E daí, a pergunta que todos se fazem: diante de tudo isso, também aliado ao descalabro do futebol brasileiro e de sua manipulação por interesses outros que não o futebol, chegando ao cúmulo da camisa da seleção ser indumentária da direita fascista, você ainda consegue torcer para o escrete nacional? Minha resposta é a mesma que, daria décadas atrás o então técnico da seleção brasileira, SIM. Na qualidade de brasileiro, separo bem as coisas. Sei de toda sacanagem das entranhas do futebol e de sua utilização mesquinha e sem vergonha, mas continuo sendo brasileiro. Sou também avesso à forma como é conduzida a convocação de jogadores, mas me pergunto: em qual momento foi diferente? Talvez só com Saldanha, quiçá com Telê Santana. Eu gosto demais da conta deste treco denominado futebol. Anteontem mesmo estava diante da TV vibrando num jogo da série B, Náutico X Fortaleza. Torci muito pelo time pernambucano, como continuarei fazendo com ele e com o time do meu, o glorioso e centenário Noroeste, em campeonatos não interrompidos com a realização da Copa. Se bobear voltarei num destes domingos lá em Santa Cruz do Rio Pardo, para presenciar mais um jogo da Santacruzense na 4ª divisão do paulista de futebol.
Escrevo isso para dizer que, estarei assistindo a alguns poucos jogos e, se possível, todos os do Brasil. Não me peçam para torcer contra. Torço contra – e muito -, para tudo o que ocorre nos bastidores, mas não contra o time do Brasil. Seu muito bem dividir e separar o joio do trigo. Adoraria ver seleções como a do Uruguai e Portugal, minhas outras torcidas nessa Copa, se darem bem. Escolhi essas e assim seguirei. Torço muito por Vini Jr, Endrick, Rayan, Luiz Henrique e alguns outros, poucos por sinal, se darem bem. Sei de todas as dificuldades e vejo um só astro hoje nessa Copa, ciente de como deve ser combatido este grande mal da omissão e em condições de erguer sua voz e dizer o que realmente precisa ser dito para todo o mundo, o francês Kylian Mbappé. Talvez ele não faça nada e assim deve ser nesta Copa, a da omissão e de todos de cabeça baixa.
Certa vez fui buscar para irmos juntos ao campo do Noroeste, o querido Roque Ferreira, que não dirigia e lhe dizia de estar triste, contrariado com os destinos do que via nos bastidores do clube e que talvez isso pudesse refletir na minha torcida. Ele calmamente, olhando para o campo me disse: “Henrique, torça, você veio aqui para isso. Se for pensar nessas coisas e nessas barbaridades todas que acontecem a todo instante e em todos os lugares, não só aqui, deixará de torcer e até de gostar de futebol. Torça e depois, façamos o que sempre fizemos, denunciar e se posicionar”. Sigo agindo dessa forma e jeito. É o que farei nessa Copa, a mais obscura e tenebrosa de todos os tempos. Assim sendo, na medida do possível, estarei por aqui, também falando de futebol. Torcendo dentro do que ainda entendo ser possível. A cada nova Copa, ando mais moderado, mas ainda torcendo. Eu continuo tentando. No mais, me verão por aqui esgrimando e destrinchando com minhas opiniões algo disso tudo. Nos vemos pela aí...
Não tenho nenhum motivo para querer voltar lá, pelo menos enquanto perdurar este governo de Donald Trump, altamente perigoso para o planeta. Sei o quanto somos indesejados e daí, por que iria querer ir pra lá, nem que fosse como turista, meros dias? Melhor manter distância. Os exemplos são muitos e se repetem a todo instante. HPA
A COPA DA VERGONHA, NEM JORNALISTA DA TV GLOBO ESCAPOU DA HUMILHAÇÃO
A jornalista Karine Alves, da TV Globo, relatou ao vivo no Bom Dia Brasil que foi submetida a uma revista minuciosa ao desembarcar nos Estados Unidos para cobrir a Copa do Mundo. Segundo ela, agentes inspecionaram suas roupas, seus pertences e até seu cabelo, em uma abordagem que descreveu como constrangedora.O episódio reforça as críticas que vêm cercando a organização do torneio. Em vez de recepcionar profissionais da imprensa e visitantes do mundo inteiro com o espírito de integração que a Copa promete, os Estados Unidos acumulam relatos de revistas rigorosas, dificuldades com vistos, detenções e deportações.
A FIFA vende a Copa como uma celebração global do esporte. Mas, para muitos jornalistas, torcedores e integrantes de delegações, a impressão é que a primeira disputa não acontece dentro do estádio. Acontece na imigração. E até agora, a burocracia, humilhação e a desconfiança parecem estar vencendo de goleada.
(Ploc Social)

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