quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

CHARGE ESCOLHIDA A DEDO (90)


DEPOIS DO BESTIAL ATENTADO HOJE EM PARIS...


Irrestrito e incondicional apoio ao jornal de humor francês CHARLIE HEBDO, que nessa manhã sofre um violento atentado, com mais de dez mortos. A linha do jornal é um ácido, picante, irreverente e NECESSÁRIO humor contra as mazelas desse mundo, sejam religiosas, políticas, sociais, etc.

Cliquem abaixo e vejam o maravilhamento que esse jornal produz contra, principalmente os poderosos de plantão, onde eles estiverem. Daí, os perigos dessa vida, com um mundo cada vez mais recheado de loucos, desvairados e desabilolados:
http://www.charliehebdo.fr/

Por que não pensamos em criar algo nesse tom elevado de humor, hemFausto Bergocce, Junião Oo, Fernandão Dias, Gonçalez Leandro, Ricardo Coelho, Gilberto Maringoni, Josi Vicentin e tantos outros?


Enfrentar os perigos dessa vida mostrando o quanto as mazelas e os que a praticam são ridículos. Queria ver também nessa Paulo Neves Neves, Duilio Duka, Roque Ferreira, Gilberto Truijo, Guilherme Reis, Lazaro Carneiro Carneiro, Narciso Do Tempo, Eric Schmitt, Manoel Carlos Rubira, Antonio Morales, Jorge Antonio Soriano Moura, João Braulio Salles da Cruz, Ademar Aleixo Camilo Camilo, Gaël Dierckx, Marcia Nuriah, Marcia Pestana MotaMarcia Ceregato, João Ranazzi, João Andrade, Pedro Pomar, Participi,Wellington Leite, Arthur Monteiro Junior, Arthur Poerner, José Carlos Brandão, Woltaire Mattozinho, Agnaldo Lulinha Silva, Silvio Selva, Silvio Durante, Silvio Bevista, Rosangela Maria Barrenha, Luzia Conceição Quinezi Quinezi, Tatiana Calmon, Oscar Fernandes da Cunha, Oscar Naufal,Tonirossi Rossi e tantos outros. Falta algo PICANTE em nossa Bauru, algo para espezinhar as estruturas VIGENTES E AS NÃO VIGENTES...

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

DROPS - HISTÓRIAS REALMENTE ACONTECIDAS (112)


INDAGAÇÕES MEIO QUE RÁPIDAS DE QUEM ESTÁ COM POUCO TEMPO


O tempo urge. Para mim hoje, voa. Daí, um testículo (sic) dos mais curtos e talvez, grossos, como manda o figurino.

1) Um conhecido me instiga sobre algo ocorrendo com figura pública. O cara era dos mais ativos no facebook, cheio de fotos e comentários jocosos aos ditos do governo e ácidas críticas aos desmandos todos. Empregado numa empresa pública, pouco tempo no cargo, consegue uma promoção das arábias assim da noite para o dia e vai assumir um baita cargo de responsa. Sabe o que fez? Retirou do seu perfil toda a acidez das críticas e simplesmente se pirulitou. Foi ser gauche na vida.

2) Momento Abril. O parque gráfico da editora Abril está em plena ebulição, espaços sendo lacrados, outros abandonados, oco ocupacional bem no meio da imensa fábrica de produzir notícias dúbias e degrindolantes. Até semana passada eram defensores das leis de mercado, as tais neoliberais que infelicitam os menos favorecidos e enobrecem os grandalhões. Sustentaram o discurso até não mais poder, mas hoje a água bateu no pescoço e o neoliberalismo mostrou também sua face oculta lá para eles. Estão até locando o espaço vazio para empresas outras. Quem diria, Greta Garbo acabou no Irajá e de sungas. Se era isso o que defendiam, hoje provaram do próprio veneno.

3) É triste, mas com o trabalhador a história se repete, sendo ele do lado do patrão ou não. Eminente defensor do lado patronal, opinião sempre contundente contra os direitos da classe trabalhadora e a favor dos possuidores do poder de mando. Fez isso boa parte de sua vida, até a manhã que chegou para trabalhar e foi impedido de fazê-lo. Nem conseguiu chegar ao seu antigo lugar de habitual batente. Arrumaram-lhe uma aposentadoria meio que as pressas e ficou a chupar o dedo na questão defendida com unhas e dentes até o dia anterior.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

BAURU POR AÍ (107)


HOJE TEM NOROESTE... ONTEM TEVE EVENTO FESTIVO... (COPA SP DE FUTEBOL JR)

Ontem estive na Festa Oficial da Abertura da Copa SP de Futebol Jr, versão Bauru (Noroeste, Luverdense MT, Comercial PI e Fluminense RJ), 21h, num evento comandando por Bruno Mestrinelli, mas capitaneado pela atual direção do Esporte Clube Noroeste. Se querem saber, acho que o evento só foi possível, assim como a realização da etapa bauruense pelo envolvimento da Prefeitura Municipal, bancando as despesas de mais de R$ 150 mil reais incluindo hospedagem e alimentação das quatro delegações nos Hotéis Obeid e Fenícia). O buffet, ocorrendo lá nos salões do Obeid Plaza, também deve ter sido também bancado pela Prefeitura, pois o Noroeste, como é sabido não está lá para fazer convescotes e salamaleques. Só fui por um único e exclusivo motivo. Convidado por Cláudio Amantini, não consegui recusar o convite e lá estivemos. O Noroeste está no meu sangue, que pulsa por esse time, o de minha aldeia.

Ouvi todas as falas dos convidados a fazar uso do microfone montado pela SEMEL. Primeiro, o presidente do Noroeste, que não conheço pessoalmente, só de vista. Promessa de muito trabalho, empenho e pouco do que realmente queríamos ouvir, do que está sendo feito para colocar o bloco na rua. Na seqüência, assim de improviso chamam seu Cláudio e ele, numa forma das mais emocionadas, faz um relato a emocionar todos os presentes. Não se faz mais futebol como dantes, isso mais do que sabido, mas dentre tudo, elevando o tom, num doído lamento clamou para que o estádio não seja passado à Prefeitura, pois o “Noroeste precisa buscar caminhar com suas próprias pernas”. Disse mais, que existe a “necessidade da formação de um novo Conselho Deliberativo, mais atuante e que vá em busca de soluções”. Novos tempos, arejados e só com muita renovação, foi isso que entendi e saquei da fala.

Depois dele quem fala é Estela Almagro, vice prefeita, que se diz emocionada com a fala do seu antecessor e vestindo uma camiseta com as cores e brasão do glorioso, diz do filho que é meia do time atual e, dessa forma, estará em todos os jogos, gritando pelo filho e também lutando nos bastidores por novos dias. Devemos acreditar? Sim, não quero entrar no mérito nesse momento do tipo de ajuda, mas ela vindo de forma honesta, suada e batalhada, será de bom alvitre não recusar. Na seqüência, o vereador Roberval Sakai representando a Câmara dos Vereadores (o vereador Raul de Paula também estava presente), também se diz noroestino e prega ajuda e possibilidades. Quem finaliza é o representante do atual Conselho Deliberativo, talvez o único deles ali presente, Daniel Rufino. De sua fala algo inflamado: “Não vamos abandonar o barco e o mínimo que podemos fazer no momento é devolver o time de onde saiu, na terceira divisão”. Engoli em seco, mas mantive a fleuma.

Sentei na mesa com os representantes da Sangue Rubro (Pavanello me explica dos motivos da saída de alguns membros da torcida reativando a Falange Vermelha) e troquei curta conversa com alguns membros da imprensa, como Thiago Navarro do JC, Jota Martins da 87 e Roberto Maldonado, também da 97 (ninguém da Auri-Verde). Mais ouvi do que falei. Não sou intrometido, nem muito xereta. Queria muito ver o Noroeste poder dar a volta por cima, com uma ousada proposta, mas sei o quanto é difícil surgir investimentos assim do nada. Credibilidade perdida é difícil de ser reconquistada e todos os presentes sabem muito bem disso. Tenho pouco a falar sobre algo mais. Não vi esse algo mais, vi sim que, iremos esse ano caminhar com o que se tem. Seu Cláudio circula entre as mesas, ele sonha, se diz com tempo para ajudar, mas está com 85 anos e nem em sonho lhe permitirão fazer as loucuras financeiras que fez no passado. O momento é difícil, poucas risadas, muitos de cabeça baixa e para finalizar encerro com algo que nada tem a ver com futebol. Logo na chegada dou de cara com Giasone Candia, o simpático presidente do DAE. Vou lhe cumprimentar e lhe digo algo ao pé da orelha:

- Giasone, se sair ou saírem contigo e o que entrar for quem está sendo aventado, aí teremos que te amarrar na cadeira da presidência. Ruim contigo, ano regido por Ogum, prenúncio de muita luta, ele guerreiro e nós precisando defender mais as coisas dessa terra, tudo poderá piorar.

OBS.: Foi lindo ver o abraço do funcionário do som da SEMEL, ao final de tudo, saindo de seu lugar indo fazê-lo em Amantini. Contou detalhes de uma peixada onde estiveram juntos há mais de 20 anos. Por fim, amanhã posto aqui o vídeo da fala emocionada do Amantini, sobre sua paixão e amor eterno, absoluto e irrevogável noroestino. O evento foi público e a fala gravada por mim, ouvida por todos os presentes, já deve ter caído do domínio público. Não deverá causar nenhum frisson além do já previsto.

domingo, 4 de janeiro de 2015

UMA MÚSICA (118)


DESTRINCHANDO DENISE

1.) MEU POLVO E MINHA POLVA

Hoje escapulo para o primeiro show do ano. Vou eu, Ana Bia Andrade, Sivaldo Camargo, Gilberto Truijo, Helena Aquino e tantos outros no SESC Bauru, marcar presença na apresentação da amiga, uma das melhores cantoras dessa terra, Denise Amaral, que logo mais as 16h, tudo grátis, estará acompanhada de Renan Bragatto, no cavaco, Leandro Miguel no violão sete cordas, Eduardo Eduardo Guarnetti Johansenno trombone, Anderson Silveira no pandeiro e Anderson de Paula no surdo. Muito samba, só a nata, coisinhas escolhidas a dedo. Puro refino para começar o ano e muito bem. E depois, essa para quem ainda aguenta muito, eles continuam a esbórnia lá no Makalé Bar, 18h e até por vola das 22h. Daí é só chamar o Samu ou ligar o balão de oxigênio.

2.) COMECEI O ANO MUSICAL DA MELHOR FORMA POSSÍVEL, COM DENISE AMARAL NO SESC

Hoje vou chover no molhado, Denise Amaral é quase unanimidade em Bauru, uma de sua melhores cantoras. Um deleite para ouvidos afinados, refinados e também para os desajustados, desarranjados, desorientados e mal cuidados. Ela cantando cai bem em qualquer sintonia. Hoje, no primeiro show musical do SESC, arrasou quarteirão e acertou em tudo, desde a escolha do repertório, só com sambas da nata do verdadeiro e original samba, como na escolha do quinteto que a acompanhava, formado só por feras no instrumental e no quesito samba. Hoje só da ela no facebook e eu venho aqui e posto um algo mais, o único vídeo gravado por mim ontem, com a belezura dela cantando. Quem começa o ano ouvindo e vendo DENISE AMARAL já acerta no começo, pisada mais que certeira e daí por diante é só seguir pisando macio e bem posicionado. Saímos de lá, todos os presente, em verdadeiro estado de graça.
https://www.facebook.com/video.php?v=982069685156374&pnref=story

3.) SABE QUAL FOI O ALGO MAIS DO SHOW DA DENISE AMARAL NO SESC?
Além dela mesma, sempre uma sumidade, dos cinco músicos, escolhidos a dedo, do repertório feito sob medida para sambistas de todos os quilates e dos seus pés (ela encantou descalça) teve um algo mais. Sabe o que foi? Foi a participação do público, ou seja, o próprio público foi tudo de bom nesse show. Sapequei algumas poucas fotos dentre os presentes e as publico aqui e agora. O mais importante em tudo são as pessoas. Tudo deu muito certo porque o público estava mais do que entrosado com os que abrilhantavam a tarde do palco. Daí, tudo foi uma alegria só e a expressão das pessoas é a certeza disso que estou a escrever. Não existe nada mais contagiante do que ir observando a expressão no rosto das pessoas e nelas ir constatando a alegria. Com alegria a gente consegue transformar uma país, mudar o ritmo das coisas e até virarmos mesas e alterarmos a ordem das coisas. Eu me vi alegre lá no SESC e sei que todos os aqui retratados também o estavam. Pois é exatamente isso o que quero destacar com esse singelo texto, da alegria de continuarmos fazendo as coisas. A disposição que me levou até o SESC teve e sempre terá muito de alegria. Que nesse dia 5, numa guinada bonita de se ver, pudéssemos todos dar início a uma vida mais alegre.
Viva o que a Denise e os músicos do seu show proporcionaram para nós todos. Ela, até sem o saber tem um poder revolucionário embutido dentro de si e isso ficou claramente demonstrado na tarde de ontem. Todos nós possuímos muito disso e nem o sabemos. Botar o bloco na rua é algo divinal, transcende a razão e a exatidão das coisas.
Obs.: Desculpem pela falta de espaço e a não publiucação da foto de todos (as). Todos (as) souberam festar alegremente no salão do SESC, como a senhora cheia de dores, mas que não conseguia permanecer sentada e, depois aquela novidade peculiar lá deles. Quando bate o horário, eles vão nos espremendo para a debandada e quando essa demora a ocorrer, até as luzes se apagam. A alegria continuou mesmo nesse clima, afinal o ano está apenas começando.
Beijos e abraços e apertos de mãos a tudo e todos, são os votos do HPA

4.) QUEM FORAM OS "IRRESPONSÁVEIS" PELA BELA TARDE SESQUINIANA
Para encerrar de vez o meu falatório sobre o brilhante show da DENISE AMARAL hoje lá no SESC, eis a foto dos responsáveis por tudo o lá ocorreu. Se existe algum culpado daquela energização positiva, eis os culpados(a). Vamos pegar eles de pau, pois passaram de todos os limites. Não foi só o calor que nos fez suar em bicas. Eles também tem culpa no cartório e precisam pagar pelos seus pecados. Como é alguém pode fazer isso numa tarde quente como aquela e sair de lá sem uns petelecos? Estejam todos petelecados, seus... músicos mais do que maravilhosos.
HPA

sábado, 3 de janeiro de 2015

COMENTÁRIO QUALQUER (135)


1.) HISTÓRIAS QUE SE ESCUTAM NAS CIDADES
Eu sou um inveterado escutador de histórias. Não posso tomar conhecimento de alguma história interessante envolvendo o Lado B desse mundo e já me coloco todo pimpão, disposto a escarafunchar o até então oculto. Escrevinho delas ao meu modo e jeito, sem requintes e salamaleques. Procuro não perder a oportunidade de registrar as passagens que todos temos, maiores ou menores, relevantes ou não. Não escrevo de fofocas, pois isso é o que menos me interessa. Gosto mesmo é do posicionamento, da postura, da forma como as pessoas souberam tocar suas vidas, os envolvimentos que tiveram ao longo da travessia dos anos. Tem os com muita sapiência na contação dessas histórias, eu não. Eu ouço as pessoas e as reproduzo escrevendo, mas gosto muito de quem tem o poder, uma espécie de dom de saber contar belas histórias. Ficar diante de bons contadores de histórias, em alguns momentos, vale tanto como assistir um bom show, uma boa peça de teatro. Essas envolventes pessoas possuem o poder magnetizante de nos prender diante de si. Algo encantador e arrebatador.

Ciclos de narrativas orais me fascinam. Ontem lendo a edição virtual do diário argentino Pagina 12 (algo que faço diariamente), uma matéria me chamou demais a atenção. Foi essa: http://www.pagina12.com.ar/…/espec…/17-34387-2015-01-02.html. A atriz e narradora oral argentina Ana Padovani estará durante todo janeiro, uma vez por semana, contando histórias aos interessados do palco de um teatro. Adoro estar em lugares assim. Fui buscar algo sobre ela e achei mais isso: “Ana Padovani es una de las pioneras y principales exponentes de la narración oral en la Argentina. Ha recorrido el país y el mundo llevando cuentos y talleres para niños y adultos. Durante enero, Ana nos invita a disfrutar de un ciclo de cuentos y personajes. Cada viernes, en el escenario de La Biblioteca Café, se podrá disfrutar de historias de Cortázar, Fontanarrosa, Dolina, Shúa y Pescetti, entre muchos otros, cuentos de humor y terror y personajes de la gran Niní Marshall. Cada viernes de enero un nuevo encuentro con mundos diferentes y fascinantes. Quer maravilhamento maior que esse?

Sim, sei que no Brasil existe uma infinidade de bons narradores. Poderia citar vários deles, inclusive alguns aqui de Bauru, bons contadores de histórias. Mas hoje, sábado quero ir de um extremo a outro, citando dois pouco conhecidos entre nós e com eles conseguir fundamentar algo que tanto me toca. Aqui perto de Bauru, mais precisamente em Araraquara tomei conhecimento de um programa de rádio, 17 anos no ar, o “Do Quintal ao Municipal”, direção e apresentação do TEROCA, um artista do interior, engenheiro e proseador. Cantor e falador. Nunca ouviram falar dele? Eis seu site: http://teroca.com.br/. Agora podemos conversar melhor. Aqui em Bauru os programas de rádio dessa natureza não sobrevivem muito tempo (que o diga o José Esmeraldi e o Tião Camargo), mas pela região alguns resistem e atravessam décadas. Eis algumas de suas apresentações: http://teroca.com.br/videos/. O fato de citar esses dois, como poderia fazê-lo com tantos outros é só a forma como encontrei para enaltecer os bons contadores de história. Cada vez que descubro um novo, desconhecido por mim, me debruço sobre sua verve e esqueço o mundo. Como agora com esses dois.

Alguém aí já assistiu ao filme nacional O CONTADOR DE HISTÓRIAS?

2.) BATRA, SEUS CINCO ANOS DE ATUAÇÃO E ALGO ONDE NÃO CONSEGUI SUA AJUDA:
Está no Jornal da Cidade de hoje, uma matéria sobre os cinco anos da Batra. Também recebo em meu email, uma nota de seu presidente, citada abaixo e a seguir minha resposta a ele e de forma pública:

"Caros amigos. Bom dia. Para quem não leu ou não tem acesso ao Jornal da Cidade de Bauru segue matéria realizada e publicada nesta data sobre a Batra e seus cinco anos de luta em Bauru: http://www.jcdigital.com.br/…/Ed…/16336%3D03-01-2015/003.PDF

Um forte abraço - Rafael Moia Filho - Batra Bauru Transparente - Presidente".

Minha resposta:
Respeito o trabalho da BATRA, mas numa oportunidade requisitei sua ajuda para desvendar algo que acreditava não muito correto na atuação do político, o deputado estadual por Bauru, sr Pedro Tobias e não fui devidamente atendido. Corre boatos na cidade que muitos dos seus assessores atuais ainda são pessoas que tiveram ligação umbilical com a crise da AHB - Associação Hospitalar de Bauru, todas pessoas indicadas e lá colocadas para atuar por ele. Insisti nisso com os diretores da BATRA, um pedido deles junto a ALESP e a resposta foi a mais lacônica possível. Para não terem que oficializar algo contra o deputado, objeto de defesa da BATRA, alegaram que a sua ação incidia somente sobre Bauru e como a Alesp está localizada em São Paulo, capital, estariam impedidos de agir. Por outro lado, vejo a mesma BATRA opinando constantemente contra a corrupção de alguns outros, todos de muito longe de Bauru, o que acho louvável e dentro do papel a ela designado. Achei que nesse quesito, existiram dois pesos e duas medidas e não poderia deixar de salientar isso nesse momento, talvez algo que possa ser corrigido.
Baita abracito do HPA.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

MEMÓRIA ORAL (172)*


*Eis a primeira história do ano, ouvida no ano velho, mais precisamente em Natal RN, na tarde de quinta, 11/12/2014 e aqui transcrita hoje.

“QUEM FAZ A REVOLUÇÃO É O EXCLUÍDO” - OSÓRIO RESISTE E FAZ DO CAFÉ SÃO LUIZ O SEU REVOLUCIONÁRIO ESCRITÓRIO NO CENTRO DE NATAL RN

O centro de qualquer cidade possui uma agitação, movimento para lá do normal, concentração desmedida de pessoas. Em Natal, a capital potiguar, dentre os muitos populares locais, concentração natural de pessoas para o bate papo diário, o Café São Luiz, na rua princesa Isabel, esse o mais agitado. Impossível circular pela calçada e não sentir certa atração pelo burburinho dali proveniente. Senti isso na pele e despretensiosamente fui atraído por uma conversa, ou melhor, um discurso sendo proferido por um senhor magro, espevitado e para duas pessoas à sua frente. Parei para ouvi-lo mais de perto. Não é todo dia que alguém discute filosofia na beira da calçada. Assuntei e ali fiquei atraído pelo magnetismo do personagem. Foram quase uma hora de boa conversação e dela acabou saindo a história de tão imantada pessoa. Falo de OSÓRIO ALMEIDA, escritor, desenhista, comunista, torcedor do Botafogo RJ, macrobiótico e uma porção de outras coisas. Com um poder de atração muito grande, a história pipoca em cada frase e transpira pelos poros de tão espevitada pessoa.

“O Japão fabrica motos e as distribui para o mundo todo, mas não quer moto em seu território. Manda tudo para países periféricos. Pode perceber, eles não toleram esse modelo de mobilidade urbana”, diz numa de suas falas. Tudo o que diz é meio polêmico e gerando ampliadas discussões. Algumas vezes fala para as paredes, mas em outras junta pessoas, agrega em torno de si os muitos a fim de papear pelas ruas. Com uma pasta na mão revende seus livros, todos do tipo brochura e com títulos dos mais instigantes. “Capetalismo: um regime do capeta”, “O espírito de nossa época” (com uma manada de boi na capa, esse o referido espírito do mundo atual, segundo ele) e “Alguns temas atuais” (com uma capa de alunos cubanos com o tradicional uniforme vinho). “Meu caro, não se deixe enganar, quem faz a revolução é sempre o excluído. O incluído quer sempre é aumentar a sua própria inclusão dentro do sistema capitalista. Tome cuidado para não cair em armadilhas de alguns progressistas dos dias atuais”, me diz olhando para uma movimentação ali no citado café.

Aliás, do aglomerado de pessoas em torno do café possui restrições mil, mas dali não arreda pé. Encontrou ali o seu palco, mesmo com as reservas todas de tudo o que ouve e sabe estar sendo tratado em algumas de suas mesas. “Isso aqui é o maior antro de toda cidade. Poucos se salvam, mas aqui permaneço, pois a cada dia encontro gente igual a ti, querendo ouvir o que esse velho ainda tem de bom para ser dito”, me diz. Antes que tivesse tempo de respirar, salta mais uma para que o conheça melhor: “Quer saber algo mais de mim? Vá ao youtube e clique Planeta Osório. Vai ter uma pequena noção de quem sou e dos meus aprontamentos todos”. Na seqüência indica um imprescindível filme, desses que, segundo ele, ninguém pode morrer sem ter assistido, o Capitães de Abril, sobre a Revolução dos Cravos em Portugal. “Se quer saber, por aqui vai se suceder do mesmo jeito e ainda quero estar vivo para presenciar a reviravolta. Eu faço a minha parte e só para ter uma idéia quero cadastrar toda Natal com o clube criado por mim”, diz em alto e bom som.

Clube? Ao perceber meu espanto, saca dos bolsos uma espécie de carteirinha e me entrega uma delas. “É sua. Crie uma filial na sua cidade. O Clube dos Excluídos é tudo o que precisamos para fazer a revolução”. Do outro lado da carteira uma lapidar frase de Lênin, retirada do livro O Estado e a Revolução: “É mais agradável e proveitoso participar da experiência de uma revolução do que escrever sobre ela”. Osório vive em função da concretização desse seu sonho de vida, ver a revolução socialista definitivamente implantada e em curso no país. “Já imprimi mil e quando acabar esses, rodo mais quatro mil, depois mais e mais. Para ter mais condições de continuar expondo essa idéia revolucionária preciso chegar a vereança na próxima eleição e já criei uma estratégia para atingir dez mil votos”, revela seus planos futuros. “Existe, meu caro a direita envergonhada, uma que mascara de esquerda, que é a trotskista. Eu sou stalinista e por causa de minhas idéias já tentaram me tirar daqui das ruas, mas não conseguem, pois finquei uma bandeira aqui”.

Na contracapa de um dos seus livros uma foto dele ali no centro de Natal, décadas atrás e ao lado de Luiz Carlos Prestes, o famoso líder comunista. Embaixo da foto a frase que cunhou como a mais adequada como legenda, “A vida é dura para quem é mole”. O Clube dos Excluídos é só o começo, pois em mente a formação de um novo partido político, o Partido da Nova Esquerda (“porque esses partidos da velha esquerda só envergonham o país”) e para tudo vai citando frases e seus autores. Para o espírito do novo partido tem uma do psicoterapeuta José Angelo Gaiarsa na ponta da língua: “Não há melhor educação, nem melhor terapia do que a companhia de gente feliz”. Para ele o significado de gente feliz é com o atendimento de suas reivindicações e daí, dá-lhe uma do poeta Virgilio, bem antes da passagem de Cristo: “Cada um de nós tem um gosto que nos arrasta”. Ele mesmo emenda a continuação da frase: “Tem gente que é arrastada pelo dinheiro, outros não”. Tudo isso extraídos dos seus livros e para comprovar a eficiência dos mesmos dá uma demonstração de que tudo o que diz é a mais pura verdade dos fatos: “Quando vendo meus livros, digo sempre ao comprador. Se encontrar uma mentira, pago um real cada uma. Até agora não pareceu ninguém para me cobrar esse um real”.

Osório, como percebem é envolvente, mas nesse texto ainda falta algo dele. Falta o seu perfil, suas origens e daí a trajetória até os dias de hoje. Nasceu em São José de Campestre, interior do RN em 1947, chegando à Natal aos 13 anos. Em 68 foi ser ator como forma de terapia para a timidez. Foi quando conheceu a cidade do Rio de Janeiro, indo para uma atividade teatral e por lá permanecendo. Quatro anos vividos intensamente, até botar o pé na estrada e tornar-se hippie. A contracultura o arrebatou e por dois anos andou de um lugar para outro, chegando até a Argentina. Voltou para Natal após seis anos andarilhando e tornou-se comunista, pois na casa onde se mudou existia uma abandonada biblioteca de esquerda. Foi paixão a primeira vista. Magro, óculos fundo de garrafa na cara, boina revolucionária na cabeça, bolsa 007 no ombro, tornou-se figura popular por revender seus escritos pelas ruas. O que faz, segundo ele próprio, o motor de sua vida é difundir suas idéias revolucionárias, as que transformarão o país. “Há 34 anos transformei o banco da praça defronte o São Luiz no meu escritório. É aqui que encontro as pessoas, converso, discuto política, a Brasil, a história mundial e os fatos que ocorrem no Rio Grande do Norte e no planeta”, disse certa vez numa entrevista concedida para Enéas Cesário.

Na verdade, Osório vai cavando trincheiras, pequenos portos de onde possa ir divulgando a sua receita de salvação do planeta. Vive para escrever e divulgar suas idéias. Faz isso ininterruptamente e por todo o dia, bastando estar acordado para estar conspirando contra o capitalismo. O jeito inusitado, folclórico para alguns sempre é merecedor de matérias em periódicos variados. Muitos que o analisam e a maioria, a grosso modo o consideram excêntrico, uma figura para ser mantida, preservada, mas não o levam muito a sério. Mas tudo o que diz e escreve é muito sério. “O mundo é que está de pernas para o ar. Eu continuo muito lúcido, mas a maioria das pessoas, não. Estou fora da política partidária. Não dá mais para estar em nenhum dos atuais partidos. Tudo virou uma espécie de geléia geral, portando, podem me considerar um comunista autônomo”, afirma. E para repassar suas idéias vai criando seus meios, ora imprime um panfleto (um deles chama-se Tudo Já), em outros os livros (“tinha uma senhora da alta sociedade que bancava as impressões para mim, mas ela morreu e hoje tudo está bem mais difícil”), entrevistas e por fim, no falatório diário ali no Café São Luiz.

De sua inseparável pasta e ao sabor dos expectadores vão sendo retirados papéis e mais papéis. Ciente de que a pessoa está atenta ao seu inflamado, contundente e verossímil discurso, tudo pode sair daquele reduzido espaço. Inexplicável como cabem papeis por ali e segundo ele, a renovação do estoque se dá somente uma vez ao dia e nada mais. Dali saem seus livros, as versões dos panfletos, cópias de entrevistas, as carteirinhas do Clube dos Excluídos e dependendo do assunto, sempre um algo mais. Osório é incansável no que faz. Vive com muito pouco, mas sonha alto, com um mundo mais justo, onde a desigualdade desapareça e no seu lugar, a justiça social possa ser de fato implantada. Pela forma convincente com que fala, eu ali fiquei, ouvi tudo atentamente, li seus escritos todos, concordei com a maioria e discordei do excesso de pragmatismo em outros. Mas de uma coisa não tenho como discordar, o mundo precisaria de muitos iguais a esse Osório para se aprumar novamente, deixar de ser tão materialista e tentar ao menos olhar para o semelhante à sua frente em pé de igualdade. É por causa disso que Osório não sai das ruas, ele acredita na possibilidade disso tudo um dia vir a ocorrer.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

CENA BAURUENSE (128)


“JÁ ESTOU CANSADO DE VIRAR O ANO E NÃO VIRAR A MESA”
Essa lapidar frase dando título ao meu primeiro escrito do ano não é de minha autoria, mas de um dos maiores poetas dessa terra, LÁZARO CARNEIRO, digno representante e defensor não só do cerrado, mas do que ainda nos resta de dignidade num país querendo se perder na lambança do tempo. Pessoas como Lázaro insistem em resistir e eu vou com eles, aliás, estou na deles. Tento fazer as palavras ditas e seguidas por ele como minhas em tudo o que digo e faço. Começo o ano e a primeira frase que escrevo na minha agenda de ano novo, a desse 2015 é essa do Lazinho, uma espécie de mantra para mim nesses próximos 365 dias pela frente. Estamos mesmo virando muito ano e virando cada vez menos as mesas. Acomodados, parece que sem forças para reagir não podemos mais deixar o barco rolar. Algo precisa ser feito e na sacada do poeta essa incomodação que também é a minha e de tantos outros (as).

Aproveito a frase e suas várias possibilidades de interpretação para resenhar três escritos produzidos por mim no último dezembro. Três dolorosos momentos onde a mesa não foi virada.

Em 05/11/2014 publiquei o texto “O Solitário da Tenda urbana”, com fotos de Alex Mita, contando a história do sr WILSON JOSÉ DE OLIVEIRA, morando numa tenda lá nos altos da avenida Moussa Tobias, nômade e sem ninguém ao seu lado. Eis o texto: http://mafuadohpa.blogspot.com.br/2014/11/memoria-oral-169.html. Momentos antes da passagem do ano passo no local e percebo que a tenda não está mais lá, foi removida. Fico incomodado. Pergunto aos comerciantes nas redondezas e hoje pela manhã, primeiro dia do ano, descubro dua nova morada, num imenso terreno bem atrás do Posto de Saúde da Vila São Geraldo. O vejo e vou até ele. “Foi o rapa. Chegaram e me deram um curto prazo. Ou tirava tudo, ou derrubariam tudo. Transportei tudo para cá, mas hoje estou chateado, chego aqui e entraram na minha tenda. Essa molecada não me dá sossego, eu junto papelão e latas e eles roubam de mim”, conta. Não consegui ainda identificar quem seria esse “rapa”, mas lhe digo que agilizarei a ida ao INSS e Receita Federal ver das possibilidades concretas de viabilizar suas aposentadoria. Do local anterior, debaixo de uma frondosa árvore, hoje piorou, pois a montou diretamente ao relento e quando estive com ele, sob o inclemente raios solares.

Em 21/12/2014 publiquei o texto “Andreza vai ter esse filho no meio da rua...”, repercutindo o que todos os moradores das imediações dos trilhos urbanos de Bauru, proximidades da rua Antonio Alves vivenciam a todo instante. Essa moça, ANDREZA OLIVEIRA CAETANO está com a gravidez beirando os nove meses e continua pernoitando debaixo das marquises aqui da região. Eis o texto: http://mafuadohpa.blogspot.com.br/search?q=ANDREZA+OLIVEIRA+CAETANO. Daquela data até hoje nada mudou. Ontem, 31/12 veio até o meu portão e me pede dinheiro para um sorvete. Como recusar dar um dinheiro para uma mulher grávida e prestes a parir? Dei. Dei também dias atrás camisetas, mas no retorno seguinte já estava sem nenhuma delas. Levaram tudo. A vida das ruas é assim, nada é seu, pois a qualquer instante aparece um mais forte e exige aquilo para si. E leva. E ela voltou hoje, havia conseguido algo para comer e queria misturar aquilo tudo com maionese, algo que segundo ela, lembra muito esses dias de Natal e Ano Novo. Por sorte tinha na geladeira e lhe arrumei. Hoje, numa foto tirada quando a noite já caia sobre acidade, disse ter passado o dia na casa da mãe, mas não consegue ficar lá e voltou para as ruas. Sai do meu portão e some na escuridão da noite. A filha, que diz se chamará GABRIELA, pode nascer a qualquer instante.

Em 23/12/2014 saiu primeiro publicado no Jornal da Cidade e depois no blog e facebook o texto, “Chega o Natal aos muitos Reginaldos...”, contando a saga de REGINALDO CAMPANHOLLI DA SILVA, um jovem vivendo do que vendo nos sinais de trânsito da cidade e tendo que fazê-lo em mais de R$ 40 reais dias, para não pernoitar na rua. Eis o texto: http://mafuadohpa.blogspot.com.br/search?q=Reginaldo+campanholli. Após a publicação do texto enviei carta de agradecimento do JC, sendo a mesma publicada na edição de 27/12: “Primeiro o agradecimento pela publicação em destaque do meu texto. A repercussão sempre é muito além das expectativas. O melhor de tudo veio do Reginaldo, no final do dia: “Meu telefone não parou de tocar. Ganhei tanta coisa que você não tem nem noção”. Ele me contou, foram calça, camisa, cuecas, meias, sapato social e uma primeira proposta de emprego. Esse, acredito, o melhor presente de Natal para mim e todos do JC. Pintando o tal emprego, daí a certeza de ser esse mesmo um dos mais relevantes papéis da imprensa. Podemos e devemos fazer muito mais e até transformar esse país. Imagina uma união pela sua transformação? Boas entradas e saídas para tudo e todos (as)!”. Volto a falar por telefone hoje com Reginaldo e ele em Jaú, tentando o melhor para si, quase uma nova possibilidade de reconciliação com a melhor pessoa a lhe prestar ajuda nesses últimos seis anos, a mulher com quem morou e volta a lhe abrir as portas. Falo com ela, diz que o mais sensato seria ele ter um emprego de carteira assinada e lutará muito para conseguir esse intento. Eles estão se entendendo muito bem, mas o emprego ainda não pintou, mas ambos não desistem. É o que também torço e muito, para que a matéria no jornal possa lhe possibilitar isso.
São três improváveis viradas de mesa em pleno andamento, fora as outras todas.