quarta-feira, 19 de setembro de 2018
PERGUNTAR NÃO OFENDE ou QUE SAUDADE DE ERNESTO VARELA (139)
CARREGADORES DE BANDEIRAS Antes das escrevinhações de praxe, conto o que vi na feira dominical, bem na entrada da Feira do Rolo, domingo passado, quando adentra o local um cortejo dos mais insólitos. Tendo a frente, numa espécie de abre alas o candidato a deputado Edu Avalone e na sequência um séquito com umas vinte pessoas carregando bandeiras com as cores e o nome do dito cujo. Foi patético, primeiro por vê-lo na frente, numa vã tentativa de ser reconhecido, olhando para os lados, buscando ser reconhecido, mero reconhecimento na face das pessoas. A maioria passava diante dele incólume e tudo era tentado para se fazer ver, quase dando piroetas para atingir seu intento. Desse séquito conto o que percebo desses. São pessoas as mais simples, orieundas das mais diferentes camadas populares da cidade. Gente trabalhando, ali na lida, sem nenhum compromisso com a tal candidatura, mas ganhando o seu. Nada contra. Nítido que, daqueles ali, uma mínima porcentagem daria o voto para tal candidato.
Dito isso, levo também em consideração o que me conta Cláudio Lago sobre suas incursões no sábado passado no Calçadão da Batista, quando foi planfletear os santinhos dos seus candidatos do PT. Me disse que ao ver como estava o local, não distribuiu acintosamente e nem desbragadamente os seus papéis. O fazia quando sentia alguma empatia, conhecidos e quetais. Agiu assim por se ver diante de um cenário onde existia mais cabos eleitorais do que eleitores. "Além do desperdício, entregar por entregar, enfiar o papel na mão do transeunte é algo a causar mais raiva do que proximidade", me diz. Disse algo mais e foi sobre esses mesmos, os tais que denomino como carregadores de bandeiras, não num sentido pejorativo e sim, no funcional, a exata denominação do que fazem no momento para levantar uns trocos. "Henrique, vejo entre os tais uma grande quantidade de conhecidos, muitos moradores dos assentamentos sociais nas redondezas de Bauru. Alguns ao me verem, fazem o sinal na mão utilizado para denominar o voto no candidato do PT, Lula e Haddad. Ou seja, estão ali trabalhando, mas nem eles votam nos candidatos cujas bandeiras carregam".
Junto as duas observações e concluo com um algo mais, esse de minha exclusiva lavra. Eu já carreguei e continuo carregando bandeiras de partidos e candidatos, causas nobres e afins. No meu caso, o faço por ideologia, por afinidade e me considero um felizardo por assim o conseguir fazer. A imensa maioria nas ruas, esquinas e locais públicos encontraram com essa atividade uma forma de suprir a falta de oportunidades e trabalho. Se safam como podem e conseguem. Vejo gente nessa atividade em muitos lugares (nessa eleição muito menos que nas outras), inclusive também carregando bandeiras para a coligação que defendo. Não consigo passar por nenhum desses sem esboçar um olhar de tristeza. A gente sabe comparar quando a coisa é feita por afinidade/convicção e quando é feita por necessidade. Em cada olhar desses nas esquinas da vida, algo para cortar o coração. Passo e abaixo a cabeça, envergonhado não pela pessoa ali estar naquela situação, mas por existir uma situação beneficiando/favorecendo isso e demonstrando por A + B dessas imensas diferenças de classe existentes no capitalismo. Enfim, bandeiras foram feitas para serem desfraldadas, mas sinto um desvituar de sua função precípua em situações como a da foto estampada junto a este texto, sacada das redes sociais, de algum lugar perdido nesse imenso país continente.
terça-feira, 18 de setembro de 2018
AMIGOS DO PEITO (150)
ALEMÃO, O DO KANANGA BAIXOU NO ESTALEIRO...** Eu vivo também para reverenciar os amigos. Hoje poderia ser um dia muito alegre, pois Haddad sob desmedidamente nas pesquisas e ninguém mais (de forma normal) lhe tira a participação no segundo turno. Será uma das possibilidades de reverter a bestialidade produzida pelo golpe nos costados do povo brasileiro. Escrevo PODERIA, pois estou triste, primeiro soube do amigo Juvêncio que se foi e agora do outro, um chapa do fundo do coração que está no hospital. Vamos dar a volta por cima também aqui.
Eu não tenho notícias frescas, mas sei que o amigão de todas as horas, o Alemão da famosa Kananga do Alemão baixou no hospital enfartado. Está no Hospital da Unimed e recebe visitas regularmente, uma pessoa de cada vez e sem poder tocar seu violão (por enquanto). Essa vida é cheia de percalços. Drummond, o poeta escreveu bem lá atrás sobre isso das pedras no caminho, as que servem de obstáculos, mas também para serem puladas e superadas. A maioria a gente até pula, mas em algumas a agente esbarra, enrosca a barra da calça e cai. Nem por isso não levantamos e continuamos a caminhada. O Alemão já levou vários tropicões nessa vida e em todos conseguiu dar a volta por cima. Desta feita mais uma pedra e ele se quedou momentâneamente.
Cá comigo, tenho uma enorme alegria a cada reencontro com esse distinto cidadão. Aprendi a gostar dele e de sua esposa, a Cleusa Madruga, uma gaúcha a lhe domar os passos (que seria de nós, boêmios sem uma austera do nosso lado). Um cantor como nos velhos tempos, desses soltando a voz por amor. Muitas vezes contratamos ele e seu grupo para cantoria no bloco do Tomate, preço irrisório e sei que na divisão, ele o fez com tudo para os músicos e não ficava com nada. O grande prazer de sua vida era tocar, se apresentar e fazer a festa pela aí. Isso move sua vida e, particularmente, aprendi a gostar demais do Kananga Do Alemão, até porque nos acompanha desde a criação do Tomate, sete anos atrás, tocando conosco ininterruptamente em todos os ensaios, festas e no desfile de Carnaval na Batista. Sem a música ele não vive.
Meses atrás ele me procurou, estava triste e dizia dos problemas que estava tendo por causa da interrupção do seu salário. Ele trabalhou a vida inteira na CESP, subiu em postes, fez ligações por esse mundão afora, tomou choque adoidado e também levou a luz para muito lugar no breu. A CESP repassa o valor do salário de alguns dos antigos servidores aposentados para essas prestadoras de serviços, empresas que ganharam licitações de décadas e essas fazem o pagamento. Ano passado Alemão entrou com um processo para correção dos salários. Foi o bastante para interromperem o seu e já faz mais de seis meses que não recebe um centavo de aposentadoria. Se vira nem sei como, dos shows, das reservas e de tudo à sua volta. Tenta receber os atrasados e isso o chateava demais da conta. Me pediu para escrever um texto e botar a boca no mundo. Trabalhar uma vida e não receber a devida aposentadoria é mesmo para adoecer qualquer um. Já entrou com processo, mas diante da morosidade (só com o Lula tudo é rápido), tocava seu barco, mas seu semblante foi entristecendo.
Pode até ser que uma coisa não teve nada a ver com outra, mas para mim, quando a gente se entristece demais da conta, tudo no organismo deixa de funcionar a contento. A carcaça segue em frente, mas o interior se dilacera. Hoje o danado está lá numa cama de hospital, assistido pela companheira de todas as horas, a Cleusa Madruga e no restabelecimento. Fico do lado de cá numa torcida dessais maior da que tenho pelo Norusca ou o Corinthians, pois esse aqui é amigo mesmo, um baita de um seujeito, desses que ficaria horas escrevinhando coisas e relembrando conversas. Muita energia positiuva para ele e aqui publico fotos da última vez que pisou aqui no mafuá.
LEMBRANDO DE UM AMIGO QUE SE FOI... JUVÊNCIO
Em 16.10.2013 fiz um breve relato na sessão que mantenho aqui no facebook, a "Personagens sem Carimbo - o Lado B de Bauru", sobre o JUVÊNCIO ALVES CASTRO NETO. Sempre gostei muito dele, morador ali do Guadalajara, corintiano de quatro costados e por alguns anos trabalhou comigo nas hostes do Bradesco, eu na Corretora Bradescor e ele na Previdência Privada. Viajávamos diariamente para Jaú, agência central, ali na praça principal do centro da cidade. Na maioria das vezes íamos de Reunidas, mas naquele tempo funcionava o trem e vez ou outra pegávamos o danado, desciamos na estação de Jaú e o percurso da descida até o centro era num papo que hoje me recordo, danado de bom. Ele fazia a minha alegria e pelo que sei e me recordo, nunca pagou o trem, sempre viajava de penetra. Entrava e se escondia do bilheteiro. Um danado. Ríamos muito das peripécias dele se escondendo e num dia se pendurando do lado de fora até a passagem do fiscal. Pois é, JUVÊNCIO morreu essa semana e só fiquei sabendo pelo meu mano, Edson que viu seu nome numa lista de oração e terço lá na igreja onde frequenta. Eu poderia ficar lembrando histórias bem alegres vivenciadas ao seu lado, um cara sempre de bem com a vida, mesmo quando essa lhe aprontava poucas e boas. Se já ando triste pelos descaminhos deste país, hoje estou um pouco mais ao saber do seu passamento. Lá se foi o Embaixador do Jardim Guadalajara...
OBS.: Eu até tenho belas fotos dele, mas o que achei foi a de meu texto de 2013 e nele a foto dele sorrindo no meio da feira.
segunda-feira, 17 de setembro de 2018
RELATOS LATINOS / PORTENHOS (55)
LUCIANO HUCK PASSOU POR BAURU, MAS ISSO POUCO ME IMPORTA O bestial marqueteiro da TV Globo Bobo caiu nesta manhã no aeroporto mais inviável destas plagas, o do fim do mundo, o criado pelas "forças vivas" para salvar a vida financeira de uns poucos e dificultar a da maioria da população, o de Arealva/Bauru. O inevitável acontece e seu jatinho, diante do mal tempo, usado para seu programa televisivo se vê obrigado a pousar em terras bauruenses. O comandante do voo, desconhecendo totalmente a vida aérea da capital da terra branca pousa no meio do nada e daí, dá-lhe gozações. Ali no meio do nada, não existem meios de transporte de passageiros durante o dia, pois inexistindo voos, fariam o que taxistas, moto-taxistas e uberistas naquelas plagas? Huck, boçal como lhe é de costume ironiza a situação e acerta sem querer no alvo. Ótimo para alavancar a discussão da inutilidade daquela pista incrustrada no mato, distante 20 km da área urbana da cidade. Não se fala em outra coisa na cidade hoje. Poderia tecer loas sobre o assunto. Seria enchimento de linguiça, besteirol elevado à sua máxima potência.
Huck vem gravar quadros do seu indefectível programa das tardes de sábado. Adora se vangloriar estar resolvendo os problemas financeiros de alguns com o que faz. Na verdade, faz o contrário, acentua alguns problemas, investe alta grana e ao invés de dar um quinhão de contribuição para estancar a sangria da miserabilidade brasileira, sua ação é como gota no oceano. Os holofotes de bom mocinho recaem sobre ele que é uma belezura. Uma pessoa dentro do universo dos desassistidos tem seu carro ou casa reformados e o país chora pela sua boa ação. Antenado como todo bom sacana, descobre também belas histórias ocorrendo país afora e vai atrás delas, sai do seu conforto carioca num belo jatinho, pousa no lugar, faz a matéria vestindo calça rancheira e volta correndo para seu habitat, que certamente não é o da maioria do povo brasileiro.
Tanto Huck, como a imensa maioria dos almofadinhas brasileiros não estão nem aí para a miséria em curso no país, o processo de degradação humana, a igrejização emburrecendo as massas e as diferenças de classe aumentando de uma forma cada vez mais incontrolável. Na verdade, usufruem das imensas diferenças. Ele não toca nesses temas no seu programa. Seu negócio é bem outro. Publico junto a esse texto três fotos recentemente tiradas por mim nas ruas pela aí. Na primeira, um corpo estendido no chão na festa do dia da Parada da Diversidade em Bauru. Ele lá, ou bebeu muito ou pode até estar passando mal, mas invisível como sempre foi, poucos prestam atenção em gente assim. Atrás de si uma história de vida, mas essa não interessa, pois certamente não renderá o que Huck vem buscar nas viagens com seu jatinho. Na segunda, numa praça perto da rodoviária em Curitiba um trio dormindo na rua, um deles travesti, vivendo com as sobras que sensíveis hóspedes de um hotel do outro lado da rua levam para eles. E na terceira, a vida sob as marquises de Buenos Aires. Com a Argentina numa enroscada de dar gosto, fruto do neoliberalismo, algo que Huck defende e pratica, cada vez mais gente se vê obrigada a viver sob marquises, sem nenhuma esperança. Entender o que de fato ocorre, impensável nas grades dos programas da mídia massiva.
O televisivo bom mocinho é usado aqui como exemplo de que, o bom mocismo de alguns enxerga somente o que lhe convém. A história do pouso do seu avião particular é o que interessa para a mídia desses tempos, mais preocupada com a vida dessas vazias estrelas do que com as agruras do povo. Para cada foto aqui publicada, imaginem a grandiosidade de uma matéria explicitando a miséria produzida pelo capitalismo cruel e insano? Com todo o aparato de mídia de um programa como o do defensor do Aécio, seu amigo mais que íntimo, usando em prol das cousas nobres, mas isso é inimaginável para esses, seus patrocinadores, telespectadores e esse país que hoje cegamente cai na onda de um algoz sendo elevado a categoria de salvador da pátria. A Globo não possui mais nada de bom em sua grade de programação, tudo desvirtuado, perdição em matéria de jornalismo, insensibilidade e crueldade sem limites. Prefiro continuar com meus temas, escrevendo para uns poucos do que fazer o que gente como esse Huck costuma fazer com as mentes de incautos. Tanta coisa para fazer, tanta preocupação pela frente e vou lá me preocupar com essa intempestiva passagem de um cara a perverter a condição humana. Enquanto ele deseduca gerações pela telinha global, um mundão clamando por ser enxergados, valorizados, descobertos e acolhidos, atendidos e quando isso de fato ocorrer, uma possibilidade de virada de mesa. Não sobraria Huck sobre Huck, mas isso tudo é mero sonho. Ele é o bonzinho e o resto que se rale.
domingo, 16 de setembro de 2018
DICAS (176)
AS NOVÍSSIMAS RODOVIÁRIAS PRÓXIMAS ÀS RODOVIAS*
Artigo de minha lavra e responsabilidade publicado na edição desta semana do jornal Pedra de Fogo, Lençóis Paulista SP, ampliando o debate sobre a questão da mudança dos terminais rodoviários do centro antigo das cidades para a beirada das rodovias:
Não conhecia o novo terminal rodoviário de Lençóis Paulista. Voltando de São Paulo pelo Expresso de Prata tive o prazer de conhecê-lo num dia à noite. Se a primeira impressão é a que fica, gostei do que vi. Moderno, confortável, prático e mais espaçoso, mas algo me intriga nessas novas localizações. Sei existir um direcionamento de todos estarem localizados o mais próximo possível das rodovias. Muito mais prático os ônibus intermunicipais não atravessarem a cidade inteira para despejar e buscar passageiros. Estando próximos das rodovias tudo pode ser feito com maior rapidez. Eficiência dos serviços, isso em primeiro lugar. Ótimo, mas não é somente isso o que se deve levar em consideração quando das escolhas.
![]() |
| Maquete da agora distante rodoviária de Lençóis |
Na de Lençóis, observada por volta das 20h, numa rápida passada e de dentro de um ônibus, percebo algo a mais. Principalmente o cidadão com menos recursos é o mais penalizado com a nova localização. Antes a rodoviária estava no centro da cidade e para estar nela bastava um pulo. Hoje não mais. O deslocamento é complicado, de difícil acesso para a maioria da população. Está num local em desenvolvimento, muito distante do centro urbano e pulsante da cidade. Fui o resto da viagem pensando em como a pessoa com poucos recursos se desloca para aquele local, o tempo perdido, o quanto despende de gasto para tanto. Como resolver os problemas surgidos com a inauguração?
![]() |
| A de Marília é também colada com rodovia. |
Não sei se os ônibus intermunicipais continuam passando pelo centro e com pontos distintos nessa região, facilitando o acesso dos usuários. Na existência desses pontos, uma tentativa de solucionar o problema, mas criando outro. Se o fazem, deixam explícito que a nova localização é um problema. E se não o fazem, deixam desamparados parte significativa dos usuários, esses tendo que pensar em outros meios para chegar ao terminal, aumentando suas despesas. Um ônibus urbano mantido pela Prefeitura Municipal, sem custos, com horários regulares poderia ser uma paliativa solução. Inegável o benfazejo da nova edificação, mas quando pensada num todo, envolvendo principalmente os que mais se utilizam e mais necessitam, daí percebe-se realmente o interesse dos dirigentes municipais em estar ao lado da população.
Fazendo uma comparação simplista do novo terminal com outros na mesma situação e com o clássico caso do da cidade de Marília, algo a aprender. Lá também a transferência para a proximidade com a rodovia. A diferença é que lá, o local já era muito mais movimentado que o de Lençóis, esse sendo alavancado inclusive com o deslocamento do terminal. A de Marília possui maior movimentação e vingou. O de Lençóis só foi inaugurado, encontra-se com portas comerciais ainda fechadas (qual incentivo o comerciante possui para lá se instalar?) e precisa ser pensada em todas suas matizes, para ocorrer uma real integração com a cidade e não se torne uma espécie de elefante branco, algo apartado e sem sentido. Para que isso não ocorra, todos os lados envolvidos na questão precisam ser ouvidos e atendidos. Que isso ocorra para o bem de Lençóis. Não basta ser bonito, necessitando também ser realmente útil e prático.
sábado, 15 de setembro de 2018
ALFINETADA (169)
CHICO DEMOLIDOR É PAGO PARA COLOCAR EDIFICAÇÕES ABAIXO E OS PIORES DO NOSSO MUNDO COLOCAM ABAIXO NOSSOS SONHOS
| Araújo Leite X Duque de Caxias |
Circulando pela cidade, descendo a rua Araújo Leite em dois lugares a presença mais que ativa do amigo Chico Demolição. Ele se transformou não só no símbolo das demolições sendo visualizadas na cidade, mas é o contratado para sua execução. Chico vive disso e sem neuras. Contratado, vai lá e executa o serviço, colocando logo abaixo o prédio até então desgastado pelo tempo. As duas edificações aqui citadas estão localizada na rua Araújo Leite, uma esquina com Duque de Caxias e a outra na avenida Rodrigues Alves. Passo em ambas e converso com Chico.
Uma pessoa sensível, de baixa estatura, comedido, reservado, eficiente no que faz, um marreteiro. Não no sentido de marretear produtos, mas de descer literalmente a marreta. Digo a ele que, infelizmente, sou obrigado a fazer uma triste comparação com o seu serviço profissional e outro tipo de profissional (sic), os que demolem o país. Chico faz o serviço sujo, mas somente o que lhe suja as roupas, com muito pó, oriundo das demolições, mas os outros, esses sim muito mais sujos, em outro sentido, pois se sujam interiormente e de uma forma sem perdão.
| Araújo Leite X Rodrigues Alves |
Enquanto Chico com sua marreta devasta parte da nossa memória, essa sendo substituída por algo dito como mais moderno e necessário, o que até contesto, mas não de forma acintosa, pois sei que nem tudo deve ser mantido ad eternum. Já dos demolidores de sonhos, esses sim, cruéis e insanos, gostaria muito de cravar-lhes não só uma facada, mas acionar um botão igual ao do meu computador, onde deleto sem dó e piedade os insanos e intolerantes, esses bestiais conservadores topando tudo para destruir o país.
Podem dizer produzir uma insólita comparação. Chico é um cidadão mais do que respeitável nesta cidade, noroestino como eu e até lá bato regularmente papo com ele. Fez da marreta seu ganha pão e vejo suas digitais em 90% das demolições na cidade. Ele não tem nada a ver com os demolidores dos sonhos, os que hoje destroem tudo o que foi duramente conquistado, mas vale a comparação, pois ambos colocam abaixo algo. Não quero misturar o que fazem além do já aqui escrito. Chico não destrói nossa memória, ele simplesmente executa um serviço regiamente pago. Não dá para discutir memória cultural num país devastado por mentes afirmando neste momento que o incêndio no museu carioca foi bom, pois eliminou um custo desnecessário que tínhamos para com coisas velhas. Não bastasse a destruição da memória, as classes dirigentes e dominantes brasileiras, essas sim perniciosas e demolidoras empenham-se em esmagar as esperanças no futuro.
Chico me diz que no lugar do que demole surgirá algo novo, um prédio condizente com o progresso da cidade. Até concordo, mas não consigo o mesmo com nenhuma justificativa dada até o presente momento pelos golpistas no poder para a destruição promovida pelos que apunhalam sem dó e piedade os interesses da maioria da população, os das classes menos favorecidas e dos trabalhadores. Para esses, desceria a marreta do Chico sem dó e piedade.
![]() |
| Chico Demolição no meio do mais entende:: escombros. |
sexta-feira, 14 de setembro de 2018
CENA BAURUENSE (176)
O EVENTO DOS TRINTA ANOS DA INCORPORAÇÃO DA UNESP E OS TRABALHADORES NOS BASTIDORES Estive no evento dos 30 anos da incorporação da FEB pela Unesp, hoje o maior campus dessa universidade. O evento ocorreu no Guilhermão e num momento ouvi até algo sobre quem foi o nome que todos conhecem, mas nada sabem dos motivos da homenagem. Foi gratificante ver minha eterna orientadora do mestrado, Maria Cristina Gobbi na mesa montada no palco e produzir um discurso belo e sincero. Como foi também muito belo ver novamente o pessoal da Cia Estável da Dança se apresentando para todos, inclusive o prefeito, que assim teve oportunidade de assistir um espetáculo que até então não havia tido tempo (sic) de ir ver pessoalmente nas apresentações no teatro. 30 anos, gostei de saber da participação do então deputado Tidei de Lima, secretário do governo de Quércia e do seu irmão, Antonio Tidei nas negociações de bastidores para que a incorporação de fato ocorresse. Faltou convidarem Tuga Angerami, também professor da Unesp e o prefeito na época da transição.
Presenciei tudo, mas algo me chamou a atenção e é sobre algumas pessoas ali presentes, pouco notadas o motivo principal deste meu escrito. A Orquestra do Município tocou no evento, primeiro executando o Hino Nacional e depois mais algumas canções. Percebam o orgulho para o prefeito, ali presente, pois num evento tão pomposo, a Orquestra e a Cia de Dança, ambas públicas são as convidadas para abrilhantar o evento. Nos bastidores da Orquestra fico olhando durante bom tempo para alguns servidores públicos municipais, os também ditos e vistos como “carregadores de piano”. Os que trazem e levam de volta todo o aparato da apresentação. Do lado de fora um caminhão baú da Prefeitura e esses montando e depois desmontando tudo. Um deles, o Paulão, uma espécie de mordomo da Orquestra e hoje também guardião da Estação da NOB, o quartel-general deles, estava lá, filmou com seu celular parte da apresentação, o que demonstra um algo mais, ele não estava ali só para cumprir uma obrigação de serviço, mas ama o que faz.
Escrevo mais do Paulão Custódio. Boas lembranças quando o via ali defronte o Automóvel Clube velando na entrada do local, cuidando de todos os detalhes. Estavam no Guilhermão, ele e mais dois, cujos nomes não me lembro, mas alguém vai me ajudar e os citarei com a devida pompa e reconhecimento (achei que um deles é o Diogo Cosmo. é isso mesmo?). Tricotaram durante a apresentação, mas pegaram no pesado quando tudo se encerrou. São organizados e cada fileira dos músicos saem uma a uma escada acima, sem aquele corre-corre, cada um guardando seu próprio instrumento. O mais pesado ficou com o trio comandado pelo Paulão. Poucos notaram a presença deles, mas eu os enalteço, pois são valorosos, os tais imprescindíveis no que fazem e como fazem. O que seria dos espetáculos todos sem esses por detrás de tudo?
A Unesp Bauru é tudo isso que vemos hoje por causa de tudo o que foi citado nos pronunciamentos, mas assim como fiz questão de notar, nada ocorre sem os anônimos, esses atuando nos bastidores, carregando literalmente pianos. Minha sincera homenagem a esses todos, os que carregam a Unesp às costas e os que carregam o peso nas idas e vindas dos equipamentos necessários para as apresentações culturais, tanto da Cultura Municipal como tudo o mais. Como tristemente constato pelas aberrações sendo aprovadas por um Congresso Nacional insensível e insano, não sei se eles ainda são empregados estáveis ou se já fazem parte do novo modal de contratação, a terceirização, que se não chegou também está batendo às portas da Unesp e de tudo o mais.
OBS.: Nessa última foto, enquanto o maestro rege a orquestra, Paulão grava parte da apresentação com seu celular, numa dedicação de quem ama o que faz. O cara é batuta!
quinta-feira, 13 de setembro de 2018
RETRATOS DE BAURU (218)
CLAUDIO VENDE POESIA NOS SINAIS DE TRÂNSITO DE BAURU
Reencontro o baita amigo Lázaro Carneiro hoje pela manhã no centro da cidade. Na parada para o obrigatório papo, ele me diz do seu desalento, total desencanto com o que vê acontecendo, essa inabilidade para nos aproveitarmos do momento atual e virarmos logo essa mesa. Diante da passividade quase geral, ele não mais produz, acabrunhado me diz: “Tudo o que você vê meu lá no facebook não é novo, tudo velho, reproduzido de tempos atrás”. Percebo esse seu estado de espírito se multiplicando, mas alguns estão por aí poetando como nunca, até como meio de sobrevivência e como forma de ir multiplicando uma ideia diferente da que grassa nas esferas golpistas de poder desses sombrios tempos. Conto a história de um que vejo remando contra as marés nos sinais de trânsito desta cidade.
CLAUDIO DOMINGUES DOS SANTOS, 37 anos, mora em Bauru e estuda Psicologia na Faculdade Anhanguera. Nada sei dele, além do fato de vê-lo regularmente diante dos sinais de trânsito da avenida Duque de Caxias, entre a Saint Martin e Agenor Meira vendendo suas poesias aos que por ali param. Sempre de bermuda, óculos escuros, barba por fazer, mochila nas costados e numa das mãos um punhado de papéis. Chega com seu jeito malemolente e oferece algo inusitado aos motoristas: a sua poesia. Muitos já o conhecem e as moedas circulam de uma mão para outra. Em alguns casos ele ali com o corpo vergado fica a explicar dos motivos de poetar e ter que divulgar seu trabalho desta inusitada forma. Ele não se faz de rogado, vai de veículo em veículo e já sabe o tempo a ser utilizado em cada parada diante dos minutos em que o sinal permanece fechado. Faz companhia para tudo o mais nos sinais da região, convivendo num compartilhado espaço, cada um sabendo muito bem como não invadir o do outro, enfim, o mundo é, supostamente, para todos. De uma das poesias comprada dele, o Poemas Persuadictos (parte vinte) extraio algumas linhas: “Estou perdido no meu mundo organizado/ Onde tudo está certo/ E nada pode estar fora do lugar/ Num constante contato/ Com seres de outros planetas...”. Cláudio deve não só fazer contato com seres de outros planetas, mas deve ser um deles, pois flana com seu jeitão no meio dessa bagunça desorganizada, indiferente a tudo o mais, só pensando no cumprimento do seu objetivo para aquele momento. Consegue arrebanhar alguns trocados a cada investida nas ruas e assim toca sua vida. O vejo assim, um ser meio que deslocado deste mundo, num outro estágio, mais elevado, mas necessitando (ainda) das “platas” para continuar sobrevivendo. Inventou um jeito de conseguir seu intento e dele faz o melhor uso possível. Não me perguntem mais nada dele, pois nada mais sei e nem me interessa. O que sei me basta, um poeta de nossas esquinas. Cada um poeta ao seu modo e jeito, esse o dele. Seu facebook para contatos imediatos é: www.facebook.com/claudio.domingues666
CLAUDIO DOMINGUES DOS SANTOS, 37 anos, mora em Bauru e estuda Psicologia na Faculdade Anhanguera. Nada sei dele, além do fato de vê-lo regularmente diante dos sinais de trânsito da avenida Duque de Caxias, entre a Saint Martin e Agenor Meira vendendo suas poesias aos que por ali param. Sempre de bermuda, óculos escuros, barba por fazer, mochila nas costados e numa das mãos um punhado de papéis. Chega com seu jeito malemolente e oferece algo inusitado aos motoristas: a sua poesia. Muitos já o conhecem e as moedas circulam de uma mão para outra. Em alguns casos ele ali com o corpo vergado fica a explicar dos motivos de poetar e ter que divulgar seu trabalho desta inusitada forma. Ele não se faz de rogado, vai de veículo em veículo e já sabe o tempo a ser utilizado em cada parada diante dos minutos em que o sinal permanece fechado. Faz companhia para tudo o mais nos sinais da região, convivendo num compartilhado espaço, cada um sabendo muito bem como não invadir o do outro, enfim, o mundo é, supostamente, para todos. De uma das poesias comprada dele, o Poemas Persuadictos (parte vinte) extraio algumas linhas: “Estou perdido no meu mundo organizado/ Onde tudo está certo/ E nada pode estar fora do lugar/ Num constante contato/ Com seres de outros planetas...”. Cláudio deve não só fazer contato com seres de outros planetas, mas deve ser um deles, pois flana com seu jeitão no meio dessa bagunça desorganizada, indiferente a tudo o mais, só pensando no cumprimento do seu objetivo para aquele momento. Consegue arrebanhar alguns trocados a cada investida nas ruas e assim toca sua vida. O vejo assim, um ser meio que deslocado deste mundo, num outro estágio, mais elevado, mas necessitando (ainda) das “platas” para continuar sobrevivendo. Inventou um jeito de conseguir seu intento e dele faz o melhor uso possível. Não me perguntem mais nada dele, pois nada mais sei e nem me interessa. O que sei me basta, um poeta de nossas esquinas. Cada um poeta ao seu modo e jeito, esse o dele. Seu facebook para contatos imediatos é: www.facebook.com/claudio.domingues666
Assinar:
Postagens (Atom)









