segunda-feira, 7 de março de 2022

DROPS - HISTÓRIAS REALMENTE ACONTECIDAS (201)


COMERCIANTES DO CENTRO DE BAURU ABANDONADOS PELA SUA ASSOCIAÇÃO COMERCIAL
Estava nessa manhã de segunda em muito boa companhia. Eu e Maria Cristina Zanin, minha advogada, causídica para me defender dos que estão pela aí, nos incentivando a ser como eles, negacionistas, fuindamentalistas e perversos. Quando inqueridos e pegos no desvio, se aborrecem e ainda nos processam. Num mundo realmente soberano, com as intituições todas funcionando, nem se faz necessário advogados para nos defender de causas deste genêro, pois diante do absurdo proposto, desancariam os na contramão, propositores do absurdo. Aqui precisamos de bons advogados. Eu tenho a Zanin e tantos outros, que me auxiliam a continuar nessa travessia, inconstante e instável.

Mas não é disso que quero falar. O motivo deste escrito é outro. Como é gostoso permanecer algum tempo ao lado de alguém como a Zanin. Ele não se conforma pela situação atual do mundo e da conversa, do tempo que tivemos livre para conversação, me falou do papel hoje cumprido pela Associação Comercial e Industrial de Bauru, exatamente quando passávamos pelo centro velho da cidade, entre a Rua Primeiro de Agosto e Avenida Rodrigues Alves".

Olhe para o centro, como está o nosso comércio central, hoje abandonado e entregue para três segmentos, o evangélico, o dos camêlos e dos chineses. Entendo todos, sei da luta de cada um, mas o centro foi entregue para eles. Agora mesmo, fecharam uma galeria na Agenor Meira, quase toda ocupada pelos evangélicos, pequeninos comércios. Estes começam algo, incentivado pela estrutura das igrejas, a primeira compra e depois tentam seguir, sempre contribuindo mensalmente para a instituição igreja. Os chineses e todos os demais neste universo, seguem um padrão deles e ocupam todos os espaços possíveis, assim como os camelôs, em número cada vez maior, num quase descontrole quantitativo. Nãoeiste nada para agrupá-los numa espécie de shopping, um centro comercial só para eles, como vejo em outras cidades. O centro é deles todos, de forma bastante desorganizada e a Associação Comercial, que deveria fazer algo pelos comerciantes, se esquiva e deixa o centro ao deus dará. A entidade de classe hoje só se preocupa com o segmento ligado à elite e seus interesses, tudo o mais é relegado e estes seguem sem direção, perdidos. Ando pelo centro da cidade e na verdade, queria poder acionar essa Associação Comercial na Justiça, pelo mal que faz para a cidade quando optou por estar ao lado dos mais abastados e deu as costas para todo o resto. Isso vai além da crueldade e da insensibilidade".

Comecei a refletir e olhar para tudo ao meu lado com outros olhos, os que ela me abriu mais um bocadinho, enxergando algo mais, ainda não observado na sua plenitude. A Zanin me fez abrir mais os olhos. Vou convidá-la mais e mais para passeios pela cidade. Adoro pessoas assim, olhos aguçados e atentos. Essa Associação Comercial, disso tenho certeza, abandonou faz tempo os comerciantes do centro velho de Bauru, pois hoje seus interesses são outros. Esse retrato da Bauru é para nos aprofundarmos no que estamos nos transformando.

COMERCIANTES DA RUA GUSTAVO MACIEL, PRAÇA PORTUGAL E O SAMBA DO TOMATE
O trio e o projeto

Diante de toda repercussão que vejo acontecer com o novo traçado das vias no entorno da praça Portugal, quando num sentido, é impossível descer pela rua Gustavo Maciel, obrigando o motorista a dar uma imensa volta, essa inviabilizando a passagem de pessoas por ali, num primeiro momento, a única conclusão possível é a de que o bloco farsesco, burlesco e algumas vezes carnavalesco, o Bauru Sem Tomate é MiXto tem a mais absoluta razão quando desceu lenha e na estrofe final do sambista Maurinho Ramos decretou com muita ironia: 

"Qué conferir? Qué passá mal? Dá rolezinho lá na praça Portugal". Foi batata, macuco no imbornal.

Não se faz necessário muitos argumentos para convencer que, ou o artífice da mudança toda é algum consagrado arquiteto, reconhecido valor, mas figura de fora do cenário bauruense, ou seja, um convidado que desconhecia a realidade da região e fez uma obra, vista assim de longe, como louvável, mas quando inquerida e colocada em prática, deixando mais do que a desejar ou é muito dem noção. No "rolezinho" que todos fizeram, fazem ou farão na praça Portugal e querendo descer pela rua Gustavo, uma só certeza, algo saiu errado - teria sido proposital? O bonito não saiu tão bonito assim e já está necessitando de reparos. De tudo, o Tomate e seus especialistas em futricas e malversações, não sorriem da situação, mas se sentem vingados do pouco caso dado a todos os que lá estiveram na praça criticando, não só o corte desmedido de árvores, como agora um projeto viário penço, manco e não atendendo os interesses da região. Aos comerciantes da Gustavo, creio eu, diante da insensibilidade de uma administração que se acha, não ouve e nem recebe quem vem para opinar ao contrário, o melhor é muita pressão. Essa a única linguagem que entendem. Já, lá na praça, para quem vai ter negócios ou residir no novíssimo emprendimento onde estava situado o colocado abaixo clube Luso Brasileiro, estes viram todas suas reivindicações atendidas. Para eles tudo maravilhosamente bem. Eu sou mais o refrão do Tomate, acertando mais uma na veia - não na véia, viu!: "Qué conferir? Qué passá mal? Dá rolezinho lá na praça Portugal".

VAI BRINCAR COM DARCY RODRIGUES...
Darcy é mais que um amigo, amigão. Ele tem muita história para contar. Quando desanda a falar, sai debaixo. Não pára mais. Tem muita coisa ainda guardada dentro de sua cachola, pronta para sair e ganhar o mundo. Dias atrás, ele descobriu o whatshapp e começou a me enviar recados. Deve ter sido coisa do Yuri, seu filho, quem o introduziu nesse negócio. Mandou vários recados para mim e besta que sou enviei a ele uma provocação:
"Seria para quando essa revolução que vai transformar este país? Tô cansado de esperar".

Sua resposta, do alto dos seus mais de 80 anos é divinal e calou fundo, dessas que só quem tem muita história dentro de si pode fazê-lo: "Em 1958 eu fundei junto com dez companheiros a Associação Treslagoense de Secundaristas, cumprindo tarefa da Juventude do PCB. Participei do Movimento dos Sargentos até 1967. Fundei a VPR com aproximadamente 200 sargentos, marujos, operários de Osasco, intelectuais do PSN. Fiz luta armada, fui preso torturado, condenado a Prisão Perpétua. Fui banido do País, trocado pelo embaixador da Alemanha. Lutei em1979 na Nicarágua onde ajudei a por fim numa Ditadura de quase 40 anos. Em Bauru ajudei a acabar com o grupo político da garagem/Franciscato/ditadura. Caminhei no fio da navalha durante aproximadamente 60 anos. E agora ouço Você falar que está cansado de esperar. Minha vida foi dedicada a uma causa. Nao vivi. Continuo sonhando com justiça social".

Adorei a resposta que o danado me deu, tanto que, mesmo sendo quase 22h30, deu uma vontade danada de largar tudo e ir lá dar uma baita abraço nele.

domingo, 6 de março de 2022

REGISTROS LADO B (81)


NO 81º LADO B, JESUS GARCIA E A EXPERIÊNCIA COMO SINDICALISTA DIANTE DO MUNDO ATUAL
Com o mundo de pernas para o ar, nada melhor do que trazer aqui para o bate papo semanal alguém estudando isso tudo e com ampla vivência de luta, sempre ao lado da causa dos trabalhadores. Neste 81º LADO B, A IMPORTÂNCIA DOS DESIMPORTANTES, convidei o sindicalista JESUS FRANCISCO GARCIA, um bauruense da gema, mas que muito cedo bateu asas e boa parte de sua vida profissional se deu em Campinas. É isso que ele vai nos contar, dessa saída muito jovem de Bauru, sua formação profissional toda em Campinas e de lá adentrando a vida sindical, sempre ligada ao segmento dos Eletricitários. Jesus possui ampla vivência dentro dos sindicatos e pode contar com sapiência como se dava as relações dos empresários na éoca com os sindicatos e dos motivos disso tudo ter se dissipado, pois hoje, com a tal da flexibilização das leis trabalhistas, fizeram questão de enfraquecer junto com a legislação existente de proteção ao trabalhador, também a com os sindicatos. Ele esteve dentro delas neste período todo, galgou postos dentro da representação dos trabalhadores e chegou a representar o seu segmento profissional na Federação dos Eletricitários, a mais elevada e graduada na defesa dos interesses destes. Enfim, muita história para contar.

Jesus é um estudioso deste Brasil que depois de alguma trajetória num governo petista, voltado para o atendimento das reivindicações do trabalhadores, se perdeu e enveredou por descaminhos que o levaram para algo inesperado, muito próximo do neonazismo, além de um fundamentalismo retrógrado, causando espanto no resto do mundo. Enfim, como pode uma nação que já estava sendo considerada a sexta potência mundial, regredir tanto e voltar a ser totalmente dependente e subserviente a interesses estrangeiros? Conversar com Jesus é também tratar disso tudo, pois ele não se acomodou, não ficou vendo a banda passar, nem se aquietou. É dos time dos inconformados, dos que não desistiram e ainda acreditam que algo pode ser feito. Mas como? Em que condições? Pois bem, com toda sua vivência, o que mais precisamos hoje é encontrar estes caminhos. Muitas vezes tortuosos, nada melhor do que ouvir algo vindo de alguém que conhece muito bem como seu deu e se dá a luta dos trabalhadores, como foi duro conquistar algo e eleger um sindicalista presidente da República.

Ouvi-lo sobre os bastidores de como se deram os embates intestinais e de como, o outro lado foi galgando, pouco a pouco, conquistas e encostou na parede a classe trabalhadora brasileira. Que forças são essas? Como agem? São tão fortes assim ou os trabalhadores é que estão enfraquecidos? E o que vem sendo feito para reverter este triste quadro. Evidente que Jesus não possui bola de crista, nem varinha de condão para nos passar a receita definitiva, mas conversar é preciso e destes que, enxergam longe é que virá o algo mais, o fio condutou para nos devolver o país de volta. Ao 67 anos, aposentado, depois de morar uma temporada no Vale do Igapó – também nos contará algo de como é viver ali -, optou por voltar a morar dentro da vida urbana bauruense e tem lá seus motivos. Enfim, uma conversa com tantos temas, tantas experiências de vida e uma só certeza, gente como ele é do time dos que não desistem. Fizeram tanto, atuaram de forma tão incisiva e por que o fariam justamente neste momento? Jesus segue atuando no seu segmento sindical, hoje com uma missão das mais nobres, que é a de passar para gerações mais novas, a sua experiência e formar novos quadros. Isso o move, além é claro, da inclemente luta pela eleição de Lula pelo seu terceiro mandato como Presidente da República e defenestrar de vez este capiroto que por quatro anos enfiou o país numa enrascada dessas de difícil retorno. A conversa promete e Jesus tem muito para nos contar. Venham conosco.

Em 30/07/2018 escrevi dele no facebook: “Jesus Francisco Garcia é eletricitário mesmo aposentado, pois a imensa categoria dos trabalhadores não gostam quando são chamados de ex, mesmo após a aposentadoria. O que fizeram ao longo da maior parte de suas vidas os acompanham ad eternum. Esse um desses, eletricitário e sindicalista na defesa dos de sua categoria e na de todos os demais, até com atuação da Federação desses trabalhadores. Hoje, não mais na ativa, continua mais atuante que nunca, várias frentes e atividades políticas, muitas delas junto aos movimentos sociais e até mesmo do local onde reside, o Vale do Igapó. Petista de velha cepa, defende o LULA LIVRE com unhas e dentes, igualmente na luta pela devolução do Brasil aos brasileiros e o fim imediato do regime golpista a nos assolar os costados”.


OUTRAS COISAS:
1.) MAMÃE FALEI E DISSE - QUE VERGONHA
"Mamãe Falei não é exceção. É mais um do rebotalho da antipolítica e do moralismo hipócrita aberto pela Lava Jato nas eleições de 2018, que inclui Bolsonaro, Zema, Witzel, Wilson Miranda, Ratinho Jr., Carla Zambelli, Janaína Paschoal, Fernando Cury, Daniel Silveira, Joice Hasselmann e um bando de militares, policiais e pastores picaretas, professor Gilberto Maringoni.

2.) EU JÁ VI IGUAL, MAS SEMPRE ASSUSTA…
"Hoje me auto flagelei assistindo o Fantástico da Rede Globo… Um extenso noticiário que só faltou falar das receitas da culinária russa para devorar criancinhas ucranianas.
Em casa tentavam me dissuadir a continuar a assistir o programa, mas insisti pois dizia: “é por aqui que a massa se (des)informa…”
No final todos estavam rindo das lorotas absurdas e da absoluta ausência de jornalismo que requer (ainda que precariamente) ouvir o outro lado.
Saí com a mesma convicção de minha terna juventude: a Rede Globo deve ser fechada, seus supostos jornalistas presos e o mesmo deve se aplicar à quase totalidade das redes privadas de informação.
Meu filho me perguntou se eu achava aquela cobertura pseudo-jornalística a pior que eu já havia testemunhado… quase disse sim, quando parei um minuto e me lembrei de uma enxurrada de manipulações dessa emissora:
Lembrei da criação do Collor, da “libertação do Iraque” que tinha armas de destruição em massa; da guerra na Iugoslávia que atacou tão somente a população civil;
Lembrei da “renúncia” de Hugo Chaves na Venezuela; da caça ao Osama Bin Laden que justificou a invasão de um país; da “libertação” da Líbia que custou a vida de Gadaffi; da sanguinária “Primavera Árabe”; do apoio ao golpe de 2016; do apoio dado à Bolsonaro; do apoio à Lava-Jato, da celebração da morte de Fidel, etc,etc, etc…
Não… aquele não era o pior programa, era só mais um programa “padrão globo”… a emissora que criou a Fakenews e a institucionalizou durante a ditadura e após ela…
Aquele era mais um programa de desinformação pura transmitida sob o formato de jornalismo. Eu já havia visto outros iguais ou até piores. Mas sempre assusta ver que, depois de 37 anos de suposta democracia, não caminhamos nem um milímetro na democratização dos meios de comunicação… ao contrário… regredimos…
…e é bem constrangedor ter que admitir que nesse longo período o único presidente que confrontou a Globo foi Bolsonaro… ainda que tenha feito na direção de se aliar com meios de comunicação ainda mais corrompidos e mais descaradamente anti-democráticos… Mas ele provou que a Globo pode ser atacada e sangrar sem que isso lhe custe o poder…", professor Carlos D'incao.

sábado, 5 de março de 2022

MÚSICA (209)


"EU NÃO PRECISO LER JORNAIS, MENTIR SOZINHO EU SOU CAPAZ"
Pois é, o Carnaval que nem bem começou este ano já se findou e quando tento retomar as condições em que me encontrava antes da festa, me deparo com este mundo triste, opaco, onde o conservadorismo, além de dar as caras, quer me fazer andar para trás. Velho marrento, resisto, insisto e persisto no caminho do politicamente incorreto. Daí me deparo com uma postagem aqui pelo facebook e nela uma antológia frase de RAUL SEIXAS, "Eu não preciso ler jornais, mentir sozinho eu sou capaz" e me lembro do que a mídia massiva faz com a cabeça das pessoas, principalmente em tempos de guerra, quando quer demonizar um dos lados e endeuzar outro. Até minha mana Helena veio me dizer de sua sensibilidade para com um dos lados da guerra, tudo depois de assistir o último Fantástico da Globo. Falei algo, mas não adianta, o argumento televisivo é muito poderoso. Raul sabia disso há dezenas de anos atrás e fui atrás do disquinho onde cantava a preciosidade, seu último sucesso, lançado dois anos antes de morrer. A música é o clássico COWBOY FORA DA LEI e está no LP "Uah-bap Lu-bap Lá-béin-bun". É o décimo terceiro álbum de estúdio do cantor e compositor brasileiro Raul Seixas, lançado em março de 1987 pela gravadora Copacabana e gravado entre 24 de fevereiro e 29 de dezembro de 1986 no estúdio independente São Paulo, em São Paulo, e nos estúdios da gravadora Copacabana, em São Bernardo do Campo. Este disco significou a volta ao mercado fonográfico do cantor baiano após quase 3 anos do lançamento de Metrô Linha 743, pela Som Livre. Enfim, "entrar pra história é com vocês"...

Eis o link: https://www.youtube.com/watch?v=trviI86P_Lo
"Mamãe, não quero ser prefeito/ Pode ser que eu seja eleito/ E alguém pode querer me assasinar/ Eu não preciso ler jornais/ Mentir sozinho eu sou capaz/ Não quero ir de encontro ao azar/ Papai, não quero provar nada/ Eu ja servi à pátria amada/ E todo mundo cobra a minha luz/ Oh coitado, foi tão cedo/ Deus me livre eu tenho medo/ Morrer dependurado numa cruz/ Eu não sou besta pra tirar onda de herói/ Sou vacinado, eu sou cowboy/ Cowboy fora da lei/ Durango Kidd só existe no gibi/ E quem quiser que fique aqui/ Entrar para história é com vocês/ Vamos entrar para história, pessoal/ Mamãe, não quero ser prefeito/ Pode ser que eu seja eleito/ E alguém pode querer me assasinar/ Eu não preciso ler jornais/ Mentir sozinho eu sou capaz/ Não quero ir de encontro ao azar/ Papai, não quero provar nada/ Eu ja servi à pátria amada/ E todo mundo cobra a minha luz, minha luz/ Oh coitado foi tão cedo/ Deus me livre eu tenho medo/ Morrer dependurado numa cruz/ Eu não sou besta pra tirar onda de herói/ Sou vacinado, eu sou cowboy/ Cowboy fora da lei/ Durango Kid só existe no gibi/ E quem quiser que fique aqui/ Entrar para história é com vocês/ Eu não sou besta pra tirar onda de herói/ Sou vacinado, eu sou cowboy/ Cowboy fora da lei/ Durango Kid só existe no gibi/ E quem quiser que fique aqui/ Entrar para história é como vocês/ Entrar pra história/ Sarabandam".

QUAL O PREÇO PAGO PELAS PUBLICAÇÕES FEITAS NO YOUTUBE E FACEBOOK?*

* Meu 53º texto, exclusivo para o semanário DEBATE, de Santa cruz do Rio Pardo, publicação na edição de hoje:

Eu e o professor da Unesp Bauru Geraldo Bergamo travamos boa discussão nessa semana sobre candente tema, a validade da utilização de espaços gratuitos na internet para publicação de textos e áudios, Facebook e Youtube, mesmo cientes de o fazermos somente quando enquadrados no permitido por quem é dono do espaço mundial. Acompanhe a conversa:

Geraldo Bergamo - Vejamos um caso recente de um irmão do youtube, o facebook, que proibia postagens favoráveis ao nazismo. Agora liberou elogios a nazistas ucranianos, desde que estejam em combate com os russos. Diria o Truman: são nazistas, mas são os nossos nazistas. Diria meu pai: criaram os "nazistas do bem".

Henrique - Professor, debater contigo é sempre salutar. Entendo isso tudo como a questão do sujeito que quer casar na igreja católica e quer que ela se adeque ao seu modo de pensar e agir. A Igreja Católica é uma instituição bem definida e entendo que, para querer casar lá, no mínimo tem que estar em concordância com sua linha de pensamento. O Youtube possui linha mundial e gratuita de postagens, daí para querer ali postar sem custos, no mínimo o gajo deve aceitar as condições impostas por estes. Discordo dessa linha, mas posto ali de graça. Como querer se portar contrário a essa linha?

Geraldo - Como já é bem conhecido, não existe almoço grátis. Publicar nesses monopólios das chamadas redes sociais não é grátis, nem mesmo financeiramente. No mínimo você está cedendo dados pessoais que têm valor monetário e serão vendidos por quem os recebeu "gratuitamente". Mas se paga mais que isso, se paga com reforçar o poder de monopólios que são imperialistas. Deve-se então pagar por todas as facetas do poder imperialista? Existiria então uma "censura aceita por obrigações contratuais"?
Henrique - Aceitamos tacitamente fazer parte deste jogo, onde por não possuir espaços de igual teor e poder de penetração, nos sujeitamos a ali estar. E assim sendo, jogamos o jogo com as armas do adversário.

Geraldo - Ou seja, concordamos com uma "censura do bem" aqui, concordamos com um elogio do "nazismo do bem" acolá, daí pegamos essas armas do adversário e apontamos pra onde mesmo?

Henrique - A arma está apontadíssima pra nós mesmos.

Geraldo - Bem, eu não tenho simpatia por suicidar-me.

Henrique - Eu também, mas confesso, até envergonhado, faço uso de publicações nestes espaços. Entendo isso, ciente de todos os riscos, uma utilização onde possamos divulgar algo, o contraditório, se utilizando de brechas. Seriam elas válidas ou o preço a ser pago é muito caro?

Geraldo - Em absoluto advogo não usar redes sociais e outros meios que têm o poder de nos explorar. Seria impossível. Como poderíamos deixar de vender nossa força de trabalho e sermos explorados pelo patrão? Não foi isso que argumentei, sair das redes sociais, não trabalhar, não fumar, não beber. Levantei um aspecto, a questão da censura, em que há um espaço para não servirmos de correia de transmissão, ao contrário, dá pra por um grão de areia na engrenagem.

Creio, a partir daí, já havíamos concluído a conversa, com bom entendimento entre as partes de onde realmente estamos metidos. Fazemos uso, contidos, censurados ou não, porém, gostoso poder tentar ser esse “grão de areia na engrenagem” de empresa mundial tão poderosa. E, para tapar a tampa do caixão deste texto informo que, o papo foi travado por um destes meios, o de minha página no facebook.
Henrique Perazzi de Aquino, jornalista e historiador (www.mafuadohpa.blogspot.com).

SERIAL KILLER
Leio que, com a Justiça em seus calcanhares, os Bolsonaro têm na reeleição do chefe a única esperança de impedir - ou ao menos retardar - o temido encontro com os tribunais. Ontem assisti gravação de entrevista do Kakay, o advogado Antônio Carlos de Almeida Castro para Carta Capital e lá disse: "Bolsonaro é um serial killer em matéria de crime de responsabilidade e só não sofreu impeachment porque entregou o governo ao PP. (...) A responsabilidade criminal certamente será levada a ferro e fogo tão logo termine o governo. A coisa é diferente em matéria criminal. (...) Tão logo terminado o governo - a que tudo indica ele não será reeleito - teremos um recrudescimento das investigações e contra o presidente, seus filhos e auxiliares mais próximos". Toc toc toc, que este dia chegue logo. Percebe-se que seus auxiliares, cientes do perigo buscam tentar se eleger pra algo nas próximas eleições, buscando imunidade parlamentar, como vejo neste momento o bauruense e ex-astronauta, ministro que nada fez pela pasta onde atua, além de puxar o saco do chefe, mas já afirmando estar na disputa para deputado federal. É a saída destes. O maior pesadelo do capiroto presidente é a rachadinha e ele, melhor que ninguém, sabe que pode passar uma boa temporada no sistema prisional, se perder as eleições. Tentar concentrar as culpas em subalternos não vai colar, pois a responsabilidade direta é da família, dinheiro dividido entre todos. Se tivessemos Justiça de fato, algo já deveria ter sido feito.

TRATAMENTO DESIGUAL
Não sei se alguém conseguiria me explicar a contento dos motivos de uma praça encravada na Zona Sul, como essa da foto, na avenida Octávio Pinheiro Brisola, rotatória junto à USC, ter seu buracão rapidamente reparado, após ter sido matéria da TV Tem apenas dois dias atrás e muitos outros, de até maior dimensão, estarem padecendo sem a atenção pública municipal, pelo simples fato de estarem localizados em regiões da Zona Norte, distante dos olhares dos tais "donos do poder", como os do Jardins Petrópolis, Jaraguá ou Tangarás? Seguem que linha de conduta nos procedimentos de atendimento às tais urgências?

CHAMADA APERITIVO PARA O 81º LADO B, COM O SINDICALISTA JESUS GARCIA, SUA EXPERIÊNCIA DE VIDA E HISTÓRIA DE MILITÂNCIA SINDICAL E POLÍTICA
Será domingo, 06/03, 11h aqui pelo facebook deste HPA
Eis o link da chamada de 7 minutos: 

"O CARNAVAL É A MAIOR CARICATURA, NA FOLIA O POVO ESQUECE A AMARGURA, VIRANDO A TRISTEZA DO AVESSO"

Gostar de Carnaval é uma coisa e acompanhar suas canções é pra quem vivencia a festa, a entende e mais que isso, propaga, está junto, é impulsionada por ela. Tenho de memória muitos sambas enredos históricos de tantas escolas de samba do Rio de Janeiro, alguns mais do que históricos, atravessaram o ano em que foram tocados e se tornaram clássicos. Relembro um destes, o TRAÇOS E TROÇAS, do Bala e Celso Trindade, Salgueiro 1983. Está em vários álbuns. Aqui cito um, o "Isso Sim é Carnaval - 2", da Top Tape.

Eis o link: https://www.youtube.com/watch?v=1NS97WoGlMA
"Eu sou o Rio e rio à toa,/ Só rio de quem me impede de sorrir,/ A minha pena não tem pena nem perdoa,/ Mexe com qualquer pessoa,/ Ela quer se divertir./ Será que a política não vai me censurar?/ Já sei, certos momentos não se pode criticar!/ Gozar, traçar, ferir,/ Fazendo de novo meu povo feliz,/ Riscando aquilo que ele não diz./ Bota banca na avenida,/ Edição especial,/ Olha aí o jornaleiro,/ A piada está com sal./ Caricatu-rindo,/ Virando a tristeza pelo avesso,/ A arte irradiou/ Com um raio de luz de humor/ A melindrosa, amigo da onça, almofadinha,/ Cantando em louvor ao artista,/ Caricaturista, revista e jornal./ O carnaval/ É a maior caricatura/ Na folia/ O povo esquece a amargura". 

sexta-feira, 4 de março de 2022

BAURU POR AÍ (200)


OBRAS NA PEDRO DE TOLEDO E ALGO DA MOVIMENTAÇÃO DA ALCAIDE EM BUSCA DE RECONHECIMENTO
Leio que a prefeita fake de Bauru, a fundamentalista blogueira Suéllen Rosim está na ofensiva, tentando de todas as formas melhorar seus índices de aprovação junto da população bauruense. Ela, pelo visto, assimilou o golpe de estar encalacrada numa CEI – Comissão Especial de Inquérito e podendo até mesmo, se algo mais existir e vier à tona, ter seu mandato cassado, daí tenta reverter apresentando resultados com obras. O que seriam estes resultados? Nada melhor do que aparecer pra galera com obras. Tem maquinário novo já chegando para ser visto atuando em obras espalhadas pela cidade. E essas pululam pela aí.

Eu mesmo notei algo desta tentativa na avenida Pedro de Toledo, uma das mais movimentadas da cidade, acesso do centro da cidade para a vila Falcão, ali junto aos trilhos urbanos. Aquela avenida estava em completo abandono, não só as calçadas do lado da ferrovia, esburacadas e praticamente inviáveis para quem nela caminhava na ida ou volta ao trabalho, mas também nas praças do outro lado da rua. Desde uns dez dias, algo ali ocorre e a transformação já é sentida. A calçada férrea está sendo toda refeita, de fora a fora, desde o viaduto que leva para a vila Falcão, até junto do prédio da Estação da NOB. Trabalhadores atuam por ali de forma incessante e ao perguntar para um deles, recebo a notícia que a obra é bancada pelo poder público municipal, mas eles são de empresa terceirizada, contratada para tal finalidade. Em pelo menos três pequenas praças do outro lado da rua, uma movimentação também ocorre. A tão necessária revitalização, pelo que se vê ocorre.

Desconheço o projeto, como foi idealizado, debatido em que instâncias e se foram ouvidos os moradores, comerciantes e interessados. Desconheço também se fez parte de algum plano anteriormente traçado, ou se a ideia é mais uma dentre as que a alcaide toma, por pura e necessária autodefesa. Se me perguntarem se gosto do que vejo, impossível dizer o contrário, pois quem conhece o estado de como se encontrava a Pedro de Toledo, existia um consenso de que algo deveria acontecer e em caráter de urgência urgentíssima. Está acontecendo. Creio que na sequência, quando a calçada estiver pronta e as praças com nova roupagem, também o asfalto mereça atenção. Trata-se de um cartão de visitas da cidade, mas depois disso tudo, algo também poderia ser pensado e executado do lado de lá da cerca na calçada, pois passar por ali e ver a Estação da Sorocabana, nossa primeira estação férrea, com o telhado já afundando, é para muito mais de entristecimento. Perdeu-se há mais de uma década atrás, empreendimento grandioso de restauro da estação e construção de apartamentos populares na região, ideia do investidor Cortellini junto com o Sindicato dos Ferroviários. Por preciosismo político não deixaram o empreendimento vingar e agora, aquele local continua cada dia mais abandonado e sem nada no horizonte que vislumbre uma ação concreta de sua recuperação.

Acompanho diariamente a transformação da Pedro de Toledo e por enquanto, aplaudo, mas como também acompanhei como foram feitas as aquisições de última hora para a Educação, no final do ano passado, o algo mais que perturba o sono da prefeita, fico sempre com um pé atrás antes do elogio. Contrato público precisa ser explicado nos detalhes, ser muito bem entendido, para só depois, o elogio. Torço pela Pedro de Toledo e por obras enxutas, sem gastos desnecessários, tudo muito bem explicadinho e com resolutividade compreensível. Não precisamos de nada além disso. Enfim, gato escaldado tem muito mêdo de água fria.

Resposta dada de bate pronto:
- "Aqui no Mary Dota ela disse que ia revitalizar o canteiro da avenida principal e depois de 2 meses só revitalizou meia quadra e a rotatória. E a escala de trabalho pra fazer esses dois pedaços foi 2 dias trabalhando e 15 dias parados", Andréa Sevilha.
- "Tudo através de duas emendas, a da Pedro Toledo do indefectível capitão Augusto e a da Rodrigues Alves, do Rodrigo Agostinho. Nada vindo dela, aliás, nada parte dela. Faz nada e a emenda foi assinada ainda na gestão Gazzetta.Esse funcionário da obra, não tem culpa, pois foi enganado, provavelmente alguém da administração local disse que o recurso veio oriundo da prefeitura.A alcaide só choca os ovos que os outros botaram", Orlando André Gasparini.
-"Vale a pena conhecer os motivos que impediram a parceria Publico e Privada para revitalização com moradias e Restauro da estação da Nob, por você mencionada,,, Preciosismo, conceitos ultrapassados de restauro de centralidades defendidas no Condephaat (?) E Falta de conhecimento dos instrumentos do Estatuto da Cidade para Gestão de "Cidades Econômicas", tambêm falta de critérios técnicos para o EIV", José Xaides Alves.

CASA DO PROFESSOR MARCÃO
Toda vez que passo ali nos altos do jardim Bela Vista, esquinas das ruas Alto Purus e Francisco Alves, do outro lado o estádio distrital Horácio Alves Cunha, me deparo com essa casa e me veem na mente lembranças inenarráveis da adolescência. Ali é a casa do professor Marcão, mestre de Física nas escolas públicas estaduais e casado com uma das irmãs do Paulo Marelo, meu muito amigo daqueles tempos de bola na rua Beiruth. O Marcão, pouco mais velho que todos da turma, comparecia sempre nos nossos jogos de final de semana e era o craque dentre todos, o que sabia melhor tocar na pelota. Não se fazia de rogado, sabia jogar bem e se exibia. Era durão, jogava duro, sabia se impor. Certa vez, lembro, tivemos até umas rusgas no campo de jogo. O tempo passou, nos distanciamos, mas sempre nos reencontros, algo de sua profissão de professor e das agruras todas. Marcão mora nessa esquina desde sempre, ele sua esposa e nem sei mais se junto da prole. Passo ali e fico a me lembrar dele, de como com seu corpo esguio, magro e retinto, deve ter se desiludido por não ter seguido carreira com a bola. Preferiu a com o giz, ou melhor, era o que tinha. Foi um brilhante professor e depois de tanto tempo sem revê-lo, lembro de sua risada, escrachada, feita junto aos meninos que com ele aprendiam a jogar a bola (eu nunca aprendi). O fato é que, passo ali e sempre tenho vontade de bater palmas, chamar pelo morador e puxar conversa, mas me retraio, sempre correndo, outros compromissos. Enfim, a casa continua ali, quase do mesmo jeito de antanho, praticamente sem alterações, mas e ele, como estará? Tenho esses sentimentos ao passar diante de vários lugares cidade afora, lembranças que guardo junto de mim, algo ocorrido exatamente naquele lugar. Será isso coisa de velho?

DEZ MINUTOS DE "TOMATE" NA CÂMARA MUNICIPAL DE BAURU
https://www.facebook.com/watch/?v=381422473456982&ref=sharing

Foi na sessão desta semana, quando a vereadora Estela Almagro - PT, fazendo uso dos seus dez minutos na Tribuna, o usou totalmente para descrever algo sobre os DEZ ANOS do bloco farsesco, burlesco e algumas vezes carnavalesco, o BAURU SEM TOMATE É MIXTO. A vereadora começa fazendo um histórico da origem do Carnaval, "subversão de papéis sociais", possibilitado pela festa. Depois, adentra uma homenagem aos tomateiros pela resistência, persistência e insistência, algo desse necessário uso da festa não só como algo alegre, mas também sendo utilizado como crítica social, como fazemos e assim, festamos e alertamos, cutucamos a onça com a vara curta. Com uma amostragem de todas as estampas e enredos destes anos, algo da picardia que sempre permeou as ações dos integrantes desse conglomerado carnavalesco. Ficamos muito honrados com a utilização de todo tempo de fala da vereadora para conosco. Enfim, como usado por nós como slogan: "A gente faz festa, mas tá puto da vida".
EIS O TEXTO DAVEREADORA ESTELA ALMAGRO:
UMA DÉCADA DOS ‘TOMATEIROS' EM BAURU: CARNAVAL TRAZ A CRÍTICA À REALIDADE SOCIAL COM O BLOCO BAURUENSE QUE CHEGA AOS 10 ANOS
Tratamos da festa do Carnaval destacando os 10 anos do bloco Bauru Sem Tomate é Mixto, durante a nossa fala na Tribuna no rol de oradores da sessão ordinária da quinta-feira, dia 3.
Contextualizamos a festa popular “Carnaval” desde seu início até seu desenvolvimento como a festa do Entrudo no Brasil e na sua atualidade como grande expressão popular brasileira. O Carnaval também é um instrumento político de crítica social.
É no contexto de crítica à realidade e como espaço para a reflexão que se insere o bloco Bauru Sem Tomate é Mixto, que neste Carnaval completou 10 anos trazendo sempre forte apelo social e político aos seus desfiles, retratando das mazelas cotidianas de Bauru e seus protagonistas, em especial os políticos. No enredo 2022 os tomateiros mostram a queda da máscara do governo municipal, que aparece como realmente é a cada dia.
As temáticas destacadas no desfile de rua do “Tomate” são sempre enredos surgidos no debate coletivo e criado ano a ano por uma figura diferente. A cada ano se produz uma camisa com ilustração sintetizando o tema. Em 2013, primeiro ano de desfile, o tema foi “Faltou Água, Sobrou Buraco”, com a estampa de Leandro Gonçález. No ano seguinte (2014), o assunto foi “Alegria sem Mixaria”, ilustrado por Fausto Bergocce.
Em 2015, o enredo tratou de “Negocião Bauruzão”, com charge de Junião. No ano seguinte, “Bagunçando o Coreto”, arte de Maringoni. Em 2017, “A Casa da Eny Ainda é Aqui”, ilustração do Fernandão. O seguinte (2018) nova irreverência dos “Tomateiros”: “ Na Cidade dos Bruzindangas - de Bordel a Quartel em Cada Esquina um Coronel”, estampando na camisa arte do Greifo.

Em 2019, “Belas Mentiras”, estampadas na arte visual produzida por Mariane Santinello. No ano seguinte, “Cannã das Capivaras”, do artista plástico Silvio Selva, falecido neste ano. Em 2021 o tema foi “Bauru, Terra do Nunca Fechado”, com arte de Juliana Guido. Neste ano, o tema “Tirando a Máscara”, remete ao atual governo e tem a ilustração de Esso Maciel. Assim o “Tomate” segue firme na crítica social e brincando o Carnaval.

PARA ONDE FOI O DINHEIRO DA CULTURA?
Ninguém sabe, ninguém viu, mas o jornalista Nelson Gonçalves, em sua página Contraponto, foi atrás e levanta a lebre, aquela que foge para o meio do mato e é de difícil localização. De todo o dinheiro supostamente reservado para utilização da Cultura municipal, parte dele não é utilizada e se o foi, ainda sem explicações em que lugar. Ou seja, na administração fundamentalista da atual prefeita Suéllen Rosim, a Cultura, como já se sabe, enfim, "Silêncio, a Cultura Dorme" (como pixado nas paredes do Centro Cultural nas Nações Unidas), é como se não existisse. Dentro do atual estágio de menospreso e destruição, aniquilamento, eis a faceta oculta e neste momento sendo exposta, como uma fratura, dessas cujo após o acidente, o osso fica exposto, sangrando e exigindo providências mais do que urgentes. Elas virão da atual administração? O que faz a secretária de Cultura diante dessa denúncia? Pelo que se vê, não dá mais para jogar nada debaixo do tapete e fingir que nada está acontecendo.

quinta-feira, 3 de março de 2022

INTERVENÇÃO DO SUPER-HERÓI BAURUENSE (152)


PRÊMIO DESATENÇÃO 2022 DO TOMATE E ALGO MAIS DOS ELEITOS - COM ESTES A FOLIA NÃO ACABA NUNCA
O bloco farsesco, burlesco e algumas vezes carnavalesco, o Bauru Sem Tomate é MiXto todo ano bota pra quebrar, presencialmente ou como nos dois últimos, de forma virtual, mas não deixando a peteca cair. Todo ano um dos algo a mais da descida do bloco no Calçadão da Batista é a escolha do Prêmio Desatenção, quando de forma democrática são eleitos os que, na opinião dos votantes pisaram no tomate com a cidade, com as questões cruciais deste momento, enfim, não corresponderam às expectativas. Para tecer umas palavrinhas sobre o enredo deste ano, a seguir transcrição da fala de Tatiana Calmon para edição do Jornal Cidade, com matéria sobre o bloco, 26/02/2022:

“Com tudo que vem ocorrendo, e sabendo da importância das medidas de segurança, o Tomate irá desfilar todas as máscaras em 2022. As máscaras que protegem e as máscaras que são usadas para esconder a realidade. As velhas e novas raposas da política, mascaradas de ovelhas. As máscaras que cegaram as autoridades, que fingiram não ver os transportes lotados, as igrejas bombando com shows de louvor à negação. As máscaras anticiência combatendo a vacina e defendendo a cloroquina. Os mascarados assaltantes dos cofres públicos que seguem impunes, protegidos pela máscara da injustiça. As máscaras de olhos, as máscaras de bocas... Mascarados por todos os lados. Muitos com o nariz de fora, outros com elas no queixo”.

Diante disso, Guardião, o super-herói bauruense, outro que acompanha de forma minuciosa como alguns dos tais defensores dessas plagas se comportam, analisa a convite deste blogueiro a votação ocorrida no Bar do Genaro, no Esquenta do Tomate, das mais confiáveis e auditáveis. O resultado final foi: primeiro lugar para a prefeita Suéllen Rosim, o segundo para o vereador Eduardo Borgo e o terceiro para o presidente da Emdurb Luiz Carlos Valle. Vejam sua fala: “Esse pessoal do Tomate não erra uma. Acertaram na mosca, três escolhas bem justificáveis e correspondendo a todas expectativas do momento. A prefeita, após esse ano de mandato, creio deveria ser hours concurs, pois metendo os pés pelas mãos, tanto fez para merecer o troféu, que já o leva assim na primeira empreitada sua no campo político. No final do ano, quando faz comprinhas de última hora, sem consultar ninguém, valores vultuosos e não entendidos por ninguém, deixa evidente o mérito e também aufere ter seu mandato já inscrito numa CEI, onde é investigada. Fez de tudo ao contrário da cartilha de um bom administrador, renegou a vacina, bailou com o véio da Havan e se comunica com Bauru através de um blog pessoal. Não existe muito mais o que falar, pois o que mais cresce na cidade é o descontentamento com o desacerto pela sua eleição”.

Já do segundo lugar, o vereador Eduardo Borgo, Guardião não mede palavras para dizer do acerto da escolha: “Ele gosta de dizer que não é, mas seus atos comprovam o contrário, enfim, um negacionista de mão mais que cheia. Gosta de dizer ser favorável à vacina, mas defende com unhas e dentes o tratamento precoce com medicamentos já comprovadamente considerados inúteis e incentiva as pessoas a ficarem com um pé atrás com as vacinas, sendo elas as que salvaram a humanidade de algo muito pior. Conseguiu com suas falas e ideias ter as sessões da Câmara de Vereadores e até programa da Jovem Pan suspensas, sanção imposta pelo Youtube. Isso só tem ocorrido para quem desdiz de forma contundente das vacinas e continua apregoando pela aí algo favorável aos defensores de inutilidades para o tratamento da covid. Por ser vereador, formador de opinião, pelas punições já recebidas, faz jus ao prêmio com muito louvor. Quando dos pronunciamentos, se enrola numa bandeira do Brasil, em algo grotesco e cujo simbologia só demonstra o lugar onde se encontra, a extrema-direita brasileira, com posições cada vez mais perigosas, de puro confronto com quem defende a legalidade. Um bolsonarista de mão cheia, aproveitando-se do momento para tentar galgar espaço e conquistar ser mais conhecido. Deve cair no ostracismo tão logo seu mentor também o caia. Agressor constante dos servidores públicos, em especial os professores. Pelo conjunto da obra, digo que, se o troféu lhe fosse entregue, estaria em boas mãos”.
Estes os agracidos em 2021.

O terceiro lugar quem descreve o homenageado é Tatiana Calmon, com a picardia que lhe é peculiar: “Luiz Carlos da Costa (Não) Valle, foi votado e agraciado em virtude de, mesmo após longos anos distante da vida pública, recebeu de presente por seu apoio ao segundo turno na prefeita, a presidência da Emdurb. De lá pra cá a situação da autarquia só piorou, estando a beira da falência. Nunca a coleta de lixo foi tão ruim na cidade. Além disso, declarou- se ungido por deus por não ter morrido de covid, e que essa foi a forma que o “senhor” escolheu para separar o joio do trigo. Aliás, o desrespeito com as vítimas da covid foi fato preponderante em sua votação. Foi bastante lembrado por ter feito piada com as cruzes representando as mil mortes em nossa cidade. Bolsonarista, negacionista e neopentecostal de opiniões retrógradas, mais do que conservadoras. Só pelo estrago ainda em curso na Emdurb a premiação é merecida”.

Guardião pede ajuda para o mafuento HPA e este informa algo dos bastidores do reconhecido e da rigorosa premiação, toda auditável: "Muitos todos os anos nos pedem para votar em nomes como Alexandre Pittolli, Reinaldo Cafeo ou Walace Sampaio, mas estes não merecem nem votação, pois são considerados pelos tomateiros como hours concurs. Concorrendo a premição perderia a graça, pois se tornaria repetitiva e enfadonha. Daí lhes outorgamos o Desatenção Vitalício".

PEQUENO DESABAFO NA RETOMADA DOS TRABALHOS
A gente percebe os sinais internos do corpo, quando depois de quase 62 anos de labuta ele começa a fraquejar avisando faltar pouco tempo de uso na máquina sob nossa administração. Tenta-se de tudo, inclusive recauchutagem, mas de pouca prática, pois as peças de reposição só permitem um curto prolongamento da estadia ou da vigência da peças originais. Diante disso tudo, quero mais é tirar o atraso e ser mais ácido do que fui até agora. Fui e sou um promessão, mas quando o calo aperta, a gente se toca. As dores só aumentam, estes os sinais mais do que evidentes: se não fizer já, não farei mais. Qual o seu legado? De que falarão de você? Só te lembrarão pelo fato da devassidão? Vale a pena tentar algo mais. Eu tento, sempre tentei, mas agora, quando adentro a prorrogação e a partida ainda não foi totalmente definida - ainda existe uma pequena chance -, eu tento uma reviravolta. Tudo bem, que ao meu modo e jeito e assim sendo, nem sempre o resultado é dos mais satisfatórios, mas escrevam aí e percebam, eu tenho tentado e continuarei a fazê-lo. Trinquei o espelho aqui de casa, pois só de olhar para ele nos últimos tempos, não resistiu e antes que o HPA se vá de uma vez por todas, deixa-me insistir numas coisinhas. Na lida e luta.

OBS.: As duas fotos são de autoria de Tatiana Calmon e não foram por mim autorizadas, muito menos permitidas, mas ela o fez mesmo assim e as publico, pois demontram o algo mais que tentei escrevinhando essas poucas linhas. "O tempo passa, o tempo voa...".

O CONFRONTO NA HISTORIOGRAFIA BRASILEIRA
Leio e sei de cor todos os confrontos épicos da historiografia brasileira, mas tenho que reconhecer, o jornalista Mino Carta tem razão quando afirma: "É da cultura brasileira evitar o confronto a todo custo". Isso daria assunto para discussão de horas por aqui e não é este o caso, pois estou envolvido da cabeça aos pés neste momento no FORA BOLSONARO, algo me movendo desde que acordo até quando fecho os olhos no final do dia. Pode até ser que o País mereça esse Seu jair, mas, de todo modo, é certo ser ele o auge de uma tragédia anunciada. O sonho carrega-se de uma tonalidade de filme de terror e alguém soletra que a prioridade é nos livrarmos dele. O faço, mas não resignado e também ciente de que, a luta se estenderá muito depois dele, pois as raízes do que deixamos vicejar perdurarão ainda por muito tempo. Mas sei também que, para tudo existe um começo e hoje ele se dá com o povo brasileiro puxando a descarga e enviando para os quintos dos infernos o capiroto e, se possível, todos os seus juntos. Não dá mais, o Brasil retroagiu demais da conta com ELE, o soberano do pesadelo, consequência inevitável do delírio geral. Eu adoraria não respeitar o calendário eleitoral e fazê-lo já, indo pras ruas e com toda pressão possível, exigir que suma já, mas as coisas são lentas neste País e assim, espero chegar vivo até as eleições e dar minha contribuição para o fim deste ciclo, ou melhor, o começo do fim deste ciclo. Sigo na luta.

A GUERRA

ALFINETADA (213)


RETOMADA DA CEI EDUCAÇÃO, SUÉLLEN E AS COMPRINHAS DE FINAL DE ANO - OPORTUNIDADE PERDIDA*
* Corresponde a publicação da quarta-feira de cinzas,02/03, quando a bandeira ainda continua arriada a meio pau - nem sei se levanta mais...

Creio não exista mais o que os leigos como eu possam ainda escrever diante de tudo o que já se falou e foi escrito sobre as tais comprinhas de final de ano da alcaide bauruense, limpando os cofres da Educação, numa operação de final de ano despertando desconfianças, tanto que, após muita controversia, uma CEI - Comissão Especial de Inquérito foi aberta e após o recesso do Carnaval voltará à carga. Até o presente momento somente a prefeita Suéllen Rosim foi ouvida e o fez como quis. Refugou de ir presencialmente depor na Câmara, bateu o pé e conseguiu que tudo ocorresse de forma virtual, ela lá, os vereadores do outro lado. Do esperado embate, que diziam sairia faísca, fogo puro, foram vistos meras fagulhas, que se não incentivadas vão se apagar rapidamente. Explico.

Dois vereadores seriam o carro chefe para encostar a alcaide na parede e dela tirar os motivos de ter feito as compras de edificações de forma tão rápida, atabalhoada e sem nada passar pelo crivo do Legislativo. São eles, Eduardo Borgo, em primeiro mandato e Chiara Ranieri, em terceiro mandato. Borgo se mostrou anteriormente ao encontro, que não perderia a oportunidade, esbravejou contra a depoente, mas na hora do vamos ver, deixou a desejar. Sabe aquele sujeito que faz alguns questionamentos até fortes, mas nenhum para arrebentar a boca do balão, pois é, assim agiu o Borgo. Jogou para a platéia, mas não convenceu. Esperava-se muito mais. Veremos daqui para frente com os próximos depoimentos. Já de Chiara Ranieri, até escrevi ter gostado de sua atuação, pois ao invés de fazer perguntas, preferiu fazer um longo discurso, forte e contundente, elogiado por mim num primeiro momento, mas depois, pensando melhor, revi o elogio e critico a sua postura. Ela, Chiara, perdeu rara oportunidade de questionar a prefeita até não mais poder e se assim o fizesse, poderia vê-la diante de tantas perguntas, cair em alguma contradição. Isso não ocorreu, pois acabou por fazer um belo discurso e a alcaide saiu pela tangente, respondendo de uma só vez a tudo, dizendo ter consultado os quadros técnicos dentro da Prefeitura para tomar a decisão pelas comprinhas, ou seja, jogou a bomba no colo dos outros e escapou praticamente ilesa.

Sim, Chiara foi dura, quando disse que, pelo que já tem em mãos, poderia instaurar não uma CEI, mas uma Processante, só que não mostrou o que já sabe e tudo ficou no ar (e ficaremos sabendo um diao que já tem em mãos?). Foi um confronto interessante, com uma resposta dura da alcaide, numa quase troca de "gentilezas" (sic), porém, algo rápido e sem prosseguimento, ou seja, tudo num só round e com a platéia sem a certeza de prosseguimento na contenda. Se hoje revejo o procedimento da Chiara é exatamente por não ter feito uma pergunta atrás de outra, dessas que a pessoa sua por todos os poros. Isso não ocorreu e, infelizmente, não se sabe existirá oportunidade de acontecer num outro momento da CEI. Daí, minhas conclusões, o resultado do que pode vir a ser apurado, analisando este primeiro dia de depoimento foi que, pegaram leve com a alcaide. Se algo mais além disso vai de fato ocorrer, só mesmo aguardando a retomada dos trabalhos e vendo a postura destes dois vereadores, pois os outros dois compondo a bancada são aliados da alcaide e da atual administração e deles nada sairá. Fez falta a presença da vereadora petista, pois poderia apimentar os encontros, mas a puseram pra escanteio e assim, até agora, a alcaide está se safando sem escoriações.

NEONAZISMO DE LÁ E DE CÁ
A política econômica ultraliberal e entreguista que foi imposta ao Brasil pelo conluio do golpe é desastrosa. Os militares oportunistas, os tubarões donos do grande capital e os vigaristas do "Centrão" fraudaram a democracia, tomaram o poder e tranformaram o País em um enorme balcão de mamatas e negociatas. Isso não pode continuar. Neste momento, tenho a mais absoluta certeza, Lula é o único candidato capaz de ganhar a eleição contra o genocida indomável. Algumas outras tentativas são legítimas, mas Lula é a pessoa que conhece o Brasil e seu povo, assim como suas necessidades. Só este neste momento em condições de vencer a extrema-direita elitista que hoje domina o País, algo como querendo transformar o Brasil numa Ucrania, onde o neonazismo já é a mola mestra, conduz tudo, mata opositores, tonando aquele país algo repulsivo. Não existe outro caminho, ou o Brasil se salva e elege Lula ou seguirá pelo descaminho que o levará para ter grupos tão violentos, como os que até então dominam a Ucrania e outros países. O Brasil precisa trilhar outros caminhos.

LEVE SEMPRE ISSO NA MAIS ALTA CONSIDERAÇÃO

terça-feira, 1 de março de 2022

AMIGOS DO PEITO (195)


SEU QUIRINO, O LUÍS DOMINGUES, BAR DO GENARO E AS HISTÓRIAS QUE ASSOMBRAM NOSSAS VIDAS
“Este é o maior contador de histórias do universo. Teria ganhado uns dez Jabuti e um Nobel se transformasse o que fala em livros. Ele já está em meu livro Boca do Sertão, mas cada dia aprendo mais com ele. Seu Quirino Rules. Eu tenho material gravado para fazer a história da vida dele inteira, que eu conheço de cabo a rabo. E é uma história sensacional”, vi essa postagem hoje pela manhã, feita pelo historiador e músico, o Luís Paulo Césari Domingues. Gosto muito toda vez que o reencontro, pois o danado além de escrever bem é bom de prosa. Encostar o cotovelo junto dele num balcão de bar, como hoje, terça-feira gorda, lá no Bar do Genaro, vendo gente ao lado saltitando com os estertores do carnaval – o que não foi – é para endoidecer gente sã. Tenho certeza que ele, analisou Bauru friamente hoje quando para lá se deslocou, pois não precisou matutar muito para chegar na conclusão de que, o melhor lugar para um conversê desses saborosos, reencontrando gente cheia de boa prosa, só mesmo lá na vila Falcão, no Genaro. Eu tinha um compromisso lá, pois o pessoal do bloco do Tomate lá estaria, mas logo ao chegar tive a mais nítida impressão de que, em nenhum outro lugar de Bauru na tarde de hoje seria possível reunir tanta gente da mesma laia, vibração e coragem. Tudo o que ocorre no entorno do bloco do Tomate é pra lá de estimulante e para mim, também revitalizante. Eu ando muito necessitado de conversas como a do Luís. Ele chega, senta aparatado de todos, pede sua cervejinha, senta num daqueles bancos altos e é como se jogasse sua rede e estivesse ali para pescar.

Fui fisgado e ao vê-lo assuntei, me aproximei, puxei conversa sobre a foto e a história que havia publicado hoje e que, ao ler, me veio imediatamente tudo o que também escrevo. Não consigo ainda ter a mesma eficiência do Luís, que me contou ter feito já umas quinze gravações com o seu Quirino, baiano, nascido em 1934 e hoje morador de Brasília Paulista, o distrito de Piratininga, que desde que conheceu, cheirou e gostou, passou a frequentar e hoje só chama de República Autônoma de Brasília Paulista. O cara se empolga de falar daquele lugar. Não mora lá, mas criou uma espécie de dependência e quando tem algum tempo livre, pega seu carro e vai pra lá cedo, percorre o trecho todo e no final da tarde volta pros seus domínios, um cantinho junto da casa da mãe num prédio na Praça Portugal. Esse Brasília deve ser o descarrego do Luís, o lugar onde ele se recarrega. Na verdade, ele se transformou num contador de histórias. Conseguiu publicar alguns livros e neste momento anda com um na algibeira, dentro da bolsa a tiracolo e tenta com tudo o que percebe existir alguma possibilidade de que, possa conseguir o valor para pôr pra rodar sua mais nova cria. Ele já havia me mostrado o único exemplar que fez e hoje, revendo a cara linda que o livro vai ter, percebo que está já amarfanhado, de tanto rodar de mão em mão. O danado não desiste fácil e sei, mais dia menos dia, vai conseguir imprimir esse livro.

Ele me conta histórias do seu Quirino, uma pessoa das mais simples, mas com tanta coisa para contar, principalmente as de assombração, que me diz, as melhores, pois conta em detalhes. Eu faria o mesmo, gravaria tudo. Já tem material para produzir um livro com a história deste rico personagem das entranhas deste país. Começamos a falar de histórias reunidas e conto a ele que um dia cheguei perto de escrever um livro contando parte da história do seu Cláudio Amantini, tendo até viajado com ele. Lembrei, Luís me contava de uma praia argentina, dessas imensas e frias, onde não se encontra viva alma. Lembrei das três vezes que fui com seu Cláudio para Ilha Comprida, litoral paulista, duas em período muito frio, quase ninguém na beira d’água, igual ao relato que ouvi do Luís contando parte de uma história de um dos seus livros. Desandamos a falar de seu Cláudio e ele de seu Quirino. Ele e eu somos juntadores de contos, causos, estórias e muitas histórias. Na maioria das vezes isso tudo se encontra bem guardadinho num reservatório do nosso cérebro e quando estimulado, bota a carinha rpa fora e quer conhecer o mundo. As histórias que gente como eu e ele guardamos dentro da gente só ganham o mundo quando as colocamos pra fora, daí muito mais gente toma conhecimento, do contrário vão morrer com a gente, o que é um grande desperdício. Eu tenho tantas delas aqui dentro de mim, mas ando escrevendo pouco delas e muito de outras coisas, daí percebo que, mesmo adorando escrever de pessoas, tem momentos onde desviamos da rota e ficamos rodando como pião e por fim, tudo pode vir a se perder. Sai de lá com vontade de escrever, mas chego em casa e me deparo com tarefas do lar, além de outras obrigações a me desviar do que mais gostaria de fazer hoje. O Luís também creio eu, não vai escrever nada hoje, pois quando sai do Genaro estava recebendo uma amiga e o vi pedindo mais uma gelada. Eu carnavalizei um pouco ali no bar hoje, mas não estava com a corda toda e até o Genaro percebeu: “Que foi, está estragado?” Eu tenho certeza, ando estragado e por causa disso, vou aceitar o convite feito pelo amigo de balcão para dar com os costados lá em Brasília Paulista, conhecer o pequeno povoado e esquecer de tudo o mais. Acho que é por causa disto que o vejo tão altivo, resoluto e vibrante. Ele deve trazer bons fluídos lá do mato. Qualquer dia vou atrás dele, dormir numa barraca, como me disse faz quando decide pernoitar por lá. Faz muito tempo que não me deito no mato e fico olhando as estrelas, sem hora para desviar os olhos daquela imensidão.

SOU FISGADO PELAS HISTÓRIAS DE AMIGOS E AMIGAS - MAIS DELES NA TERÇA GORDA DO CARNAVAL, BAR DO GENARO
Quando parei para escrever do amigo Luís Paulo Cesari Domingues, queria ter feito não só para com ele, mas para todos os que reencontrei e até para um casal conhecido ontem. Estava precisando dialogar, conversar e além do samba e das marchinhas rolando no som trazido pela Tatiana Calmon e por ela administrado, com playlist sob seu controle, tínhamos as pessoas ali e as conversas delas geradas. Não sei se estava mais debilitado ou mais recetivo, sei lá, o que sei é que cada um ali defrontado me gerou tema para escrevinhações, dessas que gostaria de deixar registrado e não deixar se perderem no oco do mundo. Escrevi a do Luís de um só gole, pluft plaft zum, cospi e ela se formatou. Tinha muito mais para contar, deixei muita coisa de fora, pois tinha mais coisa para fazer, assim como queria ter escrito de todos estes que cito agora. É tão chato quando no meio de tanta gente querida, falamos de um, parecendo ter um privilegiado, quando na verdade, foi o primeiro começado. Escreveria o mesmo de todos os demais e tentio agora, com essa complementação, justificar e dar cabo no que tinha em mente ontem. Eu já cheguei ali atrasado, pois a Tati havia me dito que tudo começaria por volta das 13h. Só consegui chegar quase 14h30 e ali permaneci até por volta da 17h. Eu sou o transportador das camisetas do bloco do Tomate, seu agenciador e comerciante. A Tatiana me posta pelo whatts o que realmente parecida na tarde desta terça: "Montou uma biqueira pra vender camiseta". Era exatamente o que parecia.

Mas quero escrever dos tantos amigos lá reencontrados, de todos os que poderiam ter gerado um textão como o fiz para com o Luís. Quase todos. Chego de cara e dou de bate pronto com o Adham Marim, que achava estava na Argentina estudando, mas está de férias por aqui. A Maria Aparecida Lopes, sempre lebrando de seu pai, falecido um ano atrás e da força com que estava ali reunida, juntando seus cacos e se juntando a todos, tudo pela felicidade de estar ruando com gente querida. O Carnaval é só um pretexto. Tudo é um grande pretexto pra continuarmos nos vendo e conversando. O que falar mais dos encontros com o jornalista Aurélio Alonso, mas neste dia relembramos tanta coisa de Santa cruz, minhas andanças mais de uma década atrás e dos lugares e pessoas que vamos deixando para trás. Conversar com o Aurélio é sempre fonte de enorme alegria. Nossos papos geram escritos e lembranças, produção para mais de um livro. A Tatiana Calmon é outra, como a vejo hoje mais forte que nunca, sempre enfrentando os dragões todos, com a mesma altivez e sempre soberana. Gosto demais dessa guerreira, mais do que ela pensa que gosto. Ontem o advogado Braulio sentou ao meu lado num certo momento e proseamos algo, uma conversa que poderia ter se estendido. A Cidinha da Falcão estava, como sempre, radiante e vibrante. Ela, quando conseguiu se soltar de amarras que a prendiam à tristeza, se tarnsformou nessa fonte de resistência, alegria e dessas pessoas que a gente abraça e não quer mais soltar. Falei também com a Priscila Lellis, filha da inesquecível Ana Lellis. o pretexto é sempre começar lembrando sua mãe e suas histórias, depois toda vez que olho para ela, vejo algo como uma lutadora na acepção da palavra. Ela é muito bela, por dentro e por fora, altiva e batalhadora. O Reginaldo Furtado, professor e agora também livreiro. Dançou no meio do asfalto na rua e está numa fase onde o vejo dando um salto. A Cida Conca que voltrou de São Tomé das Letras e voltou a morar na Falcão, perto do bar e vestiu a camiseta de bate pronto, outra cheia de histórias na caraminhola. A Estela Almagro, que num certo momento me puxa para o lado só para contar algo de alguém em específico e me deixar pensativo sobre a pessoa o resto do dia. O Fabrício Genaro, dono do bar, fonte de tanta conversação ali já vivida. O estabelecimento criado por ele daria, pela junção de gente e pessoas interessantes que por ali circulam, mais que um livro, talvez um Tratado de Relacionamento Humano. E a Fátima Brasília, por dois dias seguidos ali, pessoa muito querida, dessas que adoro desabafar e ouvir. Ela é para mim uma espécie de abalizada conselheira. Não posso me esquecer da Lomba, a querida Mila, quase moradora do bar e fonte de histórias de antanho, dessas que preciso parar pra conversar mais. E para fechar o escrito, lembro de dona Dulce Lagreca, com quem estive na noite anterior e deveria estar escrevendo um textão destes com começo, meio e sem fim. Todos estes, mais os que chegaram depois, os que mal deu tempo de falar, todos estes fazem parte de minha vida e quero sempre destacar, deixá-los na mais alta evidência. Não quero escrever nem mais nem menos de nenhum destes. Quero o mesmo, com a mesma intensidade para com todos e todas. Gente que gosto e me faz tocar a vida mais amena, suave e alegre. Ah, se tivesse tempo de escrever de todos...
PS: Estou definhando e preciso de todos vocês, questão de sobrevivência.