quinta-feira, 18 de junho de 2026

HISTÓRIAS DE GENTE DESSAS PLAGAS
Pudesse e tivesse tempo, permaneceria contando histórias, reverenciando algo do que vejo nas andanças pela aí, reverberando este ladfo salutar, o do congraçamento humano, mas em quase tudo hoje, tenho que ficar separando quem está de um lado e do outro na contenda onde estamos metidos. Nestas duas, não assuntei sobre isso, mas sim sobre o que vi, primeiro pela expressão de cada um dos aqui retratados, depois quando me deparei com suas histórias, não me contive e elas aqui estão:

1.) A FAMÍLIA SOARES E NELAS, FÁBIO, DE BRÁS DE PINA ATÉ BAURU
Tenho um relacionamento fraterno com os Soares, desde quando estudei História, na antiga USC, junto de Fabíola Soares. Naquela insólita turma, ter uma carioca, recém chegada do Rio de Janeiro, foi um dos combustíveis para aquele grupo se manter acesa e inflamado. Com ela vim a conhecer o Seu Soares, um senhor saído da Marinha do Brasil e que quando chegou seu tempo de adentrar a reserva, por uma dessas coincidências da vida acabou aportando em Bauru, de onde se fixou e nunca mais saiu. Naquela época, acreditada que por ser das Forças Armadas o sujeito era conservador e Seu Soares era o oposto, um ativo e conversador militante das forças democráticas. Fiquei encantando desde o começo. Ele aqui esteve à frente do G Petisco e depois em sociedade com o Pedro Tobias, no Posto Sem Limites. Essa história de como comandou esses dois lugares, ícones na cidade, ainda merece ser devidamente contada.

Mas não é disso que quero escrevinhar e sim dos três filhos do Seu Soares, a Fabíola, que conheço melhor pela convivência desde a época dos bancos universitários, depois o Flávio, alguém por quem é impossível não nutrir admiração, pois junto da esposa, tocaram até quando puderam o Bru e outros jornais toalhas, aqui e em Marília, algo com uma criatividade espalhada nas mesas de bares, que infelzimente não percorrer mais estes estabelecimentos nos tempos atuais. Marcaram época e fazem parte de outra rica história. E por fim, o que menos conheço, o FÁBIO, o filho que ficou no Rio de Janeiro, mais precisamente em Brás de Pina e aqui aportava, indo e vindo, por causa dos pais e irmãos estarem aqui residindo.

No dia do falecimento do Zé Vinagre, como Fabíola foi casada com ele por muito tempo, algo grandioso foi ver a sua família toda ali, em algo realmente grandioso, como a dizer, o Zé merece da gente estar aqui. E assim, nos dois dias que estive por lá, vi o Fábio junto do pai, praticamente o amparando, permanecendo ao seu lado e depois, tive o prazer de uma conversa mais alongada. Dentre as revelações tão sinceras e reveladoras, eu o percebia muito atento em minha boca enquanto falava. Foi quando soltou: "Você percebeu, meu pai está enxergando vultos, vê pouco e precisa de ajuda, enfim a idade e tudo o mais. Eu, neste momento ao seu lado, com meu aparelho de surdez com problemas, ouço mal e a vida inteira aprendi a leitura labial. Nossa conversa flui por causa disso". 

Conversamos muito sobre isso dele ir e vir. Eu sempre fui um admirador desses cariocas desabridos e sabendo se estabelecer por aqui e ali. Os subúrbios cariocas são encantadores e mesmo hoje, com todo o pérfido aparelhamento do crime organizado, não deixa de manter seus encantos. Brás de Pina é um desses lugares. E o Fábio me contou histórias de lá e de cá, dessas viagens e de suas estadas por aqui. Vê-lo e ter a oportunidade de papear, olhar para suas mãos cheias de anéis, aliado a colares é reviver toda uma história e trajetória de vida. O visual que carregamos junto da gente diz muito de nossas escolhas e prererências. As de Fábio são latentes. 

Não tenho muito para relatar de nossa conversa, mas confesso, naquela manhã de sexta, fiquei tocado, pedi para fazer umas fotos juntos. Sei estar ali um sujeito onde, a prosa renderia algo a tomar mais que um dia inteiro. Não tínhamos esse tempo. Seu Soares e ele estavam partindo, lindo vê-los juntos, um não enxeregando bem e outro não escutando, porém se completando. Dessa família, gosto de todos. Me dou bem com todos e assim continuarei, sempre que revê-los faço festa, quero abraçar e além da reverência, ouvir histórias. Enfim, um dos grandes prazeres desta vida é isso, a real possibilidade de ir conseguindo manter laços de afinidade, esses indissolúveis ao longo do tempo.

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