HISTÓRIAS
1.) "A GENTE CORRE ATRÁS DA HISTÓRIA", NO MEU CASO DE HISTÓRIAS DE VIDAA frase não é minha, é do jornalista Jamil Chade, mas muito bem poderia ter sido escrita por mim, um que, mesmo diante de todas suas restrições, anda à cata de histórias. Saio para as ruas em busca delas e em cada curva da esquina, vendo algo novo, penso em como transformar o presenciando num relato. Jamil faz isso em outra escala, num outro patamar, conseguindo viajar mundo afora e incursionando por lugares inauditos, tudo em busca de boas histórias. Eu, mais modesto, tento fazer o mesmo e em cada incursão nas ruas, observo e reúno algo aqui, outro acolá e na junção de tudo, construo um roteiro e escrevo, dou a minha versão dos fatos.
Contar histórias é deixar algo registrado, algo que, retratando a história dos ditos insignificantes deste mundo é única. Procuro me identificar com algo que, pode parecer pequeno, porém, quando descrito e passado adiante, ganha outra importância, pois estará eternizado. Luiz Antonio Simas, um dos historiadores brasileiros que leio neste momento, disse certa feita e incorporei também para mim o termo de "Historiador das Insignificâncias". Talvez pudesse produzir muito mais e, espero assim fazê-lo, pois no que me resta de tempo de vida, quero aproveitá-la deste jeito e maneira, retratando pequenas histórias, pequenos grãos de areia dentro do contexto maior, mas também construtores de um tempo.
O que me estimula é ouvir algo e já querer retratar. Hoje pela manhã estava ouvindo um destes hoje contadores de histórias e algo me chamou a atenção. A do cidadão, desses que rala muito no dia a dia e acha que com seu trabalho de formiguinha um dia alcançará a fortuna. Querendo mostrar não existir milagres dentro do capitalismo, ouço o relato, na verdade uma estória, mas vale para ilustrar da dureza desta vida. O cara tinha somente dez reais e sem alternativas, compra maçãs e sai vendendo. Por sorte, naquele dia vende todas e consegue arrecadar R$ 40 reais. Com este dinheiro compra mais e mais maçãs e continua vendendo. De uma hora para outra o descobrem rico, fruto de uma herança. E lhe perguntam: mas e as maçãs? Aquilo era para sobreviver. Nunca ficaria rico com aquelas vendas, dando só para tocar a vida. A lição é que, por mais esforço, sem que algo ocorra, um golpe, ou de sorte ou uma maracutaia, impossível se tornar rico.
Essa é uma. Outras conto em outros posts.
Ambos trabalhavam juntos em ofício dentro do serviço público e o espertalhão, se achega e consegue, depois de muita embromação, convencer o amigo, para que seja aval num grande negócio. Atuando juntos, convivência estreita, este aceita e o passo é dado, um algo valor é levantado. Pouco tempo depois, já não mais trabalhando juntos, começa a receber informações de que, o antigo amigo, com a dívida feita e não paga, estava de mudança e assim foi feito, sumindo do mapa por uns tempos. O aval da dívida foi acionado e não conseguindo pagar, tudo foi se acumulando e hoje, o montante, além de impagável, lhe acarretou o bloqueio de todas suas contas.
O tal cara que sumiu, apareceu depois de longo tempo ausente, se recusa a pagar, sequer toca no assunto e este meu amigo, perdeu todas suas contas, pois tudo o que cai em sua conta é resgatado para pagar a dívida. Pelo meio pacífico, sem mais nenhuma possibilidade de ser feito um acordo entre as partes. E este meu amigo, muito boa praça, arcou com tudo e hoje trabalha sem registro, conseguindo pagar sua contribuição para a Previdência, com salário pago a ele em dinheiro e sem mais se utilizar de bancos. Toca sua vida, mal e porcamente, aos trancos e barrancos, enquanto o outro, o trapaceiro, segue sua vida sem percalços, também sem ter conseguido muita coisa de louvável ao longo dos anos e fazendo de conta que a dificuldade do outro nada tem a ver com algo por ele propiciado.
Tenho várias destas. Essa me causa muita dor, pois vejo a situação deste amigo, quero lhe ajudar a sair dessa, voltar a ter uma vida normal, algo que não conseguirá trabalhando normalmente como o faz. Sua vida levou uma trombada e os reparos, nem ele sabe se um dia vai conseguir efetuar os devidos reparos. Eu já lhe disse para denunciarmos o culpado disso tudo, mas ele, resignado prefere não mexer mais no vespeito, pois diz que, além de tudo, o cara representa um certo perigo.
Chega o final do período e a cada um destes alunos é pedido um resumo do que foi lido e tudo seguindo os ditames do exigido pelo conteúdo da matéria. Cada qual se esforça e apresenta seu resumo, todos lidos com a devida atenção pela professora. Ela, sabe quem de fato leu e quem a está enrolando, pois sequer se deu ao trabalho de tentar fazer a leitura solicitada. Ao final, aparece aquele trabalho final do aluno mais displicente do mundo, aquele que nunca se interessou por nada, fazendo questão de enrolar, levar na maciota e assim vendo o tempo passar. Pois o trabalho deste é o melhor de todos, porém, com palavras que, certamente o gajo nem sabe direito o seu significado e citando referências no final, variadas e múltiplas, numa erudição que, até ela velha mestra, teria dificuldade em produzir.
Ela pega o trabalho e tenta dialogar com o aluno. O chama apartadamente e o interpela de como conseguiu produzir algo com tamanha profundidade, citações variadas e uma conclusão que, até para ela era inesperada. Ela, com sua sapiência, via ali uma conjunção de, não só o solicitado, como uma mistura de um algo mais, tudo hoje conseguido sem grande esforço quando sugerido o tema para a IA apresentar um resultado. Ele jurando que, tudo havia saído de sua predigiosa cabeça, após intenso período de leitura, porém, desconhecia até mesmo o nome de autores citados na referência.
Este é o exemplo clássico da solução mais prática e usual sendo hoje apresentada como resultado final de trabalhos sendo feitos em casa. Este não conseguiu nem, diante da professora, fazer um breve resumo, uma sintese em poucas linhas do que havia lido e apresentado. Enfim, como resolver questões como essa e dar a devida nota. Na verdade, ela não quer desistir do tal aluno e diz estar pensando em algo mais para convencê-lo a ler algo edificante. Preferiu não desmoralizá-lo junto aos demais, mas intensificar as conversas e encontrar uma saída para fazê-lo conseguir ler ao invés de meramente ir atrás do tudo pronto e acabado. Disse a ela, estar diante de uma missão quase impossível e se conseguir seu intento, me contar, pois fiquei curioso.
Uma Copa do Mundo produz todo tipo de histórias. Uma delas hoje me chama a atenção, a do goleiro Fernando Muslera, que por décadas esteve dignamente representando o Uruguai como titular absoluto debaixo dos três paus. Está em vias de se aposentar, sendo essa, com certeza, sua última Copa. No jogo passado, pisou na bola quando saiu mal do gol e o Uruguai tomou o gol de empate contra o Cabo Verde. Tinha tudo para ganhar aquele jogo, mas da saída intempestiva, o atacante ficou cara a cara com o gol e o jogo terminou empatado. Uma fatalidade. Li que, seus companheiros pediram para que não fosse sacado do time, pois seu passado é de muita glória.
Veio o jogo de hoje e o Uruguai precisava de só um pontinho, mero empate contra a Espanha para passar para a fase seguinte da Copa, mas num chute meio desprentesioso, Muslera engoliu um sonoro frango, ainda no primeiro tempo. Veio o intervalo do jogo e ele não volta para o segundo tempo, substituído pelo Sergio Rochet, que defende o time do Internacional do Rio Grande do Sul. O que teria acontecido? Das especulações, talvez tivesse pedido para sair ou foi sacado pelo técnico? Ainda não se sabe, mas em breve tudo virá à tona. Por outro lado, outro goleiro, o mexicano Guilhermo "Memo" Ochoa, que por tantos anos defendeu o gol mexicano, tendo sua seleção vencido as duas primeiras partidas, time já classificado, hoje na reserva, o técnico o coloca nos últimos instantes do último jogo, como para abrilhantar sua despedida jogando com as cores da seleção de seu país. Tudo são histórias da bola e hoje, não queria estar na pele do Muslera, mas isso passa, pois tudo não passa de um mero jogo de futebol, mesmo me fazendo relembrar da história do goleiro brasileiro Castilho, na fatídica Copa do Mundo de 1950, quando perdemos exatamente para o Uruguai. Tudo são histórias.
Veio o jogo de hoje e o Uruguai precisava de só um pontinho, mero empate contra a Espanha para passar para a fase seguinte da Copa, mas num chute meio desprentesioso, Muslera engoliu um sonoro frango, ainda no primeiro tempo. Veio o intervalo do jogo e ele não volta para o segundo tempo, substituído pelo Sergio Rochet, que defende o time do Internacional do Rio Grande do Sul. O que teria acontecido? Das especulações, talvez tivesse pedido para sair ou foi sacado pelo técnico? Ainda não se sabe, mas em breve tudo virá à tona. Por outro lado, outro goleiro, o mexicano Guilhermo "Memo" Ochoa, que por tantos anos defendeu o gol mexicano, tendo sua seleção vencido as duas primeiras partidas, time já classificado, hoje na reserva, o técnico o coloca nos últimos instantes do último jogo, como para abrilhantar sua despedida jogando com as cores da seleção de seu país. Tudo são histórias da bola e hoje, não queria estar na pele do Muslera, mas isso passa, pois tudo não passa de um mero jogo de futebol, mesmo me fazendo relembrar da história do goleiro brasileiro Castilho, na fatídica Copa do Mundo de 1950, quando perdemos exatamente para o Uruguai. Tudo são histórias.
LACRO COM: "A HISTÓRIA NÃO LEVA AO FIM DA HISTÓRIA", SCHUMPETER
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