel, a determinação dessa família, parte fundamental de tudo o que hoje representa Tibiriçá aos olhos do mundo.
Tudo começa pela forma como eles constroem esses encontros. Parece que nada vai dar certo, desde a alimentação de todos, mas no frigir dos ovos, eles se entendem e ninguém sai no prejuízo. Tudo é devidamente acertado e tudo ali acontece, nas cercanias da casa da matriarca, dona Irene Baté, 90 anos de idade e de sapiência para ir tocando, da melhor forma possível, o desenrolar deste intrincado grupo familiar. É que nessa família tem de tudo e para tudo. Quem entende de música, aparece para cantar, quem saca algo de eletrônica, liga o som, quem cozinha, está nos preparos da comida coletiva, quem é bom de comunicação, vai conseguindo tudo o que falta e assim pordiante. Quando se dão conta, a rede está montada e o festim já preparado e pronto para acontecer.
Ouço por lá que este Encontro de Primos foi organizado para ser algo restrito, mas como sempre, cresceu, se multiplicou e tomando proporções grandiosas, teve que ser pensado e realizado ampliado. Inicialmente pensado para umas 30, logo dobrando e daí por diante quando chegaram nuns 80 já confirmando presença, chegou-se a conclusão de que estes não viriam sózinhos e daí, tudo teria que ser pensado para de duzentas pra mais de pessoas. E o aparato todo é montado, contatos mil, com tudo convergindo para o amplo quintal da casa onde reside a matriarca, o polo aglutinador de tudo. Já na chegada sou orientado para não tocar no tema da política, pois mesmo a família nunca tendo adquirido características conservadoras, não queria escancarar seu lado. E assim foi feito.
O Encontro se deu dentro do que melhor pode existir de formatação adequada de ajuntamento humano. O ali possibilitado, com gente que não se via já há muito tempo, com conversas variadas e infinitas, foi algo mais que grandioso, diria, algo iluminado. Eu mesmo me esbaldei, não só na comida, como nas conversas. Fiz todas as gravações, as possíveis e aquelas cujo grau de dificuldade seriam enormes, não fosse o possibilitado pelo ajuntamento do encontro. Aproveitei e colhi depoimentos de muita importância, não só para determinar o grau da intensidade dessa união familiar, mas para consolidar o tenho procurar encontrar, que é como se dá essa querência buscada e encontrada neste local, distante uns 12 km do centro urbano de Bauru. Só quem conhece sabe bem do que escrevo neste momento.
Sim, esse povo de Tibiriçá, em especial essa família Baté é mais do que diferenciada. Eu me espanto a cada dia. E me espanto mais ainda quando circulando por Bauru, vou no posto der combustível e me deparo com um deles, vou na oficina mecânica e lá está outro, circulo pelas escolas municipais e estaduais e outro tanto, pego um uber e no volante outro deles, entro no supermercado e me deparo com outro tanto. E assim por diante, numa clara demonstração de que, a família BAté, consequentemente a Tibiriçá está espalhada pela aí, mas vez e sempre, acaba convergindo e vindo se reabastecer, ou melhor, recarregar suas baterias diretamente no carregador maior, a casa principal da família, o point onde tudo acontece.
É sempre um prazer poder continuar participando de tudo isso. Eu não sou daqueles que aparece aqui só de vez em quando. Eu venho sempre, seja para este trabalho ora em curso, ora para participar de eventos, encontros festivos ou atividades variadas junto da comunidade. Tempos atrás, por pouco, eu e Ana Bia não investimos num cantinho por aquelas bandas, quando lacraríamos definitivamente esse amor pelo distrito. Das histórias todas que tenho junto, a certificação e da vivenciada hoje, sá a retificação, comprovação juramentada, com selo de autenticidade e tudo, enfim, Tibiriçá não é só um mero destino, algo de uma roda de conversa, mas é a comprovação de que este mundo tem cura e salvação. Viver neste estilo direcionado por estes é algo bem diferente do adotado fora das cercanias dessa República, já instituida e consolidada. Creio eu, Bauru deve tomar cuidado, pois mais dia menos dia, a sede das decisões todas a envolver a Terra do Sanduíche terão que ser transferidas para lá, um local onde no momento, não querem nem a instalação de um caixa eletrônico, pois não querem atrair nada de ruim. Preferem continuar com a vida pacata e tranquila, do que adentrar nessa tal modernidade, passando a partir daí, a sofrer e padecer de todos os males dela provenientes. Tibiriçá não quer ser esquecida, nem ser lembrada como lenda, mas ser entendida, como local de congraçamento humano. A prova é este evento, onde enfronhado e participando, já tenho quase a absoluta certeza de estar num outro mundo, e tudo tão aqui pertinho.
Bauru possui um dos mais bonitos e funcionais teatro públicos da região, mas administrado dentro de um desGoverno fundamentalista, evidentemente, tudo deixa a desejar. É mais do que sabido, já devidamente comprovado que, em administrações de cunho conservador e predominando também o ideal neopentecostal, a Cultura não só é deixada de lado, como usada para fins promocionais e quando isso não é plenamento conquistado, passam para o seu desprestígio. Temos um baita de um teatro, mas ele não só é mal administrado, como nem um programação condizente com o nome Bauru é buscado. Ficam aguardando serem procurados por agentes teatrais interessados em lá se apresentar e na maioria das vezes, o que se vê a pipocar e ocupar seus espaços são apresentações de stand ups e mesmo, como se viu na festa do aniversário da cidade, um artista de renome, mas do público específico ligado à linha de pensamento e ação da alcaide. E pior, pagando os tubos, claro desprestígio dos artistas locais. Se bobear, loteiam a agenda do teatro com apresentações golpels.
Neste faltar de entendimento mais do que escrachado, eis este 3º Festival de Teatro Seguros Unimed, circulando neste momento por todo o estado de São Paulo e alguns outros, com realização em variadas cidades no entorno de Bauru e por aqui, um dos maiores polos da Unimed paulista, porém o público da cidade não podendo ser contemplado com nenhuma apresentação. Podem alegar o que quiserem, mas o fato de Bauru ter ficado de fora, é algo para ser jogado a culpa nos costados da incompetência de relacionamento, conversa e habilidade em contornar arestas. Inconcebível Bauru ter ficado de fora. E assim assim sendo, quem ganha é o público da vizinha Pederneiras, onde lá também existe um maravilhoso teatro, o Municipal Paulo Razuk, construído onde antes foi um armazém da Cia Paulista Estrada de Ferro, bem ao lado da vida férrea. Se o nosso foi possibilitado onde antes funcionou um Mercado Popular, o deles num armazém ferroviário. As coisas acontecem desta forma e maneira pelo interior paulista.
E nos dias 5 e 6 de setembro por lá ocorre a apresentação da peça "O VENENO DO TEATRO", do espanhol Rodolf Sirera, escrita sob a névoa do regime franquista fascista franquista espanhol. Sob a direção de Eduardo Figueiredo, a apresentação brasileira já roda o país há três anos, com um elenco pequeno, tendo Osmar Prado e Mauricio Machado à frente, contando tambpem com o músico Matias Roque no violoncelo. Fico sabendo que, a direção brasileira é a primeira a conciliar a apresentação teatral com a música ao vivo. O retorno de público não foi o esperado, pois deixou a desejar, mas não faltou calor humano. Os que lá estiveram, souberam dignificar o texto e mais que tudo, com a belezura da interpretação dessa dupla de incomentáveis (sic) atores.
Bauru perdeu mais essa, Pederneiras ganhou mais essa, pois se já tinham uma alcaide municipal incomensuravelmente melhor que a bauruense, agora arrebatam peças de teatro de valor também arrebatadores. Bauru vai ficando desta forma para trás, com uma ETA - Estação de Tratamento de Esgoto sem solução, jogando merda pelos rios, nas cidades vizinhas, vive de propagando enganosa e jogadas de marcketing duvidoso, enquanto a coisa acontece de fato pela aí. Só para se ter ideia, em Pederneiras, um imenso Centro Cultural sendo possibilitado onde antes funcionou, bem no centro da cidade, uma usina cerâmica e em Bauru, na Estação da Cia Paulista, um museu pronto, mas sem data para reabertura e a outra estação, a central da NOB, condenada à interdição, com promessa de recuperação e reviotalização do centro, mas tudo feito só na base da intenção. Enquanto numa, "O VENENO DO TEATRO" se dá nos palcos, em Bauru, este "veneno", da pífia atividade política se dá no seu dia a dia, no entroncamento e convergência de uma Câmara de Vereadores conivente com o desastre e nessa administração, a que deixará para a cidade sua maior dívida pública, algo inesquecível nos seus próximos 50 anos. Podem notar e constatar: quando a administração é pífia, conservadora e fundamentalista, sua Cultura também o é e o que nso é apresentado como agenda em seu teatro principal é mera consequência do descaso.












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