quarta-feira, 12 de setembro de 2018

OS QUE FAZEM FALTA e OS QUE SOBRARAM (116)


A VISITA DO DEPUTADO PAULO TEIXEIRA NO MAFUÁ
Uma reunião de insatisfeitos, militantes, convidados e pessoas de todas as matizes dentro do cadinho dos conscientes da aldeia bauruense. Um convite para um bate papo, ouvir o deputado federal Paulo Teixeira do PT, em busca da reeleição e a apresentação do que é seu mandato, como é construído, o que pensa e como age. Na noite de quarta, 12/09, num local previamente escolhido, o Mafuá do HPA, uma espécie de sede da Ursal bauruense (prontamente reproduzido pelo deputado, após tomar conhecimento que esse mesmo agrupamento já produziu até uma Festa Bolivariana na cidade), umas quarenta pessoas, vindas dos mais diferentes lugares e até da região, fizeram algo muito em falta nos tempos atuais: discutiram o país e suas possibilidades.

O que todos buscam hoje é algo neste sentido: a possibilidade de conversar livremente, expor ideias, uma discussão feita dentro de parâmetros ditos democráticos, algo também em falta desde a chegada do golpe no país. Enquanto aguardavam a chegada do deputado, o local foi sendo montado pelos que primeiro chegaram, com a disposição das cadeiras em círculo, uma extensão com uma lâmpada de LED esticada para o meio do quintal frontal, um isopor com bebida gelada e na cozinha, uma fritada de linguiça calabresa com cebola, preparada pelo maitrê vegano Mauricio Passos, vindo especialmente de Pederneiras para o fogão. Um clima de confraternização e propício para a necessária conversa, diante das incertezas de uma eleição para a presidência da República, a primeira depois do golpe, a renovação de dois terços do Senado, mas a renovação completa da Câmara dos Deputados, federal e estadual. A renovação ou a manutenção do estado atual de coisas está diante de todos e a conversa flui. Um dia atrás, Lula, o candidato de todos os presentes foi definitivamente impedido de disputar o pleito por um Judiciário totalmente comprometido com os interesses dos golpistas. Haddad, assume a candidatura pela coligação PT/PC do B, muita incerteza no ar, uma facada no candidato da direita, também apunhalado pelo seu vice, mais um pronunciamento de militar graduado na ativa contrário à esquerda e suas possibilidades. Com tudo isso fervilhando na cabeça de todos, Paulo Teixeira chega, circula no local por meia hora, ouve todas as conversas, junta também o que sentiu de sua ida um dia antes para Curitiba, local da masmorra de Lula e do lançamento de Haddad e inicia sua fala.

Não resumo o que disse. Gravei boa parte dos quase quinze minutos do belo resumo dos acontecimentos e sua interpretação, neste vídeo a seguir: https://www.facebook.com/henrique.perazzideaquino/videos/2293372294026100/. Seu apanhado, bem geral, do momento vivido pelo país é elucidativo. Teixeira é muito lúcido e possui uma comprovada parceria de luta junto aos muitos movimentos sociais comprovadamente ativos do país. Na região de Bauru, sempre presente, não se furta de estar ao lado desses, como faz uma contundente crítica a reforma da Previdência como apresentada. Enfim, ele bem diferente da imensa maioria dos candidatos de Bauru, mais de 20, entre deputados estaduais e federais, possui uma bem definida linha de defesa dos interesses dos trabalhadores (somente Roque Ferreira dentre os candidatos bauruenses). Eu, e tenho certeza, todos os presentes quando da escolha de seus candidatos, fazem junto aos mesmos a seguinte e crucial pergunta: Como é seu posicionamento diante da reforma da Previdência e das mudanças na legislação trabalhista? O voto ocorre diante da resposta. Teixeira passa fácil pelo crivo e com certeza, fugindo do besteiros de que “bauruense deve votar em bauruense”, promove uma ação diferente do leva e trás emendas parlamentares, mas se dispõe a estar na frente de luta. Sua fala deixa evidente seu posicionamento.

Finalizo com algo mais do encontro. Sempre que ocorre algo dessa natureza pelos lados do mafuá ou em outros lugares, o que mais se ouve é da necessidade de ampliarmos, nos reunirmos mais e mais. Fazemos o que podemos. O gostoso desses encontros é ver no semblante de cada um a expressão de contentamento por estar ali reunido. Sim, precisamos no ver mais, essa necessária troca de saberes e opiniões. No encontro desta noite, a repetição de um Lulaço com o trompetista do grupo, o advogado Salvador e seus filhos. Sendo alinhavado um próximo para as ruas da cidade, num local sendo definido: feira, calçadão, shopping, etc. O rescaldo é sempre positivo, Teixeira e também o candidato a estadual, Renato Simões, que teve ato de sua candidatura na Câmara Municipal e fez uso da palavra neste, confirmaram a disposição de luta e a reafirmação de possuírem um lado, o dos interesses populares. Uma noite agradável, onde todos os presentes se recarregaram para os próximos embates, esses já ocorrendo na virada da curva da esquina. Um parabéns para Claudio Lago e Ivan Scromov, organizadores do evento, felizes pelo sucesso e já programando novas incursões.

terça-feira, 11 de setembro de 2018

COMENDO PELAS BEIRADAS (61)


O PT DECIDIU, HADDAD É O CANDIDATO, MAS DEIXARÃO ELE LEVAR SE GANHAR O PLEITO?
A MINHA OPINIÃO:
Eu continuo tendo cá comigo que nossa pífia democracia já foi pras cucuias faz tempo. Desde o golpe, qundo da destituição bestial feita contra a presidenta Dilma, tudo anormal e a cada novo ato a confirmação. Essa eleição, quando querem dar um carinha de legalidade, de normalidade, de que tudo caminho nos conformes da lei, não cola. Tenho comigo e ninguém me tira isso, o fato de terem levado o golpoe até gora, crueldade em cim de crueldade, repetidas maldades e não irão entregar tudo de mão beijada para o que o povo decidir. Se preciso for, darão um outro golpe dentro do golpe. Ao meu ver, irremedivelmente o candidato de Lula, agora definido como Haddad, mesmo diante da forte aceitação popular, tudo farão para impedí-lo de ganhar. Temo que, o PT vai acabar por referendar esse pleito, com tudo o que já foi feito. Os sacanas querem e precisam disso, da participação petista para dar esse ar de legalidade. Quando a última sacanagem for feita, virão eles, os mis sacanas deste país dizer que tudo transcorreu dentro da mais absoluta normalidade, nada a reclamar, pois até a oposição participou. Tomara esteja errado. Vamos com Haddad, desde sempre, mas confesso, com um pé atrás. Não confio em nada do que vem das ditas autoridades constituidas no Brasil de hoje.

E O QUE FOI SURGINDO A RESPEITO:
"É bacaninha o esforço de algumas candidaturas de insistir na pregação do voto útil, no momento em que Haddad dispara nas pesquisas, antes mesmo de ter sido oficializado como candidato. O fato de ele ainda não aparecer liderando ainda em todos os cenários do segundo turno é mero detalhe. Nas próximas pesquisas, ele vai liderar na maioria dos cenários, senão em todos. Seja como for, eu votaria nele, mesmo que ele não tivesse chance de ganhar. Porque agora ele é nosso candidato", Rodrigo Ferrari
"Tive meu voto cassado com o golpe contra dilma, depois veio a retirada de direitos do temer, ai prenderam lula e agora proíbem meu candidato de ir aos debates ???? Quem eles querem enganar???? Somos uma ideia, lula já ganhou!! Haddad e Manu por um Brasil melhor e se Deus quiser uma sao Paulo sem mdb, psdb e pp, enfim sem direita !!!!", Tuta Caetano
"HADDAD sem ser candidato mesmo com os demais estarem a anos em campanha, esta em empate tecnico em 2º lugar, imagina se e somente se virar candidato e com apoio de Lula. Ainda é #Lulalivre, inocente e CANDIDATO", Cláudio Lago
"A unica boa noticia é que se Haddad vence, eles vão pensar duas vezes antes de fazer um novo impeachment que levaria a Manu na presidência...", Eric Schmitt 
"Não se pode falar na TV "Eu sou Lula", com a máscara do ex-presidente. Mas está liberado dizer "Eu sou idiota", com a cara do sujeito que emitiu a proibição?", Gilberto Maringoni
"No teatro golpista ainda teremos mais alguns atos", Hermann Schoroeder Junior.
"A transferência começou !! HADDAD É LULA.! LULA É 13 ENTÃO LULOU BRASIL", Montinegro Monti.

segunda-feira, 10 de setembro de 2018

FRASES DE UM LIVRO LIDO (131)


FACHADAS, O LIVRO DO OLHAR FEITO DAS CALÇADAS BRASILEIRAS ME ENCANTA NA BIENAL QUADRINHOS DE CURITIBA

Tudo o que envolva a rua como tema me chama a atenção. No último final de semana, de sexta a domingo passado aconteceu em Curitiba mais uma Bienal de Quadrinhos (http://www.bienaldequadrinhos.com.br/), onde quadrinistas do país inteiro e até da América Latina ali se reuniram no Portão Cultural, junto ao Museu Municipal de Artes, bairro do Portão num grandioso evento. Fui um devorador e colecionador de quadrinhos, tive tudo desde todas as edições da revista Circus, como a Chiclete com Banana, Rê Bordosa e Piratas do Tietê... Sabe o que fiz com tudo juntado ao longo de muitos anos? Encontrei a melhor solução deste mundo: dei tudo para o filho. Esse, para meu orgulho e contentamento, guardou o que de melhor existia e prossegue minha saga. Nas idas à sua casa, além dos livros de tudo quanto é natureza, a estante reservada ao quadrinhos é meu maravilhamento. Se antes emprestava livros para os outros, hoje ele quem me empresta vez ou outra algum. Sou daqueles sabendo reconhecer todos os que desenharam pro Pasquim pelo traço. Bato os olhos e sei que é o autor. Aprendi isso dessas época.

Dessa geração atual estou um tanto desatualizado, mas dou meus pulos. Circulo bem entre eles e conheço todos os mestres, os papas do assunto, quase todos da minha geração. Os novos, quando meu filho já não me apresentou, nesses lugares como a Bienal, vou assuntando e na aproximação me inteirando do trabalho e dos temas prefenciais. Lugares onde quadrinhos estejam em evidência muito me agradam. Na Bienal curitibana fui com Ana Bia Andrade, não tínhamos muito tempo e o local era bem ampolo. O espaço interno do Centro Cultural abrigava muitas stands, mas do lado de fora o filé, a nata, tudo ali num imenso barracão de lona, com quase cem metros de comprimento e dentro, mais de centena de quiosques. Uma perdição. Tinha de tudo um pouco e para todos os gostos. Literalmente viajei no pouco tempo ali passado sábado passado. Algo me espantou, a quantidade de gente muito nova com belas produções e numa sequência, muitos na floor da idade e já tendo muitas publicações. Tive que ser contido pelo freio da companheira, pois traria muita coisa. O peso máximo de nossas malas estava no limite, tudo por causa dos livros adquiridos em promoções e compras variadas. Como a Bienal ficou por último, a grana já estava também no limite, fui contido pela necessidade, por não mais poder, mesmo querendo muito.

Fiz essa introdução, somente para descrever algo a me cativar, me chamando muito a atenção e escrevendo dele é como se o fizesse de todos os demais. Um livrinho em formato de sanfona, ou seja, você abre e suas páginas dobradas se abrem formando um grande mosaico. O título é bem a cara do mesmo, FACHADAS, seu autor um gaúcho de Pelotas, Rafael Sica. Não é um livro para ser lido, mas para ser visto, revisto, revisitado, curtido pouco a pouco, detelhe por detalhe. Quem é rueiro e gosta de enxergar tudo o que vai numa cena de calçada se encanta com o que os olhos do Rafael enxergaram. Muito sutil, em cada fachada desenhada algo novo, uma cena bem diferente da outra. Eu poderia muito bem fazer uma redação de vestibular, uma crônica com cada fachada do livro. O enxerido como eu, olha uma fachada dessas e já imagina o conteúdo inteiro da casa ao fundo. De um lado a fachada e do outro, algo remetendo para o que está desenhado na fachada. O negócio pode passar desapercebido por muitos, mas não para mim, pois esse livro além das imagens possui um cheiro, um cheiro de rua, de cocô de cachorro na calçada, de lixo deixada por dias na soleira da porta, de uma camisinha jogada num cantinho ou mesmo de uma linda flor vicejando num canteiro bem cuidado. A telha quebrada, a casa abandonada, a pintura cheirando a nova, a trinca na mal cuidada, tudo é motivo para um longo olhar e até um escrito. Divago nisso tudo.

O livro não tem palavras e sim imagens, possui 64 páginas, editado pela Lote 42, tamanho 10 x 15 cm, imagens todas em preto e branco, sem cores, mas deixando fluir a imaginação. Na apresentação descolei isso: "Fachadas é uma série sobre uma cidade que existe. Ou, então, é uma série sobre uma pequena cidade dentro de uma grande cidade. Ou é uma série sobres as casas de uma rua mal iluminada. Ou, enfim, Fachadas é uma série sobre uma cidade imaginária. O quadrinista Rafael Sica nasceu em Pelotas, em 1979. Cronista do cotidiano e da sociedade, seu trabalho é silencioso, mas permeado de sutilezas, humor e significados. Publicou diversos livros, entre eles Ordinário (Cia das Letras, 2011) e Fim (Beleléu, 2014), teve mostras individuais e venceu duas vezes o Prêmio HQ Mix". Vi o livro e já me imaginei, eu e minha inseparável máquineta fotográfica saindo pela aí, aqui mesmo em Bauru ou qualquer outro lugar e pipocando flashes de fachadas variadas. Daria um belo trabalho, isso em cada cidadela, em cada lugar por oinde pise. Juntaria a foto e algum escrito. Mais uma ideia dentre tantas fervilhando pelo cerebelo.

Selecionei três vídeos sobre esse trabalho: 1) https://www.youtube.com/watch?v=Jw4b6qiOLcw, 2) https://www.youtube.com/watch?v=DARXwgRniMw e 3) https://www.youtube.com/watch?v=w2TYxFvVhG4. Neles uma ampla ideia do projeto do autor. O Rafel me autoprizou de boca a reprodução das imagens e assim o faço com a devida louvação, por ter gostado muito e servindo de inspiração para viagens outras, que devo fazer em breve. Ele o fez através do traço, mas como nada desenho, tiro alguma mequetréficas fotos e escrevo alogo dos lugares por onde ainda consigo circular. Vou me ater mais a detalhes como os vistos nos desenhos dele e me inspirar para divagar, algo que tenho feito com louvor e contentamento. O que nos resta num país destriçado e sendo dilapidado senão divagar e resistir ao seu modo e jeito? É o que encontro para fazer a vida seguir adiante diante das agruras desses bestiais tempos neoliberais. Deixo a dica: vamos viajar juntos pelas páginas dessa FACHADAS?

domingo, 9 de setembro de 2018

MEMÓRIA ORAL (230)


REENCONTRO COM UM RESISTENTE VIVENDO SOMENTE DE MÚSICA
Tempos atrás viajava semana sim, semana não para Curitiba. Coisa de uns quinze anos atrás, algo mais, algo menos. Ia a trabalho vendendo minhas chancelas e sempre conciliei o ganha pão com algum lazer. A música me envolve desde sempre e em cada aldeia que aporto, acabo descobrindo lugares onde a música flui de forma abrangente, plena e absoluta. Descobri lugares inimagináveis naquele rincão. Infelizmente, muitos já fecharam as portas. Passo diante desses com certa tristeza. Como diminuíram esses lugares de louvação exclusiva da boa música. Uns poucos resistem. Conto algo de um desses.


Clóvis Cordeiro da Silva, ou simplesmente Clóvis mantem no mesmo lugar, na rua Emiliano Perneta nº 30, na loja 19, dentro de uma pequena galeria, bem próximo da praça Zacarias, centro curitibano, um oásis musical, o Só Música. Ele vive exatamente disso, do comércio de Discos, LPs e CDs, fazendo tudo o que se possa imaginar, comprando, vendendo, trocando e até importando. O espaço é pequeno, aconchegante e transpira/respira música por todos os poros. Chego desta vez e lhe faço uma surpresa: "Você pode não se lembrar de mim, mas eu tenho algo dentro de mim a me fazer retornar para aqui em cada retorno curitibano". Ele lembrou, fala de Bauru, ele com parentes em Águas de Santa Bárbara. Falamos de nossas proximidades e muito de música.

Desde que o conheço pouca coisa mudou na loja. Tudo "continua como dantes no quartel de Abrantes". o ditado cai como luva para designar o espaço onde há 25 anos, ele cultua algo a mover sua vida. O tempo passa, envelhecemos, mas sempre existirá algo a nos fazer ter mais que uma sobrevida. No caso do Clóvis esse algo é sua loja e o seu interior, o manuseio, o tato com essas preciosidades e ficar com o ouvido mais que atento, alternando as possibilidades musicais. De algo ele não abre mão, a de reverenciar sua diva, uma que elevou num altar e de lá não desce por nada deste mundo, a cantora Alaíde Costa. De uma paixão, veio a amizade e em várias oportunidades eles deu mais que um jeito de trazê-la para cantar em Curitiba e região. São uma espécie de amantes, apaixonados musicais. O jeito que ele fala de Alaíde não mudou dos tempos que o conheci e frequentava com mais assiduidade.

Ver ele lá naquele canto só dele e de todos os que gostam de estar junto de uma boa música, além do prazer inenarrável já aqui descrito, possui algo mais e ouvi dele uma preciosidade, dessas que precisam ser passadas adiante. Falávamos das agruras do momento atual do país, dessas dificuldades todas, portas se fechando, intolerância grassando nos relacionamentos, intolerância dentre pessoas até então próximas e tudo o mais. Clovis, com sua habutual sabedoria e sapiência me diz: "Eu acredito numa volta por cima. O país já sofreu demais, já resistimos demais, estamos aqui, lutando, fazendo o que podemos para continuarmos vivos e esse país é grande demais, tem que ser também iemsno como o seu tamanho para superar isso tudo, esse ruim momento. Eu vivo para acreditar. Trabalho, estou aqui diariamente, sempre olhando com olhos cheios de esperança para o futuro. O que serioa de mim se não acreditasse? Não vai demorar muito, a estabilidade que tínhamos antes vai voltar, o brasileiro saberá superar esse triste momento". Ouvi também cheio de boa esperança e confirmo, a esperanbça é sempre a última que morre.

Não imaginam a baita felicidade que é a de rever lugares como esse e saber que ainda continuam com as portas abertas, sobrevivendo ao seu modo e jeito, duras penas, mas ali, na lida, no toco, levando adiante isso de expor e reverberar a música. Clóvis faz isso com maestria, uma sabedoria que o fez ir sobrevivendo muito mais do que se possa imaginar. Praticamente ele é hoje o único a viver com uma loja exclusivamente do tema música, da venda desses produtos. Num tempo onde se querendo, tudo é baixado via internet, o lugar é para aficcionados, apaixonados e colecionadores, amantes, como ele de ter em casa essas peças mais que preciosas. "O tempo passa, o tempo voa", dizia o refrão da canção de um banco que já se foi, o Bamerindus e com a Só Música, caindo como uma luva, a continuidade pode ser alterada com a substituição do nome do banco pelo dessa loja, "e a Só Música continua numa boa". Não tem preço voltar pra Curitiba e ir lá bater papo com Clóvis e receber esse sopro musical na face. Volto recarregado e tenho que escrever dele, pois outros precisam quando de passagem por lá, baixarem no lugar, um verdadeiro e original ponto mais que turístico da capital paranaense. Ele merece os píncaros da glória. Viva Clóvis!!!

OBS.: O endereço já passei, faltou o fone (41) 32224339 e o e-mail para pedidos variados e conversas musicais: so.musica@hotmail.com

sábado, 8 de setembro de 2018

O PRIMEIRO A RIR DAS ÚLTIMAS (61)


O CORONÉ BAURUENSE NECESSITA DE PALANQUE
Fortuna retratou com exatidão os coronéis fardados.
No começo da semana, na sessão da Câmara de Vereadores ele sai lá do seu ostracismo, sobe ao púlpito (sic) e desfere bofetões aos que habitam e atuam na Estação da NOB, "lá nada de Cultura, lá só nóias". Quer produzir estragos e para tanto provoca, pois vive disso, de instigar e receber admoestações. Isso o alimenta. Quando se sente no ostracismo, fora dos holofotes, perde o sono e fica me revirando na cama, perturbando o sono até de quem dorme ao seu lado, pois inquieto enquanto não bola nada para voltar a receber as luzes dos refletores não sossega. Fica a bolar o que vai falar na segunda, quando lá, engravatado, diante das câmaras de TV, solta mais uma das suas e espera o retorno. Quando não acontece nada, sua semana estará irremediavelmente perdida. Já quando consegue, ufa!, se sente realizado, solta gritinhos e sorri com o canto dos lábios, algo estranho, meio mecânico, maquiavélico. O coroné é bolsonarista e está nas nuvens vendo seu mentor sendo bajulado pela aí e o momento em que o país vive, mais conservador, retrógrado e carola. Faz tudo para também conseguir seus momentos de glória. Essa da estação e do Hip Hop é só mais uma, dentre tantas que já aprontou. Para se tornar um verdadeiro e original bolsonaro se faz necessário, segundo ele, continuar agindo bestialmente. Convenhamos, possuidor de limitadas condições refletivas (não seriam reflexivas?), seu plano é esse, o de se manter em evidência, para assim ir conquistando mais e mais eleitores pensando como ele. Ele quer justamente isso, que levantem sua bola, pois assim se acha em condições de conquistar o lugar onde lhe é de direito (divino, ele crê). O melhor mesmo é ignorar, pois assim ele se desmilingue sozinho, derrete como gelo e desaparece mais rapidamente. Não levantemos a bola de quem não merece. Temos mais o que fazer. Se o desligarmos da tomada ele ficará sem utilidade, guardadinho lá no fundo do armarinho da despensa, até o dia em que, numa faxina de rotina, o joguemos definitivamente no lixo por absoluta falta de utilidade.

LONGE DE QUEM BUSCA FACADAS, VAMOS AO ENCONTRO DA BOA MÚSICA
Ontem, show de Borghetinho e Yamundu Costa, um na gaita outro no violão sete cordas, teatro Guaíra lotado, mais de 1200 pessoas se maravilhando em algo desse nível: https://www.youtube.com/watch?v=90Ayu-r2L-0. Compramos dois CDs, um de cada, ficamos até o final para o autógrafo, eles muito simpáticos, digo ao Yamandu que o assisti no Teatro Municipal de Bauru e tenho um blog, o Mafuá, mesmo título de um lindo CD que tenho dele. Ele sorri e diz, "que bom, mafuás são ótimos". Lembro o Borghetti, sempre sorridente, das vezes que esteve no SESC Bauru, lembro de duas, uma há poucos meses. Ganhamos a noite.

sexta-feira, 7 de setembro de 2018

PRECONCEITO AO SAPO BARBUDO (131)


O ROTO E O ESFARRAPADO...
Nítido, Temer é um fantoche nas mãos dos golpistas e hoje, totalmente menosprezado, ignorado e repudiado. Executou o serviço sujo como lhe ordenaram e está prestes para ser sumariamente descartado (se é que já não o foi). Um vil traidor, não merece nenhum tipo de perdão, mas vejo como ótima sua fala fazendo o candidato dito como Santo (do pau oco), Geraldo Alckmin se lembrar de que é tão golpista e vil como ele. Todos farinha do mesmíssimo saco, mas Alckmin joga com a ignorância popular no horário eleitoral e estigmatiza somente Temer como cruel e insano. Quem assim age é imensamente pior do que a acusação feita. Que se afundem juntos, abraçadinhos de preferência, pois valem nada. Hilária a fala, mas cheia de verdades, pois ambos golpistas de primeira instância. Aguarde, caro Temer, em breve a cana dura chegará a ti e verás teu até então colega de trapaça se livrando. Só aí perceberás o quanto foi usado por esses todos, os piores da nação. Vejam isso: https://www.facebook.com/elci.pimenta/videos/2082203305137040/

A APRESENTADORA DA TV INDUZIA SER ERRADO LUTAR PELO FORA TEMER, CONTRA O GOLPE E A MAÇONARIA
Não escrevo nada sobre esse negócio da facada. Se ocorreu de fato ou se foi aumentada para causar e aumentar as chances de eleger o cara. Parece mais do que óbvio, a mídia fez sua opção, um amplo acordo de bastidores e aceitou o cara até então repudiado, renegado e rejeitado. Como fez na eleição entre Freixo e Crivella no Rio, o exemplo mais recente. Isso ocorreu também lá atrás com Collor, virou caçador de marajás e deu no que deu. Esse agora, vai ser alavancado por causa dessa merda ocorrida ou montada ontem e vamos viver dias intensos até a eleição. Intenso até demais, minha previsão. Mas não é disso que quero escrever. levanto cedo aqui onde me encontro e penso no que ouvi durante o dia na TV Globo. Sim, ela permaneceu ligada aqui onde me encontro. No flat onde me encontro em Curitiba não tem TV a cabo e assisto eles. A apresentadora ficou a tarde toda repetindo a mesma coisa, de 15 em 15 minutos entrava ao vivo (vi a TV entre 17h e 19h30h). Essa mesma que apresenta o Jornal Nacional, que até acho bonita. Criticou e enfrentou o cara outro dia numa entrevista ao vivo no JN, mas agora vai ter que bajular o mesmo daqui por diante, pois as ordens da emissora mudaram de rumo e fará com aquela expressão de normalidade que só esses sabem fazer. Foi um massacre na mente do telespectador. Não havia mais nada de novo, mas ela continuava a entrar no ar e repetia sempre a mesma coisa. Mudava a ordem para não parecer tão repetitiva. E de tudo o que falou, algo me marcou. Pegaram o cara, ele um dia foi do PSOL, coisa e tal. Estavam desvairados para buscar ligações deles com a esquerda e se possível com o PT. Até o momento nada encontraram, mas vão fazê-lo, irremediável isso. Então, a tal moça da TV, numa blusa meio pro vermelho voltava ao ar e repetia algo mais brutal que tudo o mais. Ela tentando buscar os motivos do cara e fazer uma retrospectiva da vida pregressa do dito cujo, falava do que já tinham encontrado quando vasculharam sua vida, principalmente seu posicionamento pelas redes sociais. E ela disse isso: "Ele já se pronunciou pelo Fora Temer. Ele escreveu coisas contra a maçonaria. Ele acha que vivemos num golpe". Como se ter um posicionamento assim fosse a coisa mais anormal deste mundo. Eu sou tudo o que ela disse e não tenho intenção nenhuma de usar faca ou qualquer outra arma contra algum opositor. Sou mais que um sujeito normal e reafirmo como algo mais do que normal ser favorável ao Fora Temer, ser contra o golpe e a maçonaria. Enfim, vi algo muito, mas muito perigoso na fala da moça. Alguém passou aquilo pra ela falar e ela, com seu salário de R$ 200 mil mês dizia com a maior naturalidade. Será que dorme bem alguém assim? Percebo que, esses bestiais, vão criminalizar até os que se opõe ao fantoche do Temer, os que possuem a certeza de vivermos num estado de pleno golpe e também os que não gostam nem um pouco do que vem a ser a maçonaria. Não assisti ao JN e nada mais, mas sei que já anunciam o cara como líder em primeiro lugar, passando por cima da verdade dos fatos. Na verdade, nem quero ligar a TV hoje. Quero ruar o dia inteiro. Era isso, dormi e acordei pensando nisso. Desabafei. Volto a ler meu livro, um de um cubano fodão, que depois, quando terminar escrevo algo. Beijos curitibanos pra todos. A ilustração diz como me sinto nesse exato momento, vou tomar um leitinho para acalmar.

quinta-feira, 6 de setembro de 2018

DOCUMENTOS DO FUNDO DO BAÚ (120)


JOAQUIM , UM SEBO CURITIBANO SOBREVIVENDO AO TEMPO
No dia em que estive no acampamento defronte a sede da PF, onde mantém injustamente detido o preso político Lula, fazia muito frio e chovia. O amigo curitibano que me levou até lá, Kizahy Baracat Neto, na volta, tendo que retornar ao trabalho, quando lhe disse queria fazer uma tour pelos sebos da região central da cidade, disse me deixaria na porta de um, "dos melhores, um que vai gostar muito". E assim fiquei no centro velho da capital paranaense, por volta das 16h, no meio da quadra da rua Alfredo Bufren. Na calçada, olho para os lados e não vejo a livraria, mas sim uma placa e escada. Subo, fujo do vento gelado, enfim, a companhia de livros sempre aquecem esses tantos a perambular sem eira e sem beira pelas ruas.

Um pequeno apartamento transformado em livraria e um nome mais que instigante, JOAQUIM. Por que esse nome? Teria que desvendar esse enigma, do contrário isso me intrigaria pro resto da vida. Olho para os lados, um grande balcão no centro, com livros e discos espalhados por todos os lados. Ao fundo, ouço vozes, um balcão ao estilo de um bar e atrás, uma pessoa em cada cômodo, de um lado um senhor de maia idade, do outro uma mulher. Interrompo a conversa deles e peço para fuçar. Inicio a garimpagem e percebo algo triste, o papo entre eles não continua, pois param motivados pela minha presença, um forasteiro no lugar. Parecia tão agradável. Um som rola no ar, uma boa música, vinda de algo pelo qual gosto muito, um antigo LP. O som toma conta do lugar.

Quando entro nesses lugares esqueço de tudo o mais lá fora e assim permaneço por mais de hora, vasculhando, estante por estante. Esse é muito organizado, tudo separado por temas, bem dispostos, não como uma imensidão de títulos, mas o pequeno local devidamente preenchido. Não gosto de vir a um lugar como esse e sair de mãos abanando. Imagino o que seja manter um sebo aberto nos dias de hoje e assim, dou o meu quinhão para a permanência deles enquanto local profano, de espalhamento necessário de cultura. Escolho um e ao pagar, puxo conversa e assim conheço o proprietário, Marcos Duarte, 7 anos à frente do sebo, esse com 11 anos de existência. Uma vida ali rolando num simples subir das tais escadas.

Quando lhe digo ser de Bauru, ele me conta algo da região. Seus avós são de Reginópolis, muito próximos, ele mesmo já tendo passado pela aldeia onde moro por diversas vezes. O Tema foi suficiente para a conversa se ampliar, crescer e florescer. Para me contar algo mais do local foi um pulo. Pedi permissão para as fotos e fomos papeando livremente. Claro, não é nada fácil manter uma livraria como a dele, mas faz o que pode, tendo sua clientela principal advinda dos alunos e nos entorno da Faculdade de Humanas da federal paranaense, localizada a alguns quarteirões dali. Falo de meu amigo que me indicou o local, o dito "Palestino" Neto, como é conhecido no meio político local. Ambos militaram juntos no passado, se conhecem, mas distantes no atual momento. Falamos de Bauru e ele me conta que, na última passagem esteve num sebo desorganizado no centro, avenida Rodrigues Alves, o do seu Bau, vasculhando LPs e também na livraria da USC, depois foi falar com as "irmãs" em busca de títulos da extinta editora da universidade. Mesmo existindo estoques de todos os livros não foi bem sucedido na empreitada, queria ter alguns títulos deles, mas não sentiu nas tentativas de negociação nenhuma disposição.

Conversamos sobre as famosas revistas literárias paranaenses. Coisa de uns 15 anos atrás, vinha semana sim, semana não para Curitiba, sempre a trabalho, vendo chancelas e unindo o útil ao agradável. os cinemas culturais do centro, em quatro locais, hoje todos fechados e os muitos sebos, quando me conta do destino de todos, foram revisitados na conversa. Cito Dalton Trevisan e ele me diz estar do mesmo jeito, arredio e calado. Tira de uma das prateleiras uma coleção encadernada da revista dos anos 40/50, a Joaquim, onde o escritor foi diretor e Poty o ilustrador principal. Folheio tudo com o devido carinho e lá algo a me chamar a atenção: "Em homenagem a todos os Joaquins do Brasil - Um manifesto para não ser lido". Faço exatamente o contrário, leio e me delicio. O nome da livraria veio daí e também por ser esse o primeiro nome, que poucos sabem, de Machado de Assis. Na parede um grafite com um Machado psicodélico, cabelo black power, evidenciando sua negritude.

A conversa não para e na sequência o que desce das prateleiras é outra coleção encadernada, a da revista Nicolau, conhecida nacionalmente, com algo mais da literatura paranaense dos anos 80/90. Tudo fluia muito mais fácil e os nomes ali encontrados são todos de gente que se fez por causa de seus belos escritos. Viajo no tempo e ganho um jornal distribuído nos tempos atuais, o últimos dos moicanos, o Relevo, com um slogan na capa, "periódico literário independente feito em Curitiba-PR desde set/2010". Como é bom tomar conhecimento dos resistentes e em sua primeira página, explicitam em detalhes toda a grana que entra no pequeno negócio e como sai. Poetas são bons em tudo, até nisso. O tempo passa e me alongo mais na conversa, o frio deve ter aumentado lá fora e nem sei se ainda chove.

Antes de descer as escadas, fico de lhe enviar via PAC dos Correios uma edição do meu livro sobre Reginópolis, parceria com Fausto Bergocce. Conto detalhes de como foi feito, os desenhos do artista parceiro, detalhes da pequena cidade e ele me diz que isso será de grande valia junto aos seus, os que vieram de lá, cheios sempre de intermináveis lembranças da pequena cidade de origem. Vontade eu tenho de levar mais do que apenas um mero livro, mas eu e Ana nessa semana abusamos e já estamos com o peso das duas malas no limite permitido para viagens áreas, 23 kl cada, em sua maioria livros. Ela de sua área, comprados nas livrarias montadas na entrada do evento acadêmico e eu, pelas andanças variadas pelos sebos. Num deles, fechando as portas, R$ 3 reais cada e títulos que não poderia deixar de ter. Histórias como a de Marcos muito me apetecem, esqueço do mundo diante delas e ao descer as escadas e voltar para a realidade deste insano mundo, além do choque e do bafo frio das ruas, penso lá com os meus botões de como deve ser salutar viver uma vida enfronhado no meio de tantos livros. Não deve ser fácil, reflito, mas deve também ser pra lá de bom. Marcos talvez o saiba, sofra como todos os demais livreiros de rua, mas vive algo com imenso prazer, o que a maioria dos seres humanos já não mais consegue, unir o negócio de suas vidas com prazer. Pego o uber que me leva pra onde estou com Ana Bia Andrade por esses dias pensando nisso. Como é bom ainda existir lugares como esses nas cidades brasileiras.