sexta-feira, 14 de janeiro de 2022

RETRATOS DE BAURU (260)


ALMIR RIBEIRO (1960/2022) – DEPOIMENTOS
- “Almir Ribeiro foi um dos melhores da minha geração. Com uma fina e irretocável ironia "desafinava o coro dos contentes"; com uma inteligência privilegiada encontrava soluções onde muitos já não viam caminho; com uma aparente frieza, era o exemplo maior de solidariedade e coerência. Conheci Almir ainda na década de 80 quando comecei, timidamente, a participar das reuniões do PT. Embora nossa diferença de idade seja pequena, ele já era um militante respeitado e radical e eu apenas um novato sonhador e reformista. Ficamos amigos aos poucos e juntos participamos da heroica campanha eleitoral de 1988, ele como candidato a vice prefeito e eu vereador. Os embates dentro e fora do partido nos aproximou, não somente na política, mas também pelas afinidades intelectuais, principalmente culturais. Com seu imenso conhecimento em história, música, cinema, entre tantas outras, me abriu caminhos e descobertas. Deixou de ser apenas um amigo para também ser um farol a iluminar meus passos políticos e intelectuais. Com ele conheci a obra literária de Italo Calvino e filmes como "O baile" de Ettore Scola. Nos últimos anos, embora afastado da militância partidária, jamais deixou de participar de todas as atividades políticas de rua que foram organizadas, ofertando um alento para velhos e novos militantes. Sua partida, assim como a do camarada Roque Ferreira, amigo em comum, nos deixa meio órfão, sem horizonte, com a preocupação de que de fato eles venceram. Finalizo com as palavras do camarada Tauan Matheus que muito me tocaram: “E lá se vai uma das últimas pessoas que me ligavam à algo que almeja ser ... lá se vai o último incansável e imprescindível combatente da classe trabalhadora. Não resta mais ninguém. Nem eu desejo ser mais nada.”. Almir, presente!”, advogado Arthur Monteiro Junior.

- “Há alguns dias, eu andava perplexo com as notícias sobre a saúde do Almir Ribeiro. Sabia que o quadro era muito delicado, mas imaginava que, por ele ser casca-grossa, derrotaria a visitante indesejada pelo cansaço. Hoje veio a notícia que acabou com nossos dias. Digo nós, por todos que tivemos o privilégio de tê-lo enquanto professor. Não foi qualquer professor. Foi alguém que nos abriu os olhos para a vida. Para as contradições da sociedade capitalista. Para nossos preconceitos. Para nossa visão mesquinha de mundo. Esta foto, que tomo emprestada de seu filho Henrique, conta muito dele: aquele sorriso sarcástico nos cantos dos lábios, os olhos meio espremidos, com um ar jocoso, sempre pronto a soltar uma tirada demolidora. Quanta falta vai fazer seu senso de humor, seu azedume, sua crítica ferina, sua luta... Na sala de aula, nos tratava como iguais, algo difícil de se ver, mesmo hoje, em nossas escolas. Ele nos mostrou livros, músicas, filmes. Algum tempo atrás, ele postou algo sobre o filme Radio Flyer. Então, lembrei que ele tinha nos mostrado esse filme durante uma aula. Almir achou engraçado e respondeu que estava tentando se recordar da justificativa que ele tinha usado para mostrar um filme daqueles a seus alunos do ensino médio. E precisava de justificativa? Na certa, ele apenas quis compartilhar conosco algo que o fez emocionar. Sim, porque ele era emotivo. Era inusitado ver aquele poço de ironias contando o modo com brincava com a filha Marina. Ou das horas que se dedicava ao seu jardim na frente de casa, ao lado do filho Henrique. Nunca perdeu a ternura. Nem o sarcasmo e a inteligência aguçada. Nem a disposição para lutar pelo socialismo. Neste dia tão sombrio, cheguei a pensar em escrever algo como: “O PT é a única alternativa para a classe trabalhadora no Brasil”, na esperança de que Almir viesse esculhambar comigo e me chamar de reformista. Mas ele não virá. Hoje, ficamos um pouco mais órfãos”, jornalista Rodrigo Ferrari.

- “Adeus amigo culto! Sinto sua falta. Homem inteligentíssimo, crítico mordaz, de humor ácido, típico dos inteligentes. Um homem culto, letrado, um professor para todos os que o conheceram. Acompanhava suas postagens. Não o conheci pessoalmente, mas os diálogos que mantivemos ao longo da nossa curta amizade via facebook foram suficientes para fomentar a admiração que vou guardar no coração. Era, pra mim, a tradução do " endurecer sem perder a ternura" sendo que sua forma de endurecer foi seu ceticismo, sua ironia sarcástica que acompanhou até seu último post . Dava para ver, nas entrelinhas de suas críticas, nos poemas de domingo, nas saudades enviesadas de Olímpia, mas referências amorosas aos filhos, quão grande era seu coração. Almir, como eu gostaria de te lo conhecido melhor, fico imaginando como seria a sua voz. Tenho certeza de que passaria algumas horas numa mesa de buteco, diante de uma cerveja gelada, dividindo sua companhia com a Tatiana Calmon Karnaval , quiçá o Henrique Perazzi de Aquino e a Ana , escutando sua análise crítica, essa metralhadora giratória que não poupava ninguém, suas histórias de Olímpia. Seu orgulho dos filhos, a saudade da filha... Sei que você era cético com relação à espiritualidade, e por respeito não vou enveredar por aí. Creio que sua existência ficará marcada no coração de muitos, mesmo naqueles por quem você lutava e que não tiveram a capacidade de enxergar que sua luta era coletiva, tamanha a miopia da atualidade. Enfim, Adeus Amigo Culto e Não Oculto, nosso tempo foi curto, e o mundo se torna cada dia mais estranho. O sol, amanhã, levantará novamente sem nos pedir licença, e seguiremos nossa caminhada levando a saudade no coração. Valeu, Almir, ter te conhecido, mesmo tão pouco e por tão pouco tempo, eu o tinha como um amigo, palavra que não me é vã. Vá em paz!”, Márcia Nuriah.

- “- Bom dia, Almir! Como você está... Bom, isto não se pergunta por estes dias.
- Não, eu estou ótimo. Vivemos nossos melhores dias.
- Como assim Almir "melhores dias"? Estamos em pandemia, Bolsonaro no governo, esquerda perdida... Eu acho que vivemos os piores dias.
- É porque você está olhando para o passado, eu estou olhando para o futuro, por isto sei que estamos vivendo nossos melhores dias.
Assim era o Almir, de (mau)humor e inteligência inigualável. E tinha razão ”, Marcos Chagas, da Apeoesp.

- “Vai faltar/ Vai faltar nas nossas fileiras,/ Vai faltar nos nossos debates,/ Vai faltar nas ruas,/ Vai faltar nas poesias,/ Vai faltar nos nossos silêncios/ De hoje.../ Almir, você vai faltar/ porque faz falta.../ Pessoas como você: / faz falta.../ Mas estará tão presente quanto sua incansável presença e convicção de que só a luta permanente, sem reformas, sem eleições, que muda realmente as nossas vidas!/ Obrigada pelos ensinamentos, conversas, dicas, sugestões, solidariedade e cumplicidade... / Hoje estamos mais tristes. Você vai faltar!”, Franci Leme.

- “Eu era bem jovem. A professora Saletinha, que de antropologia e vida entende tudo, falou em uma aula que um tal de Almir achava o seguinte: "pode ser até que Deus exista, mas eu tenho outras coisas para me preocupar agora". A aula estava acontecendo nos jardins do Sagrado Coração, a faculdade que já foi Fafil, Fasc, USC e nem sei que nome chamar hoje. Me interessei.
Um dia, nos anos 80, passeando pela Batista, em Bauru, encontrei o professor Odil José de Oliveira Filho, que trabalhava na livraria da Tilibra. Odil, grande poeta, falou algo como: tô saindo da livraria, mas vai entrar um cara melhor, o Almir. Era a segunda vez que ouvia falar bem de um tal de Almir.
Até que um dia, sei lá como e quando, me vi na rua Sete de Setembro, num predinho perto do BTC e conheci pessoalmente o tal de Almir, que ganhou um "sobrenome". Era o Almir da Bia. Acho que eu estava com o Serginho Ribeiro e o Zé Vinagre. Depois que a gente passa dos 30, esquecemos uma porção de coisas. Ou damos um jeito de esquecer.
Tempos depois, Almir, que agora já era Ribeiro, me indicava livros, falava suas ideias, sua visão de mundo: trotskista. Eu, igual o Arthur Monteiro, tinha quase a mesma idade que Almir. Mas o camarada era bem mais experiente, com posições firmes, muito conteúdo. Parecia que tinha uns dez anos a mais.
Nada disso. Almir se enfiava em livros. Cara inteligente, dono de ótimas ironias. Um pensador. Mais que isso: um cara preocupado com um mundo melhor, defendendo sempre aquele que fosse o oprimido. Resumindo, o cara era foda. Perdia o amigo, mas não perdia o posicionamento político.
Com isso, Almir nunca perdeu um amigo. Até Roque Ferreira, que era tal qual Almir, tinha posições políticas contrárias. Porém, todos sempre com o mesmo ideal: combater o fascismo e defender o oprimido.
E agora estamos aqui, pasmos, tristes. Não haverá o bom dia aos amigos cultos e ocultos. Aquele "parabéns" no dia do aniversário, a partir de hoje, não acontecerá. E hoje é o meu aniversário. Almir foi embora hoje.
Me visitou em Santa Maria da Serra. Do nada. Estava passeando com o filho, Henrique, que vai ser um dos maiores juristas desse Brasil. Almir andava orgulhoso: Henrique tá nas Arcadas. Largo de São Francisco. Outro dia mesmo eu passei lá em frente e lembrei do Almir e do Henrique.
Mas não é dia de despedida. É dia de amigos cultos e ocultos. É dia de combinar que a luta não acaba aqui. Os ensinamentos, a amizade e as preocupações de Almir precisam ser uma de nossas bandeiras. Almir: presente!”, professor Reginaldo Tech.

- “Morreu meu amigo Almir Ribeiro. Mais uma vítima do Genocida. Transcrevo abaixo um poema que fiz na morte de outro amigo querido. Tudo o que se possa dizer nessa hora é muito difícil, porque nada substituirá a presença de nossos queridos. Fique o poema como uma homenagem. É sim por advogada sorte nossa passagem pelas Horas ao lado do Amigo que nos acolheu e deu-nos seus ouvidos. É pelo diapasão de Sua voz, que nenhum canário imita, que por momentos esquecemos a derradeira escala de nossa humana condição. É pelo constitutivo raciocínio Dele que nos tornamos sábios para entre nós e mais não importa, porque sentimos a rosa duradoura, as três estrelas retilíneas e os batimentos que vêm do vácuo primordial. É por agosto e os demais dias inacabados que devemos honrar o Amigo. Não deixarmos que a pequena Memória de nossa areia vida apague Suas pegadas quando juntos caminhamos, sem nenhum propósito além da mútua Afeição”, professor Geraldo Bérgamo

- “O Almir sempre me impressionou. Seja com seu humor, seu sarcasmo, sua inteligência ou sua sensibilidade. Sempre conversávamos muito durante os atos e manifestações.No primeiro ato Fora Bolsonaro de 2021 ele me viu com a camisa do PCB e perguntou:
- Ué? Como assim?
Ficamos conversando por uns 20 minutos sobre isso. Obrigado Almir Ribeiro, por tanto! Se pudesse defini-lo, utilizaria a célebre frase de Guevara: “Hay que endurecerse, pero sin perder la ternura jamás” Almir Ribeiro, PRESENTE”, Leandro Siqueira.

- “Hoje a noite nos deixa Almir Ribeiro, grande e imprescindível militante Trotskista. Um homem genial e coerente, considerado por muitos um dos maiores intelectuais de Bauru. Almir Foi meu primeiro professor Socialista, ele morava perto da escola, chegava de chinelo e cigarro no bolso da camisa, dominava seu conteúdo e acima de tudo era crítico a ele, uma postura segura de suas posições e extremamente embasado. Minhas primeiras aulas no estado foram entregues por ele, por coincidência ou não. Mas jornadas de julho em 2013 quando cercamos a câmara, ele me disse, que devíamos "meter o pé na porta e tacar fogo em tudo", ele falava sério, mas nós recuamos. Ao longo desses anos ele veio sempre nos chamando atenção, e se encontrando com nós em cada protesto, sem arredar o pé. Um ancião, de uma geração de militantes que formou gigantes como seu companheiro e também grande mestre Roque Ferreira. Almir sempre chamou minha atenção para meus erros de português aqui no face, até hoje eu resisto com eles...As vezes ia consultá-lo, assim que estávamos fundando a CAL, eu fui até ele, e ele me disse, e bateu na tecla, de que " a prática tem que estar alinhada com teoria e a teoria tem que estar lado a lado com a prática, só assim formaríamos militantes Revolucionários". No começo do ano passado quando a CAL já estava caminhando, ele me chamou para almoçar com sua família, e lá ele chamou mais vezes minha atenção para alguns aspectos, eu estava preocupado com alguns setores e ele me deu mais algumas orientações, que pretendo levar comigo para sempre. Almir estava acostumado ser um amigo briguento, ele brigava e debatia com todos amigos, ele lutou muito, e seguiu coerente até seus últimos momentos.Essa luz que esses anciões vãos nos deixando, estes que pavimentaram o caminho para nós, tem que ser honrada por nós que viemos depois. O que nos deixa a vida de um homem que lutou a vida inteira acreditando em um sonho? Um homem que lutou até seus últimos momentos com coerência por seus ideias? Quantos que estavam do lado dele e do Roque foram cedendo, abandonando suas convicções, desacreditando no mundo, perdendo o brilho por um sonho por um futuro melhor? Quantos mais vão lutar a vida inteira por um ideal, e dedicar ela por isso, e nos deixar sem ver a sociedade pelo qual lutaram a vida toda? Roque e Almir partem em meio a pandemia, em meio ao governo Bolsonaro, em meio a maior crise econômica e climática que já vimos, com seus sonhos tão distantes. Mas que todos que vivem até o final lutando por suas convicções socialistas e justas saibam, que eles nós fortalece. Muitos da minha geração vão viver até o final de suas vidas lutando, não sabemos se veremos a aurora do socialismo, mas sem sombra de dúvida no mínimo manteremos a esperança acesa, assim como estes grandes mestres manterão para nós. Eu não aceito nada menos do que revolução, e lutaremos arduamente por isso. Para você Almir, Gratidão, que nos que ficamos honremos e não se vendemos em memória a sua luta. Ao amigo culto e oculto”, Matheus Versatti.

- “QUE MERDA, QUE MERDA, QUE MERDA! - Almir Ribeiro, 62, amigo desde 1977, que veio de Olímpia para Bauru trabalhar e estudar, militante da Convergência Socialista e por algum tempo do PSTU, morreu nesta noite. Era duro, leal, corajoso e dono de vasta cultura e humor implacável. Tinha uma cardiopatia que mantinha controlada. Uma súbita arritmia o levou ao hospital, há alguns dias. Logo, foi diagnosticado com covid e entubado. Não resistiu. Vá em paz, camarada, vá em paz. Seguiremos na batalha com você na memória...”, professor Gilberto Maringoni.

- “Eu caminhei entre gigantes... Eu estive com seres de visão de tão longo alcance que enxergavam além da curva do rio. Eu estive com pessoas que conseguiam ler as entrelinhas e até mesmo entender o que não estava escrito. Em suas veias corriam a solidariedade em sua mais rubra cor. Eu conheci vários dos imprescindíveis do poema de Brecht. O prof. Almir Ribeiro era um deles... Um abraço cheio de saudades, vá em paz, companheiro...”, Silvio Durante.

ALGO FINAL DESTE HPA
– Queria também poder escrever algo sobre o Almir, mas não consegui. Ando um tanto triste, desanimado por estes dias e sua morte, com a mesma idade que a minha, acelerou esse processo. Juntei texto de conhecidos amigos, todos sentidos relatos e preenchem muito bem o sentimento e algo do que também penso e sinto neste momento.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2022

AMIGOS DO PEITO (193)


ESQUEÇAM DESTE HPA, PELO MENOS POR HOJE...
Mais uma enchente no Mafuá. Terceira neste verão, menos de trinta dias. Rescaldo e dia de trabalho. Escritos ficam postergados. Até...

POESIA ESCRITA COM ÁGUA PELAS CANELAS
O RODO É O SOCORRO - por Fabio Vieira DE Alencar*
* Fábio é mais que um poeta. Brasileiro, piauiense, morando em Bauru há um ano, tenta sobreviver por estas plagas e há uma semana está pelo Mafuá. Ontem, 22h10, ao voltar de um estágio numa empresa, onde tenta conseguir emprego, chega e vê tudo o que é seu dentro da água. Quase choramos juntos, não pelas roupas, mas pelos livros e seus escritos todos molhados, barrentos. Ele hoje me mostra o resultado do que lhe passou pela cabeça com a experiência da enchente, algo já rotina pelos lados do Mafuá:

Entre a lama e o lodo
o socorro é o rodo
o homem está errado
a natureza está certa
tomando pela força o que antes era dela
o poeta , sentado
fumando um cigarro
madrugada adentro
esperando a água abaixar
chorando e pensando
quanta aprovação
irá suportar
sem alento
o sonho é ter um lugar
sem temer
ou o pior esperar
enquanto isso
entre choro e riso
lama e lodo
sem livro
... o rodo é o socorro.
- Fábio Vieira -

DESFORRA DO PLANETA PARA COM A "CIVILIZAÇÃO"
"Desastres em Cascata - O sistema climático sob o qual foi criada a civilização está morto", um texto de David Wallace, sobre as mudanças climáticas no planeta, publicado na revista Piauí, bem propício para isso tudo que acontece nesse momento, a queda da rocha em Capitólio, o desmoronamento em Outro Preto, as enchentes na Bahia e no Espírito Santo, e mesmo as três no Mafua. Eis o link para leitura do texto: https://piaui.folha.uol.com.br/materia/desastres-em-cascata/?fbclid=IwAR0G26HBh5VSHeZfc9lZ41FGi2N-5XBd2ar6XtZ9Jn4-SYVCNwNL1164t8M

AINDA LIMPANDO O MAFUÁ, TOMO CONHECIMENTO DE OURO PRETO...
"EU QUERIA NÃO FALAR MAIS DE DESASTRES, Mas estes são didáticos e pedagógicos.
Alguem lá atrás sem muito conhecimento cortou a base de um lote e fez um casarão,,, até aqui nada acontecia.... o Vizinho fez o mesmo, e talvez nada aconteça, o outro achou seguro e também fez,,, veio a chuva maior, mais constante e encontrou uma parte do morro sem estruturas para tanta intervenção descuidada.... Veio o Desatre. A Melhor política Pública é o Conhecimento Aplicado em Prevenção", arquiteto José Xaides. Eis o link do vídeo do desmoronamento: https://www.facebook.com/josexaides.alves/posts/4643115935756457

EM DEFESA DA ESTAÇÃO - SÁBADO TEM EVENTO NA PRAÇA MACHADO DE MELLO, CONTRA DESEJO DA PREFEITA DE VENDER ESTAÇÃO DA NOB*
* Eu queria escrever algo a respeito, mas a cabeça está loucamente fora do prumo no dia de hoje, daí me deparo com este texto do professor Reginaldo Furtado e o compartilho, pois nele tudo o que queria dizer e sei, ele disse de forma primorosa:
"Bauru, de "boca do sertão" à "ponte para o futuro". Sonhos e desmandos!
Um dia desses a ferrovia chegou a Bauru trazendo o futuro.
Em torno dela construiu-se os sonhos e esperanças de um povo em busca de uma vida melhor. O corporativismo competitivo de outras empresas de transportes, como cupins, foram dilapidando o sonho ferroviário. E agora querem enterrar de vez o que restou desse sonho. Comprada pela prefeitura para encampar as secretarias da Educação e suas congêneres, ao invés de reformada, será rifada à iniciativa privada. Qual o direito que nossos governantes têm, passageiros que são no trem da história, de como ente público colocar as aspirações pessoais acima do dever de zelar pelo bem da população e pela preservação do patrimônio da cidade?
Quando a ganância e a falta de empatia conduzem as decisões de um governo, que como vermes corroem a democracia, percebemos que cometemos um erro de escolha. A estação ferroviária, um marco arquitetônico; patrimônio popular, é mais que um prédio: é uma referência histórica de pessoas que lutaram e morreram pelos sonhos de construirem uma vida aqui, nessa cidade que um dia foi chamada de "boca do sertão". Lembremo-nos que o plantio é opcional, mas a colheita é obrigatória!
Prof. Reginaldo Furtado (uma vez ferroviário, sempre ferroviário!)".

E ANTES DE DEITAR, A NOTÍCIA MUITO PIOR DO QUE QUALQUER ENCHENTE - MAIS UM AMIGO QUE SE VAI, PROFESSOR ALMIR RIBEIRO, 62 ANOS

quarta-feira, 12 de janeiro de 2022

REGISTROS LADO B (75)


É AGORA, O 75º LADO B, HOJE COM ADRIANA MAXIMINO DOS SANTOS, TRADUTORA BAURUENSE ATUANDO EM FRANKFURT, NA ALEMANHA E SUA MILITÂNCIA, O ATIVISMO DE TRADUÇÃO E ELEITA PARA CONSELHO CONSULTIVO DE IMIGRANTES
Um tema candente e uma conversa pra lá de interessante. As pessoas convidadas para darem aqui seu depoimento, neste LADO B – A IMPORTÂNCIA DOS DESIMPORTANTES seguem alguns requisitos básicos. O primordial é estar do lado da resistência, dos que lutam contra a opressão, ligação umbilical com quem não aceita esse avanço despropositado, cruel e insano do pensamento genocida, fundamentalista e de ódio, principalmente contra os que lutam e batem de frente contra os desmandos destes tempos. Chego com este Bater Papo no nº 75 e confesso, muitos do que aqui estão, surgem de inusitados encontros. No de hoje, a história de vida de ADRIANA MAXIMINO DOS SANTOS, bauruense da vila Independência, formada pela USC na primeira turma de Tradução, hoje moradora de Frankfurt, na Alemanha, com uma ONG toda envolvida com populações em situação de risco e uma das organizadoras do protesto, quando o então juiz lavajatista Sergio Moro passou por aquele país. Adriana estava lá e o peitou junto de outros brasileiros morando no exterior. Essa história por si só demonstra dos motivos dela aqui estar. Ela não é dessas que, sai do país e esquece de tudo mais às suas costas. Ela continua pensando e muito em prol deste Brasil que precisa superar suas diferenças e injustiças.

Sua história começa na vila Independência, passa por tantas dificuldades, depois com a conclusão do curso superior e de aulas particulares de inglês para sobreviver e pagar suas contas. Foi quando conheceu uma outra brasileira, que havia estado na Alemanha e trocam não só experiências, como aulas. Adriana dá aulas de inglês a ela e recebe em troca aulas de alemão. Vai até aquele país num intercâmbio, volta e depois da separação, com dois filhos à tiracolo, consegue ir morar definitivamente por lá. Primeiro com bolsa para concluir seu doutorado, depois com os empregos que foram se consolidando. Ela conseguiu vencer a premissa de amiga que lhe dizia em algo marcante, usando como meta para vencer e estar onde está: “Como você que não tem dinheiro nem para ir até Piratininga, vai conseguir ir pra Alemanha”. Pois ela não só conseguiu, como já se passaram mais de dez anos e deste período, tantas boas histórias, contadas aqui de forma muito simples, numa clara demonstração de que, querendo e não desistindo nunca, sempre é possível concretizar muitos dos nossos sonhos.

Mais do que tudo, do belo trabalho realizado pela sua ONG, ela acaba de conquistar algo inédito e inusitado, sendo hoje a primeira mulher latina a compor o Conselho Consultivo de imigrantes, uma espécie de Parlamento Paralelo na cidade de Frankfurt, com 53% de seus habitantes de origem estrangeira. Ela, bauruense saída das entranhas de um bairro periférico chegou lá e nos conta algo deste país onde escolheu viver, das relações deles com os imigrantes e de como, hoje, muitas entidades alemãs estão propensas a auxiliar na construção de políticas afirmativas no Brasil. Ela é também um dos muitos elos de ligação possibilitando que isso ocorra a contento. Adriana me foi apresentada anos atrás pela amiga em comum, Rosângela Barrenha, aqui já entrevistada e desde o primeiro momento, bateu forte empatia, pois ali diante de mim, uma vencedora. Alguém hoje dignificando o sentido de uma existência, o fato de ser brasileira e lutar por objetivos que não são individuais, mas coletivos. Com muito orgulho eu aqui apresento mais uma conversa pra lá de saborosa.

Em 03/10/2019 publiquei este texto sobre ela e aqui o reproduzo, para que a conheçam melhor antes da conversa de amanhã, TERÇA, 11/1, 19H, aqui pelo meu facebook:


"Bauruense da vila Independência, formou-se em Tradução pela USC, turma de 1986/1989, especializando-se nas versões inglês, alemão e português. Fez seu mestrado e doutorado logo a seguir na UFSC em Santa Catariana e parte numa universidade em Frankfurt, Alemanha. Morou nesse período também na vila Tecnológica, seus primórdios e sonhava em morar na Europa, mais precisamente na Alemanha e para tanto juntava dinheiro dando aulas de inglês e trabalhando como secretária. Conseguiu seu intento e entre 1991/1992 trabalhou como baby sister e foi quando aprendeu definitivamente a língua. Tem lembranças de várias rifas e bingos vendidos, pois sem dinheiro, seu pai garçom e mãe cozinheira, foi a forma encontrada para amealhar o necessário para realizar seu sonho. Divorciada, levou consigo os dois filhos, ambos hoje bastante integrados à cultura alemã. Hoje, consolidada no país, casada com um alemão, dá aulas de português e atua como tradutora juramentada. Fundou por lá a ABA, uma ONG que em tupi guarani significa "gente" e defende os Direitos Humanos no Brasil, especificamente em projetos voltados para a população indígena, negra, camponesa e LGBT. Quando pode volta ao Brasil, visita comunidades indígenas no Mato Grosso, se envolve em novos projetos e aqui em Bauru, fica junto dos pais e dos amigos mais próximos. Uma inesgotável fonte de boa conversa e fluidos, ideias para quem deseja um dia bater asas e assim como ela, o fazer com garra e coragem. Hoje, lá e vez ou outra por aqui, enfronhada em fazer o que gosta e na ONG, na defesa dos menos favorecidos, feliz da vida".

Eis o link do Bate Papo de aproximadamente 1h de duração: https://www.facebook.com/henrique.perazzideaquino/videos/352815566687890


AS MÁSCARAS VÃO CAIR - TOMATE 2022
As máscaras que estão caindo não são a destes três integrantes do bloco farsesco, burlesco e algumas vezes carnavalesco, o Bauru Sem Tomate é Mixto, Maurinho SAntos, Tatiana Calmon e o mafueno HPA, mas neste exato momento reunidos para alinhavar o que virá pela frente para desmascarar o HIPOCRISIA reinante nestas plagas. Se a pandemia nos impede de festar presencialmente, o faremos de forma virtual, mas de forma contundente. Em 2022 o bloco estará completando DEZ ANOS e vai cutucar a onça com a vara curta, essa nefasta cumplicidade que esmaga nossa gente. São tantas coisas e do encontro de hoje pela manhã, Maurinho saiu recarregado, cheio de ideias para produzir um samba da melhor qualidade, estocando os perversos que desdisseram até hoje dos interesses populares, pregadores do lucro fácil e se lixando para o povão, cada vez mais prejudicado com este desGoverno genocida e com a Sussu Zona Sul, cada vez mais virando as costas para a Bauru de fato. Se muitos fingem fazer, mas se mostram perversos e interesseiros, o Tomate virá com força total e não os perdoará. é só esperar para ver. Maurinho vai estraçalhar ao nosso lado em 2022 e depois parte para estadia italiana com toda pompa e reconhecimento.

INFELIZMENTE, EM MENOS DE UM MÊS, HOJE 21H, TERCEIRA ENCHENTE NO MAFUÁ

terça-feira, 11 de janeiro de 2022

COMENDO PELAS BEIRADAS (113)


"HENRIQUE, VOCÊ SABE QUE A PREFEITA ENVIOU PARA AS CRECHES MUNICIPAIS ESSES BONECOS?"
Recebo hoje no final da tarde uma mensagem aqui pelo messenger do facebook com essa pergunta. Ela vinha acompanhada da foto deste boneco, utilizado em escolas, para aulas sobre o corpo humano. A indignação de quem me enviava era pelo fato de, após conversar com funcionárias de outras creches, verificar que o mesmo foi enviado para todas as demais do município. Na nota fiscal junto do boneco, o valor de R$ 3 mil reais cada unidade, acompanhadas de jalecos e sacos de mercado, estes em grande quantidade.

Evidente que não soube responder. Ela me adiciona algo mais junto da informação: "Todos por aqui estão se perguntando pra que isso? Ninguém pediu nada disso, nem sabemos pra que usar isso. Afinal, as creches são bebês e crianças abaixo de 5 anos. Parece que ela mandou para todas as emeis. Está um falatório no grupo de WhatsApp das funcionárias de emeis. Ninguém está entendendo nada. Um boneco deste valor, jalecos e sacos não solicitados, tudo diante de tanta coisa que precisamos, pedimos e não conseguimos, daí chega isso tudo e sem nenhum explicação. Publique aí no seu facebook para ver se aparece alguma explicação no mínimo compreensível".

Faço exatamente isso neste momento e minimamente um entendimento de que, a prefeita e a secretaria de Educação estão fora dos eixos. Primeiro, a suspeita de uma compra assim tão exdrúxula, despropositada e num momento onde, pelo que se vê, a pasta da Educação está gastando sobras de caixa de forma totalmente desordenada. Repito para encerrar, a mesma pergunta feita a mim pela servidora ao receber o material, pasma e sem entender: "Pra que foi feita essa compra? Com que finalidade? Quem pediu? Quem autorizou?". Pra mim tem gato nessa tuba.

PAGANDO PARA TRABALHAR
Converso hoje com amigo recém admitido numa dessas tantas empresas de telemarketing existentes em Bauru, o paraíso das mesmas no país. Ele, procurando serviço desde novembro, estava desesperado e por fim, conseguiu algo e já está na fase de entrega de documentos, finalizando e tomando conhecimento de suas funções daqui por diante. Revela que, seu salário será bruto de algo em torno de R$ 1.100 reais, ou seja, pouco menos que salário mínimo vigente em São Paulo. Tudo bem, deve ser isso mesmo, com os descontos, o valor líquido pago será este.

Ele me diz que, está muito abaixo do que precisa, mas diante de não ter conseguido nada até então, não tem como recusar e irá trabalhar por este valor. Conta de sua preocupação, pois mora num bairro longe do centro, tendo que tomar dois ônibus para chegar ao serviço. Quatro no dia, totalizando algo em torno de R$ 20 dia. Terá que almoçar no local, com uma hora só de tempo livre e já tendo espiado os preços nas redondezas, chegou em alto por volta de R$ 15 dia. Somei os dois, R$ 20 x 6 dias na semana, total de R$ 120 x 4 semanas no mês, total de R$ 480. Fiz o mesmo com a refeição, R$ 15 x 6 total de R$ 90 na semana x 4 semanas mês, total de R$ 360. Somei as duas despesas, longe das vistas do amigo e o total é de R$ 840,00.

Não fiz as contas perto dele, mas desde que me disse do valor, matutei e a única conclusão possível é a de que esse pessoal que trabalha nessas empresas pagam para trabalhar. Se não tiverem nenhuma comissão, ajuda de custo, vale alimentação e transporte, a conta no final do mês não bate e não irá sobrar nadica de nada pra uma mera mijadinha fora do penico. Este meu amigo ainda nem começou, algo que deve acontecer na segunda quinzena deste mês, mas prevejo que o mesmo, se não continua desempregado, está vendendo sua força de trabalho por algo pelo qual não conseguirá sobreviver, muito menos pagar suas contas. Para conseguir chegar ao final do mês com algum, nem pensar em pegar Uber e se possível, levar marmita de casa, do contrário vai fechar no vermelho todo mês. E constato ser estes os maiores empregadores do setor privado na cidade. O capitalismo é uma maravilha. Não acham?

ENQUANTO ISSO, NOS POSTOS DE SAÚDE MUNICIPAIS
Algo muito triste se repetindo com frequência pelas Unidades de Saúde dos bairros de Bauru, locais sob domínio da Saúde Municipal e novamente, ontem, algo além da costumeira lotação: "MAIS UMA VEZ A UPA DO GEISEL, AOS VEREADORES QUE TIVERAM A OPORTUNIDADE DE IMPEDIR QUE ISSO ACONTECESSE INCLUSIVE UM VEREADOR QUE MORA NO GEISEL, A DESPREFEITA QUE DIANTE DO CAOS FOI VIAJAR E AINDA POR CIMA MENTIU DIZENDO QUE ISSO NÃO ACONTECEU. VOCÊS SÃO A VERGONHA DA POLÍTICA BAURUENSE", escreve como legenda para essa fotos circulando pelas redes sociais, Alcides Mendonca II.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2022

ALFINETADA (211)


AINDA A CONCESSÃO DA ARCO, ALGO DE QUANDO ELA FOI FIRMADA, ADMINISTRAÇÃO DE TUGA ANGERAMI E O FUTURO DO LOCAL
A concessão que a Prefeitura mantém com a Arco, que administra a Exposição Agropecuária em Bauru está com os dias contados. Isso mesmo, a Prefeitura após tentar resolver a questão, mediante pressão de vereadores e opinião pública, estabelece um valor mês de R$ 200 mil reais como mensalidade. Espantou e decretou o fim do acordo e contrato. De R$ 200 reais para R$ 200 mil reais, deixou de existir negociação. Em menos de uma semana a Arco deixará o local e a Prefeitura terá que assumir a batata quente.

Essa novela é antiga. Conto como começou. O tal contrato foi feito na última administração de Tuga Angerami prefeito e dentro de padrões, na época, mais do que aceitáveis e compreensíveis. Bauru vivia uma situação de insolvência, com a Prefeitura devendo as calças e sem nenhuma condição de manter aquela estutura toda. Com nome constando como devedora, não podia nem receber emendas parlamentares e quetais. Vida dura. Tuga pregou a linha dura para devolver a cidade à normalidade. Dentro daquela circunstância, fez um contrato onde a Arco administraria o local, realizando as exposições e eventos, tendo também a responsabilidade por zelar e manter tudo impecável. Assim foi feito e vigorou por alguns anos. A intenção daquele prefeito foi louvável, pois na impossibilidade de fazer nada naquele momento, repassou para a Arco.

O tempo foi passando e a situação da cidade já outra, mas o contrato foi sendo renovado administração após outra. A Arco vislumbrou outras coisas e tirou proveito de tudo. Nas demais renovações de contrato, aquilo que Tuga fez na circunstância que tinha no momento, já era outra. Os demais prefeitos foram convencidos pelas "forças vivas" bauruenses que, a renovação só traria benefícios para Bauru. N verdade, lucro para uns poucos, ou seja, muito lucro. O tempo passou e chegamos aos dias de hoje. Dizem que, o local do Recinto Mello Moraes foi doado para a Prefeitura Municipal para uso exclusivo de exposições agropecuárias e tendo outra utilização, quebra de contrato. Ou seja, o local não pode ser transformado, por exemplo, numa escola. Fugiria do aprazado incialmente.

Hoje, a situação é grave e não é, tudo depende muito de como buscam a solução. Se a Arco sair, a Prefeitura para não ver dilapidado tudo o lá existente, que contrate imediatamente empresa de segurança e mantenha, no mínimo, tudo no seu devido lugar. Gostaria muito de dar uma espiada neste momento em como a Facilpa de Lençóis Paulista administra em parceria com a Prefeitura daquela cidade o recinto de exposições deles, também público municipal. É um contrato vigente para o ano todo ou a concessão vigora para a empresa privada só nos dias do evento? A verificar. Agora, eu que não sou bidu nem nada, prevejo que a alcaide bauruense trama algo e quando a Arco sair do local, vai imediatamente abrir nova licitação, com valor aberto e na sequência fechará um contrato de uns R$ 20 ou R$ 30 mil com quem esteve à frente por lá até agora e em pouco tempo ninguém mais estará falando do assunto. Eles sempre se acertam entre eles e neste caso tudo questão de tempo. Essa minha opinião.

O QUE DIRIA O GERENTE DO CALÇADÃO, WALACE SAMPAIO SOBRE OS COMERCIÁRIOS E FUNCIONÁRIOS DE SUPERMERCADOS INFECTADOS?
Como já ouvi por estes dias, o gerentão do Calçadão anda meio sumido. Continua aparecendo para entrevistas rotineiras na rádio Velha Klan, mas como deixei de ouví-la, não tenho mais o desprazer de presenciar falácias ao vivo. Mas neste momento, quando as infecções pela variante nova da Covid se ampliam, ele não pode e não deve permanecer calado, quieto e contrito, pois o algo mais, como se sabe ocorre nas hostes do que sempre defendeu deva permanecer aberto, portas escancaradas. Neste avanço da pandemia, pelo que sentimos, o que os tais capos do comércio local querem é que tudo continue aberto e sem questionamentos, enfim, são os donos do pedaço e contam com o irrestrito apoio da alcaide municipal.

No exato momento em escolas são fechadas pelo simples e evidente motivo de funcionários estarem contaminados, qual seriA o percentual de comerciários e funcionários de supermercados contaminados? Circulei hoje num dos grandões da cidade e funcionário me diz da preocupação de todos os daquele local, pois os afastamentos estão elevados, mais até do que antes e tudo funciona como se nada estivesse ocorrendo. Pedem até para que se calem, ou seja, nada é dito e quando isso ocorre, a mensagem que querem nos passar é de que nada ocorre. Na cidade, depois da posse de Suéllen prefeita, podem escrever, fecha tudo, menos os mercados e muito menos as lojas administradas com mão de ferro pelo tal gerentão.

Até quando? Essa pergunta que não quer calar. Do mercado onde estive, só os funcionários estão em estado de alerta, mas a entidade de classe que os assiste, o sindicato, pelo visto, com ligação umbilical com a entidade patronal, permanecem calados e se fingindo de mortos. Estão esperando um algo mais acontecer para começar a tomar providências em relação aos afastamentos nesses locais. O jeito autoritário que vigora desde o começo de ano, deve continuar até que tragédias ocorram, iguais as que hoje são vistas nos Postos de Saúde, com gente deitada pelo hall de entrada, aguardando atendimento. Sr Walace, nos conte o que se passa nos bastidores das decisões sento tomadas neste momento, pois permanecer calado não é um bom negócio. Mais dia menos dia a coisa deve atingir proporções onde a batata quente vai queimar as mãos de alguém...

CENA UM
Por que será, na Zona Sul, como aqui nessa calçada altos da Comendador, ladeando o Condomínio Shangrilá, tudo é perfeito, desde asfalto, calçada, espaçamento das arvores? Bem diferente de outras regiões não tão nobres da aldeia bauruense.

CENA DOIS
Publiquei horas atrás cena da avenida Comendador, junto ao Shangrilá, com tudo impecével, desde calçada, plantio de árvores com espaçamento regulamentar e asfalto impecável, já nesta nova publicação outra realidade, menos de 500 metros abaixo, mesmo lado da rua, sentido descida para o centro cidade, mato na inexistente calçada, uma só árvore em toda quadra na beirada do meio fio e buraco no asfalto nem na frente. A explicação é que, ao fundo, moradia popular, com gente bem mais simples que do anterior local.

domingo, 9 de janeiro de 2022

DOCUMENTOS DO FUNDO DO BAÚ (165)


SEITA NEOLIBERAL E O CASO DO SEU SVIZZERO, DO EX-SUPERMERCADO SANTO ANTONIO - PREMONIÇÃO OU VISÃO ANTECIPADA DA CATÁSTROFE PELA FRENTE?
Primeiro eu posto um texto que li hoje por aqui, do amigo jornalista de Catanduva, Rodrigo Ferrari: "Liberalismo não é uma corrente de pensamento, mas sim uma seita suicida. Os caras que defendem essas asneiras não têm base nenhuma na realidade. Repetem receitas econômicas como se fossem dogmas. Ai de quem ousa contestar! A reação da grande mídia à proposta de se revogar a reforma trabalhista é um exemplo dessa postura. A reforma foi feita em 2017, sob a promessa de que o Brasil voltaria a crescer em níveis robustos e que o desemprego cairia. Nos cinco anos que se seguiram, a economia do país continuou estagnada. Estava parada antes da pandemia e piorou ainda mais depois. E o desemprego não caiu. Para piorar, a renda da população trabalhadora despencou, com profissionais sendo obrigados a se sujeitarem a vínculos precários e desprovidos de direitos. Significa que a reforma foi péssima? Depende de quem analisa. Para banqueiros, bilionários e especuladores, tem sido ótima. Mesmo com a economia afundando, essa turma enriquece cada vez mais. Isto porque a conta negativa da reforma trabalhista ficou exclusivamente os trabalhadores, para a classe média e para os pequenos e médios comerciantes e prestadores de serviço, que viram seu mercado consumidor desaparecer. Para que alguém ganhe, é sempre necessário que outro perca. No caso, a grande mídia quer nos convencer de que temos de penar na miséria em um país sem futuro, para que meia dúzia continue a acumular dinheiro de maneira insana. Conforme disse, liberalismo é uma seita suicida, mas que quer obrigar o outro a se suicidar. Precisamos dar um basta a essa seita e a todas as mentiras que ela espalha".

Tem gente que sacou isso bem lá atrás. Conto aqui para encerrar o dia a história do mandachuva da família Svizzero, donos até algumas décadas atrás da maior rede de supermercados da cidade de Bauru, o SANTO ANTONIO. Muito antes das redes Confiança e Tauste atuar na cidade, o Santo Antonio tinha várias unidades, espalhadas por pontos cruciais, bairros onde circulavam a maioria dos munícipes. Num certo momento, assim sem que poucos entendessem direito dos motivos, tudo foi passado adiante e a família tão conhecedora do metiê mercados, sossegou o facho e foi fazer outra coisa na vida.

Diziam que, o motivo principal era briga de herdeiros, algo por espaço e coisa e tal, mas me lembro bem de entrevista do Svizzero, dada para o Jornal da Cidade logo após a venda, onde explicou dos motivos da venda ter ocorrido naquelas circunstâncias, onde poucos entenderam de fato o que estava ocorrendo e em curso. Conto o que me lembro daquilo que li naquela ocasião. A empresa começava a apresentar problemas de caixa com a chegada das grandes redes de supermercados na cidade, as grandes nacionais e essas chegavam se impondo, com muito mais cacife que a empresa local, mesmo esta tendo várias unidades. Não dava para concorrer, impossível e muitos tentaram, porém o patriarca da família foi visionário. Explico a seguir.

Ele conta mais ou menos isso na entrevista. Coloco entre aspas, pois acredito ter sido mais ou menos assim o diálogo. "Eu vendendo hoje, saio com um bom dinheiro no bolso e se não o fizer agora, devo penar muito nos próximos anos, pois estarei em condições inferiores de concorrência com quem chega e devo estar falido em alguns anos, coisa de três anos ou mais. Melhor eu abandonar o ramo agora, do que enfretar algo pelo qual não terei condições der fazê-lo". Na época, chegava em Bauru, o Wal Mart, creio que o Pão de Açucar e muitos hiper, esses vendendo por atacado, uma novidade para a cidade. Da conversa, disse algo mais, finalizando com isso: "Os caras vão chegar por cima e eu não vou ter como aguentar. Vai ser desleal a concorrência, vou ser atropelado". Tudo bem, ele tinha uma boa visão do que estava em curso e percebeu as mudanças em curso, onde as redes locais teriam problemas ampliados. Aqui em Bauru, isso imaginado por ele não se concretizou por inteiro, pois as redes, Confiança de BAuru e Tauste de Marília conseguiram se safar e continuam sadias e firmes no mercado. São exceções, pois a maioria, não só dos supermercados, mas de muitos outros segmentos foram desistindo ou falindo ao longo do tempo. A história hoje se repete com o Expresso de Prata e tantos outros na mesma situação, engolidos pelos grandões, as robustas corporações, ao estilo do Grupo Constantino, com sede em Araçatuba.

Eu sempre fui adepto de mercados pequenos, locais, onde conhecemos o proprietário, o acompanhamos no seu dia a dia e isso ao longo do tempo. Bonito, louvável, salutar, isso tudo. Mas impossível também não constatar o quanto Bauru e demais cidades da região não foram invadidas por redes de grande porte, com ramificação nacional ou mesmo internacional, capital estrangeiro e de grande aporte. O CAPITALISMO, como afirmei em outro texto, aqui também denominado de "liberalismo", pode ter um nome não enunciando o que oculta por detrás, oculto nas sombras. Tem muita perversidade nas movimentações ocorridas, pois de algo todos hoje estão ficando mais do que cientes. O neoliberalismo não perdoa, esse massacra o oponente, para tomar conta do micho que lge interessa. Finalizo com uma pérola, que alguns empresários brasileiros sentem hoje na própria pele: não foi o PT quem os destruiu, pois no governo deste, não foi tocado na forma como lucravam, mas quem o faz é o neoliberalismo, predatório e insensível. Paulo Guedes, o queridinho da maioria dos empresários brasileiros chegou e desregulamentou tudo. Possibilitou a livre concorrência, acabando com monopólios que favoreciam grupos menores e ampliou as possibilidades para os grandões, os já com muito, mas sempre querendo mais. A culpa, como se constata não é do PT e sim, de Paulo Guedes e de tudo o que foi implantado ao país após 2016, com o golpe, aquele "com Supremo com tudo". Entenderam?

sábado, 8 de janeiro de 2022

COMENTÁRIO QUALQUER (222)


SENSAÇÃO DE IMPOTÊNCIA DIANTE DA BÁRBARIE*

* Meu 45º texto para o semanário DEBATE, de Santa Cruz do Rio Pardo, edição circulando pela aí a partir de hoje:
Viver num estado onde o medo predomina deve ser algo abominável. Não afirmo categoricamente já vivenciarmos algo parecido, mas estamos caminhando para isso. Se aqui em Bauru a coisa ainda é um tanto light, em outras paragens, nem tanto. Por aqui, mesmo com a grita e estardalhaço dos que pregam o retrocesso, prevalece ainda o Estado de Direito. Perceba algo bem nítido. Tem uma turba aí se lixando para leis, direitos, conquistas, lutas sociais, pobres empoderados ou algo parecido. Para esses, se fechar tudo, se vozes forem caladas, estariam constantes. É contra isso que lutamos, para que não avancem mais do que já conseguiram. Viver com medo é uma nhaca. Ter receio de fazer coisas, ser veladamente ameaçado e se fechar em copas, vendo tudo acontecer e cada dia mais assustado, seria o mesmo que morrer antes da hora.

Tão perigoso quanto um fascista discursando diariamente pelas ondas de uma rádio ou um pastor pregando contra a vacina, algo como o "fuher" fazia discursando para os alemães, é o cidadão de bem que acredita conciliar o amor dos seus com o ódio pelos outros. A sensação de impotência diante da barbárie, tem que, mesmo com todo risco ser combatida. É a tal da necessidade de resistir intelectualmente a ela. É esse o ponto que me interessa traçar nessas linhas. Estava na fila para tomar minha terceira dose da vacina e nela um senhor, talvez cinco anos mais velho. 
Discursava em voz alta, senhor de si, a favor de pegar pesado contra os que lutam por melhorias e igualdade social. Um pregador, conservador até a medula, doente. Ouvir é uma coisa, mas quando é acintoso é outra. Bati boca com o sujeito e por fim, ele me disse: “Fosse num regime decente, você não teria vez, nem voz. Liberdade demais precisa ser contida”. Percebi a inquietação, mas a maioria prefere se calar. Eu não. Deixei-o sem argumentos e quando mais o contestava, mais irado ficava. Foi uma boa contenda.

Eu temo que, este país, depois de todo o estrago proporcionado pelos anos do capiroto no poder, mesmo com sua derrota, ainda demoraremos para nos ver livre do bolsonarismo. Assim como existia um hitlerismo inconsciente no coração dos alemães, o bolsonarismo foi difundido, ganhou corpo, hoje representa percentual de 25% da população, mas pelo visto, persistirão. “Se pudermos nos libertar da escravidão, libertaremos os homens da tirania. Os Hitlers são gerados por escravos”, escreveu Virginia Woolf. Gente como Hitler e mesmo Bolsonaro são a expressão de valores hediondos disseminados pela vida social. Tão perigoso quanto esses é o cidadão comum, o que se diz de bem que acredita conciliar o amor pelos seus com o ódio pelos outros, o religioso que prega a fraternidade seletiva, o adolescente que normaliza a agressão aos diferentes, o delator proeminente.

Muitos nestes tempos, falam por aí como donos da verdade absoluta, pregam o separatismo, o ódio ao semelhante, principalmente ao que tem consciência de classe e lutam por um outro mundo, com menos injustiças e privilégios. Estamos diante de uma tarefa mais do que utópica, trata-se de expelir, o que nos aproxima do fascismo. Aquilo, que em nós, referenda o autoritarismo não por colaboração ativa, mas por obediência cega, servidão voluntária ou, de modo mais sutil, desmobilização. Precisamos parar de pensar que aquilo que pretendo fazer para mudar o mundo atual pra melhor é pouco, ineficaz ou mesmo, algo inconsequente, impossível de se realizar. Eu me vi diante de algo assim hoje. Ninguém veio me ajudar na refrega com o bruto. Depois que se foi, vieram me cumprimentar, mas no momento não. Todos se encolheram. Tivessem levantado a voz junto comigo, ele teria percebido mais rapidamente seu isolamento. Eu não me aquieto mais. Pago o preço, não consigo ser diferente. Não suporto fascistas e reaças. Ainda mais neste momento. Reagir é preciso.
Henrique Perazzi de Aquino, jornalista e historiador (www.mafuadohpa.blogspot.com).

MEDO É DO COMUNISMO, MAS É O CAPITALISMO QUEM DECRETA O FIM DAS EMPRESAS – O CASO EXPRESSO DE PRATA
O brasileiro é instigado a morrer de medo desse tal de comunismo, um que antes comia criancinhas e depois, mais aperfeiçoado, diziam que tomariam seu carro e sua única morada. Muitos se cagavam só de ouvir a palavra “comunista” e poucos destes sabem de fato o que venha a ser isso. Para os que sabem, só mesmo rindo da situação brasileira, onde se acredita em tudo, inclusive em história de carochinha. Hoje mesmo, li um textão muito bom do meu amigo Luís Paulo Césari Domingues, escritor e músico. Escrevia ele sobre o comunismo que não veio e hoje, mesmo com o medo persistindo, quem destrói as empresas capitalistas brasileiras, pelo que se se constata não é o comunismo. Antes fiquemos com o trecho final do texto do Luís:

“Já vai longe 1980, e o comunismo não veio. Mas vieram a MRV e as centenas de empresas análogas. Da mesma forma que na URSS, elas construíram milhares de apartamentos todos iguais, onde um monte de gente convive no mesmo ambiente. O capitalismo neoliberal nos deu os apartamentos da União Soviética que todos temiam. Também trouxe, manteve ou incentivou a miséria e a fome. Mas no caso dos apartamentos há muitos benefícios, pois uma das coisas que o comunismo levou aos habitantes da URSS foi criar lugares dignos para eles morarem. Assim como milhões de brasileiros compraram a primeira casa em um condomínio desses, milhões também deixaram de morar em comunidades sem qualquer tipo de urbanização para viver em residenciais abraçados por programas de governo que proporcionaram essa mudança, mesmo que insuficiente. Hoje, já existem até as versões mais sofisticadas dessas moradias ditas populares.

O medo do comunismo continua atemorizando o Brasil, mas pelo menos as pessoas perderam o temor de viver todas juntas. Talvez seja a hora de a gente ter medo do capitalismo neoliberal, de suas consequências, de seus efeitos, do butim que o sistema financeiro internacional praticou no mundo todo desde 1980, mas que graças a algum deus (que não é o nosso), já retrocedeu e foi derrotado na maior parte do mundo. Parece só sobreviver com força aqui”.

Agora, lido este texto, finalizo com algo de uma conversa que tive essa semana com amigo que trabalha para uns grandões capitalistas desta aldeia. Falávamos da situação de empresas que estão fechando nos últimos tempos e em todas o mesmo mantra, uma pregação de décadas contra o tal do comunismo e seus males. Fizeram, fazem e pelo que vejo, continuarão fazendo isso ad eternum, mas hoje, usando como exemplo vivo o que acontece com o Expresso de Prata, onde seu prócer, o ex-deputado federal e ex-prefeito manteve até a “Turma da Garagem”, grupo de direita a profetizar, propagar e espalhar com o vento cidade afora do perigo comunista e hoje, quando vemos sendo concretizado o triste fim da saga desta empresa bauruense, percebe-se nitidamente que quem a derrotou, quem a vergou, quem a fez ser vendida praticamente na bacia das almas, em situação, pelas quais seus proprietários não desejavam, não foi pelo advento do comunismo e sim, pelo CAPITALISMO. Foi a insanidade do perverso, cruel e predatório CAPITALISMO e toda sua engrenagem quem derrotou e pôs por terra tudo o que foi amealhado ao longo dos anos por esse espírito empresarial bauruense. O mesmo que acontece neste momento aqui, dentro das hostes bauruenses, ocorreu e continuará ocorrendo país afora. O CAPITALISMO é cruel com seus próprios profetizadores. Isso não é divagação, mas pura e simples constatação. Se quiserem fico aqui a explanar por muitas linhas de como isso se deu, como mesmo defendendo-o, ele apunhala quem o defende. Hoje, o mundo atual, cada vez mais das grandes coroporações, daí, empresas não tão grandes como a Prata, são derroytadas ao longo do percurso. O santo CAPITALISTA não é nada Santo. Ele apronta das suas e, pasmem, contra quem o defendeu até então. Pensemos sobre isso.