terça-feira, 11 de agosto de 2015

FRASES (133)


O QUESTIONÁRIO QUE POUCOS SE ATREVEM A RESPONDER ATÉ O FIM

Quando vejo algo sendo montado para o dia 16, mais uma manifestação marcada para a avenida Getúlio Vargas, local mais propício para desfiles alegóricos e decorativos. Domingo tem Feira do Rolo logo pela manhã, depois 10h tem jogo do Noroeste, almoço com meu pai e nem penso em participar de algo com embutida golpista conotação. Para os que insistem em querer participar, eis minha singela proposta: tentem respondem sem titubeios, oscilações, devaneios, omissões e jocosidade. Daí conversaremos, mas só para os que levarem a sério, como deve ser encarada a situação. Vamos a elas:

1.) Você acha que extirpando o PT do cenário político estaria sendo eliminada a corrupção no país? A melhor solução é a derrota completa do adversário?
2.) Acredita que o PT seja mesmo o partido mais corrupto do país?
3.) Não enxerga a mesma ou até pior atitude em outros partidos?
Percebe existir protecionismo para membros de alguns partidos e não em outros no quesito investigação corruptiva?

4.) Enxerga a mídia nacional como imparcial ou tendenciosa? Ela mente ou fala a verdade? Saca interesses nesses que vão além da notícia e da correta informação? Enxerga mentiras no que produzem?
5.) Não vê partes do Judiciário atuando na mesma linha, sendo insuflados e estancados ao sabor de interesses políticos e econômicos e distantes da plena Justiça?
6.) Aplaude as atitudes dos presidentes da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha e do Senado, Renan Calheiros por acreditarem no que dizem e fazem ou por serem coniventes com seus meios para conseguir objetivos pelos quais defende?
7.) Acha que não falta mais ninguém na investigação do Lava Jato além de petistas? Não é estranho só esses estarem sendo punidos?
8.) Reconhece que mesmo com todos os malefícios causados por inescrupulosos dentro do atual Governo, esses não foram os que mais fizeram pelas causas sociais em todos os tempos?
9.) É favor do fim de todos os programas sociais só porque foram criados e bancados pelo atual Governo Federal?
10.) Não sente a impressão de estar sendo manipulando, como se fosse mero marionete e servindo a interesses que na verdade não são os seus? Sendo também os seus, não chega a pensar e até gosta das mentiras servindo aos seus interesses? Acha correto isso?

11.) Se sabes que tudo o que combate nuns ocorre nos que defende e esses ficando impunes, dormes tranquilo ao colocar a cabeça no travesseiro?
12.) Deixaste de usar o vermelho em sua indumentária nos últimos tempos?
13.) Continua achando que todo programa social é assistencialista? Mesmo com o sucesso do Mais Médicos, ainda consegue criticar a chegada dos médicos cubanos?

Enfim, se dormes ou não, procure refletir e pense no país que tínhamos, temos e teremos. Que sua escolha ocorra dentro da sensatez pela quais todos devemos possuir. No mais, destruir o país para reconstruí-lo depois e sem alterar nada, só para apear uns e reconduzir iguais ou até piores a esses ao poder não nos ajudará em nada.

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

DROPS - HISTÓRIAS REALMENTE ACONTECIDAS (120)


DONA ROSE FUGIA DA VILA VICENTINA PARA REVER AS RUAS DA CIDADE
Histórias dos velhos eu junto aos borbotões. Eles todos (eu quase chegando lá) gostam muito de falar e falar. Tenho comigo que para bater papo com um idoso não podemos nunca querer fazê-lo de forma rápida, pois eles não falarão nem um tiquinho de tudo o que tem para nos dizer. Tem pessoas que gosto mesmo é de ir papear e tendo muito tempo pela frente, pois sei que ali vai render um longo papo. Papear com idosos e sem tempo para ouví-los é melhor não fazê-lo. Essa aqui hoje retratada no meu retorno aos perfis do Lado B após quase 15 dias ausente de Bauru era uma dessas. Conversava e andava.

ROSEMIRA DA SILVA morou muitos anos de sua vida na rua São Paulo, quase ao lado do rio Bauru e após o falecimento do marido, viveu com uma pensão dividida por outro tanto. Fazia das suas para sobreviver e não atrapalhar os parentes próximos. Inventava atividades para juntar algum a mais, pagar aluguel e comer, ou seja, viver livremente. Fez de tudo, artesanato na feira e roupas de cães. A via na feira todos os domingos, isso coisa de uns dez anos atrás. Triste foi quando soube que deram um jeito de sacarem com sua participação num coral da cidade, tudo por causa da idade e dos desacertos de sua voz. Foi quando foi também fazer teatro no grupo da terceira idade do SESC. Era uma moleca essa senhora, que todos conheciam como dona ROSE, simpatia batendo recordes. O tempo passou e ela acabou tendo que ir passar uns tempos na vila Vicentina. Foi até matéria do extinto jornal Bom Dia por causa de algo inusitado, "Vida Própria". Fugia sempre e ia bater perna nas ruas da cidade. Ela não reclamava do lugar, mas queria conviver com as ruas e assim batia asas. Essas histórias já possuem mais de sete anos e hoje, revendo recortes antigos de jornal reencontro fotos feitas pela Juliana Lobato e gostaria muito de saber dela, que também foi boa e fiel amiga de minha mãe, quando ambas tricotavam todo domingo na feira. Dona Rose, cadê tu?

Os sassaricadores, inquietos por natureza são destaque sempre por aqui.

OUTRA COISA - A NOVELA DAS OITO.
Ana Bia Andrade, a companheira de todas as horas acompanha novelas de TV. Ela tem seus motivos. Escreve trabalhos acadêmicos sobre Design de Vestuários. Já o fez em cima da temática de várias delas, belos escritos e esses um dia serão transformados em um livro. Na viagem de volta que fizemos para a Argentina ela me diz: "O que terá acontecido nesses quase 15 dias sem assistir a trama de Babilônia?". Na volta em Sampa a mãe lhe atualiza tudo e eu só assuntando, orelha antenada na conversa. Depois de ver no que deu o desdobramento fui rir das conclusões junto delas e dei meu pitaco final: Não aconteceu absolutamente nada de novo. Tudo continua como dantes. É como se tivesse assistido ao último capítulo quinze dias atrás e no de hoje a sequência exata daquele dia. Novelas ao estilo global para mim são assim. A previsibilidade é a de que tudo ocorra como já previsto, pronto e acabado. E dessa forma nem precisaremos mais assistir ao capítulo de hoje, o de amanhã, muito menos o de depois.
Em tempo: Impossível você não assistir, nem que seja de soslaio a algo estando no mesmo local de quem assiste, ainda mais quando esse lugar é um pequeno apartamento (apertamento?).

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

PERGUNTAR NÃO OFENDE ou QUE SAUDADE DE ERNESTO VARELA (102)


CRISTINA ABRE A BOCA, DILMA SE CALA - REAÇÕES DAS DUAS PRESIDENTAS SOB INTENSO FOGO CRUZADO
Sim, nossos governos tanto o brasileiro, como o argentino atuais possuem laços fraternais com o neoliberalismo. Indiscutível isso, mera constatação. Poderiam ter tido atitudes mais condizentes com os clamores sociais, das camadas mais necessitadas da população e que sempre lhe deram apoio, inclusive sendo o fator decisivo em ambas as eleições. Deixaram de fazê-lo a contento. Uma pena. Acuados pelas infelizes alianças consolidadas ao longo dos anos, escolheram um caminho de atendimento desses grupos e ajudaram a cravar ainda mais um punhal nas costas dos interesses populares. Outra pena. Incontestável isso. Poderia citar fatos e mais fatos de posicionamentos tomados e onde o correto seria exatamente o contrário.

Isso são fatos. Outro é que mesmo diante disso tudo, não existe como negar que ambos os governos, tanto o de Lula e Dilma no Brasil, como o de Nestor e Cristina na Argentina fizeram algo nunca feito em seus países pelas camadas mais necessitadas. Se erraram muito, inegável também reconhecer os acertos. Poderiam ter feito muito mais e teriam nesse momento muito mais apoio do que de fato possuem, mas pelas escolhas feitas, daí problemas de ambos os lados. Cristina mais que Dilma percebeu que de nada adianta paparicar os seus algozes, pois esses em nada mudariam suas atitudes. Não será fazendo-lhes favores que esses deixariam de pressionar e exigir mais e mais. Querem ver os dois governos totalmente vergados. Hoje, Dilma mais e Cristina menos. Dilma mais isolada, Cristina nem tanto. Dilma tentando se segurar como pode com uma oposição cada vez mais raivosa e irracional e Cristina diante de um a eleição se aproximando e diante da constatação que estão a fazer de tudo, como foi feito no Brasil, para favorecer uma oposição ainda pior para os interesses do trabalhador e das grandes massas. Se os dois governos possuem laços neoliberais, imaginem o que está por vir. Algo de pior monta que isso ainda é possível e está espreitando a ambos os governos e jogando cada vez mais pesado.

Dilma e Cristina reagem diferente diante da ação desses opositores. Dilma se vê cada mais mais acuada e com quase tudo tomado à sua volta, cede mais e mais. Cristina foi ontem à TV, em cadeia nacional de rádio e TV e fez um pronunciamento pelo qual gostei muito. Enfrentou seus opositores. No auge de sua fala algo assim: "Te atacam quando não te podem manejar". A presidenta também apontou em sua fala contra grupos midiáticos e setores do Poder Judiciário, que montam "dispositivos antidemocrátícos em suas ações, com a inteção de condicionar o voto". Denunciou manobras eleitorais destinadas a prejudicar seu grupo em eleições para governador no próximo domingo. "Não creiam que isso se dá somente na Argentina, pois é um modus operandi em toda a América do Sul", disse ela salpicando com o que também ocorre com Dilma e Bachelet. Por fim cravou mais isso: "Cá estou, não tenho medo de nada. De nenhum juiz pistoleiro, mafioso nem dos que fazem extorsão, nem tão pouco a juizes que guardam sob si causas de lesa humanidade e de lavagem de dinheiro contra importantes grupos midiáticos". Foi dura e precisa. Igual situação em ambos os países, sem tirar nem por.

Falta isso em Dilma, um pouco mais de coragem. Diante de um quadro opositor que não lhe favorecerá em nada, nada melhor do que vir à público corajosamente e dizer a que veio. Crave logo a estaca nos que a encostam na parede e dê-lhes o troco que merecem. Seria ótimo ver Dilma nesse momento com outra atitude, mais corajosa e audaz. Faria um bem danado para a oxigenação tão necessária ao país nesse e nos próximos momentos. Cristina faz isso muito bem, Dilma não. Não tenho dúvidas de que se hoje a situação está ruim em ambos os países, a tendência é piorar mais e mais com o aprofundamento de atitudes cada vez mais neoliberais e predatórias. Sim, com Macri aqui na Argentina ou qualquer um desses no Brasil, Aécio, Cunha, Serra, Marina, será o caos estabelecido para os interesses dos trabalhadores. Luto contra isso.

PS.: Observações de um brasileiro andando pelas ruas buenaristas por esses dias e assuntando aqui e ali das coisas desses dois países.

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

OS QUE FAZEM FALTA e OS QUE SOBRARAM (76)


FUI CONHECER VICTOR HUGO, JORNALISTA ATUANDO DENTRO DA VERDADE FACTUAL DOS FATOS NA ARGENTINA
A deslavada mentira faz parte hoje da maioria do noticiário da mídia, tanto argentina, como brasileira. Grupos poderosos familiares dominam esse cenário e todos ligados aos seus interesses de poder, fazem de tudo e mais um pouco no quesito manipulação da informação. Um vergonha. A cada dia renovam-se fatos novos demonstrando como agem, omitindo fatos relacionados aos que defendem, inclusive os desmandos deles próprios e sacam da algibeira algo inventado, criado em pranchetas cheias de sangue, algo para destruir o oponente, sem nenhuma ética. Esse o cenário predominante. Quem combate isso e faz uso da palavra ou da escrita para continuar produzindo seu trabalho sofre desmedidamente. Ontem estive com um desses, o jornalista, radialista uruguaio, radicado desde muito tempo aqui em Buenos Aires VÍCTOR HUGO MORALES. O considero uma espécie de Mino Carta dos pampas, pois rema contra a maré da mediocridade vingando hoje e segue atuando dentro da verdade factual dos fatos.

Possui um programa matinal na rádio CONTINENTAL (AM 590), o La Mañana, das 9 às 13h e outro à tarde, o Competencia, das 19 às 21h (quando não tem futebol, ontem narrou e ouvi o River Plate tornar-se campeão da Libertadores). Opina de forma contundente pelos microfones onde atua ou escreve e isso tudo tem um preço. Fui ontem levar o seu mais recente livro, o "MENTIME QUE ME GUSTA", comprado aqui em Buenos Aires para ser autografado e fui prontamente atendido. Falamos das situações similares da atuação da imprensa, tanto num como noutro lugar e dessa relação carnal de parte da população aceitando passivamente e feliz da vida a destruição da informação correta, aceitando mentiras e falácias como se verdade fossem. Num certo momento disse a ele: "Ser pautado pela verdade hoje na imprensa tem um preço, o preço da difamação, da injuria e de ser constantemente perseguido, justamente por enfrentar esses poderosos grupos". Ele sorriu e autografando meu livro ("A Henrique, com afeto do colega e amigo VHM") reafirmou aquilo que ouço por aqui diariamente pelas ondas do rádio: "Henrique, é o que sabem fazer e fazem a cada dia com ampliada sordidez. Mentem acintosamente".

Ouvir seu programa, um hábito por aqui é tomar conhecimento do outro lado da informação e dentro de uma discussão plausível, correta e necessária. Daí, sua audiência subir e ele tomar conta dos horários da Continental. Vejo pouca coisa hoje dentro de nossa imprensa via TV e algo de grande resistência na escrita, pouco, muito pouco dentro do rádio. Essa dominação de uma informação comprometida com grupos econômicos produz efeitos devastadores sobre a mente de quem está do lado de lá do dial. É um massacre de mentiras, jogo de interesses a desmontar a verdade. Falamos em torno de uns quinze minutos ao final do seu programa, cuja parte ouvi na própria rádio no começo da tarde de ontem. Ele um pouco incomodado pela voz não tão boa, tendo que narrar o jogo do River à noite, precisava descansar para o turno noturno. Estava ao seu lado quando se foi de carro, mas algo me encantou no breve contato. Com as portas já fechadas, abre e volta-se para mim, após lhe falar de Bauru, muito do momento atual e do Brasil: "Precisa de algo onde possa lhe atender por aqui?". Digo que não, queria só conhecê-lo pessoalmente, ganhar um autógrafo e lhe dizer da importância da existência dos resistentes como ele. Trocamos mais um forte aperto de mãos e vamos cada um para seu lado.

Víctor Hugo Morales é a cara da resistência do bom jornalismo, tão necessário em dias como os de hoje, onde predomina muita urbulência e desinformação. Por fim uma foto de Isabel Albina Garcia, sua produtora, muito simpática e atenciosa com todos os que vem até ele em demonstrações de carinho. Na noite, assisto o jogo pela TV, com o som baixo e ouvindo sua narração via rádio. Valeu, conheci um que me inspira a continuar não fugindo dos princípios que sempre me nortearam, a verdade dos fatos.


QUANDO ME DEPARO COM UM ESCRITOR QUE GOSTO
Sim, fui vê-lo. TABAJARA RUAS é gaúcho e passou por Buenos Aires para participar do BAN!, o Festival de Escritores Policiais, Buenos Aires Negro! e na tarde de terça, quando vi na programação que quem lá estaria seria esse brasileiro, cujos livros li à exaustão, pois retratou como poucos o movimento revolucionário dos séculos passados em terras pampeiras. Tenho um livro dele, catatau de mais de 500 páginas, que o filho já me sequestrou, o VARÕES ASSINALADOS, sobre a convulsão em nossa fronteira nos tempos da Guerra do Paraguai. Por aqui, primeiro passaram seu filme "Neto perde sua alma", que assisti novamente e depois fiquei para o bate papo. Gostoso demais poder bater papo assim tão próximo de alguém pelo qual se tenha lido muitas obras. E ele bateu um longo papo com todos os presentes, dentre os quais esse seu fã.

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

PRECONCEITO AO SAPO BARBUDO (92)


A MENTIRA NA MANCHETE E MUITOS APLAUDINDO, PEDINDO BIS
Abro o jornal daqui e lá estampado em sua primeira página algo muito parecido com o que vejo ocorrendo no Brasil: "A difamação como instrumento da campanha eleitoral". Algo sui generis aconteceu aqui por esses dias. A sete dias de um "paso" eleitoral, como dizem aqui, surge inesperadamente e da forma mais irresponsável possível uma acusação contra o candidato da oposição com maior possibilidade de ganhar o pleito. Essa a estratégia, um aniquilamento midiárico de última hora, como largamente utilizado no Brasil para impedir uma vitória dos candidatos opositores ao neoliberalismo e aos interesses dos aqui também donos do poder, dentre os quais os grandões da mídia. Aqui capitaneadios pelo Clárin e La Nácion e aí no Brasil pelo Globo, Folha e Estadão.

Almoçando num restaurante popular na tarde de ontem, faço questão de sentar ao lado de uma mesa onde o papo era sobre o ocorrido. "Pode-se o candidato Macri matar a mãe que não sairão manchetes contra ele de forma depreciativa, mas vá lá o sr Scioli, pisar num tomatito e terá uma enxurrada de manchetes depreciativas". Igualzinho no Brasil. Dou meu exemplo. Pode alguém como Aécio, Alckmin ou mesmo FHC ter matado a mãe a punhaladas em plena praça pública, na presença de milhares de testemunhas oculares, mas o fato será amenizado e nas manchetes do dia seguinte, algo em pouquíssimas linhas e levantando suspeitas de como teria sido de fato o ocorrido.

A grande pergunta que não quer calar é sempre a mesma: Por que ocorre isso e a maioria se cala? A grande tese é que a maioria sabe de todos os males, mas está mancomunada com alguns dos malfeitores e os apóia. O importante nesse momento é somente um, a destruição de um e a devolução do poder a outros, independente se esse fez, faz ou continuará fazendo bandidagens variadas e múltiplas. Ninguém compra gato por lebre assim gratuitamente. O que existe mesmo é que a maioria que faz vista grossa para desmandos dos seus, o dos que defende e faz uso da frase muito dita por aqui na Argentina: "Mente-me que eu gosto".

Agora sacaram algo aqui de um preso em prisão perpétua, um enjaulado e que se condenado lá na frente, quando o estrago já tiver sido concretizado e o opositor derrotado, lhe será imputado mais alguns anos no costado. Ele deu entrevista, falou horrores do tal candidato opositor, a mídia lhe dá todo o crédito do mundo, insufla suas falas como verdades absolutas, mesmo ciente de que foram invencionices de cunho meramente eleitoral. Esse o papel hoje da imprensa livre, altaneira e soberana. Triste papel, a de reprodutora da inverdade, mas isso de pouco vale no momento, o que vale mesmo é trazer de volta aos píncaros da glória o neoliberalismo mais predatório possível. Não enxergo diferença nenhuma do que ocorre no Brasil.
FUI APRENDER ALGO COM UM ASSALTANTE DE BANCOS
Participei na segunda passada de mais uma edição por aqui do BAN!, o Buenos Aires Negro, um grande evento reunindo conhecidos escritores do ramo policial. Palestras em torno do tema podem ser conferidas no site: buenosairesnegra.com.ar.

Fui motivado por algo que li no Página 12 e muito me encantou, a presença do hoje escritor espanhol DANI EL ROJO, também conhecido como EL MILIONÁRIO. Ficou muito conhecido em seu país por ser um contumaz ladrão de bancos nos anos 80/90, penou 14 anos de prisão e hoje transformou-se num escritor policial, contando não só seus feitos, mas algo mais para curiosos como eu. De ladrão de bancos a escritor de novelas e até ator de cinema. O próprio festival BAN! tem por lema algo nessa linha: "Donde el crimen real se mezcla con el crimen de ficción".

Fui me inteirar da fala do ROJO: "Em um minuto e meio tinha dois milhões de pesetas que não eram para guardar, eram para gastar, para desfrutar. Era meu trabalho. (...) Não me arrependo por haver atracado bancos pela atitude que os bancos sempre tiveram. Hoje está muito pior, haja visto o que faz um presidente de banco e um atracador de bancos. (...) Eu via muito dinheiro na minha frente e queria muito dinheiro. Eu queria ser rico e o dinheiro estava ali na minha frente. (...) Me diziam para ir trabalhar, mas como, trabalhando nunca ficaria milionário. E eu queria ser milionário. Nenhum milionário chega lá honestamente. (...) Dinheiro rápido é como café de máquina: entra muito rápido, todavia sai também muito rápido. Te custa pouco ganhá-lo. E ademais, não pensava viver até os 52 anos. (...) Tínhamos a polícia do outro lado, o grande empecilho, pois o delinquente tem que dormir e eles não, trocam de turno e continuam no seu encalço. (...) Escrevo hoje porque li muito durante o cárcere, foi lá que aprendi a ler livros. Na minha época, 98% dos delinquentes estavam também envolvidos com drogas. Gastávamos muito, mas a vida é também outra coisa, muito além do dinheiro, mulheres e carrões. Nunca roubei para guardar e sim, para gastar. Acabava, roubava de novo. (...) Meu passado me deu lições, uma mulher me mostrou que podia também viver com um soldo mensal e hoje tenho dois filhos. Se soubesse que os teria teria guardado um ratito de dinheiro. (...) Saber sair do delito e ganhar a vida honradamente é o que de melhor a vida me deu. Uma coisa é você cometer um delito um dia de sua vida em algum deslize e outra coisa é estar todo dia metido com isso. Você entra nesse ramo de negócio e sabe que vai passar anos no cárcere".

Ao final fui perguntar se no meu caso, aos 55 anos, já meio alquebrado, agilidades perdidas, barriga grande, calvície protuberante, como poderia me aconselhar a ingressar, tipo dicas para fazer a coisa bem feita em tão lucrativo ramo de negócio. Olhou para meu estado, do alto até abaixo, riu e me disse ao pé do ouvido, mas em voz alta, para todos ao lado ouvirem: "Continue fazendo o que faz no momento, teria poucas oportunidades de sucesso". Sai de lá frustrado. Dessa forma vejo reduzidas minhas possibilidades de tornar-se milionário assim da noite para o dia. Triste sina.

terça-feira, 4 de agosto de 2015

COMENTÁRIO QUALQUER (142)


BOM DIA - MIJANDO, CAGANDO E ANDANDO...
Ainda distante de Bauru comento o que leio por aqui e nas poucas espiadas no que vejo publicado via imprensa bauruense. O aniversário de deu, o viaduto foi inaugurado inacabado mesmo e algumas brigas quase ocorrendo entre vereadores, tudo por um motivo muito simples, gente de alguns dentro da administração. Isso por si só é um tremendo absurdo: Vereador é pago para fiscalizar o Executivo e não para colocar lá dentro gente sua ou ao seu mando. Quando ocorre de indicarem alguns e esses trabalharem para quem deveriam investigar, por princípio básico da coisa, algo está podre na relação entre as partes, mais do que comprometido. Isso para mim é elementar, diria Watson. Nem mereceriam continuar exercendo a função de vereadores, mas...

Vi mais duas coisas por aqui da festa do aniversário de Bauru. Na primeira uma reprodução de página do face de alguém reclamando que a Festa dos 119 anos na rua estava lotada de gente feia. Acho linda conviver entre esses, os ditos feios, os que devem mesmo ocupar os espaços todos e criar os maiores problemas para o ditos bonitos. Quando os feios começarem a incomodar mais os bonitos, daí muda-se o padrão de beleza e isso será realmente maravilhoso. Depois num outro post vejo que uma "moçada" reclama do show escolhido para a festa. A Velha Guarda incomoda a alguns, que querem ver o poder público lhes bancando o que lhe é massacrado aos ouvidos. E acerta o poder público quando insiste em apresentar como programação algo de valor mais do que reconhecido, fugindo do batidão. Sei que não é esse o caso, pois a escolha do show do aniversário não passa pelo crivo do poder público, mas do privado, mas na escolha desse ano, algo simples, singelo e de grande valor. Para os que reclamam até quando ocorrem acertos, nada a acrescentar, só mesmo continuar mostrando, sugerindo opções diferentes do que rádio e TV lhes massacram diariamente. Em tempo: li sobre os feios num posto do Roque Ferreira e sobre escolha do show no de Tatiana Calmon, ambos formando um belo casal.

Um pitaco sobre a prisão do Zé. Esse Zé, o Dirceu, teve seus erros mais do que expostos, todos ditos e poucos comprovados. Iguaizinhos a tantos outros, de outras legendas, alguns até com maior monta no frigir dos ovos da somatória de cifras envolvidas. Evidente a cada novo passo dado por essa injusta Justiça, o empastelamento de uma agremiação política com seus erros e a licensiosidade para outras. Por que? Quando a dita Justiça faz vista grossa para denúncias de um lado e escolhe só um lado para punir, seguindo os passos do que lhes dita uma parcela significativa da mídia, também enlameada até o pescoço, prova inconteste de que caminhamos para o justiçamento não só desses que estão presos, mas na sequência de todos os demais, que segundo eles podem ameaçar de alguma forma a implantação do que querem ver no comando de tudo. O Brasil está a piorar se livrar a cara dos seus maiores bandidos, todos ainda libertos, sonegando desbragadamente, fazendo seus negócios à luz do dia e acusando esses que a Justiça (sic) leva ao cárcere como os grandes ladravazes desse país. O Zé faz parte desse jogo de cena que querem nos vender como o deles estarem cumprindo o papel a eles incumbido. O que realmente ocorre ou poucos enxergam, mas a maioria compra e aceita como correto é algo sórdido. Na verdade, essa imensa legião que hoje aplaude isso está mancomunada com o que está sendo feito. Aceita, porque aceita a mentira desses como a sua verdade. Vivemos sob esse estado de coisas. Menti-me que eu gosto.

Bom dia a tudo, todas e todos. Pioraremos mais e mais se nos aquietarmos. Essa minha caixa de surpresas, aberta e sempre exposta. Abra também a sua, mas escolhendo um dos tantos lados, veja se está servindo a interesses que não são os seus. Não faça papel de joguete nas mãos de uns que só se servem de ti para isso, referendar tudo o que fazem. Siga a banda que quiser, mas veja para aonde ela vai te levar. Se é isso mesmo que quer, siga adelante, mas no arrependimento lá na frente, talvez possa ser tarde demais. Mijando, cagando e andando, assim sigo.

domingo, 2 de agosto de 2015

RELATOS PORTENHOS (19)


DESVENDANDO BA
1.) UMA PALAVRA ENTALADA NA GARGANTA

Algo que estranho muito por aqui são algumas palavras utilizadas pelos argentinos para designar as coisas, objetos e situações. Algumas me acostumo com ironia: carniceria é açougue, peluqueria é o barbeiro, panaderia é padaria, inodoro é o vaso sanitário, embarazada é a grávida e assim por diante. Um a me revirar as entranhas toda vez que me deparo, esse ainda não me acostumei é o tal MUCAMA para designar as funcionárias da faxina e limpeza dos hotéis. Sempre entendi esse nome como algo ligado à escravatura. Sei que elas continuam exercendo um trabalho duro, bem serviçal, mas a designação é muito levada ao pé da letra, como quase tudo por aqui. Essa uma dela, me dói aos ouvidos, mas se for levar realmente no significado do que representam ainda nesses dias, o termo talvez tenha uma significação bem próxima do exercício real dessa profissão. Mas não me acostumo de jeito nenhum.
 

2.) O NOROESTE E O SIMILAR AQUI NA CAPITAL HERMANA
Ontem o centenário time de minha aldeia aplicou uma sonora goleada em seu oponente, 8 x 0 e faz com que renovemos as esperanças de vê-lo novamente altaneiro. Não fui ao campo por estar aqui em terras hermanas. Observando os times de futebol daqui escolhi um para torcer e o fiz por algumas razões. O FERROCARRIL OESTE está na segunda divisão do campeonato argentino após anos no primeiro. Caiu a coisa de uns dez e não mais consegue voltar. Está tentando e faz um bom campeonato esse ano. Jogou ontem a tarde e perdi a rara oportunidade de vê-lo em campo. Outros laços que me unem a ele são os trilhos. O Ferro, assim como o Noroeste são times com ligação umbilical à ferrovia, ferroviários e trilhos urbanos. As cores não batem, um verde, outro vermelho, mas no mais muita coisa parecida. E mais, estive no estádio do Ferro em 2008, quando vim para cá junto do amigo Marcos Paulo e produzi um texto depois publicado na Carta Capital sobre um comício de Hugo Chavez na cidade, em contraponto a outro, de George Busch, então presidente norte americano em Montevideu. Chavez lotou o estádio do Ferro e eu estava lá, momentos inesquecíveis. Agora o Ferro e o Noroeste voltam a se cruzar no meu coração.



3.) O REGISTRO DE UM TEMPO QUE QUASE NINGUÉM QUER DE VOLTA
Algo que me vejo fazendo a cada volta aqui é buscar as inscrições remetendo aos tempos duros da ditadura militar, em algo que os argentinos conseguiram expelir pra fora e nós brasileiros ainda não. Em cada calçada onde ocorreu uma prisão irregular, cada fachada onde morava alguém que foi detido e desaparecido eles colocaram uma placa explicando quem ali morava. Não consigo passar por um lugar desses sem registrar. Essa uma boa forma de manter a memória sempre viva, atenta e num alerta máximo para que fatos iguais aqueles não mais se repitam. Daí quando nos deparamos com Marchas com Deus (até o papa pede o contrário) e Marchas com todos de verde amarelo sempre na Getúlio Vargas em Bauru, com gente tentando reviver volta de regime militar, me vejo a pensar que essa gente, no mínimo não sabe o que faz.



4.) O COLORIDO NAS CALÇADAS E MEUS PÉS
Duas coisas me chamam muito a atenção nas calçadas, dentre tantas outras a me mover por aqui. Cito essas para fomentar algo vindo de dentro, pessoal de cada individuo. Na primeira, acho lindo essas pequenas mercearias, quitandas que expõe na calçada as coloridas frutas e legumes. É, para mim, como se fosse um objeto de exposição, me quedo diante delas e fico curtindo aquela montagem, cores sobrepostas como se tivessem sido ali juntadas especialmente para o olhar de quem passa pelas ruas. E não é isso mesmo? São sempre comércios pequenos e na parada em alguns deles, percebi que na maioria existe uma divisão comercial. O comércio propriamente em si comandado por um argentino e o de frutas e verduras por um estrangeiro. Vi muitas peruanas se ocupando disso por aqui, numa subdivisão do minúsculo empreendimento. Na outra, algo bem meu, pessoal. Sou um adorador e usuário de alpargatas e por aqui as vejo com maior intensidade que no Brasil. A Paez, a maior delas, mas outras de menor monta vicejam pelas pequenas lojas. Me vejo babando diante de cada nova vitrine onde estão expostas alpargatas e isso atrasa minha caminhada e sempre sou puxado para continuar a andança. Impossível ir-me daqui sem levar algumas na bagagem. São pisantes macios, flexíveis e meus velhos pés já se acostumaram com sua malemolente modelagem. A rua me arrebata.



5.) DESVIRGINADO DE BOMBONERA - 4 X 3 O RESULTADO
O Boca Juniors perdeu para o Union de São José. Uma bela partida, com o goleiro do Boca sendo expulso no primeiro tempo e o time daí um pouco desencontrado. Estádio lotado, 45 mil pessoas, todas vestindo azul e amarelo, uma só torcida no campo, multidão nas ruas e uma torcida que não parou de cantar um só instante. Nos coros teve até o Yllariê da Xuxa, sempre com a palavra Boca no meio. Carlito Tevez fez um gol, mas esteve um tanto sem destaque no jogo. Bonito espetáculo, lindo estádio, inclinado e alto, desses que voce parece estar dentro do campo. Fiquei na sua parte mais alta e de lá uma visão inusitada de uma partida de futebol. Uma escada ingreme para se chegar ao topo, voltas e voltas e quando se sai ao ar livre, um susto e aquela impressão de estar na beirada de um prédio de dez andares. Nos momentos de frenesi, todos pulando e o concreto literalmente treme. Um belo de um espetáculo e uma organização que, sabe conduzir o que venha a ser um espetáculo de futebol, pois os jogos do Boca por aqui vivem todos lotados e nem que se queira se acham ingressos para comprar. Uma cota para os torcedores fixa, desses que já pagam para o campeonato todo, lotando tudo. O turista que quer até acha, mas paga os tubos e compra da mão desses torcedores ou dos dados de cortesia, como os nossos, que ouvi valerem no câmbio da hora algo em torno de 150 dólares para cima. O envolvimento desses torcedores com seu time é algo inexplicável e único, o bairro ferve horas antes e as imediações do estádio são todas cercadas, só circulando moradores e quem tem ingresso. O bairro do La Boca é o popular, lugar do povão que ferve o seu espaço no estádio e nas ruas, ao lado o bairro de Barracos, esse de classe média, no meio dividindo e separando a ambos o estádio. Algo mais só amanhã, estou moído e querendo desmaiar já. É o que faço, deitando com aquela cantoria ainda na cachola...