quarta-feira, 2 de setembro de 2026


NADA COMO UM DIA APÓS O OUTRO
O ministro do STF, André Mendonça, o também denominado "terrivelmente evangélico" possui passagem não tão propositiva por Bauru. Foi aluno e, posteriormente, como professor do programa de mestrado e doutorado em Direito na Instituição Toledo de Ensino (ITE) em Bauru. Como aluno, não tenho informações, mas como professor, os comentários é que deixou muito a desejar. Já com compromissos assumidos com o desGoverno de Jair Bolsonaro, desprezava o curso e aparecia só quando queria, ou seja, quase nunca. Tudo tolerado pela direção, que nunca lhe chamou a atenção pelos atrasos nos compromissos assumidos. A direção da ITE, tão conservadora como ele, se fingia de morta e permitia as faltas e os atrasos nos trabalhos. Foi-se este tempo, enfim, ele a seguir foi o primeiro indicado pelo ex-presidente, hoje presidiário Jair Bolsonaro, aprovado como ministro no STF. A mais alta Casa das Leis, última instância de recursos jurídicos para muitos, não o recebeu bem, pois mesmo conservadora, ele representava, sem nunca esconder isso, estar ali para simplesmente exercer o direito de voto, sempre pendendo para os interesses bolsonaristas. 

Isso não é mais novidade para ninguém. Enquanto Xandão, o ministro Alexandre de Moares representou algo de vital importância para a manutenção do Estado de Direito neste país, algo inquestionável, tanto que, gerou o ódio quase mortal dos bolsonaristas. Xandão ali chegou durante o desGoverno do golpista Michael Temer e causou muita desconfiança no início, porém, cumpriu papel exemplar, com mão de ferro, dentro do prescrito pela legislação e não permitiu que os golpistas virassem a mesa e conqusitassem o poder. Parte do país, os sensatos souberam lhe reconhcer isso. E, em todas as oportunidades de confronto, ele e André Mendonça trocaram farpas, muitas públicas. Ambos caíram nas graças de segmentos opostos deste país. Xandão, com galhardia, aniquilou a fama anterior e passou a ser paparicado como uma espécie de "salvador da Pátria", enquanto Mendonça, junto de outro aprovado no mesmo período do Seu Jair, Nunes Marques, representavam o pior do conservadorismo, também aliado ao fundamentalismo religioso neopentecostal. 

Por uma dessas horrorosas coincidências do destino, coube a André Mendonça, dentro da sequência natural de rodízio dos magistrados, ser o homem forte, o que determina a última palavra nessa eleição, justamente a ocorrendo no momento em que o Brasil, passa por um momento crucial, o do avanço desmedido do fascismo. O fascismo tem nome e sobrenome hoje, com a extrema-direita sendo capitaneada pelos bolsonaristas. Assim sendo, alguns bobocas ainda esperavam que, Mendonça tivesse atitudes dentro das "quatro linhas", ou seja, dentro do que prescreve a legislação vigente. Ele, o que decide com a instauração de processos e outros  procedimentos dos presidenciáveis. Flávio Bolsonaro, candidato da extrema-direita possui ficha corrida extensa e neste momento, além de todo um passado muito condenável, recebeu uma grana altíssima advinda do Banco Master, do indefectível Daniel Vorcaro. Mendonça finge nada existir contra ele, mas pega no pé do filho do presidente Lula, esse com meras ilações, algo dito por alguém. 

Estava mais do que claro, em curso uma nova Lava Jato, quanto tentariam novamente incriminar injustamente Lula e dou outro lado, quem possui extensa folha corrida de irregularidades, no caso Flávio Bolsonaro, continuava isento de ser investigado. E agora, meros trinta dias para o pleito, com a improbabilidade de uma nova facada para reverter o curso eleitoral, algo precisava acontecer. Justamente no dia em que a revista Piauí ia às bancas com reprotagem, cheia de ricos detalhes, comprovando Flávio ter recebido muito mais de tudo o que já foi anunciado, advindo de Vorcaro, o que causariua mais estragos na campanha já combalida, só mesmo um fato novo e grandioso para tentar alterar o rumo do iminente desastre. É sabido que, ministros do STF não investigam e sim, julgam. Mendonça despreza o rito e jogar merda no ventilador, pedindo cassação de André Mendonça, pelo fato de gravações, onde supostamente ele e escritório de advocacia de sua esposa, teriam não só conversado, como recebido alguns zilhões do tal Vorcaro/Master. 

O procedimento pode ter sido fora dos padrões, mas o estrago estava feito e ia conseguindo atingir seu objetivo, melando os processos do Master e alvancando a campanha de Flávio. Na verdade, o governo Lula não tem nada a ver com a dinheirama recebida por quem quer que seja do Master, mas o bolsonarismo usará isso, com apoio da mídia nativa, fazendo crear aos seus que, mesmo Flávio tendo recebido alta grana advinda de dinheiro sujo, por Xandão também tendo recebido, este seria representante do lulismo. Nada a ver, mas é essa a artimanha. Uma cartada de altíssimo risco. O STF já reagiu e o processo de cassação do Xandão não deve acontecer, ainda mais porque, nada como um dia após o outro. Na manhã de hoje, num cenário preocupante para o lado do Xandão, eis que pipocam gravações de visita do ministro Mendonça com Vorcaro e até um terno ganho de um chique alfaiate paulistano. 

Ou seja, se um conversou, o outro também. Se um recebeu grana de forma irregular, pelo que se percebe, a história do terno é uma espécie de fio de um novelo a ser puxado, dissecado. Se Xandão deve ser afastado, pelo anunciado ontem, o mesmo deve ocorrer com Mendonça, pelo anunciado hoje. Muita água vai passar por debaixo dessa ponte e, como já se prenunciava, o país está se deparando com uma guerra sem precedentes, já em curso e daqui por diante, a cada dia, um novo capítulo. Mendonça estará sob forte pressão para tomar providências com relação aos fatos já comprovados de irregularidades com relação a Flávio Bolsonaro. Ambos estão, desde já, sob suspeita e sob os olhares da nação. Está estabelecida, desde já, uma queda de braços. Muito barulho neste segundo dia da contenda dentro do STF. O que parecia irreversível ontem, hoje já não o é com a mesma intensidade. Na verdade mesmo, tem um jogo muito sujo sendo tramado nos bastidores de todas essas ocorrências e revelações. Desbaratar isso é tambpem salvar o país de ser entregue nas mãos de um cruel e insano fascismo. E mais, se fizeram isso neste momento, aguardem mais, pois para não perder essa eleição, estarão dispostos a fazer muito mais. 

Não tenho bola de cristal para prescrever o que acontecerá daqui por diante. Torço muito para Lula vencer o pleito presidencial, Haddad o do governo paulista, assim como renovarmos totalmente o Congresso Nacional, mas como sei, o país continua muito conservador e se deixando levar, principalmente quem não tem muito claro o que de fato está em curso, por essa onde perversa de fake news, algo ainda sem controle. Estes próximos trinta dias serão muito mais do que intensos. Eu acredito que, Lula irá vencer, mas tudo o mais será só conquistado debaixo de intensa luta. E quem não lutar, deixando a banda passar só observando, quer queira ou não, sofrerá  igualmente se Lula não ganhar. Todos vimos o que ocorreu ao país nos quatro anos com Jair Bolsonaro no poder. Com Flávio, aliado de Trump, desgraçará o país de uma forma, onde o fundo do poço será inevitável. Portanto, lutar se faz necessário. 

OBS.: Para os que repararam e poderiam me dizer, mas o que Bauru tem a ver com tudo isso. Primeiro, Bauru é tão conservadora como tantos outros locais deste país. Por aqui, o pérfido Bolsonaro teve 80% de votos em sua eleição e a fundamentalista Suéllen Rosin foi reeleita alcaide municipal no primeiro turno. E como citei, a passagem de Mendonça por Bauru, algo nada abonável, sem nenhum mérito, ou seja, sempre tem algo depreciativo com a chancela bauruense em fatos decisivos da vida nacional. Toc toc toc, até quando essa sina.

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