terça-feira, 23 de junho de 2020

AMIGOS DO PEITO (174)


AOS 60 ANOS HPA DE PORTAS FECHADAS – AMANHÃ LIVE HPA/ ALDIR DE PORTAS ABERTAS

Pois é, triste sina a nossa, justamente agora, quando mais preciso estar nas ruas, pois o tempo de vida se exaure, a permanência por essas paragens se encurta a olhos vistos, sou obrigado a continuar aqui no meu confinamento, isolado de tudo e todos, eu e Ana entre quatro paredes. Aprendi ao longo dos anos a conviver com as ruas e dela usufruir, ou ao menos tentar extrair o néctar a me conduzir, guiado por elas e sem medo de ser feliz, me embrenhar em suas entranhas. Fiz isso à exaustão, mas creio ainda não ter concluído meu ciclo, pois creio eu, ainda tenho alguma lenha para queimar. Ninguém esperava por essa desse vírus neste momento, mesmo com alguns sinais sendo dados ao longo do tempo, dessas possibilidades voltarem a acontecer. Quando surge a coisa a gente percebe o quanto somos frágeis e mais que isso, o quanto ainda temos que aprender sobre solidariedade humana. Temos um desgoverno na contramão de tudo o que possa ser entendido como compreensível, o que aumenta a nossa debilidade para enfrentar a contento tudo o que tivemos e ainda temos pela frente. Olho para países vizinhos, como a Argentina e o Paraguai e me espanta como nós não conseguimos em nenhum momento seguir esses passos, produzir algo racional, dentro do bom senso, pensando primeiro no ser humano, na vida das pessoas e só depois, muito depois, pensar na sobrevivência de um sistema, que se mostra mais uma vez excludente e a privilegiar uns poucos em detrimento da maioria da população.
Isaac, Denise, mafuento HPA e Paulo Maia, os cantantes da live. 
E daí, a gente acaba virando não só chacota do mundo, mas rebotalhos entre nós mesmos, pois não conseguimos nem levar uma coisa mais que séria dentro de um padrão mínimo para podermos sair logo dessa enrascada. E não saímos, ou melhor estamos todos perecendo dentro da coisa, girando num moto contínuo, onde todos cada vez mais acabrunhados, destrambelhados e perdidos, como nau sem rumos num mar revolto. E assim, com o país que tanto lutei para vê-lo em outra situação – quase conseguimos -, hoje ele degradado e convulsionado e eu fazendo 60 anos, trancafiado há mais quase cem dias dentro de um apartamento, com a Ana tomando conta das chaves, me liberando para quase nada, não me deixando mijar fora do penico de jeito nenhum, vendo o país de perna pro ar, com o perigo se alastrando. Cá estou, dilema de todos, sem saber como se dará a reabertura daqui por diante e na impossibilidade de pouco poder fazer além do que já faço, que é o esgrimar pelos meus meios e condições, resolvi comemorar a chegada dos 60 assim mesmo, mas como festar é algo que não posso, entro na onda das Lives e estarei numa amanhã, junto com um trio da pesada, homenageando Aldir Blanc e suas músicas, além de angariar fundos para três amigos e uma entidade. Eu seria o cara mais feliz do mundo se muitos dos que que considero estiverem comigo amanhã e ajudarem com algum valor, pra poder repassar pra quem segue no barco, mas com muitas restrições.

Quem quiser participar é só entrar amanhã, 18h45 na página do facebook da cantante e encantante Denise Amaral, assistir a live e contribuir com um depósito nessas contas em meu nome, Henrique Perazzi de Aquino, no Banco do Brasil, agência 2980-7 c/c 29.050-5 ou Banco Itaú, agência 0075 c/c 25.999-4. Meu CPF, se necessário, eu irei passando inbox. Agorinha mesmo, Denise, Isaac e Paulo Maia passaram por aqui, tiramos uma foto os quatro juntos e aqui compartilho para ver se a gente esquenta um pouco a coisa até amanhã. Vamos???

HPA – torcendo para tudo dar certo amanhã quarta, 18h45 na live 60 ANOS DO HPA – ALDIR BLANC. Vamos juntos?
LAERTE e sua charge, meu cartão de agradecimento para tudo, todas e todos...

segunda-feira, 22 de junho de 2020

FRASES DE LIVROS LIDOS (154)


TODA VEZ QUE LEIO ALGO VINDO DAS ELITES PARA COM A SITUAÇÃO DOS POVOS DAS RUAS ME LEMBRO DE MIGUEL REP
Miguel Rep é muralista de fama mundial e publica diariamente no melhor jornal impresso do nosso mundo, o argentino Página 12. Uma de suas especialidades é para com o trato para com os povos das ruas. Possui uma visão recheada de muita sensibilidade para com o trato com estes e em muitas de suas tiras, publicadas diariamente na última página do jornal, sempre a presença destes. Na edição de hoje, essa do retrovisor e a lente diferenciada com que a elite quer enxergar aqueles pelos quais ela despreza, menospreza, ignora e preferiria não existissem. Não quero citar essa ou aquela manifestação de membros da elite para com estes, pois elas são diárias, acontecem de forma repetida e demonstram simplesmente algo bem simples: como agem e pensam. Basta abrirem a boca para sentir o bafo quente de quem vive num outro mundo e não consegue mais, não só entender o que se passa, as razões daquilo acontecer, como gostariam de varreu aquilo tudo do mapa, da existência humana.
São os que, passam por cima destes quando nas calçadas e na maioria das vezes, quando o fazem conversando entre si, fingem não mais enxergá-los, desviando de seus corpos como se asli não estivessem. A crueldade destes e dos próximos tempos passará muito por isso, pois inevitável o aumento da população nas ruas e da miserabilidade humana, com as condições e arroxo sendo acentuados pelo atual modelo econômico. Quando o mundo perde essa sensibilidade pelo próximo, cuida com mais afinco e atenção para com seu animal de estimação - cujos gastos superam em muito a de uma família inteira, mas finge não reparar no ser humano em situação precarizada, a certeza de que tudo não caminha nada bem. Viveremos tempos onde muitas atividades estarão praticamente extintas ou restringidas, suprimidas no pós-pandemia e o que virá disto ainda é incerto e não sabido e se, para muitos de nossa elite - cruel e insana, já existe a repulsa para com o que se vê hoje, o que virá amanhã, com o aumento destes e com a precarização da vida humana cada vez mais acentuada? Viveremos tempos de barbárie declarada, inevitáveis enfrentamentos e desde já devemos todos estar preparados não só para a aceitação, mas para já ir pensando em propor alternativas, ou melhor, como resolver a situação da ociosidade que inevitalmente ocorrerá.
Miguel Repiso é um mestre, diria até um gênio no que faz e a cada nova tira, viajo com ele e quero, mais e mais, entender, escrever e estar ao lado destes vivendo situação tão deplorável e degradante. Meu eterno repúdio para quem enxerga a estes como estorvo, algo a ser apagado do visual, como se faz com uma borracha no papel, quando o desenho não sai satisfatório. Aqui só algumas amostras de suas últimas tiras.

CHARLES
Não tenho problema algum em escrever e reverenciar o amor pelo meu cão, o Charles, hoje ele lá no Mafuá, ao cuidados de meu inquilino e amigo Cesar e eu aqui, distante, tanto da convivência com minhas coisas mafuentas, como do meu cão, oito anos de vida.
Quando Cesar me posta as fotos dele se espreguiçando ao sol, meu coração fica apertado, pois com ele estava todo dia, ele deitado ao meu lado, enquanto escrevia ou lia, ou mesmo atendia clientes e circulava pelo local. Um companheiro e tanto e agora, diante desse novo momento, não sei afirmar mais nada, nem como se dará a volta e como será daqui por diante a convivência com tudo o que deixamos para trás e precisará ser resgatado, recuperado e reassumido. Temo por isso e vendo as fotos postadas pelo Cesar, a cabeça gira. Meu pequeno mundo particular, uma espécie de oásis no meio do deserto existe e se chama Mafuá do HPA. Ali consigo guardar parte de minha vida, meu mundo particular e isso me move, me fortalece e revigora. Trato isso tudo com a maior normalidade, ali passava minhas horas mais agradáveis, comparadas as vividas no lar, enfim, portos seguros e ainda possíveis nesse mar de insolvência vividos pelos tempos atuais. Ali é meu observatório particular, um cantinho aconchegante - pelo menos para mim -, modesto, dentro de minhas possibilidades e disponibilidade. De lá saia para o mundo, para as intervenções ainda possíveis e sempre voltava para me recarregar. Hoje, nem isso posso mais, pois a reclusão da quarentena me mantém trancado num banker e sob aos cuidados de Ana, minha gentil carcereira. Daqui, deste cantinho pessoal dentro de casa, divago sobre o mundo, observo e continuo na ativa, dando meus pitacos, saudoso de tanta coias, da vida nas ruas, do contato para com o povo, de conversas pelas esquinas, de saber e ver como andam as pessoas de minha aldeia e também, é claro, dentre tantas coisas, meu cão.
Ele faz parte de um conjunto, uma obra que me toca e me faz continuar em pé. Só de saber que tudo ainda continua em pé, isso me dá forças para continuar por aqui, resistir mais um pouco e buscar vislumbrar voltar a fazer aquilo tudo que dava sentido à minha vida. Só de saber que meu cão está bem tratado isso muito me alegra, mas por outro lado, estou triste e diante da chegada dos meus 60 anos, muito preocupado, as pessoas estão mais violentas, menos sensíveis com os mais desprovidos de condições e com adversários, com quem pensa diferente. Isso tudo embaralha a cabeça deste velho lobo das estepes e o faz começar a semana já com minhocas na cabeça. E elas são muitas e me embaraçam a vista. Tentemos ter uma boa semana, com boas decisões para com tudo o que se apresenta à nossa frente. A luta vai se intensificar e temso que estar preparados paar muitas adversidades pela frente, posi a insanidade aí fora quer se estabelecer e precisamos a por pra correr.

"DESCULPE NETFLIX. SE É PRA FICAR EM CASA, EU PREFIRO LIVRO"
Minha amiga Iara Sales me coloca na brincadeira de por sete dias seguidos indicar livros e provocar um amigo (a) para fazer o mesmo, postar o que está lendo, o que já leu ou o que pretende ler. Decidi por postar somente livros que li neste período de quarentena, mais de 90 dias de confinamento. Passei dos 7, indo até os 9 e ao terminar, publico aqui a lista:

1.) Começo com "ALDIR BLANC - Resposta do Tempo: Vida e Letras", editora Casa da Palavra - Rio de Janeiro RJ, 2013, 312 páginas. Uma biografia com muita poesia, ou seja, a letra de quase 500 das belas músicas que Aldir nos deixou. Do livro copio frase de Dorival Caymmi, feita para reverenciar o mestre sala das canções: "Aldir Blanc é compositor carioca. É poeta da vida, do maor, da cidade. é aquele que sabe como ninguém retratar o fato e o sonho. Traduz a malícia, a graça e a malandragem. Se sabe de ginga, sabe de samba no pé. Estamos falando do ourives do palavreado. Estamos falando de poesia verdadeira. Todo mundo é carioca, mas Aldir Blanc é carioca mesmo".

2.) Neste segundo dia, indico o catatau “A milésima segunda noite ou A História do Mundo para Sobreviventes”, do jornalista gaúcho/carioca Fausto Wolff (editora Bertrand Brasil, Rio de Janeiro RJ, 1ª edição, 2005, 742 páginas). Mais dele pode ser encontrado nos pots diários que faço no começo de cada dia, com um desses textos e assim continuarei até o término da reclusão pela pandemia e minha consequente libertação.

3.) Reli logo no começo o "FRAGMENTOS - 8 HISTÓRIAS & 1 CONTO INÉDITO", do ótimo jornalista e escritor gaúcho CAIO FERNANDO ABREU (Editora L&PM, Porto Alegre RS, 2002, 152 páginas - Coleção Pocket 208). Quem nunca recebeu uma mensagem de algum inimigo declarando guerra para contigo: "Seu porco, talvez você pense que engana muita gente. Mas a mim você nunca anganou. Faz muito tempo que acompanho suas cachorradas. Hoje é só um primeiro contato. Para avisá-lo que estou de olho em você. Cordialmente, seu Inimigo Secreto". Para no final, a descoberta, quem escreve é você para você mesmo, enfim, você querendo se autodesvendar.

E o que dizer desses tantos chegando em outras paragens e encontrando alguém como companhia: "Eram dois moços sozinhos. Raul viera do Norte, Saul do Sul. Naquela cidade todos vinham do Norte, do Sul, do centro, do Leste - e com isso quero dizer que este detalhe não os tornaria especialmente diferentes. Mas no deserto em volta, todos os outros tinham referenciais - uma mulher, um tio, uma mãe, um amante. Eles não tinham ninguém naquela cidade - de certa forma, também em nenhuma outra - a não ser a si próprios. Poderia dizer também não tinham nada, mas não seria inteiramente verdadeiro". Eu li e continuo lendo tudo o que encontro pela frente do Caio, uma dorável criatura, leitura prazerosa demais da conta.

4.) Um dos autores latinos que mais gosto de degustar é o uruguaio EDUARDO GALEANO (1940/2015). O faço com tudo dele o que encontro pela frente. Até suas entrevistas gravadas em vídeo saboreio com nostalgia e muita atenção. Muitos textos releio várias vezes e este aqui, fruto de um pedido recente pela Estante Virtual, promoção da editora gaúcha, DE PERNAS PARA O AR – A ESCOLA DO MUNDO AO AVESSO (Editora L&PM, Porto Alegre RS, 384 páginas, 2009).

Dele compartilho um curto texto. O livro todo são de curtas histórias, saborosas para serem degustadas aos poucos. O fiz um bocadinho por noite, pouco antes de pegar no sono e ao terminar, confesso, me deu vontade recomeçar tudo de novo, tal o encanto:

“LATINO AMERICANOS – Dizem que temos faltado ao nosso encontro com a história e, enfim, é preciso reconhecer que chegamos tarde a todos os encontros. Tampouco conseguimos tomar o poder, e a verdade é que, às vezes, nos perdemos pelo caminho ou nos engamos de rumo e depois tratamos de fazer um longo discurso sobre o tema. Nós, latino-americanos, temos a má fama de charlatões, criadores de caso, esquentados e festeiros, e não há de ser por nada. Ensinaram-nos que, por lei do mercado, o que não tem preço não tem valor, e sabemos que nossa cotação não é muito alta. No entanto, nosso aguçado faro para negócios nos faz pagar por tudo que vendemos e comprar todos os espelhos que trazem nosso rosto. Levamos quinhentos anos aprendendo a nos odiar entre nós mesmos e a trabalhar de corpo e alma para a nossa perdição, e assim estamos; mas ainda não conseguimos corrigir nossa mania de sonhar acordados e esbarrar em tudo, e certa tendência à ressurreição inexplicável”.

5.) Coisa de duas semanas atrás vasculhei a lista disponível de livros no sebo onde meu filho, Henrique Aquino está enfurnado nesta quarentena, o Uraricoera, lá em Araraquara, selecionei alguns livros e disse ter interesse, para ele ver quanto custaria e lhe transferiria o dinheiro. Passou alguns dias e todos chegaram no meu portão, a maioria como presentes do filho para este velho bardo, inveterado leitor. Dentre estes, um que havia lido tempos atrás e uma enchente levou lá do acervo do Mafuá. Trata-se do “O ESPECTADOR NOTURNO – A Revolução Francesa através de Rétif de La Bretonne”, do escritor e embaixador SERGIO PAULO ROUANET (editora Companhia das Letras, São Paulo SP, 1ª edição, 1988, 132 páginas).

Redevorei tudo quase no mesmo dia, pois estava ávido de ler algo assim: “Rétif de la Bretonne talvez seja mais conhecido como escritor erótico do que como colaborador da Revolução Francesa. Realmente, não se pode dizer que tenha sido um militante ativo da causa: ele era mais um flâneur, um espectador noturno, como define Rouanet. Numa refinada e saborosa análise, Sérgio Paulo Rouanet, um dos mais importantes e polêmicos pensadores brasileiros, faz vir à luz à intrincada relação entre Rétif e a Revolução. Autor de imaginação quase delirante, Rétif foi, tanto na panfletagem quanto na literatura, inovador, extravagante, estranho, mas sobretudo profundo. Entre suas propostas para a construção de uma nova sociedade, a abolição da propriedade, por exemplo, convive lado a lado com a abolição dos genros que maltratam suas esposas e sogros. Contraditório, ambíguo, Rétif encarna a essência mesma da Revolução”.

Quem assistiu o filme “Casanova e a Revolução”, do cineasta Ettore Scola viu Rétif, um personagem periférico que acaba assumindo um papel central no conjunto da obra. Ele adotou a coruja como seu símbolo, o do espectador noturno, capaz de interromper um coito com fogosa amante para ir ver o que se passa nas cercanias do palácio. Esse o trabalho de coruja, não de um simples vouyer, pois flanando cumpre papel de punir os maus, espécie de justiceiro. O papel dos escritores libertinos muito me interessa e esse em especial, pois com seus textos diferenciados exprimiu a Revolução. Voltei no tempo, viajando pelas “entranhas” de uma Paris que adoraria ter conhecido nessa época em plena colvulsão.

6.) Engraçada a história deste livro em minha vida. Comprei um tão logo saiu, depois num aniversário ganhei um de um amigo e na mesma festa outro de uma amiga. Acabei presenteando dois e quando questionei uma das pessoas, me disse: “Te dei porque é a sua cara”. Trata-se do “A ELITE DO ATRASO – Da Escravidão à Lava Jato”, do sociólogo JESSÉ souza (Editora Leya – Casa da Palavra, Rio de Janeiro RJ, 1ª edição, 2017, 240 páginas). E nesta pandemia o reli pela sgunda vez, desta feita com mais atenção.

Cito aqui algo vital para entendermos como age essa nossa CLASSE MÉDIA: “Como a classe média é uma classe intermediária, entre a elite do dinheiro, de quem é uma espécie de ‘capataz moderno’, e as classes populares a quem explora, ela tem que autolegitimar tanto paar cima quanto para baixo. Uma estrutura de justificação da vida bifronte, como o deus Juno da mitologia. Minha tese é que ela se justifica para cima com o moralismo e para baixo com o populismo. Não por acaso precisamente as duas ideias centrais que a elite do dinheiro e seus intelectuais orgânicos construíram para tornar a classe média cativa e manipulável simbolicamente pela elite. (...) A elite do dinheiro soube muito bem aproveitar as necessidades de justificação e de autojustificação dos setores médios. Comprou uma inteligência para formular uma teoria liberal moralista feita com precisão de alfaiate para as necessidades do público que queria arregimentar e controlar. Esse tipo de compra não se dá necessariamente com dinheiro. (...) Os pobres são desprezados, enquanto os ricos são invejados pela classe média. (...) Em relação aos poderosos, a classe média pode se ver sempre como “virgem imaculada’ e moralmente perfeita”.

7.) Durante esse período de confinamento decidi ler e reler tudo o que tenho do jornalista gaúcho/carioca FAUSTO WOLFF. Já apresentei um aqui anteriormente e com quatro aqui na mesa, descrevo mais um desses: "A IMPRENSA LIVRE DE FAUSTO WOLFF" (Editora L&PM, Porto Alegre RS, 2004, 1ª edição, 278 páginas).

Este livro em especial é constituído de textos dele publicados semanalmente no jornal Pasquim 21. Algo dele: "Já escrevi em algum lugar algum dia que enquanto não nos revoltarmos brutalmente contra o conceito de democracia que considera sagrado o direito de uma minoria escravizar o resto por ter mais dinheiro jamais chegaremos à condição de seres humanos. Seremos sempre caricaturas; títeres, homenzinhos e mulherinhas perdidos na ventania, sempre com cara de 'desculpe, não era bem isso que eu queria dizer'. (...) ...à medida que envelhecemos vamos nos tornando mais cagões quando deveria acontecer o contrário: na medida em que envelhece o homem deveria tornar-se mais corajoso, porquer mais sábio, mais justo, mais conhecedor dos seus deveres e dos seus direitos".

8.)
Ler livros sobre CUBA sempre me chamaram muito a atenção. Neste “O REI DE HAVANA”, DO PEDRO JUAN GUTIÉRREZ (Editora Alfaguara, Rio de Janeiro RJ, 1ª edição, 2017, 184 páginas), algo sobre as entranhas da capital cubana, em detalhes os mais perversos.

Postei aqui mesmo mês passado uma resenha sobre este livro, com frases e alguns comentários a mais. Hoje, só a continuidade das publicações do que ando lendo durante essa quarentena, algo que encerro amanhã, porém, como a pandemia, pelo visto não vai ter fim tão breve, a leitura é um alento, algo que faço com a devida galhardia, pois tem sido uma companheira dessas inseparáveis e me ajudando muito, a mim e a Ana, para não nos deixar entrar num estado de moto contínuo depressivo.

9.) Encerro hoje a lista de por uma semana (passei um pouquinho) indicar livros lidos e hoje o faço com um daqueles escritores que, tudo o que me cai nas mãos de sua autoria eu devoro, degluto, aquilo tudo me comove, contorce e depois vou expelindo aos poucos. Falo de CHARLES BUKOWSKI (1920/1994) e o livro escolhido é um com título com tudo a ver com esse período de quarentena, o “ESCREVER PARA NÃO ENLOUQUECER” (editora L&PM, Porto Alegre RS, 1ª edição, 2015, 272 páginas, Coleção Pocket, volume 1301).

Eu as vezes sinto o mesmo que Bukowski e me ponho escrever, escrever e assim, creio eu, não enlouqueço. Eis algumas das frases que fui grifando ao longo da leitura: “Sei que sou alguma espécie de farsante – escrevo meio que das entranhas da repugnância, quase inteiramente. Contudo, ao ver o que os outros estão fazendo, vou em frente. O que mais se pode fazer? (...) Não tenho nenhum talento ou ofício definido, e como consigo ficar vivo é em grande medida uma questão de mágica. (...) Mostre-me um poeta velho e eu lhe mostro, com grande frequência, ou um louco ou um mestre. (...) É um inferno ser pobre, isso não é nenhum segredo; é um inferno estar doente sem dinheiro, faminto sem dinheiro; é um inferno ficar doente e faminto para sempre até o último dia. (...) Escrever é como a maioria dos escritores acha que foder é: justo quando começam a pensar que estão se saindo super bem, eles param totalmente de fazer. (...) É melhor ficar solto, trabalhar doido e macio e fracassar como você bem quiser. (...) E não sou um esnobe que pensa que a minha merda não fede mas entre beber até a morte e trabalhar num emprego que me mastiga, no tempo que resta, essas uma ou duas horas, gosto de trabalhar do meu próprio jeito. (...) Não confio na besta humana, bebo minhas cervejas, mando ver na máquina de escrever e aguardo. (...) Preciso beber e jogar pra fugir dessa máquina de escrever, não que eu não ame esse máquina velha quando ela está trabalhando bem, mas saber quando ir até ela e saber quando ficar longe dela – esse é o truque”.

E PRA FECHAR A TAMPA DO CAIXÃO:

60 ANOS DO HPA - "LIVE ALDIR BLANC" - QUARTA, NÃO PERCA
"Envelheci mas continuo em exposição", pois bem, assim profetiza Aldir numa de suas letras e hoje, beirando os 60 - não tenho mais como ocultar a chegada da carteirinha da Terceira Idade -, festeiro e aldirista, na impossibilidade de festar, juntei o útil ao agradável: 

E por que não um LIVE unindo a chegada dos 60, uma homenagem ao Aldir e mais que isso, algo para ajudar alguns amigos (as)? Sim, a live deverá contar com a participação dos amigos (as) com doações feitas em grana e todo o valor dividido em quatro: Audren Ruth, a cantante maravilhosa; Tadeu Vian, saindo a pouco do hospital, cronner do Kananga do Alemão, Amanda Helena, uma poeta que enfrenta um leão em cada virada de esquina e o projeto De Grão em Grão, de Tatiana Calmon Karnaval. Quem participar e contribuir estará em primeiro lugar ouvindo Aldir nas vozes de Denise Amaral, Isaac Ferraz de Camargo e Paulo Maia, e ao invés de me presentar estará presenteando três pessoas e um projeto, assim como todos nós, fazendo de tudo e mais um pouco para que esses tempos passe o mais rápido possível.

A LIVE será na quarta, 24/06, a partir das 18h45 e amanhã o endereço e mais informações de como acessar e pode contribuir. Desde já o convite está feito. Vamos compartilhar, multiplicar a ideia e fazer ela vingar. Enfim, envelheci, ouvir Aldir é um luxo e fazer a alegria de todos é o lema. Posso contar contigo? Compartilhe e espalhe isso com o vento...

domingo, 21 de junho de 2020

CENA BAURUENSE (203)


ISSO TEM QUE VIR ANTES DE TUDO
O ABUSO DOS ABUSOS - LIBERAR GERAL

Primeiro o SinComercio faz uma campanha pelo retorno imediato e abertura do comércio em todas suas instâncias, não levando em consideração estarmos diante do pico da doença, com a capacidade de atendimento da rede hospitalar no limite do limite. Aumento de casos a partir daí se devem muito por causa dessa pressão. Posto isso, algo novo num anúncio hoje publicado no Jornal da Cidade. Eles agora EXIGEM por meio de Notificação Extra-Judicial que a Prefeitura interrompa qualquer tipo de fiscalização exercida junto a eles, deixando que eles a façam como bem entendem e sem nenhum tipo de regras externas. Eu quando li, primeiro me sentei, tentei raciocinar, mas não conseguindo a contento, o mínimo que posso fazer é tornar meu lamento e repulsa públicos. A isso eu não dou o nome de insubordinação, mas algo de muito pior conceito, que tenho até receio de aqui citar com palavras. No mínimo, tem entidade de classe perdendo a razão. Não se atentem ao número de mortos, pois além da subnotificação, o mais importante é outro dado, o da quantidade de doentes, de gente necessitando de atendimento e o da capacidade deste atendimento. O aumento ocorrido nos últimos dias tem causa e efeito. Quero ver quem incentivou e pressionou até não mais querer pelo retorno se vai assumir pelo que fez quando o caos estiver instalado. Agora, com a exigência do Liberou Geral, um algo mais a ser colocado e pesado nessa balança da conscientização coletiva. Essa a Bauru dita e vista como totalmente "SEM LIMITES".

ISSO TUDO ESTÁ OCORRENDO AQUI NA DITA "SEM LIMITES", BAURU PANDÊMICA
01. Na rua Alípio dos Santos, vila Cidade Universitária, alguém procura agir diferente dos que saem desmedidamente às ruas em plena pandemia e se põe a cuidar de uma pequena horta no quintal frontal de sua residência, até como medida para ajudar a passar o tempo.
02. Dias atrás, num post e foto do artista plástico Silvio Selva, algo do que ele observa nas andanças pelas ruas desta sem limites cidade: "Vivemos em um país no qual as pessoas descartam seu lixo nas calçadas . Ou seja, muita gente ainda vai morrer de covid, dengue e tuberculose...". Coronavírus é pouco para nós...
03. Sábado passado, parte da tarde, parque Vitória Régia e cerimônia de casamento ali se realizando, com fotos e gravação, tudo embalado pelo ambiente propiciado pelo local.
04. Esquina da rua Rio Branco com avenida Duque de Caxias, três farmácias em três delas e na última remanescente, onde por décadas funcionou a padaria 24h, Torre de Belém, hoje terra arrasada, prédio colocado abaixo e no lugar, nada mais a lembrar o passado imponente nas noites ali vividas e daqui por diante, mais uma edificação e comércio e reverenciar o que impera na região, algo medicamentoso. As histórias vividas por boa parte dos boêmios desta cidade em passagens madrugativas por esse endereço merecem relatos históricos, de alcova e porto seguro em madrugadas de tempos de antanho, lembradas com garbosidade quando da derrubada de suas paredes.
05. Amenizando um pouco a pegada no dia de hoje, nada como contar algo de um monumento de grande importância para esta cidade, um localizado na praça da Paz, obra do escultor José Laranjeira, inaugurado em 1988 e aqui num breve relato de seu criador, algo mais da obra: "Os monumentos são marcos imprescindíveis para consolidar uma identidade sólida dos lugares do mundo no imaginário das pessoas. É lamentável e triste ver que ainda prevaleça entre nós e entre os que tem o poder de realização a subserviência cultural de nossos espaços públicos. Ainda bem que aproveitei a oportunidade rara que o governo socialista de Tuga Angerami me brindou de contribuir com minha obra artística escultórica. O monumento da praça da PAZ é ÚNICO no MUNDO, ele foi criado por mim para valorizar a cidade onde eu nasci, Bauru. O vôo da paz é um marco simbólico e estético de uma identidade decente e digna". A foto é de autoria por mim desconhecida, mas adoria divulgar sua autoria.
06. Em foto de Kyn Junior, divulgada no início deste mês, sua tentativa de mostrar com a calçada da avenida Getúlio Vargas, Zona Sul da cidade, completamente vazia, quase sem ninguém se exercitando por lá, aquilo que geralmente acontece no discurso mais plopalado na terra "sem limites": façam o que eu digo ("todos pra rua") e nunca o que eu faço ("eu sei me proteger").
07. Mais de noventa dias de confinamento, mas nas ruas não existe meios de conter a aproximação entre os que se encontram em situação de abandono, como estes na praça Rui Barbosa, cada vez mais unidos entre si, desconfiados de muita coisa à sua volta e sem esperanças pelo que virá pela frente, ou seja, contando com a própria sorte.
08. Essa foto da movimenta esquina da rua Primeiro de Agosto com Agenor Meira eu tirei em março, mas hoje, finda primeira quinzena de junho, como deve estar? A mesma coisa ou mais movimentada e cheia? Enfim, o que fizemos dos cuidados para com a pandemia...
09. Sabe aquela vertente do ditado popular, "em cabeça de padre e de...", pois bem, na Catedral do Divino Espírito Santo, templo maior do catolicismo em Bauru, existia até meses atrás - a pandemia o ocultou -, um mural feito segundo alguns pelo artista plástico José Laranjeira, porém, na reabertura dos templos a descoberta, ele foi coberto por outro de metal. Fiéis denunciam me enviando a foto e com a pergunta: "Obra de arte pode ser alterada?". Quem me enviou ainda fez questão de afirmar: "Eu não achava bonito, mas colocaram um resplendor de metal em cima do Adão e Eva". E assim está hoje lá no alto do altar.
10. Essa foto tirada em formato de selfie pelo tapeceiro Renato Munhoz da Costa, não representa meramente mais uma fila, ela é muito mais que isso. Foi tirada ali defronte a Farmácia Popular da Prefeitura, na rua Sete de Setembro e merece considerações especiais feitas pelo próprio autor: "Grávidas, idosos, deficientes não merecem nenhum atendimento especial e os funcionários estão mais rabugentos, não sei se pela pandemia ou se por despreparo, falta de aptidão para atender tanta gente. Fica todo mundo em pé, sem preferencial, sem bancos, debaixo de chuva, sol, frio, como for. Má qualidade de atendimento, sem distanciamento, serviço precarizado. Dar rémedios, serviço público, excelente, mas falta algo mais para ser merecedor de elogios, que seria o respeito ao doente e a quem vai buscar algo para este, ainda mais num setor de saúde pública". Um registro carregado de muita dor e emoção, por tudo o que ele pessoalmente constata nos seus retornos ao local.

ISSO TAMBÉM MERECE TODO O RESPEITO E CONSIDERAÇÃO
ATOR MARCOS PALMEIRA E A GRANDE SACANAGEM PRESTES A OCORRER COM O ASSENTAMENTO LUIZ BELTRAME, EM GÁLIA
Todas as formas, as possíveis e as impossíveis, espalhando com o vento a necessidade da manutenção do Assentamento Luiz Beltrame Castro. Aqui só uma das tantas repercussões sendo espalhadas país afora. Não podemos deixar que o despejo de concretize por causa de uma ação irresponsável do Incra, que desde Temer/Bolsonaro só tem prejudicado os trabalhadores brasileiros. Basta de insanidade neste país. Eis o link: https://www.facebook.com/henrique.perazzideaquino/videos/3568795739817076/


E ISSO ENTÃO?!?!
AINDA EXISTEM ABILOLADOS DISPOSTOS A PARTICIPAR DE UMA LOUCURA DESSAS? - BAURU EM PERIGO
Amigo me envia recado neste momento pelo reservado do facebook: "Passou um carro de som hoje cedo aqui nos altos da rua Bernardino de Campos, convidando as pessoas a participarem da carreata a favor do bostonaro... Dizia que a carreata sairia da Nações Norte rumo ao Ceasa de Bauru as 10:00h. Pedia fechamento do STF, fim do comunismo, fim da rede Globo e pregando a favor do golpe militar". Perguntei se falava algo sobre o descalabro do ministro que fugiu do país e chegando nos EUA deixou de ser ministro e no Queiroz que arrecadava grana viva dos funcionários do filho do Bolsonaro na ALERJ para caixinha e enriquecimento familiar? Disse que sobre isso nada foi dito, daí vi tratar-se de um grupelho restrito, minoria barulhenta e propondo algo sem noção, munidos pelo ódio e declarado incondicional amor ao ídolo lá deles, já rejeitado pela maioria dos brasileiros. Portanto, se presenciar algo assim logo mais na Nações Unidas e não quiser ser taxado de abilolado, melhor manter distância. O que a gente faz do lado de cá é manter a corda esticada e propondo esse rompimento o quanto antes com esse país racista, fascista, preconceituoso, miliciano e hoje também já sabido como criminoso. É a turma do ódio nos sinais mais que evidentes da perda da razão. ÚLTIMA INFORMAÇÃO: Quando contagiado pelo ódio, dificilmente a cura. Quase sempre fatal...

sábado, 20 de junho de 2020

DROPS - HISTÓRIAS REALMENTE ACONTECIDAS (180)


FAKE NEWS SEMPRE EXISTIU, MAS AGORA TEM O PODER DE SER ESPALHADO AOS MILHÕES
Foi essa a conversa que tive dias atrás com o amigo jornalista Aurélio Fernandes Alonso. A gente tem se falado por telefone nesses dias de pandemia, cada um recolhido aos seus aposentos e necessitando de papos outros, até para ire distraindo a vida diante da continuidade do isolamento. Nas ligações, falamos de tudo e nesse dia específico falamos também de fake news. Ele, que já trabalhou em vários jornais pelo interior paulista, já presenciou de tudo um pouco, com histórias mirabolantes - muitas sendo relatadas num livro quase no prelo -, me dizia de que isso da divulgação dos fakes não representar nenhuma novidade. A única, a pior de todas é que, com o advento da internet e redes sociais, foi descoberta uma possibilidade dela ser espalhada para milhões de pessoas ao mesmo tempo, assim num vapt-vupt. Antes, tudo era mais moroso, lento, seguia certos rituais.

Antes, muitos faziam de outra forma e jeito. Lembramos de algumas. Quando alguém queria espalhar algo sobre o adversário, mesmo uma mentira ou segredo de alcova, corria para um ônibus circular lotado, desses em final de expediente, com todos voltando para casa e iniciava uma conversa bem no meio do pessoal amontado. "Pois é, se viu, o Zezão pegou aquilo e enfiou naquele lugar. Ele foi avisado, mas não deu bola". Estava feito o estrago e a partir daí, Zezão ia vendo se espalhar algo, até sem pé nem cabeça, mas com muito efeito. Isto era feito não só em ônibus, mas em bares, bancas de jornais, filas de banco, etc. Histórias advindas daí hoje correm aos borbotões, mas são ficha pequena diante do estrago proporcionado pelos fakes news, quando de um só lugar e tacada são espalhados mentiras escabrosas e encaminhadas exatamente para pessoas cuja possibilidade de acreditar naquilo é grande. Tudo de causo pensado, premeditado e com destino certo. Tanto antes como agora, estragos à vista.

Foi também lembrado de panfletos feitos na calada da noite e distribuidos da mesma forma, sempre de forma apócrifa e denegrindo o adversário, contando segredos inconfessáveis, nem sempre verdadeiros, mas com intuito de quebrar a resistência eleitoral que o povo persistia em manter com o danado do agora denegrido. Eram distribuidos nos mais diferentes lugares, jogados para o alto em locais públicos e sempre com muitos riscos, pois o coadjuvante, distribuidor dos petardos, podia ser descoberto, preso e daí o risco, contar quem o contratou para o serviço sujo. Em reta final de eleição por esse interiorzão afora isso predominou até bem pouco tempo. Outras mentiras foram lembradas, como a da insistência em focar no aparelho de som do então candidato Lula, feita pelo Collor e com resultado satisfatório. Aliás, contra o PT usa-se tudo, desde mansões no Morumbi, casas na praia, pedalinhos e sociedades em grandes empreendimentos como sociedades com a Friboi e afins. Tudo isso são fakes, hoje bem mais aperfeiçoados.

Mesmo com toda a modernidade não existe o golpe perfeito. Aurélio ouviu histórias do tipo aqui lembradas em cada cidade por onde passou e se fosse juntá-las daria um livro, não de causos, mas de verdade factual dos fatos. Hoje é difícil descobrir os autores, pois os meandros da internet ainda são indecifráveis para a maioria, mas algo já vem despontando e escancarando a falcatrua. Aqui mesmo em Bauru tivemos uma central de fake antes da eleição do Bozo - lá pelos altos da Getúlio Vargas - e até hoje seus mentores estão livres, leves e soltos, sem ao menos saber seus nomes. Já quem produziu o amontoado de fakes no período eleitoral e favorecendo seu Jair, o da casa dos horrores, lá do condomínio carioca, esses estão, pelo que vemos, com os dias contados. O fio da meada foi puxado o crime sendo revelado. Nas cidades pequenas deste país, o grande capital sempre pagou para a mídia local fazer o serviço sujo, escrever por eles, repetir mentiras. Sabujos sempre existiram e o serviço sujo, continua aprontando das suas e elegendo gente desqualificada para o exercício de cargos públicos. O poder do dinheiro é inexorável, inolvidável e irrefreável. Hoje, como ontem, vive-se tempos onde o bom mesmo é desconfiar de tudo. Histórias como as relembradas a gente o faz até rindo, mas revelam a tristeza de como se constrói resultados eleitorais neste país. Somos enganados é não é de hoje, pelo visto, desde sempre.

ESCLARECIMENTOS NECESSÁRIOS - UM NÃO É O OUTRO E O OUTRO NÃO É NOSSO HENRICÃO
Sabe aquilo de cara de um, focinho do outro, pois é, acontece também da gente tem que vir a público e explicar que um não é parente do outro e nunca se conheceram, daí as coincidências são só na aparência física, mas com posturas, ideal de vida bem distintas e em caminhos bem diferentes. Escrevo este texto só para deixar bem claro para incautos que, o advogado da família do Bolsonaro, esse que emprestou a casa para o Queiróz se enconder e dizia até anteontem não saber do seu paradeiro, ele pode até se parecer com o amigo, o Henricão do bar Coisas da Roça, que fez história em Bauru, engenheiro Henrique José Hargreaves Carvalho, falecido aos 64 anos em 2017. As explicações se fazem necessárias, pois leio coisas escabrosas do advogado. Já do amigo engenheiro, dono de bar em Bauru e depois, tocando sua vida até essa chegar ao fim em Pirajuí, levava vida espartana e pelo que sei não gostava nem um pouco de andar engravatado pela aí, muito menos em companhias perigosas. São vidas distintas demais da conta e como as coisas andam um tanto confusas nos últimos tempos, ontem sonhei com o advogado e no meio do sonho me veio o Henricão. Acordei suado, pois o danado me pedia para tomar uma providência diante de fatos tão aproximativos.
Cheguei a perguntar qual e ele foi contundente: "Você que se mete a escrever disso e daquilo, já que sonhou dessa nossa móbida proximidade, escreva algo para dissipar possibilidades de alguma aproximação". Não podendo deixar de atender pedido de tão dileto e considerado amigo, desses onde a gente bebia fiado e pagava quando podia - taí um dos motivos dele ter fechado as portas e ir engenheirar na vida lá na beirada da roça. Deste advogado, pelo que sei, o melhor é passar ao largo, manter distância. Nada além deste texto, reforço, feito a pedido e depois de uma conversa ao estilo de mesa espírita. Na foto do Henrique, mesmo sem ele o saber, ri dessa e de outras situações, dentre essas a de ter escapado de presenciar o país na bancarrota atual. Muita saudade do Henricão, essa eterna, daí posto a seguir links do que já escrevi dele no blog Mafuá do HPA, só pra matar saudade: https://mafuadohpa.blogspot.com/search?q=COISAS+DA+RO%C3%87A. Enfim, dissipadas as mínimas possibilidades de aproximação e conjuminação biológica, segue o jogo, o desenrolar do dia e a necessidade premente de sacar o mais rápido possível Bozo & Cia do poder.

DESOLADO COM O RUMO DOS ACONTECIMENTOS
Tempos atrás, nem sei bem quando, acho que mais de um ano, estava interessado em colocar no vidro traseiro de meu meio de locomoção um adesivo com ilustração que achei das mais interessantes e instigantes: um CADÊ O QUEIROZ. Numa arte do Recruta Zero, o Sargento Tainha - todos do meio militar, como se vê -, cuspia na cara do subalterno.
Não deu para imprimirr em pequena quantidade e o jeito encontrado foi improvisar. Imprimi eu mesmo aqui em casa em papel colorido, recortei e fixei no vidro com adesivo transparente, tipo Contact. Lá ficou e durante o período sei que, muitos me olharam com o fucinho retorcido, porém, outros me paravam na rua e uma vez num sinal, uma motoqueira quiz saber onde podia encontrar um igual. O tempo passou e o improvisado adesivo lá permaneceu, integrando-se à cor do carro. Creio que o adesivo se fundiu ao vidro e agora, diante do fato da prisão e consequente localização do tal do Queiroz, ele está com data de validade vencida. E daí me pergunto: o que faço com o dito cujo? Mantenho no vidro como forma de resistência, pois como se sabe não será com sua localização que tudo está devidamente esclarecido ou retiro e o jogo no lixo. Ontem ao tirar o carro da garagem, um vizinho que pouco converso, desses que achava até ser do contra me aborda e diz: "Cole embaixo um adendo: Agora está em Bangu!". Enfim, são várias opções e como não tenho me utilizado muito do carro nos últimos tempos, vou deixar passar esse final de semana, ver se o Queiroz vai mesmo permanecer lá em Bangu ou algo mais vai acontecer a tão prestimoso detento, para só então decidir os próximos passos a serem tomados. Na pior das hipóteses já estou me vendo, munido de uma afiada faquinha a raspar os fragmentos do adesivo. Se o fizer, só penso em fazê-lo diante de colocar outro em seu lugar e com algo tão contundente quanto a indagação deste que me acompanhou por onde estive neste último ano. Outro dia recebi uma multa vinda pelo DER e a placa estava um tanto apagada, podendo até recusá-la, mas quando fui espiar o vidro também focado no flash, lá estava o "Cadê o Queiroz". Não tive como contra-argumentar, só podia ser mesmo o meu. Paguei e me calei. Agora estou neste dilema, não sabendo ao certo que destino darei ao nefasto adesivo.

sexta-feira, 19 de junho de 2020

DICAS (197)


DEPOIS DE TUDO, SEM PRONUNCIAMENTOS - SÓ AÇÃO
Creio não se façam necessários. Tudo está posto na mesa. Quem é Queiróz, o que fez, onde estava, quem o escondeu e o que acontecerá daqui por diante, principalmente com sua boníssima pessoa. Já do ex-ministro da Educação, um pérfido que nunca deveria ter estado onde esteve e como último ato, até para deixar bem claro as suas e a de todos integrantes deste desGoverno, decreta o fim das cotas. Como já é sabido por tudo, todas e até pelas pedras do reino mineral, após a derrubada deles todos - algo urgente, urgentíssimo -, se fará necessário reeditar muita coisa por esses descartada neste triste momento da História brasileira. Isso tudo ocorrido hoje só deve apressar o passo para colocar o que ainda resta deles por lá, pois continuarão a destuir essa nação. à luta, sem treguas. Já descansamos além da conta por esses dias.

MEDO
Todos nós, queiramos ou não, somos movidos pelo medo. Uns mais outros menos. Ele está por aí e à nossa espreita. Agora mesmo, percebo um invadindo figura pública e tento me colocar no lugar dele. Imaginem os senhores e senhoras o medo que deve ter invadido a vida deste ser chamado QUEIROZ. Ele fez e aconteceu durante bom tempo, deve ter espezinhado a vida de tanta gente, levado medo a elas e assim se movia no tabuleiro da vida, impondo o medo, respeitado pelo medo que representava. Assim se fez, implacável. Combinava uma coisa com o sujeito, a tal da porcentagem que iria recolher mês a mês e quando lá passasse o cara teria que mostrar o contracheque e lhe repassar sem um pio o combinado. Do contrário, sabe-se lá o que poderia acontecer. Com certeza, as pessoas tinham medo dele e mais ainda de quem estava por detrás dele. Ontem, quando de sua prisão, quem devia estar com medo era ele. Ouvi ontem que os que foram lá resgatá-la do seu cárcere - sim, ele estava preso -, sacaram que ele foi ali colocado, sem poder de opção e ali deixado, sem que pudesse nada fazer. Ele, lá no fundo sabe, que está chegando ao fim, nada mais lhe resta, sem opções e alternativas. Aquilo que impunha aos demais, agora acontecia com ele. Encontraram um lugar para ele ficar e teve que aceitar sem pestanejar. Imaginem se tenta recusar? Não teria mais como fazê-lo, era sua única opção. Hoje nem isso tem mais, pois ao ser dali retirado, agora morando em Bangu 8, deve estar com a cabeça em polvorosa, pois diante de um dilema: contar ou não o que sabe. Não contando, não vale nada, pode ser descartado a qualquer momento, pois seu tempo já passou e hoje é pesado mantê-lo vivo. Contando o que sabe, quem lhe garante conseguirá ter tranquilidade e segurança para ter uma vida normal daqui por diante. Enfim, deve dar medo quando a gente chega numa altura da vida e conclue, se borrando de medo, que mesmo vivo, chegou ao fim. Não tem mais pra onde ir, tão e só somente acabou.

SERVE PRA QUE UM CARA COMO ESTE?
Quando olho com mais calma o fato de Bolsonaro ter, a contragosto, demitido o seu ministro da Educação, o de nome difícil de pronunciar, Abraham Weintraub, me deparo com esse problema acontecendo por todos os lugares. Aqui mesmo na aldeia bauruense, nessa enxurrada de cargos de confiança existentes no poder público, quantos não ocupam cargos com pleno conhecimento de o fazer sem estar capacitado para tanto? Não só aqui, mas por todos os lugares. Digo daqui, porque a gente pensa numa pessoa conhecida e o vendo atuando numa área onde não tem nada a ver, nunca se preocupou com aquela questão, mas agora é quem ali está, colocado para responder por aquelas questões. A pessoa aceita isso por vários motivos, talvez o financeiro venha em primeiro lugar, mas tem muitos outros e assim se faz o jogo do poder. Pois bem, esse cara, o Abraham nunca esteve à altura do cargo até agora ocupado, mas isso de ser capaz e estar à altura nunca foi pré-requisito para trabalhar ao lado de Bolsonaro. Lá o negócio sempre foi outro, tem que estar à altura para destruir tudo o que temos. Nesse quesito, por lá, todos são competentes. Mas não é disso que quero escrever. Tento juntar umas coisinhas sobre a pessoa assumir um cargo e mesmo ciente de saber quase nada daquilo, aceitar, assumirr e encarar como desafio. Deve ser triste demais a forma como encara todos no ambiente de trabalho, com todos mais do que cientes do despreparo do novo chefe. Enfim, o que um cara não sabendo nem se pronunciar no seu idioma teria a fazer como Ministro da Educação? Saiu não pelos seus erros, mas por motivos outros, talvez por tentar aparecer mais do que o chefe acima dele. Se fizesse como o ministro da Ciência e Tecnologia, o astronauta, que nada faz, mas sabe se manter quieto, teria grandes possibilidades de tocar o barco até o fim. Agora leio que, está prestes a assumir cargo no Banco Mundial. Tentei entender o que uma pessoa dessa pode contribuir com o que se passa lá neste lugar e não consegui encontrar nada. E o cara deve aceitar - se o convite se confirmar. O filho do Senhor Inominável por pouco não vira Embaixador brasileiro nos EUA. O que vale mesmo é ser amigo do rei. Outro dia tentaram enfiar lá no IPHAN uma pessoa que mal sabia dizer o que correspondia cada letra da sigla. Ele iria para fazer algo específico, aprovar e favorecer algo para apaniguados e destruir o instituto de vez. Isso tudo não é de hoje e não vai terminar com o fim de Bolsonaro, mas algo me intriga: para que mesmo serve um cara como esse Abraham? Fazer o que, colocar onde, serve para que um cara destes? Intrigante isso...

quinta-feira, 18 de junho de 2020

COMENTÁRIO QUALQUER (203)


SÓ ACREDITA QUEM QUER
Alguém em sã consciência acredita que Lençós Paulista possui mais pessoas infectadas com o COVID-19 que Bauru? Nas tabelas divulgadas lá consta Lençóis bem na frente que Bauru e percebo alguns querendo tomar cuidados especiais com a vizinha cidade, quando na verdade devemos todos é tomar muito cuidado com as subnotificações, começando pelas divulgadas à nível nacional, informando um número muito abaixo dos realmente infectados e mortos. Lençóis Paulista, de forma cuidadosa, faz algo com seus próprios recursos, ampliando o número de testes, procurando não esconder, ocultar, colocar pra debaixo do tapete a real quantidade de pessoas infectadas. Só isso, nada mais. Por lá, testes numa quantidade louvável para se conseguir obter uma média justa de infecção, daí se tomam as medidas plausíveis e recomendáveis para o tratamento. Esconder o sol com a peneira é querer continuar apregoando que em Bauru só tivemos até agora 19 mortos. Cansei de conversa pra boi dormir. Dados oficiais são os menos confiáveis neste momento.

CAIU O QUEIRÓZ, O QUE CONHECE DETALHES DA PODRIDÃO
Pois é, depois de tanto tempo escondido, parece que o esconderijo do dito cujo, pelo menos onde foi localizado é numa das residências de advogado da família Bolsonaro, na cidade de Atibaia. Numa dessas coincidências da vida, que com certeza nada tem a ver com a família do Senhor Inominável, o mesmo advogado que emprestou a casa para o fugitivo se amoitar já defendeu em tempos atrás o próprio presidente. Meros detalhes. Enfim, o que mesmo esse tal de Queiroz fez para ser tão procurado? Talvez a maioria já tenha esquecido, mas ele é peça chave para começar a desvendar a falcatrua e o modus operandi dos filhos, que também é o do chefe da clã, ou seja, se beneficiar das benesses públicas, explorar o semelhante pela força e subtrair o máximo do erário público. Pelo visto, todos agem da mesma forma e jeito. Aprenderam com quem mesmo? Quem começou e ensinou a forma na maciota de ir engordando a conta bancária? Veremos pela reação apresentada pelo mandatário mór desta nação para com o agora detido, se apresenta reações a demonstrar preocupação, inquietação e intranquilidade nos futuros atos. Pelo que se percebe, a vida desse cidadão Queiroz passa a não valer mais nada na tabela de preços codificada entre os de vida curta. O cerco se fecha e alguns insistem em dizer que a corda não deve ser estendida. Se estender não aguenta nada, pois tudo está por um fio. Quando iremos rever a prosopopéia da facada, hem!

E O EDITAL PRA CULTURA BAURUENSE, HEM!?!?
Triste voltar ao assunto e sem solução para algo tão simples. Primeiro um Edital proposto pelo Secretário de Cultural e recusado pelo Jurídico (hoje o pré-candidato à Prefeitura pelo PT, Jorge Antonio Soriano Moura disse querer saber o conteúdo dessa recusa) da Prefeitura. Supostamente pedem para procurar a iniciativa privada. O secretário lança algo envolvendo empresas, mas isso há quase duas semanas atrás e até agora nada de concreto. o tempo urge. E ontem, algo de difícil compreensão, uma solicitação para que artistas locais participem gratuitamente em lives da Prefeitura, sem nada a respeito de informar, o saldo e extrato da conta bancária de Fundo Cultural, que segundo dizem gira em torno de R$ 60 a R$ 200 mil reais. O presidente da Câmara de Vereadores, José Roberto Segalla num pronunciamento a respeito disse que, os vereadores aprovariam sem problemas esse valor para ajudar os artistas em dificuldade, mas nada chega até eles. O secretário Rick Teixeira (Ricardo Polettini, assessor de Imprensa da Secretária, veja isso por favor) se mantém calado, tentando algo que não sai pelas vias normais nem a fórceps. Artistas como Ivo Fernandes, Mariza Basso Basso, Paulo Eduardo Tonon, Paulo Balderramas e tantos outros cobram, inclusive posicionamento do Conselho Municipal de Cultura. Semana passada, no feriado de quinta santa, Majo Jandreice disse respondendo a um questionamento que o prefeito estava reunido naquele dia em busca de uma solução e hoje, uma semana depois, nada foi anunciado. Enfim, depois de tanta água passando por debaixo dessa ponte, existe ainda alguma esperança dos artistas bauruenses terem algo proveniente de dinheiro público, de valor já destinado pra Cultura ou mesmo deste Fundo? Enquanto isso, se alguém se interessar, entrando no site da Prefeitura de Salto, dia após dia a divulgação dos artistas que já estão sendo contemplados com edital de lá. Os daqui chupam o dedo e fazem vaquinha nesses difíceis dias. Sabe o que mais quero e espero neste momento? Queimar a língua e vir a público me redimir e dizer que algo foi feito, esmiuçar uma ação concreta, detalhar algo grandioso em prol dos artistas. Não tenho problema algum em pedir desculpas se necessário, mas que algo seja feito e com a devida URGÊNCIA, por favor.

ALGO PARA NÃO SER ESQUECIDO
Não podemos permitir o despejo das famílias do Assentamento Rural em Gália, algo a mais e a demonstrar a insanidade em curso no desGoverno do Senhor Inominável. Barrar essa ação com todas nossas forças...

quarta-feira, 17 de junho de 2020

PERGUNTAR NÃO OFENDE ou QUE SAUDADE DE ERNESTO VARELA (160)


AÇÃO DA EMDURB COM MORADORES EM SITUAÇÃO DE RUA NA REGIÃO DO TERMINAL RODOVIÁRIO

                                               "Nós somos os homens ocos,
                                                          os homens estofados,
                                                          escorados uns nos outros,
                                                          a cabeça cheia de palha."
                                                          T.S.Elliot - The hollow men
Quando vi pela primeira vez as fotos da Valéria de Carvalho
 Costa, a indignação foi a primeira reação. No mínimo, faltou sensibilidade na ação. No mínimo, pois faltaram muitas outras coisas. Compartilho a postagem do vídeo (Eis o link do post: https://www.facebook.com/valeria.decarvalhocosta.9/videos/2588767391336743/) nas redes sociais com o seguinte texto: 

QUE RAIO DE AÇÃO FOI ESSA DA PREFEITURA NO TERMINAL RODOVIÁRIO? 

Que a Prefeitura Municipal através da EMDURB tenta melhorar o aspecto do terminal Rodoviário de Bauru é uma coisa, outra bem diferente é esta ação intempestiva de recolher os cobertores dos moradores da praça/estacionamento defronte o local. Perguntas que não querem calar:

- Por que algo desta natureza justamente agora, com o começo do inverno e diante de uma pandemia em ascenção?

- Para onde foram levados os tais cobertores? Foram todos jogados no lixo?

- Já existe um local apropriado para deslocamento de todos os ali localizados?

- Existe um trabalho anterior de orientação junto a esses, convidando-os para pernoitarem em outro lugar?


São muitas perguntas sem resposta e muita indignação diante de algo que ficou registrado, tanto em fotos, como em vídeo e neste momento, aguardando uma resposta convincente dos órgãos competentes da Prefeitura. Enfim, qual a intenção disso tudo e da forma como foi realizada?

Amanheço e posto uma foto isolada, a da perua Kombi da Emdurb lotada de cobertores com o seguinte texto: “Dentre todas as fotos publicadas por Valéria de Carvalho Costa no estacionamento do Terminal Rodoviário, dois dias atrás, com a retirada dos cobertores de todos os que ali se encontravam em situação de rua, essa ainda se encontra sem respostas: Enfim, o que foi feito, não só com aquelas pessoas, mas com os cobertores lotando essa perua kombi? Foram reaproveitados ou simplesmente descartados?”.

OUTRAS CONSIDERAÇÕES:
Precisamos levar em conta todos os lados da mesma questão. Não estou em condições de ligar para os responsáveis pela Emdurb e ouvir suas justificativas, mas creio, pelo passar do tempo, elas já deveriam ter ocorrido, publicadas em notas com os detalhes do ocorrido. São dois dias do fato e com grande repercussão pelas redes sociais. Leio agora no Jornal da Cidade, ótimo texto da jornalista Tisa Moraes na edição de hoje, “Ação visa acolher moradores de rua em razão da Covid e gera polêmica – Pessoas que vivem na praça da Rodoviária reclamam da retirada de pertences; Sebes e Emdurb negam atitude arbitrária”. Eis o link para a leitura da matéria completa:

https://www.jcnet.com.br/noticias/geral/2020/06/726997-acao-visa-acolher-moradores-de-rua-em-razao-da-covid-e-gera-polemica.html.

Reproduzo também comentário postado ontem por Markinho Pires, conhecido carnavalesco na cidade e atuando como moto-táxi, inclusive na região do terminal rodoviário: “Meu não é por nada não, mas lá tá difícil até pra ir de carro, tudo nóia usando droga e pedindo dinheiro. Não sou a favor de fazerem isto, mas tá feio lá”. Eu frequento rotineiramente o terminal e sei do que Markinho escreve. Não existe como tapar o sol com a peneira. Leio constantemente relatos de frequentadores do terminal assustados com os rumos de abandono e descaso não só de quem deveria cuidar e manter o local limpo e seguro, como das histórias ali vivenciadas, algumas com algum risco, até mêdo. Uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa. A solução para estes vivendo nessa situação, se junta a de outros com outros interesses e quando tudo no mesmo balaio, muita confusão. A Sebes e a Emdurb sabem estar diante de um problema de difícil solução, agravado em muito pelo que se vê país afora, com aumento desproporcional do número de pessoas em situação de rua. Que ali não é lugar ideal para continuarem vivendo, ponto pacífico e só de saber da existência de quem se preocupa com isso, buscando soluções, algum alento.

Li as justificativas, algumas compreensíveis, outras necessárias, mas mesmo assim, muita coisa não bate com a realidade dos fatos. Pelas fotos se vê que não foram retirados somente os cobertores inservíveis. O que foi feito é que todos foram jogados na caçamba da Kombi, misturados inclusive com lixo (num certo momento se vê um servidor jogando galhos no monte de objetos). Ou seja, o destino de tudo, sem nenhuma triagem deve ter sido mesmo o lixo, o que é uma pena. Outro fator é para onde essas pessoas estão sendo deslocadas? Retirá-los do centro, onde conseguem algum durante o dia para sua subsistência e enviá-los para abrigo no Ginásio Improta, depois do Hospital Estadual, caminho para Unesp é algo palatável, mas muitos rejeitam, pelo afastamento de onde tiram o sustento. Essa história me faz lembrar outra, a da derrubada de núcleos habitacionais, tipo cortiços localizados em áreas centrais de várias cidades brasileiras e o deslocamento de seus moradores para locais distantes dos olhos de quem circula pelas regiões centrais. Seria essa a mais usual higienização brasileira ad eternum?

Acompanho e admiro o belo trabalho da Sebes – Secretaria do Bem Estar Social em Bauru, mas não vejo muito integradas as ações deles com a Emdurb – Empresa Municipal de Desenvolvimento Rural e Urbano. Nessa poderia ocorrer uma delas, mas faltou transparência e ação coordenada. Não sou favorável aquelas pessoas continuarem com seus pertences ali naquele canto de praça, além do que, sabemos alguns deles causando transtornos, mas faltou tato, jeito no modus operandis da operação de retirada. Por mais que justifiquem tudo ter ocorrido em consenso, isso só será compreensível se o outro lado for ouvido. O problema é muito complexo e para tanto, muitos detalhes, inclusive o de quem faz campanha pela cidade para arrecadar cobertores, visando que estes não passem frio no período e agora, de uma só tacada observam tudo ser devidamente jogado no lixo. E no mais, quem me diz que hoje, nesse exato momento, no mesmo local não estejam ali localizados os mesmo retirados/despejados dias atrás? Pessoas em situação de rua merecem todo o respeito e consideração, isso sempre necessitando ser colocado em primeiro lugar por todos que cuidam e tratam diretamente com este delicado trabalho. A questão social neste país só se agrava e quando tratada a ferro e fogo, nenhuma solução aproveitável e só o agravamento das tensões. E neste momento - crise política, pandemia, agravamento questão social - é tudo o que não precisamos.

OUTRA COISA DA MESMA COISA - PASQUIM E AROEIRA
1.) ESTE GOVERNO NÃO AGUENTA DOIS PROGRAMAS DE TELEVISÃO
Como todos sabem, sou pasquineiro de quatro costados, mantendo alguns ainda intactos entre meus salvos ao longo do tempo. Num destes, na primeira capa a manchete com uma entrevista do deputado federal, senador e ministro do STF, o gaúcho Paulo Brossard, falecido em 1989, aos 90 anos e de toda sua fala algo que pode muito bem se encaixar no vivido hoje pelo desGoverno do Senhor Inominável: "Este Governo não aguenta dois programas de televisão". A imprensa alternativa desancavava os malfeitores, malversadores do bem público e os humlihavam sem dó e piedade. Hoje, a imprensa, mesmo diante de toda perversidade, milicianismo em curso, ainda pega leve demais com os propondo a destruir o que nos resta de liberdades. Se quisessem não restaria pó sobre pó, pois sendo puxado o fio dessa meada, todos hoje encastelados no poder cairiam de podres. Achei o jornal por acaso e ao dar com a entrevista, ela me arrebatou. "Ah, se ousassem querer mesmo derrubar esses todos!", estou a repetir com meus botões. Mas não, pegam leve, não sei se querendo vê-lo sangrando aos poucos, mas também por saberem que ele, mesmo tão maléfico, fez tão bem o serviço sujo, do interesse desta elite cruel e insana, uma que a nossa mídia massiva acoberta e defende. Só mesmo a imprensa alternativa para ir no ponto, na veia e colocar o dedo na ferida. Hoje ela se apresenta pelas redes sociais e precisam, com urgência, desvendar de uma vez por todos todos os desmandos praticados pela máfia no poder. Cansei de ver a coisa ir sendo cosntruída aos poucos, sendo que do outro lado, eles podem estar se fortalecendo, buscando saídas nada legais. Já do Pasquim, sempre eles tinham frase de duplo sentido, logo abaixo do título do jornal e neste algo sui generis: "Um jornal que não aguenta nem um programa de televisão".

2.) ISSO QUE EU CHAMO DE "COLEGAS DE TRABALHO"
O traço e a verve do cartunista Aroeira eu já conheço de muito tempo. Eu o acompanho desde muito tempo e desde sempre uma empatia ululante, dessas de bater os olhos a primeira vez e nunca mais conseguir desgrudar os olhos. Aroeira tem um lado, o deste Brasil que hoje padece nas mãos do nefasto serial killer, o nazista e miliciano a nos governar da forma mais autoritária possível. Sua charge a demonstrar as proximidades entre o desGoverno do Senhor Inominável e o Nazismo é um primor. Não foi o primeiro e nem será o último. Enfim, a coisa é tão escancarada que, só mesmo os néscios não percebem. Do autoritarismo vigente para um salto a mais, fechamento de Congresso, eliminação de adversários e instituições, o roteiro deste Ovo de Serpente, sendo chocado diante de nossos olhos é mais que realidade, pois está aí, a cada dia um novo ato a comprovar que o chargista acertou na mão e em cheio. Quiseram processá-lo e pelo visto, terão um pequeno probleminha pela frente. A categoria dos chargistas/cartunistas é unida e está toda ela produzindo charges de igual teor e assinando junto dele, ou seja, terão que processar todos. Isso é mais, muito mais que simples COLEGAS DE TRABALHO. Isso são verdadeiros amigos, companheiros de luta e de empreitada. Me somo a esses e vejo que só chegaremos no objetivo final agindo da mesma forma e jeito, um encampando o que outro fez, chamando também para si a responsabilidade e lá na frente, todos juntos se defendendo e esgrimando unidos pela derrocada do mal maior a nos infernizar a vida. Ações como essa são um maravilhamento da vida.