quarta-feira, 7 de setembro de 2016

MEMÓRIA ORAL (202)


MOVIMENTAÇÕES DA RESISTÊNCIA BAURUENSE


01.) A ESQUINA ANTI-GOLPE DENTRO DA FEIRA DOMINICAL

Essa ocorreu no domingo passado, 04/09 na feira dominical da rua Gustavo Maciel, exatamente na curva da esquina, o ponto já escancarado como de encontro dos que bravamente resistem na aldeia bauruense contra os desmandos desse cruel, infame e bestial golpe. Sim, estamos sob o tacão de um golpe, onde o que de pior temos está a nos governar. E tudo sob o olhar compacente da maioriua dos bauruenses, paulistas e brasileiros.

Em Bauru, nessa esquina na choperia do Barba, um arretado sanfoneiro, certa feita, a alguns domingos atrás, um grupo se achegou e gostou do lugar. Uma fatal encruzilhada, para quem desce da feira dominical da Gustavo, quando ela se junta à feira do Rolo, algo ali acontece, igualzinho quando se curzam as águas escuras do rio Negro e as turbulentas do rio Amazonas. Pois bem, com mesas na calçada certa vez alguns desses ditos resistentes ali se sentaram e, primeiro gostaram do atendimento do Barba & Cia, depois do lugar, a mais movimentada feira de Bauru. Por fim, feira é movimento, gente da periferia de todas as matizes e no melô, logo ao lado uma banca de livros no meio do rolo, a do Carioca, um forasteiro que aqui aportou e consegue continuar vivendo e sobrevivendo vendendo livros e bugigangas mil.

O lugar foi, como posso dizer, conquistado, fincado uma bandeira e ali, a cada novo domingo, ali se reunem uns intrepidos personagens da vida urbana dessa terra do sanduíche. Na primeira vez em que fincaram na parede uma faixa com os dizeres contra o golpe, uma voz se levantou, tentou espernear, mas estava sózinho, isolado e mesmo levantando a voz, acabou por suportar o balaio de gatos que ia se formando à sua frente. Daí por diante, a cada novo domingo, a faixa é erguida, fixada nos arames da cerca da choperia e ali fica estendida por todo o tempo. o horário está mais ou menos estabelecido e acontece todo domingo, com sol ou chuva, das 10h até 12h30, pouco mais, ou mesmo quando o pessoal não quer ir embora, todos são abrigado dentro da choperia e o furdunça continua tarde adentro. Outro dia os últimos a abandonar o local, quando olharam no relógio já passava das 16h30.

Nesse último domingo mais um encontro. o9 gostoso é a renovação de caras e bocas. Nunca você encontra as mesmas. Nesse domingo mesmo, uma boa e necessária renovação. Gente que nunca havia ali estado e declarações de amor. Tem quem já pense em fazer um samba nos próximos encontros. Uma coisa é certa, na banca em frente, comandada pela dona Cotinha, muitos legumes e verduras. Compramos um pacote de tomate e o Barba deixa a gente lavar e cortá-los em rodelas na sua cozinha, daí voltamos e tudo temperado, acaba virando um belo acepipe. O alface alguém sempre traz e em dias próximos do pagamento, chegam também queijos e outras iguarias.

Posto algunas poucas fotos desse último domingo e com elas me despeço. Daria para ficar contando histórias e mais histórias das tantas ocorrências lavradas no local, mas isso demandaria tempo, o que não tenho no momento. Escrevo tudo de uma só sentada e nem os erros de português terei tempo pára consertar. Tudo fica registrado nos anais do grupo assim mesmo, dessa forma cuspida, lépida e fagueira. Até quando puder, vou postando isso e renovando as fotos e algum texto aos domingos e dias seguintes.

No próximo eu não estarei por acá. Cairei na estrada junto de minha companheira, mas prometem que outro registrador irá fotografar tudo e depois publicar. O muito interessante disso tudo é que, nesse momento de tensão social, golpe em curso, muita gente veladamente apoiando a coisa e, pelo visto, sem tomar conhecimento do baú de maldades preparados para nossos costados. Esses da encruzilhada dominical na feira já sacaram que coisa boa não teremos pela frente e resolveram se unir e, juntos se fortalecerem coletivaente, um escorado no outro. Essa a belezura do lugar. Lindo ver os candidatos a prefeito desfilando diante da gente e sem muita coragem para se aproximar, pois os quatro grandões, reconhecidamente golpistas, temem apupos. Um deles se achegou, apertou a mão de todos e ouvir algo mais. Falamos e ouvimos.

Está criado um espaço mais do que democrático em Bauru, reservado para os que levantam cedo aos domingos. E ele cresce, viceja e pela tendência, vai ser imortalizado como ponto de encontro de resistência. Você ainda não conhece? venha no próximo domingo e junte-se a todos os que por lá estiverem. O lugar tem a cara de todos seus frequentadores, a jocosidade necessária para enfrenbtar esses tempos duros e bravios, de insanidade mental sendo desanuviados pela frente e daí, só mesmo coletivamente para enfrentar as agruras todas. Viemos, olhamos, assuntamos, provamos, gostamos e resolvemos ficar a bandeira da resistência no lugar. Essa chama não pode sere apagada.

2.) O FORA TEMER JUNTO DO DESFILE BAURUENSE DO SETE DE SETEMBRO
Foi hoje pela manhã, dia 7 de setembro, o da Independência desse país, nunca completamente independente, feriado nacional e como todos os anos, desfile no Sambódromo. Como estamos em pelno golpe jurídico, midiático e parlamentar, com a anuência de parcela significatica dos brasileiros. Uns vão como o vai da valsa, tocados pelo que vêem e ouvem de uma mídia vendida, mentirosa e tendenciosa. Esse compraram que a maldade está do lado que enos tem culpa e guiados pela flauta doce, emabalado pela música da falácia, se deixam levar, parecem nem perceber que osseus algozes os conduzem para o precipício. Um dia a ficha deles cairá. Junto desses uma turba de aproveitadores, sacanas, gente que enxerga a corrupção no outro, mas nunca a de si mesmo e a dos que defendem. Esses os piores, pois sabem muito bem o que estão a fazer e sacanaeiam com um país inteiro.

Pois bem, diante de um Desfile Cívico Militar, todo certinho, regras estabelecidas, tudo previamente acertado, eis que, surgem vindos ali da curva da esquina um agrupamento de resistentes, prontos para o que der e vier e com o intuito de esclarecer, de tenbtar fazer os que ainda não estão enxergando nada, passame o ver, ouvir e possam falar sem atrevessadores lhes imporem as condições. Esses adentram o desfile e gritam em alto e bom som que a aparente normalidade não tem nada de normal, ou seja, está tudo muito errado e algo precisa ser feito, Esses fazem, estão nas ruas, mobiliazados e prontos para colocar suas caras à tapa.

Descem a avenida do desfile como um verdadeiro e original Bloco dos Sujos, ou saído das entranhas dessa cidade, sem fantasia a cobinar uma com a outra, sem uniforme, as com um grito bem uniforme, coesa e cantando com vontade, algo vindo lá do fundo da alma. Mas o qu querem esses? Querem que o país volta à normalidade, pois está fora do prumo, do rumo e indecentemente golpeado, segue um descaminho cruel e insano. Vários grupos, entidades, partidos, segmentos sociais se juntam e decidem se reunir na concentração do desfile. Numa brecha descem a avenida e levantando cartazes, bandeiras, estandartes, fazem um escarcéu, mostram a verdadeira face dos últimos acontecimentos, algo que uns insistem em dizer dentro da normalidade.

Sabem da fábula do rei nu e do menino lhe apontando o dedo e a dizer para todos o que está ali diante dos olhos, mas ninguém tem coragem de dizer: "O rei está nu". Sim, o rei, a deocracia brasileira está nua, pelada e cada vez mais fragilizada. Com isso alguns acordam da letargia e começam a pensar com suas próprias cabeças, enfim, "o que esses malucos ali na avenida estão a nos dizer não é tão anormal assim". Era exatamente isso o que todos ali queriam provocar, um toque, que os fizesse deixar de seguir o que lhes impõe a televisão, a rádio e o jornal.

O grupo se reuniu perto da concentraão do desfile, juntou pessoas e pouco a pouco a coisa foi se formatando, tomando corpo. Uns trouxeram faixas, outros cartazes, cartolinas com escritos variados, papeis sulfites com igual teor, lambe lambes feitos á guache a canetas pilot. na junção de tudo o grupo desceu, enfrentou vaias, apupos e foi também ovacionado com apupos de apoio. Lindo ver os que desciam da arquibancada e se juntaram aos que desfilavam entoando palavras de ordem. Foram muitos e cada um que assim procedia, ais força dava aos que ali estavam.

Os registros aqui publicados fora feitos em dois momentos. primeiro antes dodesfile, quando da concentração e depois, quando da chegada ao fim da avenida. Nenhum dessas mostra o desfile, pois o fotógrafo estava a desfilar, segurarando cartazes, empunhando faixas e com mãos, bocas e pés ocupados. Outros registraram esse rico momento e algo disso estará sendo exposto por outras pessoas que lá estiveram. Aqui um registro claro da resistência bauruense, uma cidade cheia de muito conservadorismo, mas com muitos propensos a remar contra a maré. Eis alguns deles em ação, repudiando o golpe e clamando para que o país volte à noralidade. o lema da movimentação é bem clara: FORA TEMER, FORA GOLPISTAS E NENHUM DIREITO A MENOS. Conseguindo esclarecer para uns poucos hoje, mais outro tanto amanhã e assim pordiante, temos certeza de a missão de estarmos nas ruas estará plenamente justificada.

Sábado, 10/09, 10h, com concentração na Esquina da Resistência e subida e descida do Calçadão da Batista, a próxima concentração, uma que desde já se iniciando a divulgação. Os motivos são os mesmos e a necessidade mais do que real de estamos todos mobilizados, unidos e contrários à bestiliadade que querem fazer com o país desde que golpistas assumiram o Governo, o poder e as rédeas. Resistência obrigatória. O escrito aqui sai cuspido de uma só talagada e fica publicado do jeito que foi parido, com a emoção do momento e sem as devidas correções. Para bom entendedor, elas nã ose fazem necessárias e nem tempo teria para isso. Por tanto, não reclamem do meu português, tentem curtir desviando dos erros e discordâncias. Vale o escrito.

terça-feira, 6 de setembro de 2016

CARTAS (163)


PMDB, ONTEM, HOJE E O AMANHÃ*

* Texto de minha lavra enviado para publicação na Tribuna do Leitor do Jornal da Cidade - Bauru e como não saiu publicada lá, sai aqui e no mafuá.

A presidenta Dilma foi questionada no Senado sobre isso e sua resposta foi precisa. Límpida, clara e objetiva. O PMDB que se coligou com a Lula e depois a ela não é o mesmo PMDB de hoje. O senador Roberto Requião que o diga, hoje o Último dos Moicanos dentro de uma hoje estrutura, completamente alterada, reviravolta total e absoluta.

PMDB, quem te viu e quem te vê. Tenho homéricas lembranças de muitos dos seus em momentos históricos desse país. O período militar foi algo percorrido, tendo alguns próceres desse partido, como bons timoneiros. Fizeram história. Depois disso, pouco a pouco, uma profunda transformação. E para pior, muito pior. Tidei de Lima, nosso penúltimo deputado federal percebeu isso muito bem e não resistiu, caiu fora. Hoje, tenho certeza, estaria ao lado da defesa da democracia e contrário ao cruel golpe. Fez parte de um antológico grupo arejado em suas instâncias.

O encontro dias atrás. O cumprimentei pela última entrevista dada a Duda Trevisani na TV Preve, quando contrariando a condução pretendida pelo entrevistador, deixou claro ser contrário ao impedimento da presidenta. Viro para ele e lhe digo que, se lá estivesse, com certeza, estaria tendo posições como a de Requião. Sim, pois são as mínimas possíveis diante de toda sua trajetória.

Hoje, inegável, o PT não é mais nem sombra do que o foi um dia, assim como o PMDB. Perderam-se os princípios. Alguns tentam resgatá-los, luta inglória, quando outro tanto já desistiram de fazê-lo. Em Bauru, ambos enveredaram por tortuosos caminhos. O PT errou e erra muito, porém, fez algo nunca dantes feito. Reconhecer isso não é demérito para ninguém, aliás, puro exercício de sensatez. E quando Michel Temer foi convidado para ser vice de Dilma, o partido ainda guardava alguns poucos traços de seu passado, o PT idem. Como é sabido por todos, ninguém governa de forma isolada dentro do sistema político vigente. Impossível isso. O PT sempre soube disso e daí as alianças. Todos as fazem. Estiveram unidos e possibilitaram algo de palatável diante de outro lado, muito ruim, tudo cometido dentro da parceria.

Venho disso tudo para o momento atual. Dilma teve um primeiro Governo razoável. Nele manteve e até ampliou os projetos sociais iniciados com Lula, o que vale disso tudo. No segundo não mais. Não se trata de incompetência da mandatária, pois não a deixaram governar um dia sequer. O PSDB, único partido social democrata que conheço em todo planeta que é de direita, conservador e entreguista é um dos culpados por esse triste momento histórico. Não soube perder a eleição e escolheu o pior caminho, o de não dar nenhuma trégua para o Governo de Dilma.

Ela foi sangrada todos os dias do seu segundo mandato. E o velho PMDB aliou-se ao PSDB, quando teve contrariado os interesses de seu atual comandante, o inescrupuloso e todo poderoso Eduardo Cunha. A debandada ocorre com o abandono do campo até então democrático para transformarem-se no que de pior temos no espectro partidário. Não foi com esse PMDB que o PT se aliou doze anos atrás e nem Michel temer possuía os posicionamentos hoje adotados. Pioraram e muito, todos. Daí, o até então coadjuvante Temer é insuflado e alçado como alternativa golpista ao poder.

Dessa forma, sem nenhum esforço mental, a constatação da deterioração do sistema político num todo. Prazo de validade mais do que vencido. Não passaremos bons momentos com os atuais atores no comando do cenário político. Esses últimos meses são o melhor exemplo disso. Pioramos, retroagimos no tempo e no espaço e, infelizmente, o padecimento será o de todos, mesmo que muitos ainda não o tenham percebido.

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

OS QUE FAZEM FALTA e OS QUE SOBRARAM (91)


PROTAGONISTAS EM AÇÃO – QUARTA, 7/9 É O DIA
O cruel golpe foi sacramentado. O que de pior temos no cenário político nacional hoje governam o país. O PT foi sacado do poder. Errou, como todos os outros, mas foi o escolhido para ser sacrificado em nome de tudo o que todos fizeram de mal ao país. Primeiro, o foi por ter feito algo diferenciado e em desacordo com os demais, fez o que não estava no script e também por insistir em manter um discurso na contramão do ditado pelas leis do pensamento único. Fugiu a regra e teve o pescoço decepado. Também, pudera, tiveram o disparate de se aliar a tudo o que antes condenavam. Inevitável em algum momento esse tipo de acordo conciliatório fazer água. Foram algumas eleições e o PT sempre na ponta, renovando os acordos. Temer mesmo aceitou as regras do jogo e endossou até a realização de programas sociais, mas uma hora, tanto ele como outro tanto de insufladores do caos social cansaram de perder eleições e sacaram os “intrusos” do poder, assumindo eles mesmos o timão. Para tanto, não pensaram duas vezes e derrubaram com um vil golpe até uma presidente legalmente eleita, sem envolvimento com corrupção e deitaram por terra uma insipiente democracia. Isso é o que menos importa, pois o negócio era retomar o poder e isso foi feito. Sacaram do Governo a dita presidenta a atrapalhar a livre negociata. Conluio e golpe executados com o devido sucesso, Dilma dançou, com ela a democracia e o estado de direito.

Diante desse quadro, dos vitoriosos executando e colocando em prática tudo aquilo que tinham me mente como maldades e malversações, retrocesso em curso e muito pior do que o ocorrido com o golpe de 1964. Evidente que uma reação se fazia necessário. Ela ocorre, ainda insípida diante do tamanho do estrago proporcionado ao país, mas com reais possibilidades de crescimento, ou seja, ir tomando pouco a pouco conta de todo o país. A medida que a ficha do povão vai caindo a participação popular tende a aumentar. O povo está saindo as ruas, ainda de forma pacífica, por enquanto só protestando, gritando em voz bem alta e mesmo sem uso da violência, encontra desde o início uma irracional reação dos órgãos repressivos, comandados por alguns dos governos estaduais, principalmente o de São Paulo, comandados pelo truculento Geraldo Alckmin. Tudo sob a anuência do (des)Governo golpista de Michel Temer, um que, pelo visto, nãosabe o que é democracia. Com Dilma, o protesto era contra ela, e ela, democraticamente não reagia, pois entendia que o direito de manifestação é de todos, mesmo e principalmente os contrários, já Temer, acredito, nem saiba direito o sentido da palavra democracia, mesmo sendo professor de Direito. Belo professor, hem!!!

E, se protestos ocorrem país afora, por que não também em Bauru? No dia da consumação do golpe, convocados pela iniciativa de uns poucos militantes, uma concentração é marcada e ocorre diante da Câmara Municipal e de lá sai uma marcha pela avenida Rodrigues Alves. Foi o começo, ou a continuidade de algo iniciado, sempre do mesmo jeito no período antes do golpe. Bauru, como é sabido até pelas pedras do reino mineral é um reduto e concentração de arraigado conservadorismo. O centro do estado hoje mais conservador da federação não podia ser diferente dos demais, ou seja, nesse quesito até extrapola um bocadinho. Passa dos limites, das raias do normal. Mesmo assim, até então, vigorou um percentual de uns 30% do eleitorado votando em candidatos e propostas mais à esquerda. É percebido até uma dissipação disso ao longo desses últimos tempos, mais sombrios impossíveis, algo notado não só na cidade, no estado, mas no país num todo. Reflexos também de uma mídia comprometida com o atraso e com a mentira. Daí, para enganar uma nação um pulo. Junte-se a isso o fato de que o mesmo PT, ultrajado nacionalmente, faz acordo na cidade com quem o esfaqueia nacionalmente, um tal de PRB, mais golpista e conservador impossível. Só podia melar. E melou feio.

Os protestos em Bauru, todos eles até então, em sua maioria até o presente momento não ocorreram ou foram organizados por grupos oficialmente constituídos, e sim, por conjuntos de militantes sociais. Os insatisfeitos se unem e botam o bloco na rua. Foi assim em muito da resistência até então ocorrida nas ruas no anterior ao golpe e também está sendo assim no pós-golpe. No dia diante da Câmara tudo nasceu da iniciativa de uns, com algo postado nas redes sociais e daí tudo nasceu, floresceu e aconteceu. São os tais protagonistas dessa cidade, uns poucos abnegados e com disposição de, não só colocar o bloco na rua, como a cara para bater. É esse tipo de ação a que continua fazendo com que algo continue acontecendo. Enquanto sindicato, associações da classe trabalhadora vacilam e até se omitem, algo está sendo feito á revelia deles.

No ato defronte a Câmara, ao final do percurso, quando da reunião em circulo com os participantes, um megafone e esse sendo oferecido para todo e qualquer que dele quisesse fazer uso. Nasce ali na ideia de não sair das ruas e marcar novas mobilizações e atos contrários ao golpe. Com a proximidade do Sete de Setembro e nele o famoso desfile no Sambódromo, fica decidido algo para aproveitar da grande concentração popular naquele local. Data confirmada, uma reunião é marcada para o dia 03/09, sábado, 17h, na praça Rui Barbosa e lá, não só a decisão final, como os detalhes do envolvimento de um número maior de entidades, consequentemente, pessoas. Lá, um grupo de aproximadamente 30 pessoas, reunindo diferentes segmentos sociais, estudantis, políticos e mesmo independentes decidem após ampla discussão e debate, onde todos puderam livremente se expressar, bater o martelo para o ato a seguir.

Mesmo com muitos dos presentes possuindo posicionamentos diferentes e até interesses divergentes, no frigir dos ovos, o algo em comum falou mais alto e o Fora Temer e o Não ao Golpe e Nenhum Direito a menos vence e se impõe. Ou seja, vai ocorrer algo grandioso, um Ato junto ao Desfile e, dessa forma, esses protagonistas todos dessa varonil cidade estarão unidos no repúdio ao rompimento do estado democrático. Uma das premissas básicas, como se fosse uma palavra de ordem, um grito geral será o de não lançar nada vazio, sem muito sentido ao trabalhador e sim, tentar esclarecer dos malefícios do que está vindo, numa demonstração de que quem estará pagando toda a conta será ele, o trabalhador, o grande vilão para os golpistas, pois muito se fala em seu nome, mas tudo é feito contra ele. Cada um, ao seu modo e jeito estarão convocando os seus mais próximos e ao comparecer no Ato de Repúdio, deixar bem claro a existência de uma Bauru que não se omite, não esconde sua face, não permanece calada diante das atrocidades, pois está nas ruas mobilizada, resistindo, protestando e esclarecendo a todos.

Quarta, 7/9, a partir das 9h30 na praça no Geisel ao lado da concentração do desfile será o ponto de encontro de todos esses e os demais com o mesmo ímpeto e disposição. E isso deve ser só o começo. Um viva bem grande para todos os PROTAGONISTAS dessa aldeia bauruense.

domingo, 4 de setembro de 2016

PRECONCEITO AO SAPO BARBUDO (106)


ODE POR “CARTA CAPITAL” E POR TUDO O QUE REPRESENTA NO MERCADO EDITORIAL BRASILEIRO*

* O escrito serve também para Caros Amigos e algumas outras.

Eu sei muito bem de todos os males que virão daqui por diante, um deles já bem mais do explícito, escrachado nas atitudes dos golpistas. A cotação de 18 anos para o filme Aquarius (agora rebaixada para 16 anos), só pelo fato de seu diretor e atores terem se posicionado contrário ao Golpe é um sinal bem claro do que virá pela frente. Retaliações de toda espécie e maneira. A designação de um funcionários exclusivo para ir identificando dentre todos os servidores federais, quem se posiciona contra o Golpe e, consequentemente, fazer a poda de tudo, desde promoções, remoções ou mera manutenção do emprego, outro bem evidente de que a onda de perseguições está só começando. Nos últimos dias nas ruas, nas manifestações de protesto, o pau comeu solto. Devemos estar mais do que preparados para esses novíssimos tempos, onde perseguições será a praxe.

Cito uma. A revista semanal Carta Capital, a única dentre as semanais atuando dentro da verdade factual dos fatos é um dos alvos principais dos golpistas no que eles denominam de “aos amigos tudo, aos inimigos a lei” e até um algo mais, a perseguição e o afastamento de anunciantes. Os meios são os mais diversos. Se você anuncia ali, pode não receber verba daqui, ou até uma averiguação mais detalhada na sua situação contábil. Tudo dentro da lei. Tem quem até queira ali anunciar, mas diante da realidade dos fatos, melhor manter distância. Carta Capital e algumas outras estão se transformando nos leprosos do Governo Golpista de Temer & Cia. Muitos para evitar problemas quando gente do estilo Serra está do outro lado, melhor não colocar a cara lá, pois o caldo, com certeza, engrossará do lado de cá.

Escrevo isso na qualidade de observador dos fatos. Compro a revista desde que se tornou semanal e sua linha editorial é sabidamente crítica. Pena por causa disso. Muitos dentro dos Governos petistas a acharam até ácida, pois não os bajulou em nenhum momento. Foi dura quando devia ser e isenta sempre, tanto para a crítica como para o elogio. No momento se faz necessário a defesa da legalidade, da democracia, de Dilma e de salvaguardar algo contra os evidentes retrocessos em curso. CC cumpre o seu papel e pena por causa disso. Na última edição somente um anúncio da iniciativa privada, o do Banco Itaú. Nada mais. Nenhuma publicação sobrevive dessa forma. Com a venda somente das bancas é impossível sobreviver financeiramente e isso é sabido “até pelas pedras do reino mineral”, repito e reforço usando frase, como apregoa sempre Mino Carta, editor chefe da revista.

Os críticos da revista, os que nunca a leram de fato insinuavam que ela sobrevivia de anúncios governamentais, portanto, chapa branca. O faziam por pura maldade, intenções malévolas. O que o governo petista fez acertadamente do dividir o bolo publicitário entre as tantas publicações existentes. Todas foram beneficiadas e até enxergo que, as que mais criticaram o Governo petista foram as mais beneficiadas. Hoje, basta ir a qualquer banca e olhar se isso continua acontecendo. Claro que não. Em CC nenhum anúncio governamental, mas nas demais, recheadas deles. E depois foi aquele Governo o ruim. Sabemos o que se passa, tempos nebulosos estão despontando no horizonte e nuvens carregadas ameaçam a livre imprensa. Quem não for a favor, prepare-se para o pior. Isonomia num momento e com gente como a que nos governam é pedir demais, pois o que sabem fazer e fazem que é uma maravilha é a retaliação, perseguição, pressão e massacre a quem pensa diferente.

Não sei se CC se preparou, mas o fato é que escrevo para sensibilizar quem de fato pode a olhar com os olhos, os de que o bom jornalismo não pode fenecer. Gostaria imensamente de poder dar um quinhão só meu para a revista, renovando a esperança de sua sobrevivência ad eternum, porém, não tenho como fazê-lo. De minha parte, compro dois exemplares semanais, um para mim e outro para o filho. E divulgo a cada semana a fala de Mino versando sobre o conteúdo da edição saindo nas bancas. No mais, esse escrito é no sentido de sensibilizar todos os ainda com a sanidade em sai, com o pensamento fluindo normalmente e discordando da bestialidade predominante com Temer & Cia no Governo. O que pode ser feito para revistas como Carta Capital não fenecerem? Qual o papel dos leitores nesse momento? Se possível até um movimento dos leitores em prol da revista, algo em busca de ampliar o leque de anunciantes e leitores. Queria poder pensar coletivamente sobre essas questões, a de já termos tão poucas publicações atuando dentro de uma linha editorial independente e de como podem sobreviver em tempos onde o predomínio é o da mediocridade, insanidade, iniquidade, perversidade e até mesmo desequilíbrio mental.

Comprá-la em banca ou mesmo assinar já é algo mais do que importante.

sábado, 3 de setembro de 2016

CENA BAURUENSE (152)


AMANHÃ O I DOMINGO ANIMAL E UMA CENA DE AMOR AOS CÃES PRESENCIADA NA ZONA SUL DA CIDADE
Amanhã ocorre em Bauru o I Domingo Animal, evento criado pel frei Alfredo Francisco de Souza, da Paróquia da vila Santa Luzia. Lá naquele bairro um reduto de cães não tão nobres, desses com tratamentos vips, porém tão amados por seus donos quanto o de outros redutos.


Fiz esse curto comentário por um motivo bem específico e aproveito o evento para contar uma história presenciada nas ruas de Bauru por esses dias. Ontem, descia a rua Henrique Savi e ao chegar próximo do parque Vitória Régia, na altura da parte traseira da USP, perto do posto de água do DAE, vejo diante de mim uma vetusta jovem, com um impecável jogging esportivo, calça combinando com blusa, cabelos presos, tênis último tipo, ou seja, tudo nos trinques. A fina flor bauruense. Vinha ela garbosamente passeando com seus dois cães, ambos devidamente nas coleiras. Um de grande porte e outro de pequeno, todos os dois, mesmo sem ter o prazer de me aproximar, percebi à distância, pelo visual apresentado, deveriam receber tratamento vip.

Pois bem, ela fazia sua caminhada, que devia ser habitual por ali e eles a seguiam, até que, um deles, o menor, deu para dar bola para um cão de rua. A cena foi hilária, o cãozinho de rua acabou por se engraçar com o de menor porte de propriedade da dita moça e ela, percebendo e não gostando, pressentindo algo mais com a aproximação, deu de puxar os seus e tentar se desvencilhar do encontro. O cão de rua, de raça indefinida, não desistiu e foi no encalço de seu mais novo affaire. Nesse exato momento parei o carro e fiquei a presenciar a cena, como se estivesse num camarote.



A cena a seguir foi a demonstração de como se processa o amor pelos “seus” animais nesse nosso mundo atual. Ela tentou mais um gesto não permitindo a consumação da aproximação, do contato entre pelos. Presumo que, um tivesse tomado banho recentemente e outro não se sabe quando. Como não conseguia sucesso nos puxões de cordão e o de rua insistia em encostar-se ao de pedigree. A solução encontrada pela sapiência que o momento exigia foi ela distribuir pontapés no de rua. Perdeu literalmente a compostura e sem soltar a mão da cordinha prendendo os seus, passou a distribuir pontapés no de rua, com o claro intuito de afastá-lo, se não por bem, pelos chutes.

Foram seguidos bicudos, mas como é sabido pela lei natural da vida, todo cão de rua é um ser vivido e sabe também das leis do contorcionismo. Daí, o danado conseguia se desviar dos chutes. Não esperei para ver o desenlace da cena, pois corria o risco de ter de intervir e me posicionar favorável a um dos lados no conflito. Parti do local com cor no coração. Agora, sabendo do evento dos cães no domingo, fico cá a pensar com meus botões: ela e seus cães possuem grandes chances de participar amanhã do evento I Domingo Animal, levando-os para a benção canina, já o de rua, mínimas chances.

sexta-feira, 2 de setembro de 2016

DROPS – HISTÓRIAS REALMENTE ACONTECIDAS (134)


TRÊS HISTÓRIAS BAURUENSES DO NOVO MOMENTO, JÁ SOB O TACÃO GOLPISTA - VEM MUITO MAIS POR AÍ

1.) Venho agora de uma banca de revistas na cidade e lá, ao folhear os jornalões paulistas, sem coragem nem para tocá-los, eis que ouço assim de soslaio um conversinha pra lá de interessante. Um senhor, depois fico sabendo, alto graduado nos Correios local, estava se lamentando por algo assim: “O novo mandante da Regional Bauru já está chegando e o que virá pela frente é catastrófico para todos nós, a instituição Correios está em perigo”. Sim, percebo que os golpistas são rápidos e já estão agindo. Tenho ótimas lembranças desse pessoal dos Correios reclamando muito de dona Dilma, uma que, sei, agiu no caminho da privatização, mas tinha o condão de ouvir o outro lado, isso era plenamente admissível. E, a partir disso, criou-se uma ferrenha oposição e também uma extensa negociação. Dilma, todos sabemos, vivia em constante cerco e tinha pouca opção de manobra e na demora para tomar a atitude contra a instituição Correios, algo de salutar. Essa é minha reflexão sobre o que ocorreu até meses atrás, pois depois chegou Temer & Cia. Nesse momento, olho para o ainda chefe dos Correios, faço questão de pegar nas mãos uma publicação contrária ao golpe e digo em voz bem alta: “Levo essa, pois sempre esteve contrária ao que hoje estão no poder”. Ele abaixa a cabeça, não diz nada e sai de fininho. Com Dilma, apesar dos pesares, existia o contraditório, hoje não mais e lá pelos lados dos Correios vejo que, os que clamavam contra Dilma estão agora calados e sem poder nem ao menos esboçar sequer um gritinho, pois sabem que o facão da maldade pode decepar pescoços, só pelo simples fato de se mostrarem contrários aos novos mandatários. Ela era mesmo muito ruim.

2.) Estive essa semana num consultório médico e lá, Dilma na TV, nua fala emocionada e nos estertores dos holofotes ainda em sua direção tentava demonstrar a ocorrência do golpe. A funcionária atendente do consultório, uma senhora bem vestida, dessas que costumam falar alto para que todos possam ouvir, pediu para outra funcionária, essa da limpeza, uma senhora magra, carinha de nossa periferia, para que aumentasse um pouco o volume, pois todos precisavam ouvir e ver sobre a despedida de alguém, que segundo ela, fez muito mal ao país. Disse mais, nenhuma de apoio, só de duras críticas. A da limpeza executou a ordem, não sem antes dizer aos presentes algo que não me saiu da mente por esses dias: “Fico muito triste em ver o que estão fazendo com Dilma, eu gosto muito dela, ela não tem cara ser gente ruim como a dos outros que a tiraram de lá. E hoje, sei reconhecer, só tenho minha casinha, no Minha Casa Minha Vida por causa dela. Penei uma vida inteira para ter uma morada e só consegui no governo dela e do Lula. Como posso deixar de ver algo de bom neles? Ninguém mais olhou para nós”. Cai o pano. No mesmo dia passo lá pela rodovia marechal Rondon, depois do Vista Alegre, olho para os lados do Colina Verde e uma baita conjunto habitacional popular está lá instalado e do outro lado, outro, esse de maior tamanho (acho que ainda inacabado). Tiro fotos de ambos e concluo com uma pergunta: Alguém em são consciência imagina que projetos como esse terão solução de continuidade no governo do Temer?

3.) Não tive muito tempo de ouvir rádio hoje pela manhã, mas consigo ligar meu portátil tipo 8h10 e pego o finalzinho de uma fala do Paulo Sérgio Simonetti e o Reinaldo Cafeo no InformaSom da 94FM. Paulo se mostra inconformado com o Senado, por esse não ter imposto a Dilma a perda dos seus direitos políticos. Diz de exceções abertas e cita que o até valores da Odebrecht sendo hoje liberados, algo inconcebível, segundo ele. O melhor viria na manchete seguinte. Paulo lê notícia da proposição do Governo (uma vez golpista, sempre golpista) Temer sobre a reforma da Previdência Privada, onde vai decretar que, aposentadoria daqui por diante só a partir dos 65 anos. Ele, já devidamente aposentado, volta-se para Cafeo e diz a ele no ar em tom de pilhéria: “Você tem 62, ainda bem, faltam só três, que sorte, acho que vai dar tempo de conseguir se aposentar”. Cafeo, que não precisará desse benefício, ri e concorda. Todos riem, menos o povo. Se a insisividade e a mordacidade do comentário anterior, ou seja, nítido o ainda tudo que resvale no nome de Dilma ser do mal e, por outro lado, vindo de Temer, ainda com reticências, esperanças, mesmo sendo uma das maiores barbaridades desse mundo. Vejo o momento em que todos dirão algo assim: "Não apoio Temer, mas ele foi necessário, era o que tínhamos para tirar Dilma do poder". Em Tempo: comentários dessa natureza são comuns e fazem parte da rotina do rádio, TV e jornal, não só pelos lados da aldeia bauruense, mas à nível nacional. Mas a ficha vai caindo, mesmo que em pequenos drops, pouco a pouco, mas já sendo notada. O que era ruim, já está pior, mas isso é só o começo.

Obs.: Nas duas últimas fotos, dois dos conjuntos habitacionais construídos na gestão Dilma e citados por mim no texto. Nessa semana mais um foi entregue, talvez os últimos que tenhamos notícia. Quem conseguiu conseguiu, quem não consegui não conseguirá mais.

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

FRASES (147)


O GOLPE, UMA VELADA ACEITAÇÃO E A RESISTÊNCIA EM BAURU - O ALENTO VEIO NUMA NUMA FRASE...

O tão propalado Golpe de Estado foi finalizado. O script idealizado foi finalmente encerrado com chave de ouro: os golpistas executaram o “passo a passo” em todos os seus detalhes. Seguindo os mesmos, para qualquer pessoa sensata, impossível não identificar ter sido a execução do mais moderno tipo de Golpe em funcionamento, um sem sujar as mãos, sem violência nas ruas e com aparência de normalidade. E contando com a complacência, anuência e vista mais que grossa de muita gente, pois sem isso, o barulho seria ampliado. Falo de Bauru e me espanta como a aceitação dentre muitos segmentos da cidade é grande. Ouço as rádios, vejo as TVs e leio o jornal local e na maioria (existem exceções) deles, uma implícita aceitação do ocorrido como algo dentro da mais absoluta normalidade, diriam, até necessário. OP descaramento tomou conta de olhos, ouvidos e bocas.

Ligo o rádio e o comentarista econômico, sem se alterar, traça planos da boa aceitação do “mercado” (sempre ele, tudo em seu nome) para as medidas já sendo tomadas pelos novos governantes, na TV o entrevistador só falta ter um orgasmo ao vivo e a cores melando toda a bancada, tal o estado de catarse e alegria pelo ocorrido e no jornal, mesmo sem ter editorial com o pensamento da publicação, todos os textos com assinatura de colaboradores é no sentido de louvar o que vem por aí. Consenso favorável e descartando a hipótese de ter sido Golpe, mesmo diante das evidências. Vale muito registrar isso tudo nesse momento, como já foi feito no passado. A TV Globo, por exemplo, quando do Golpe Militar de 64 e em tudo na sua sequência muito se beneficiou (do mesmo jeito como agora). Passados algumas décadas, quando não havia mais como esconder o que de fato havia ocorrido, eles de desculpam e nada mais. Tudo fica por isso mesmo. Evidente que tudo ocorrerá do mesmo jeito e maneira. Daí, a importância de guardar num baú o nome de todos os prestaram auxílio, apoiaram, incentivaram e teceram elogios para o que está despontando coo (des)Governo despois da consumação da efetivação do até então interino.

Um dia, que talvez não esteja muito longe, quando quiserem abandonar o navio ou vierem com desculpas esfarrapadas desdizendo do apoio e fugindo das responsabilidades, estarei pronto para sacar da algibeira os tantos nomes e cobrar a conta. Inevitável a destruição do sonho de um país grande, altaneiro e soberano. Talvez estivéssemos longe de o ser, mas efetuamos alguns bons passos nesse sentido com Lula e Dilma. Eles claudicaram, possuem grande responsabilidade pelo ocorrido, mas avançamos com eles e hoje, esse pouco está sendo colocado na lata do lixo. Esse que aí estão não são nem um pouco nacionalistas, pois entregam tudo ao capital estrangeiro, com aquele discurso “cerca lourenço” de que o Estado Mínimo é solução para tudo. Solução para o bolso de uns poucos e danação geral da nação. Cansado estou, confesso, pois com 56 e dores despontando pelo corpo, não sei se verei a reviravolta acontecer. Não sairei da cancha de luta, mas minhas forças, hoje reduzidas, lá no fundo me indicam que os bons de luta diminuíram. Não em tamanho, mas em quantidade. Tanto que o golpe foi sacramentado e a reação foi mínima país afora.

Mínima mas ainda ocorre. Aqui em Bauru um grupo de pessoas se reuniu defronte a Câmara Municipal, das 17h em diante e mesmo em pequena quantidade, deram uma demonstração de que o conformismo não toma conta de tudo e todos. Existem os ainda com coragem de botar o bloco na rua, expor a cara e gritar em alto e bom som contra as mazelas a infelicitar o país com o golpe. A mais infame reação contra esse grupo, ontem por volta de umas sessenta pessoas é aquele clássica e vinda de uma pessoa das classes menos favorecidas, ou seja, uma das ais afetadas pela ação dos golpistas: “Vocês não passa de uns poucos GATOS PINGADOS”. Adoro ser chamado de gato pingado, tanto que vou propor como nome do Grupo de Resistência, sendo formatado entre os presentes ontem nas ruas de Bauru, o sugestivo nome de GRUPO DE RESISTÊNCIA DOS GATOS PINGADOS DE BAURU. Esses ditos pingados, não estavam ali só por Dilma, mas pela democracia, essa ultrajada e jogada na lata do lixo com o desrespeito do ato golpista de tomar o poder, destituir uma presidente legitimamente eleita, pelo simples fato dela ser diferente da maioria dos que a sacaram do poder: é honesta. Para estar nas ruas e protestar não se faz necessário ser petista, como os golpistas querem apregoar, mas ter sensatez, clareza de ideias e não ser conduzido como manada, seguindo cegamente o que lhes impõe uma mídia falseando a verdade dos fatos, um Judiciário a favorecer um dos lados da questão, uma Polícia sempre a serviços dos Donos do Poder e de uma classe política totalmente desvirtuada e atuando como uma perfeita máfia.

Existe uma resistência em Bauru, ela esteve nas ruas e se compromete a estar mais atuante daqui por diante em atos e ações dos mais diferentes. Faz-se necessário uma aproximação dos movimentos sociais, dos trabalhadores, dos estudantes, das muitas vozes da periferia, dos anseios populares e não só observar, mas se integrar, para todos juntos, unidos e coesos, dar um grito em alto e bom som. Que o visto ontem nas ruas, quando numa decisão ali tomada na hora, uma passeata pela avenida mais movimentada de Bauru, a Rodrigues Alves, num percurso de ida e volta da Câmara até a rua Araújo Leite. Os algozes de todos são por demais conhecidos, o que te quem ser feito para resistir está sendo formatado e que a movimentação de ontem sirva como impulso, exemplo e motivação para que o movimento de resistência cresça, se fortaleça e vá se multiplicando mais e mais.

Estou ainda em estado de choque e o consolo, um deles, me veio na escrita de um grande amigo, bem distante de Bauru, em Juiz de Fora MG. Professor universitário aposentado da UFJF – Universidade Federal de Juiz de Fora, religioso de uma velha cepa de resistência (cada vez com menos adeptos), perseguido pela ditadura militar, Zwinglio Dias, aparece logo cedo com algo do poeta português Fernando Pessoa, que faço questão de compartilhar com tudo, todas e todos. É um ótimo alento para continuarmos na lida:

“Neste primeiro dia de mais uma vitória da Casa Grande sobre o povo brasileiro compartilho com vocês estas estimulantes palavras de Fernando Pessoa, para que ninguém perca a esperança e nem deixe de pensar no futuro que está para ser construído:
"De tudo, ficaram três coisas:
– A certeza de que estamos sempre começando...
– A certeza de que precisamos continuar...
– A certeza de que seremos interrompidos antes de terminar...
Portanto devemos:
– Fazer da interrupção um caminho novo...
– Da queda um passo de dança...
– Do medo, uma escada...
– Do sonho, uma ponte...
– Da procura, um encontro...".

A luta continua e, dessa forma, continuo da lida, até quando tiver forças. Um dia a gente chega lá...

Obs.: As fotos todas foram tiradas ontem na concentração, marcha e passeata ocorrida no centro da cidade como forma de reagir e deixar claro a discordância com o golpe.