terça-feira, 15 de setembro de 2015

CARTAS (146)


VARONIL REENCONTRO NUMA BANCA DE LIVROS*

* Missiva da lavra e responsabilidade deste HPA, publicada hoje na Tribuna do Leitor, página interna do Jornal da Cidade - Bauru SP:

Na Feira do Rolo, Banca do Carioca, domingo último, 13/09, todos por lá quarando com o retorno do sol. Reencontros mil, papos variados e múltiplos. Destaco aqui um a merecer destaque. Carlos Ladeira, prócer tucano na cidade, um que já bebericou comigo cervejas pelos bares da cidade e hoje, antes mesmo do cumprimento já chega com uma provocação: “Que aconteceu que não te vejo mais defendendo o PT no jornal?”.

Primeiro lhe estendo a mão e após, respondo com a devida vênia: “Continuo na mesma trincheira onde sempre estive. Se o PT mudou pergunte a ele, nem petista sou mais, expulso que fui por dona Estela. Não defendo nenhum político que tenha cometido deslize, independente de sigla partidária, mas não me furto em reconhecer todos os acertos deles, alguns ótimos para o país. Agora, tu é dos que não deveria questionar eles por nenhum tipo de erro, pois tudo de mal que alguns deles fizeram, membros pomposos do teu partido repetiram a dose e em maior escala. Tá difícil saber quem esmerdeou mais o país”.
Tempos atrás, noutros encontros na banca, eu e Ladeira.


A questiúncula não se encerrou por aí. Farpas ainda foram trocadas, ele de um lado da banca de livros, eu noutra. Nada além disso, mas preocupante. Primeiro, porque Ladeira me conhece e sabe não possuir envolvimento com nenhum escândalo, depois, sabe também, não possuir nenhum cargo complicatório de confiança junto a nenhum dos tais partidos envolvidos no Fla Flu em questão. Saliento ainda que, a esquerda brasileira não se resume ao PT e nem todos por lá devem ser atrelados aos fatos questionados. Cheguei a dizer de minha admiração por um dos fundadores do PSDB, o ex-governador Cláudio Lembo, ainda mais depois da feliz declaração, citando a tal da “elite branca” paulista.

Quando ao me responder cita Hélio Bicudo e sua mais recente admoestação ao PT, sou obrigado a lembrar de profética fala de Plínio de Arruda Sampaio, questionado certa vez por ter vindo da direita para a esquerda: “Sim, nada demais. Fui é salvo. Já sem possibilidade de salvação quando ocorre o contrário, a pessoa tendo militado na esquerda e um dia ir parar na direita. Esses são irrecuperáveis”. Voltamos a olhar uns livros e saio da banca com um dos meus autores preferidos debaixo do braço, Darcy Ribeiro. O escolhido do Ladeira não vi e não sei.

Henrique Perazzi de Aquino, jornalista e professor de História (www.mafuadohpa.blogspot.com).

segunda-feira, 14 de setembro de 2015

DOCUMENTOS DO FUNDO DO BAÚ (83)


A ESTAÇÃO, OS TRENS, O HOJE E O AMANHÃ – ENTREVISTA PARA UM TRABALHO UNIVERSITÁRIO*
* Sou procurado por alunos universitários da Unesp Bauru sobre a possibilidade de um entrevista sobre um tema que muito me atrai e interessa. Era para ter ocorrido pessoalmente, mas devido à pressa que tinham saiu por e-mail. Posto aqui as perguntas e respostas sobre como penso a respeito dessa mais que causa bauruense:


1 - Em que época e que contexto a estação ferroviária de Bauru foi construída?
Ela foi construída nos anos 30 e inaugurada pessoalmente pelo então presidente Getúlio Vargas e pela sua imponência e tamanho demonstrava claramente toda a importância da ferrovia para o desenvolvimento e progresso da região. Sua área administrativa ira daqui até as barrancas com a Bolívia, numa ligação que, levando em consideração ia também de Bauru para São Paulo, ligava praticamente os dois oceanos, o Atlântico ao Pacífico. Todo o transporte de carga era feito por esse modal, o férreo e o rodoviário ainda era insipiente. Foi a fonte de progresso de milhares de cidades, dentre essas Bauru, que hoje a renega.

2 - Que tipo de símbolo a estação se tornou para a cidade?
Para mim é o símbolo do progresso, pois foi através dela, da ferrovia que tudo por aqui foi brilhantemente impulsionado. Foi pensada como integração e como modal de transporte barato, subsidiado pelo Estado. E hoje, mesmo renegada e considerada como plano secundário, levo em consideração que, por bem ou por mal, a ferrovia irá voltar. Veja quanto de inconveniente existe na chegada hoje aos grandes centros via rodovia, para por exemplo, São Paulo, Rio de Janeiro. Só a ferrovia resolverá essas questões, pois por sua via não ocorrerá os gigantes congestionamentos hoje vistos. Possuía o símbolo do progresso e pode hoje ter o símbolo da retomada de algo tão necessário. O lobby rodoviário trava isso, mas precisa ser vencido.

3 - Como a estação ferroviária ajudou na construção de uma memória, ou até mesmo uma identidade bauruense?
Em algo que já disse, sua posição estratégica, o famoso entroncamento unindo três grandes empresas ferroviárias, a Noroeste do Brasil, a Cia Paulista e a Sorocabana, tudo foi impulsionador de progresso. Devemos o que somos hoje em sua maior parte à ferrovia. Isso quer queiram ou nãos os envolvidos em outras concepções é e sempre será a mais forte identidade dessa cidade, laços indissolúveis com a ferrovia. Até bem pouco tempo não existia família por aqui sem laços com a ferrovia, sempre um pai, tio ou avô trabalhou na ferrovia. Não existe identidade maior que essa. A estação da NOB (existem tantas outras na cidade) é o marco mais significativo disso tudo.

4 - A partir de quando o processo de sucateamento físico da estação começou?
A partir da implantação uma nova concepção de que o modal rodoviário, incentivado por um forte lobby deveria substituir o férreo. Começou na época de Juscelino, foi incentivado pelo regime militar, que não soube frear os avanços desses interesses econômicos e a pá de cal quem deu foi o governo de FHC – Fernando Henrique Cardoso com as privatizações no setor. Cabe a esse o pior papel, pois decretou praticamente o fim do modal ferroviário, tão valoroso mundo afora, mas aqui, por pressão de grupos econômicos neoliberais, o poder do dinheiro, tudo foi devidamente colocado na lata do lixo. Ou seja, tudo terá que ser refeito num curto espaço de tempo, sendo que tínhamos um ótimo parque ferroviário. A degradação foi fruto de uma política econômica que não se interessava pelo que realmente necessitávamos, mas o quanto poderiam ganhar com algo novo, no caso o incentivo às rodovias. O país todo perde num todo e é importante nunca se esquecer disso, FHC foi o que enterrou de vez a ferrovia no Brasil. E pouco foi feito, por Lula e Dilma para resolver a questão.

5 - Porque o senhor acha que isso aconteceu?
Como disse, interesses econômicos de um restrito grupo que ganhou muito com o implemento do modal rodoviário, para transporte não só de cargas, mas de passageiros. Perceba como muitas das grandes empresas rodoviárias, tanto de carga, como de passageiros estão nas mãos de políticos ou mesmo de ex-políticos, enquanto que a ferrovia sempre foi estatal enquanto vingou de fato. Como queriam ganhar dinheiro com a coisa, o grande negócio foi destruir a ferrovia e distribuir entre eles o quinhão do novo negócio. Sempre muita grana no meio de tudo e dane-se o povo.

6 - O senhor acredita que um dia a ferrovia irá fechar por completo?
Não acredito e por um único motivo, o caos rodoviário está em vias de ocorrer e pela minha tese, por bem ou por mal, o ferroviário voltará e praticamente de forma obrigatória, pois não existirá outra maneira de se chegar aos grandes centros, por exemplo, via rodovias. E tudo o que tínhamos em perfeito funcionamento terá que ser reconstruído, gerando lucros aos barões dos negócios financeiros no país. Do contrário, pelo pensamento vigente hoje já estaria fechado.

7 - Como isso afetaria a cidade?
A cidade já foi afetada. Muitas outras. Vejam as linhas, os trilhos praticamente abandonados, sem uso e colocados hoje como problemas para cidades como Bauru. Muitas cidades removendo-os para longe, transformando seu leito em pistas para automóveis. Por aqui isso está por um fio. Existe forte movimento para retirada total dos trilhos urbanos e algo muito longe dos olhos de todos. Que essa reconstrução não demore tanto, pois quanto mais tempo passa, maior será o gasto para sua reconstrução.

8 - O passeio de Maria Fumaça era considerado um atrativo turístico da cidade?
Sim. Hoje deixou de ocorrer por entraves burocráticos. Uma linha praticamente desativada, ocupada somente para o transporte de carga de empresas como a concessionária ALL e o Governo Federal fica cheio de dedos para autorizar o retorno dos tais passeios, tão importantes como registro de nossa história. Com um pouco mais de pressão política ele volta, mas nem isso de fato ocorre e olha que temos uma vice prefeita do mesmo partido do Governo Federal. Nem isso foi bem trabalhado. A deterioração do que já representou esse passeio turístico é de uma forma a mesma da deterioração da ferrovia, uma entrelaçada com a outra.

9 - O fim desse atrativo é considerado prejudicial também para a cidade?
Claro. Uma cidade como Bauru possui pequenas e raras opções turísticas e não estão sabendo explorar esse potencial. O do trem e projeto Maria Fumaça, o Ferrovia para Todos, já existente, ao invés de ser incentivado, deixaram que o mesmo chegasse ao marasmo de todo material ficar juntando teia de aranha. Não por culpa dois abnegados funcionários lá existentes, mas do poder político local. Esse sim tem culpa, pois não criou ao longo dos anos em que está à frente do governo municipal um grupo sério para discutir e comandar a questão. Imagine se isso estaria do jeito que está se tudo fosse comandado por pessoas que entendem, gostam e com dedicação exclusiva para seu fortalecimento. Tenha certeza, estaria funcionando. Falta vontade política, pois abandonaram a questão, não lhe deram a devida importância e quando algo é esquecido, a tendência é cair no marasmo em que se encontra.

OBS FINAL: As foto aqui publicadas não são meramente ilustrativas, nas primeiras a saudosa Maria Fumaça e nas demais alguns itens tombados e todos localizados lá em Triagem Paulista. As duas últimas são de pura nostalgia. São fotos antigas, de aproximadamente dez anos atrás. Qual será o estado atual desses itens? A conferir.

domingo, 13 de setembro de 2015

O QUE FAZER EM BAURU E NAS REDONDEZAS (67)


40 MINUTOS QUE VALEM POR UM MÊS INTEIRO - NADA SE COMPARA A ESTAR NA BANCA DO CARIOCA NA FEIRA DO ROLO AOS DOMINGOS
Cheguei na Feira do Rolo hoje já eram umas 11h20. Parte da manhã estive no velório de uma pessoa querida de minha família. A feira foi usada para desopilar, soltar a embutida amargura. A passada obrigatória, como sempre se dá na Banca do Carioca. Hoje, em algo em torno de 40 minutos, uma concentração do que se pode dizer como a verdadeira e original “ebulição” bauruense. Tudo estava ali acontecendo e eu ali inserido naquele rico contexto. Aquilo ali, dentro da riqueza de possibilidades que já vi o lugar oferecer, hoje estava com os decibéis acima da voltagem permitida. Extrapolou e confesso, se tivesse tempo, permaneceria ali a tarde toda, curtindo cada pessoa reencontrada. Para começo de conversa, Carioca ao me ver chegando já me entrega dois livros que havia reservados especialmente para mim. “Achei a sua cara, veja se interessa”, diz. Um luxo só. Claro que interessava. São eles, o “Direito à Memória e à Verdade” e “Croquis de Pagu”. Vi que estava cheio de novos CDs.

Muita gente ali reunida e nem deu para circular em mais nada. Fiquei só ali e pronto, foi o suficiente. Duas semanas sem comparecer na feira é motivo para gente vir ao seu encontro e perguntar: “Que foi? Qual o motivo do sumiço? Não faça mais isso”. Sim, prometo não fazer mais e já me oferecem um copo de cerveja. Prometo ajudar no rachide e vou assuntando quais as novidades. No fundo da banca, pendurado num cabide um imenso capote mostarda, desses grossos e para enfrentar frios desmedidos. Está ali justo hoje quando o sol voltou a bater forte. Não houve jeito, peço para tirarem uma foto comigo ali dentro e sem tirar o cabide. Logo o próprio Carioca tira outra e depois nosso mestre em esperanto. O dia estava prometendo. Duas jovens estavam por ali e sendo paparicadas pela turma toda. Uma era mexicana e hospedada na casa de uma já famosa artista plástica, a Tássia Sardão. Essa radiante, pois estará inaugurando mostra de seus trabalhos no Templo Bar no próximo dia 15.

Rubens Colacino estava tentanto colar uns papéis na parede da Associação dos Aposentados e inaugurar um Mura. Num certo momento chama todos para tirar uma foto diante dos papéis ali colados. Na frente da farmácia uma animada turma saia para fora a todos instante quando o movimento diminuía e se juntava à trupe foliona na calçada. Lá na frente, da loja de usados, outro acena a mão e pedia que em breve estaria no furdunço. Outro acha um livro sobre Portugal e o levanta como preciosidade: "Esse é meu". Uma garota pede uma indicação de dica literária para ler e o mais recomendando foi um João Cabral de Mello Neto, prontamente aceito por ela. Ficou alguns instantes entretida com a leitura e quando se decidiu pela aquisição, todos que até então estavam com a respiração presa a soltam e levantam seus copos de cerveja. Logo a seguir a vemos com um LP do Milton Nascimento nas mãos e a alegria foi geral. A festa continua porque quem vem chegando com um amigo, desses que ainda não conhecia o encantado lugar é Manoel Carlos Rubira. Em instantes já está trocando ideias sobre a exposição no Templo.

Uma sorveteira passa com seu carrinho e para diante da banca de CDs e de livros. Esquece por instantes do serviço e tenta escolher um CD. Já estavam propondo uma vaquinha coletiva para pagar o que ela quisesse levar. Na foto coletiva, não resisto e pego uma dessas chapas de fogão, tipo frigideira e ameaço tacar na cabeça do Carioca. Onde já se viu vender aquilo no meio de livros? Tinha mais. Chegando e parando o engenheiro cultural, um que diz que a cultura está no seu interior e que se a categoria se interessa por estar inserido nas leis do mercado, para ele, o que interessa mesmo é estar inserido nas leis da cultura. leva o livro mais estranho da banca, um da historiadora bauruense Terezinha Zanloqui sobre mangás. Todos queriam que ele abrisse o dito cujo ali, mas plastificado permaneceu. Rubira levanta lá do outro lado um livro do Darci Ribeiro, o "Sobre o Óbvio" e lhe pergunto: "Vai levar?". Quando diz que não junto aos meus. Vejo por ali o novo livro do Reginaldo Furtado, lançado ontem e já presentado ao livreiro da feira.

Não sei vindo de onde circula entre os presentes um pratinho com frango e linguiça. E a cerveja vai de Petra, a da reserva especial da farmácia, a uns litrões de Skol que o Carioca pede para trazer não sei de onde. Do outro lado banca aparece o Ladeira querendo provocar a mim por defender petistas. Fico sem entender, pois o que não coaduno é com a hipocrisia reinante, mas lhe digo: "Estranhar o que, se você fica a defender tucanos?". O papo micha e com ele prossegue naquele estilo Fla Flu só resolvível, com a desatenção. Volto para os convivas do lado de dentro do balcão, onde Colacino tenta conversar com a mexicana em esperanto e vejo que ambos não se entendem. Mas no mais todos estão se dando muito bem. E assim prossegue até não sei quando. Tenho que bater asas, pois o almoço dominical com meu pai me espera e com o coração partido, pago parte dos CDs escolhidos, os livros e uma pequena parte penduro para quitar no próximo domingo.

O nome de todos os presentes eu não conseguiria me lembrar, daí preferi citar só uns poucos. Queria que todos os presentes levantassem a mão e aqui pela internet escrevesse nos comentários um "Eu estava lá". Conversamos novamente sobre a abertura da tal Banca Cultural dentro da Feira do Rolo e todos, como sempre, gostaram muito da ideia, só que nada fica de concreto e dessa forma continuamos batendo cartão, domingo após domingo, sempre no mesmo bat canal, ali na Banca do Carioca. Amílcar Oliveira, um dos responsáveis e representantes dos feirantes já deu o aval, mas está faltando é reunir a galera e bater o martelo. Qualquer dia isso acontece e daí pro diante, pordem ter certeza, os domingos nunca mais serão os mesmos. O melhor lugar é ao lado da Banca do Carioca, com um espaço para exposições, entrevistas, falatórios, lançamentos e tudo fluindo entre as partes, sem nenhum atrapalhamento de ambas as partes.

sábado, 12 de setembro de 2015

CENA BAURUENSE (138)


SARAU ARTE EM CANTO
Ontem, sexta de chuva, lá no salão ao lado da casa do Lázaro Carneiro. Umas poucas fotinhos tiradas por mim e amanhã, se der tempo, a reprodução do texto que escrevi para o dito cujo homenageado. Fui chamado ao palco e levei pronto uma colinha, o texto pronto, lido por mim e escrito para esse grande homem defensor não só do cerrado (ontem foi seu dia), mas defensor da luta do homem do campo, do homem que é massacrado por essa sociedade capitalista, cruel até a medula. Como é bom ainda existirem pessoas iguais ao Lázaro. Fico a me pensar o que seria do mundo sem essas diferenciadas pessoas. Fui lá e sai com a alma lavada, conversas colocadas em dia.

ANJO TORTO – FICOU GRANDE SEM FICAR BOBO*
*escrito em 11.09.2015 e lido no evento SARAU ARTE EM CANTO, no Dia do Cerrado e atendendo a solicitação da organização, essa minha modesta homenagem ao grande poeta e pessoa humana Lázaro Carneiro. Escrito de uma só talagada e sob inspiração de Carlito Maia. Lá vai e tudo num só parágrafo:

"Lázaro não é socialista para exorcizar nenhum demônio que a sociedade capitalista impõe a ele. Esse não é fariseu, é um aflito. Sua sensibilidade o faz absorver tudo quanto abala a liberdade de todos. Inquieto por natureza. Essa convicção beira o absurdo e é contraditório ou difícil de ser entendido por quem, como a maioria de nós, vive em função de um catálogo de procedimentos, normalmente apoiado em conveniências.

Esse aqui já superou isso tudo, aliás, vive num estágio acima disso tudo. Desse eu cobro coerência, pois a tem de sobra, o que falta, infelizmente, em quase tudo à sua volta nesses bicudos tempos. Coerência de viver pobremente à moda Mujica. Lázaro venceu na vida perdendo. Enquanto todos lutam como doidos para amealhar mais e mais, ele se contenta com o que tem. Uma baita de uma sorte em ser o que é, conseguir tocar o seu barco, cavar seus espaços nesse competitivo mundo. Eu o resumo numa frase dita por outro igual a ele, Carlito Maia: “Faço tudo o que você quiser, se eu quiser”; Com tipos iguais ao Lazinho não adianta quere convencê-lo de mais nada, pois sua declarada caipirice já o fez experimentar de tudo. Não cai mais no conto do vigário, até porque dificilmente entra numa igreja. Perdeu as papas na língua e mesmo no inferno da realidade atual, quase sempre desfavorável a Quixotes como ele, faz o que quer, quando quer, onde quer e entre seu seleto grupo de amigo, como esse aqui reunido. Suas tiradas são um deleite para quem ainda aprecia a palavra dita com sapiência, na exata medida, quase sempre sem que o oponente consiga rebater. Oscar Wilde certa vez disse que “sonhador é aquele que percebe a aurora antes dos outros”. Quer melhor definição para esse matuto?
Máximo Górki é um deles com: “Não vim ao mundo para me resignar”. Resignado esse danado não é nem um pouco. Esse seu jeito, desses que me encantou desde que li seu primeiro escrito, bati o primeiro papo, fizemos juntos a primeira caminhada é como a dita numa outra frase, essa de um autor que não me lembro do nome: “Uma vida não é nada, com coragem pode ser muito”. Como eu gosto dos corajosos, os que remam contra a maré. A turba toda indo para um lado e o gajo insistindo em continuar ao contrário. Jamais pôs sua alma a leilão. É desses que não está à venda, daí é bom nem tentarem fazê-lo, pois verão que a resposta será danada de doída. Para mim esse distinto senhor é um contrabandista de gente, produtor de fugas, alcoviteiro de guerrilheiros, semeador de esperanças, provocador de inteira pataca. Quando aciona sua metralhadora palavratória, frases e citações só dele, faz da ironia uma arma capaz de derrubar prepotências e denunciar safadezas. Não o convidem para ficar em cima do muro, pois seu negócio é opção e ação. É o meu melhor exemplo de um fracassado bem sucedido. Lázaro sabe melhor que ninguém que a luta hoje é entre os sem terra e os sem vergonha (essa mais uma frase de Carlito). É o meu homem. O danado diz tudo em uma frase, coisas que eu não consigo dizer num livro inteiro. Viva Lázaro!"


MINHA ESCREVINHAÇÃO SOBRE O NOROESTE, O VERMELHINHO QUE DE VEZ EM QUANDO SATISFAZ
A ida ao estádio hoje foi, como já o fiz muitas outras vezes, num jogo onde o ganhar era o único resultado possível. Nem sempre ele ocorre quando diante de tanta necessidade, mas hoje correu tudo bem. Levamos uns sustos, mas noroestino é bicho forte, calejado ao longo de mais de cem anos de labuta. Tiramos o dia de hoje de letra. Mais uma contenda perigosa, contra um time que não me lembro de nunca ter visto antes um jogo, o Lemense (de que lado fica mesmo Leme? Perto de onde?). Ambos os times com um ponto da tabela, quarta rodada e quem perdesse, praticamente dizendo adeus á competição. Ganhamos. Suamos um pouco a camisa, mas depois de causar certa revolta na galera que estava no campo, o resultado fluiu bem, confirmamos o artilheiro da competição e a galera saiu satisfeita. No histórico do jogo mais de 1100 torcedores, renda de pouco mais de onze mil reais, mas no campo mesmo umas quatrocentas pessoas. Os abnegados de sempre. Vejo sempre um ou outro que vai pouco ao campo. O divertido para mim é ir reencontrando as pessoas, fotografando e falando. Hoje, por incrível que pareça, duas pessoas me procuraram e disseram que ainda não os havia fotografado. Pois bem, o fiz. Meus registros saem aqui publicados.

A chegada ao campo é sempre um barato. Marco horas antes, hoje comJosé Eduardo Zé Loca Gol), no bar ali na rua de cima, mas sempre chego em cima da hora. Hoje, faltando uns dez minutos. Na esquina da benedito Eleutério é onde compro meu ingresso com o pessoal Torcida Sangue Rubro. Fiquem sabendo, eles não são cambistas, eles vendem pelo mesmo preço do guichê e o fazem para ajudar o time. Recebem uma cota e ajudam o torcedor como eu que chega sempre em cima da hora. Hoje estavam lá Jose Roberto Pavanello Silva e o Cesar Melleiro, que agora é figurinha difícil nos jogos, pois mudou-se de mala e cuia para Brasília DF e aparece por aqui muito de vez em quando. A gente para ali para papear na esquina, o primeiro enrosco e quase perde o começo do jogo. Aliás, essa turma deve perder todos os começos de jogos.

Parte coberta liberada, sento junto do primão Eduardo, lá da White Martins e do lado um trio de gente do antigo Itaú, todos aposentados e noroestinos. Dentre eles destaco o Washington (esse aqui me aparece com uma camisa do Santos da cor da do Marília) e o Jesus, esse o único com uma camisa do Noroeste. Assisto o primeiro tempo ali, sentadinho e bem comportado, tirando poucas fotos. Umas poucas de alguns torcedores de costas. Na hora do intervalo é inevitável o bate papo lá na barraca da Avante Norusca, onde o Nilton Santos bate cartão, o Gustavo Lopes e outros.

Brinco com o Cesar Melleiro que havia praguejado contra o novo técnico, o Vitão, dizendo que era muito retranqueiro. Daí ele foi explicar e piorou tudo. Melhor deixar do jeito que está.

No segundo tempo adentro o lado de lá das cobertas, mais perto da Sangue e o Zé Loca vem assistir o jogo boa parte do meu lado. O cara enxerga futebol muito melhor que eu e ficamos ali curtindo os gols perdidos, o empate que quase esmerdalha tudo e depois os gols que vão naturalmente pintando. O Vitão, quer queiram ou não, acertou nas substituições, pois dois dos que colocou em campo no segundo tempo fizeram gols. E mais, temos o artilheiro do campeonato. Um luxo. Quanto ao jogo, tenho a dizer que não foi mais do que obrigação ganhá-lo, pois o fizemos do último colocado do grupo. Não jogamos tão bem assim, mas ganhamos e nossas chances continuam vivas. Esperanças renovadas, mas com um pé atrás, pois temos muitas pedreiras pela frente.

Esse meu jeito noroestino de ver as partidas lá no Alfredão. Uma boa noite a tudo, todas e todos.

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

AMIGOS DO PEITO (109)


DIA DO CERRADO E POETAS CUSPINDO FOGO CONTRA OS PREDADORES
O Dia do Cerrado é obrigatoriamente comemorado em Bauru, não por todos, mas pelos menos para os mais conscientes. Dentro da área do município uma das maiores reservas ecológicas paulista, supostamente impedida de ser devastada, mas nos últimos tempos, pela presenciada matança de animais nas rodovias que circundam a cidade, algo a ser observado: Esses condomínios todos já não passaram e muito dos limites permitidos? A alegação é sempre a mesma, eles são o PROGRESSO. Tudo em nome desse monstro, bons para uns poucos, que lucram com esse negócio e ruim para todos os demais, com a degradação ecológica avançando a olhos vistos. Esse o cenário. Abro o jornal de hoje e lá um belo texto do jornalista Nelson Itaberá Gonçalves no JC, seção Opinião, com (Des)cerrando o Cerrado:http://www.jcnet.com.br/editorias_noticias.php?codigo=240315.

Para mim, uma cidade dominada pela ação intempestiva da especulação imobiliária, que tudo faz e tudo pode, contando é claro, com apoios de gente graúda, as tais das forças vivas (vivíssimas) de Bauru. Quem sai perdendo: O cerrado que continua sendo devastado, ultrajado, espoliado e estuprado de forma vil, seviciado sob os olhares complacentes da maioria. As reações existem e precisam ser mais e mais divulgadas e destacadas. Hoje ocorre uma delas e se a cidade quer entender de fato o que se passa com o quesito CERRADO, basta espiar o que os poetas dessa aldeia pensam sobre o tema. Nada melhor, sempre isso, escutar com a devida atenção a fala dos poetas, os que estão meio que fora dessa sintonia promovida pela roda financeira, uma que gira e gira só pensando em grana e ao culto do “deus dinheiro”. Primeiro reproduzo aqui a fala de um de nossos maiores poetas, LÁZARO CARNEIRO, um que leu Nietzsche, Marx, Galeano, Castro e não tira seus pés, sempre sujos do barro desse chão. Leiam isso:

"Eu nasci logo após a guerra ,mas fui criado no fronte.
As batalhas se sucedem e é de cara com o inimigo que vou tentando a sobrevivência, sobrevivo a ataques de armas letais como a tv e outros drones carregados de coisas que ditam o mercado ,despejam sobre mim manipulações midiáticas e são quase impossíveis desvencilhar-se delas, mas, estou pronto para as próximas batalhas , sei que a vida é um galope na tempestade , há coisas que me adoece e sinto o peito pisado como chão de curral, tenho no cerrado o sorvedouro de minhas tristezas pois sou parte dele, sou como uma árvore do cerrado, quem me vê de longe me acha um pouco torto, meio feio, casca grossa, até aceito a definição de espécie rústica e sem muita importância

Mas há mais coisas em comum entre eu e as árvores do cerrado. Eu também passei por adversidades, verdadeiras estiagem, suportei queimadas que me deixaram chamuscado, sobrevivi à ignorância das autoridades e longos períodos de secas, pois tenho cá os meus valores, tenho raízes profundas isso me alimenta e me fixa na terra onde nasci e assim resisto a vendavais que vem de outras pradarias, minha sombra é rala porem refrescante, já dei belos frutos que estão espalhados por ai e que servirão para arborizar a vastidão das chapadas de nossa existência".

Quem quer se infiltrar nesse subversivo meio de poetas, versando sobre as ainda maravilhas no entorno dessa nossa aldeia, deveriam ao menos espiar o que venha a ser o Sarau Versos no Canto, hoje, 11/09, sexta, 20h, no salão ao lado da casa do poeta Lázaro Carneiro, rua Eugênio Borro 4-71, jardim Bela Vista, pertinho do Clube da Vovó. Uma pacata rua, quadra ladeando um ginásio de esportes, corujas piando nas arvores, um salão que mais parece uma igreja evangélica, mas não se acanhem, desçam que o falatório, a ladainha será de outra natureza. Com o tema “A Máquina de Moer Roda 24h por dia”, aprontações múltiplas e variadas vindas da boca de gente disposta e enfrentar o dragão da maldade com as armas que possuem às mãos, sua verve falatória. A inspiração será o Cerrado, mas ninguém sabe ao certo o que pode acontecer num lugar desses, pois tudo flui da cabeça de quem pega o microfone e daí sempre sai pólvora pura, explosões mais que literárias. Ninguém por lá colocará fogo no cerrado, mas sim, no rabo dos predadores e de todas as cores e matizes. Vamos cuspir fogo hoje à noite. Está disposto a acompanhar esse intrépidos lunáticos?
Quer coisa mais linda que isso, espiem o convite feito pelo poeta: "Quem come traz o di comê, quem bebe traz o di bebe, quem pita traz o di pità, quem escreve traz o di recitá e quem curti traz alegria pra compartilhar". Um salve efusivo para Maria José Ursolini, a Zezé, que leva adiante as boas novas desse sarau pelos mais diferentes caminhos, mês a pós mês, versando ao modo e jeito dos mascates, caixeiros viajantes da boa nova.

quinta-feira, 10 de setembro de 2015

PRECONCEITO AO SAPO BARBUDO (93)


REBAIXADOS SEMPRE O FOMOS, DIRIA, SOMOS ISSO SIM, PASSIVOS E SUBMISSOS – E ALGUNS ECONOMISTAS NÃO EXPLICAM DIREITO O TAL DO AUMENTO TRIBUTÁRIO
“A Standard & Poor's é aquela que deu nota AAA ao banco Lehman Brothers, no início de setembro de 2008. A empresa assegurou ao mundo que tudo ia bem. Dia 15 daquele mês, a instituição quebrou, levando pânico a todo mundo, na maior hecatombe econômica desde 1929. A crise de 2008 estava oficialmente inaugurada. O maior problema, o principal, é depender desse tipo de avaliação. Países cujo equilíbrio macroeconômico depende das agências de avaliação de risco não têm condições de exercer sua soberania. São obrigados a fazer a política econômica ditada pelo sistema financeiro internacional, comumente designada pela infamante expressão “dever de casa”, que nos rebaixa à condição de colegiais. É uma dupla tragédia: estamos tentando fazer o "dever de casa", mas não conseguimos agradar os capatazes que tomam conta de nós. (César Benjamim) . Era assim antes do PT, que poderia, mas não quis, mudar isso. Será assim nos próximos anos. Não é sina: é submissão. E os governistas acham que o problema são as declarações do Fábio Jr. ...”, xerocopiei e aqui publico algo escrito pelo amigo Almir Ribeiro.

Porque seriam esses aí os donos da verdade, os em condições de nos enfiar numa gaveta e dizer isso e aquilo? E se aceitam e dizem amém, fazem parte do sujo jogo sob coordenação desses? Lamentável ver a imprensa brasileira totalmente vergada, aceitando tudo como se fosse o veredito final, inapelável e incontestável. Somos mesmo uns bananas e louquinhos para ficar novamente sob todas as bênçãos, conselhos e ditames ordenadas pelo Grande Irmão do Norte. Existe uma turba de brasileiros que não consegue viver sem a sombra norte-americana, venha de onde vier, até de agências desse nível? Vinda de lá, tudo aceitável. Assim sendo, com esse Governo entrando nessa, só me faz entender que estão aceitando o jogo e como já demonstraram não saberem muito bem nadar, talvez até morram no revolto mar.

Abro o JC de hoje, seção Opinião e lá mais um texto da lavra de Reinaldo Cafeo, sempre a defender o Mercado (para ele com letra maiúscula) como única e indivisível solução para tudo, desde diarreia crônica, dor de cabeça, protuberância emorroidal ou mesmo dificuldades para fechar balanços financeiros, contas públicas, pagamento de precatórios, acertos contábeis e tudo o mais. A Receita é única: manter-se calado e atrelado aos ditames dos papas do mercado financeiro. Fugir disso, nem pensar. Leiam aqui o texto do gajo, “Mais tributos não”:http://www.jcnet.com.br/editorias_noticias.php?codigo=240294. Lembro aqui a história do sorveteiro. O cliente diante do dilema da placa com 50 sabores diferentes e quando escolhe o de sua preferência, o mesmo abre a tampa do freezer e saca a bola de um só pote. Era único, só tinha aquele sabor lá no seu compartimento. Cafeo pensa assim. Não adiante existirem inúmeras opções, pois a sua sempre será sempre a de se manter ao lado do que dita o Mercado (maiúsculo, como um Estado supranacional), doa a quem doer.

Não misturo alhos com bugalhos juntando o que está escrito no primeiro parágrafo e nesse segundo e terceiro. Tem tudo a ver o rebaixamento brasileiro e a tentativa de nova tributação. Explico. Se o país foi rebaixado e é criticado internamente por gente com o mesmo pensamento que o Cafeo é por ter investido grana alta em ações sociais e essas, segundo esses, nunca levam a lugar nenhum, não são substanciosas para os quetais do mundo da grana. Onde já se viu fazer algo em prol dos mais necessitados? Fizeram e o veio a crise mundial. O Brasil escapou no início, mas não agora. Cometeu também seus erros (muitos, enfim), mas tenta se safar para quitar o montante em litígio e dá tiros para lá e para cá. A tentativa de nova tributação é só uma delas. O ataque do Cafeo é justificável. Ele defende os industriais, grandes comerciantes, oligopólios fundiários, especuladores financeiros, etc. Esses sempre pagaram pouco imposto em relação ao trabalhador. Qualquer tentativa feita para que paguem mais, a grita dos que estão a serviço do tal Mercado (olha a maiúscula aí de novo) é feita em alto e bom som. Vejo o povão comprando aqui gato por lebre.
A tributação que Dilma quer ver implantada penaliza os mais abastados e menos os já empobrecidos. Isso não está embutido nos textos dos economistas favoráveis ao deus dinheiro, ou seja, o maiúsculo Mercado. Se esses pagassem mais tributos, uma real possibilidade de equilíbrio nas contas públicas e daí até os tais lá da imponente (sic) Standard & Poor's se veriam obrigados a rever seus conceitos.
Na manchete da minha preferida revista semanal dessa semana, a Carta Capital, algo sobre isso, “Cratera Fiscal – O Governo não sabe como cobrir o déficit, mas ignora os sonegadores”. Leriam aqui o texto:http://www.cartacapital.com.br/…/ajuste-fiscal-esbarra-na-i… , mais issohttp://www.cartacapital.com.br/…/um-ajuste-fiscal-para-paga… e depois só mais isso http://www.cartacapital.com.br/…/contra-a-oligarquia-financ…. Falou em tocar no santo dinheiro dos mais abastados sempre existirá entre nós uma legião de gente a defendê-los com unhas e dentes. Entender de fato como se processa isso tudo é crucial para entender de fato esse país. A sensibilidade para com o semelhante vale pouco nessa hora, quase nada. Era só isso.

quarta-feira, 9 de setembro de 2015

CHARGE ESCOLHIDA A DEDO (100)


PRECATÓRIOS PAULISTA, NEM PROS VELHINHOS, NEM PROS HERDEIROS – FICOU PARA O ABREU


Vejo que o Congresso Nacional discute hoje a questão dos PRECATÓRIOS devidos pelos municípios, estados e pela União. A imensa maioria deles é mais do que sacramentada, dívida reconhecida, com o Judiciário decidindo que os valores terão que ser incluídos no próximo orçamento anual, mas chega o próximo ano e nada acontece. De recurso em recurso a dívida é rolada ladeira abaixo e os velhinhos com crédito em caixa não a recebem mais vivos. Com minha finada mãe foi assim. Lutou tanto, esperou até não mais poder e quando uma parte da dívida lhe foi paga, já não mais estava aqui para desfrutar nada. A enrolação nesse quesito é total e quem vejo cada vez querendo se safar de pagar o devido é o Governo estadual paulista, na figura do bonachão do Alckmin.

Tempos atrás recebo uma ligação de um escritório paulista e pede para falar com o responsável sobre a conta a receber de precatórios do governo paulista, que estava em nome de minha mãe. Digo ser eu o infeliz. O sujeito sem delongas me faz uma oferta de comprar o precatório devido com um deságio de 60%. Ou seja, o gajo estava de posse de uma lista e já sabia de antemão quanto minha mãe e seus herdeiros tinha para receber e o fazia, mas pagava só a 40% do valor. Além de tudo se mostra bem informado, pois afirmava que no mínimo seriam mais uns dez anos para receber tudo e ainda solta um: “Olha lá, hem!”. Depois fico sabendo da arapuca. O valor integral é revendido também para empresas devedoras ao Estado e no caso dessas descontado o valor integral do montante devido. O intermediário ganha das duas partes. Da empresa meio que na pré-falência e de quem está com a corda no pescoço. Mandei-o à merda. Não sei se ele foi, mas nem marquei seu telefone. Depois me arrependi, mas já era tarde. Foi melhor assim, ou seja, sempre é melhor ficar longe dessas ilimitadas armações.


O Governo paulista demora tanto para pagar suas dívidas para com seus velhinhos que, como o país está de pernas para o ar, surgem aproveitadores de toda espécie. Noutra oportunidade recebo outra ligação, dessa vez outra empresa me oferecendo facilidades se retirasse o nome de minha finada mãe da lista de um escritório de advocacia encarregado da ação e se juntasse ao dele. Prometia mundos e fundos. No fim descubro que o achaque é quase o mesmo. Oferecia uma antecipação mas com percentual maior para liberação imediata. Nos classificados dos jornalões brasileiros tem firmas e mais firmas oferecendo essas facilidades sem nenhum tipo de descaramento. Tudo é permitido, legal, mesmo que fira tudo o que possa resvalar em algo ético.

Descubro mais enquanto penso sobre o assunto e ouço os discursos dos deputados sobre as votações que dizem, pretendem aconteça ainda hoje. Minha descoberta não é nenhuma preciosidade, mas revela bem algo mais dos tempos vividos. Quanto mais dificuldades existirem, grana em jogo, os espertalhões vão descobrindo meios de driblar os meios legais e antecipar pelo ilegal. E tudo com o devido conhecimento de tudo, todas e todos. A sacanagem para ser bem feita, conta é claro, com a anuência e vista grossa de altos e baixos escalões. Alckmin, o que decide pagar ou não essa dívida conta com algo que descubro hoje da fala dos deputados. Foi descoberto um meio de gente como ele protelar sem ser penalizado judicialmente, tudo legalmente e dessa forma, se os velhinhos paulistas não receberam em vida, com essa agora, nem seus herdeiros. A seriedade foi mesmo pras cucuias, mas o homem é eleito e reeleito sob intensa louvação. Eta povo tonto, sô!