quinta-feira, 7 de novembro de 2019

COMENDO PELAS BEIRADAS (79)


QUANDO PESSOAS DO BEM ACEITAM EM PARTICIPAR DE PROGRAMAS EM ANTROS COMO A JOVEM PAN, OPS, DIGO, VELHA KLAN, ISSO É FICHINHA

Eis o texto do  link da UOL e o momento da agressão: 

TEMPOS ATRÁS EU QUASE FUI TAMBÉM AGREDIDO DENTRO DA AURI-VERDE/JOVEM PAN, OPS, DIGO, VELHA KLAN POR UM ARREMEDO DE AUGUSTO NUNES
Conto a história, pois teve boas testemunhas. Estávamos as vésperas de um Carnaval, creio eu uns quatro/cinco anos atrás no máximo e o bloco farsesco, burlesco e algumas vezes carnavalesco, o Bauru Sem Tomate é MiXto foi convidado a dar uma entrevista para o programa do Rafael Antonio, horário do almoço da Auri-Verde. Ninguém se predispôs a por os pés na rádio, atuando nos mesmos moldes da Pan, digo, Klan. Lá fui eu, crendo que seu diretor, o então Alexandre Pitolli daria um tratamento digno ao convite recebido. Convidei para falar junto a mim o Alemão e a Cleusa Madruga, ambos cantantes e puxadores da marchinha do bloco na descida do Carnaval. Entramos e já no estúdio antes do programa começar, seu Pitolli adentra o estúdio junto com dois grandalhões (exagero aquilo) e apontando o dedo para minha cara, diz mais ou menos isso: "Eu não gosto de você, mas você está aqui e vai falar". Esbravejou, subiu nas tamancas, gritou, cuspiu fogo e se destemperou. Procurava confusão. Um silêncio sepulcral no estúdio. Poderia ter revidado a altura, mas em respeito ao Alemão, hoje falecido e da Cleusa, me mantive impassível, tranquilo e reagi da forma mais calma possível, o que vociferou ainda mais o detrator. Ele saiu da sala com seu robusto séquito e demos a entrevista. Poderia ter aproveitado o momento e quando ao vivo ter rebatido a ofensa, mas Alemão me pede para se segurar. As demais testemunhas estão todas aí bem vivas, inclusive o técnico de som, Pinguim e o Rafael Antonio, meses depois outro que se indispôs com o temperamento nada crivel do diretor da rádio.

O ocorrido lá atrás é muito parecido com o ocorrido hoje dentro da Jovem Pan, ops, digo, Velha Klan, no programa Pânico quando Glenn Grenwald, do The Intercept foi agredido pelo boçal, um arremedo de jornalista, o homem que representa hoje o que venha a ser de fato essa rádio, o que de pior temos no jornalismo brasileiro, Augusto Nunes. Deprimente é o mínimo. Da minha história, relembro bem, cutucávamos frequentemente o Pitolli (e ainda o fazemos, pois não mudou nada, só piorou) pelos métodos nada convencionais de apoiar o lado nefasto desse país. Crítica fundamentada e ele, sem argumentos, prefere os gritos, ameaças e arroubos de halterofilista de proeminente barriga. Na comparação, Pitolli e Augusto Nunes são muito parecidos, diria, irmãos siameses. Trabalham para o mesmo órgão de DESinformação e todos sabem, para ali continuar atuando, se faz necessário em primeiro lugar dizer amém para tudo o que venha do Seu Jair, depois jogar no lixo a cartilha do bom jornalismo. Portanto, não se espantem com o ato grotesto do Augusto, pois existe alguém atuando igualzinho ele por aqui. Duvidam? Experimentem perguntar a ele o que acha do Augusto Nunes. Vão ouvir uma linda Declaração de Amor. Hoje não mais me convidam para a falar na tal rádio, uma que enaltece o vereador Meira como salvador da pátria, pois se o fizessem, só aceitaria participar de programa ao vivo e aí, ele bem sabe, o estrag oseria considerável. Podem dizer tudo, mas de algo o bloco não tem do que se arrepender: caiu como uma luva termos escolhido Pitolli como Prêmio Desatenção, quase hour concurs para todos os próximos anos. Ele e Augusto Nunes se merecem.


GRAVAÇÃO ATO FORA BOLSONARO E LULA LIVRE EM BAURU:
Ato Fora Bolsonaro e Lula Livre hoje em Bauru, defronte Câmara de Vereadores. Muitos falaram no microfone e dentre esses gravo o argentino da Patagônia, HERNAN CORBALAN, professor e estreando nas ruas desta aldeia, também bravamente resistindo ao baú de maldades despejados sob os costados do povo brasileiro pelo desGoverno do Seu Jair, o que mora quase parede meia com os matadores de Marielle, mas nada tem a ver com a coisa, tudo intriga da oposição. 
HERNAN É O DE CAMISA AZUL E BERMUDA BRANCA, BRAVO PROFESSOR DA PÁTRIA GRANDE
E LÁ PELAS 22H: 6 x 5 no STF, LULA LIVRE
Vamos todos para o General Bar, ali do lado do Nipo Brasileiro
Quem tiver e souber onde tem rojões para comprar, favor levar...
Decisão do local: presidente do PT Bauru Claudio Lago
Vamos todos pois os donos do bar estavam fechando o lugar, mas vão nos esperar e renovar estoque de água mineral na geladeira

quarta-feira, 6 de novembro de 2019

O PRIMEIRO A RIR DAS ÚLTIMAS (79)


ESSA EU TENHO QUE CONTAR – O DOUTOR NÃO SABIA ONDE ENFIAR A CARA
Essa eu tive o prazer de presenciar a cena aqui nas imediações da padaria (sempre ela) onde moro. Bizarra e merecedora de ser espalhada com o vento. É o que faço. O famoso médico desta litúrgica e celibatária aldeia bauruense, por aqui é visto como eminente figura, dentre as mais importantes, conceito elevado aos píncaros da glória por essas plagas. Respeitado por tudo, todas e todos, sempre opina aqui e ali, nunca deixando de cravar sua linha de pensamento e ação: “O país já não aguentava mais e foi preciso a gente mudar. Fizemos o que tinha que ser feito e pelo bem, pelo mal, hoje voltamos a ter as coordenadas sob nossas rédeas. Bolsonaro nos tirou do lodaçal”. Esse mais ou menos o discurso do gajo. Apoiou desbragadamente tudo o que veio com o pacote pós-golpe de 2016, onde o conluio, do qual faz parte, detém até hoje as rédeas deste insólito país. Não está nem um pouco preocupado com as agruras do povo, mas com sua posição, hierarquia mais do que consolidada e cada vez mais conceituada entre seus súditos, ops, digo, asseclas. Fica quase sempre na sua, não faz propaganda ostensiva, mas inquerido mostra seu lado sem nenhum receio. Diz-se liberal, mas no fundo, empedernido conservador.

A história é a seguinte. Participou recentemente de internacional Congresso Médico de sua especialidade na Europa e por lá encontrou todos os próceres, figurões todos reunidos, catedráticos de várias partes do planeta. Estava tudo indo muito bem, mas como em todo congresso existem os encontros de corredores, bastidores, jantares e cafés, ou seja, a sempre necessária troca de experiências, famoso bate papo fora das conferências e apresentações de trabalhos acadêmicos, participando de algumas se deu o insólito. Sua reclamação foi essa e ouvi bem como se deu, pois desabafava com um colega na fila do pão. “Você sabe como penso e como tudo ocorreu aqui no Brasil, mas meus colegas lá de fora ficavam há todo instante, ao me reconhecer brasileiro, questionando como pudemos deixar um cara como esse Bolsonaro chegar ao poder. Me perguntavam como não conseguimos interromper a chegada de alguém assim tão sem noção e me vi no mato sem cachorro. Em cada roda a mesma pergunta, esse o assunto que mais queriam saber de nós brasileiros. Eu não podia deixar transparecer estar ao lado do que eles consideravam o que de pior temos, péssimo exemplo para o mundo, como ouvi de alguns. Tive que dar uma boa sambada nas respostas, pois se fosse explicar dos motivos da aliança com Bolsonaro, além de demorar bastante, talvez não fosse muito bem compreendido, acabando por ficar até mal visto entre pessoas tão importantes no meu meio profissional”.

O danado do vetusto médico bauruense acabou não podendo expor por completo sua maravilhosa linha de pensamento, pois viu que seus pares, tão ou mais conservadores que ele, possuíam algum limite na hora de prestar apoio para experiências fora do controle ou totalmente fora da casinha, já o mesmo não ocorreu com o que fez (e continua fazendo) por aqui. Pelo visto, a lição não foi muito bem assimilada, pois estava reclamando de como lá no exterior as informações que chegam sobre o Brasil estão um tanto distorcidas. Por fim não entendi direito. Para refletir: o distorcido é ele ou as tais informações lá chegando. A identidade do médico é segredo de alcova, de confessionário eclesiástico e como seguidor de cultos excêntricos, me reservo a contar a o causo, sem revelar o santo.

VISITAS
TROCA TROCA COM FAUSTO
Fausto Bergocce é um dileto amigo e comigo escreveu o livro de Reginópolis. Dias atrás esteve em Nova York e trouxe, a meu pedido,  uma edição dominical do New York Times, com encarte da revista literária e tudo o mais, presente para o Henrique. Esse velho mafuento HPA esteve em Buenos Aires e trouxe, a pedido, retribuição ao amigo reginopolense o livro do cartunista Tute. Além disso, Fausto entregou ao HPA sua mais nova cria, o livro Gataiada. Ousaram praticar um ostentoso troca-troca em público e sob olhares de muitos. São dois desavergonhos cidadãos de meia idade, com pouco juízo e sem nenhuma vergonha na cara. Por fim, afirmam não terem um caso, sendo tudo intriga da oposição.

VÉIO DUKA PASSANDO POR AQUI, MENTOR DE MINHA PERVERTIDA MENTE
O cara saiu lá de Botucatu ontem só para vir presenciar o lançamento do livro novo do Luís Vitor Martinello. Sabia que ali teria rara oportunidade de rever um monte de gente ao mesmo tempo e assim colocar parte das conversas em dia. Procurou por mim e ao não me encontrar liga. Estava numa aula clandestina e não pude comparecer. Duka me representou e após o convescote, vem pernoitar em casa, essa a forma de aquecer os motores pros embates futuros. Desde que esse macanudo se foi morar num lugar com clima mais ameno, um vácuo foi criado na sua ausência, pois o danado é desses de causar muita falta. Aposentou, montou uma montadora de móveis de madeira de demolição e enquanto fica trancado entre quatro paredes, ruminando móveis, a revolução infelizmente fica em segundo plano. Meu consultor para assuntos aleatórios, em cada retorno para a aldeia bauruense, o sequestro para me orientar pelos próximos passos. Coração reajustado, reapertado e recondicionado após um periquipaque, alivia os momentos ruins levantando uma casa só sua (e da Rosana, claro), com ajuda do cunhado e junto com a digníssima esposa, ainda a ajuda cuidar de um canil nos fundos de seu quintal e na frente um brechó. Tive que perguntar: E sobra tempo para pensar em subverter a ordem? Ele o faz vindo aqui colocar minhocas na cabeça de bauruenses como esse mafuento, planta mais uma semente, a deixa frutificar e volta para sua rotina em Botucatu, lugar onde me diz, as coisas acontecem mais lentamente. Professor de História como poucos, sempre chega com muitas histórias e me faz não fazer mais nada enquanto por aqui permanece. Querendo trabalhar não vejo outra maneira de despachá-lo no Prata das 15h e assim retomo minhas atividades conspirativas por conta própria. Duquinha tem muita história e na qualidade de um dileto amigo, desses inquebrantáveis, o considero meu baluarte, minha mola mestra, uma dessas pessoas inquebrantáveis, o grande culpado, confesso aqui, por ter me desviado de uma vida de gado e ter adentrado essa de contestador. Poderia hoje ser um grande sujeito (sic), empreendedor e rentista, mas o danado me fez enxergar o mundo por outra vertente e deu no que deu. Vez ou outra passa por aqui para se certificar se não me desviei demais da conta dos seus ensinamentos. Meu mestre...

terça-feira, 5 de novembro de 2019

PRECONCEITO AO SAPO BARBUDO (147)


A IMPRENSA NÃO DERRUBA O PRESIDENTE PORQUE NÃO QUER – NO EDITORIAL DA FOLHA DE HOJE, ALGO SERVINDO PARA TODOS OS JORNALÕES NATIVOS


Dias atrás o telefone fixo toca aqui em casa e do outro lado alguém me chamando pelo nome e sobrenome. Se diz representante do jornal Folha de SP, diz que já fui assinante e quer me gratificar com 30 dias grátis do jornal, com o intuito de que, encerrado esse prazo volte a assiná-lo. Fui o mais educado possível, mas é claro, nem de graça quero mais esse e nem outros tantos órgãos da imprensa brasileira aqui dentro e casa. Expliquei já ter gostado muito da Folha, mais de 20, talvez 30 anos atrás e agora, vez ou outra os vejo tentando voltar a praticar um jornalismo mais decente, dentro da verdade factual dos fatos, mas claudicantes e tudo não passando de meros arroubos, pois continuam alinhados com tudo o que de ruim aconteceu ao país. Bolsonaro não gostar da Folha não me é motivo suficiente para trazê-lo para dentro de casa novamente. Não o faria nem de graça hoje com eles, com o Estadão, O Globo, Isto É, Veja, Época, Zero Hora, Correio Brasiliense e a imensa maioria da imprensa massiva deste país. O que propiciaram de malefícios para este país, quando poderiam ter praticado um jornalismo, no mínimo honesto, sensato, mas optaram por seguirem junto do conluio que está a destruir com o país. A Folha mesmo já percebeu quem de fato é Bolsonaro, mas pouco faz de concreto para detoná-lo devidamente. Cutuca ali, mas logo está alisando novamente. A moça do outro lado parece ter entendido os meus motivos e nem tentou usar de mais argumentação.

Meu cachorro, o Charles iria fazer uso das páginas da Folha, na qualidade de cagador inveterado. Serviria para recolher seus dejetos espalhados por um canto do quintal no Mafuá. Nem para isso, pois prefero continuar juntando as propagandas de supermercado que me são espetadas no portão e com elas faço esse serviço. Abdiquei da leitura dos jornalões, mesmo gostando de mais da conta de ler jornais, algo adquirido bem lá atrás, nos meus tempos de moleque, quando via meu avô José Perazzi o fazendo antes do almoço. Ele lia a Folha e adquiri com ele esse hábito, nunca abandonado, mas hoje, cada dia mais seletivo. Continuo lendo o Jornal da Cidade, o desta minha aldeia, assinatura coletiva feita com a esposa e como possui pouca coisa para ser devidamente lida, o usamos para saber das últimas aqui da terrinha. Na questão política sempre estiveram alinhados aos donos do poder local, os tais denominados por eles mesmos de “forças vivas”, esses hoje, a maioria rentista e pensando só nos seus botões, nunca nos do povão. Penso muito em amigos jornalistas ali atuando e do quanto sofrem por serem obrigados a seguir a linha editorial conservadora, defensora do projeto do Bolsonaro, da Lava Jato aos moldes de Sergio Moro e de tudo o que tenha a chancela de Pedro Tobias.

Esse meu escrito de hoje é para expor um ponto de vista: a imprensa brasileira só não derruba Bolsonaro por não querer. Ela sabe tudo o que se passa nos bastidores de nossa atual política e só não chuta o pau da barraca definitivamente, pois como nesse país todos estão de certa forma uns amarrados nos outros, evidente que o rabo preso pesa demais na hora da produção de um texto mais contundente. Agora mesmo, Bolsonaro ataca a Globo violentamente e dela recebe resposta amena. O espezinham, mas não tanto. Bozo sabe rebater e bicuda a TV com suas armas, todas abaixo da linha da cintura. Fala que sabe o que a Globo já fez e pode até não renovar sua concessão. Hoje mesmo, está citando o salário do Bonner e já articulando nos bastidores para que anunciantes não mais invistam por lá. A reação, que poderia ser fatal para o presidente não o é. Primeiro porque eles ainda acreditam que Bolsonaro possa ser útil na aprovação do que ainda resta de maldades a ser aprovada contra o povo, depois por temerem que ele revele, boquirroto que é, segredos de alcova pouco sabidos. Hoje o jornal O Globo cutuca Bozo com fervor, mas o faz hoje e amanhã releva, volta atrás, não vai a fundo. Por todo o rabo do presidente já mais do que exposto, a Globo tem cacife para derrubá-lo rapidamente, mas pelo visto, não é essa sua intenção. E ao não fazê-lo, dia após dia, as instituições vão se enfraquecendo, a direitona ganha espaço e o jogo sujo continua se ampliando. Ela já sabe tudo de tudo o que Bozo fez de errado, mas segura as pontas. Daí, como é sabido por tudo e todos é mais suja que ele, diria farinhas do mesmo saco. Tomara que no dia em que decidirem contarem o que sabem, revelarem os segredinhos do capitão e de sua prole não seja tarde demais. Diante disso tudo, não confio mais em nenhum desses grandões do jornalismo, pois todos se venderam ao praticado hoje por esse doentio neoliberalismo, seguidor das leis de mercado e do rentismo como modal econômico.

O que o amigo jornalista Gilberto Maringoni postou hoje sobre a Folha de SP, serve como uma luva para todos os que batem nele (exceção de Carta Capital) e no dia seguinte recuam, nunca indo a fundo. São medrosos, cagões, serviçais desse insano desgoverno, tão perversos quanto ele. “FOLHA, UM JORNAL CAPACHO - O editorial da Folha de S. Paulo intitulado "Na direção correta", publicado hoje (5), é uma vergonha jornalística. Ao mesmo tempo, dá a exata medida da qualidade da oposição que a mídia faz ao governo Bolsonaro. O jornal dos Frias desnuda-se em apologética defesa - a redundância é necessária - da política de corrosão sulfúrica do Estado brasileiro, capitaneada por Paulo Guedes. Se, com proibição de assinaturas no governo federal, o diário da Barão de Limeira apresenta tal sabujice, um possível corte de publicidade oficial o fará dar a patinha e se fingir de morto, quando convier. Ideologia é isso aí. O resto é jogo para a torcida”. Não só assino embaixo, corroboro, como escreveria da mesma forma e jeito, mas não só endereçado aos Frias, mas para todos os demais donos de jornalões e revistas. Sabujice total e absoluta, vergonha total do papel cumprido pelo jornalismo nativo, um que tem tudo para levantar esse país, mas preferem se aliar ao que de pior temos e dessa forma, perderam o restinho que possuíam de credibilidade. Cansei desses todos. Depois, quando os chamamos acertadamente de PIG, ficam amuadinhos e chateados, mas são muito piores que isso.

ACABO DE DAR UMA AULA CLANDESTINA
Sou convidado a dar uma aula num curso noturno, um bate papo com alunos. Não posso especificar se estadual ou municipal, da cidade ou da região, se faculdade ou não, pública ou privada. Fui lá e dei meu recado. Gostei demais do interesse dos alunos pelos temas do momento. Pediram apartes para querer saber o que é milícia, se um presidente pode retirar provas do local de um crime e quais os motivos de não estarmos nas ruas como em outros países. No final me encantei com muitos anotando o endereço virtual do blog do Mafuá e do meu facebook. Ninguém tirou foto e nada foi gravado, tudo fez parte um tácito acordo. O pedido nesse sentido veio do professor (a) e, creio eu, todos os ali presentes entenderam muito bem dos motivos. Não estive ali escondido, mas a presença poderia gerar ligações inoportunas para a escola. O (a) professor (a) disse confiar bastante naquela turma. Falei por quase uma hora sobre a atual conjuntura e fui interrompido algumas vezes. Mais teria ficado, mas a proposta era a de trazer alguém de fora, uma visão externa do momento atual do país. Creio não ter desapontado, pois gerei bom debate, acalorado, apimentado e bem posicionado Na sequência teriam uma atividade escrita com o aproveitamento do presenciado. Fiquei curioso, porém, da mesma forma que cheguei, me fui. Um convidado sem papas na língua. Uma fala propondo o bom debate. Uma platéia querendo conversar, ávida por saber o que de fato se passa com esse país. Um (a) professor (a) sugerindo uma pauta diferente, ousada para os tempos atuais. Uma noite querendo chover e a minha expectativa de que, o ocorrido se propague com o vento, se multiplique e gere não só debate, mas ações concretas. Só não posso declinar onde estive. Coisas desses tempos bolsonaristas...

OBS.: A foto é meramente ilustrativa e foi gileteada do google.

segunda-feira, 4 de novembro de 2019

RELATOS PORTENHOS / LATINOS (73)


UMA HISTÓRIA ARGENTINA
SERGIO HORVATH, RESISTE DESDE MUITO TEMPO NA ARGENTINA – DIANTE DE UM NOVO MOMENTO, CRÊ EM ALGO DE BOM PARA GENTE COMO ELE, OS PERIFÉRICOS SOBREVIVENTES
Quero lhes contar a história de um argentino, mas não a de um argentino qualquer e sim, a de um típico de suas entranhas. Desses, diria, encruado, incrustrado nos seus ditos mais arraigados sentidos sociais, no que isso pode ter de mais relevante. O conheci anos atrás e a empatia foi imediata. Conto como foi. Exatos três anos atrás estávamos num grupo percorrendo o bairro de La Boca, zona suburbana de Buenos Aires, local turístico e também por ser onde está localizado o campo La Bombonera, do time de futebol do Boca Juniors.

Horário do almoço, um professor ali conosco, havia morado na cidade por quase um ano na cidade e nos indica um lugar fora da zona turística para a refeição. Todos aceitam e ao andarmos algumas quadras, meio a meio entre a zona principal de turismo e o campo do Boca, chegamos a uma edificação outrora imponente, mas no momento um tanto deteriorada. Um galpão que antes havia abrigado um frigorífico, agora o fazia para um Mercado Popular, o antigo Marcado de la Boca, todo ele para atender os locais, nada turístico. Como muitos outros, por ali tem de tudo um pouco, desde lojas com comércio de roupas, brindes, sapatos, serviços variados, como muitos profissionais, alfaiates, eletricistas e alguns artistas plásticos, além de restaurantes.

Bem no fundo, um restaurante popular, o Black Café, bem rústico, com comida a preços populares e tudo feito por um casal, Luiz e Teresa. Comemos por ali e o mesmo professor que se dizia refinado na hora da alimentação, não resisti e lhe perguntei: “Te vejo reclamando da comida em muitos lugares, mas aqui não e a simplicidade é a marca desse lugar”. Ele sorri e me diz: “Exijo nos lugares onde propõe algo e não cumprem, aqui não. Aqui a comida é essa, simples, feita pelo casal e a proposta é essa, não inventam nada que depois não conseguem cumprir”. Gostei e seguindo o mesmo lema nos esbaldamos. Só para dar um pulo lhes digo, voltei nos anos seguintes e já nos tornamos amigos de todos por lá. Não só amigos dos donos do reaturante, como de outro estabelecimento ali ao lado desse, o Local 70, ou como diríamos pro aqui, o Box 70, uma mistura de sebo, galeria de arte, livraria e loja de antiguidades. A história a seguir é de um dos proprietários desse lugar.

Quem me conhece sabe que, não me seguro diante de sebos, estejam onde estiverem e mesmo que tenha dificuldades na língua, a imediata identificação com esses lugares me faz se aproximar e puxar conversa. Foi o que fiz, vi inicialmente alguns CDs de música argentina e quis vê-los. Foi quando conheci a dupla de proprietários, Sergio Horvath, 56 anos e Marcelo Martin, 57 anos, ambos artistas plásticos, pintores e artesãos. No primeiro ano arrematei uns 15 CDs, vendidos por um preço simbólico, muito baixo, talvez pela grande diferença existente entre o valor do peso dele e do nosso real. Mais que a compra, conhecer a ambos, kirchneristas e peronistas, militantes de esquerda e naquele momento revoltados com a política neoliberal aplicada no país pelo presidente Maurício Macri. Conversamos muito, trouxe comigo muitos endereços virtuais e fiquei de voltar. Nas prateleiras, estantes e do lado de fora, posters e cartazes sobre o posicionamento de ambos. Os vi depois num outro grupo, todos sentados nas mesas do bar/restaurante confabulando sobre atividades políticas.

Ambos não me saíram mais da cabeça, mas só voltei a ter novo contato no ano seguinte, no mesmo período quando por lá voltei. Desta feita somente eu e Ana. Almoçamos novamente e retorno ao Local 70. Converso novamente com eles dois, compro mais CDs e me dizem mais sobre as dificuldades todas de manter uma pequena e modesta galeria nos fundos de um Mercado Popular numa zona onde praticamente não circulam turistas. Na conversa, sempre aquele algo a mais sobre política e o desastre do neoliberalismo predatório na Argentina. Percebo o quanto gostam de Lula e clamam pelo retorno da denominada política do Pátria Grande. No espaço começo a perceber melhor como vivem. Ambos pintam e Sergio, o que mais permanece no lugar, também produz peças de artesanato, esculpindo barcos de madeira e depois fixando uma pintura ao seu estilo, bem colorida. Vivem disso, da venda dos livros, LPs, CDs e antiguidades da loja e do que produzem. Divulgam ao seus modos e jeitos, percorrem feiras variadas na cidade e usam o local como ponto de apoio, o endereço fixo.

Novamente me vou e neste ano, na visita anual para apresentar trabalhos acadêmicos, entre julho e agosto, acabamos não almoçando no restaurante. Compro poucos CDs e retorno dias depois, mas encontro o local fechado, ambos batalhando algo pelas ruas. Ouço do Sergio, ambos estarem envolvidos na eleição de Alberto Fernández e Cristina Kirchner, compromissos pela cidade e pouco por ali. Nesse ano retorno para trabalhar como jornalista na eleição, entre 25 a 29 de outubro e é claro, levo amigos para almoçar no restaurante, conhecer o Local 70 e seus dois artífices. Não encontramos com Marcelo, mas sim Sergio e desta feita, além dos CDs comprados, indicações preciosas da nova música argentina, tangueiros de uma nova geração. O convidamos para almoçar conosco e ele nos conta algo mais sobre suas atividades. Primeiro nos aponta o teto do Mercado e diz sobre a pintura ali existente. É dele e mesmo após o incêndio no local anos atrás, a mesma não teve como ser retocada, mas parte ainda intacta e resistindo ao tempo. Além de tudo, muralista.

Sergio é pai de um jovem, esse já se safando sozinho, com suas próprias forças, ele separado e diante das dificuldades optou anos atrás por ocupar um pequeno quartinho nos fundos do Mercado, ao alto, acima dos banheiros públicos. Lá, num canto sua cama e noutro o seu estúdio, onde trabalha, pinta e produz a maioria dos seus trabalhos. Quando não está no apertado local, está na loja ou das ruas, participando de feiras, eventos e também atuando politicamente. Vida espartana, sua vida hoje é munida pela esperança. Descrente de tudo o que possa vir de modelos como os praticados por Macri, Piñera, Lenin Moreno e Bolsonaro, alia sua vida profissional, com uma intensa participação no combate a esses que, decididamente atuam contra pessoas como ele. Ciente disso, não se intimida em demonstrar isso no que está exposto na loja. Num dos cantos, algo sobre a luta pelo Lula Livre, noutro sobre o gato Macri e as agruras da desunião dos países latinos. Desta feita, eleição no dia seguinte, muita propaganda política, o que sobrou de um intenso trabalho realizado na região.

Falamos de tudo, de política local, da regional, literatura, Buenos Aires, Cristina e Alberto, além das agruras naturais de quem, como ele, deu muito murro em ponta de faca, pagou o preço e hoje está ali, num local pouco frequentado, onde seu trabalho está um tanto escondido, oculto e sem grandes possibilidades de exposição. Faz o que pode, com suas próprias pernas e recursos. Não reclama, trabalha muito, se vira e não para um só segundo. Me diz que, quando me deparo com o box fechado, sinal de estar tentando algo pela aí. Essa sua vida, uma atuação política que espera com o novo Governo, traga algo de novo, um olhar diferente para todos os como ele, vivendo em condições cheias de restrições e privações. Olha para tantos outros à sua volta e isso o entristece, pois os que foram morar nas ruas hoje representam uma parcela significativa da população. “Como posso esperar que consumam arte, o que faço, o que sei fazer, se o dinheiro que se ganha hoje mal dá para suprir as necessidades básicas do povo. O turismo é o que nos salva, mas também não está como antes”, diz. Atento a tudo, sabe que a reviravolta não será rápida, mas lenta e gradual. Aguentou-se até agora e não será nesse momento, quando o que tanto lutou para conseguir foi alcançado, irá desistir. Sabe ter que aguentar um pouco mais e para tanto olha firme para nós, nada resignado, nos abraça na despedida, está ao nosso lado contra gente como Bolsonaro e tudo de ruim representado por políticas onde a miséria é o resultado final. Mesmo nas dificuldades sentidas ali no dia, sabe muito bem que, não basta a Argentina mudar de rumo, sendo também relevante o Brasil fazer o mesmo, o Uruguai não se deixar levar pelo discurso conservador e assim por diante. Trocamos cordiais abraços e volto pras ruas ciente de que, esses são os valorosos deste mundo.

OBS.: Essa história continua, pois a de Luiz e Tereza, os donos do restaurante ali na frente do Local 70, o Black Café, eu conto em detalhes nos próximos dias. Na junção das duas, algo dos que lutam em La Boca.

domingo, 3 de novembro de 2019

ALFINETADA (184)


DOMINGO, TUDO ACONTECE NA FEIRA

CALOR DE RACHAR MAMONA...
A manhã hoje em Bauru estava pela hora da morte, Saara foi pouco, asfalto fritando ovo e cada um se virando ao seu modo e jeito nas andanças matinais. Hoje pela manhã no espaço mais democrático desta cidade, a feira dominical, eis que um desses, cansado de receber a implacável incidência dos raios solares no cocorutcho improvisa um chapéu com o produto de seu trabalho, as bacias que revende cidade afora (adentro também). Foi uma manhã pra lá de escaldante, beirando os 40° e muitos saindo às ruas em trajes menores, pouca roupa e abundância de carnes expostas. Quem não tem cão caça com gato, vi muitos com garrafinhas de água e borrifando seu conteúco nas partes mais afetadas do corpo, da cabeça aos pés. Ficar molhado era o de menos, pois o que valia mesmo era tentar ao menos aplacar o calor. Circulei assim mesmo pela feira, chapéu de aba larga na cabeça, me esgueirando pelas sombras, lugar dos mais disputados e em todos o mesmo assunto para puxar conversa: "Calor, hem!". Sobrevivi, tomei umas cervejinhas, comi uns trorresminhos, voltei com CDs e livros do Carioca da banca, coloquei um gelo dentro do chapéu lá no Bar do Barba e deste ouvi ao sentar num dos bancos que esteve ao sol até então: "Esse é ótimo para torrar hemorróidas, a danada fica em estado cozida em instantes. Se bobear sai da casinha e vem dar o ar da graça do lado de fora. Esse banco é cirúgico". Acreditei, mas comigo, felizmente, o fato não se consumou. Bauru sendo Bauru...

DOS PRAZERES DA CARNE, OPS, DIGO, DA VIDA
É o que me conduz, teleguiado por amigos diletos, vou pra feira e volto com a matula, a algibeira cheia de mimos, penduricalhos e gracejos a me embalar o que me resta de vida sobre a face da Terra. Na portaria do prédio, levo comigo a última edição da melhor revista semanal do nosso mundo, a Carta Capital, chego na banca do Carioca na Feira do Rolo e ele me espera com algo reservado pra mim, "a sua cara, Henrique, achei que ia adorar". Eram três livros, o "A vida quer é coragem - Trajetória de Dilma Rousseff", "Lula - Entrevistas e Discursos" e o "Manifesto Comunista em Quadrinhos - prefácio do Trotsky". Claro que gosto e pago por tudo R$ 20,00. Escolho três CDs debaixo do sol, "Cannã", do Luiz Gonzaga, "São João Vivo!", do Gilberto Gil e "Gafieira - Acústico Zeca Pagodinho MTV 2", pelos quais pago mais R$ 10. Ganho um de brinde, o da Ivete Sangalo de presente, "Festa" e só o trago por ser sem custo, enfim, o darei de presente para meus amigos argentinos que adoram o ritmo contagiante. Carioca também me presenteia com uma bolinha de couro para que entregue ao vizinho, o menino Juan, amante de bola e futebol. Ganho duas latinhas de gelada cerveja, de marca que nunca vi na vida, me disse ser de Londrina. Tomei e nada senti de perturbador, nem gases nem desconjuntura estomacal, daí anotei o nome num papel e o guardo no bolso. O acepipe ali servido hoje era uma suculenta moela com fios de açafrão espanhol, pelas mãos do experiente mestre cuca Sérgio Cervantes, que aos domingos se transforma também num vendedor de antiguidades. Como me privar disso tudo? Não consigo, caio de boca, a conversa rola, a cerveja começa a fazer efeito, repito a moela três vezes e assim passo boa parte da manhã, sempre ao lado de quem gosta de mim e eu muito deles. Quando o telefone celular toca pela primeira vez, por volta das 11h30, percebo ser o momento de levantar âncora. O alvará está prestes a vencer. Só aí me lembro que tenho comprinhas a fazer na feira, levar para a cara metade, babatinhas de panelas para serem assadas com sal grosso (um delícia, especialidade de Ana) e água de coco. Junto tudo, não me esqueço de nada e volto rumo ao meu querido lar, onde passarei boa parte da tarde curtindo as novidades que levo para convivência nos próximos dias. Hoje os amigos e amigas não estiveram na feira, circulei sózinho, mas nunca só, pois em cada lugar, gente conhecida e conversas para lá de recarregadoras. A feira dominical é desses lugares onde preciso tomar o maior cuidado, pois chego, me assunto, circulo, me aboleto, mergulho de cabeça e depois não quero mais voltar pra casa. Só mesmo com os chamados insistentes via telefone, vindos lá de quem ficou em casa, para me fazer ir retornando aos poucos para a dita normalidade. Volto, querendo ficar e só o faço, pois saber de antemão que, semana que vem tem mais...

POR QUE A POLÍCIA MILITAR ESTÁ MAIS VIOLENTA QUE ANTES?
Essa foi a pergunta a mim feita por um amigo hoje na feira. Ele me contava que trabalha em várias feiras, conhece muitos policiais, sabe o quanto são necessários e nunca criou atritos com nenhum deles, mas os sente hoje mais afetados, um tanto mais arrogantes e dialogando menos que antes. E me fez a pergunta. Explicou algo ocorrido dias atrás, quando um veículo da PM foi se aproximando de marcha a ré de onde ele estava trabalhando e encostou propositalmente em sua banca, sem nenhum motivo aparente. Desceram, olharam, nada disseram e ele sem saber o que fazer, como agir. Se perguntasse dos motivos, teve receio de fazê-lo e receber alguma reprimenda, pois diz hoje, eles estão mais senhores de si e por qualquer coisinha são no mínimo grosseiros. "O que fizemos para mudarem tão rapidamente a postura?", me pergunta. Conversamos a respeito e lhe disse que governos mais democráticos, principalmente como os anteriores, a PM era mais contida, sabia dos seus limites, hoje não mais. Disse a ele estarem agindo assim pois, sentem incentivo para terem atitudes mais violentas, respaldo de um desGoverno acreditando ser essa a forma de tratar a população. Por fim, conclui que, como ele acaba de perceber, existe uma diferença muito grande na ação da PM e essa depende muito do tipo de Governo existente.

A conversa de hoje na feira dominical me fez lembrar de outra, essa com Alexandre Gasparotti Nunes, professor como eu e ele me relembrando uma frase histórica. Em 13 de dezembro de 1968, quando o governo Costa e Silva impunha ao país o Ato Institucional 5, o vice-presidente, o civil Pedro Aleixo, foi o único a discordar dos termos da regra do regime de exceção. "Presidente, o problema de uma lei assim não é o senhor, nem os que com o senhor governam o país. O problema é o guarda da esquina", disse Aleixo.

Simples, essa ação policial atual, quando mais acintosa e sem motivação para tanto, faz relembrar de imediato a fala daquele então vice-presidente. A ação do guarda da esquina quando ilimitada, extrapolando suas reais funções, respaldada em toda sua extensão, torna-se um perigo para todos. Quando entenderem que excessos, além de ilegais, são totalmente desnecessários, pois como já é mais do que sabido, não é impondo o jeito violento que uma instituição será mais respeitada. Pra mim, perde até a credibilidade existente.

sábado, 2 de novembro de 2019

UM LUGAR POR AÍ (128)


CALLE FLORIDA, RUA AUGUSTA E CALÇADÃO DA BATISTA - O ONTEM E O HOJE

Ouvi no sábado anterior à eleição argentina, o amigo jornalista e professor universitário Gilberto Maringoni, que assim como eu, estávamos na Argentina para presenciar a eleição colocando fim no desGoverno de Maurício Macri, falando diretamente da Calle Florida, uma das principais de comércio naquela cidade, pelo menos em tempos anteriores. Cada cidade possui sua via dedicada ao comércio e essa argentina deitou fama por muitas décadas. Não havia um só turista que, visitando Buenos Aires para lá se dirigisse com o intuito de fazer compras, olhar e ser visto. A Florida até hoje é um dos lugares mais conhecidos na cidade, mas o local não abriga mais como antes aquele intenso comércio. A crise pegou a Argentina em cheio e espalhados por essa importante via, muitas portas fechadas, placas variadas anunciando imóveis sendo alugados em praticamente todas suas quadras.

Quando comecei a assistir o vídeo do Maringoni pensei fosse ouvi-lo em algo sobre isso, mas depois ele engrenou no tema eleição e deslanchou por outra vertente, tendo ao fundo o cenário da famosa artéria. Eis o link da fala do Maringoni: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/dcm-na-argentina…/…. Viajo há exatos oito anos seguidos para Buenos Aires, acompanhar congresso acadêmico e acompanho a decadência do lugar. Na comparação com o reluzente passado, a decadência é latente. Os motivos são muitos e vão além da crise. Os pontos comerciais também se alteraram, muitos deles foram transferidos para outros lugares e bairros. O lugar perdeu aquele status de antes. Lojas e mais lojas, muitas delas grandes fecharam suas portas nos últimos anos. Este ano mesmo entrei na Fallabela e Ateneu, dois ícones, sentindo o clima de tristeza pelo comércio já não ser como dantes. De alguns anos para cá, o comércio de rua cresceu de uma forma assustadora, principalmente a noite. Os artesãos e camelôs, principalmente peruanos e bolivianos chegam com seus produtos, estendem seus panos no chão e enquanto a fiscalização não os reprime se amontoam uns aos outros. A tristeza é vê-los ali na calçada, num momento onde se viram desse jeito pela absoluta falta de outra opção.



Escrevo da calle Florida, mas não consigo enxergar a decadência somente nela, pois quando me deparo no que já foi, por exemplo a rua Augusta paulistana, tento relacionar motivos muito proximos para a situação ter também decaído ao longo do tempo. Daí, volto meus olhos para a aldeia bauruense e me deparo com o calçadão, a outrora badalada Batista de Carvalho. Essa rua foi o must bauruense, local de convergência não só do comércio, como point de encontro. Isso tudo já não vigora como dantes. Os centros da maioria de nossas cidades perderam o atrativo e hoje, com comércio mais popular, aliados ao momento nada auspicioso economicamente dos países do cone sul, nessa junção de motivos, locais como a Florida, a Augusta e a Batista de Carvalho, com suas muitas portas fechadas e clamando por serem alugadas, vivem um momento bem diferente do que já viveram no passado. O charme pode até perdurar, mas inevitável na comparação dos momentos, a perda e aquele visual atual deteriorado. Ou seja, todas pioraram e muito.

Obs.: Duas primeiras fotos são da Florida e a última antiga da nossa Batista de Carvalho.

FORA BOLSONARO e LULA LIVRE
EIS O TRIO, MELHOR, QUARTETO CALAFRIO

Pior que isso só a bestialidade que sufragou votos nesse pessoal totalmente desqualificado, para gerir um país à deriva, mas perdido que cego em tiroteio. Ao publicar essa charge do grande carioca Aroeira, rendo a ele e a todos os chargistas retrando esse triste momento brasileiro uma justa homenagem. Saudades do velho e bom O Pasquim e de um lema que não me sai da cabeça: a gente derruba esses boçais na chocota, pois não aguentam o tranco, são venais, inseguros e dementes, além de não entenderem piada, reagem da pior forma possível, demonstrando o que de fato sempre foram. Impossível dissociar o Fora Bolsonaro do Lula Livre, pois o ex-presidente só está preso por combater e ser aquele que impediria essa pantomina bufa de chegar ao poder. Uma coisa está mais que entrelaçada com a outra e devem acontecer ao mesmo tempo. Diariamente a gente derruba isso tudo um pouco mais com a ação desses maravilhosos artistas do traço, criativos e abrindo os olhos dessa ainda amortecida nação.

sexta-feira, 1 de novembro de 2019

AMIGOS DO PEITO (166)


DOIS BARDOS COMUNISTAS FAZENDO ANOS NO MESMO DIA
Darcy Rodrigues e Milton Dotta, com direito a discurso deles, poesia de Tatiana Calmon Karnaval e fala emocionada de Roque Ferreira. Eis o link: https://www.facebook.com/henrique.perazzideaquino/videos/3002695826427073/

Aniversário do Satanás e do Capeta, Darcy Rodrigues e Milton Dotta, 79 anos dos dois gramulhões da política BAURUENSE, ambos nascidos em Avaí, vermelhos até a medula, agora no Bar do Genaro, junto de amigos.


Outro dia escrevi algo insignificante, de pequena monta, mas citei algo abominável para alguns, a palavra COMUNISMO. Ela estava embutida dentro de um texto maior, porém, foi o suficiente para alguns surgirem assim do nada, gente que nunca vi na vida e tentando demonstrar da perversidade desse regime político. Tive que subior nas tamancas e fazer, como sempre o fiz e farei, a defesa contra gente que mal sabe o que venha a ser o comunismo, nunca leu Marx, entende quase nada sobre o assunto, mas se vê no direito de meter a colher na panela alheia e espinafrar o que é contrário aos seus interesses bestiais. Perdemos nos últimos tempos essa capacidade de aceitar o outro, ainda mais quando esse outro é algo hoje sendo apresentado como não só o antigo "comedor de criancinhas", mas algo mais abominável, de impossível convivência. E desde sua criação, a do marxismo, o comunismo convive entre nós, pelo bem, pelo mal, sempre visto como algo transformador, nunca como hoje, algo a ser eliminado, como algo repugnante.

E por que chegamos a esse triste momento? Com o advento da chegada do obscurantismo como forma de governo, aquele que produz mudanças estruturais e propõe a divisão dos bens dos abastados, dos que conseguiram alcançar riqueza, esses se tornam uma ameaça, pois são formalmente contrários à espoliação como ocorrendo hoje. Simples assim. Assim sendo, infelizmente, mesmo os boçais instigando os comunistas eles estão pela aí e continuam atuantes. Se não temos mais um Partido Comunista aos moldes como a sigla merece, ao menos existem militantes aguerridos e na lida. Dois desses são os aniversariantes aqui citados. Não possuem medo ou receio algum de propagar em alto e bom som serem comunistas. Estão prontos para defender não só o fato de o serem, como de praticar o que entendem ser a melhor forma de transformação do ser humano. São dois bons exemplos desses tantos que não fogem da raia e mesmo num momento onde alguns os espezinham, não se acanham e vão pro pau. Existe em cada um deles a certeza de atuarem no lado certo.

Aqui em Bauru pode-se citar assim de memória nomes de valororos comunistas, desses com atuação uma vida toda. Cito um, Arconcio, um velho bardo que se foi perto dos cem anos e certa feita me contou uma história de ter sido preso, lá pelos anos 40/50 em Bauru por estar à frente de uma greve e ser comunista. Ao chegar na delegacia, naquela noite uma senhora da sociedade havia matado um algoz, num embate mal esclarecido. Ele permanece no xilindró e ela sai na mesma noite e vai para sua casa pela porta da frente. Situações como essa, com histórias se não idênticas, com algo similar, tanto Milton como Darcy te contam aos borbotões. Ambos possuem não só histórias lindas de vida para contar, como considerável currículo positivo, ao lado da luta dos trabalhadores e dos seus interesses. Tive o prazer da convivência com ambos e muitas dessas já ouvi ao longo do tempo. Agora, os dois avaienses reunidos num bar, nesse triste momento do país, poderiam estar descansando e usufruindo de algo amealhado ao longo da vida, mas fazem algo além disso. São dessas pessoas que não esmorecem e não se entregam. Mesmo com a idade avançada, pelo ideal de vida escolhida não se furtam de continuar na luta.

São dois cidadãos da maior responsa, ilustres bauruenses por adoção, respeitáveis pessoas humanas e estar ao lado deles num dia de festa e homenagens é para gente como este mafuento escrevinhador, algo de uma magnitude. Foi uma noite e tanto, onde pudemos todos os presentes, observando o que cada um fez e faz ao longo da vida, nos orgulhar e se inspirar para todas as lutas que virão pela frente.



CONTRA EVIDÊNCIAS NÃO EXISTEM ARGUMENTOS CONVINCENTES
Cito o caso de Bauru, o da morte dos dois policiais militares e na presença da esposa de um deles. Com a passagem dos dias e o desenrolar dos acontecimentos, pouca coisa a acrescentar. De revólveres intactos, outros sem ou com projéteis, as evidências estão mais que evidentes e quanto mais escrevem sobre o assunto, mais elas se confirmam. Nesse caso, só mesmo em algo totalmente fora do normal o desfecho será dado de forma diferente do que já está estabelecido, praticamente comprovado.

Escrevo isso para demonstrar o mesmo ocorrendo no caso da entrada ou não do Jair no condomínio onde o mesmo mora, também um dos seus filhos e lá estiveram os matadores de Marielle Franco e seu motorista. Se Jair estava ou não é irrelevante, de pouca importância. O fato é ter tudo sido tramado ali, pior e mais grave, todos tinham relacionamentos próximos uns com os outros, inclusive com o Jair, ausente no dia, mas muito presente em fotos e festas ao lado de todos. Desdizer um depoimento de um porteiro é fácil demais, porém, nada alterará as evidências já consumadas. Existia (e continua existindo) um relacionamento mais que cordial entre todos os envolvidos, inclusive o tal Jair, por acaso hoje presidente da República brasileira e todos seus filhos com os prováveis matadores. Encerro sem mais delongas: contra evidências não existem argumentos. Não foi assim que agiram com o ex-presidente Lula e nos caso deste, mesmo sem elas existirem de fato, o condenaram por presunção, em algo sendo constestado mundialmente, mas nesse caso, mesmo elas todos estarem mais que expostas, os que podem e devem fazer algo se fingem de bobos (somo todos muito bobos mesmo) e agem como se não existisse nenhuma relação entre as partes. Só para rememorar: todos os envolvidos sempre pensaram e agiram seguindo o mesmo ideal e ideias, milicianos por natureza. Fica praticamente impossível desdizer dos envolvimentos entre todos, entrelaçados umbilicalmente. Jair exaltado é outra coisa, algo a demonstrar estarem próximos da elucidação do caso, algo preocupante para ele e os seus. Não precisa ser nenhum bidu para se chegar nas conclusões mais estarrecedoras, enfim, muita evidência pra pouca justificativa plausível.