DIÁRIO DE CUBA (58)
MINISTRO
VANUCCI, ANTES O BOM DIA E HOJE O JC AFIRMAM QUE “CHE” PASSOU POR BAURU, MAS...

Eu já
havia escrito sobre isso aqui no blog num texto publicado em 21/07/2010, sob o
título: “Che Guevara passou por Bauru em 1966 – Agora um fato concreto”, quando havia comprado a idéia da passagem por Bauru ser verdade. Leia ele
clicando a seguir: http://mafuadohpa.blogspot.com.br/search?q=che+guevara+passou+por+bauru+em+1966
. A polêmica não é nova e o JC reafirma da passagem, entrevistando alguns
militantes, porém nada ainda pode ser selado como definitivo. Nos comentários
do meu texto de 2010, Marcos Paulo Caselachi Resende, um teórico sobre o tema
Cuba e seus personagens discorda dessa possibilidade, pois dentro das datas
apresentadas, não haveria essa possibilidade. Confrontando os dados da matéria
do JC, “46 anos de Che Guevara em Bauru” (leiam clicando a seguir: http://www.jcnet.com.br/Geral/2012/10/46-anos-de-che-guevara-em-bauru.html)
com o texto publicado abaixo, escrito pelo Marcos a meu pedido, um pouco mais
de luz no tema. Leiam o do BD, o do JC, os comentários do meu texto anterior e
o abaixo e tirem todos suas conclusões:
“Henrique,
vou fazer pra voce um breve relato do começo da campanha do Che na Bolívia,
qualquer dúvida que pintar me pergunte, são tantos fatos históricos, vou me
atentar aos principais, mas qualquer dúvida me avisa. Antes de mais nada, isso
me faz ter a certeza que esses ditos militantes de esquerda sequer devem ter
parado alguma vez na vida para ler alguma coisa, além de desconhecerem a
ciência comunista e falarem tantas besteiras me causa surpresa ver o
desconhecimento histórico do Che, há um vasto números de documentos, livros e
pesquisadores, como podem cair em crendices?? É gente querendo aparecer, só
pode. Já li e reli muitas vezes o diário e tudo que já foi publicado na
literatura nacional e estrangeira sobre a luta na Bolívia e em outros lugares,
entender o contexto histórico e as táticas de guerrilha são muito úteis para
formação revolucionária.
Depois do
fracasso na luta no Congo, os guerrilheiros retornaram para Cuba onde começaria
o preparo para a luta na Bolívia, escolheram este país por estar no coração da
América do Sul, a ideia era depois da Bolívia os focos de guerrilha se
espalharem para Paraguai, Chile, Argentina, tanto que já contavam com
militantes em Salta na Argentina para lutar. Em janeiro de 1966 Che estava em
Praga com outros guerrilheiros para a preparação da última etapa antes da
Bolívia, onde seria transformado em Ramón, por volta do dia 15 de Janeiro sua
esposa Aleida seguiu para encontrá-lo em Praga, onde passariam mais alguns
meses juntos, mas, inesperadamente no final de maio de 66, corria a notícia de
que os EUA poderiam fazer um ataque a Cuba, ainda mais depois da morte de um
soldado cubano quando este visitava a base em Guantánamo, Che pede para Aleida
retornar a Cuba imediatamente e disse que em caso de ataque ele também retornaria
para defender este país que aprendera a amar. Em julho de 66, Che regressa a
Cuba e parte para um treinamento último dos guerrilheiros e seus últimos
momentos com esposa e filhos que não reconheciam o tal Ramón. No final de
outubro de 1966, tudo estava pronto para começarem o novo ciclo da luta
guerrilheira na Bolívia, Che parte para Madri na Espanha, há o registro do
passaporte como Ramón na imigração em Madri, vários historiadores como Jorge
Castaneda, Jon Lee, Pierra Kalfon e etc. todos já publicaram livros com esses
documentos, de lá ele seguiu para a fronteira entre o estado do Acre com o
Peru, mais precisamente Puerto Maldonado. É o começo da aventura, eles pagaram
barqueiros para descer o rio até percorrerem o caminho terrestre para chegar em
Cochabamba, que é onde começa o diário do Che na Bolívia, dia 7 de novembro de
1966 ele descreve sua chegada a Cochabamba, depois de 2 dias de boa viagem em
um Jipe, dali seguiriam para o departamento de Santa Cruz, onde no rio
Nancahuazú se iniciaria os combates a 250km de Santa Cruz de la Sierra, onde
viria a cair em La Higuera.
Tudo isso
é documentado e está publicado na literatura estrangeira por renomados
historiadores, fora o próprio diário do Che, livros dos sobreviventes,
inclusive do Pombo citado pelo Vannuci onde não há a menor procedência do que
ele diz, essa conversa que ele diz ter tido em 87 precisa ver realmente o
contexto disso, ou ele não falava um espanhol a ponto de não entender bem, ou
quis jogar pra galera mesmo, se você pegar o espaço de tempo entre a saída dele
de Cuba pra Madri para depois descer até Cochabamba seria fisicamente
impossível uma viagem até SP, para depois Bauru, ainda contando pernoites em SP
e Bauru para depois seguir de trem, sendo que em 7 de novembro ele já estava em
Cochabamba, o Pedroso fala de arquivos abertos do serviço de inteligência do
Brasil dos militares, peça para ele mostrar, sabe porque?? A Bolívia, quando o
Che já estava lá e sabendo de uma possível ação guerrilheira, ela pede ajuda
aos EUA e o mesmo ordena os serviços de inteligência de todos os países
vizinhos, incluindo o Brasil, a levantar sobre o possível paradeiro dele, aqui
os nomes que tiveram a maior parte da responsabilidade nisso no serviço de
inteligência foram Américo de Melo, Aulio Gélio e Marinho Galo, não há nesses
arquivos qualquer documentação do paradeiro do Che e sim apenas um serviço
solicitado para ajudar a levantar qualquer tipo de ação dos guerrilheiros
nesses países incluindo o Brasil.
Acho
lamentável a forma como se brinca aqui com a história, passa-se uma borracha e
reescrevem linhas religiosamente feitas para crendices de gente que quer
aparecer, as pessoas estão malucas, porque pegam uma notinha ali, outro
conceitinho aqui e forma uma história sem nenhum pingo de evidências.
Camarada
Insurgente Marcos Paulo Caselachi Resende - Movimento Comunismo em Ação
CONCLUSÃO DESTE MAFUENTO HPA: Respeito por demais Vanucci e Del Royo, mas é preciso confrontar o que dizem com os fatos apresentados pelo Marcos. A verdade poderá vir dessa checagem, com documentos e não idéias lançadas ao sabor do vento. É o que proponho. No mais, no passado jovens estudantes da Unesp Bauru me disseram da possibilidade de um curta metragem sobre o tema e os aconselhei a realizarem, idéia fantástica, mas não como fato real, talvez uma ficção que todos gostariam que tivesse de fato ocorrido e podendo juntar velhos militantes da esquerda bauruenses como atores e figurantes. A passagem por Bauru possui o mesmo caráter nostalgico de outro encontro, que se realizado teria sido mais do que revolucionário, o de Che com John Lennon. Ambos permanecerão no nosso imaginário e assim os entendo.