sexta-feira, 24 de janeiro de 2025

CARTAS (238)


CARTA RENÚNCIA TORNADA PÚBLICA*
* Continuar militando é uma coisa, continuar exercendo cargos dentro do DM - Diretório Municipal, diante dos fatos alencados e agora divulgados, é outra coisa. Os termos da Carta Renúncia são explícitos e essa não ocorreu antes, ou seja, logo após o resultado do pleito municipal, ano passado, pois existiam obrigações a serem cumpridas por essa Direção, principalmente na questão de Finanças, junto a Cartório local. Tudo resolvido, a saída está sacramentada a partir desta data. Vida que segue. Documento enviado nesta data para DM - Diretório Municipal, via whatsapp e DE - Diretório Estadual, via carta registrada.
HPA

CARTA DE RENÚNCIA COLETIVA DO GRUPO DNA PETISTA E MOVIMENTO SINDICAL PETISTA AOS CARGOS OCUPADOS POR SEUS MEMBROS NO DIRET
ALÓRIO MUNICIP DO PT DE BAURU-SP – Bauru SP, 24 de janeiro de 2025.
Por meio desta, nós membros do grupo DNA Petista e Movimento Sindical Petista comunicamos ao diretório do Partido dos Trabalhadores do estado de São Paulo e ao diretório do Partido dos Trabalhadores da cidade de Bauru a decisão de RENUNCIAR a todos os cargos que ocupamos no Diretório Municipal de Bauru e na sua Diretoria Executiva. Este grupo toma essa decisão após avaliar que da nossa parte foram feitos todos os esforços possíveis para agregar os militantes, simpatizantes e eleitores do PT junto à instância institucional local do partido na cidade.

Aqueles que acompanharam toda a trajetória desde o resultado final do processo de eleições diretas (PED) do PT realizado em 2019 sabem que a composição das chapas que disputaram esse pleito não é mais a mesma. Na formalidade dos nomes que constam nos documentos, o Diretório foi composto naquela ocasião, por duas chapas, cada uma representando 50% dos seus membros oficialmente registrados no Cartório Eleitoral.

Entretanto na hora em que as decisões políticas crucias tiveram de ser tomadas desde então, ficamos em vários momentos minoria, por migração de votos que se juntarem à outra chapa. Ainda que essa situação não seja recente, procuramos ao longo desse período praticar o diálogo com aqueles que não pertencem ao DNA petista e Movimento Sindical Petista, sempre na busca de construir pelo convencimento a unidade do PT de Bauru. Prova disso é que nunca partimos para atitudes como boicotes a reuniões do diretório ou da executiva, de modo a não haver quórum e assim as atividades não acontecerem.

Este grupo sempre atendeu às convocações para reuniões da executiva e atividades do diretório abertas para público mais amplo, como consta nas atas do partido ao longo do período em que estamos no diretório. Ainda assim, procuramos sempre apostar em continuar tentando construir mesmo com adversidades, mas neste momento acabamos por concluir esgotaram-se as possibilidades de modificar esta situação.

A motivação final e fundamental para a tomada de nossa decisão foi o golpe sofrido pelo Partido dos Trabalhadores de Bauru quando parte extremamente significativa da direção municipal, sem conhecimento e nem participação do Presidente do partido, em conluio com as direções dos demais partidos participantes da Federação, nomeadamente o Partido Comunista do Brasil (PCdoB) e o Partido Verde (PV), e com o apoio da Direção Estadual, desrespeitaram a decisão soberana do Diretório Municipal por candidatura própria do PT para a disputa à Prefeitura Municipal, decisão tomada em plenária no dia 05/05/de 2024.

Tal decisão contribuiu para desfigurar o PT no cenário local e regional ao impedir a realização de uma campanha eleitoral efetivamente petista. Foram impostos candidatos com perfis sem qualquer identidade com o partido, que se tornou irreconhecível pelo público, impedido de conhecer um programa de governo que nos representasse e defendesse adequadamente o governo Lula como deveria ter sido feito.

Diante do exposto e a partir de agora, deixamos de compor o Diretório Municipal do PT em Bauru. Saímos da luta no planalto e voltamos para a luta na planície, como Núcleo de Base DNA Petista Bauru, onde começamos a nossa trajetória de militância contra o Golpe de Estado que derrubou a presidenta Dilma em 2016; denunciando a Operação Lava Jato como parte de uma trama para acabar com PT e eliminar da vida política o presidente Lula, abrindo caminho para a vitória do projeto fascista, representado pela eleição de Bolsonaro em 2018.

SUBSCREVEM E ASSINAM ESTE DOCUMENTO:
1 – Claudio Lago – Presidente
2 – Wellington Jorge Braga de Oliveira – Secretário de Finanças
3 – Maria Cecília Martha Campos – Secretária Geral
4 – Henrique Perazzi de Aquino – Secretário de Comunicação
5 – Luzia Aparecida Siscar – Vogal
6 – Aparecida Dias – Diretório Municipal
7 – Fátima Regina Ferreira Lima – Diretório Municipal
8 – Francisco Wagner Monteiro – Diretório Municipal
9 – Jesus Francisco Garcia – Diretório Municipal
10 – Luciana Dias Barbosa – Diretório Municipal
11 – Pedro Henrique Braga Dias – Diretório Municipal
12 – Ricardo Epifânio Santana – Diretório Municipal
13 – Valquíria Vera Correa – Diretório Municipal
14 – Alexandre Gasparotti – Suplente
15 – Bruno Eloy – Suplente
16 – Salvador Dias Filho – Conselho Fiscal (Suplente)
17 – Nádia Barnes – Conselho Fiscal (Titular)
18 – Ana Rosa Atique – Conselho Fiscal Suplente
19 – Rosângela Maria Barrenha – Conselho de Ética (Titular)
20 – Nilson Polinário – Conselho de Ética (Suplente)
HPA, pela transcrição e publicação

quinta-feira, 23 de janeiro de 2025

FRASES (253)


COMO FOI DE FATO OS PRIMÓRDIOS DE BAURU – A DIZIMAÇÃO INDÍGENA, CONQUISTA DE TERRAS, FERROVIA E CORONÉIS

Meu quarto livro lido no mês: “SONÂMBULOS DOTADOS DE VISÃO”, LUIS PAULO DOMINGUES (Editora Pessotto SP, 2019, 1ª edição, 180 páginas)
Este foi um dos livros mais impactantes que li nestes últimos tempos. Escrito por um jovem memorialista bauruense, uma revelação no campo da escrita, direto e reto, contando a história como de fato se deu e quando não diante de toda documentação para fazê-lo, faz uso da imaginação e de algo pelo qual todos temos a mais absoluta certeza, porém, faltando documentos comprobatórios. Daí, ele intitula seu livro como romance ou ficção, eu preferindo denomina-lo como realismo fantástico. Pois bem, Luis descreve como foi de fato a “epopeia de sangue e morte” da ocupação do território onde hoje vivemos, Bauru e região, lá pelos idos do século XIX, quando ainda habitada somente pelos índios e depois, de toda devastação, dita e vista como progresso. O certo é que, todos sabem, vivemos hoje num local onde ocorreu uma carnificina sem precedentes, tudo descrito nos mínimo detalhes neste livro, algo que, considero está pronto para ser transformando num imenso projeto cinematográfico. Os detalhes de como foi essa ocupação assustam e para os que fingem nada ter acontecido, eis um tapa na cara, tudo escancarado neste vibrante e envolvente texto. Confesso. A fácil escrita de Luis me pegou de jeito e quando comecei não queria mais parar. Se querem saber de fato como se deu o passado nada gratificante e enobrecedor dos primórdios de Bauru e de todas nossas cidades no entorno, enfim, como se deu o massacre dos índios que, bravamente resistiram ao avanço dos tais “sonâmbulos”, gente que, para fazer o serviço sujo – este o lado mais dignificante da escrita – não conseguindo fazê-lo sem estar em transe, o fazem de cabeça feita e muitos passam a viver desta forma – alguns até hoje. Por tudo isso e muito mais, não só recomendo, como indico para ser devastado em todas nossas escolas. Para mim, o melhor livro de história que li até hoje sobre este período, com pouca documentação, daí se fazendo necessário uma escrevinhação mesclando o real e o imaginário sobre estes “sonâmbulos conquistadores, aqueles demônios terríveis que vão tomar todo o sertão do oeste paulista”. Belezura sem precedentes.

Seleciono frases que muito dizem deste sonambulismo e dos detalhes dessa ocupação:
- “Os pioneiros alucinados estavam a serviço de uma tarefa demoníaca que envolvia muito dinheiro e poder. Para eles e para quem pagava por todos aqueles capetas rumos ao oeste, havia uma meta a cumprir. (...) Mas a Santa Igreja Católica era uma base que justificava até o mal e até mesmo o pacto com o diabo, feito em razão do motivo financeiro daquela busca pelo oeste. (...) A partir de 1850, Deus, o diabo, a Igreja e o Capitalismo avançariam pelas florestas do oeste, comendo pedaços do sertão inexplorado de São Paulo”.

- “...onde já existe uma freguesia de humanos ditos civilizados – os mesmo que estão, na prática, roubando aquelas terras dos índios aldeados e os fazendo escravos. Ou os tornando mendigos e bêbados. (...) ...o que eles querem é terra e as terras vazias para tomar de graça estão todas ao oeste”.
- “...garantem que Kaigangue não serve para trabalhar e que para isso nós temos os Guaranis e os Otis. (...) E que se é assim, que os Kaingangues não aceitam trabalhar, então vão morrer todos. Mas o Guaranis, vamos poupar. (...) Kaigangue tem que encontrar e matar, porque do contrário eles voltam para matar a nossa gente. (...) Não se leva Kaigangue aprisionado”.
- “...foi aconselhada a manter-se o máximo de tempo dentro do estado de sonambolismo, pois entrariam em uma área terrível por onde ninguém jamais passara. (...) Teria mais energias para vencer os índios se estivesse alucinado pela promessa da fortuna”.
- “...um Kaigangue que se preza não fica em um lugar apenas. Ele anda. Ele é um nômade que percorre e conhece profundamente o seu ambiente”.
- “...e Bauru vai ficar cheio de gente branca e civilizada, não tendo os índios outra saída senão retirarem-se para longe daqui. (...) ...mais homens brancos chegam e empurram a linha de fronteira para o oeste, obrigando os índios a estar perpetuamente em fuga das entradas promovidas pelos arautos da civilização no seio da selva paulista. (...) Era preciso tocar o terror no sertão. (...) Precisavam de mais crueldade e do mal em estado puro, antes de fincar efetiva e definitivamente a cruz de Nosso Senhor Jesus cristo no seio da mata inculta da província”.
- “A partir da metade do século é que os paulistas foram tomando o gosto pelo poder titânico do capitalismo e, então, aderindo ao sonambulismo satânico como forma de enriquecer. (...) O tilintar do metal em moedas ia soando nas cabeças paulistas quanto mais avançavam as décadas do século XIX. (...) É um sem mundo de terrar vazias. É dar cabo dos índios e tomar tudo. (...) Quem não é sonambulo fica com pena facilmente de tudo e de todos. (...) Urge agirmos da forma mais discreta e rápida possível. A hora é agora. (...) Nós não podemos mais ficar reféns das regras cheia de dedos dos governantes”.
- “A verdade e a necessidade é que temos que matar todos eles o quanto antes, para liberar espaço para futuras lavouras de café. (...) O indígena aparecida como um obstáculo ao progresso. (...) mais o final do século se aproximava, mais ficava patente que as fronteiras paulistas seriam alargadas – e os índios, derrotados. (...) precisamos levar a ferrovia até lá e resolver de uma vez por todas a questão dos selvagens”.
- “O patrimônio de Bauru é a paragem preferida de muitos aventureiros. (...) ...e decidiram, no tapetão, mudar a sede do município para a Vila de Bauru. (...) Com as ferrovias, veio uma nova modalidade de sonâmbulos para o oeste: os sonâmbulos ferroviários. (...) O entorno das duas ferrovias se tornou um grande acampamento de gente da pior espécie. (...) A Noroeste não podia prosseguir muitos quilômetros depois do povoado de Bauru, pois os engenheiros não tinham a menor ideia do que havia além dele”.
- “Conforme a ferrovia avançava na mata fechada, os surtos de malária, os ataques das onças pintadas e o terror diante da ameaça dos Coroados aumentavam. (...) Os funcionários de baixo escalão, uma imensa massa de coitados iletrados e imigrantes desnorteados, recebiam uma parca comida e parco salário. Morriam aos magotes, como se dizia na época, e o pátio da Noroeste em frente à Praça Machado de Mello virou um verdadeiro depósito de cadáveres. (...) Não havia dinheiro para pagar todo mundo e o resultado desse liberalismo foi trágico. (...) Alheios a tudo estavam os numerosos coronéis, autoridades máximas naquele velho Bauru em transformação”.
- “Bauru tinha muitos coronéis, muitos deles inimigos entre si. (...) Cada jornal era de uma corrente de poder e elas se enfrentavam, às vezes à bala e em plena Rua Batista de Carvalho. Capangas e coronéis atirando no centro da cidade e se engalfinhando no areal terrível que havia na rua principal. (...) Durante alguns bons anos, foi um perigo fazer uma viagem de trem de Bauru até a ponta da linha. (...) Os governantes estão loucos para passar por cima de tudo com as ferrovias e com o café. (...) Toda noite havia briga e bebedeiras no centro de Bauru. Ali era o caos”.
- “Os Kaigangues remanescentes do Estado de São Paulo foram aldeados em terras que circundam mais ou menos o lugar onde teve praça a pacificação. Viveram doentes e largados pelo governo e os restos dos seus dias; e os seus poucos descendentes acabaram por deixar os aldeamentos e foram tentar a sorte no meio da dita civilização moderna, figurando sempre e invariavelmente nos extratos mais baixos das pirâmides sociais”.

como se dá o sonambolismo nos tempos atuais
CONTINUO LULA E CONTRA GOLPISTAS
Por Rogério Marques: "Lula entre dois fogos
O governo do presidente Lula está vivendo um momento difícil, que se agrava a cada dia. De um lado, é alvo de uma extrema direita feroz, golpista, que por pouco não venceu as últimas eleições e agora quer levar no "tapetão", na mentira, nas fake news, como temos visto.
De outro lado, Lula é fustigado por setores de uma esquerda estúpida, obtusa, que lhe cobram mais e mais reformas, para ontem, mesmo vendo as dificuldades enfrentadas pelo presidente, com um Congresso dominado em grande parte pela direita e a extrema direita.
Se o desemprego cai, é porrada no Lula. Se o PIB aumenta, porrada no Lula. Se a proposta é isentar do Imposto de Renda quem ganha até cinco salários mínimos, porrada no Lula. Taxar os supersalários, porrada no Lula.
Em tempo: não se trata de ser "lulista" ou não ser "lulista", ou de ser "petista" ou não ser "petista". Trata-se de não ser estúpido.
Na quarta-feira (22), o título do editorial do Estadão era "Lula já não governa. É governado". Lembrei daqueles dois famosos editoriais do "Correio da Manhã" nos últimos dias do governo do presidente João Goulart -- "Basta" e "Fora".
Depois do golpe, o "Correio" se arrependeu e passou para a oposição aos militares, mas já era tarde. Sufocado pela ditadura, o jornal, meu primeiro emprego na imprensa do Rio, fechou as portas exatamente 10 anos depois, em 1974."
(Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil)

quarta-feira, 22 de janeiro de 2025

DICAS (253)


ELES ESTÃO ENTRE NÓS...
Se queres encontrar um Donald Trump, saiba, aqui o temos. Se querem econtrar um Elon Musk, com certeza, o temos bem aqui e atuante junto de nós. Se querem se deparar com um Marc Zuckerberg, destes que se apresentam como bonzinhos, mas na verdade são tão cruéis como todos os demais, com certeza, os temos e vários deles aqui atuando ao nosso lado, quando não muito, também junto. Querendo buscar alguém como Steve Bannon, o mago da crueldade, agora se mostrando além disto, com viés marcadamente nazista, não se espantem, muitos deles estão bem aqui ao nosso lado. Isso, não demonstrando nenhuma dificuldade em encontrar, não só adeptos como gente como a mesma linha de pensamento e ação do comandante da polícia paulista, o tal do implacável capitão Derrite ou mesmo do governaAdor Tarcísio de Freitas. São facilmente encontrados em todas nossas esquinas, bares, vielas e ruas movimentadas. Bolsonaristas então, se encontram aos borbotões. Matadores e ocultadores de corpos, como o de Rubens Paiva, temos vários, assim como variados e múltiplos cabos Anselmos, se fingindo de amigos, mas sempre na espreita para nos delatar e apunhalar pelas costas. Aqui, na verdade, temos todos estes e muito mais. Não precisamos, portanto, ir muito longe, como lá nos EUA, em busca de exemplos de vilania e soberba, brutalidade e ignorância, pois estes estão por toda parte, tanto lá, como também aqui. Não os reconhece? Fácil. Tente conversar pelas ruas e lugares comuns. Não se surpreenda. Eles estão entre nós e não é de hoje...

EU ATÉ QUERIA ESCREVER ALGO A RESPEITO, MAS O FERNANDO REDONDO DISSE TUDO E ASSIM, ME RENDO A ELE E O COMPARTILHO: PARABÉNS PELA PRECISÃO DO TEXTO
Quando a prefeita Suéllen Rosim trocou os bastidores políticos pela frente das câmeras, muita gente achou que estávamos diante de uma revolução. Afinal, quem precisa de experiência administrativa quando se tem carisma de youtuber e uma bancada legislativa moldada para aplaudir cada “performance ao vivo”? Só que, no reality show da gestão pública, o que conta não é o número de visualizações, mas a capacidade de transformar projetos em algo que não vire fumaça no primeiro teste sério.

A prefeita, conhecida por sua habilidade em gravar vídeos explicando o óbvio ou desviando de perguntas incômodas, montou um cenário perfeito no Legislativo. Uma bancada de apoio tão dócil e obediente que parecia mais uma plateia de fãs. Entre os vereadores, nenhum ousava desafiar o script. Leis eram aprovadas com rapidez quase assustadora, sempre com aquele clima de "confiança cega" que beira o constrangedor. O Legislativo virou uma extensão da assessoria de comunicação do Executivo, com aplausos coordenados e selfies de brinde.

Mas eis que, quando a estrela principal do espetáculo finalmente apresenta seu grand finale — o edital de concessão da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) —, o que acontece? A realidade bate à porta. O Tribunal de Contas do Estado (TCE) resolve jogar o balde de água fria e barra o show, apontando irregularidades básicas que nem a bancada mais leal conseguiu maquiar.

A ironia? Não é apenas a incompetência técnica do Executivo que brilha nessa tragédia. É o silêncio ensurdecedor de sua tropa de choque legislativa, que, quando deveria exercer seu papel fiscalizador, preferiu a postura de “carimbadores de luxo”. Afinal, o que seria mais importante do que aprovar a pauta da “prefeita youtuber”, não é mesmo? Só que agora, com a obra desmoronando, quem vai encarar os eleitores que ainda têm coragem de perguntar: “Vocês aprovaram isso como?”

O pior de tudo é a inversão de papéis. Em vez de servir como contrapeso ao Executivo, o Legislativo de Bauru foi reduzido a um balcão de homologações — um eco de “sim, prefeita!” em todos os tons possíveis. E, enquanto isso, Suéllen se especializava no discurso do “não é culpa minha” com a maestria de quem já sabe qual filtro do Instagram usar para parecer indignada. Tudo muito bem ensaiado, é claro.

E agora? Agora a prefeita e sua bancada enfrentam um cenário onde até o TCE decidiu lembrar que existem limites para o improviso administrativo. O edital, anunciado como a solução mágica para os problemas da cidade, foi barrado por problemas técnicos e falta de transparência. Quem poderia imaginar que a pressa para aprovar algo sem o devido cuidado resultaria nesse fiasco? Ah, sim, qualquer pessoa com o mínimo de bom senso.

Enquanto isso, os vereadores que se acotovelavam para aparecer ao lado da prefeita nos eventos agora fazem malabarismos para se desvincular da lambança. É como se, de repente, ninguém tivesse lido a pauta antes de votar. Um mistério que rivaliza com os melhores roteiros de ficção, mas sem o final feliz.

A prefeita, no entanto, segue firme em sua narrativa, pronta para gravar mais um vídeo, talvez culpando o TCE por “perseguir” sua gestão ou, quem sabe, lançando mais uma pesquisa no Instagram para decidir a próxima desculpa oficial. A questão é: quanto mais tempo vai levar até que o roteiro mude? Até quando o Legislativo vai servir de figurante na novela que é a gestão pública de Bauru?

Por enquanto, o que temos é isso: um Legislativo que abdicou de seu papel de guardião da cidade, uma prefeita que transforma erros grotescos em narrativas criativas e um edital que deveria iluminar Bauru, mas acabou iluminando a falta de seriedade que marca esta gestão. No final das contas, o único brilho que restou foi o da maquiagem da prefeita, ajustada para mais uma gravação.

Bauru merecia mais. Mas, por enquanto, tudo o que temos é um espetáculo de improviso onde o público paga caro, mas sai sempre insatisfeito.

QUANDO UM RELIGIOSO TEM O DEVER DE COLOCAR O POLÍTICO NO SEU DEVIDO LUGAR
Discordar da religião no todo é uma coisa, porém, concordar com o posicionamento e a fala de alguns dos religiosos é outra coisa. Este um destes momentos.

terça-feira, 21 de janeiro de 2025

RELATOS PORTENHOS / LATINOS (140)


EU TENHO HISTÓRIAS DE PESSOAS PARA RELATAR, CONTAR E DIFUNDIR, MAS NO MOMENTO, COM O QUE OUVI DE TRUMP EM SUA POSSE, A GARGANTA CONTINUA ENGASGADA

É DISTO QUE ESTAMOS FALANDO
"O mais recente relatório da Oxfam, apresentado ontem no Fórum Econômico de Davos, na Suíça, mostra que a riqueza dos bilionários cresceu R$ 12 trilhões em 2024, três vezes mais rápido do que no ano anterior. Cada um dos dez mais ricos do mundo ganhou, em média, 100 R$ 600 milhões por dia! Mas eles querem mais, e abraçaram alegremente o fascismo em nome do lucro e da desregulamentação generalizada. A saudação nazista de Elon Musk na posse de Donald Trump escancarou de vez o jogo dos oligarcas, que foram de neoliberais a neonazistas sem escalas. Quem apoia nazista, nazista é. Estes são nossos inimigos. A luta é árdua e permanente, mas a democracia vencerá. Bom dia", Jandira Feghali, deputada federal carioca. 

ÀS TRUMPADAS*
Mal assumiu como 47o presidente dos EUA, Donald Trump anunciou que militarizará a fronteira sul e usará uma lei de 1798, que permitiu a criação de campos de concentração japoneses durante a Segunda Guerra, para expulsar milhões de migrantes sem processo legal. Ele também reafirmou sua decisão de assumir o canal do Panamá e chamar o golfo do México de “golfo da América” | Por Axel Schwarzfeld [ https://bit.ly/3WqQclR ]
* A Capa e todo o texto da edição de hoje do diário argentino Página 12 é bastante elucidativa da desgraça onde o mundo adentrou a partir de ontem com a posse de Trump nos EUA.

A cerimónia de tomada de posse do presidente dos Estados Unidos deixou alguns avisos para o futuro. O passado supremacista de Elon Musk e a reconfiguração da ordem mundial. Uma das medidas anunciadas por Trump elimina o chamado direito de solo, que, ao abrigo da 14a Emenda da Constituição, garante a cidadania americana a qualquer pessoa que nasça em território nacional. As medidas anunciadas por Trump abrem caminho para que o republicano cumpra as suas promessas eleitorais de realizar a maior campanha de deportações de migrantes da história e impedir a passagem de migrantes e requerentes de asilo na fronteira com o México.Anunciou que só reconhecerá dois gêneros, o masculino e o feminino e que está proibido conversas em escolas diante da tal bandeira colorida. Trump disse ainda que quer que o país recupere o controlo do Canal do Panamá porque, como afirma, há presença chinesa, e queixou-se também do elevado preço que os navios americanos estariam a pagar ao cruzar a hidrovia interoceânica. "A China está operando o Canal do Panamá. Mas não o entregamos à China. Demos ao Panamá e vamos recuperá-lo", disse ele. De um leitor do jornal: "Muy gracioso la farsa montada por Trump y todos los que quieren creerle. Presenta a los Estados Unidos como victima de UN mundo malvado. Tal vez una version moderna y mucho mas grotesca del poema "the burden of the white man" por R. Kipling. Ellos, ahora se pintan como la victima abusada, ellos que han declarado guerras o sin guerras, que han invadido e invadiran a cuantos ellos quieran, que bombardean poblaciones civiles, secuestran y asesinan a todos lo que se les pone en el camino son victimas. Ellos los que blockean paisess, que promueven guerras y guerritas y ganan muchisimos dolares, ahora segun Trump van a dejar de ser victims. COMO SERA DE TERRIBLE ESO, MY GOD!".

pouca vergonha
SAMBÓDROMO ABANDONADO E DO OUTRO LADO SEGUE A DESTRUIÇÃO DO QUE RESTA DAS MINAS D'ÁGUA DO ÁGUA COMPRIDA - SUÉLLEN ROSIM NO COMANDO
"É inadmissível que Bauru tendo o primeiro sambódromo do interior do país, deixar esse espaço se deteriorar em benefício de um projeto de poder e com isso destruir minas d'água do Água Comprida e nossos " nobres vereadores " não se manifestem pois todos também têm participação nesse projeto de poder, BAURUENSE, pelo amor de Deus, pelo amor a Bauru, precisamos acabar com essa farra da republiqueta de Birigui", Renato Afonso Crepaldi.

O que acontece em Bauru é mais do que de cair o queixo. Quando observamos Trump dizendo que os EUA irá sair da OMS - Organização Mundial de Saúde, da qual foi páis fundador e apoiou ao longo de muitas décadas a erradicação de muitas doenças, hoje o inconcebível diz que, isso é algo inexpressivo e vai acelerar a depredação do mundo. Aqui em Bauru, guardadas todas as proporções, impossível não associar o que se vê a ocorrer, em atos administrativos como este, onde o Sambódromo é esquecido, largado às traças e ali perto, do outro lado do vale, o início de de uma devastação no que ainda resta de mata original, tudo para que possa surgir no local empreendimentos imobiliártios, gerando lucro para uns e o dito progresso. A destruição por aqui começou desde a chegada dos nossos primeiros habitantes e com eles, uma noção de progresso, para tanto se fazendo necessário dizimar os índios, antigos habitantes e impedindo a devastação. Ela, a devastação, continua ocorrendo numa intensaidade muito parecida e os argumentos para que ocorra, não mudaram tanto assim. Continuam quase os mesmos. Em breve, tudo dominado, ou melhor ocupado e sem resquícios de vegetação verde. Daí, quando reclamarem do aumento do calor, das intempéries, catástrofes, lembrem-se de que, tudo vai ocorrendo lentamento, em drops, uma devastação aqui, outra ali, depois acolá e no conjunto da obra, a desgraça acelerada. Cada um dos que aceitam, promovem e legalizam essa perdição possuem culpa no cartório. Daí, a atual alcaide municipal, Suéllen Rosim, ao aceitar que tudo ocorra, tem seu nome inscrito como predadora do que nos resta de áreas verdes. Pérfido papel.

segunda-feira, 20 de janeiro de 2025

UM LUGAR POR AÍ (190)


O DIA DE HOJE E O QUE VIRÁ PELA FRENTE
Pois bem, Donald Trump assume seu mandato nos EUA e pelo que se avisa e se antecipa, este será um desGoverno para o restante da humanidade. Os EUA sempre foram protecionistas e fizeram a defesa dos seus interesses mundo afora, custe o que custar e doa a quem doer. É a política do venha a nós, a única que entendem e praticam. Para eles, não existe outra. Tanto fazer democrata ou republicano, a crueldade irá acontecer e padeceremos de qualquer forma e jeito. Só que, neste momento, pelo que se anuncia, diante de um mundo aos pedaços, necessitando e muito de governantes que brequem o protocolo e façam efetivamente algo em prol do planeta, não é nada recomendável assumir um descabeçado, maluco e propondo exatamente o contrário. Se o colapso já é mais do que evidente, agora sua precipitação será praticamente irreversível e ocorrerá num espaço de tempo muito menor.

Isso uma coisa e outra serão as maluquices já anunciadas. Me atenho as com os olhos da maldade e perversidade voltados mais precisamente para a América Latina, onde vivo. Pelo que se percebe, pelos malucosa todos no entorno de Trump, gente muito rica e da pior espécie, tentarão nos dominar a todo custo e fazendo uso do meio cibernético, praticamente todo sendo controlado por pessoas ligadas umbilicalmente aos interesses trumpistas. E que interesses são estes? Na verdade, estarão se lixando para nós e como sempre - agora mais -, seremos mero quintal de experimentações, provações e submissão total. Quem ousar agir na contramão, sofrerá e padecerá não no purgatório, mas no fogo do inferno. Quem ousar se dizer de esquerda, será duramente perseguido, massacrado e se não ocorrer algo que una estes, desde já, podendo exercer algum tipo de pressão, pela organização popular, seremos todos engolidos, triturados, deglutidos, digeridos e expelidos da pior forma possível.

A direitona nazista chegou ao poder e se quisermos combater estes, algo precisa ser feito já. O filho do capiroto, que hoje é sanador da República já ergueu seus braços na saudação nazista, momentos antes da posse e este será o sinal a ser seguido pelos seus. Só mesmo com uma Justiça implacável, pois deixando eles se encorparem mais, pode esquecer, não daremos mais conta e seremos dominados e é claro, eliminados. Só a conscientização popular pode reverter o que virá pela frente, mas como somos débeis no manuseio e controle das redes sociais, prevejo tempos difíceis. Se não conseguimos reverter um boçal espalhando mentiras sobre o PIX, imagine o resto, tudo sob controle dos tais donos do controle de tudo o que a gente vê, assiste e ouve.

Não quero ser pessimista, nem ficar conjecturando sobre probabilidades futuras. O embate será duro, implacável e farão o possível para destruir qualquer tipo de oposição aos interesses em jogo. Escrevo isso me utilizando neste momento de um espaço permitido por gente ligada a Trump e no oposto disso. Ou seja, nem saber por quanto tempo ainda me permitirão escrevinhar o que penso é possível neste momento. Se não estão permitindo nem o Tik Tok, que tem origem chinesa, continuar atuando dentro dos EUA, sem que façam barulho oposionista, imagine os que escrevem contra o que fazem e tentam abrir mentes.

Tudo um incógnita, tudo no campo do chute, mas com alguma razoabilidade de que, a desgraça pode estar se aproximando e como reverter isso tudo, talvez seja um papel para um Hércules do século XXI, algo ainda não imaginado. Tudo nesta vida tem começo, meio e fim. Imaginoeu, na minha pouca compreensão que, essa briga toda, essa confusão toda, essa maluquice toda de Trump e os seus é por perceberem que, se deixar como está, o poderio norte-americano estaria com os dias contados. E vão fazer uso da força para segurar por mais um tempo tudo sob seu controle. Até quando não se sabe, mas como estaremos no meio do fogo cruzado, com certeza, muita bala sobrará para nossos costados.

E A BAURU TRUMPISTA...
Vasculhando algo sobre a posse do Trump nos EUA dou de cara com um vídeo do governador de São Paulo, o pérfido Tarcísio de Freitas, que ao invés de promover algo em prol da defesa do povo paulista, se mostra feliz da vida e ostentando um boné norte-americano. Repete um gesto parecido com aquele quando marretou várias vezes com um martelo num leilão de privatização. No mínimo ele é desajustado e sua postura não é condizente como a de um normal governador brasileiro. Porém, ele representa um segmento fortalecido com a eleição de Trump. Seu gesto é natural de alguém ultra-direitista, o que ele sempre foi, nunca escondeu isso de ninguém e nem por causa disso deixou de ganhar a eleição paulista.

Vejo o gesto dele e tento imaginar como deve estar sendo a reação de nossos políticos, ou pelo menos, a dos que se encontram no poder. Sei que, muitos teriam normalmente a mesma reação de Ellon Musk em sua fala sendo entronizado ao poder, quando levanta a mão, bate no peito, igualzinho a um nazista. Infelizmente Bauru está dominada por um conservadorismo retrógrado e perigoso, com proximidade umbilical com Tarcísio, daí, estes todos, adeptos incondicionais deste desGoverno paulista, o que se supõe é que estão contentes e alinhados com a linha de pensamento e ação do novo governante norte-americano. Creio que, se fossemos colher dos nossos atuais vereadores, se estão felizes com a chegada de Trump, o resultado seria parecido com o da aprovação e alinhamento com Suéllen, algo em torno de 17 x 4.

Vejo que, nossa alcaide já governa a cidade ao estilo trumpista, com um tom auroritário, se lixando pouco para o que irão achar de sua decisões. As toma e pronto, dane-se quem é contrário ou quer mostrar alguma contrariedade. Dá pra perceber, gostaria de ampliar decisões dessa natureza e agora possui maioria fácil e pode assim agir, até ampliar, pois com Tarcísio agindo do mesmo jeito, tudo espelhado em Trump, o que virá daqui por diante, ao meu ver, será uma intensificação. Trump, dessa forma, amplia os maus exemplos e seus seguidores, farão o possível para reproduzí-los, aproveitando-se do momento. Quem hoje está no poder em Bauru possui laços autoritários, idênticos ou similares ao de Trump, daí se tudo já está sendo tocado tendo ele como exemplo, antes da posse, agora que já começou a governar, a tendência é se intensificar. O Judiciário de lá já se mostrou conivente com o que virá. Tomara que o daqui não siga o mesmo exemplo, até porque ainda vivemos num regime dito como democrático, o que nos EUA, pelo que se confirma, isso já é coisa do passado.

COMENTÁRIO NO POST DE GERVÁSIO VALENTIM: "O Porco bilionario Trump está iniciando um governo para ele e para os bilionários iguais a ele e até mais que ele. Os donos da Big Techs que o digam. Tiraram as máscaras e as fantasias de outrora civilizadas, e abandonaram o submundo de governar em grupos distintos, e estão mexendo as peças de seus tabuleiros ao seu bel-prazer, com o claro propósito de acabar com as pautas sociais. São tantos bilionários por m² em um governo que podemos dizer, que pela primeira vez os donos do dinheiro deram um chute nos gluteos dos seus velhos agentes intermediários e foram pro tudo ou nada com esse governo fascista, feito de encomendas para eles e por eles, sem a necessidade dos seus fiéis cães pastores tecnocratas de estimação. Exemplo classico é o vira-latas Macron e outras quantidades enorme deles que estão caindo que nem água na cachoeira da crise norte-americana e europeia, e o declínio dos imperialistas em face do crescimento dos BRICS e da repulsa de vários paises africanos e asiáticos é notável. Acredito demais numa reviravolta de poder financeiro e social para que se tenha fim de vez por todas o crescimento da extrema-direita a nível mundial que tanto mal causa às pessoas de todos os países".

domingo, 19 de janeiro de 2025

BEIRA DE ESTRADA (189)


A MOÇA DO SUCO FOI UMA DAS QUE ACREDITOU NAS MENTIRAS SOBRE O PIX
Gente, a moça que vende suco de laranja nas feiras e em especial na de domingo, com banca na rua Julio Prestes é minha amiga. Batalhadora incomum, sua muito a camisa, rala adoidado e nas eleições passadas tentou uma vaga como vereadora, iniciando a luta dentro das hostes do PSB, depois sendo intigada a mudar de sigla e seguir perfilada com um dos que a prefeita tem sob seu domínio. Se frustrou e passado o pleito, engolida a decepção, realidade diante de si, tem no trabalho o local onde continua pagando suas contas e nele mergulha novamente e segue sua vida.

Hoje me surpreendeu muito, pois mal chego, ela me sabendo petista, diz estar muito decepcionada com o Lula. Não crendo no que ouvia, mas imaginando o que viria disse: "Que foi desta vez?". Ela, de cabeça um tanto baixa, desabafa: "Não viu, ele querendo taxar nós, os pequeninos, taxando os que usam o PIX abaixo de R$ 5 mil mês". Tento argumentar, primeiro perguntando se ela ouviu e viu somente essa notícia, a que algo assim ocorreria, mas não leu nada sobre desmentidos e esclarecimentos. Não e se ouviu ou viu não prestou tanto a atenção. Ainda tentou continuar: "Como ele pode querer fazer algo conosco. Teremos que deixar de usar o PIX". Expliquei com todos os argumentos que possuia e creio, até consegui contornar o estrago maior, algo já consumado na cabeça do povão.

Sim, agora eu percebo o quanto isso tudo ocorrido nesta semana foi devastador na mente destes tantos que se informam pelas redes sociais e o fazem por canais ligados a interesses conservadores, diria mesmo, bolsonaristas. Por tudo isso, toda a luta para explicar de fato o que estava em curso, Lula e o Governo deveria ter vindo fazer estes esclarecimentos todos em cadeia nacional de rádio e TV, usando de um espaço que é de fato do Governo Federal. Talvez, desta forma, algo ainda possa ser feito, pois toda vez que algo desta envergadura, uma escabrosa mentira sendo passada adiante, só mesmo com algo grandioso para o combate. Pelo que vi, mesmo achando que a questão foi encerrada, na cabeça do povão ela não o foi e permanece a dúvida. Falta ainda algo mais vindo do Governo e do próprio Lula para lacrar isso tudo. Ela, minha amiga lá da feira, ainda se deixa levar por mentiras repassadas por gente como esse bandido, que precisa ser punido, espalhador de fake news, mas nem nisso estão acelerando os procedimentos. Se formos deixando passar tudo o que fazem, eles continuarão fazendo a cabeça do povão. Perder esse jogo dessa forma é algo pelo qual não me passa pela cabeça. Não é uma questão só de rebater e mostrar a verdade dos fatos, mas punir e eliminar a fonte dessas mentiras.

RESISTÊNCIA CONTRA VIOLÊNCIA POLICIAL EM BAURU
Bauru é um cadinho de tudo o que acontece neste estado, dito e visto como o maior da Federação brasileira. Aqui, dentro de suas proporções, acontece de tudo, inclusive essas aberrações dos sucessivos assassinatos cometidos pela Polícia Militar paulista. Algo inconcebível, o cidadão pagar para ter segurança e não ter uma pessoa devidamente preparada para prestá-la. Isso está mais do que evidente, diante de tudo o que está em curso com um bruto, um claro brucutu como Secretário da Segurança Pública em São Paulo. Incentivado e insuflado pelo governador do Estado, Tarcísio de Freitas, declarado apoiador, insuflador e colocando em prática ações nitidamente conservadoras, diria mesmo, de ultradireita, aqui o campo de experimentação do que teremos quando um dia estes chegar ao poder no país. Quando se observa parte considerável da população apoiando este tipo de ação destes, a constatação de que, algo está muito errado e distorce o errado pelo certo. Tem que estar ocorrendo uma massificação de informação distorcida, confundindo a mente do cidadão, para permitir que estes continuem fazendo o que fazem quando com a caneta nas mãos.

Estamos perdendo este jogo - e feio. E como se converte isso? Em Bauru uma ação concreta de como agir e resistir. Bauru foi palco de inúmeros assassinatos, ocorrendo de forma seguida, crueldade sem explicações convincentes, sempre na periferia, nas franjas da cidade e uma delas é a violência na abordagem policial. Chegar chegando é algo inadmissível para um servidor pago por todos nós, quando uma certeza, a de que ocorre tipos de abordagens muito distintas entre a periferia e a sua região mais abastada. E, com carta branca, a violência está presente como mola mestra de como agem para conter o problema social vigente. Matam descaradamente e montam depois um cenário propício para tudo dar em nada. Isso foi e está sendo denunciado de forma contundente em Bauru, principalmente pela união dos que tiveram seus filhos assassinados. Dessa união, junto deles, muitas entidades municipais, não os deixando sós nessa luta. Dessa união, nasce um grupo de resistência e ele cresce, se multiplica, provoca uma obrigatória visibilidade, daí sua importância, pois a partir dessa união, algo precisou ser feito. Dessa resistência, a primeira transformação, essa já bem evidente é que os assassinatos tiveram um breque. Não que a violência tivesse se estancado, mas quando contidos, as pessoas envolvidas em abordagens são levadas ao plantão policial e não eliminadas.

Neste domingo mais um destes atos. O movimento está devidamente organizado e com a realização de pelo menos um ato mensal, relembrando cada jovem assassinado, quando num local num dos bairros onde ocorreram e depois de algumas falas, uma passeata pelo bairro e depois, no encerramento uma árvore sendo plantada, com a denominação do jovem assassinado. Neste mês o ato foi no bairro Santa Cândido, defronte uma unidade do CRAS e relembrando o triste fim de um jovem, Thayllãn Henrique Barbosa da Silva, 18 anos. Resistir é preciso e o que se busca é somente algo tãso simples, Justiça. Lutar, enfrentar o algoz, denunciar seus atos e se mostrar presente, unidos na luta para que, o estado trate a todos com a mesma distinção. A luta se dá assim, nas ruas e colocando a cara, mostrando quem somos, o que queremos, como queremos e denunciando erros e excessos. Não esmorecer, jamais!

MAIS UM ATO CONTRA A CONTINUIDADE DA VIOLÊNCIA POLICIAL NA PERIFERIA DE BAURU
Hoje no jardim Santa Cândida e cada mês num dos locais onde ocorreram impunes assassinatos. Essas vozes não podem se calar. Com a ampliação da denúncia, algo já foi conseguido. Se ocorreu uma diminuição da violência, ela se deu por causa deste movimento se manter organizado. A luta continua...
Eis uma curta gravação de uma fala de mãe, cujo filho foi assassinado recentemente:https://www.facebook.com/henrique.perazzideaquino/videos/9465237560166737

sábado, 18 de janeiro de 2025

O QUE FAZER EM BAURU E NAS REDONDEZAS (180)


NOROESTE DESDE SEMPRE
Eu sou noroestino desde que me conheço por gente. Isso vem de longe. Meu avô materno, José Perazzi foi marceneiro ferroviário da Noroeste do Brasil, corintiano e antes de tudo, noroestino, onde jogou bola em seu time, lá pelos idos dos anos 20. Muito tempo. Passou esse amor pelas coisas da bola e também pela leitura dos jornais, pois todo domingo, nos almoços em sua casa, sempre um jornalão sobre a mesa. Amores mais que eternos, a leitura e o futebol. Não consigo me lembrar a primeira vez que fui ao estádio Alfredo de Castilho, mas creio, deva ter sido lá pelos meus 12/13 anos, portanto 1972/1973, por aí. Sua casa, na rua Martin Afonso, vila Falcão, ficava há uns quinhentos metros do estádio. Comecei cedo.

Na muvuca, estádio lotado, do jogo deste sábado, 18/01/2025, Noroeste 1x 1 Palmeiras, muita coisa me sobre na lembrança, enfim, são décadas frequentando o estádio, suas arquibancadas e tudo o mais no seu entorno. Numa lembrança remota, chegava para os jogos muito antes dele começar, sentava na sombra dos eucaliptos e ficava colado no radinho, no programa que antecedia aos jogos, o do Galvão de Moura. Ele nos tocava, incentivo guardado com carinho, com belas entrevistas e chamamento de inesquecível lembrança. Hoje, vim ao jogo sem o antesa inseparável radinho e senti falta, pois não estou familiarizado com a composição do novo elenco. Conheço o centrovante, o Carlão, que já esteve conosco ano passado, brilhou, encantou e voltou. O rádio pela internet fica inviável, por causa do deley, aquele tempo de atraso entre a transmissão e o que está sendo falado aos microfones. Me ensinam como sintonizar uma rádio e assim superar este sofrimento de ouvir um jogo em atraso. Porém, hoje, tem rádios que não merecem mais serem ouvidas, como a pérfida - tornou-se um asco - Jovem Auri-Verde. Felizmente, existem outras e assim, escolho um bem com a cara noroestina, a da Jornada Esportiva. Futebol também é isto, não se deixar envolver por quem quer te demonstrar um lado saudável, mas está vinculado ao que de pior existe.

Aprendi também a torcer pelo time do meu coração, sem ter que ficar dando explicações de como as coisas são tocadas nos bastidores da bola. Se fizesse isso, com certeza, deixaria de amar meu time do coração, pois na história do centenário Noroeste, já presenciei desgraças mil, como também tempos de glória, júbilo e contentamento. Fico com estes, para compensar tudo o mais. Em cada retorno ao estádio, passa um filme em minha cabeça. Foram tantos os momentos, que nem sei se devo comentar alguns pois com certeza, iria me esquecer de tantos outros e assim, talvez deixasse de fazer jus para o que aqui quero expressar.

Nas arquibancadas de ontem, no local onde um dia glorificamos também a existência de uma cortina de sombra, representada pelos eucaliptos ali plantados e por fim, dortados, por diretoria inexpressiva. Por sorte, o jogo ocorre num horário quando o sol já estava se pondo e este não foi marcante durante a partida. O que me carcou mesmo foi algo da mudança de como está se dando hoje a manifestação da torcida durante a partida. Como o incentivo de preços privilegiava nos preços os acima de 60 anos, estes compareceram em massa e sentados juntos de uma nova geração, vivenciei algo surreal, um percentual queria permanecer sentado e outro não conseguia fazê-lo. Presenciei até um início de confronto, entre os que queriam passar a maior parte do tempo do jogo sentadas e outras em pé. De um diálogo até áspero, com o passar da contenda, tudo foi arrefecido e um passou a entender melhor o outro. Nada como o consenso, enfim, sentar para os mais vividos é algo da maior importância e ver os que querem permanecer em pé, outra. Tudo faz parte de uma grande festa e ela aconteceu divinalmente dentro do estádio bauruense.

Eu não deixei de estar no estádio nestes anos todos em vários jogos. Já fui da Sangue Rubro e nutro fortes amizades com muitos deles, frequentando sua sede e bebericando muito do resgate de tempos idos ao lado destes. Em todas as séries e por onde o Norusca esteve, eu com orgulho escrevo isso, estive e marquei presença. Até em jogos quando já havia sacramentado ter caído de divisão, mas sendo o último jogo no ano, lá estive. Enfim, sou noroestino na acepção da palavra. Não torço por modismo. Vibro junto dessa nova geração, aprendendo a gostar também do time de sua aldeia. Muito bom ver isso vicejando e latente em muitas manifestações. Sou corintiano, mas quando estes dois times jogam, evidente que, torcerei para ambos, mas o Noroeste estará acima de tudo. Não tem como. Não controlo minhas emoções internas.

Confesso ser cético com essas SAFs, onde o clube deixa de ter sua identidade própria e passa a ter um dono, este, segundo seua concepção e cabeça, toma os rumos que achar mais interessante para seu negócio. Quando vejo os que hoje administram o clube, vejo que todos são bauruenses e por que não fazerem o mesmo, mas sem este envolvimento empresarial e sim, todos dando o seu quinhão, deixando tudo nos cofres do Noroeste? Sei também que, não se brinca de fazer futebol e ser torcedor é uma coisa, comandar a coisa é bem outra. Sou romântico, mas não bobo. Enxergo as transformações e nem por causa disto deixo de torcer. Tenho um amigo que, hoje não vi no estádio, numa demonstração de amor eterno, dizia jogar na loteria, só com a inetnção de um dia ganhar uma bufunfa e ajudar o Noroeste.

Enfim, os jogos em si representam muito, como o deste retorno para a série A, mais muito mais que isso tudo é estar no estádio, ver o Noroeste entrar em campo, ouvir seu hino entoado pela boca de tantos e curtir as emoções inerentes a um jogo de futebol em nossa casa. Os reencontros possíveis são de indescritível valor. Neste mesmo, vi gente que não via há muito tempo, não só no estádio, como nas ruas. Neste momento, consigo e tento me esquecer o que representam muitos destes e me divirto ao lado de pessoas, que no dia a dia, podem ser algozes de outras aspirações. Todos unidos pelo futebol e tudo o que ele representa. Este tal de jogo da bola é mesmo mais que uma loucura. Este congraçamento é quase que único no país de hoje, onde o acirramento e tensão está quase no seu limite. Com o futebol, uma trégua, algo como o que tentam fazer em Gaza neste momento. Durante o tempo de êxtase de um jogo de bola, as armas são depostas e todos se unem, ou melhor, observando mais atentamente, até outros conflitos podem surgir, como homéricas brigas com a torcida adversária, que passa, naquele momento a representar o oponente do dia a dia. Enfim, reflexões que durariam horas e poderia se estender ad eternum. O fato é que, gosto demais deste treco chamado jogo de futebol, gosto demais da conta deste time aqui de minha aldeia, o Noroeste e sigo, seguirei ao seu lado enquanto tiver forças para ir ao estádio. Uma cena mais que linda ontem, foi a ver muitos velhinhos, seguidos e acompanhados por seus filhos e netos, caminhando lentamente em direção às suas acomodações e de lá poder presenciar mais um jogo do Noroeste. Tudo é encantador e fascinante durante uma partida de futebol como a presenciada neste final de sábado. o ineswuecível ficará retido, gravado para sempre em minha e na memória de todos os presentes. Viva o Noroeste, pois o que seria da gente sem um time para torcer e chamar de seu? No meu caso, com certeza, seria mais triste.
OBS.: Que me importa se o Palmeiras veio com time reserva, tudo misturado, titulares em conserva, ou mesmo, descanço. Vale mesmo a euforia proporcionada pelos artífeces da bola e de suas arquibancadas e quando a bola começa a rolar, da festa proporcionada. Valeram e muito os meus R$ 80 reais (idoso, pago meia) pagos no ingresso.