segunda-feira, 8 de abril de 2024

BAURU POR AÍ (226)


DOMINGO PARA VIVENCIAR O TIME DE MINHA ALDEIA, O NOROESTE*
* Este post corresponde ao de domingo, onde me retirei e flanei pela aí, sem nada postar por aqui e nem em qualquer outro lugar.
Depois de doze anos penando na AIII e AII do Paulistão, o glorioso e centenário Esporte Clube Noroeste volta para a 1ª Divisão do futebol paulista. Justamente no momento mais insólito, quando só conseguiu a classificação em 8º lugar e na bcia das almas, após uma contundente vitória de 5 x 1 contra o Taubaté - estava presente. Vejam como são as tais injustiças e maravilhas do futebol, os dois times que chegaram por último dentre os oito classificados para a fase seguinte, Velo Clube em 7º e Noroeste em 8º, pois bem, estes sobem e ganham a classificação. Agora, já garantidos na AI disputarão a final. O noroestino está mais do que acostumado com adversidade e muita coisa desencontrada no quesito bastidores de seu futebol profissional e assim, quando ninguém mais estava disposto a criticar, eis que, ele ressurge das cinzas, renasce e derrota o 1º colocado até então, o São Bento de Sorocaba e depois, a Portuguesa Santista, com dois empates, mas ganhando sua classificação nos pênaltis e na casa do adversário, numa manhã de domingo, com jogo transmitido pela TV aberta, a Record, 11h da manhã e com a cidade um tanto parada, como se a espera de algo previsto, porém, chegando não como algo arrebatador, conquistado com um belo campeonato, mas com a construção de resultados, nessa fase de mata-mata. Ganhamos empatando e subimos, ou seja, a ficha pode cair, voltamos para a AI. 

E agora? Em primeiro lugar, gosto de futebol e o sigo, levando em conta algo ouvido de Roque Ferreira num dos dias no estádio, quando lhe perguntei sobre os desmandos nas hostes administrativas do clube, a condução de seus dirigentes. Ele, me disse: "Henrique, se for levar em conta isso, não vai mais torcer pelo seu time. Torça sem olhar para este lado, pois do contrário, nem estaria aqui". Aprendi a lição e assim torço, para o Noroeste, o Corinthians e hoje, para os mais fracos dentro do quesito futebol. Alguém aí em sã consciência poderia estar totalmente feliz com a condução do Palmeiras pela sua presidente, pelo que faz para tocar sua vida profissional. São vitoriosos, porém, referendar a bestialidade do rentismo hoje vigente vai além do permitido por qualquer ser pensante e pulsante. Na verdade, torcem e festejam vitórias, sem levar em conta seus bastidores. Isso ocorre mundo afora, pois como me disse outra pessoa, que não me lembro quem: "Futebol não é brincadeira, custa caro e vale tudo, portanto não é para nós. Para nós, torcedores, resta torcer". Toco o negócio de torcer pro time do meu coração e de minha aldeia com este espírito. E assim, no dia de hoje, sou mais um dos seres felizes, contentes e rindo à toa. 

Queria até ter ido para Santos com a torcida, mas resisti e não coloquei meu nome na lista. Perdi a festa no campo de luta. Vi o jogo pela TV e, pasmem, pela Record, que abomino. Permaneci com o rádio ligado no Jornada Esportiva e na voz de Rafael Antonio e de Jota Martins, estes lá no estádio. Empatamos no tempo regulamentar e depois, com os dois pênaltis errados pelo adversário e todos os batidos pelos noroestinos convertidos, chegamos novamente à 1ª Divisão. Fui para a sede da Sangue Rubro, eu e Ana, trocamos abraços com uns poucos e depois procuramos um lugar para comer. Com o Totó fechado, rodamos a cidade e baixamos no Convívio, ao lado de Claudio Lago e Luzia Siscar, sua esposa. Por lá, uns poucos noroestinos, mas em todas as abordagens, a felecidade estampada no rosto de todos. Depois, voltei para casa, não acompanhei o retorno da torcida e dos torcedores que forma pra Santos. Fiquei em casa, ruminando algo da vitória, ainda muito triste com a perda do grande Ziraldo no dia de ontem e pensando no futuro, no dia de amanhã. Enfim, teremos condições de enfrentamento com tudo o que existe hoje já consolidado dentro da AI, com a estrutura atual? A grana que vai chegar é maior, muito maior, mas será ela suficiente para tocar e ter um time à altura, em condições de se manter no lugar agora conquistado? Depende de quem detém atualmente as chaves do cofre noroestino e se vai estar disposto a colocar grana no negócio. O último que fez isso foi Damião Garcia. Este gastou muito e nem sei se conseguir reunir de volta o investido. Cláudio Amantini que o diga. Este fez e aconteceu dirigindo o Noroeste, folclórico e gastador, atuando às escondidas de seus filhos, que se soubessem tudo o que foi ali "enfiado", creio eu, o internariam. 

Volto aquela inquietante pergunta inicial: E agora? Sim, estamos nas mãos de uma diretoria, não muito diferente de todas as outras que já estiveram à frente do Noroeste. Inesquecível se lembrar de um que, quando podia vender o goleiro Válter com algum lucro pro Noroeste, o fez para si mesmo, ou seja, comprou o jogador a troco de compromissos inadiáveis e vencendo naqueles dias. Ou seja, o clube pagou alguns boletos e na sequência, o jogador foi vendido para outro, creio que antes de ir pro Corínthians - hoje no Cuiabá. O lucro ficou para quem mesmo? Hoje, evidentemente continuarei torcendo e muito, indo ao estádio, como todo palmeirense o faz mesmo com a atual presidência, etc. Porém, não tem como tapar o sol com a peneira, toda diretoria é bolsonarista e pior que isso, o atual injetor de grana mensal nos cofres do time é intransigente defensor e apoiador de Suéllen Rosim, a atual mandatária, fundamentalista e querendo, neste momento, privatizar a água e esgoto num projeto conhecido por todos como uma "carta branca" para fazer o que quiser com o dinheiro público. Isso tudo tem a ver com o futuro do Noroeste? Sim, tem tudo a ver. Temos agora pela frente um 2º Semestre com, provavelmente uma Copa Paulista, criada para encher linguiça e depois, ano que vem, no máximo três meses de AI. Neste momento, o time vencedor começa a ser desmontado e não podia ser diferente. Os jogadores precisam trabalhar e atuar. A maioria deles, com algo mais positivo em seus currículos estarão atuando pela aí, enquanto por aqui, deve ocorrer reuniões e mais reuniões, enfim, o time do ano que vem deve ser muito mais convincente do que o deste ano. Na torcida, como sempre. 

SEMPRE EXISTIRÁ UM ALGO MAIS PARA DIZER E ESCREVER DE ZIRALDO
Eu ainda não assimilei o golpe. Estou ainda meio zonzo com a perda do velho Zira. Olho para meu espelho e a imagem que vejo de mim, com o passar dos anos é a de alguém envelhecido - não em barris de carvalho -, cheio de dores e nem sempre pronto para os embates que ainda virão vida afora. O pavio anda curto e quando diante de um embate, perdi aquela fleuma para enfrentar as advsersidades. Nem sei se isso tem alguma coisa a ver com a perda do Ziraldo, mas ao sabe que se foi, penso em tudo isso e muito mais. Dói muito. Senti o mesmo no dia em que tomei conhecimento do falecimento de Leonel Brizola. Aqui em Bauru, perder Isaías Daibem, Milton Dota, Roque Ferreira e outros, também doeram muito. Talvez isso tudo é por saber que, as peças de reposição estão deixando a desejar, ou seja, as agruras daqui por diante serãp cada vezz maiores e sem estes para se posicionar ao nosso lado, dispostos a tudo.
Eu fui acompanhando o fim do Pasquim com baita dor dentro de mim. Vibrava a cada ida nas bancas e vendo a capa da semana, queria logo ter o jornal junto de mim. Levá-lo para casa, fazer a leitura de cabo a rabo, era de certa forma reverenciar Ziraldo e tudo o mais ali encontrado. Fizeram baita falta quando se foram, mesmo tendo sido preparado, pois a publicação definhava. Depois veio o Pasquim 21 e a Bundas. Em todas o bom Ziraldo fazia e acontecia. Era destes, que faziam loucuras, ia verdadeiramente à luta para colocar nas ruas publicações como todas nas quais esteve envolvido.

Imaginem o inenarrável prazer sentido por mim quando meu amigo Fausto Bergocce, certa feita, creio que em 2012, numa das idas juntos ao Rio de Janeiro, fizemos um tour pela casa de alguns mestres do traço, Nani, Mariano e por fim, Ziraldo. Subi o elevador ali na lagoa Rodrigo de Freitas com o corasção pulsando, pois estaria diante de um monstro sagrado. E fomos tão bem recebido, me contou histórias vivenciadas em Bauru e nos deixou bastante a vontade em seu estúdio. Ele tinha seu estúdio num andar do prédio e noutro sua casa. Sempre procurei deixar o Mafuá, o original e agora o Dois, com a cara e identidade do que vi ali no do Ziraldo. Uma grande mesa de trabalho, no caso dele de desenho e espalhados em cima, dos lados e nas estantes espalhadas pelos cômodos, desenhos de todos os jeitos e possibilidades. Eu espalho o que venho fazendo, lendo, ouvindo e também escrevendo. Sou uma cópia mal concebida do Ziraldo.

Tudo o que ia saindo dele ao longo deste anos eu procurei comprar. Fui muito além do Pasquim. Tenho uns cem ainda comigo, além da coleção completa do Pasquim 21. Dele tenho todos os livros que vi sairem tendo seu nome por detrás da obra. Dentre todos os pasquineiros, cada qual escolhe um de sua preferência. Tinha Aldir Blanc como o grande mestre na escrita, mais do que Ivan Lessa e mesmo, Fausto Wolff. O pasquim foi campeão de ótimos do traço, desde Jaguar, Zélio, Claudius, Henfil, Millor, os Carusos, Nani, Reinaldo, mas nenhum representava para mim o mesmo que Ziraldo. Daí a dor intensa, dilacerante e a me arrastar por estes dias, sem eira nem beira, sem rumo e tateando pelas paredes para não cair. O baque foi duro, sentido. Estou ainda desorientado e nem sei se voltarei mais ao normal - creio eu já estou fora do normal faz tempo.

Este mais um desabafo depois do passsamento do Ziraldo. Quando melhorar escrevo mais. Hoje, ando perdido, a escrevinhar besteiras e bobagens, pois a mente insiste em funcionar com avarias, pela metade. Com o tempo devo me reencontrar, mas por enquanto nem a vitória do Noroeste, meu time do coração, subindo novamente para a AI, depois de 12 anos desencaminhado me fez reavivar a alegria.
Obs.: Nas fotos algo do que tenho no Mafuá Dois de Ziraldo.

"ZIRALDO E O MOMENTO VIVIDO... - O NÃO MUDAR DE LADO UMA VIDA TODA
Tempos atrás, eu e Fausto Bergocce estivemos no Rio, mais precisamente na casa/estúdio do Ziraldo (amigo do Fausto, ambos cartunistas de mão mais que cheia, fomos lhe levar nosso livro) na Lagoa Rodrigo de Freitas. Ele nos recebeu maravilhosamente bem, mostrou seu acervo, conversou muito e algo que não me sai da memória é a defesa que ele fez dos governos do PT, Lula e Dilma. Ele enxergava (e continua enxergando da mesmíssima forma e jeito) maravilhosamente bem o que estava sendo feito e nenhum outro Governo o havia sequer tentado. Fausto, que era critico desses Governos tentou argumentar, mas capitulou diante do que Ziraldo dizia, com uma propriedade enorme e em seu reduto, seu lar e local de trabalho. Nos calamos, ouvimos tudo. Eu concordando, incentivando a falar mais e mais. Vejo que Ziraldo, hoje com seus 84 e poucos anos continua o mesmo de sempre, lúcido e esgrimando sua lança contra os verdadeiros dragões da maldade desse país. Ele, como mesmo diz, escolheu um lado para estar e outro para criticar e, assim como eu, justifica (e bem) estar do lado certo. Estou com Zira, o velho Zira que tanto amei (amor eterno) dos tempos inesquecíveis do Pasquim (colecionei e guardo alguns de recordação até hoje), envelhece como todos nós, mas se mostra aroeira pura. Toda vez que o vejo, primeiro em reverência ao meu amor pasquineiro que nunca me abandonará, depois por ter, assim como ele, feito escolhas na vida e não ter mudado de lado. Posso criticar o lado em que me encontro, chamar a atenção para erros cometidos, deslizes, gafes, desmandos dos do lado que defendo, mas nem por isso vou me bandear para o lado do inimigo. Eu nasci assim, fazendo a defesa de um dos lados da questão e acredito que a solução para esses só ocorrerá quando os do do lado que escolhi fizerem de fato o que tem que ser feito para que o povo, a massa trabalhadora, os miseráveis, os despossuídos tenham vez e voz. Ziraldo enxerga isso e diz algo sobre isso na sua fala, que faço questão de compartilhar aqui e agora, nesse começo de domingo", publicação de 2016, no blog Mafuá do HPA.

sábado, 6 de abril de 2024

UM LUGAR POR AÍ (179)


SÁBADO CEDO...
Vontade eu tenho de escrever. Muita vontade. Mas, ela vem e passa. Vai e vem. Algumas vezes, vem e não sei o que escrever. Como agora, com a tela do computador aberta aqui na minha frente, cheio de vontade, mas sem nenhuma inspiração. Deixo tudo de lado, vou urinar, tomar o café da manhã e ler um livro. Quem sabe depois. Talvez a inspiração volte. Tomara.

LOGO DEPOIS DO ALMOÇO...
Inesperada viagem, quase 350 km pela aí. Algo para ser relatado em detalhes. O faço algum tempo depois do retorno. Eu, Ana Bia e o pessoal de Tibiriçá fomos de van, saída depois das 14h30, até Hortolândia, perto de Campinas, para o encontro anul de aniversário com o deputado federal Vicentinho PT. Ele, o deputado, havia se aproximado de Tibiriçá e ao descobrir o grupo, proveniente de um extinto quilombo negro, se juntam. No aguardo de um incentivo para as atividades no distrito rural, a família se mobiliza, contrata o veículo e leva junto dona Irene, quase 90 anos, a matriarca dos Cosmo/Baté. O bloco carnavalesco almeja cuidar da Estação Férrea do distrito, hoje recuperada, porém continuando abandonada. E conta com a aceitação da Prefeitura neste sentido e de Vicentinho para conseguir um incentivo inicial. A mão de obra para realizar e manter tudo bem vivo virá deles mesmos, sempre tão ativos e lutadores pela bem do distrito.

Quando convidado, querendo acompanhar de perto algo mais destas tratativas e também saudar novamente o deputado, pelo seu mandato popular, sigo junto e num salão de festas daquela cidade, o congraçamento com gente próxima do deputado, estes espalhados por todo estado de SP. Direcionados por dois de seus mais ativos assessores, Banhara e ____, a reunião anual, para algo mais além da festa de seu aniversário, comemorada dia 8 de abril. Vicentinho circula mesa por mesa, conversa com todos os presentes e a maioria conhece por nome. Para um tempo maior junto dos de Tibiriçá e, principalmente, junto de dona Irene. Dentre os bauruenses presentes, dois outros grupos, cada qual vindo de carro, ambos do Correios, Diretoria de Bauru, compostos por Ana Rosa e sua família e no outro Bruno Elói e sindicalistas. Depois do passeio pelo salão, a fala do deputado, gravada por mim, não em sua totalidade, mas a parte principal - quando me dei conta ele já havia começado a falar.

A conversação teve continuidade após a fala e num certo momento, ele sentou junto das duas mesas com o pessoal de Tibiriçá e além de ouvir propostas, falou e tirou fotos com todos. Vicentinho é possuidor de um discurso bem atrativo para junto das camadas populares, inquestionável isso. Fala o que querem ouvir e possui uma relação das mais interessantes, ainda mais quando ressaltou ser um dos quatro operários atuando neste momento dentro da Câmara dos Deputados. O mundo das emendas parlamentares hoje em curso dentro da instituição Congresso Nacional tem várias faces. Numa delas, vejo como positiva o envio de algo para favorecer um agrupamento popular em busca da consolidação de seu trabalho, mais do que justtificável e sem nenhum outro tipo de retorno pessoal. Posso discordar, assim como o próprio deputado, deve sê-lo, mas já que existe, todos fazendo usos dela, não vejo como depreciativa a mesma ser direcionada para sérias propostas.

Os Baté em Tibiriçá representam algo de incessante luta, pela afirmação destes enquanto agrupamento social e político. Buscam se firmar com a renovação de suas lideranças e ao se dirigirem até Vicentinho, algo deste caminhar. Salutar terem ido em busca de alguém com passado de luta e reconhecida trajetória. Tivessem ido em busca de outros caminhos, outras pessoas, não estaria com eles ou mesmo, iria aconselhar para tomarem cuidado. Aproveito para estada para estreitar conversações com Banhara, que é de Lins, porém morando em São Bernardo, reduto de Lula e de Vicentinho. Há mais de 20 anos fora de Lins, não conhece Tibiriçá e promete numa próxima passagem pela rodovia Rondon, conhecer de perto o distrito rural, algo que Vicentinho já o fez, se encantou e agora, junto de Dulce Leizico, já faz algo dentro do programado para ocorrer em 2024.

O dia foi longo e a festa durou até perto da meia noite. Uma ida animada e uma volta em pleno silêncio, com todos dormindo. Aproveito para tentar um rescaldo das observações colhidas ao longo do dia. Vicentinho continua como sempre, a defender causas das mais justas e necessárias. Lembrança dele dos tempos quando o então Assentamento Aymorés estava ainda em processo de legalização. Ele sempre esteve ali ao lado de seus moradores. Hoje, com a situação ali regularizada, escolhe Tibiriçá como novo ponto de apoio na cidade de Bauru. Comento com Banhara algo de antigas lideranças de Aymorés e de onde estão no presente momento. Observo como se deu o desenrolar de tudo ao longodos anos e me vejo, aqui do outro lado a instigar, provocar e ajudar, dar minha modesta contribuição no despertar de algo realmente novo em Tibiriçá. Quiçá tudo ocorra sem desvios e surja algo revitalizador por lá. Se o deputado puder ajudar neste caminhar, ótimo e depois, que estes caminhem com as próprias pernas, buscando um caminho libertador e esclarecedor de luta. Eu, sigo junto de ideias transformadoras. Volto para casa na madrugada de sábado com muita esperança, até pelos diálogos travados com todos na van, dos propósitos e ideias para a construção coletiva da qual estão envolvidos. Ajudo no que posso.

Eis o vídeo gravado por mim com a fala do deputado federal Vicentinho em sua festa aniversário: https://www.facebook.com/henrique.perazzideaquino/videos/885974083330270


e na viagem de ida a triste notícia
ZIRALDO FALECE AOS 91 ANOS - PERDA DE INCOMENSURÁVEL MONTA PARA MIM
"Criadores de mundos e histórias nunca morrem, vão pra um lugar onde seus personagens moram. Nós ficamos aqui neste planetinha perdido no infinito, Ziraldo acaba de ganhar todo o universo para si", um de seus milhares de amigos, o também chargista e cartunista JAL. 

Eu fico com o dia praticamente estragado diante de uma notícia já anunciada, prevista, pois Ziraldo já não vinha bem. Fazia tempo que estava recolhido e sendo cuidado pelos seus. Não aparecida mais em público. Eu, que o conheci com o Pasquim, idos de 1973, quando tinha 13 anos, o acompanhei desde então com todo carinho e atenção. Além do inconfundível traço, Ziraldo sempre foi possuidor de uma verve de igual teor, destes inquebrantáveis. Possuidor de uma linha de conduta, dela não se afastou sequer um segundo. Foi tentado por muitos, porém se mostrou fiel aos seus ideais e isso sempre foi brilhantemente demonstrado em seu trabalho. Toda sua arte revolucionária expressava isso, a sua forma de ver o mundo. Ziraldo sempre foi emotivo e não se segurava nas calças, mesmo diante de quem quer que fosse. Expressava sua contundente opinião. Tudo onde esteve envolvido, sempre dos pés à cabeça, foi feito com o coração, vísceras de fora. Começou bem antes do Pasquim e depois numa outra aventura, tão digna quanto a primeira, o Pasquim 21 - este tenho todos os exemplares - e depois na revista Bundas - que tinha todos, mas as enchentes no mafuá levaram a maioria. Seus livros, quase todos em minhas estantes, lugares de destaque, pois o considerava um ser maior, além da iluminação dos pobres mortais. 

Sou de uma geração onde aprendi a conhecer todos os cartunistas e chargistas pelo traço, Bato os olhos num e já sei quem o fez. O traço diz tudo e o de Ziraldo é mais do que inconfundível. Límpido, direto e reto, sempre atuando como um soco no estômago, um jab destes a derrubar grandões. Seu trabalho exerceu sobre uma geração este admirável predicado. Ziraldo sempre me incentivou a continuar. Li todos seus livros infantis e seus gibis, desde o Menino Maluquinho ao Saci, depois sua turma na roça. Não foram estes todos quem mais me incentivaram. Foram seus trabalhos de cunho político. Olho para eles todos e mais que um encantamento. Quando vejo num profissional a reunião do belo traço, aliado a um posicionamento político contundente, isso é mais do que arrebatador. Muitos desenham muito bem, mas não possuem a coragem de se manter ativos, cutucando os poderosos com essas armas disponíveis. Zirando não fugiu um só momento da cancha de luta e isso representa muito. Eu o tenho numa espécie de altar. Se cultuo divindades, ele uma delas. o sentimento desta perda é irreparável. 

sexta-feira, 5 de abril de 2024

MÚSICA (234)


a bauru que não sai do noticiário
Bauru nas paradas de sucesso e em algo nada edificante.
Falta conhecer o conteúdo das revelações do hacker.
Alguém sabe ao certo?
Eis o link dele mesmo se vangloriando da matéria publicada na tal revista, mas como não sei ler sérvio e nem tenho o link da revista, fico só com um arremedo do que pode ali estar contido: https://www.facebook.com/reel/269204879492099

ESQUEÇO DAS COISAS MAIS SÉRIAS E AQUI POSTO ALGO MUSICAL A ME MOVER DIANTE DE TANTAS ATROCIDADES VIDA AFORA:

1.) "O QUE A GENTE QUER NA VIDA É PRECISO SE ESPERAR PRA ACONTECER"
Tenho este álbum em duas versões, a do bolachão LP e também, comprado recentemente lá na Banca do Carioca, no tal dos 4 por R$ 10, em CD. Comprei mesmo já o tendo. Quando reinstalar o aparelho de toca-discos lá no Mafuá Dois escolho um dileto amigo para presentear com o CD. Amanheci querendo ouvir o vozeirão de Leny e dentre o que tenho dela, este trabalho é lindo, limpo e preciso, só sua voz e o piano do Cesão, o Camargo Mariano, ex-da Elis. É o álbum "NÓS", selo Velas, 1993. Sou de uma época que, tudo o que saia destes dois eu ia lá buscar na Discoteca de Bauru, do amigo Silvio. E ouvir Johnny Alf em CÉU e MAR, pela soberana interpretação da Leny é pra tentar começar a semana no maior alto astral.
Eis o link: https://www.youtube.com/watch?v=gx5XjZ19eJ0

2.) "NÃO HÁ CUGAT QUE AGUENTE, TAMBÉM ASSIM JÁ É DEMAIS"
Sempre colecionei discos. Certa feita, momento difícil como o que a maioria do brasileiro passa neste momento, contatei um dono de sebo paulistano e diante do que disse ter, ele veio de lá pra cá, pessoalmente, só para comprar alguns discos meus. Combinamos um preço e demarcamos a quantidade, 40 no total. Ao final, o danado negociou mais 20. Ele me pagou em espécie e deixei ele a vontade. Antes de ir embora, conferi o total e ele se foi. Paguei o que devia, mas não resolvi minha situação por causa da insólita venda. Os discos foram o paliativo naquele momento. Um deles não me sai da cabeça, pois sei foi na leva. Trata-se do LP "ALDIR BLANC & MAURÍCIO TAPAJÓS", do selo Saci (Sociedade de Artistas e Compositores Independentes), 1984. Álbum duplo com maravilhas e em cada música um artista ilustrando a letra, tendo na capa Mello Menezes, um artista que João Bosco levou para várias capas de seus discos. Hoje acho todas pelo Youtube, mas o lindão do encarte, morro de saudade. Viajando perlo Mercado Livre, o álbum duplo hoje é encontrado pela bagatela de 200 pratas. Escolho para ouvir uma dessas imortais, ANTONIETA NA GAFIEIRA, do Aldir, do Maurício e do Paulo Emílio, um trio de ferro para compor coisas que nunca mais me sairão da memória. Creio eu, nem precise repetir o que um dia CAymmi disse de Aldir Blanc: "Ouríves do palavreado".
Eis o link: https://www.youtube.com/watch?v=OAE6SSDO8Uo

3.) "O QUE ELE APRENDEU NA ZONA É O QUE ME FAZ FELIZ"
Estava domingo lá em Tibiriçá vendo o Fernando Rafael Alves Pereira tocar sua parafernália musical, tocando de tudo e com um repertório eclético e dançante. Num certo momento lhe disse que, algo assim era muito comum de ser tocado antigamente nas zonas, onde todo bom cabaré tinha conjuntos musicais. Ele sorri e me disse já ter tocado muito nestes e em tudo quanto é lugar nas quebradas do mundaréu. Impossível não fazer uma associação com o que li em quase todos os livros do Jorge Amado e também numa música dos mais quentes de JOYCE MORENO, o SAMBA DA ZONA, do álbum CD "Ilha Brasil", selo Emi, 1996. Revendo a música, impossível não bater aquela baita vontade de aprender de fato a dançar e sacacotear pela aí. O mestre da dança Geraldo Inhesta me disse textualmente que aprendo em poucas aulas. Tenho lá minhas dúvidas, mas tendo ao fundo Joyce nessas preciosidades musicais, confesso, isso facilita muito.
Eis o link: https://www.youtube.com/watch?v=1cj-ws9dNIo

4.) "DIZ NA LATA CHUTA LATA VIRA LATA, TODO PODER PARA A LATA"
Essa história é uma das que já viraram folclore neste país. Ouço a de minha companheira, Ana Bia, ela carioca da gema, ou melhor, da Zona Norte, tijucana do Andaraí e arredores, marrenta como todo bom carioca, se gaba de ter visto de perto a da tal "lata". Sei não, pois todo carioca que se preza diz ter tido algum tipo de contato com o proveniente da lata, tal a quantidade despejada na Baía de Guanabara. Cada qual com uma história e nesta semana ouço mais uma, outro que, jura de pé junto ter ao menos visto uma das latas. Pelo sim, pelo não, isso tudo me faz lembrar de FERNANDA ABREU, ex-cantante da Blitz e com um CD só para homenagear a coisa. Falo do "DA LATA", selo EMI, 1995 e a escolhida para a audição do dia só podia ser "A LATA", dela e do Chacal. O ritmo é a cara dela, um mais que audível funk, bem diferente de tanta coisa ouvida hoje pela aí e também se dizendo do mesmo ritmo. Sigo, cá do meu canto, fernandiando demais da conta, pois essa tinha - e tem - muita coisa pra dizer, mostrar e não precisa provar mais nada.
Eis o link: https://www.youtube.com/watch?v=35naZvHzUG0

5.) "PEGUEI UMA DOENÇA EM ILHÉUS, MAS JÁ TÔ QUASE BOM"
"Anteontem assisti novamente, depois de vinte anos ou mais, Bye Bye Brasil. Um road movie brasileiríssimo, retratando a batalha de artistas mambembes pelo norte e nordeste do Brasil, o filme é um retrato da época, cheio de camadas, críticas, transbordando carisma. Quem conduz a caravana é um belo, malandro e potente José Wilker (Lord Cigano) deixando claro que um ator daquele naipe faz toda a diferença. Ao seu lado, Betty Faria (Salomé), também linda e sabendo exatamente o que estava fazendo, atriz de verdade, sabe preencher uma tela. Fábio Júnior e Zaíra Zambelli, bem jovens e muito bem em seus respectivos personagens, além de uma participação espetacular de Jofre Soares, ator que dispensa comentários. A trilha sonora ecoa Pra Cima, Pra Baixo do The Fevers, Tá Com Medo Tabaréu com Superbacana e claro, Bye Bye Brasil de Chico Buarque, uma obra prima coroando outra. A caravana Rolidei passa que é uma maravilha!", ator Marcelo Medice. Li isso e fui em busca da canção do CHICO BUARQUE, a BYE BYE BRASIL. Como é gostoso cantar junto do Chico essa canção, que embalou minha vida naqueles fervorosos e idos tempos. Revivo isso tudo, olho para trás com orgulho pela caminhada e de uma busca na qual, nunca me afastei. Chico compôs essa obra prima junto de Roberto Menescal e faz parte de vários discos que tenho aqui guardadinhos no Mafuá Dois. Um destes, o LP "VIDA", de 1980, selo Philips, na primeira gravação do Chico. Chove lá fora e eu aqui batucando escritos, já ouvi três vezes a saga do "japonês traz de mim". Em 1980 eu tinha 20 anos e já ouvia Chico fazia tempo. Nunca mais parei.
Eis o link: https://www.youtube.com/watch?v=3ydneQxq924

E PRA LACRAR O DIA, A RESPOSTA IDEAL PARA ALGO OUVIDO MUITO PELA AÍ

quinta-feira, 4 de abril de 2024

MEMÓRIA ORAL (304)


EU DENTRO DO PROJETO "PASSADO E PRESENTE", GRAVAÇÃO HOJE NA PRAÇA MACHADO DE MELLO
Coisa de um mês atrás fui contatado por Thiago Secco sobre uma participação, sendo entrevistado dentro de projeto realizado através da Lei Paulo Gustavo na cidade de Guaiçara, região de Lins, versando sobre a importância das ferrovias em nossa região e da problematização criada com os indígenas que viviam na área onde hoje vivemos. Ele me explicou, tratar-se de um documentário aprovado e definimos a data para a entrevista em 04/04. Ele já havia contatado Luís Paulo Cesari Domingues e indiquei mais dois, completando quatro entrevistados, Fábio Paride Pallotta e Edson Fernandes.

Em Guaiçara a Lei Paulo Gustavo vingou, assim como na maioria das cidades brasileiras. Só mesmo em Bauru a coisa andra empacada, encruada e até a presente data ainda sem definição, tudo por causa da pauta travada, por imposição da alcaide municipal Suéllen Rosim e desta forma, recursos de aproximadamente 3 milhões de reais, que poderiam estar propiciando belos audiovisuais estão sem definição.

No caso deste documentário de Guaiçara, estão em Bauru desde ontem, Agnis Lorena, Fernando Macaco, Carlos Stattus e Victor Natureza, ou seja, uma equipe grandiosa, toda patrocinada pelos recursos disponibilizados pela lei, já atuando contemplados que foram para realizar o projeto sugerido e aprovado. Gravaram com o Luís Paulo ontem dentro do Museu Ferroviário, mais precisawmente na Praça Kaikang e hoje, comigo na praça e com o Fábio Pallota dentro da estação da NOB. A entrevista com o Edson ocorreu na tarde de hoje lá mesmo no entorno da estação.

É sempre muito bom falar sobre a historiografia destas plagas onde vivemos. Cada qual dos entrevistados leu muito a respeito e pode abordar alguns dos aspectos sugeridos em cada entrevista. Falar de ferrovia é sempre edificante, até porque, como Bauru inteira sabe, ela foi o principal motivador de seu progresso. Quando convidado e falando na praça, cujo nome homenageia alguém com um passado nada edificante, pois Machado de Mello foi o capataz, o encarregado de desbravar a mata e abrir a ferrovia, cuidando da mão de obra na execução da tarefa e tornando-se famoso por ter sido um dos responsáveis pela dizimação do índigena em nossa região.

Na praça, algumas surpresas. A primeira dela foi encontrar o busto do homenageado sem as placas de identificação. Existiam duas, uma de cada lado e ambas desapareceram. No local, sinais de terem sido arrancados. Como já tivemos na cidade, quem levou estátua para casa, para que a mesma não fosse roubada, não dá para imaginar se o mesmo ocorreu neste caso ou se foi levada e numa hora dessas já vendida, derretida e fundida em algum outro objeto. A praça, como quadras do Calçadão apresentam movimentação de reforma - não de restauro. Tapumes cobrem parte da mesma e as primeiras quadras do Calçadão já se encontram sem o piso. Do projeto, pouco se sabe, pois não foi discutido com a comunidade bauruense. Simplesmente está ocorrendo e tomara, tenha por detrás, ao menos um projeto consistente e valorizando o centro velho de Bauru.

Para minha entrevista, Agnis e Frenando Macaco, escolhem uma sombra ao lado do Hotel Milanesi, tendo ao fundo a famosa Estação, mesmo no estado de abandono atual, continuando toda majestosa e cheia de pompa. A padaria da praça empresta algumas cadeiras, sou acomodado e dou meu recado. Convido Roberto Pallu, que comigo realizou um trabalho através da Lei Paulo Gustavo em Cabrália Paulista para vir conhecer a equipe que nos visita. Trocar figurinhas entre profissionais atuando na região é sempre edificante. Ver e vivenciar a movimentação realizadora é vibrante.

Falo o que tinhaque falar. A ferrovia teve um vital importância para o desenvolvimento e progresso de todas as cidades pelas quais o trem passou. Facilitou a vida de tudo e todos. Porém, não dá para esconder ter sido por causa de sua chegada, o martírio dos índios, originais moradores da região. Enfim, o que não foi feito pelo tal do progresso, né!!! Ressalto algo considerado por mim mais do que importante dentro do cenário da historiografia atual. A feita no passado, em sua grande maioria foi escrita adotando a visão do vencedor. E na atual, não digo uma revisão, mas levando em conta a visão dos vencidos e assim apresentando um resultado de maior abrangência.

Eu tenho uma estante só com livros versando sobre Bauru. Levo alguns e eles são fotografados juntos, os escritos no passado e uma boa leva do que está sendo produzido atualmente. Li no meio da entrevista trecho de um dos livros escritos com a visão do passado, até para ilustrar como o índio foi por estes considerado. "Um elemento mais forte, os índios, viriam para combatê-lo, forçando a abandonar o fruto de tantos labores. De fato, esse elemento traicoeiro e perigoso, quea todo momento o fustigava, não lhe dando tréguas, sossegou quando consegui vê-lo fora de suas terras".

Hoje, felizmente, impossível num livro com a pesquisa como ocorre atualmente ainda ser concebido um texto tão eivado de conceitos, não só ultrapassado, como a denotar a clara intenção de desdizer do índio, ressaltando ter sido ele causador do atraso. O trabalho de Machado de Mello, na época realizado sem contestação, hoje merece ser entendido não como alguém atuando pelo dito progresso, mas como dizimador, cruel e insensível para com o índios - e também o trabalhador. Todos sofreram muito na construção da ferrovia, que como se sabe, não ocorreu as mil maravilhas.

Depois de mim, quando encerrava minha fala, chega Pallotta e dá prosseguimento, falando também sobre as doenças transmitidas no período e de outra, o Mal de Bauru, a hanseníase, um dos fatores da cidade ser muito conhecida nops meiso médicos. Ao final, Agnis me diz ter já gravado mais de dez horas de entrevistas e tudo, assim como no documentário de Cabrália Pta, tudo condensado em aproximadamemte meia hora. Este o produto final, porém todo o coletado, disponibilizado em breve para outras utilizações. 

E assim, tudo, pelo visto continau acontecendo pela aí, menos em Bauru. Num desGoverno fundamentalista e bolsonarista, tudo atravancado, parado e à espera de um milagre. O primeiro destes deve um dia ocorrer, mas só depois de concluída a votação da concessão do esgoto/água, travando a cidade. Enquanto isso, continuamos pela aí, ora participando aqui e ali, como faço neste momento.

quarta-feira, 3 de abril de 2024

DIÁRIO DE CUBA (243)


COISAS ACONTECENDO NUM MUNDO ONDE OS ANOS BOLSONARO COMPLICARAM TUDO
Credito isso tudo ao período bolsonarista, quando cabeças se convulsionaram e estão até o momento em pororoca, em órbita e agindo desordenadamente, como se vê no ocorrido semana passada lá no "paraíso" (sic) paranaense de Guarapuava. Casal de segurança se depara com um caminhoneiro num ponto comercial e o acham estranho, inadequado para o local. Propostos a colocar ordem no lugar, o agridem e o humilham publicamente. Este chega em sua casa, se despede da família, volta ao lugar e mata friamente os dois. Eis o link da fala do caminhoneiro: https://www.youtube.com/watch?v=cbNcYqMkZjA

No fundo, inegável existir uma relação, desconhecida até pelos envolvidos, mas bem latente hoje no país. O país foi insuflado para agir desta forma e muitos incorporaram a bestialidade repassada por quem detinha o comando. Provavelmente ambos são bolsonaristas – tudo leva a crer quer o sejam. O casal se achou no direito de manter o lugar onde estavam conforme acreditavam ser o mais adequado e assim, partiram pra cima do caminhoneiro, agindo com o respaldo dado por um espírito de impunidade. E o caminhoneiro, que poderia ter ido numa delegacia de polícia e denunciado o ocorrido, preferiu eliminar o mundo de gente má e com as próprias mãos. 

Todos são vítimas deste momento ainda longe de ser superado. Compreender isso tudo não é fácil. Estamos no meio de uma convulsão mental de grandes proporções. E antes de deitar vejo o caso do rico bêbado com seu Porshe, este atropelando e matando um entregador. Leio o que escreve Ricardo de Callis Pesce: “A CULPA É DA PORSCHE - Outro Porsche mata entregador que estava em moto. Este carro é um perigo para a sociedade. (...) A ideia é fazer uma triste ironia com a coincidência nefasta. Mas que ninguém se espante se as autoridades brasileiras afastarem a responsabilidades dos condutores dos veículos de luxo para atribuir a culpa...aos próprios veículos de luxo. Neste país, desde o bolo que iria crescer para depois ser dividido, nada é impossível. (...)

INSTITUIÇÕES RACISTAS E SUBSERVIENTES A RICOS - Depois do caso Porsche, PMSP invade casa de negro, agride-o e a seu pai cadeirante. (...) Depois das mesuras dispensadas ao assassino do Porsche, PM do Tarcísio vai a bairro pobre de Piracicaba e "manda" morador pobre e negro sair de frente do portão de sua casa. Assim, sem mais, nem menos. O morador se recusou e foi agredido. Entrou em casa para se refugiar, mas foi seguido pelos PMs que continuaram com a agressão. Diante dos protestos do pai cadeirante da vítima, o agrediram também. As cenas foram tão fortes e revoltante que Andréia Sadi fez cara de ódio. Como nas notícias de estupro”.

Fiz questão de juntar tudo num mesmo texto. Podem me dizer – e com razão – que, fatos assim, sempre ocorreram. Sim, porém hoje se proliferam mais facilmente. Falem o que quiserem de esquerdistas e coisa e tal, mas nestes todos, a mentalidade de perversidade reinante no bolsonarismo está presente. Tem um amigo que, ao se deparar com algo desta natureza, crava no alvo: “Não erro uma. Tudo bolsonarista”. No caso da PM, pode perceber que, quando um governo dito de esquerda ou mesmo mais liberal no poder, ela é contida e atua mais dentro das tais “quatro linhas”. Vejo o mesmo ocorrendo hoje na Argentina. Com a chegada de Milei, a Gendarmeria atua de forma escandalosamente violenta e a reprimir o povo em tudo, algo contido quando dos governos peronistas. Paras mim, não tenho a menor dúvida: a Direita é um perigo sem tamanho, inclusive para a mentalidade das pessoas mais influenciáveis.

ENQUANTO ISSO, EIS COMO CUBANO REAGE AS PROVOCAÇÕES...
COPIADO DE UM AMIGO EU AMO!!!!!
Em uma agência de viagens enquanto esperava ser atendido... Um cara vem e pergunta de onde eu sou, eu respondo, cubana, e diz: País de ditadores, prostituição, corrupção e crime.
Eu digo-lhe, você é delinquente? Me diz "não", por que? Pergunta-me.

Digo-lhe porque se fosses uma pessoa culta me dirias, terra de: o mais universal dos cubanos; José Martí, de Nicolás Guillen, José Ángel Buesa, Eliseu Diego, José Lezama Lima, Dulce Maria Loynaz, Gertrudis Gómez de Avellaneda, José Maria Heredia e Alejo Carpentier.
Terra de: Amelia Peláez, Roberto Fabelo, Wilfredo Lam, Carlos Enríquez, Antonia Eiriz, Victor Manuel García, Pedro Pablo Oliva e Manuel Mendive.

Se você fosse um atleta me diria, terra de: Martin Dihigo único jogador de basebol a estar no Hall da Fama de três países diferentes: Cuba, México e EUA. José da Caridade Mendes, Javier Sotomayor recorde mundial em salto alto. Alberto Juantorena único atleta a ganhar ouro olímpico em 200m e 400m na mesma olimpíada, Kid Chocolate, José Raúl Capablanca primeiro Latino a vencer o campeonato mundial de xadrez e vencê-los todos de 1921 a 1927. Luis Tiant, Teófilo Stevenson 3 vezes campeão olímpico de boxe. , Ivan Pedroso e Orlando “El Duque” Hernández.

Se fosses músico dirias-me, terra de: Miguelito Cuni, Cachao criador do Mambo, Dámaso Perez Prado primeiro Latino a estar 15 semanas consecutivas no #1 do Hit Parade nos EUA. Celia Cruz, Arsenio Rodriguez, Henrique Jorrin criador do Cha Cha Cha. Ernesto Lecuona, Silvio Rodriguez, Juan Formell, Bola de Neve, Omara Portuondo, Elena Burke, Pablo Milanés, Arturo Sandoval, Chucho Valdez 6 vezes vencedor do Grammys America e Beny More.

Terra do: Son, a Rumba, o Mambo, a Guaracha, o Cha Cha Cha, o Bolero, o Danzon, a Nova Trova, o Guaguanco e o Filin.
Terra de: Desy Arnaz primeiro Latino na Televisão nos EUA, Carlos J Finlay descobridor da vacina para a febre amarela, de Esteban Bellan primeiro jogador de basebol latino nas Grandes Ligas e de Ramon Fonts primeiro latino a ganhar medalha de ouro olímpica
Falar-me-ias sobre o tabaco dele, o açúcar, o rum, as praias, as paisagens e o povo dele.
Sarahi Sanchez.

e algo dos que lutaram a vida inteira
NADA COMO REVIVER ALGO DA VERVE DE BORDINI
Em dezembro de 1989, segundo turno, com 46,96% dos votos válidos, as forças imperialistas e burguesas derrotaram a gente na primeira eleição pós Constituição Cidadã de 88, perdendo Lula e vencendo Collor. Veja, aqui, o que o grande Camarada José Ricardo Bordini mandou ver no espaço do leitor do jornal Diário de Bauru. Uma missiva dessas inesquecíveis, entrando para a história, com aqueles posicionamentos que todo homem dito de esquerda tem que ter. Vale o registro, deixando bem claro quem foi o grande Bordini.

terça-feira, 2 de abril de 2024

CHARGE ESCOLHIDA A DEDO (205)


primeiro uma historinha
CONVIVENDO COM A DIFICULDADE
Estava hoje com amigo morando num bairro dos mais populares destas plagas. Precisou ontem de uma grana, que não tinha, para pegar o ônibus hoje cedo e ir ao hospital. Deu a volta no quarteitão ontem à noite e conversando, mais de um disse que o ajudaria. Daí, na conversa de hoje me disse: "Por aqui onde moro meus vizinhos não me deixam na mão. Eu sempre que posso ajudo outros e eles fazem isso comigo. Um sente e vivencia o problema do outro".

Isso tudo me cala sempre muito fundo. Junto o ouvido com outra história, essa ouvida na semana passada. Estava esperando ver como a podia encaixar num texto. A junção se deu neste momento. Outro amigo me contava da dificuldade vivenciada por todos os moradores onde mora. A quadra inteira passa, cada um ao seu modo e jeito com alguma dificuldade, uns menos, outros muito mais. Dizia que, um destes, desempregado até outro dia, consegue um emprego e como primeira atitude compra arroz e distribue para todos, leva de casa em casa.

Ele faz, age assim, mas quando perguntado tem grande dificuldade em falar a respeito. Até por achar sua atitude algo natural, o que, acredita, todos fariam, não somente ele. Faz e age assim por ser amigo, entender o que se passa com todos. Converso sobre isso com outro amigo, este morando num bairro de classe média, o Jardim América. "Por aqui, nada disso acontece. Eu, pra começo de conversa mal conheço meus vizinhos. Ou melhor, nos conhecemos, mas cada qual na sua, sem fazer nenhuma questão de saber ou vivenciar o que o outro passa. Um pode estar com um carro novo e o outro com um velho, mas ninguém se aproxima do outro e quando questionado, o do carro novo acha que tudo o que conquistou foi obra sua, individual, que não tem importância nenhuma o fato de seu filho ter estudado em escola pública, de não ter mais que comprar seus remédio pra diabetes, pois continua criticando o atual governo com todo ímpeto possível. A meritocracia aqui se faz presente em tudo", conta.

Não que o primeiro exemplo, o do cara que comprou arroz e distribuiu para seus vizinhos possui isso bem resolvido em sua cabeça, mas diante de tudo, vejo cada dia mais latente: estes sacam muito mais que os da classe média quem são seus algozes e quem faz algo em prol de o beneficiar. Este meu amigo ainda me disse: "Eu desisti de conversar com os aqui à minha volta e até para ir no botequim tomar uma cerveja, prefiro fazê-lo num botequim mais popular. As conversas são mais saudáveis".

Comentário posterior de VERA MARIA CRUZ: "Eu estava em frente a UPA do Geisel com meu sobrinho, um senhor pediu um cigarro, meu sobrinho disse que também não tinha, alguns minutos depois voltou com 2 cigarros e deu um para meu sobrinho. Fiquei muito emocionada, mas sempre foi assim, humildade e solidariedade são pleonasmo".

Ó MESMO UMA DESSAS EXPLICAÇÕES TIRADAS DO FUNDO DO BAÚ PARA JUSTIFICAR O QUE SE VÊ NESTA FOTO
E ela existe?
HPA perguntando?

pra finalizar outra historinha
A BESTA HUMANA FOI MEXER LOGO COM QUEM...!
Em 1966, o apresentador de televisão original e conflituoso (que tinha uma perna de pau) chamado Joe Pyne entrevistou Frank Zappa. 

Logo de início, na sua habitual forma agressiva e insultuosa, Pyne pergunta:

"Então, Frank, tens cabelo comprido. Isso faz de ti uma mulher?".

Zappa ripostou:

"Então, Joe, tens uma perna de pau. Isso faz de ti uma mesa?". 

Abafa abafa!"

segunda-feira, 1 de abril de 2024

COMENDO PELAS BEIRADAS (143)


FAZENDO FIRULA*
* Ainda não engrenei a contento na semana. Creio,  precisarei pegar no tranco.

ALGUMA DÚVIDA? AINDA MAIS POR SER HOJE O FATÍDICO DIA DA MENTIRA...

SAUDOSAMENTE TENTANDO DISSECAR UMA FOTO
De todos dentro desta "barca" com destino para um dos dias do Festival de Águas Claras, consegui identificar três pessoas, todas muito queridas e até hoje na lida e luta. Posto a foto após ouvir de meu primo Beto Grandini na porta do estádio Alfredo de Castilho, a conhecida frase para demonstrar ter pulado para o outro lado: "Até os 18 anos é compreensível você ser de esquerda, mas depois...". Isso me arrepia dos pés à cabeça e só demonstra a fragilidade onde estamos nos sustentando, ou ao menos, alguns, como ele, por exemplo.

Olho para a foto e vejo o PH, recentemente falecido e até seus últimos dias de vida, sem tirar nem por, agindo do mesmo jeito de sempre. Foi um sonhador uma vida inteira e assim tocou sua vida, sem máculas, ou seja, alguém consegue dizer algo de ruim do querido PH? Só se for muito do besta. Em pé, ao lado da perua, o Silvio Luiz Vieira, maridão da Elizeth, que trabalhou comigo nos meus tempo de Cultura municipal. Silvão está por aí, sem grandes alterações, a não ser as provocadas pela inexorável passagem dos anos. Depois, sentado e com o mesmo sorriso de sempre, muito mais magro, o Zé Vinagre. Zé é uma figura muito especial em minha vida e este tem histórias mil para contar. Seu envolvimento com a arte começa muito cedo, como se vê na foto e não mais parou. Ele e os demais nunca ousariam falar em alto e bom som a frase dita pelo primo Beto.

Só por terem tido o prazer de ter ido de perua kombi no melhor festival que este país já ousou um dia realizar, já são merecedores de todos apupos e considerações. Sentar com eles e rever suas histórias, regadas com um bom chopp é pra delirar sem tirar os pés do chão. São essas fotos que me fortalecem e me conduzem adiante, sem medo de continuar sendo o que sempre fui e sem nunca ousar mudar de lado e depois, pior que tudo, desdizer de onde um dia militei e estive.

EU FICARIA OUVINDO A CONVERSA DE ALDIR BLANC O DIA INTEIRO
'Cerveja ou limão da casa?' | Aldir Blanc reflete sobre a vida em entrevista de 2016, para o jornal O Globo. Eis o link: https://www.youtube.com/watch?v=VkpDxaXk21s
Uma conversa como essa me envolve, me absorve por inteiro. Para tudo para ouvir Aldir Blanc. Como faz bruta falta gente como este cidadão. Admiração é pouco para demonstrar o que sinto por quem pensa e age desta forma e jeito. Ah, pudesse ter o mesmo procedimento!!!

"Quando o sujeito começa a ser achar ele perde. (...) Meu pai me ensionou algo, pois ele também era doutor. Chegava no botequim, o cara detrás do balcão lhe abordava: Vai ser cerveja ou limão da casa, doutor?", diz.

ATENÇÃO REDOBRADA