quarta-feira, 7 de julho de 2021

BEIRA DE ESTRADA (139)


O TELEFONE TOCA E DO OUTRO LADO ALGUÉM QUE CONHEÇO DE LONGA DATA: "EU ESTOU AQUI, NÃO QUERIA ESTAR, MAS..."
- Henrique, você me conhece muito bem, nem preciso te dizer nada a meu respeito. Eu li o que você escreveu ontem, o do "pito" que levou. Aquilo me calou fundo. Eu estou aqui, você sabe, aceitei trabalhar pra prefeita. Tinha outra saída, mas não sei se conseguiria neste momento. O salário aqui é bom, você sabe e aí fora, não existe mais nem salário. Eu faço aqui a minha parte e procuro não me comprometer com nada. Cumpro meu horário e tento passar batido, sem ser notado, mas é inevitável, eles te bancam, mas te usam. Eu sei disso e me calo, cumpro ordens. Não diga nada, deixa eu te contar, depois comenta o que quiser, mas precisava desabafar e o faço contigo, desse jeito, te ligando. Eu nem durmo pro causa disso, mas tenho que continuar. Assim como todo mundo, tenho contas, família, filhos estudando, compromissos assumidos e sem esse dinheiro no final de cada mês não conseguiria fechar a conta. Sou usado, sei disso, mas aceitei e assim faço parte do jogo. Errei e me penitencio, mas não sou o único. Vejo tantos outros iguais a mim por aqui, a maioria descontente, trabalhando de cabeça baixa, sem olhar direito um no olho do outro. Tudo pelo dinheiro no final do mês. Eu não gosto de estar aqui, queria ter a coragem que diz devemos ter, pensei muito nisso, mas não é fácil e depois na prática a coisa é diferente, o bicho pega. Não quero e nem vou me justificar. Só queria te dizer que, continuo o mesmo, mas no momento estou mais fraco e ficaria ainda mais se não tivesse essa retirada no final do mês. Não tenho que me desculpar, pois ao aceitar, sabia onde estava me metendo. Agora tenho que aplaudir, apupar, sorrir, enfim, fingir, ciente de que faço contrariado. Era isso. Continuo seu amigo, mesmo o que você escreveu ontem ter batido fundo em mim. Dormi mal e queria te ligar. Criei coragem. Não sou o único. Pense nisso, você sabe, a coisa está feia. Tomara melhore com as eleições do ano que vem, pois a esperança de dias melhores é tua, minha e da maioria do povo. Os calados e contidos como eu sofrem muito. Uma hora vamos poder voltar a gritar. Ainda não posso".

Sabe o que respondi a ele? Nada. Disse que não tinha nada pra dizer. E se fez bem a ele ter me ligado, fico contente pela confiança.

REUNINDO ESCRITOS DE INJUSTIÇAS TRABALHISTAS
Já contei aqui. Conto novamente. Reúno histórias contadas a mim por trabalhadores de grande empresa na região, cidade pequena, maior empregador da cidade, hoje fazendo o que quer de seus funcionários, registrando quando quer, pagando o que quer, com cada vez menos fiscalização, oprimindo até não mais poder. A cada novo relato recebido, quero denunciar, botar a boca no trombone e esses que me passam detalhes de suas vidas, pedem encarecidamente para que não faça nada, pois já foram ameaçados de "em casa de algo me acontecer, vocês todos estarão no olho da rua, sem emprego e sem onde arrumar outro". Conto o que ouvi ontem, diálogo travados pelo Whatts:

- Recebi meu salário ontem. Não me registrou por mais um mês e agora neste último, durante o mês todo me enganou, pediu para exercer umas atividades a mais, espécie de supervisão junto aos demais, pegar no pé deles para aumentar a produção, fiscalizar e comandar. Fiz o que pude, pois algo a mais me entraria no final do mês. Não entrou. A gente pega um vale no meio do mês e o que veio de salário é o mesmo valor do vale, ou seja menos do que recebi mês passado. Fui falar e não me ouviram. Minhas mensagens não são respondidas e me pediram para calar a boca, pois se continuar perderei o emprego. Não fui reconhecido em nada que fiz durante o mês todo. Não tem como conversar com eles. Quando querem algo, chegam de mansinho pra gente, pedem e prometem. A gente faz e depois não cumprem, fica tudo por isso mesmo. Não tenho onde reclamar. Veja lá o que vai fazer com meu relato, pois o que ouço aqui é a mais pura verdade, se perder esse pouco, não terei onde ganhar nem isso por aqui. Durante o mês todo eles me fizeram aumentar a produção. Foi uma loucura, corremos todos e cumprimos as metas. Agora, vejo eles de carrões novos, construções novas e pro lado da gente, tudo igual. Eles mentem descaradamente pra gente, nos usam e nada podemos fazer. Essa a situação de todos os meus colegas de trabalho. Metade é registrado e a outra, eu incluído, vivemos de promessas. Eu queria muito ter outra vida, mas não posso. Vou ter quer comer esse mês na casa de parentes próximos que sabem o que vivo, mas tem outros em situação muito pior que a minha".
Junto os escritos todos e nem sei o que fazer. Minha vontade é expor o patrão doente, explorador cruel. Mas no momento faço nada, escrevo e faço de tudo para que não o identifiquem, pois sei teria coragem para fechar tudo e danar com a vida de todos por lá. Reabriria em qualquer outro lugar deste país.

Em tempo: Esse patrão é totalmente bolsonarista, apoia todas as medidas impostas por este no país e diz aos quatro ventos que, agora sim o país é pujante, forte e vitorioso. Tudo mudou pra melhor, pra estes impiedosos e perversos.

A GENTE OUVE CADA UMA
Sentadinho na sala de espera de oficina mecânica, aguardando trocar óleo - do carro, não o meu -, o funcionário chega e se desculpa por interromper minha leitura. Pergunta o que leio. Digo ser a biografia do homem de teatro bauruense Paulo Neves. Ele não conhece e se dirigindo onde está meu carro, pergunta se estou por dentro do assunto vacina. Digo que sim e lhe mostro a capa da CartaCapital com o título "Vacinogate". Daí ele me sai com essa: "Que bom, então o senhor deve saber o que acabou de ser revelado lá da China. Essas coisas não ficam escondidas por muito tempo. Vi ontem, foi descoberto que os chineses fabricaram o vírus e espalharam em cem pessoas. Tudo veio daí". 

Não me segurei, o interrompi para dizer: "Isso não pode ser verdade. Onde viu isso? Tenha contigo algo a lhe servir pra vida toda: nunca acredite em algo que viu num lugar só. Compare com outras fontes. Cheque, vá mais a fundo antes de afirmar. Isso é despropositado e o que de fato ocorreu não é bem isso". Pergunta o que faço e minha resposta é que, dentre outras coisas sou professor de História. Me olha mais assustado e enquanto diz o quanto ficará a brincadeira no carro, pergunta se já tomei vacina. Digo que sim e antes que esbocasse algo, falo ser loucura isso de gente querer escolher vacina. Relembrando das de quando era jovem, tomava num negócio que mais parecia revólver e o máximo que nos acontecia era ficar com marca no braço. 

Ele me passou o valor e não me disse mais nada. Agora aguardo só o carro ficar pronto pra lhe perguntar como quem não quer nada se ele é neopentecostal.

O BAURUENSE SÓ URUBUSERVA, SABE O QUE DE FATO OCORRE...
Em foto e texto de Lucas da Silva, a apresentação de famoso prédio na esquina da avenida Rodrigues Alves com rua Azarias Leite, bem no centrão de Bauru: "Na igreja universal você pode comprar seu terreno no céu com a garantia que o dinheiro chegará lá, de helicóptero, direto da igreja. é pra isso que tem um heliponto em toda igreja, né? Ou será que Jesus vai voltar de helicóptero?".

terça-feira, 6 de julho de 2021

AMIGOS DO PEITO (187)


AMIGOS (AS)

1.) FESTIVAL DE INVERNO DE BAURU - LEVO UM "PITO”
Postei dias atrás, texto de minha lavra e responsabilidade sobre o fraco Festival de Inverno de Bauru, quando diante de tantas possibilidades, por três dias seguidos, começando hoje, meras entrevistas com três artífices do serviço público municipal. Ficaram no mesmo, não ousaram e hoje assisto a secretária de Cultura, Tatiana Sá dizendo que, tudo ocorre dessa forma este ano, pois o momento exige. Balela, pois já é mais do que sabido, até por tudo o que já deixou de ser feito, o que foi cancelado e o nada de projeto novo, nessa administração a realização será o “terra arrasada”. Conversa mole já cansou. Farão tudo a custo zero, pois já desviaram tudo da Cultura pra outras finalidades. Sem esperança.

Dias atrás escrevi e ali está registrado: “Tatiana Sá está totalmente engessada e tendo que tirar leite de pedra”. Levei a maior dura do amigo Marcos Paulo Resende e aqui repercuto, pois constato, ele tem toda razão. 

Eis a chamada de atenção recebida: “Henrique, a secretária não está de mãos atadas ou engessada coisa nenhuma. Assim como na Alemanha dos anos 30 não era só o Hitler, porque é muito fácil tirar a responsabilidade do povo alemão, dos fascistas, querer jogar num homem só, quando nunca é uma única figura. A figura pode ser a ponta de um gigantesco iceberg nazifascista, conservador, mas apenas representa, expressa grande parte de uma sociedade. Então, da mesma forma que não é só o Bolsonaro, no caso de Bauru a Suéllen não foi eleita sozinha, por conta dela. Não é só a Suéllen, ela só expressa a Bauru e o Brasil atual. Cada vez mais conservador. O Brasil sempre foi conservador, mas a coisa vem piorando cada vez mais e o lado hoje que ainda se diz de esquerda também está ficando conservador. E também está ficando omisso quando as responsabilidades são locais. Porque é fácil criticar Brasília, o Palácio do Planalto, mas eu quero ver essa turma ter culhão pra criticar o Palácio das Cerejeiras. Daí, não vejo a Tatiana Sá engessada. Volto naquilo que o Roque Ferreira falou quando o Gazzetta foi eleito e o Nélson Itaberá perguntou para ele numa entrevista pra TV Câmara, se fosse convidado para trabalhar nesse governo aceitaria? A resposta dele foi: Lógico que não, seria uma incoerência gigantesca. Agora você imagina um governo de aspirações muito piores, bolsonarista, ultradireita como o da Suéllen. Não tem, meu caro, se a pessoa aceitou, se está ali é porque comunga daquilo. A Tatiana Sá sempre foi evangélica conservadora. Tatiana comunga com tudo o que ocorre, pois em mais de seis meses de administração, em primeiro lugar se não comungasse dos ideais não teria nem entrado. Tem hora que não dá. Tem hora que a pessoa precisa se posicionar e quando não o faz, é igual ao que prega a prefeita. São iguais, daí é impossível falar em estar engessada”.

Sabe minha resposta? Foi essa: "Obrigado, vou ficar mais atento daqui por diante. É isso mesmo". E conversamos por mais de meia hora num papo dos mais agradáveis.

2.) O AMIGO REVOLTADO E A SUGESTÃO: TATIANA CALMON OU MARIA INÊS FANECO PRA MINISTRO DO BEM ESTAR (MAS NÃO DESTE DESGOVERNO)
“Boa noite Henrique! Aqui é o Daniel Dalla Valle. Olha só a situação, divulgada no canal oficial do Ministério da Economia pelo Twitter. Eu fiquei revoltado a hora que vi. Escrachando a mediocridade, a mesquinhez desse povo. Uma campanha do agasalho, do Ministério da Economia, de um dos países entre as 15 maiores economias do mundo, um ministro banqueiro milionário e arrecadam CENTO E QUARENTA E OITO itens contra o frio. Nisso, fui conversar com a Tatiana Calmon, perguntando de curioso quantos itens ela tem arrecadado contra o frio no De Grão em Grão. Eis a conversa:

- Oi Daniel, não tenho ideia não. Tá tudo devagar, tá fraco, tá devagar comida, tá devagar agasalho. Tá tudo devagar. Eu tô querendo fazer uma live do Canto das Minas, eu, você, a Mila, a Bruna. Quero fazer algo lá no Espaço Gentileza. Na verdade Daniel, roupa a gente sempre recebe bastante, o que temos pouco é coberta, acho que não deu umas cinquenta cobertas. E a gente prefere coberta, porque roupa, toda entrega a gente leva. Eu não sei quantas nós já recolhemos, mas já doamos mais de 160, 200. Só no meu carro essa semana passou muito mais do que isso. Pra você ter uma ideia, toda quinta feira eu vou entregar marmita de noite, só aí são 20 marmitas e 20 cobertas. Só para um grupo nas últimas semanas foram 60 cobertas. Só no Córrego do Ribeirinho, não é muita gente, são umas 14 famílias. Deixamos duas cobertas pra cada família, são 28 só aí. Não dá para contar quantas a gente deixou no Manchester. A Faneco, só essa semana, ela levou umas 247, o que ela falou no vídeo. Esse pessoal de Brasília é desmoralizado mesmo ou desviam até as cobertas.

NA SEQUÊNCIA Daniel desabafa:
- Henrique, não sei se é cortina de fumaça desse governo publicar tal tipo de absurdo pra tirar o foco de coisas piores que eles tem feito, mas esse tipo de coisa tem me deixado muito revoltado e ao mesmo tempo muito triste, pois de brincadeira não é. O cara está comandando a economia do país e arruma 150 peças de roupa com tanta gente morrendo de frio no país. Não é o tipo de brincadeira que se faça. Eu vejo isso como uma cortina de fumaça, para gente ficar debatendo isso e deixar de lado o pior. Mas temos que debater isso também, porque é uma maldade muito grande, uma ironia e piada que não se faz. Ele me trouxe a memória a fala de uns tempos atrás da vereadora Chiara, totalmente higienista e volto meu pensamento pra quem está morando na rua, onde não há um mínimo de humanidade.
ENCERRO COM ALGO DE MINHA LAVRA: Vivemos tempos mais que sombrios, nebulosos, fantasmagóricos e tenebrosos. Talvez tudo junto. Se lá em Brasília a coisa é dantesca, por onde exista a mesma linha de pensamento e ação, tudo se repetindo da forma mais escabrosa possível. Faneco e Tatiana separadas fazem muito mais que isso. Fazem aqui em Bauru algo a envergonhar a ação da Prefeitura, pois mesmo com bons profissionais, estes estão contidos e diante de um desgoverno, deixam de atuar a contento. Já do que ocorre em Brasília, algo mais que criminoso. O que se vê na cena dessa merreca de contribuição é bem a cara do que Bolsonaro faz com o povo brasileiro. Além do desrespeito, algo criminoso, merecendo uma ação de limpeza, de faxina, de virarmos logo essa mesa e colocarmos estes todos na devida lata do lixo. Pérfidos até a medula, não possuem um mínimo de sensibilidade humana e gozam na nossa cara. São a melhor conceituação para LIXO. Tudo o que resvale em bolsonarismo é puro LIXO, sem tirar nem por.

3.) “O NEGACIONISMO É GENOCIDA”, CARTA DE JEFERSON BARBOSA DA SILVA, O GAROEIRO E A RADIOGRAFIA DA BAURU BOLSONARISTA FUNDAMENTALISTA*

* Carta publicada na Tribuna do leitor, Jornal da Cidade, Bauru S`, edição último domingo, 04/07 e tendo tudo a ver com os últimos escritos meus publicados no dia de hoje:

Neste final do mês de junho de 2021 notícias pouco divulgadas dão conta do colapso do sistema de atendimento à saúde em Bauru. Mesmo considerando que os dados oficiais estão criminosamente subnotificados a cidade é forçada a viver uma cruel situação de desatendimento geral à saúde pública. Sequer uns poucos que no desespero desse mortal desatendimento recorrem à justiça obtendo liminares que obrigam as redes a uma urgência imediata sem discussão, tampouco estes conseguem ser atendidos. Todo dia as decisões judiciais se acumulam nos balcões que não têm como cumpri-las. Não há mais onde internar os enfermos. A ausência de pessoal e equipamentos salvadores, igualmente, lota corredores onde os condenados pelo desatendimento morrem antes de poder ter acesso ao tratamento de urgência.

Como compreender tal inadmissível realidade justamente em Bauru onde opera uma rede de saúde admirável, sem similar no Brasil?

Se não, vejamos.
Rede Hospitalar pública e privada:
Hospital de Base
Hospital Manoel de Abreu
Hospital Lauro de Souza Lima
Maternidade Santa Isabel
Hospital Estadual
HRAC/Centrinho-USP
Beneficência Portuguesa
Hospital da UNIMED
Hospital São Lucas
Hospital São Francisco

Serviços de Atendimento
18 Núcleos Municipais de Saúde
06 Postos de Saúde da Família
06 Postos dedicados à Saúde Mental
08 Unidades de Pronto Atendimento
13 Unidades Referenciais para a Saúde Coletiva
01 Unidade de Controle de Zoonoses
01 Serviço de Vigilância Ambiental – Dengue
01 Serviço de Vigilância Epidemiológica - Doenças Transmissíveis
01 Serviço de Vigilância Epidemiológica - Imunização
01 Serviço de Vigilância Sanitária - Alimentação
01 Serviço de Vigilância Sanitária - Produtos
01 Serviço de Vigilância Sanitária - Serviços
03 Unidades de Assistência Farmacêutica
23 Consultórios Odontológicos.

Tal rede gigantesca encontra-se, hoje, cruelmente colapsada. Tanto que desatende até mesmo as ordens judiciais para internar pacientes graves da covid-19. Desculpas e evasivas para justificar o injustificável estão por aí, na imprensa, na Câmara de Vereadores, na Prefeitura. A explicação, no entanto, é uma só. O negacionismo local, arraigado no negacionismo federal, desdenha e menospreza a ameaça da pandemia, sua virulência e letalidade. Faz de conta que encaminha e sustenta normalidade e despreocupação. Consequentemente, a opinião pública enganada e alienada da verdade dos fatos, mesmo desconfiando que os óbitos talvez não sejam os mil e poucos da contagem da prefeitura, vai empurrando a pandemia com a barriga.

O que faz entupir os postos de atendimento da maravilhosa rede de saúde pública e privada instalada em Bauru. Acarretando, como resultado cruel, o colapso, quando as demais enfermidades acabam se tornando impossíveis de merecer acolhida e tratamento. É líquido e certo, mesmo com o avanço da vacinação, nos meses seguintes, que muito mais gente ainda há de morrer por desatendimento. Tal genocídio que é filho do negacionismo que nos domina ... Ou, não?

segunda-feira, 5 de julho de 2021

DOCUMENTOS DO FUNDO DO BAÚ (159)


DECORO
O vereador bauruense Eduardo Borgo - PSL, bolsonarista de carteirinha, estará hoje enfrentando algo surreal dentro da Câmara dos Vereadores de Bauru. Dias atrás, apregoou aos quatro ventos, num programa bestial de rádio, desses hoje ferindo a ética jornalística e também junto da sessão de oitiva da CEI da Covid, onde é relator, colocando em dúvida a idoneidade de seus colegas vereadores na legislatura passada. O danado fica irado quando contrariado em seus interesses e daí, falou demais, subiu nas tamancas e agora, se vê enrolado pelo que disse.

Cito entre aspas parte de sua fala perante os microfone da Câmara: "A Câmara passada, aqui na legislatura passada era fácil, dizia amém. O prefeito falava, subia lá, negociava um carguinho, beleza. Tomava um cafezinho na Cohab, beleza". E assim ele misturou alhos com bugalhos e feriu suscetibilidades. Borgo é useiro e vezeiro em agir no destempero. Um sujeito fora dos padrões normais, mais bolsonarista do que os próprios filhos do ex-capitão, parece querer incorporar um personagem, visando se tornar um prócer no quesito fundamentalismo na cidade, abocanhando essa fatia do eleitorado, mas peca pelo descuido. Diria mesmo, pura falta de habilidade, traquejo para a coisa.

A belezura do agora presenciado é seu isolamento. Se antes, no início da atual legislatura, teve a companhia de outros, como Segalla, Chiara, Meira, num bloco compacto e unido, estes já o abandonaram, pois entenderam não ser bom manter proximidade com alguém com discurso além do normal. Ser de direita uma coisa, de ultradireita outra coisa. Hoje, pelo que se vê, se move isolado, esbravejando pras paredes e falando sozinho, ou seja, um ser fantasmagórico dentro do prédio legislativo. Para muitos, melhor manter distância, pois só de ser visto num mero bate papo, a interpretação pode ser a de ter aderido a um discurso já desconectado na usual normalidade.

Hoje estará às voltas com o encaminhamento pelos seus colegas dessa votação de DECORO parlamentar e depois, num outro momento, algo também já sendo rejeitado publicamente, a apresentação de votar no ex-capitão, por enquanto ainda Presidente da República, mas a cada dia mais encralacrado, o seu Jair, para Cidadão Bauruense. É sabido que, desde a chegada deste ao poder, as verbas para Bauru minguaram ou mesmo, se extinguiram, mas assim mesmo, como existe uma provável data para o mesmo participar de cavalgada por essas plagas, ele quer entregar-lhe mais um papel, desta feita a envergonhar ainda mais cidade dita e vista "sem limites". Sendo na sequência oficializado o afastamento do dito cujo - o do presidente -, Bauru ficará com a pecha de ter-lhe entregue algo de inolvidável gabaritagem no quesito vassalagem aos piores desta terra tupiniquim.

Enfim, hoje veremos Borgo às voltas com problemas de percurso. Precisamos tomar cuidado para não ficar possibilitando palanque para discurso tão nefasto, fundamentalista, perverso e cruel, quando necessitamos justamente o contrário. Enfim, vê-lo hoje às voltas com artimanhas, conversações um a um para tentar barrar ter seu nome inscrito e num processo em curso na Comissão de Ética da Casa. Vai ser irônico, porém trágico, pois pelo visto, seu mandato inteiro será dessa forma, jeito e maneira. Hoje só mais um triste capítulo, enfim, este é o típico vereador que cidade nenhum merece. Quando o mentor cair em desgraça estarão todos acéfalos, mais perdidos que cegos em tiroteio e por enquanto, quando o capiroto ainda dá a cartas, eles tentam algo, mas já mais que contestados, como este, acuados pelos descabidos atos.
 
VEREADOR BORGO ESCOLHEU HERÓI ERRADO, POIS HERÁCLITO FONTOURA SOBRAL PINTO NÃO ESTARIA AO SEU LADO DE JEITO NENHUM
O advogado Sobral Pinto foi dos mais dignos cidadãos desta terra varonil. Foi conservador e extremamente religioso, porém, soube enfrentar o medo vigente durante os regimes mais duros deste país e não se negou a defender pessoas como Luiz Carlos Prestes, líder comunista perseguido por vários governantes brasileiros. Isso vem de longe e hoje ao ver o vereador Eduardo Borgo o citar por causa de uma de suas frases mais famosas, a “ADVOCACIA NÃO É PROFISSÃO DE COVARDES”, na hora me subiu um arrepio da cabeça aos pés. Foi um dos usos mais indevidos que vi nestes últimos tempos. Olha como foi a patacoada: https://www.facebook.com/EduardoBorgos/posts/1795174190668090

A frase é para ser entendida de vários jeitos e maneiras, assim como sua utilização. Ela é ótima, mas não nos esqueçamos, nem todos os medrosos são covardes. Regimes de força, como este do ex-capitão se mostram – se deixarmos – piores do que o período da ditadura militar e persistem impondo o medo, algo pelo qual nem todos possuem força para resistir e persistir combatendo livremente. É lindo fazer uso da coragem de Sobral, o bravo guerreiro que enfrenta tudo e todos empunhando um mero guarda-chuvas e sua verve. Sobral esteve ao lado de gente como Brizola, algo que nunca Borgo estaria, além dos fracos e oprimidos. Era brioso, convicto da importância da liberdade. Não tenho a menor dúvida que, por tudo o que fez em vida, hoje estaria ao lado de Lula e se preciso fosse, o defenderia, assim como o MST, os movimentos sociais, o impedimento sem fundamento de Dilma Rousseff, contrário às privatizações e ao nefasto desencaminho da Lava Jato e de seu prócer, Sergio Moro.

Dele tive um livro, capa amarela, antológico, o “Por que defendo os comunistas”, onde relata algo de como exercia a advocacia. Perdi o livro numa das enchentes da vida aqui pelos lados do Mafuá e hoje, depois do que ouvi, já encomendei outro pela Estante Virtual. Quero, se preciso for, esfregar na cara de quem faz uso de Sobral de forma indevida. Ele tem outros do mesmo calibre e cabedal, “Teologia da Libertação” e “Lições da Liberdade”. Dá para imaginar Borgo colocando em prática algo com essa envergadura? Um era defensor intransigente das liberdades e o outro é bolsonarista, querendo que Bauru lhe dê um título de Cidadão ao capiroto. Outro dia, creio que Borgo viu e deva ter se inspirado nisso, o nefasto jornalista da Jovem Pan, ops, digo Velha Klan, Augusto Nunes também o usou com o mesmo argumento, o da famosa frase.

Borgo escolheu um herói não só errado, como muito inadequado para sua atual postura na vereança, algo até então desconhecido por mim antes do início do mandato. Cheguei a acha-lo um sujeito cordial, sensato, mas pelas últimas, em vias de ser condecorado com um Decoro Parlamentar, creio que não só eu, mas o próprio Sobral, deve estar se revirando no túmulo. Incompatível ele fazer uso de frase do outro, mas não reverberando quem de fato foi este senhor, onde atuou e o que defendeu. Escolha outro, por favor, seu Borgo, pois Sobral se encontra do outro lado da trincheira. Percebam, praticamente nem cito o motivo da ira borguista, seu posicionamento enquanto vereador, pois já são do conhecimento de boa parte da cidade, fiasco incontornável. Hoje a escrita tem outra função.


ALGO DOS BATALHADORES DESTA VIDA
EU VI O ZORRO NA FEIRA DO ROLO
Era ele, tinha - e continuo tendo - certeza, a capa me é inconfundível. Li muito quando jovem e mesmo depois, já velhote, continuei fazendo. Nunca parei. 

O destemido e bravo capa e espada aportou ontem na Feira do Rolo bauruense, mais precisamente no Bar do Barba. Minha gente, confesso, minha vista não anda me pregando peças. Não costumo ter visões. Não sendo ele, nem uma visão do além, talvez o danado do Barba, dono do estabelecimento na boca de entrada da feira, talvez ele estivesse incorporando na manhã dominical o personagem clássico da HQ. O fato é ali estar, ao vivo e a cores, alguém merecedor do maior respeito e consideração destas plagas. Muito mais do que todos os vereadores juntos da Câmara Municipal de Bauru, quiça Congresso Nacional, lugares de perversidades e atrocidades sem fim.

Um bravo guerreiro, como tantos outros, dando seus pulos para sobreviver e continuar com suas portas abertas. Como gosto dos valorosos, despojados cidadãos, fazendo das tripas coração, generosos, espadachins uma vida inteira. E pra piorar, agora sem sua sanfona, pois teve que vendê-la para pagar contas e continuar altivo, soberano, pescoço empinado, vergando mas não quebrando. 

Esses são para mim os ainda me movendo em escrevinhacões, do contrário já teria definhado e desfalecido estaria. A depressão nos espreita a todos e ao vê-los em ação, não posso me deixar levar, busco forças, me recarrego e me fortaleço. Se ele, ou gente igual a ele me move, por ele movo céu e terra, agora para devolver-lhe o instrumento musical. Vida que segue...

domingo, 4 de julho de 2021

COMENDO PELAS BEIRADAS (104)


CAFEO DÁ NOJO...
Existe uma cronologia do horror cafetiano, tudo ocorrendo pela página 2 do Jornal da Cidade.

Primeiro um texto dele, da lavra já conhecida, deplorável, “Bauru há seis meses sob nova direção”, lavra do Reinaldo Cafeo, 01/07: https://www.jcnet.com.br/.../765129-bauru--ha-seis-meses...
Meu caro economista, 03/07, pelo ex-prefeito Clodoaldo Gazzetta: https://www.jcnet.com.br/.../765417-meu-caro-economista.html
Meu caro ex-prefeito, pelo economista (sic) Reinaldo Cafeo, edição de hoje, 04/07: https://www.jcnet.com.br/.../765515-meu-caro-ex-prefeito...

Não tenho e nem quero fazer a defesa do ex-prefeito Gazzetta, cheio de erros, mas não crassos como Cafeo os comete. Temo que, a cidade de Bauru, mesmo diante de uma administração claudicante como a de Gazzeta sentirá falta dele – se é que já não sente -, pois diante da novíssima (sic) Suéllen Rosim, algo de inolvidável decrepitude, fundamentalismo na sua pior espécie, negacionismo e a cidade largada ao deus dará. Já comentei aqui o primeiro texto do Cafeo, li a resposta do Gazzetta e hoje, publicado com todo destaque, um longo arrazoado, totalmente falacioso do dito economista. Quero desanca-lo, sem tocar em Gazzetta, mas citando pontos onde ele mostra sua verdadeira face, horrenda e assim, fica bem nítido quem é, o que defende e de que lado está. Vamos ao fatos:

- o gajo se diz sensível aos mais carentes. Onde? Quando? Citem um só momento onde esteve perfilado ao lado dos menos favorecidos. Desconheço, pois vive bajulando o outro lado, o dos que defendem as leis de mercado como solução pra tudo e daí, dane-se os pobres;
- relembra o fato de ter sido pobre quando criança, mas deveria ter vergonha de fazê-lo, pois hoje, não só não frequenta mais estes lugares, como os rejeita, preferindo lugares empoados e estar aliado aos abonados, os tais “forças vivas”;
- se mostra arrogante quando afirma interpretar o “economês” para que leigos, como nós todos, possamos entender o que se passa. Cruz credo, fosse seguir o que este diz, seria o caos, pois tudo o diz hoje, desdiz amanhã, não fala coisa com coisa, confuso e entendendo tudo somente sob um prisma, o do dono da grana, do capital, assumido neoliberal predatório;
- sobre o fato de permanecer 40 anos na mesma instituição, no caso a ex-ITE, não vejo isso como júbilo, pois hoje aquela instituição de ensino decaiu demais da conta, estando posicionada entre as mais conservadoras do país, daí ele ali fazer escola e permanecer. Vai ficar aí até morrer, é o que lhe resta;
- sobre os mandatos da Acib, digo, grande coisa, em tom de pilheria, pois reduto conservador, ajuda hoje sobremaneira eles a definhar enquanto credibilidade. Sem ele por lá, arejando ideias, mentes e conceitos, estariam bem melhor, mas continuando o tendo por lá, decrepitude eterna, sem chance de enxergar novos horizontes;
- no final diz debater no campo das ideias, acusando Gazzetta de não fazê-lo. Falácia da parte dele, pois o que mais faz é desqualificar o oponente justamente pela discordância de não estar enquadrado aos seus interesses. Os espelhos na cada do dito cujo devem estar embaçados;
- diz também praticar visão 360º, alusão ao seu mais novo brinquedinho, que deve ter vida curta, programa de rádio na 96FM, onde destila todo dia, algo só pela sua vertente, não possibilitando o contraditório. Isso, pelo que se sabe, não é visão 360º, pelo contrário, cada dia mais estreita, reduzida, pífia, fraca, fundamentação vazia.
- por fim, diz da gestão pública do outro, como se ele um dia lá estivesse agiria muito diferente. Pelo que se vê, agiria pior, pois possui visão só voltada para o que defende, nada mais, sem nenhum amplitude para outras concepções.

Mais uma vez, quando escreve, demonstra bem sua arrogância. Cruz credo de ter alguém como consultor ou mesmo, professor. Adoraria pode demonstrar todas as contradições onde já esteve metido, sem ter em nenhum momento a sensatez de reconhecer erros. É do time sempre apregoando, “como havia dito” ou mesmo, “segundo minha previsão”, porém, o que fez foi sempre o contrário. O cara é uma piada pronta.

Quando cita o ex-prefeito, este que se defenda como o fez em texto já divulgado pelas sociais e link aqui citado: https://www.facebook.com/clodoaldogazzetta/posts/3552062054894902
Gazzetta tem mil defeitos, porém, vejo nele muito mais virtudes do que as encontro em gente como Cafeo. Questão de simples comparação, atitudes, gestos, propostas e escritos.

O OUTRO LADO, O DA RESISTÊNCIA É MUITO MELHOR
Algumas fotos do ato em Bauru, pela Vida, Pão, Vacina, Educação e, é claro, pelo FORA BOLSONARO e FORA SUÉLLEN ROSIM:







sábado, 3 de julho de 2021

REGISTROS LADO B (52)


NO 52º LADO B, CACIQUE CHICÃO TERENA E A RESISTÊNCIA INDÍGENA EM AVAÍ, BAURU E BRASÍLIA
Durante mais de três semanas o cacique CHICÃO TERENA esteve acampado junto de aproximadamente dois índios e na última quarta-feira, 30/06, realização após protestos durante todo o período, uma última, essa tentando sensibilizar os juízes do STF - Supremo Tribunal Federal em Brasília, tudo para tentar reverter o já percebem despontando no horizonte, a derrota de seus interesses na Câmara dos Deputados. Uma tribo da nação Terena está localizada aqui bem junto de Bauru, em Avaí, aproximadamente 30 km daqui e sempre estes se mostraram muito ativos na defesa dos seus interesses. Depois de um longo tempo com alguma calmaria, quando seus direitos mínimos estavam garantidos, inclusive o do território, hoje não mais e dentro deste desGoverno do ex-capitão, existem projetos em discussão e na iminência de serem aprovados a toque de caixa, permitindo que as terras antes amparadas por lei, sejam devassadas e com isso, uma invasão de grileiros e predadores de toda natureza. Essa luta é apenas mais uma dos tantos hoje em vias de perder direitos, dentro da concepção de Bolsonaro e seus ministros, o de “passar a boiada”, que nada mais é do que aprovar tudo em detrimento da perda de direitos tão duramente conquistados ao longo do tempo.

Neste 52º LADO B – A IMPORTÂNCIA DOS DESIMPORTANTES, mais um capítulo dentre tantos aqui já relatados de algo de uma incessante e inclemente luta, a dos do lado de cá, os trabalhadores e envolvidos na grandes questões sociais deste país. Trazer aqui o cacique Chicão e resgatar sua história é não só reviver algo de como se deu tanta resistência, tanta luta, tanta abnegação, mas também da persistência dos que não desistem. Contar um bocadinho disso é produzir história, uma que ainda é pouco encontrada nos livros de História. Dentro da História Oficial da ocupação deste território onde hoje se encontra Bauru e Avaí, algo mais precisa ser contado e em detalhes, até para desmistificar a ocupação do passado e o surgimento das cidades como algo tranquilo, sem embates. Pelo contrário, Bauru nasceu e tocou seus primeiros anos, talvez décadas sob extrema violência. A própria chegada das ferrovias, que tanto “progresso” (sic) trouxe para a região, só foi conseguida, pelo modal da época, o da ocupação com a retirada e expulsão de quem nela vivia. Como quem aqui vivia não saiu por livre e espontânea vontade – e nem deveria fazê-lo -, a violência e o massacre fizeram parte de relatos que precisam ser resgatados. Chicão começará seu relato nos revelando algo desses tempos.

Importante também tomar conhecimento de como se deu a chegada de seu povo e a instalação onde está localizada a aldeia. Quantas etnias, representando que povos, ali se concentram. Como se deu tudo nos primórdios e das conquistas, uma a uma. Ele próprio nos conta que, durante uma parte de sua vida, nos índios participaram ativamente dessa transformação, com todos sendo ouvidos em discussões dentro do organismo criado para defender os interesses dos índios, a FUNAI – Fundação Nacional do Índio, que hoje, infelizmente, totalmente desviada de suas funções, ao invés de defender, está a serviço da destruição. Os tempos não são fáceis para ninguém, tanto que, hoje não são somente os índios a perderem com o genocídio de tanta gente, massacre de culturas e desrespeito para conquistas. Chicão sabe muito bem que, sem luta nada será mantido, daí está em constante estado de guerra. Ouvi-lo após seu retorno nessa semana de Brasília é mais que dar voz para quem mais dela precisa, todos os em constante luta. Mas como essa história vem de longe, nada como revivê-la nos seus mínimos detalhes.

O cacique Chicão Terena tem algo a mais para nos contar. Ele mesmo soube galgar e ocupar os espaços e possibilidades, quando essas apareciam. É hoje o primeiro professor de Geografia dentre os seus, ministrando aulas lá na aldeia para os seus e falando fora para quem quiser tomar conhecimento dessa luta e um pouco da verdadeira história. E por quase um mês, abdicou de estar junto aos seus na aldeia, para representar seu povo e permaneceu em Brasília, protestando diariamente, instalado numa barraca de lona e plástico, tudo para dar continuidade a essa luta, que ele bem sabe é infindável. Assim, sempre presente Chicão toca o barco adiante e se mostra um valente guerreiro, verdadeiramente ao lado de seu povo e da luta destes. Está junto de tantos outros no panteão dos imprescindíveis. Entrevistá-lo é baita orgulho para mim.

Em 07/08/2020 publiquei sobre ele no blog Mafuá do HPA, dentre outros indígenas que conheci isso: “Tive o prazer de conhecer pessoalmente o índio Tibúrcio e dele fiz, mais de uma década atrás, belo ensaio fotográfico, onde pude ouvir suas histórias, inclusive dos tempos quando foi maquinista nas NOB. Aqui em Bauru a luta continua. Estamos muito próximos da aldeia de Avaí, reserva indígena distante 20km de nós, daí muitos índios estão aqui residindo, nos visitando frequentemente, nós a eles e dessa proximidade, ressalto duas pessoas, hoje tão próximos de nós, ou seja, nós da luta deles e eles da nossa, numa integração necessária para uma defesa coletiva de interesses em conjunto. Irineu Nje'a Terena (Werá Jekupé), aldeia Kopenoti, do Araci Cultura Indígena, idealizador do Espaço Terena Koixomuneti, com objetivo de orientar as pessoas a nível energético e espiritual por meio do conhecimento e das práticas do Xamanismo terena, além de estar envolvido também o Ateliê Terena de Artes Indígenas e do espetáculo teatral “A Dança da Ema”, junto com Mariza Basso. Aqui curta fala sua: https://www.facebook.com/chicao.terena/posts/3123081231046334. O cacique desta aldeia, Chicão Terena, pessoa querida de todos os na luta social, trava neste momento uma árdua luta contra o coronavírus na aldeia, com um caso já confirmado dentre eles e, a partir daí, isolando mais a reserva, para não propagação. Vê-lo dias atrás, junto dos seus, empunhando arco e flecha na porteira de entrada da reserva é a certeza dele cumprir seu papel com o máximo afinco e dedicação. Chicão não é mero cacique, possuindo formação em Geografia pela USC Bauru, atuando também como professor na rede pública estadual. Ele é muito mais que prefeito da aldeia, sendo também seu atuante representante, voz ativa na defesa dos seus, grito forte e feroz, se preciso for, intransigente e usando da sapiência secular indígena para auxiliar seu povo neste delicado momento do país e do mundo”.

Hoje algo mais dessa história será a nós revelada a partir das 19h. Vamos juntos? Hoje tem manifestação FORA BOLSONARO e FORA SUÉLLEN nas ruas de Bauru pela manhã e depois, final da tarde, começo da noite, 19h, essa reveladora conversa com a cacique Chicão Terena. Dia para ótimas reflexões...

Eis o link do Bate Papo, duração de 1h19minutos: 

https://www.facebook.com/henrique.perazzideaquino/videos/353700049594195

COMENTÁRIOS FINAIS: Chicão é cacique, também professor em sua aldeia, local com aproximadamente 700 habitantes, quatro etnias diferentes e, portanto, quatro caciques. Ele nos contou algo da história da chegada do Terena na região, trazido por volta de 1910, para ocupar um espaço, após praticamente o extermínio dos kaigang na região. Faz um histórico dos mais interessantes da FUNAI - Fundação Nacional do Índio, do antes e do depois, culminando dos prejuízos para todos os índios da região, quando foi extinta o escritório regional de Bauru, hoje transferido para o litoral paulista, ou seja, toda demanda tendo que ser levada até lá, numa distância de mais de 500 quilômetros. Explica como alguém chega a se tornar cacique e no caso dele, foi por consenso, uma ampla reunião de sua comunidade. Conta mais detalhes do relacionamento deles com Avaí e com Bauru, principalmente do segmento religioso, primeiro com a intromissão dos católicos, tempos atrás, quando praticamente existia uma obrigação pela aceitação da igreja, para não se tornarem pagãos e hoje, com os evangélicos neopentecostais, que em muitos casos chegam e preenchem espaços antes ocupados pelo poder público. Fala também da Educação, antes com professores vindos dos brancos e hoje, quase todos os postos ocupados pelos próprios índios, os muitos formados morando na aldeia. Na parte final, Chicão conta como foi a estadia de três semanas em Brasília, acampado em barracas de lona, quando antes o próprio CIMI, entidade indígena possui alojamentos, mas neste desGoverno, nada disponibilizado para a população indígena. Fala da luta lá empreendida, ainda não terminada, com prosseguimento contínuo e mais precisamente em agosto, quando deverá ser votado pelo Congresso Nacional o Marco Temporal, a legislação a prejudicar sobremaneira a questão indígena. Num certo momento diz uma frase contundente: "O índio não está preocupado se por acaso morrer de covid neste momento, pois muitos mais poderão morrer pelo descaso deste governo". Por fim, afirma hoje estar morando em Bauru quase cem indígenas, 70 famílias, constituindo um agrupamento elevado e representativo.


OUTDOOR ALTERNATIVO E O FUROR DA NECESSÁRIA OUSADIA*
* Saiu hoje publicado no semanário DEBATE, de Santa Cruz do Rio Pardo o meu 20º texto, inédito e exclusivo, aqui compartilhado neste momento:

“Nós oferecemos para colocar 10 outdoors em Bauru, para ver se com a quantidade eles se animavam por conta do valor. Mesmo assim, uma empresa alegou receio das estruturas serem vandalizadas e as outras simplesmente se negando dizendo que não fazem este tipo de propaganda”, Marcos Chagas, um dos diretores regionais da Apeoesp Bauru, o sindicato das escolas públicas estaduais paulista.

Diante do que li publicado num post que fiz essa semana pelas redes sociais, sobre a brilhante iniciativa de um grupo antifascista da vizinha cidade de Pederneiras, quando reuniram forças e criaram eles mesmo um outdoor, num lugar bem localizado naquela cidade, algo mais surgiu e a demonstrar não só do medo, mas uma espécie de conluio em curso. Vamos aos fatos. Bauru é cidade de aproximadamente 400 mil habitantes e em muitos locais da cidade, outdoors favoráveis a Bolsonaro, todos os lugares previamente demarcados para empresas deste ramo e nenhum contra o ex-capitão.

Conversei com o presidente do PT Bauru, Claudio Lago e ele me diz já ter tentado junto as empresas locais pagar para ter alguns, mas a resposta é sempre a mesma, se negam. “O principal motivo, me disseram ser os bolsonaristas, pois estes iriam destruir, ou seja, são pessoas que não suportam o diferente, não conseguem mais conviver com o outro, antidemocráticos, antissociais”, conclui. Primeiro que, quando ocorre de conseguir ser levantado valor para um, seria somente um ou alguns poucos e isso também se mostra como impedimento. O fato é que, existem muitos oudoors na cidade com data de vencimento mais que vencido, desgastados pelo tempo, mas como já deu pra perceber, em nenhum algo contra o capiroto ou desancando contra o genocídio em curso.

Liguei numa das empresas de Bauru para sondar e a resposta que obtive quando disse, seria somente um único outdoor e com dizeres contra o investigado presidente, conhecendo o interlocutor de longa data, me disse: “Meu caro, o negócio não está bom, seria bom ter essa receita em caixa, mas temo perder mais, pois existe hoje muitos que nos pressionariam e até não mais fariam os seus conosco, tudo por causa deste. Você me entende, né?”. Entendo. Enfim, isso é bem comum no Brasil de hoje, daí a iniciativa do pessoal lá de Pederneiras, mais do que criativa, objetiva e com resultados mais do que imediatos. Não sei como está a resistência lá deles para manter o outdoor em pé, mas pelas redes sociais bombaram e fazem o maior sucesso.

Neste mundo enveredando por caminhos tortuosos e dantescos, nada como fugir pela tangente e buscar meios alternativos para conseguir os objetivos pretendidos. Gosto demais dos ousados e cada vez menos dos que, fazem dos seus negócios, algo onde não é permitido nenhum risco incondicional fora dos padrões estabelecidos. Neste caso, um mero outdoor no centro da cidade de Pederneiras, feito artesanalmente, baixo custo, união coletiva de esforços, causa mais alvoroço do que todos os outros, favoráveis ao inqualificável. Estes são os tais sinais de que nem tudo está irremediavelmente perdido.
Henrique Perazzi de Aquino, jornalista e professor de História.

sexta-feira, 2 de julho de 2021

PRECONCEITO AO SAPO BARBUDO (167)


O QUE PODE SER FEITO PARA QUE A CÂMARA VEREADORES DE BAURU NÃO APROVE TÍTULO CIDADÃO PARA O CAPIROTO
As ações são muitas e uma delas eu aqui compartilho. Rosângela Maria Barrenha localizou o e-mail de cada vereador e está encaminhando carta pessoal a cada um deles, com o teor abaixo, solicitando a não votação favorável a algo que, marcará mais uma vez negativamente Bauru, a propositura do vereador Eduardo Borgo, de forma vassala de homenagear o presidente, exatamente pouco antes dele visitar Bauru e no seu pior momento, quando casos e mais casos de corrupção o envolvendo estão vindo à baila. O teor pode ser modificado, mas se milhares fizerem o mesmo, debaixo de pressão, alguma sensibilização para não passarmos mais essa vergonha. Abaixo o teor da carta:

Bom dia Sr. vereador.
Meu nome é Rosângela. Estou espantada com o que vem ocorrendo em Bauru.
No meio de tantos problemas urgentes, a Câmara vai votar para conceder título de cidadão à este Presidente e isto é uma ação que não podemos compactuar. Estamos acompanhando seu trabalho que têm sido de excelência e responsabilidade. Peço que analise e se posicione contrário à isso. O senhor tem a liberdade de votar conforme sua consciência, mas saiba que a medida está pegando muito mal entre os cidadãos que não enxergam nessa concessão qualquer benefício à cidade. Estamos atentos.
Respeitosamente fico no aguardo de sua posição. Gostaria que manifestasse claramente sua intenção de voto.
ROSÂNGELA MARIA BARRENHA
 
OS ELEVADOS E ATÉ AGORA DESNECESSÁRIOS E INJUSTIFICADOS GASTOS BAURU/BRASÍLIA DA NOVÍSSIMA (SIC) PARA BRASÍLIA
Prefeito viajar para a Capital Federal é algo comum, mas quando as viagens são frequentes e sem demonstração de evidente interesse público, o pisca alerta deve ser ligado e acionado uma "força tarefa" para desvendar o que está por detrás de tanto interesse pela seca cidade encravada no árido sertão goiano. 

No publicado, o montante do gasto e dele, quando se compara com o que foi trazido de benefícios até agora para cidade, nada de tão proveitoso. Que alguém aí nos diga o que Bauru conquistou de vantagem disso tudo além das fotos da imPerfeita posando ao lado de todos os capirotos genocidas da atualidade?

Na verdade, o que se viu até agora foi vê-la frequentando corredores palacianos em busca do algo mais, o ideário capirotista para o enfrentamento com seus adversários e inimigos. Ela, a eleita para defender Bauru, viceja na defesa do fundamentalismo e de aberrações, como difundir improváveis macumbas na entrada do Palácio das Cerejeiras, tudo para mascarar a falta de um trabalho ativo e propositivo em prol das necessidades desta cidade. Ela continua jogando pra torcida e fazendo tour continuados pelos corredores mais sórdidos de Brasília, posando também para fotos com todos os filhos do ex-capitão (será que falta foto com algum?). 

Diante de fatos mais do que evidentes, o gasto pode até não parecer tão elevado, mas uma só viagem que seja, sem resultado prático e quando renovada, imbuída da mesma motivação, algo precisa ser feito. Isso me faz lembrar das constantes viagens do iminente ex-presidente da Cohab, para tudo quanto é lugar do mundo, hoje quase todas comprovadamente sem nenhum interesse público. Tomara Bauru não passe pela mesma esparrela, pois de viajandeiros sem noção, basta um.

EBÓ SEM FUNDAMENTO GERA NOTA DE ESCLARECIMENTO PARA imPERFEITA DE BAURU - UNIÃO CONTRA PRECONCEITO

QUE TAL UMA BOA CONVERSA E EXPLICAÇÃO SOBRE O EBÓ MAL AJAMBRADO DEFRONTE A PREFEITURA?
QUEM O FAZ É JÔ MOURA, ALÉM DE CANTANTE, ENTENDIDA DESTAS QUESTÕES.
HPA TENTA CONDUZIR A CONVERSA EM 19 MINUTOS, DELIMITANDO ALGO CONTRA O PRECONCEITO E ÓDIO ENRAIZADOS EM DIVULGAÇÕES SEM FUNDAMENTO.
A importância de não deixar nada passar em branco e sem resposta.

AMANHÃ TEM FORA BOLSONARO E SUÉLLEN EM BAURU
O tempo passa, o tempo voa e diante de tudo o que temos visto no país nos últimos tempos, uma só certeza toma conta de tudo e todos, o da impossibilidade deste país ter algum tipo de normalidade política com o ex-capitão ainda exercendo algum cargo público. Ele já comprovou a que veio, a serviço do que sempre viveu, a incapacidade e mente totalmente no desvio, sendo uma das piores coisas que essa República brasileira conseguiu produzir em toda sua existência. Um homem pífio, cuja missão é corroer as instituições democráticas por dentro e promover sua destruição. Sua turma também construiu uma central de mentiras, os tais fake News, este horror sendo manipulado e distribuído país afora. 

Estes, portanto, não só meteram a mão na cumbuca, mas se lambuzaram de corpo e alma na propagação de mentiras e no estímulo aos ataques às instituições, clara tentativa de golpe, como o fazem neste momento tentando a todo custo promover o retorno do voto de papel. A violência é também utilizada por grupos de extrema-direita para a disputa política. O bolsonarismo se une num projeto em comum, calcados no discurso de ódio, na violência política de gênero e misoginia, na produção e distribuição de mentiras, desinformação, negação da ciência e autoritarismo. Essas são algumas das razões pelas quais temos que derrotar o grande mal hoje encastelado em Brasília. 

Um povo cioso com a pandemia sai às ruas durante seu período mais crítico porque o presidente e seu governo são mais letais e perigosos que o próprio vírus. Daí, sábado, 03/7, muito importante ocorrer em Bauru e no país todo a maior mobilização social e política que este país já viu, pois só assim colocaremos fim a isso tudo que envergonha e destrói o país. Eu vou pras ruas no sábado e você?

quinta-feira, 1 de julho de 2021

BAURU POR AÍ (192)


COMO PODE O JORNAL DA CIDADE ENTRAR NESSA E NÃO PEDIR PRA SAIR?
Acompanho o Jornal da Cidade desde muito tempo e hoje o percebo num dos seus piores momentos. Não, não falo da questão do definhamento do modal impresso, algo acometendo e comendo pelas beiradas todos os órgãos da imprensa e sim, pelo fato de diante do desGoverno do ex-capitão, ter assumido escancaradamente sua face. O jornal fez estardalhaço dias atrás quando lançou junto com sua antes afiliada, a 96FM, um novo programa de rádio, das 6 as 8h da manhã, onde apregoava ali residir a esperança no jornalismo nativo, o 360º, mas quando fui assistir, tendo à frente como ancora o indefectível economista (sic) Reinaldo Cafeo, pura decepção. Enfim, nada pode existir de renovação tendo este economista à frente, pois como já é sabido até pelas pedras do reino mineral, o danado é um dos mais conservadores neoliberais destas plagas. Tempos atrás digladiava com outro da mesma estirpe, Alexandre Pittolli, este na rádio Jovem Pan, ops, digo, Velha Klan, cada qual com seu microfone, ambos perversos até a medula, mas inimigos a se cutucarem. Pois, não é que se uniram e até já trocaram juras de amor.

Cafeo saiu da 94FM e se bandeou para o projeto da 96FM, junto com o jornal e agora, enterram de vez o jornalismo naquela emissora. Impossível assistir aquilo e chamar de jornalismo. Como último feito trouxe a imPerfeita Suéllen Rosim e a tratou com chamegos e rarapés. Não satisfeito publica hoje na página 2 do Jornal da cidade um texto incompreensível para os pobres mortais, quando depois de quase toda a cidade se mostrar na oposição ao despreparo dela na frente da administração pública, a elogia e a apupa como “esperança” para a cidade. É quase o mesmo que o vereador Borgo faz neste momento, quando quer Título de Cidadão para Bolsonaro, justamente quando praticamente se descobre ser ele comandante mór de algo dantesco. Ou seja, quando tudo se perfila para defenestrar a prefeita, Cafeo e o JC junto a paparicam. Que nome se pode dar a isso? No mínimo, CONLUIO, para tentar ser diplomático e não querer buscar adjetivos mais turbulentos.

Enfim, daí chego ao ápice do que quero dizer com tudo isso. O JC ainda é reduto de bons e valorosos jornalistas, mesmo muitos deles tendo saído, por diversos motivos nos últimos meses. Restam alguns bons por lá e os vejo numa sinuca de bico. Como continuar sendo sensatos e atuando dentro de diretrizes totalmente anormais? Difícil. Enfim, tenho muitos amigos que aceitaram trabalhar para a imPerfeita e atuam nas hostes da Prefeitura Municipal. Não julgo ninguém, pois sei que o calo aperta e muito nestes tempos. Daí, lamento por eles e por tentarem fazer das tripas coração para o jornal não degringolar de vez. Luta insana. Essa escrevinhação toda para lhes apresentar o falacioso artigo do Reinaldo Cafeo na edição impressa e virtual do JC de hoje. Denominado “Bauru: há seis meses sob nova direção”, me senti envergonhado de ler aquilo e em muito pelos tantos valorosos amigos jornalistas que ali ainda continuam tentando tocar o pesado fardo adiante. Eis o link para quem estiver predisposto a ler: https://www.jcnet.com.br/.../765129-bauru--ha-seis-meses....

Se o JC não pede pra sair do projeto claramente direitoso do 360º na 96FM e continua bancando Reinaldo Cafeo como dos seus mais importantes articulistas, fica escancarado o lado onde estão e o que defendem. Todos já sabíamos, mas estão a um pulo, pequeno gesto a mais para o fazerem também a favor do fascismo e de tudo o mais que tanto rejeitamos. Para mim, o JC só tem um jeito de sair bem nessa história, mas com a atual direção, os donos da grana que tocam o produto, sei não o farão, mas vejo como saída dar um belo de um bicudo nesse Cafeo, assumindo jornalismo na acepção da palavra. Do contrário, quando anunciar o fechamento definitivo de suas portas, estará totalmente desacreditado. Mesmo conservador e diante de tudo o que já ali li, não gostaria de vê-lo, quando chegar o fim, ter de fazê-lo nestas condições. Será mesmo possível existir essa mínima possibilidade? Se querem saber minha modesta opinião, a exponho a seguir: mesmo crendo ser impossível, torço por ela. Onde tem Cafeo não pode existir bom jornalismo e os motivos já são mais do que conhecidos, ou seja, o JC embarcou num projeto furado desde o início nisso do 360º e até a velha e surrada 94FM soube buscar um caminho mais salutar e se saiu imensamente melhor.
 
QUALQUER PESSOA COM UM MÍNIMO DE SENSATEZ MORRERIA DE VERGONHA, MAS A DIREÇÃO DA SECRETARIA MUNICIPAL DE CULTURA DE BAURU NÃO TEVE NENHUMA
Todo ano ocorre em Bauru, patrocinado pela Secretaria Municipal de Cultura o Festival de Inverno e nele, além de apresentações do que está em curso de possibilidades ocorrendo da própria secretaria, a cereja do bolo se dá sempre com convidados externos em algo presencial diferenciado. Com a pandemia, todos sabemos, dificuldades mil para algo presencial e ninguém quer ver artistas correndo risco nesse momento, quando a pandemia continua progredindo de forma brutal. Daí, o mínimo que se esperava era algo de criativo para atrair a atenção de tanta gente do lado de lá da telinha, em casa e esperando uma propositura alvissareira e eis que, ao ser divulgada a programação bolada a sete chaves, quando com certeza a secretária esquentou muito a moringa, demorando mais de um mês para tomar a difícil decisão, diante de uma diversidade nunca vista, enfim, cabedal incomensurável de possibilidades.

E eis que a secretária Tatiana Sá tira da cartola algo nunca visto e apresenta descaradamente para a população bauruense o inusitado, o nunca visto, uma entrevista feita com três funcionários de carreira da secretaria, seus managers: dia 06, Devanildo Balmant, maestro da Banda Sinfônica, dia 07, Paulo Gomes, maestro da Orquestra Sinfônica e dia 08, Sivaldo Camargo, Coordenador da Cia Estável de Dança. E como entrevistador, o jornalista Ademir Elias, lotado na Assessoria de Comunicação e Imprensa da Prefeitura Municipal. Gosto demais dos quatro, cujos nomes aqui divulgo com pompa, jubilo e contentamento, mas desculpa, finesse eu tenho só para com eles, pois com quem bolou essa catástrofe, jogaria uma merecida torta na cara, aos estilo de como fazem os europeus diante de aberrações totalmente fora do prumo. Eis o link divulgado pela Cultura Municipal: https://www2.bauru.sp.gov.br/materia.aspx?n=38682.

Fica escancarado mais uma vez que a Secretária não irá gastar um só centavo com nada, nem hoje, nem amanhã, nem neste ano, nem ano que vem ou qualquer outro dessa administração. Tatiana Sá está totalmente engessada e tendo que tirar leite de pedra. Por sorte possui um cabedal de gente competente e com histórico de trabalho e competência por lá, do contrário, estaria num mato e sem cachorro. Todos os quatro são grandes, mas a falta de criatividade dessa administração é algo assombroso, dantesco e vexatório. Poderia discorrer aqui por horas sobre possibilidades de trazer para atividades diversas e variadas, tudo pelo formato virtual, gente do país afora, mas sem nenhum contato externo, mão atadas, recaem sobre os próprios servidores. Isso tudo é pra rir, porém, como se sabe, a situação é mais que trágica. Por essas e outras, quando a constatação é de que a Cultura em Bauru com a imPerfeita (sic) e novíssima (sic) alcaide Suéllen Rosim acabou, alguns pedem tempo, mas para ela, TOLERÂNCIA ZERO. Desculpem aos envolvidos, mas Festival de Inverno é palco para outras atividades e por gostar demais dos quatro, posso até vê-los nos dias previamente agendados, mas estou cada dia mais envergonhado dos destinos culturais desta pasta e administração, num menosprezo total e absoluto para com a Cultura. Podíamos ficar sem essa, mas vindo de Suéllen, não esperava outra coisa.