sexta-feira, 17 de julho de 2015
DICAS (1348)
O SAMBA QUE NASCE EM BAURU - REPENSANDO O SAMBÓDROMO Na última quarta, 15/07, fui convidado pela professora de Arquitetura, a Kelly Magalhães, para participar de uma mesa de discussão na disciplina Laboratório de Arquitetura, Urbanismo e Paisagismo, no campus da Unesp Bauru para falar sobre o SAMBA em BAURU e cujo título é o desse texto. E qual o motivo disso? Ela propôs para seus alunos uma intervenção no SAMBÓDROMO, com algo mais palatável, não só para o sambista, mas também para o público. Levou seus alunos ao local e lá eles em contato com moradores produziram vídeos dessa interação. O passo seguinte foi esse, o de tomar conhecimento de onde e como flui o samba na cidade. É evidente que, ciente de minhas limitações, aceitei mas não fui só. Levei comigo um trio da maior responsabilidade, todos de um famoso agrupamento, o Quintal do Brás (todo 1º de Agosto e agora também no 1º de Maio abrilhantam a festa lá no Vitória Régia): Ivo Fernandes, também responsável pelo Coletivo Samba, Anderson Silveira, o Gordo, percursionista de mão cheia e Anderson de Paula, o Lemão, batuta no cavaquinho. A deixa inicial antes de passar a palavra para eles, com uma classe lotada, mais de 40 alunos, foi mais ou menos assim. Começo perguntando quantos são de fora de Bauru e mais de 90% da classe levanta a mão:
“Sou casado com uma carioca. Ela aqui chegou pouco mais de seis anos. Uma fala dela da época jamais foi esquecida por mim: ‘O que que tem para se fazer nessa cidade?’. Senti ali uma provocação, algo bem no espírito de quem sai de um grande centro urbano e acha que vai se decepcionar com o lugar onde está aportando. Ana, esse seu nome, se repetir hoje a pergunta, sei que sabe muito bem onde flui a cultura popular na cidade e me desfiará um longo rosário de lugares, pessoas e com agendamento para permanência nas ruas de segunda a segunda. E em muitos lugares citados por ela, com certeza, o SAMBA estará presente na maioria deles. Espero que todos vocês já tenham conhecido um bocadinho do que de fato ocorre nessa cidade e nem sempre recebe o tratamento adequado de divulgação. Conhecer tudo, só mesmo caminhando pelas beiradas bauruenses.
Fico orgulhoso de vê-los, todos estudantes de Arquitetura e interessados em algo do Samba e dos sambistas bauruenses. E contente estou de tomar conhecimento disso estar sendo discutido em sala de aula, dessa união de uma obra arquitetônica, o traço que levanta a peça de concreto e pensando naqueles que dela vão fazer o usufruto. É tudo o que se faz necessário, uma construção pensada com e junto com seus participantes. Algo fluindo e sendo parido dessa irmandade de interesses só pode ser algo proveitoso. Vejo nascendo aqui algo novo dentro da concepção do Sambódromo de Bauru, o segundo do país. Nada sei de quem idealizou a obra, se foi só um aproveitamento de um buraco, um vazio urbano ali existente, mas sei de alguma coisa de quem por lá festeja e do muito que pode ser concebido pela mente criativa de gente disposta a, não só colaborar, mas atuar junto e melhorar o que já existe. Que o resultado disso possa ser entregue para os administradores municipais num evento grandioso, com muito samba e conseguindo sensibilizar a tudo e todos.
Por fim, algo do bairro onde ele está levantado, o Geisel, infelizmente nome de um ditador, mas reduto de um dos mais antigos e nobres conjuntos habitacionais, eminentemente de trabalhadores e de muito samba no pé. Lá estão fincadas duas escolas de samba e infinidade de gente ligada não só a essa festa, mas a música de uma forma geral. Peço um aparte e lhes pergunto quem aqui conhece GUILBERTO CARRIJO? (ninguém se manifesta). Pois bem, esse senhor dá nome ao Sambódromo e trata-se de uma pessoa cuja vida esteve intimamente ligada ao Carnaval, tendo participado de muitas escolas, sambado em outras tantas e foi um dos grandes incentivadores na formação de adoradores do samba na cidade, dentre os quais me incluo, pois fez durante décadas excursões levando bauruenses para conhecer o Carnaval carioca e seus redutos mais famosos, como o Bola Preta e o Cacique de Ramos. A professora Kelly demonstra estar no caminho mais do que certo em introduzir vocês nas questões do samba, conhecer o bairro onde o Sambódromo está localizado e só a partir dessa vivência começar a fluir algo transformador naquela região. Inciativas como essa não podem ficar intramuros e sim, remodelarem a cidade. Nosso parque Vitória Régia, local dos grandes shows da cidade não possui um palco fixo para abrigar esses eventos, pois a concha do local não suporta o grande público. E por que não isso surgir de algo vindo de vocês, ali, no Parque das Nações ou mesmo no Sambódromo. Muita coisa pode fluir da mente de vocês e ser incorporada pela cidade. Mãos a obra”.
Falei mais, apresentei os três, eles deram uma aula sobre o samba, suas vertentes, estilos, locais na cidade onde ele flui, nossas escolas e por fim tocaram e cantaram. Nem preciso dizer que encantaram a todos e só fomos embora após uma longa conversação ao final de tudo, com direito a bis e muita conversa paralela. Rolou até uma passagem de chapéu para os músicos, quando também falamos sobre a valorização do músico, algo ainda incipiente. Queria que o Ivo e dois Andersons, se pudessem, escrevessem um pouco do que foi aquele encontro e da expectativa criada com o que foi ali plantado. Valeu o convite, focamos algo com grande poder atrativo e colocamos algumas minhocas a mais na cabeça de todas e todos. Fizemos bem nossa parte.
quinta-feira, 16 de julho de 2015
BEIRA DE ESTRADA (50)
A TRANSEXUAL CRISTIANE FOGE DOS GUETOS*
*Saiu nessa segunda, 13/07 a nova edição da AZ, a de Julho 2015 e nela mais um texto de minha lavra, o quinto deles, abaixo reproduzido:
Essa cidade pode ser abordada de diversas maneiras, modos e jeitos. Cada personagem nela vivendo, representa um segmento e na junção de um com o outro, a formatação do que venha a ser essa nossa aldeia. Não quero escrever da cidade num todo, de efemérides, episódios, grupos políticos e sim, de uma personagem bem típica, digna representante do momento atual. Ela foi escolhida a dedo, pois segundo consta, representa um segmento marginalizado, oprimido, perseguido e também injustiçado. Seria isso mesmo? Ao me deparar em como ela encara a si mesmo e o seu papel num todo, eis uma nova possibilidade. Uma abordagem apresentada numa outra vertente. Ótimo, era o que necessitava para discutir Bauru (e por que não o país?).
Cristiane Ludgero, 32 anos é transexual. Conquistou seu nome feminino, de papel passado e tudo, mas não se vangloria da situação, como se isso fosse a salvação da lavoura. Moradora da vila Nova Esperança, essa cabelereira, já tendo atuado em diversos salões da cidade, hoje só atende em sua casa ou a domicílio. Seu diferencial, o de não gostar nem um pouco de viver acuada por causa de sua condição. Foi Rainha da Diversidade no Carnaval bauruense desse ano, a única eleita duas vezes e segundo ela, a primeira transexual que teve seu nome feminino registrado em Cartório em Bauru. Um luxo só. Samba no pé não lhe falta, muito menos profissionalismo na profissão escolhida, mas nos últimos tempos e diante de acontecimentos dentro do meio LGBT, marca um posicionamento pouco usual, portanto, de vital importância ser divulgado e discutido.
“Sou contra a maioria dessas ONGs que dizem atuar em nossa defesa. Quanto mais classificam, mais desunem. A lei, a Constituição vale para todos no país e não se faz necessário criar nada especial em nossa defesa. A maioria deles se beneficia da situação e pouco nos ajudam. Somos todos seres humanos, com os mesmos direitos e deveres. E também discordo da propagação de rótulos, principalmente entre nós mesmos, com a repetição de termos como maricona, boy, trava ou mona. Somos todos de uma mesma classe. O que determina o ser humano é a sua capacidade, o seu potencial e não as suas opções. Os negros e os homossexuais precisam parar de sofrer com a síndrome do ‘alvo’. Achando que somos alvo em tudo, estigmatizamos demais nossa situação”, diz.
Polêmica? Sim. Mas não é isso o que quer. Quer mesmo é levar sua vida igual a qualquer outra pessoa e tenta fazê-lo, mesmo quando diante das tais adversidades. “Quanto mais me exponho, mais quero impor minha situação. Vejo muitos iguais a mim querendo se auto afirmar em cima de um direito natural. A exposição gratuita do corpo é uma forma de agressão a quem é contra e a intimidade deve ser feita a dois e em lugar apropriado”, conclui. Conservadora? Não, longe disso. Não quer é se vitimizar, faz o que tem que ser feito, sem também querer aparecer mais do que necessário. Antes da despedida pergunto: “Já sofreu algum tipo de preconceito?”. Sua resposta é a melhor forma para encerrar esse texto e demonstrar o quanto é necessário um melhor entendimento das diferenças, cada um tocando sua vida sem se preocupar com a do outro: ”Não sei, não presto atenção nas pessoas, apenas vivo”. Viver e deixar viver, eis a questão.
ALGO SOBRE A ENTREVISTA DO MÊS E MATÉRIA DE CAPA DA REVISTA – A AZ abriu possibilidade, numa nova entrevista ocorrida essa semana com o coronel Meira que, novas perguntas lhe fossem feitas. Indaguei isso aqui: “Não o vejo como nenhum salvador da pátria, até porque erra como todos os outros que se dizem querer enveredar pelo mundo da política. Inesquecível para todos nós, a pisada na bola quase na sua despedida como funcionário público. Enquanto lá dentro do sistema um posicionamento, agora aqui fora mais liberal e se dizendo atento aos clamores populares. Não entendo isso”. A íntegra da entrevista a revista vai publicar nos próximos dias e nela a sua resposta para essa indagação.
OUTRA COISA - ESSA É PARA QUEM GOSTA DE FUTEBOL DE VERDADE:
No Rio, na Livraria Travessa de Botafogo me deparo logo no balcão de entrada com uma revista que havia ouvido falar, já circulado pelo site, mas não a sentido com as mãos e olhos (peno em ler pela internet), a CORNER. "Uma nova proposta para ler, sentir, pensar o futebol. (...) Nós contamos as histórias que são deixadas de lado. Para Corner o roupeiro do 'Atlético Qualquer Coisa' revela tantas surpresas quanto o guarda-roupas de um multicampeão. (...) Liberdade de estilo, independência literária e profundidade de conteúdo são imprescindíveis. Escrevemos para quem tem vontade de refletir sobre a sociedade através do futebol. (...) A Corner é o futebol acima do jogo. É o futebol que se lê nas entrelinhas".
Viajei na maionese. Gostei demais da conta e trouxe comigo a número 1 (a revista é trimestral). Para quem quiser tomar conhecimento dessa bela proposta, cliquem a seguir no site e vejam os textos iniciais, todos belas reflexões sobre algo do campo de jogo e muito também do extra-campo, histórias simples, emaranhados de junções e possibilidades do encanto e da magia futebolística.
Não dou, mas empresto para os que não gostam muito de ler pelas telas do computador. Porém, exijo devolução. Faz parte do acervo permanente do Mafuá do HPA.
Cliquem a seguir e desfrutem: www.leiacorner.com.br
OUTRA COISA - ESSA É PARA QUEM GOSTA DE FUTEBOL DE VERDADE:
No Rio, na Livraria Travessa de Botafogo me deparo logo no balcão de entrada com uma revista que havia ouvido falar, já circulado pelo site, mas não a sentido com as mãos e olhos (peno em ler pela internet), a CORNER. "Uma nova proposta para ler, sentir, pensar o futebol. (...) Nós contamos as histórias que são deixadas de lado. Para Corner o roupeiro do 'Atlético Qualquer Coisa' revela tantas surpresas quanto o guarda-roupas de um multicampeão. (...) Liberdade de estilo, independência literária e profundidade de conteúdo são imprescindíveis. Escrevemos para quem tem vontade de refletir sobre a sociedade através do futebol. (...) A Corner é o futebol acima do jogo. É o futebol que se lê nas entrelinhas".
Viajei na maionese. Gostei demais da conta e trouxe comigo a número 1 (a revista é trimestral). Para quem quiser tomar conhecimento dessa bela proposta, cliquem a seguir no site e vejam os textos iniciais, todos belas reflexões sobre algo do campo de jogo e muito também do extra-campo, histórias simples, emaranhados de junções e possibilidades do encanto e da magia futebolística.
Não dou, mas empresto para os que não gostam muito de ler pelas telas do computador. Porém, exijo devolução. Faz parte do acervo permanente do Mafuá do HPA.
Cliquem a seguir e desfrutem: www.leiacorner.com.br
quarta-feira, 15 de julho de 2015
CENA BAURUENSE (136)
DUAS CARTAS NO JORNAL E O QUE PENSA A RESPEITO ESSE INTROMETIDO HPA – EU QUERO MAIS É "ESTRUPICIAR" ISSO TUDO À MINHA VOLTA...
CARTA 1: “MERCADÃO, NÃO! Concordo com as leitoras que escreveram não apoiando a ideia de instalar um mercadão na antiga estação da Noroeste. Aquele espaço é adequado para projetos culturais; audições de orquestras, teatro, exposições e outros. Senhores vereadores e secretários, visitem a Estação da Luz, em São Paulo, e algumas aqui por perto que já passaram por reformas e estão lindas, sendo motivo de orgulho para as cidades que investiram na recuperação das mesmas. A Academia Bauruense de Letras continua sem um lugar próprio para as reuniões, lembro-me que foi pleiteado um espaço na referida estação para tornar-se sede da mesma. Por favor, senhores, contenham as ideias mirabolantes, chega de estrupícios em Bauru, vamos aplicar bem os poucos recursos que temos”, Vera Maria Braz, publicada Tribuna do Leitor JC, em 14/07/2015
CARTA 2: “AVISO AOS NAVEGANTES - Sobre os livros de colorir... “Se eu quiser fumar eu fumo.../ ... se eu quiser beber eu bebo/ Eu pago tudo que eu consumo, com suor .../ ... de meu emprego/ Confusão eu não arrumo.../ ... mas também não peço arrego”. Lápis de cor... paz e amor... para quem precisa... tem gente que não precisa... ainda bem... o que seria do amarelo se todos gostassem do roxo? Eu já tenho cor... paz e amor, eu, para desestressar, preciso apenas de uma dose de campari... Se estou mal, minha terapia é vassoura... tanque e bombril... Amo ariar uma panela... (ah, antes que eu me esqueça..., sexo também é muito bom). Outra coisa, cuidar de animais, eu também acho curativo... Mas cada um é de um jeito... Se eu pegar um livro para colorir, eu infarto. Mas cada um com seu cada um. Tem muita gente colorindo... e ainda é cedo para avaliar o poder dessa arteterapia. Mas o poder do estado meditativo que a arte proporciona... ahhh... esse eu sou testemunha. Enfim... não existem regras... Pobreza cultural? Acho leviano... argumentação rasa. O importante para mim, o ‘’útil’’ para mim, é fazer... criar e ajudar...ponto com ponto br. Sem mais...hasta!”, Viviane Mendes, publicado na Tribuna do Leitor em 13/07/2015.
MEUS SINCEROS PITACOS: Vamos por partes, como fazia Jack, o Estripador.
DA CARTA 1, posso até achar que a estação não seja o lugar mais adequado para receber o tal Mercadão Municipal, pois sempre defenderei sua instalação no galpão abandonado ali defronte a Feira do Rolo, na rua Julio Prestes. Seria ótimo ali para revitalizar toda a área, quando a Estação da Cia Paulista estiver toda restaurada e com os seus museus em pleno funcionamento. Não sei dos motivos de ignorarem isso, já que o Memorial da Indústria idealizado pelo Malandrino não deu certo. Na impossibilidade dele ocorrer lá, não vejo nada de ruim em ser instalado e já na Estação da NOB, praça Machado de Mello, como tudo o que vem ocorrendo por lá, com as ocupações culturais em curso. Os ESTRUPÍCIOS de Bauru são bem outros e a missivista está, talvez até sem o querer, contribuindo preconceituosamente em favor dos que não querem misturar algo popular com Cultura. Seria isso? Se o em curso for considerado por esses como ESTRUPÍCIO, pronto, a cidade precisa urgentemente ser mais e mais estrupiciada. Bauru está sendo pouco estrupiciada e necessita de mais estrupiciadores e estrupiciamentos. Que eles ocorram e sejamos todos estrupiciados o mais urgentemente possível. E unir Cultura com algo popular é tudo o que precisamos. É para quando mesmo? Ontem, que bom!
DA CARTA 2: Viviane Mendes é uma das ESTRUPÍCIADORAS oficiais dessa varonil terrinha branca, fácil para o esburacamento e senilidade precoce de mentes. Seu livrinho (nada pejorativo no diminutivo, pois o vi fino e achei que deveria ser grosso), que deveria ter merecido consideração minha antes da publicação e por falta de tempo não o fiz, o vejo agora na Banca da Hilda, lá defronte o original e verdadeiro aeroporto de Bauru e me encanto. Dizem que os livros de pintura estão sendo a salvação da lavoura de muitas editoras, pois infestam bancas país afora. Colorir o mundo é de um estrupiciamento sem fim, talvez pouco entendido por alguns, que o consideram algo menor. Se querem saber, compro hoje uma caixinha nova de lápis de cor e começo já a pintar um que ainda comprarei lá da Hilda e depois pego autografo da dona do original ESTRUPÍCIO, a artista que idealizou algo surpreendente defronte seu portão e não foi entendida por muitos. Desde quando fazemos coisas para serem entendidas? Nada contra os livros de pintura. Já me vejo aqui no meu mafuá, diante de um dia tenso, daqueles estrupiciantes, sacando do meu e pintando um pouco até passar a tensão, baixar a pressão, daí misturo tudo com alguns goles de cevada gelada, meto o pé na jaca, beijo a Ana, afago meu cão, coço a saco e tento continuar na maré meio mansa, meio tensa que é minha vida. Adoro quando incomodamos, ótimo sinal, a de que os objetivos estão sendo alcançados. Pintar, bordar, coser, tecer, roer, fuder, amar... Precisamos mais e mais de gente mijando fora do penico. Esse mundo é muito chato quanto tudo fica pasteurizado.
Teria mais para escrever, pois vejo que estão propondo acabar com os limpadores de para-brisas nos sinais de trânsito, após alguns assaltos desses pela aí. E os demais, como resolveríamos? Da mesma forma? Tudo seria sacramentado num ato decidido pelo Legislativo local. Imaginem só se isso for aprovado? Os limpadores de sinal seriam todos caçados pelas ruas e na sequência, os guardadores de carro, os catadores de papel, os que dormem nos bancos das praças, os pedintes das portas e tudo o mais. Carlos Lacerda, udenista carioca, denominado na época em que governava o Rio de Janeiro como “O Corvo”, anos 60, certa vez dizem ter feito o mesmo com os mendigos que infestavam as ruas cariocas e poluíam o lindo visual carioca. Sabe o que fez? Jogou-os todos no rio Gandhu, que corta a Baixada Fluminense. E assim limpou a cidade. Seria essa a intenção e ainda não saquei bem a coisa?
Tenhamos tudo, todas e todos uma bela de uma quarta feira...
CARTA 2: “AVISO AOS NAVEGANTES - Sobre os livros de colorir... “Se eu quiser fumar eu fumo.../ ... se eu quiser beber eu bebo/ Eu pago tudo que eu consumo, com suor .../ ... de meu emprego/ Confusão eu não arrumo.../ ... mas também não peço arrego”. Lápis de cor... paz e amor... para quem precisa... tem gente que não precisa... ainda bem... o que seria do amarelo se todos gostassem do roxo? Eu já tenho cor... paz e amor, eu, para desestressar, preciso apenas de uma dose de campari... Se estou mal, minha terapia é vassoura... tanque e bombril... Amo ariar uma panela... (ah, antes que eu me esqueça..., sexo também é muito bom). Outra coisa, cuidar de animais, eu também acho curativo... Mas cada um é de um jeito... Se eu pegar um livro para colorir, eu infarto. Mas cada um com seu cada um. Tem muita gente colorindo... e ainda é cedo para avaliar o poder dessa arteterapia. Mas o poder do estado meditativo que a arte proporciona... ahhh... esse eu sou testemunha. Enfim... não existem regras... Pobreza cultural? Acho leviano... argumentação rasa. O importante para mim, o ‘’útil’’ para mim, é fazer... criar e ajudar...ponto com ponto br. Sem mais...hasta!”, Viviane Mendes, publicado na Tribuna do Leitor em 13/07/2015.
MEUS SINCEROS PITACOS: Vamos por partes, como fazia Jack, o Estripador.
DA CARTA 1, posso até achar que a estação não seja o lugar mais adequado para receber o tal Mercadão Municipal, pois sempre defenderei sua instalação no galpão abandonado ali defronte a Feira do Rolo, na rua Julio Prestes. Seria ótimo ali para revitalizar toda a área, quando a Estação da Cia Paulista estiver toda restaurada e com os seus museus em pleno funcionamento. Não sei dos motivos de ignorarem isso, já que o Memorial da Indústria idealizado pelo Malandrino não deu certo. Na impossibilidade dele ocorrer lá, não vejo nada de ruim em ser instalado e já na Estação da NOB, praça Machado de Mello, como tudo o que vem ocorrendo por lá, com as ocupações culturais em curso. Os ESTRUPÍCIOS de Bauru são bem outros e a missivista está, talvez até sem o querer, contribuindo preconceituosamente em favor dos que não querem misturar algo popular com Cultura. Seria isso? Se o em curso for considerado por esses como ESTRUPÍCIO, pronto, a cidade precisa urgentemente ser mais e mais estrupiciada. Bauru está sendo pouco estrupiciada e necessita de mais estrupiciadores e estrupiciamentos. Que eles ocorram e sejamos todos estrupiciados o mais urgentemente possível. E unir Cultura com algo popular é tudo o que precisamos. É para quando mesmo? Ontem, que bom!
DA CARTA 2: Viviane Mendes é uma das ESTRUPÍCIADORAS oficiais dessa varonil terrinha branca, fácil para o esburacamento e senilidade precoce de mentes. Seu livrinho (nada pejorativo no diminutivo, pois o vi fino e achei que deveria ser grosso), que deveria ter merecido consideração minha antes da publicação e por falta de tempo não o fiz, o vejo agora na Banca da Hilda, lá defronte o original e verdadeiro aeroporto de Bauru e me encanto. Dizem que os livros de pintura estão sendo a salvação da lavoura de muitas editoras, pois infestam bancas país afora. Colorir o mundo é de um estrupiciamento sem fim, talvez pouco entendido por alguns, que o consideram algo menor. Se querem saber, compro hoje uma caixinha nova de lápis de cor e começo já a pintar um que ainda comprarei lá da Hilda e depois pego autografo da dona do original ESTRUPÍCIO, a artista que idealizou algo surpreendente defronte seu portão e não foi entendida por muitos. Desde quando fazemos coisas para serem entendidas? Nada contra os livros de pintura. Já me vejo aqui no meu mafuá, diante de um dia tenso, daqueles estrupiciantes, sacando do meu e pintando um pouco até passar a tensão, baixar a pressão, daí misturo tudo com alguns goles de cevada gelada, meto o pé na jaca, beijo a Ana, afago meu cão, coço a saco e tento continuar na maré meio mansa, meio tensa que é minha vida. Adoro quando incomodamos, ótimo sinal, a de que os objetivos estão sendo alcançados. Pintar, bordar, coser, tecer, roer, fuder, amar... Precisamos mais e mais de gente mijando fora do penico. Esse mundo é muito chato quanto tudo fica pasteurizado.
Teria mais para escrever, pois vejo que estão propondo acabar com os limpadores de para-brisas nos sinais de trânsito, após alguns assaltos desses pela aí. E os demais, como resolveríamos? Da mesma forma? Tudo seria sacramentado num ato decidido pelo Legislativo local. Imaginem só se isso for aprovado? Os limpadores de sinal seriam todos caçados pelas ruas e na sequência, os guardadores de carro, os catadores de papel, os que dormem nos bancos das praças, os pedintes das portas e tudo o mais. Carlos Lacerda, udenista carioca, denominado na época em que governava o Rio de Janeiro como “O Corvo”, anos 60, certa vez dizem ter feito o mesmo com os mendigos que infestavam as ruas cariocas e poluíam o lindo visual carioca. Sabe o que fez? Jogou-os todos no rio Gandhu, que corta a Baixada Fluminense. E assim limpou a cidade. Seria essa a intenção e ainda não saquei bem a coisa?
Tenhamos tudo, todas e todos uma bela de uma quarta feira...
terça-feira, 14 de julho de 2015
MEMÓRIA ORAL (183)
OLARIA 100 ANOS – POR QUE ESSE CLUBE DEU TANTO CERTO, CONTINUA LOTANDO E QUASE SEM PROBLEMAS? A notícia não saiu em muitos lugares, mas deu para notá-la e me encher de curiosidade quando um colunista esportivo, o ex-jogador Afonsinho citou o fato em sua matéria semanal para a revista semanal Carta Capital, “Olaria, 100 Anos” e de lá extraio um algo mais para me fazer numa curta estada no Rio pensar em subir até o subúrbio do mesmo nome e escrever algo desse clube e time de futebol agora centenário: “Minhas aventuras no clube proletário por onde passaram Garrincha e Romário”. Aquilo me instigou, pois o Olaria Atlético Clube (www.olariaatleticoclube.com.br), fundado em 1° de julho de 1915, possui um algo mais, indo muito além desse centenário. Tradicional clube do subúrbio carioca, com sua história toda dentro de uma concepção de prestar serviço para a comunidade à sua volta, distante alguns bons quilômetros da zona sul carioca e tendo como melhor meio de locomoção para chegar até o centro, ainda os trens, hoje comandados pela Super Via. Um domingo com muito sol, após uma semana um tanto nublada e até fria, quando muitos se encaminham no caminho oposto, em direção ao mar, entro na estação São Cristovão, próxima ao Maracanã e me dirijo para conhecer e aqui revelar um pouco dessa instigante história.
São Cristovão é uma estação ainda sem a devida nova cobertura e com o escaldante sol das 11h procuro uma sombra para aguardar o trem com destino a Saracuruna. Debaixo de uma placa com o nome da estação algumas pessoas e dentre elas, busco informação detalhada do meus destino. Duas simpáticas senhoras, Cremilde e Maura (ambas se recusam a me informar suas idades) se alegram a ouvir meu interesse pelo lugar onde moram e além de me darem todas as informações, dizem que me acompanharam até bem pertinho da sede. “Somos conhecidas por lá? Pergunte para o Pintinho (o presidente) que ele nos conhece. Ele é muito querido no bairro, já foi presidente outras vezes e vai gostar de ver como o Olaria surpreende, pois é uma espécie de primo rico entre os pequenos do Rio de Janeiro. Se você acha que vai encontrar algo modesto, vai levar um susto. Se o Pintinho estiver por lá, ele lhe contará tudo”, foi o que me disseram. E cumpriram o prometido, descemos na estação de Olaria, atravessamos a rua e elas me indicaram direitinho: “Siga quatro quadras aqui beirando a linha e desça à direita mais uma. Não tem como errar”.
Não errei. A fachada é grandiosa, todas nas cores do time, azul marinho e branco, com o nome do lá no alto em letras destacadas, “Complexo Sócio Cultural Esportivo Augusto Pinto Monteiro”. Um barulho que se ouvia de longe dizia estar tendo algum jogo por lá. Entro e o porteiro Ivan Andrade, 48 anos me explica algo assim: “Que jogo quer assistir, pois hoje tem três ocorrendo ao mesmo tempo?”. Boquiaberto e sem saber a qual deles me dirigir, perguntei por todos: “No campo principal o sub 17 joga com o Queimados, antes teve o sub 15, no campinho do lado o Fraldinhas também joga e na quadra poliesportiva tem algo que sempre acontece por aqui, jogos de outros times, hoje um de futsal entre a garotada do Flamengo e do Fluminense. O final de semana é sempre assim, aqui ferve”. Olho para a frente e vejo um bar lotado de gente e resolvo perguntar se ocorre algum problema nas dependências do clube, os populares entreveros. Sua resposta: “Aqui dentro nunca. Tenho 22 anos de clube, antes trabalhava no bar e te afirmo, aqui é tudo uma grande família. Só para ter uma ideia, nem baile funk tem aqui, já teve coisa de uns dezoito anos atrás”.
Nisso quem passava por ali era o vice presidente, o Gaúcho, um simpático senhor nascido em Porto Alegre, 59 anos, alto, magro e bom de conversa, seu nome Roberto Elustondo. Descubro ser uma espécie de faz tudo no clube e quando o instigo sobre isso, algo sai naturalmente como resposta. “O que mais vai encontrar aqui são pessoas abnegadas, que se dedicam ao Olaria, estão aqui empregados, mas fazem o que gostam. Somos um time fora e dentro de campo”. Diante da sala de troféus, faz questão de mostrar especialmente um, o do famoso título de 1961, quando o Olaria conquistou a Taça de Bronze do futebol brasileiro, orgulho de todos por ali. Com o jogo em andamento lá no estádio ele precisa ir até lá, mas antes me leva até para espiar a contenda entre os dois famosos rivais lá no ginásio, jogo pegado e bem dentro do clima entre dois pesos pesados do futebol carioca. De um lado torcedores do Flamengo e do outro do Fluminense e separando tudo, o pessoal do Olaria e da comunidade local. Uma vibração incontida e tudo muito bem organizado.
Sou apresentado ao sr Pintinho, nada menos que Augusto Pinto Monteiro, 67 anos, de bermuda e como me disse depois, circulando por tudo, querendo saber dos resultados todos. Vamos juntos assistir o final do jogo no estádio (Olaria ganhou de 3 x 0) e pra começo de conversa me diz: “Devia ter vindo ontem, pois nossa festa com o jogo entre a Seleção dos Amigos do Romário e Bebeto jogou contra a Seleção dos nossos veteranos. Perdemos de 2x1 com um gol do Romário para cada time, pois jogou cada tempo de um dos lados”. Na sequência lhe pergunto sobre sua trajetória e algo disso do Olaria destoar dos demais ditos pequenos e intermediários, pois tudo ali demonstra o contrário do que ocorre por aí, quebradeira e dificuldades. “Estou no Olaria desde 1958, na Diretoria desde 75, vice por 9 anos e 15 como presidente, já com cinco mandatos. Sou cria daqui, morei aqui perto desde garoto. Isso que você vê aqui é possível por causa do trabalho com amor. O Olaria vive hoje do seu quadro social, onde já tivemos 15 mil sócios e hoje temos 6 mil e em dia, mais aluguéis, um restaurante, posto de gasolina e um único patrocinador, a Papelex. Nossa folha de pagamento do profissional não passa de R$ 120 mil reais mês. Nós não somos time de Série B, mas de A. Vamos voltar em breve. O grande furo é quando somos obrigados a apostar em valores que são de fora. Um clube que não tem base não tem nada e isso nós temos, estamos em todas as categorias”, conta justo na hora que a garotada faz mais um gol.
Prossigo lhe ouvindo: “Somos campeões de Juniores, o sub 20 carioca do ano passado e nesse ano para não repetir a dose teremos que perder quatro jogos, o que não vai acontecer. O que mais me dói com tudo que fazemos é ver que a Vigilância nos perturba, o Bombeiro também, as liberações são uma luta, enquanto jogamos pelo interior e lá tudo é permitido. Isso aqui dá muito orgulho para todos, pois o lazer da periferia é aqui, o sujeito desiste de enfrentar quatro horas para ir à praia, com pedágio, estacionamento caro, gastando muito. Aqui ele tem tudo, pois isso estamos sempre cheios”. Tento lembrar com ele alguns dos tantos craques que passaram pelo Olaria nesse centenário e ele com muita preocupação de esquecer de alguém significativo: “Romário, Afonsinho, Aílton, Arouca, Jair Pereira, Gonçalves, Jorginho, Marco Aurélio e tantos outros”. O jogo acaba e ele quer descer para abraçar os garotos e descubro lá no alto da arquibancada um senhor meio que isolado e resolvo descobrir quem seja.
Seu Lourenço Nunes dos Santos, 73 anos, metalúrgico aposentado é figura conhecida no Olaria e tudo por causa do neto, Vitor, que havia jogado na primeira partida, lateral esquerdo, desse de encantar os olhos, me disse o avô coruja. Sua história é para ser mesmo destacada. Sai quase diariamente de Belfort Roxo e traz o neto de ônibus todo dia, ida e volta, para o mesmo treinar e o assiste em cada momento. “O pai já jogou bola, hoje é soldado da PM aqui no bairro, está sempre de serviço e eu trago o garoto de segunda a sexta e em dias de jogos. Estuda à tarde na 8ª série e de manhã são quase duas horas para vir e outras para voltar, ônibus Bonsucesso/Nova Aurora, mas o garoto que já jogou em alguns time na Baixada, mesmo com alguns times grandes o querendo, o pai preferiu trazê-lo para cá por causa da boa estrutura. Lá no bairro onde moramos o projeto é para tirar os meninos da rua e aqui é outra coisa, tem muito olheiro. Aonde esse menino for esse avô aqui vai junto, pois como já joguei bola, sei que ele precisa de cabeça fria e vai dar certo no mundo da bola”, revela cheio de emoção.
De lá, Gaúcho passa novamente por mim e quer que conheça uma espécie de faz tudo por lá, Letícia de Macedo Moreira, 51 anos, atleta desde criança como nadadora e depois permanecendo no clube, primeiro como professora e depois, na atual função, a de coordenadora de todos os esportes de formação, exceto o futebol (“esse possui gerenciamento diferenciado”, diz). No início meio desconfiada, mas depois se solta e dá-lhe a falar das coisas vivenciadas aos longo de mais de 24 anos dentro da estrutura do clube. “Todas as escolinhas estão sob minha coordenação, desde voley, ballet, judô, tudo. Quem me ensinou a nadar foi seu Alberto Klar, coordenador de natação do Pinheiros. Aqui é um lugar de pessoas querendo trabalhar, temos o apoio de um presidente participativo e presente, o Pintinho é muito alto astral, tudo como se fosse um grande família, todos fazendo o que gostam”, conta e depois circula comigo um pouco mais pelas dependências. Diante de um bar lotado, pergunto sobre alguns dos ex-atletas, me leva até uma e explica assim para eles o motivo de minha presença ali naquele domingo: “Ele veio ver pessoalmente dos motivos do Olaria ser um sucesso, enquanto muitos outros penam. Alguém pode falar algo daqui para ele?”. E assim me solta no meio de algumas feras.
O primeiro a falar é Joel dos Santos Silva, conselheiro, 58 anos e é só elogios: “Aqui o Conselho é ativo, todos comparecem, boa administração, boas discussões e gente querendo levantar cada vez mais o Olaria. Sou funcionário público federal, moro aqui mesmo na rua Bariri, minha filha é atleta, a nadadora Bruna e não saio daqui”. Do lado dele, o Rodrigo Granjero Albuquerque, 34 anos, ex-jogador de futsal do Olaria: “O clube é meu quintal, estamos aqui toda sexta para a chamada Pelada da Madrugada, das 7 às 9 hs da manhã e domingo novamente, pouca coisa mais tarde. Perto de casa, amigos de raiz, papo alegre, cerveja gelada e barata, que vou querer mais?”. Por fim, quem se apresenta e sem camisa é Jaime Galvão, o Jaiminho, 54 anos e fazendo questão de dizer ser irmão do Vevé, o melhor jogador de futsal do Rio de todos os tempos: “Aposentei e estou aqui todos os dias da semana, melhor ainda nos finais de semana. Passo mais tempo aqui que em casa e ainda acompanho o time dentro de minhas condições. Aqui o negócio é o seguinte, escreva aí, a comunidade é muito boa, o olariense melhor ainda”. Confirmei isso tudo e as duas senhorinhas que encontrei no início de tudo estavam cheias de razão.
OBS.: Escrevi esse texto numa clara comparação, querendo entender dos motivos de um conseguir se manter tão bem e tantos aqui no interior paulista (inclusive o Noroeste) e dos mais variados lugares do país terem seguido ao longo de sua existência entre trancos e barrancos.
segunda-feira, 13 de julho de 2015
O PRIMEIRO A RIR DAS ÚLTIMAS (10)
A LAVA JATO ESTARIA PASSANDO POR BAURU? TEM UM TAL DE "TOBIAS" LÁ NA LISTA... Extra! Parem as Rotativas!!! Tem notícia bombástica para a manchete do nosso jornal, para nossas rádios anunciarem com alarde e também as TVs. A revista veja (minúscula mesmo), que gosta de só espezinhar um dos lados questão e endeusar o juiz da Lava Jato publica uma lista na sua edição de 08/07, a mesma onde complicou a situação do senador, que um dia já foi guerrilheiro, mas hoje é nefasto neoliberal, o Aloysio Nunes Ferreira, assim como os ditos impolutos Arnaldo Jardim R$ 200 mil, José Aníbal R$ 250 mil e pasmem um tal de TOBIAS com R$ 50 mil. São valores de prováveis doações da Construtora CONSTRAM. Esse tal de TOBIAS deveria reclamar na Justiça, pois o valor de R$ 50 é muito inferior aos dois citados e pelo que se sabe, para ser citado todos deveriam merecer a mesma honraria valorística. Algo de errado ocorreu e essa Constram precisa ser chamada as favas. Falta identificar quem seria o tal de TOBIAS? Conheço um cantor de samba paulistano, muito ligado ao Carnaval, mas seu nome tem um "h" no meio, portanto não seria ele. Temos o nosso deputado aqui de Bauru, mas será possível que ele é o nome publicado pela revista? Eu fico sem entender, a revista gosta de pegar no pé do PT, mas vejo ali nomes que não são daquela linhagem, porém, não podemos descartar que a sigla sob o nome do nosso deputado é a mesma do tal partido. Será? Já não lhe bastam as dores de cabeça pelos tais seus assessores que nada lhe disseram das coisas lá na AHB e agora mais essa. Lá diz PSDB SP e daí não conheço outro. Aguardo amanhã pela mídia de minha santa terrinha os devidos esclarecimentos, para reconduzir tudo ao seu devido lugar.
UMA MANIFESTAÇÃO NAS RUAS DO RIO ONTEM E UNS QUE OUVI DIZER IRIAM "PROTESTAR" (sic) ONTEM EM BAURU NA VILA VICENTINA Estava atrasado, quase 18h30, voltava de atividades no subúrbio carioca de Olaria e ao descer do ônibus na praça Saenz Pena, Tijuca, onde pegaria meu outro ônibus para o Grajaú, eis o que me fez literalmente perder a hora e a estribeira: uma manifestação recheada de bandeiras vermelhas, bem ao meu gosto. Claro, fui assuntar de perto. A revolta é a mesma que me leva às ruas e atentem, nela não só jovens, mas alguns da terceira idade e todos levantando bandeiras, cartazes e segurando faixas. As reivindicações e clamores são pelo fim das perseguições injustas, libertação do que se denomina hoje de presos políticos das últimas manifestações nas ruas e algo bem evidente por lá, a marcação que a PM faz nesses atos, não só com o policiamento normal, mas um bem específico para acompanhar esse tipo de protesto, todos vestidos de preto, com escudos e praticamente envolvendo os poucos ali presentes. Imagino que o mesmo não ocorra quando alguns vestindo a cor que usam nos jogos da Copa, a verde amarelo saem as ruas. Não desci com eles no sentido do Maracanã, quase final do jogo Flamengo x Corinthias, pois do contrário perderia de vez minha condução que me traria de volta para Bauru, onde o fato mais inusitado e surreal do dia de ontem, vejo por uma pequena nota do jornal foi tomar conhecimento que maçons estaria na Vila Vicentina protestando contra o fim da corrupção. Maçom protestando contra o fim da corrupção deve ser surreal, pois se o fazem, com a mais absoluta certeza, o fazem caolhamento, enxergando males todos num dos lados e fazendo a maior vista grossa para outros. Mereceriam um belo de um protesto pra cima deles e até com uma retrospectiva de onde já se meteram ao longo de nossa história e o fizeram metendo os pés pelas mãos.
domingo, 12 de julho de 2015
PRECONCITO AO SAPO BARBUDO (91)
HPA E O DOMINGO DE DESPEDIDA DO RIO DE JANEIRO
Um dia quente, onde muitos se dirigem para a praia. Fiz exatamente o contrário, peguei o rumo da Zona Norte e de trem da Super Via e fui conhecer a história de um clube tradicional, conhecido como pequeno da capital, o OLARIA, que nesse mês faz 100 anos e está na contramão da maioria dos pequenos clubes brasileiros, pois possui ainda uma quantidade muito grande de sócios e um parque clubístico de fazer inveja, ao estilo do que muitos times do interior brasileiro já tiveram no passado e perderam. Amanhã conto aqui em detalhes um pouco dessa história, rica em detalhes, de causar inveja para, por exemplo noroestinos, que tinham um belo clube , hoje não tem mais, tinham times disputando todas as divisões inferiores do futebol e outras atividades e hoje não possuem mais. No OLARIA tudo isso persiste, existe e resiste. Uma história para ser compartilhada. Só não conto hoje, pois viajo de volta para Bauru daqui a pouco e como acabei de chegar lá do subúrbio nesse exato momento, tenho que tomar banho, arrumar a mala e sair correndo para a rodoviária, pois meu ônibus sai daqui às 20h40.
Amanhã algo das minhas andanças pelo subúrbio, quente e caloroso. A vida pulsa maravilhosamente por aquelas bandas e lá me revitalizo.
sábado, 11 de julho de 2015
UM LUGAR POR AÍ (70)
DESCI O CARACOL DA LIVRARIA LEONARDO DA VINCI E A REENCONTRO ABERTA Quando comecei a viajar com mais intensidade para essa cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, coisa de uns 25 anos atrás, iniciando minhas atividades com chancelas, um dos primeiros lugares que visitei foi algo pelo qual tanto ouvia falar e tinha um sonho de conhecer pessoalmente, a Livraria Leonardo da Vinci. Sempre no mesmo lugar, na avenida Rio Branco, centro nervoso do Rio, na altura do Teatro Municipal e da Biblioteca Nacional, coisa de uns 100 metros para frente, do mesmo lado da rua. Fui a primeira vez com o endereço anotado num papel, lá escrito que estava localizada no edifício Marques de Herval e numa escada em formato de caracol descendo nas suas entranhas subterrâneas. A livraria era (e é) de encher os olhos, ocupando todo um dos lados de um corredor e com livros do alto até o chão de suas altas prateleiras. Era uma magia, ainda num tempo onde era muito difícil conseguir livros importados e revistas vindas principalmente da Europa e Estados Unidos. Eles foram um dos pioneiros nesse tipo de importação.
Conheci pessoalmente dona Wanda, uma retinta senhora que ficava sempre sentada lá nos fundos da livraria, como que orientando tudo, ciente de tudo à sua volta. Uma pessoa iluminada, irradiando livros por todos os poros. Vendi uma chancela para ela, na presença de seu filho e batemos um longo e para mim inesquecível papo sobre o mercado livreiro e o que representava para mim ter tido o prazer de conhecê-los. Conheci a livraria guiado por ele e as muitas divisões ali existentes. Algo que nunca mais esqueci. Tempos depois, coisa de uns dois anos atrás um triste notícia correu o país, a da Vinci estaria fechando suas portas, pois diante dos tempos modernos, aquilo tudo que ela conseguia no passado de forma exclusiva, não era mais um privilégio só dela. Entristecido fiquei e depois daquele dia nunca mais desci aquela escada em formato de caracol, mesmo sabendo que ao lado da famosa livraria, ou melhor bem em frente, existia outra, a Sebo Berinjela, que muito sucesso faz comprando acervos de gente famosa. Até Ana Bia, minha companheira vendeu-lhes parte do acervo do seu falecido pai, José Pereira de Andrade. Esse senhor, seu Zé Pereira, aliás, era muito conhecido, tanto de dona Wanda, como do dono da Berinjela, todos amantes por esse negócio chamado livro.
Comprei poucos livros por lá, mas acredito que pelo menos uns cinco o tenha feito e num deles algo inesquecível para mim. Fiz uma permuta. Revendi minhas etiquetas de chancelas e trouxe o valor que teria que receber em livros escolhidos ali na hora. E dessa forma, ia tocando minha vida profissional, sempre aliada a esse benfazejo de unir o útil ao agradável. E essa livraria era para mim e para uma legião de pessoas ao longo de décadas uma espécie de santuário livresco no país, um reduto onde você podia trombar, assim como não quer nada com algum escritor famoso e ele ali entretido, sucumbido pela devoção de ficar procurando algo meio que perdido no meio daquelas estantes. E, se me lembro bem, sempre morria de vontade de ir lá e pedir autógrafos, mas resistia, pois os que ali cruzei estavam tão entretidos, absortos no que faziam, que seria algo fora do normal eu chegar e interromper aquela abstração do momento que cada um tem nesses momentos, o de sacar livros nas prateleiras, ler alguns trechos e devolvê-los. Perdi todas as oportunidades e passei alguns bons momentos ali fazendo o mesmo que esses. Eternas e boas lembranças.
Nessa minha estada no Rio nessa semana encontrei um curto tempinho livre e passando acidentalmente em frente do famoso edifício, ao me deparar com a escada em caracol, pensei com meus botões: Vou descer e ver o que foi feito da livraria e conhecer o que está no seu lugar. Desci já com dor muita dor no coração e ao chegar a encontro aberta, com os mesmos letreiros de antanho, tudo igualzinho ao que havia freqüentado tempos atrás. Para minha surpresa e incontida alegria a livraria permanecia aberta. Não tinha muito tempo para poder entrar, vasculhar, cheirar os livros todos, tocar alguns e puxar conversa com aquela senhora lá no fundo, que não era dona Wanda, mas provavelmente alguém da família. Fotografei tudo do lado de fora, inclusive um senhor de barba que sempre o reencontrava por lá e nem sei se faz parte do staff da livraria. O melhor de tudo foi tomar conhecimento da sobrevida da Leonardo da Vinci. Vê-la com seus livros de arte expostos nas prateleiras frontais e aquela imensidão de recadinhos escritos no vidros, colados nas paredes, as longas poesias reproduzidas nos vidros frontais e um bom movimento de cliente lá dentro foi algo para me revitalizar o dia.
Sai dali todo pimpão e pensando cá com os meus botões, das formas como conseguiram continuar com as portas abertas e fazendo frente a essa legião de novas livrarias, algumas com cara bem modernosa, a griffe do livro sendo mostrada numa roupagem mais modernosa, pomposa, mas nem sei como escrever disso tudo. Sabe, gosto das novas, confortáveis, imensas, mas não gostaria de ver fechadas essas mais antigas, tão acolhedoras, parte da história de todos nós dentro de cada uma delas. Saio dali, atravesso a avenida Rio Branco e na entrada do metrô Largo da Carioca outra grata surpresa, ali do seu lado direito de quem entra, uma outra famosa livraria, a Camões, famosa por causa dos livros portugueses e que havia fechado anos atrás. Olho para o lado querendo saber o que foi aberto em seu lugar e lá encontro a Camões aberta e funcionando. Para minha surpresa, até com uma bela de uma nova roupagem. Fiquei maravilhado e nada sei de como se deu o processo de reabertura ou não fechamento de ambas, mas o fato é que a Da Vinci e a Camões estão abertas, para felicidade geral dos amantes de livros de uma forma geral. Foram as melhores notícias que tive após seis meses sem pisar os pés no Rio de Janeiro.
Quem souber mais detalhes disso tudo que conte aqui para espalharmos essas boas notícias para tudo, todas e todos.
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