sábado, 7 de outubro de 2023

OS QUE FAZEM FALTA e OS QUE SOBRARAM (179)


REVIVENDO O CINE CLUBE E A BOA E NECESSÁRIA DISCUSSÃO HISTÓRICA E POLÍTICA
No começo da noite, me junto a aproximadamente 50 pessoas no Armazém do Campo, a loja local do MST, onde acontece mais um "Cinema na Terra", coordenado pelo advogado e amigo Arthur Monteiro Junior. Nesta noite um filme sendo exibido por lá, o "Que bom te ver viva", da cineasta e ativista social Lucia Murat, com muitas mulheres, todas participantes da luta armada no período da ditadura militar e a narração e condução da trama pela atriz Irene Ravache.

Foi uma noite, para mim mais do que especial, utilizada para reviver algo de grande monta, ocorrência trivial de décadas atrás em Bauru, o advento do "Cine Clube". Enquanto o filme passava no telão no centro da loja, outro era revivido em minha cabeça, juntamente com os depoimentos sendo ali passados, algo pelo qual estava sentindo muito falta, isso de assistir um filme junto de gente querida e logo após, um debate. Décadas atrás, mais precisamente no antigo Cine Capri, na rua Primeiro de Agosto, em sessões, em sua maioria ocorrendo a meia noite, filmes ditos como cults, com ótima frequência e depois, acalorados debates.

O filme da Murat é de 1989 e foi todo construído e realizado com depoimentos de mulheres, em sua totalidade tendo sido torturadas pelos algozes de 1964, quando os militares brasileiros estavam no comando da nação. Nos relatos, algo do vivenciado de forma pessoal e das causas e efeitos quando soltas, perdurando, muitas vezes para um vida toda. Com o término do filme, Arthur Monteiro Junior, o idealizador do projeto, faz um breve apanhado da situação na época, contestualizando os acontecimentos. Ele é muito bom nisso e sem roteiro preparado, fala de improviso, conta o que sabe, sua visão dos fatos e, diante de seu envolvimento e estudo, sempre sai algo muito valoroso.

Na sequência, a socióloga Maria Cecília Campos junta os depoimentos do filme com o seu. Conta sua passagem pela PUC na rua Maria Antonia, com sua participação no que estava em curso. Num certo momento, diante do que viu no filme, disse: "Tem momentos em que, não sei dos motivos de não ter sido presa e também torturada, pois vi gente sendo feita por panfletear e fiz muito mais que isso. Uns escaparam, fui uma destas". E finalizando Milton Dota, conta algo mais de sua passagem pelo famoso Congresso Estudantil de Ibiúna, quando foi preso. Ele faz uma analogia interessante sobre dos motivos que levaram aquele Congresso ocorrer naquele momento, das imensas possibilidades de ser descoberto, como o foi e da união que se faz necessária hoje para enfrentar tudo o que está em curso e virá pela frente. Dos erros e acertos do passado, se constrói o presente, se pensa também no futuro, pois a luta é contínua, sem tréguas. Bom demais ouvir isso e ir notando o semblante de todos os presentes, nos fazendo pensar e de como tocar o barco daqui por diante.

Tanto o tema do filme, como as discussões feitas a seguir, sendo iniciadas com uma fala sobre a eleição do Conselho Tutelar em Bauru, ocorrendo aqui em novembro, são algo mais do que necessários, primeiro para convergir boas discussões na cidade. Muitos dos vários presentes são atuantes em várias manifestações ocorrendo na cidade neste momento, como mais uma panfletagem que irá ocorrer amanhã, domingo, por volta das 10, na feira dominical do jardim Bela Vista, contra a privatização da água. Juntando tudo, o tema do filme, a atenção de todos para o debate a seguir, a colocação bem marcante e necessária sobre o engajamento para enfrentar a armação ilimitada na eleição do Conselho Tutelar, a iminente privatização da água em Bauru e todos ali, querendo se mostrar não só úteis, mas dentro da luta. Isso me move e, tenho a certeza, movia todos os presentes. Ou seja, não saímos da eterna luta. Estamos aqui para isso.


DE ONDE VEM A BARBÁRIE?*
* Eis meu 128º artigo para coluna no semanário DEBATE, de Santa Cruz do Rio Pardo, edição pipocando hoje pela aí:

Ricos sempre existiram e existirão na face da Terra. Aqui no Brasil vigorou por quase toda sua existência a máxima de que, os ricos são o sustentáculo desta nobre nação e os pobres vivem destes. Muito simplista essa definição. O que existe de fato é um secular processo de inferiorização de uma classe social e a elevação aos píncaros da glória de outra. Razões históricas envolvidas na questão. Tento explicar algo em poucas palavras. Na verdade, nós brasileiros inventamos um sistema altamente rentável, perfeito para os do topo da pirâmide e massacrante para quem a sustenta nos ombros.

Começamos com os ciclos do açúcar, ouro e depois o café, com PIB prodigioso, empreendimentos formidáveis, mas só para os do lado de cima da vida. Desde os primórdios desta nação, a classe dominante, dita e vista como a promotora da prosperidade conseguiu realizar verdadeiras façanhas com sua extraordinária habilidade. Fez isso sem pestanejar, assim como, enfrentou e venceu todas as tentativas de revoluções sociais desencadeadas no país. Na qualidade de historiador, confesso, rendo homenagens a estes, escrevinhadores de nossa história, pois ao longo delas, aprendi nos bancos escolares que aquilo tudo eram meros motins e nada de intensa luta social.

Ou seja, a classe dominante brasileira, soube ao longo do tempo, com sabedoria crescente, dirimir os embates, colocando-os num casulo fechado e tratando tudo com o intuito de preservar seus interesses. Desta forma, puderam legar e manter a exuberância de suas vidas. Isso vem de longe, desde a cordata mucama que nos amamentaria de leite e ternura, sem nada de contestar pela sua situação. A façanha educacional da classe dominante brasileira é de grande monta, muito resolutiva, pois conseguiu manter o povo xucro, ignorante e sem entender direito o que lhe acontece.
Educação é coisa mais do que séria e quando feita por quem de fato deseja fazê-lo sem amarras, ela transforma o cidadão de subserviente, a entendedor de tudo, daí, não só questiona como exige o seu quinhão. Porém, vigorou e tentam dar continuidade em algo dignificando a “santa ignorância popular”. Olho para estes verde-amarelos de hoje e os endinheirados que mantiveram os acampamentos diante dos quartéis, promovendo churrascos para incautos circulando por ali e tenho a mais absoluta certeza, estes acham uma inutilidade ensinar o povo a ler, escrever, sem jamais, revelar o intuito. Daí, para demonizar o educador Paulo Freire um pulo. Isso foi e continua sendo feito.

A ignorância popular precisa ser mantida a todo custo, pois do contrário o castelo de areia rui. Denomino isso de astúcia e isso vem se materializando, sendo repetida ao longo da história deste país. Alguém em sã consciência acredita que, se povo soubesse o que de fato está acontecendo deixaria Bolsonaro nos governar por quatro intermináveis anos? Jogo isso tudo para os dias de hoje e constato da insanidade que é o dono do dinheiro não querer pagar impostos – hoje o das grandes fortunas - e continuar flanando, usando de forte lobby, falar grosso, usar de sua força e influência, permanecendo no topo, pouco se lixando para os de baixo. Darcy Ribeiro, meu antropólogo mestre, inspirador deste texto, profetizou: “a crise educacional deste País, não é uma crise e sim, um programa”. Do contrário, a ignorância já teria sido erradicada. Ele usava uma palavra chave para tudo, “desenclaustrar” o Brasil. Nossa classe mais abastada quer e prega exatamente o contrário.
Henrique Perazzi de Aquino, jornalista e professor de História (www.mafuadohpa.blogspot.com).

sexta-feira, 6 de outubro de 2023

UM LUGAR POR AÍ (173)


e já se passaram cinco anos
A CASA DO MILTÃO DOTA E O PAÍS ONDE ESTÁVAMOS SENDO ENFIADOS, ALGO DE CINCO ANOS ATRÁS
Lembrava essa história outro dia com o Claudio Lago, presidente do PT local, que um dia foi detido em pleno calçadão da Batista, por panfletar com supostos santinhos da candidatura do Lula, cassados como fora do padrão estabelecido. Já contei essa história por aqui. Muita gente baixou no plantão policial e depois de um enorma bafafá ele foi solto. Quase na mesma data, três viaturas da Polícia Civil baixaram defronte essa residência da foto, na quadra dois da rua Elizeu Alvares Gomes, junto aos trilhos férreos, centro da cidade, tentando enquadrar outro. Num outro, dentro um Juiz local, com mandato na mão, prontos para prender o ex-vereador Milton Dota.

Este do alto dos seus mais de 80 anos, com adesivos de Lula pregados no portão da casa - por lá até hoje -, recebeu-os à altura, sem se intimidar e falando grosso. Disse não ter nada de ilegal no ali colado, fazendo questão de mostrar todos e se dizer convicto eleitor de Lula. O Juiz e os demais vasculharam tudo e só foram embora, quando este dobrou a tal intimação, colocando-a no bolso e dizendo não haver motivos para o alarde. Pelo que se soube estava ali para averiguar denúncias. Chegou chegando, com três viaturas e mais o seu veículo, porém todos voltaram sem levar detido o eterno militante Dotão.

Essa história e, também a da prisão do Lago, servem muito para exemplificar o país que já tivemos e onde estávamos nos enfurnando com o advento da barbaridade do desGoverno do Seu jair. Poucos anos se passaram desde o ocorrido e o presente momento. Hoje, pelo que se sente, muito daquele ímpeto de perseguir adeptos dos movimentos sociais e políticos de oposição, estão amainados, contidos, porém, algo ainda paira no ar deste insólito País. Gente como Lago e Dotão, pela resistência que tiveram no período, não se escondendo e colocando a cara para bater, merecem agora o reconhecimento público. A coragem é algo para poucos. Destes dois, vivenciei e tenho plena certeza, não se omitem e nem se acovaradam diante de ímpetos de retrocesso, patrocinados por tudo aquilo em curso.
Enfim, onde e como estaríamos hoje se o projeto autoritário do Seu jair - em minúscula mesmo - tivesse sido implando em sua totalidade? A pensar: três viaturas para prender pessoa com algo de Lula colado no seu portão. Daí, a conclusão, resistir é preciso, além de mais do que necessário.

fui lá e vi com meus próprios olhos
EM AREALVA, A HISTÓRIA DA BENEMÉRITA CAUSANDO INCÔMODO
Ontem passei boa parte do dia lá pelos lados de Arealva. Estou envolvido com um belo projeto, numa tentativa de implementá-lo dentro do edital da Lei Paulo Gustavo, essa na sequência da Lei Aldir Blanc, injetando dinheiro público para atividades culturais de cada cidade deste país. Circulando pela cidade fui conhecer o parque municipal, onde está localizado várias secretarias, como a Educação e Cultura, além da Biblioteca Municipal e junto dela um parque, que já era bonito e agora, sendo todo remodelado e reestruturado. Dia 12 de outubro será a inauguração de algo temático, o Parque Catarina Lenharo, todo com réplicas de dinossauros espalhadas por todos os cantos.

Este sobrenome, Lenharo, hoje anda causando certa comoção na vizinha cidade. Explico. Neide Lenharo, filha da homenageada com a denominação do parque, que junto do marido se mudou do Guarujá para Arealva, trouxe consigo vários ideias e investimentos. Primeiro, um enorme condomínio residencial, lugar onde também reside. Depois, eles dois com empresa de grande porte do ramo odontológico, passaram a promover variadas ações filantrópicas pela cidade. Uma é o parque, com brinquedos variados para a criançada e agora, réplicas de dinossauros, de pequeno e médio porte. Alguns já estão intalados no local, porém ainda cobertos com uma capa plástica, aguardando o dia da inauguração e outros, os maiores chegando nos próximos dias.

Tem quem já se mostre muito incomodado com a chegada dos ditos, vistos como "forasteiros", observados com todo esmero, pelo que já estão a fazer pela cidade. Bancaram tudo no parque e o até o presente momento não pedindo nada em troca, ou seja, isso incomoda muito alguns. Incomoda mais quando corre pela cidade que ambos doaram para entidades assistenciais, um total de R$ 500 mil reais, R$ 100 para cada e dias atrás, doaram também o valor de R$ 5 milhões para o Hospital Amaral Carvalho, o do tratamento de câncer de Jaú.

Na cidade não se fala em outra coisa, Neide e o marido Ariel, vieram para ficar e causar. Uma pessoa na praça da cidade me contou algo mais. Um senhor com a dentição ruim, ótimo prestador de serviços local, teve todo o seu tratamento bancado pelo casal e uma pessoa deficiente, recebe ajuda continuada, pois encontrava-se em situação pra lá de péssima. Ou seja, vieram, se fixaram e estão a contribuir em muito para com a cidade. O prefeito entendeu isso e deixou por conta e risco dela o novo formato do parque, o dos dinossauros.

Circula pela cidade boatos de acaloradas discussões entre alguns vereadores, não entendendo o que se passa e descontentes por nada ter passado por eles, ou seja, tudo ocorrendo direto entre quem doa o dinheiro e o beneficiado. Mas como? Tiro as fotos do local, sendo ainda repaginado para a inauguração do dia 12, algo muito aguardado pela população e pelo que se vê, algo mais, dentre tudo o que já foi feito e pelo visto, continuará sendo proporcionado pelo casal, que em pouco tempo, chegaram chegando e já são motivo da maioria das conversas pelas esquinas. "Lembre-se deste nome, Neide Lenharo", me disse um senhor com chapéu de palha na praça central da cidade, dando a entender que mais virá pela frente. Tem quem goste muito e tem quem ande apreensivo, porém, algo de novo anda acontecendo na Cidade dads Águas, distante 30 km de Bauru e possui exatamente essa chancela, "Lenharo".

eles, sempre eles
LIVROS
Diga-me, por que que queima livros?
- O quê? Bem, é um trabalho como outro qualquer, um bom trabalho, com muita variedade. Segunda-feira queimamos Miller, terça-feira Tolstoi, quarta-feira Walt Whitman, sexta-feira Faulkner e sábado e domingo Schopenhauer e Sartre. Reduzimo-los a cinzas e depois queimamos as cinzas. É o nosso lema oficial.
- Então não gosta de livros.
- Gosta da chuva?
- Sim, adoro!
- Livros são lixo. Eles não têm interesse nenhum.
- E por que as pessoas ainda lêem, mesmo sendo tão perigoso?
- Precisamente porque são proibidos.
- Por que são proibidos?
- Porque ler livros torna as pessoas infelizes.
- Acredita mesmo nisso?
- Oh, sim. Livros perturbam as pessoas, tornam-nas anti-sociais.
- Pareço anti-social?
Fahrenheit 451, 1966, François Truffaut
#fahrenheit451 #françoistruffaut #juliechristie #oskarwerner #raybradbury

quinta-feira, 5 de outubro de 2023

DOCUMENTOS DO FUNDO DO BAÚ (186)


O TAPA NA CARA DOS PREFEITOS (AS) BLOGUEIROS (AS)
O jornalista Aurélio Fernandes Alonso é de uma velha cepa, desta que não se segura nas calças diante dos admoestadores, perversos administradores a driblar a legislação existe e se impondo acima delas, com atos, atitudes e uma renovada forma de tocar uma administração segundo sua concepção de vida, sem se importar se isso fere ou vai contra o que apregoa a lei.

Num artigo publicado na página Opinião do Jornal da Cidade, edição da última terça, 03/10, "Autopromoção pessoal até quando?", ele investe pesado em algo muito abalizado, diria mesmo, consistente, contra os administradores blogueiros, os que abandonam suas reais funções e vivem se autopromovendo - tudo de caso pensado. Vejo que o seu artigo possue um endereço mais do que certo e sabido e com ele, tenta ao menos sensibilizar quem pode fazer algo de concreto contra o repetido abuso, talvez conseguindo instigar o MP - Ministério Público para atitude recolocando tudo no seu devido lugar.

Sim, existem administradores públicos vivendo exclusivamente de um maquinário criado para lhes dar publicidade. Ou seja, fazem uso da máquina pública ao seu bel prazer e em benefício próprio, o que é ilegal, imoral e impróprio. Se faz mais do que necessário tirar a máquina pública das mãos destes, pois abusam, na verdade misturam tudo, público e privado. Percebam neste tipo de vídeo, hoje muito difundido pelas redes sociais, o administrador aparece sempre sendo gravado por alguém, até com uso de clones e daí, a pergunta que não quer calar: quem paga isso tudo? Usa aparelhagem e pessoal do serviço público para essa finalidade ou pagam tudo do próprio bolso? Mesmo pagando do próprio bolso, se o fazem durante o expediente, já incorrem em séria ilegalidade. O que ocorre e Aurélio sabe muito bem disso é uma verdadeira farra com dinheiro público.

Este tipo de autopromoção pessoal é totalmente vedada e proibida pela Constituição brasileira. A internet possibilitou o surgimento deste tipo de vídeos, hoje muito difundidos. Demonstram um verdadeiro atentado contra a legislação, pois não só tentam burlar, como se fazem de bobos, continuando na prática, como se nada fosse possível barrá-los. Vejo que, passado alguns dias, o texto do Aurélio alcançou seu objetivo, pelo menos um deles. Dizem que, um dos alvos pensou em responder pessoalmente, mas foi demovido, por absoluta falta de consistência. Ou seja, não existem argumentos consistentes para rebater o escrito, primoroso e feito num momento onde uma decisão precisa ser tomada. Fica evidente em alguns vídeos rolando hoje por aí, que a impessoalidade necessária e legal é deixada de lado.

Este descaramento precisa não só ser combatido, como rejeitado e que a lei seja aplicada, na sua implacável forma, para conter abusos. Ou seja, o motivo da escrita do jornalista, sem citar nomes, está surtindo efeito e algo mais pode estar despontando no horizonte. Que os abusos, mais do que explícitos sejam impedidos de continuar e seus autores devidamente identificados e punidos. É o mínio que se pede, o cumprimento da lei já existente e não sendo cumprida.

NOSSA SOCIEDADE
Sempre que me deparo com este termo "Nossa Sociedade", costumo torcer o pescoço e ficar com um pé atrás. Acompanho algo do que fazem pelas ainda colunas sociais da cidade, principalmente as do Jornal da Cidade, guardando resquícios dos tempos de Roberto Rufino e ainda hoje, fotos espalhadas pelo jornal, principalmente na edição de final de semana. A revista Atenção também gosta de reverenciá-los. Ganhei uma dias atrás e a cada folheada, tenho a certeza ampliada e justificada: prefiro o outro lado do mundo. Como é triste e reduzido o mundo dos que se dizem os bam bam bam destas plagas. Uma triste ostentação, regada, como se percebe, nos princípios mais sórdidos de um arcaico conservadorismo, hoje muito mais de ultra-direita do que antes. Circule pelos supermercados dos chiques e constate como se apresentam e gostam de ser vistos. Refinados nos gestos, não conseguem esconder a maldade exposta no jeito de agir, de ser e de estar. Um perversidade inconteste, absoluta e plena, como se ainda estivessemos vivendo os tempos mostrados a nós por Casa Grande & Senzala, obra maior de Gylberto Freire - que nunca foi lida pela nossa elite, que nada lê, mas sabe como nunca oprimir seu semelhante e ignorar o que vê diante dos seus olhos.

Eu não sou um revoltado, só um mero observador da vida urbana e quanto mais me enfronho nas andanças pelas quebradas deste mundo, mais quero distância dos refinados lugares e de seus sórdidos personagens. Essa "Nossa Sociedade" não se mistura com nada, vivem num mundo só deles e estão se lixando para tudo o mais que não seja o seu bem estar, a continuição dos privilégios. Para tanto, não fazem nenhum esforço em apoiar gente como Jair Bolsonaro e mesmo, recebendo privilégios, políticos ao estilo fundamentalista como a alcaide bauruense, Suéllen Rosim. Repudiam tudo o que venha a resvalar com transformações. Não me sai da memória o dia da última eleição e eu como fiscal numa escola no coração da Zona Sul bauruense. Um festival destes sendo constituído como "Nossa Sociedade". Estavam todos de verde-amarelo, envergando com pompa as cores da seleção de futebol, como se isso fosse patriotismo. São estes os menos patrióticos que conheço, pois não lutam pelo país, pela soberania deste Brasil e sim, tão somente, pelos seus interesses. Vê-los se abraçando e se confraternizando naquele dia é a cara mais nefasta possível, a absoluta certeza de que o atraso estava ali presente. Os com grana, cheirando perfumes caros, bermudas de griffe, barbas e cabelos aparados em salões chiques, querem um Brasil ao estilo deles, exclusivo para defender sua forma de ir embromando tudo, inclusive as leis trabalhistas. Se Bolsonaro atendia algo para seguirem na sacanagem, estiveram com ele e agora buscam outro, talvez até pior, igual a esse argentino Milei, propondo privatizar até a alma do povo.

Estes, considerados como "gente do bem", fazem parte de um mundo cada vez mais cruel, insano e doente. Vivem de pompa, mesmo que ela ocorra só na forma externa, naquela para ser vista e na realidade, vivem num aperto de dar gosto. Essa "Nossa Sociedade" está muito bem representada naqueles que, enricaram e vivem num Olimpo, olhando tudo lá de cima, com repulsa aos de baixo. Lembro bem de uma inesquecível frase de um juiz aposentado bauruense, algo dito a mim, afirmando, "as fortunas desta cidade totalmente Sem Limites ocorreram todas de duas formas: ou ganharam na loteria ou fizeram algo constrangedor pelo caminho". Rindo, me disse: "Até o momento ninguém destes por aqui ganhou na loteria". Não existe como enxergá-los como um Brasil a ser vergado, pois do contrário, nunca se conqusitará justiça social com estes a comandar tudo. Nos bastidores do que vivem, filtrando algo de suas falas, gestos e atitudes, tenho sempre a pior impressão possível. São todos inimigos do povo. Hoje, lutam para flexibilizar a liberação do cerrado, possibilitando cortar mais e mais árvores, tudo para ampliar as áreas dos condominios fechados, tudo cercado com cercas eletrificadas, redutos intransponíveis, onde vivem num mundo à parte. Não nutro revolta contra estes, só constato da necessidade de vergá-los, pois do contrário nunca chegaremos a lugar nenhum. Eles impedem os avanços. "Nossa Sociedade" é pérfida, muito além do que imaginamos.

QUER DIZER QUE O FILME "PÉROLA" JÁ SAIU DE CARTAZ?
Inconformado com um filme de tamanha importância para a cidade de Bauru, para a dramaturgia e agora para o cinema brasileiro, ficar somente uma semana em cartaz com o público comparecendo! Shame on you cinemas de Bauru
@murilobeniciooficial
@oficialdricamoraes
@maurorasidramaturgo
@institutoculturalmaurorasi

A INVERSÃO DE VALORES NÃO É NENHUMA NOVIDADE...

quarta-feira, 4 de outubro de 2023

COMENDO PELAS BEIRADAS (137)


ELE NÃO É BEM VINDO - CAIXA NÃO QUERIA MEIRA E ALCAIDE OMITE O VETO A ELE
Pode ter passado desapercebido para muitos, mas eu notei claramente uma rusga entre a alcaide municipal, a fundamentalista Suéllen Rosim e o vereador Coronel Meira, num acontecimento da semana passada. Nítido que, o vereador estava tentando uma reaproximação com a alcaide, já sendo comentado até da grande possibilidade que teria em apoiar sua reeleição no próximo pleito, porém, ele deve ter percebido não ser totalmenter aceito por ela e seu clã político e familiar.

Explico. No depoimento do coronel Canova, ex-presidente da Cohab, para a Comissão de Fiscalização e Controle da Câmara dos Vereadores, disse textualmente em seu depimento ter sido impedido de falar a verdade sobre a dívida daquela companhia. Algo mais veio à tona quando o coronel Meira descobriu algo que, até então não sabia. Ele foi vetado pessoalmente pelo GOVERNO de participar de novas viagens a Brasília, as tais que discutiam o problema relacionado à divida da Cohab.

Quem levanta a lebre é a coluna Entrelinhas, do Jornal da Cidade, em sua edição da última sexta, 29/09/2023. Ou seja, Meira ia lá nessas reuniões e levantava questões pelas quais a CEF - Caixa Econômica Federal, executora da maior parte da dívida - ainda no Governo de Bolsonaro, ou seja, com outra visão de tudo, em relação à direção atual -, podia não ter percebido valores do FGTS que não haviam sido repassados. Meira levantava dúvidas pertinentes a favorecer o desleixo da Caixa e em benefício da cidade. Isso gerou desconforto, o que é incompreensível, gerando o veto de convites para outras viagens. Pelo que se entende o veto foi da Caixa e não da Prefeitura, mas a alcaide ciente do veto, prejudicial à cidade, não comunicou nada ao vereador Meira.

Creio ser bom Meira ir anotando isso tudo no seu cadeninho, para quando for tomar a decisão de que lado vai estar no próximo pleito, levar em consideração estes pequenos detalhes, que quando juntados a outros, demonstram algo de inolvidável expressão e magnitude. Creio eu, a alcaide deva explicações de nada ter informado ao vereador do veto e também, se a intervenção dele podia trazer benefícios na redução do valor a ser pago pela Prefeitura e, daí, por que foi aceito o desconvite? Estranho demais.

na mosca
RECADINHO DO SARAMAGO POR TARCÍSIO - E PRA SUÉLLEN ROSIM:
"Privatize-se tudo!
A mim parece-me bem.
Privatize-se Machu Picchu, privatize-se Chan Chan,
privatize-se a Capela Sistina,
privatize-se o Pártenon,
privatize-se o Nuno Gonçalves,
privatize-se a Catedral de Chartres,
privatize-se o Descimento da Cruz,
de Antonio da Crestalcore,
privatize-se o Pórtico da Glória
de Santiago de Compostela,
privatize-se a Cordilheira dos Andes,
privatize-se tudo, privatize-se o mar e o céu,
privatize-se a água e o ar, privatize-se a justiça e a lei,
privatize-se a nuvem que passa,
privatize-se o sonho, sobretudo se for diurno
e de olhos abertos.
E, finalmente, para florão e remate de tanto privatizar,
privatizem-se os Estados, entregue-se por uma vez
a exploração deles a empresas privadas,
mediante concurso internacional.
Aí se encontra a salvação do mundo…
E, já agora, privatize-se também
a puta que os pariu a todos.
– José Saramago, em “Cadernos de Lanzarote – Diário III”

terça-feira, 3 de outubro de 2023

PERGUNTAR NÃO OFENDE (202)


ANDO NA MESMA PEGADA
Admito minha exaustão ante a necessidade de decidir várias coisas ao dia, de ter opinião formada sobre tudo (já li esta frase) e de querer não saber mais porra nenhuma.
advogado Marco Antônio Souza

Resposta qualificada do jornalista Ricardo de Callis Pesce: "O cansaço advém do fato de que o óbvio está sendo posto em dúvida por gente que não sabe fazer o "O" com um copo sobre o papel. Falar para um muro de pedra cansa mesmo".

BAURU E AGUDOS, ALGO DAS TAIS LIBERAÇÕES DE ÁREAS PARA EMPRESAS PRIVADAS: COMO? POR QUE? EM QUE CONDIÇÕES?
Ontem, na sessão da Câmara, um vereador - não consigo me lembrar qual - disse algo e quero aqui contestar. Segundo ele, Bauru é atrasada e nenhum empresa aqui se instala por causa das dificuldades para aprovação dos tantos itens necessários para concluir o processo. E deixa uma pergunta no ar: Por que Agudos a coisa anda e tudo é mais fácil e aqui tudo mais complicado?

Muito simplista a pergunta do vereador e para respondê-la, se faz necessário voltar no tempo. Quem não se lembra de todo o imblóglio ocorrido quando da instalação do Residencial Alphaville na cidade, ali na rodovia na sequência do trevo da Eni. Os tais empresários e investidores, orientados pelos sabichões destas plagas acharam por bem, cientes de que lá em Agudos tudo seria muito mais fácil, foram registrar tudo num cartório de lá. Deu xabu e por fim, o residencial não vingou quando a maracutaia foi descoberta. Enfim, ele estava na área de Agudos ou de Bauru? Creio não existir mais dúvidas que em Bauru. Nosso ex-vereador, o falecido Marcelo Borges em cada reencontro tentava explicar o ocorrido e, como gosto dele, o ouvia e o entendi. Só que, neste episódio ficou mais do que explícito como se dão as coisas aqui em Bauru e na vizinha Agudos.

Algo que ainda perdura por aqui e deveria ser motivo de orgulho são as tais regras mínimas e mais do que necessárias para cessão de terrenos públicos para a iniciativa privada. Se em Agudos a coisa é mais flexível, creio eu, algo ocorre por lá contrariando essas regras básicas, diria até, elementares. A aprovação aqui é lenta e pelo que sei, este um dos últimos resquícios de algo sério dentro da estrutura regimental da Prefeitura. Flexibilizar isso é o mesmo que querem fazer com o cerrado, ou seja, liberar tudo para a especulação imobiliária fazer o que quer quer, como bem entende, sem leis que o impeçam.

Essa história de que em Agudos eles além de liberar dão o terreno, com infra estrutura e até barracão já pronto precisa ser melhor esmiuçada. Pelo que sei, em Bauru não é possível o VALE TUDO e não posso dizer que em Agudos isso ocorra, mas que por lá tem algo diferente e necessitando ser melhor explicado, pois pelo que sei a legislação é igual para todos. Enfim, quem poderia me explicar em detalhes as tais diferenças de procedimentos? Queria muito entender, até para que não se repitam histórias tristes como o do Alphaville.

BAURU NÃO APRENDE
O forasteiro miliciano carioca com cara de areia mijada quer privatizar tudo e assim oferecer um serviço caro e ruim pra população. Daqui a pouco a Bruxuellen que já tentou terceirizar para as igrejas o comando das UPAs e posto de saúde também vai querer privatizar o DAE, afinal o mentor dela destruiu o país e ela está destruindo Bauru. Andréa Sevilha

LIÇÕES DA ELEIÇÃO CONSELHO TUTELAR
A maior lição não é nenhuma novidade. Novamente ocorre mais uma eleição, quando serão renovados seus conselheiros. Já faz um tempo que o segmento mais conservador, principalmente o proveniente dos evangélicos neopentecostais se organizam e votam em bloco, conseguindo maioria e desta forma, a maioria dos conselheiros é constituída deste segmento político/religioso.

A continuidade e repetição do que já vinha acontecendo em eleições anteriores demonstra organização destes e desorganização de quem deveria ao menos tentar algo ao contrário. É certo o que fazem? O segmento brasileiro mais conservador hoje encontrou essa alternativa para ir colocando os seus nestes postoschaves e tudo tem surtido efeito positivo. Pouca coisa tem sido feito para se contrapor a isto, daí, a repetição de vitórias e conquistas.

Neste ano, na Grande São Paulo, algo inusitado e para endoidecer gente sã. Em todos os bairros populares, onde justamente deveria existir algo a demonstrar a sensibilidade de ter ali pessoas envolvidas com os avanços sociais, ocorre justamente o contrário e são eleitos os representantes do conservadorismo mais pernóstico. E nos bairros mais abastados, estes se mostrando com olhos voltados para as necessárias transformações, são eleitos representantes com disposição e real entedimento do que se faz necessário ser feito como conselheiro. Ou seja, o pobre vota na direita e o rico vota na esquerda. É mais ou menos isso o que ocorre e deixa tudo e todos com a pulga atrás da orelha.

De tudo, algo que já deveria ter sido aprendido: sem organização essa e todas as eleições estarão mais do que perdidas. Se essa requer um trabalho de bastidor, que ele ocorra, pois do contrário, será sempre, derrota em cima de derrota. Não adiante vir agora, depois de tudo perdido, vir novamente com aquela ladainha de que, quem foi eleito não sabe direito nem o que venha a ser Conselho Tutelar. Na verdade, sabem sim e muito bem. A disputa em questão representa algo dum todo, de uma disputa ocorrendo por todos os lugares. Chorar o leite derramado é algo que, não dá mais para fazer. Fosse a primeira vez, tudo bem, mas não existe novidade nos resultados. Este alerta mesmo é de pouca valia, pois só o faço depois do pleito consumado. Na verdade, esperar que tudo ocorra sem organização e luta, é perder todas.

SE NADA FOR FEITO ÁGUA VAI DISPARAR PARA O BAURUENSE

segunda-feira, 2 de outubro de 2023

CENA BAURUENSE (242)

COMO VOU ENXERGANDO A CIDADE ONDE NASCI, CRESCI E VIVO

01. Em 03.09.2023 publiquei: Ele estava hoje na feira da Gustavo. Nos cruzamos na banca de suco de laranja, lá na curva com a Júlio Prestes, ele vendendo paçoquinhas. Ao me ver, pergunta se o reconheço. Digo que sim, inesquecível garçom e a dona da banca para lhe levantar a moral, reafirma ter sido seu professor de dança. Digo ter tirado duas fotos dele na praça Rui Barbosa e não as publiquei. Pede pra ver e diz ter ficado muito boas. Fico com duas paçocas e me pede algo: "Me entrevista qualquer dia? Queria que soubessem de minha história. Eu ainda não desisti, viu!". Trata-se da Drica, como gosta de ser chamada ou, como dantes, Adriano, játendo atuado de garçom pela cidade afora.

02. Em 04.09.2023 publiquei: Ouço hoje na sessão da Câmara dos Vereadores, alguns deles afirmando ser essa administração municipal uma impetuosa derrubadora de árvores e que, em alguns casos - citam um -, nem a Secretaria do Meio Ambiente tinha conhecimento de alguns cortes. Exemplifico algo em curso no Jardim Redentor, quando na praça logo na entrada, calçada nova - e já quebrada num canto -, o corte quase total das árvores, algumas desde fundação do bairro, sem nenhuma justificativa E, segundo moradores, irão plantar somente grama no lugar e algo em concreto no centro. Algo mais, na Zona Sul começam as obras nas praças e logo terminam, mas nos bairros começam e interrompem por várias vezes. A belezura da praça está no parangolé corintiano que um dos moradores fixa num canto, dando vida ao lugar. Entristece ver as toras retiradas do antes muito arborizado ambiente.

03. Em 06.09.2023 publiquei: Essa tal de siesta, muito comentada nas obras do colombiano Gabriel Gárcia Márquez não ocorre somente nos países de língua espanhola. Aqui em Bauru, como mostra foto de Vanessa Borges Teixeira, um preguiçoso está esticado defronte a entrada da loja Papelândia, no Calçadão da Batista e ali desfruta de reparador descanso. O calor e o clima abafado predomina por aqui, sertão paulista.

04. Em 07.09.2023 publiquei: Na quadra 23 da avenida Nações Unidas, funcionou por décadas o Buffet Guimarães, amplo salão e até as iniciais personalizadas nas janelas. Conheci seu proprietário, entendido no metiê e enquanto viveu, suas portas permaneceram abertas. Seu maior problema sempre foi a acessibilidade, escadas nas duas entradas. Depois, virou até casa de forró, culminando com situação atual, já destelhado.

05. Em 09.09.2023 publiquei: Lá dos altos do Tangarás, esquina das ruas Naoki Shinorara e a que corta o bairro, a rua Flávio Aredes Lopes, uma mensagem escrita numa construção inacabada, passa bem o recado.

06. Em 10.09.2023 publiquei: Pelo menos para mim, impossível, não passar pela rua aviador Gomes Ribeiro, quadra que dá para o murão alto da Escola Estadual Ernesto Monte e não relembrar de algo que, por ali funcionou por décadas, o escritório regional da Imprensa Oficial do Estado, por longo período comandando pelas hábeis mãos e a versatilidade do saudoso Fernando Azevedo, que após sua aposentadoria, viveu seus últimos anos, muito bem cuidado, numa Casa de Idosos, conforme seu desejo, na vizinha Macatuba. No local, saíram tantas ideias para publicações variadas sobre este, ainda considerado o mais rico estado de toda federação brasileira, porém, de uns tempos para cá, com uma Imprensa Oficial cada vez mais inoperante - nem sei se ainda funcionando ou já extinta -, pois com um governador querendo botar fins nos livros escolares, se espera sempre o pior. Passo pelo local e relembro de antanhos tempos, sempre com muita saudade, enfim, por que deixamos tudo piorar e até se findar? Falta-nos muito de espírito combativo e de resistência, sabendo lutar para não deixar se esvair nos dedos tudo o que foi tão duramente conquistado.

07. Em 11.09.2023 publiquei: Edificação na esquina da Cussy Jr, onde um dia foi a sede da Faculdade ligada ao Cursos Prevê. Da efervescência de antanho, hoje ostentando uma placa de Vende-se, com parcelamento direto com proprietário de até 50 parcelas.

08. Em 13.09.2023 publiquei: Lá nos altos da avenida Nações Norte, seguindo ladeando a rodovia que liga Bauru à Marília, uma visão bem ampla da cidade, porém tendo à frente um lixão, proveniente de uma firma de material reciclado e ao fundo um enorme Minha Casa Minha Vida.

09. Em 14.09.2023 publiquei: Na novíssima edificação, recém inaugurada do DER - Departamento de Estradas e Rodagem -, avenida Cruzeiro do Sul, algo me chama a atenção: funcionárias manuseiam livros. Curioso pergunto se era pra doação e sou informado estarem montando biblioteca para uso exclusivo dos funcionários. Adorei a bela iniciativa.

10. Em 18.09.2023 publiquei: Chegando perto do Alameda Quality Center, pouco antes da entrada do Clube de Campo da Luso Brasileira, eis essa edificação pela metade. Dizem seria um hotel, porém, tudo lacrado e sem solução de continuidade.

11. Em 19.09.2023 publiquei: A placa de concreto defronte o portão lateral da unidade do SENAC Bauru, demonstra algo fincado em vários pontos da cidade, o símbolo de uma administração municipal, diante de uma obra pública. Talvez o maior destes seja a gravação em tamanho gigante com o nome do Sbeghen, em cima do viaduto da Duque de Caxias, pouco antes da rotatória pra Falcão, Independência. Uns mais discretos, sem nenhuma outra identificação, outros mais ostensivos. Circulando pela cidade ainda se vê placas de dezenas de anos atrás.

12. Em 20.09.2023 publiquei: O prédio esvaziado e desocupado do INSS, na esquina da Azarias Leite com Ezequiel Ramos, centro de Bauru, translúcido, transparente, como se víssemos suas entranhas. Será um dia reocupado ou demolido como outra edificação do mesmo INSS, ali ao lado?

13. Em 22.09.2023 publiquei: Hoje toda estrutura da Previdência Social, o nosso INSS na cidade e região, tem todo seu trabalho concentrado nesta edificação, localizada na quadra 12 da rua Rio Branco.

domingo, 1 de outubro de 2023

CHARGE ESCOLHIDA À DEDO (199)


O DIA DA SINCERIDADE*

* Meu 127º artigo para o semanário DEBATE, de Santa Cruz do Rio Pardo:

O título deste escrito – seria crônica? – poderia ser considerada um plágio. Tento que não o seja. Na verdade, ele é totalmente inspirado em algo que li muitos tempo atrás, dessas inesquecíveis leituras. Trata-se de, essa sim, uma crônica, de Stanislaw Ponte Preta, criação da verve do jornalista Sergio Porto e num livro, que sempre consulto, como se fosse espécie de bíblia de traquinagens e mandamentos de como cutucar a onça com a vara curta. “Tia Zulmira e eu” saiu publicado pela primeira vez em 1961, portanto, este escriba tinha meros 1 ano de vida. O li, naquelas edições capa dura do Círculo do Livro e o tenho até hoje aqui na estante.

Neste livro, dentre tantos escritos para desopilar o fígado este com o mesmo título. Stanislaw sabia tocar o sujeito pela ironia e o fazia com primazia. Se bem me lembro, o que ele demonstrava era que, se um dia tivéssemos todos que, exercer, por um dia que fosse, o exercício da sinceridade nas 24h do dia, estaríamos todos, na verdade, num mato sem cachorro. Imaginem o que viria a ser este tal do Dia da Sinceridade? Galhofeiro, ele dá como exemplo o anúncio daquele sabonete, caro, mas que, ao ser anunciado, teria que ser revelado não fazer espuma nenhuma.

Este exemplo é fichinha perto de tudo o que imagino acontecendo aqui nas nossas hostes, ou seja, aqui no nosso dia, principalmente o político. Não seria hilário, mas seria trágico ver nossos políticos, que na verdade, podem até se defender, afirmando não mentir, mas omitir algumas pequenas coisinhas. Aqui em Bauru nessa semana, um ex-presidente da Cohab, militar aposentado, pressionado pela atual mandatária, Suéllen Rosim, inquerido numa Comissão de Inquérito, afirma ter sido proibido de falar o que de fato estava acontecendo em relação as dívidas da companhia.

Imaginem ele estivesse a depor exatamente no Dia da Sinceridade, ou mesmo fosse este dia naquele quando recebeu a recomendação de Suéllen. A verdade dói para alguns e muitas vezes não a conhecemos nem com o passar do tempo. Muita negociata seria desvendada desta forma e jeito. Uma maravilha que, infelizmente, permanece no campo dos sonhos irrealizáveis. Aí em Santa Cruz, como seria o dia a dia político na cidade se viesse à tona a verdade, nua a crua, sendo descrita em todas suas nuances. Aqui de Bauru, nem te conto, a casa cairia imediatamente. Estamos no meio de duas CEIs – Comissão Especial de Inquérito e numa delas, a prefeita comprou um projeto educacional, o Palavra Cantada, por um valor totalmente fora da casinha e nunca aplicado em escola nenhuma. Todos querem saber exatamente isso, a verdade dos fatos e ela é, pelo visto, a última pela qual tomaremos conhecimento.

A verdade é uma faca de dois gumes. Na maioria das vezes, quando seguida à risca, mais problemas, principalmente para os executores da coisa pública, hoje primando por decisões de bastidores, muitas vezes nebulosas. Lembram-se do pérfido Jair Bolsonaro quando tentou impor 100 anos de segredo para algumas de suas decisões? Um político propor algo assim é a certeza de ter feito algo errado, condenável e, já prevendo, problemas com a Justiça, se acerca de subterfúgios constitucionais. Na verdade, a intenção do escriba, décadas atrás, era burilar o caráter, elemento da personalidade de cada indivíduo. Fica a ideia. O que acham?
OBS.: as duas ilustrações são do Alcy.
Henrique Perazzi de Aquino, jornalista e professor de História (www.mafuadohpa.blogspot.com).

A INTOLERÂNCIA CONTINUA
Leio um artigo neste momento na revista Piauí sobre Vinicius Jr, a "construção de um jogador antirracista" e La Liga insistindo em afirmar que o espanhol não é racista e muito menos o público a assistir futebol nos estádios espanhóis, mesmo que tudo comprove o contrário. Começo o texto desta forma, pois continuo ouvindo aqui e ali que, Bauru deixou de ser bolsonarista, o que não condiz com a realidade das ruas. Bauru continua sendo muito bolsonarista e está ressentida com tudo o que aconteceu com seu líder. Eu tenho recordações inenarráveis do público da Zona Sul votando num colégio perto da USC e das reações de satisfação coletiva, todos muito bem uniformizados, com as vestes da seleção canarinha e dando urros, abraços e regozijo coletivo. Como perderam a eleição, depois de tudo o que foi tentado para reverter o resultado, sem sucesso, muitos tiveram que arrefecer os ânimos e se conter. Contidos, mas a imensa maioria continua pensando e agindo na surdina na defesa do que de pior temos. A Zona Sul bauruense é eminentemente bolsonarista, muito beirando a ultra-direita mais perigosa. Perguntando para estes todos, dirão não são também racistas, mas não conseguem deixar de apoiar aquele que estava a desgraçar com o país.

Escrevo este primeiro parágrafo, tudo para relatar algo ocorrido comigo na sexta, dentro do supermercado Tauste. Estava circulando pelos corredores, lista de comprinhas à mão, descuidado, quando um senhor se aproxima, olha de soslaio para o meu boné, me cutuca e diz: "Bolsonarista, né! Parabéns". De início não entendo, mas a ficha cai. Estava com um bone do Traditional Jazz Band e nas cores da bandeira, o verde-amerelo. Evidentemente, rejeitei de bate pronto ser taxado de bolsonarista, pela simples utilização das cores da bandeira, retruco: "Bolsonaro é a pior coisa que temos. Perversidade e bestialidade em pessoa, ele e todos os que, depois de tudo continuam acreditando nele". O senhor, mais velho que este HPA, primeiro demonstrou estupefação, depois tentou colocar o dedo na minha cara. Dei de costas e disse ter mais o que fazer, do que discutir com quem não consegue compreender dos males do que um genocída fez e faz ao país. O deixei falando sózinho, pois vi, dali em diante iríamos digladiar, sem nenhumn resultado positivo. Comcerteza, ele nunca ouviu falar em Traditional Jazz Band.

De tudo, a certeza é absoluta: eles estão por aí, um tanto encolhidos, mas prontinhos para botar as asinhas pra fora. A Zona Sul não mudou em nada seu conservadorismo e defesa do retrocesso brasileiro. Por sorte, caminhei pouco mais dentro do mercado e dou de cara, na seção de verduras, com nada menos que Shalimar Angerami e por uns 20 minutos, trocamos figurinhas, abraços e afagos. Se por uma lado é por demais triste se deparar com o lado mais perverso de Bauru pela aí, nada se compara com um encontro, muito do sem querer, com o que de melhor temos na cidade e com ele uma recarga imediata de energias. Sai da conversa totalmente recarregado. Shalimar, ela e Tuga Angerami, representam essa Bauru resistindo e, cientes de sermos minoria, porém, estamos aí, sem arredar pé de nossa convicta e ininterrupta luta por dias melhores, enfim, acreditamos que uma outra cidade, estado e país é possível.

OBS COMPLEMENTAR - "Oi Henrique,no semana anterior aconteceu comigo algo parecido ,eu conversava,dentro desse mesmo supermercado com uma amiga querida, Suzana Manso , tentamos aproveitar esse encontro e falamos sobre mtos assuntos.Eis que de repente, um homem aproximou-se, interrompeu a nossa conversa e me disse que eu iria morrer.Passado o momento de perplexidade ,eu lhe disse que todos nós morreriamos um dia .Só em seguida entendi o motivo da sua fala,ele me ouviu dizendo que eu tinha horror ao Bolsonaro!Falou mais um monte de asneiras até que nós nos afastamos dele .Como é triste tudo isso,sobrou muita gente cheia de ódio nesse nosso país", SHALIMAR ANGERAMI.

DANDO CONTINUIDADE AOS TRABALHOS: CÉU OU INFERNO