quinta-feira, 7 de março de 2013

CENA BAURUENSE (105)
TREM ABANDONADO POR AQUI É MATO, MAS AINDA EXISTE JEITO...
O jornal Bom Dia produziu duas excelentes matérias escrachando a situação de um imenso acervo apodrecendo em Bauru a céu aberto, enquanto em muitas cidades brasileiras existe hoje uma disputa quase fratricida pela restauração de carros ferroviários. “O triste abandono de nossa história”, com o subtítulo, “Patrimônio ferroviário se perde, dia a dia, em uma cidade que já teve o coração e o desenvolvimento sobre os trilhos: trens e vagões agora são apenas sucata”, estão em sua primeira página, edição do último domingo, 03/03.
 
Para uma cidade onde ainda é praticamente impossível não se ter algum parente próximo com ligação ferroviária, sendo ela o grande impulsionador do seu progresso, isso teria que ser inadmissível. Uma vergonha, uma chaga exposta e a nos ferir por dentro e por fora. Mas o que seria isso? Por quatro anos estive investido do cargo de Diretor de Proteção ao Patrimônio da Secretaria Municipal de Cultura, cargo abaixo do de Secretário, administração Tuga Angerami e vivenciando esse problema tenho algumas coisas a relatar.
 
Existe uma equipe de profissionais competentes e abnegados lotados na Cultura Municipal e prontos para atuarem exclusivamente nessa questão. O fato é que a Cultura até hoje (nem no tempo que lá estive) conseguiu manter uma equipe especialmente dedicada a essa questão. O fazer várias coisas ao mesmo tempo é um problema, pois nada é feito adequadamente. O projeto Ferrovia para Todos poderia ter esse papel e voltar a pensar 24h somente essas questões férreas. Temos um Museu Ferroviário, sempre muito atraente, com gente dedicada ao seu dia a dia, sem tempo para focar no amparo desse acervo espalhado pela cidade. Bauru abrindo a boca choveriam cidades interessadas em levar muito do que ainda nos resta em condições de restauro. Tentou-se abrigar tudo, porém sem pernas para algo de concreto, muito permanece no estado visto pelas fotos do jornal. O prefeito pode resolver isso da seguinte forma: designando uma equipe, um grupo de pessoas só para cuidar disso. Teriam um trabalhão, mas conheço muitos que topariam na hora e mudariam esse quadro num curto espaço de tempo.
 
Temos aqui em Bauru, a Associação de Preservação Ferroviária, capitaneada pelo engenheiro Ricardo Bagnato, temos a Associação dos Amigos dos Museus, onde atuo de forma ainda insipiente, temos o Conselho DELIBERATIVO do Museu Ferroviário, que se reativado poderia em muito alavancar projetos e viabilizar recursos para fomentar uma transformação positiva no assunto. E o Ferrovia para Todos, que muito já fez, como todo o restauro da composição Maria Fumaça, mas está estagnado há anos. Critiquei ano passado a Prefeitura quando criou um grupo para focar temas ferroviários e tudo não passou de uma reunião. Com a mentalidade somente de fazer política e não de atuar de verdade, nada ocorrerá. Esse não existe mais, pois que se crie outro, mas sério, pautado em soluções. Tem também o Codepac que muito pode ajudar nisso tudo. E tem os ferroviários, uma legião de gente sempre pronta a dar o seu quinhão pela causa, esses nunca abandonam o amor pela ferrovia. Imaginem juntarem isso tudo. Seria para endoidecer gente sã. O último restauro feito foi ainda quando lá estava e contou com muitos comerciantes da cidade e região, cada um dando sua contribuição para a entrega do carro de passei de 1º classe. Envolvimento de uma cidade por inteiro.

Ainda é tempo de salvar muita coisa e até repassar para outras cidades interessadas em promover projetos como o nosso. A ação do tempo é implacável e se nada for feito já, daqui há bem pouco tempo nada mais restará. Encerro com uma curta história envolvendo Bagnato e minha pessoa. Ele realizou por quatro edições um Encontro Ferroviário e de Ferromodelismo no espaço da Estação na NOB e no segundo, coisa de três ou quatro anos atrás, fizemos uma grande movimentação para mover todos os vagões parados debaixo da gare da estação, tudo realizado com a equipe da ALL – América Latina Logística. Foi um parto tirar tudo, limpar a gare e fazer o evento. Ontem passei por ali e registrei que os carros encontram-se todos fora da gare desde aquele período. A culpa não é da Cultura e sim da ALL, pois sei que desde aquele período cobra-se deles a remoção, o empurrar tudo para a área coberta e eles não fazem. Inventam mil desculpas e não tiram os carros apodrecendo no tempo, verdadeiros motéis a céu aberto. Esse foi um dos motivos do Bagnato ter desanimado de fazer os já saudosos encontros. Esse um dos motivos da necessidade da criação de um sério projeto a envolver a questão e daí nascer um grupo homogêneo de trabalho e ação. São idéias. Eu topo qualquer coisa pela e para a ferrovia. Conheço bem mais uns quinze iguaizinhos, maluquinhos para entrarem em ação e reverterem isso tudo. AQUI NÃO É A CIDADE DO CARRO E DO ÔNIBUS, AQUI SEMPRE FOI E SEMPRE SERÁ A CIDADE DO TREM.

quarta-feira, 6 de março de 2013

OS QUE SE FORAM e OS QUE SOBRARAM (44) e MÚSICA (98)


ABRIR O APETITE PELO E PARA O IMPOSSÍVEL – CHÁVEZ FEZ ISSO E POR ISSO É ODIADO
"Aos que me desejam a morte eu lhes desejo muita vida para que sigam vendo como a Revolução Bolivariana vai seguir avançando de batalha em batalha, de vitória em vitória", Comandante Hugo Chávez". Comprei hoje os dois jornalões paulistas, Folha e Estado, textos negativistas e a melhor primeira página (conteúdo idem) vista até agora é a do argentino Página 12.

A DEMONIZAÇÃO DE CHÁVEZ - por EDUARDO GALEANO
"Hugo Chávez é um demônio. Por quê? Porque alfabetizou 2 milhões de venezuelanos que não sabiam ler nem escrever, apesar de viverem em um país que tem a riqueza natural mais importante do mundo, que é o petróleo. Eu vivi nesse país por alguns anos e sabia muito bem o que era. A chamam de "Venezuela Saudita" por conta do petróleo. Havia 2 milhões de crianças que não podiam ir às escolas porque não tinham documentos. Aí chegou um governo, esse governo diabólico, demoníaco, fazendo coisas básicas, como dizer "As crianças devem ser permitidas nas escolas com ou sem documentos." E então caiu o mundo: isso é a prova de que Chávez é um malvado malvadíssimo. Já que tens essa riqueza, e graças à guerra no Iraque o petróleo passou a ser cogitado em um preço muito alto, ele quer se aproveitar disso para fins solidários. Quer ajudar os países sul-americanos, especialmente Cuba. Cuba envia médicos, ele paga com petróleo. Mas esses médicos também foram uma fonte de escândalo. Dizem que os médicos venezuelanos estavam furiosos pela presença desses intrusos trabalhando nos bairros pobres. Na época em que eu vivia lá como correspondente da Prensa Latina, nunca vi um médico. Agora sim há médicos. A presença dos médicos cubanos é outra evidência de que Chávez está na Terra de visita, porque ele pertence ao inferno. Então, ao ler a notícia, deve-se traduzir tudo. O demonismo tem essa origem, para justificar a máquina diabólica da morte." HASTA LA VICTORIA SIEMPRE!

ALGO SÓ MEU: Num dia de muita dor, não tenho muito que escrever, só a lamentar. A lamentação não vem dos detestáveis de sempre, dos que não enxergam um palmo diante do próprio nariz e criticam simplesmente por serem papagaios de pirata, repetidores contumazes de tudo o que a mídia reproduz, sem se importarem em verificar a veracidade do divulgado, mas de segmentos da própria esquerda, bem definidos para mim, como desorientados, desnorteados e destrambelhados, por nunca tendo feito nada na vida além de teorizar, nunca vivenciaram nenhuma ação empreendedora de fato, nunca o algo que defendem tiveram (ou terão) uma ação sequer, um exemplo de concreto para citar, vivem negativando todas as reais experiências existentes e o fazem com frases lapidares, algo retórico, sem sentido, sem nexo, sem um mínimo de embasamento vivencial. Produzem só isso: “O luto não deve ser motivo para não fazer uma reflexão crítica” ou “não tenho, não quero e não aceito comandantes” ou mesmo “ é a burguesia quem perdeu um dos seus dirigentes mais importantes desse século”. Sinceramente, não existe como lutar ao lado de gente assim, pois não constroem nada e ajudam a desconstruir o pouco que está sendo feito por corajosos a enfrentar os perigos do fazer, do realizar, diante da quase totalidade do mundo capitalista, neoliberal ou envolvida em governos corruptos e fascistas. Meus pés continuarão sempre nos chão e ao lado de gente como Chávez.
Obs.: A foto do boneco de c Chávez é minha, tirada no estúdio do desenhista REP, em Buenos Aires, julho 2012.

Encerrando, deixo uma pergunta postada hoje pelo amigo e professor Tauan: “Voces sabem o que João Goulart, Yasser Arafat e Hugo Chavez têm em comum?”. Se existe uma música para expressar o que sinto nesse moneto é uma de Nelson Cavaquinho, o "Espinho e a Dor", com uma lapidar frase: "TIRE O SEU SORRISO DO CAMINHO/ QUE EU QUERO PASSAR COM A MINHA DOR..." (vejam aqui: http://www.youtube.com/watch?v=qY7g_uSgysE). Me deixem quietinho no meu canto, pois minha companhia hoje será péssima para todos (as).

terça-feira, 5 de março de 2013

MEMÓRIA ORAL (137)

OS MOTÉIS A CÉU ABERTO DE BAURU – O ORGASMO É POSSÍVEL
                                              dedicado ao jornalista Zarcillo Barbosa

No último domingo, 03/03, o jornalista Zarcillo Barbosa, no seu dominical texto para o Jornal da Cidade, seção Opinião, intitulado “Visões do Paraíso”, tenta demonstrar por A + B que a perigosa (sic) ilha de Cuba precisa abolir o comunismo e todos devem abençoar a passagem da blogueira Yoani Sánchez pelo Brasil. Segundo ele, ela “parece uma escritora comprometida com as pequenas coisas” e passa a citar fatos corriqueiros lidos no seu blog como se fossem aberrações, motivadores de chacota e a demonstrar o jurássico atraso produzido por 50 anos de um regime em “estágio primitivo”. Leiam isso: ”Há as histórias dos caminhões russos, brutamontes de carroceria alta, que agora servem como motéis. As hospedagens de curta duração são concorridíssimas. Os motéis têm filas enormes, principalmente nos finais de semana. Todos a pé, em fila dupla, aguardando uma vaga no lençol ainda quente desocupado pelo casal anterior. A criatividade mostrou que sob os caminhões da antiga União Soviética o orgasmo é possível. Basta levar uma tolha de mesa, mesmo com buracos, para tapar a visão dos voyeurs”.
 
Será que o decano jornalista Zarcillo pensa ser isso exclusividade somente da pobre e perseguida Cuba? Claro que não, pois é sabido por muitos do seu espírito brincalhão, mas talvez desconheça um algo mais de sua própria cidade. Quem circula de fato e direito pela periferia bauruense sabe que, muito do descrito lá na distante Cuba ocorre também  aqui debaixo dos nossos olhos. Tento fazer a “desconstrução” (termo usado por ele para demonstrar o edificante trabalho que a blogueira faz de escrachar seu país aos olhos do mundo) de algumas coisas que fui recordando nos meus quase 53 anos de andarilhamento pelos cantos mais sórdidos de Bauru. O primeiro desses locais está numa ruazinha atrás da rádio Bandeirantes, avenida Nuno de Assis, centro da cidade, proximidades do rio Bauru, com um gramado na frente e muitos caminhões pernoitando no local, aguardando momento de descarregar cimento num depósito ali instalado. A Bauru Painéis, do Toninho Gimenes mantém o local asseado e para facilitar seu trabalho, diante do número grande de carros circulando por ali à noite e da grande quantidade de preservativos jogados no asfalto, fixou duas lixeiras  e troca os sacos plásticos regularmente, onde com auxílio da Prefeitura Municipal instalou duas placas com o texto: “Proibido jogar preservativos e papel higiênico na rua – Lei municipal n° 3832”.

Virou folclore entre os funcionários do Projeto Ferrovia para Todos, o que promove o tradicional passeio da composição férrea com a Maria Fumaça, uma viagem feita da Estação Central da NOB até a Estação da Cia Paulista, não mais que 800 metros. Hoje, quase tudo ali tomado pelos craqueiros, mas antes local de motel a céu aberto para muitos que gostam de fazê-lo de forma perigosa. Geraldo Pires foi maquinista da composição por uma década e conta: “Logo na primeira curva, trem cheio de crianças, vi um casal encostado no muro, ele de calça arriada e ela com o vestido levantado. Passei buzinando e ainda ouvi seus xingos por importuná-los. Tinha muito disso por ali, nos muitos locais abandonados após a privatização. Quem circulava a pé ia trombando com um amontoado de camisinhas. Os vigias dali tem cada história e muitas delas dentro das locomotivas ali paradas”. Histórias e relatos como esses são muito frequentes dentre todos que frequentam a imensa área dos trilhos na área central da cidade. “Esse sempre foi o jeito mais barato de quem não tem muito no bolso”, conclui Geraldo.

Os hotéis na região central da cidade são recheados de histórias de uma alta rotatividade que não cessa, dia e noite. Um local que passa batido por quem não se atém a esses detalhes é a Pensão Vila Rica, ali na rua Agenor Meira, próxima aos Bombeiros, que até bem pouco tempo era ponto frequente de um entra e sai constante de casais, a maioria a pé. Os preços eram os mais modestos, variando de R$ 5 a R$ 10 reais pela rapidinha, sem direito a banheiro no quarto e muito menos troca de roupa de cama. Dentre os que mais frequentavam o local, casais de idosos, que encontravam parceiras no Calçadão e para lá se dirigiam. Seus proprietários hoje desconversam sobre o assunto, pois tudo ali passou por recente reforma e hoje, dizem, estão tentando que tudo volte a ser um hotel normal, como dos tempos quando foi aberto e ali desciam trens vindos da capital paulista. Esse tipo de procedimento não é privilégio deste, pois dois que existiam no próprio Calçadão tinham o mesmo padrão de atendimento, assim como vários ao redor da estação ferroviária. “O sexo sempre rolou por ali de forma espontânea, liberal, sem preconceitos e a módicos preços”, diz um frequentador da praça Machado de Mello, que pede para não ser fotografado, nem identificado.

E as prostitutas e prostitutos da mais famosa avenida bauruense, a Nações Unidas, como será que fazem? Todos interessados num sexo rápido vão para os motéis ou mesmo hotéis? O mais famoso motel, bem ao estilo popular, dentre todos é um que fica perto das Nações, entre a avenida e o residencial Camélias. Precinhos convidativos, uma hora sai por volta de R$ 25 reais e toda a prostituição o conhece. Pergunto para um travesti do local se vai sempre aos motéis. “Que nada, nem todos querem ir. Fazer nas ruas aqui perto é muito comum. Cada um de nós temos um local conhecido, debaixo de uma árvore, com nenhuma casa do outro lado da rua. Ficamos pelados dentro do carro e depois tudo é jogado janela afora”, conta sem ressentimentos. Vá lá perguntar para os moradores desses locais da veracidade disso. “Aqui do lado de casa tem um terreno vazio, com um muro na frente e o que já vi ali é algo para assustar. Homem com homem é mato por ali”, conta uma moradora de uma pacata rua duas quadras acima das Nações. “Eu adorava levar meus clientes num lugar não mais possível, fazia um L, entrava pela Duque e saia numa rua lateral, era uma oficina com um quintal. Fazia fila de carros querendo parar ali, tudo tranquilo e sem afobação, até o dia em a polícia descobriu e tudo foi ficando mais sinistro”, relata uma prostituta sobre um lugar dos mais inusitados, numa região nobre da cidade. A praça Luiz Zuiani é um famoso ponto de prostituição e moradores de quadras distantes relatam o que presenciam: “A quadra da Escola Mercedes Paz Bueno é um verdadeiro motel a céu aberto... mais ou menos 17 horas os carros começam a parar e os encontros furtivos se iniciam... de manhã, as camisinhas podem ser contadas às dezenas... é encontro de casais, de travestis e rola consumo de drogas”. Locais são substituídos de acordo com a fiscalização e a roda continua girando.

As praças são locais onde frequentemente casais são vistos em pleno fornicamento. Quem frequenta a noite bauruense sabe do que escrevo. A praça da igreja Santa Teresinha, até bem pouco tempo tinha duas boates gays ao seu redor e ver casais com algo muito além de meros beijos era algo natural. Na Rui Barbosa, mesmo com o ostensivo policiamento, basta perguntar para os zeladores do local, o que eles mais pegam dentro dos banheiros públicos, além do tráfico e do despejar de carteiras larapiadas pelas imediações. Pergunte ao mesmo para os zeladores lá do parque Vitória Régia, se nunca flagrou casais enlaçados nas escadarias do anfiteatro. Faça o mesmo com quem cuida do famoso Cemitério da Saudade e constate que rola muita coisa por ali além dos fantasmas de plantão. Na falta de containers e caminhões russos (temos as locomotivas), Bauru improvisa seu sexo nas ruas e l
ogradouros, da mesmíssima forma, que em tantos outros locais mundo afora. Essa eu ouvi de um garotão, carrão bonito, mas que não gosta de pagar motéis. Reproduzo sem identificar o santo, a seu pedido. Ele ficou especialista em emprestar chaves de casas para alugar em imobiliárias e explica como faz: “Vou na imobiliária, digo estar interessado na casa, deixo um documento, eles emprestam a chave e eu vou lá com uma parceira. Faço o que tenho que fazer, limpo tudo, água a disposição, depois devolvo a chave e digo que vou pensar”. A criatividade rola nesses momentos e a ressalto como inerente de todos os desprovidos de muitos recursos financeiros. Cada um acaba dando o seu jeito.

Teria muito mais a ser relatado, aliás, um infinidade de histórias. Experimente papear com antigos comerciários (as) no Calçadão da Batista e ouça relatos de “fogos amenizados” nos mais diferentes lugares e situações nada convencionais. “Os locais de sexo aqui no centro dariam um livro. Tive um funcionário que se especializou em pular o tapume de uma grande construção aqui ao lado da Câmara, o de uma igreja evangélica e conheceu tudo ali bem antes dos fiéis frequentarem. Eu mesmo tenho a minha história pessoal de quando estudei na Unesp, décadas atrás e um lugar que fui muito por lá, batia cartão, era no hoje quase indevassável  ginásio, o Guilhermão. Antes era tudo aberto e era só descer as escadas. Eu e uma
grande amiga adorávamos fazer em cima de um piano que ficou anos por lá. Usei ele como cama, não tinha ninguém para cuidar daquilo e se fomos vistos nunca fiquei sabendo de nada, mas sei que por ali muitos fizeram o mesmo que eu”, conta um famoso comerciante da rua Batista, relembrando algo com uma pitada de orgulho e saudade. Isso tudo, essas histórias todas aqui reunidas possuem a intenção de desmistificar o que foi exposto no texto do jornal, quando se tentou dizer que algo pouco usual ocorre somente num país de ideologia diferente da nossa, pobre e onde tudo é feito meio que de improviso. O improviso quando se trata de sexo, ocorre, tanto lá, como aqui, como acolá. Chego a essa conclusão, vislumbrando que nos arrabaldes de Nova York tudo se processe da mesma forma, sem toalhinhas e recheados de voyeurs. Nisso Bauru e Nova York tem tudo a ver com Havana, Cuba.

segunda-feira, 4 de março de 2013

INTERVENÇÕES DO SUPER HERÓI BAURUENSE (51)

RICOS DE BAURU, PAULO NEVES E COMO GUARDIÃO ENXERGA ESSE HISTÓRICO MOMENTO
 Domingo é um dia modorrento, ainda mais com o calor que faz em Bauru. Ontem, 03/03
ao abrir o JC, Guardião, o super-herói de Bauru quase engole o café quente com sua manchete de primeira página: “Total de bauruenses milionários aumenta até 300% desde 2005”. Lendo um pouco mais lá estava: “Grupo formado por ricos é cada vez maior em Bauru. Há quem tenha patrimônio estimado em mais de R$ 50 milhões”. Aquilo ficou martelando seu cerebelo e ainda mais quando abriu o jornal e leu mais: “Ter R$ 1 milhão deixou de ser incomum. (...) O novo rico mora em imóveis de milhões. A explosão de apartamentos e casas com valor de alguns milhões confirma o novo conceito de riqueza na cidade”.

“Inquietante”, esse o primeiro pensamento que Guardião conseguiu desferir, ainda sozinho ao sobrevoar a cidade. Pouco depois fica sabendo pela rede social internética de um dileto e considerado bauruense, ao do professor e teatrólogo Paulo Neves, com uma ótima visão sobre o tema. Desabafou Paulo: “Lendo o JC de hoje, entendi porque nenhuma das cartas propostas que mandei para a XII Mostra de Teatro foram aceitas. Pedíamos uma ajuda de duzentos reais por mês para ajudar a manter a Casa de Cultura, obtive 20 negativas. NINGUÉM quis ajudar e só mandei para os bambas da cidade,,, Explicado hoje: grupo de bauruenses milionários aumentaram desde 2005, novo rico mora em imóvel de milhões, oras ele não tem duzentos reais para ajudar a CULTURA! Pronto, explicado! Explicado, os ricos moram em palacetes e condomínios fechados, não participam de algo menor e pobre. Explicado! Êta cidadezinha sem limites, mesmo!”. 

A vontade era parar de fazer tudo o que fazia pela cidade naquele dia e ir dar um abraço pessoal no Paulo. Não o fez, mas acompanhou os muitos comentários elogiosos que seu destempero provocou. Até quando mensurou tudo foram 134 “Curtir” e outro tanto de “Comentários”. Cita alguns: “Paulo, sempre guerreiro. Emociono-me vendo que você ainda não desistiu dessa cidade, me emociono vendo o quanto luta por essa cidade...”, “Paulo, o que mais tem por aí, são pessoas com muita grana, que gostam de sair em fotos de jornais, que postam frases de Clarice Lispector, que andam em carrões e, que para ajudar na cultura, fingem que não é com eles, inventam desculpas, pois acham que é um tipo de esmola que não lhes dá credibilidade em mídia”, “Tenho certeza, que se o seu pedido fosse para as famílias menos "abastadas", teria sucesso ..... Quem quer cultura é o povo, rico não "precisa disso" e “O conceito de cultura deles, é diferente do nosso Paulo, cultura pra eles é morar em mansões e ter carrões do último modelo, ah e claro, sair no jornal na lista dos mais mais”. 

O fato é que Paulo, mesmo sem querer querendo, cutucou a onça com a vara curta e as conclusões do nosso super-herói acabaram sendo essas: “Eu vejo tudo aqui de cima. Está tudo bem delimitado, uma cerca dividindo tudo. E eletrificada, cuidado, hem! A maioria dos novos ricos mora numa Bauru, ignora, desconhece a outra e não possui interesse por nada além do seu mundinho. São felizes dessa forma, questão de berço. Não querem se misturar com os de baixo e por que o fariam? Incompatibilidade não só de gênios, mas de procedimentos. E ninguém vai lhes perguntar, nem a Receita Federal, como tudo foi amealhado? A partir desse marco estabelecido pela matéria no jornal fica decretada a existência de dois Baurus, com nomenclatura ainda não muito bem definida. Poderia ser Bauru I e Bauru II. Bauru de Cima e Bauru de Baixo. Bauru Daslu e Bauru Daspu. Não vai demorar muito vão exigir a emancipação política e administrativa do território conquistado. Quem viver verá, como apregoa um famoso radialista na cidade”.

domingo, 3 de março de 2013

DOCUMENTOS DO FUNDO DO BAÚ (48)

LÍNCOLN, O FILME, AS BARGANHAS DE ONTEM E AS DE FHC, TUDO IDÊNTICO
Ontem, 02/03, sábado, 18h30 fui ao Cine’n Fun com o filho assistirmos LÍNCOLN, o quase ganhador do Oscar 2013, filme do Steven Spielberg. O filme, como sabido, não retrata toda a vida do presidente norte-americano, mas somente o período em que esteve à frente do país e durante a sangrenta Guerra Civil. A beleza do filme foi verificar os meandros internos de um governo para tentar colocar fim à guerra e também outra batalha, também cruel, talvez até mais difícil, essa dentro de Washington, com os congressistas, tentando passar uma emenda à Constituição acabando com a escravidão. O filme é bom, talvez por ser bem detalhista.

Saio da sala e o primeiro pensamento é como as relações dos congressistas não mudaram nada daquele tempo para hoje e isso, tanto lá nos EUA como cá no Brasil. Deve ser da mesma forma na maioria dos países capitalistas. Um toma lá dá cá, que para muitos é a coisa mais normal desse mundo, mas na verdade é a prostituição política e o motivo de sua degradação. Tudo dentro de um ambiente desses é barganhado, cada passo dado é milimetricamente pensado e todas as decisões são feitas mais por interesses do que pelo bem do que se está votando. Isso ficou escancarado no filme. Assim como, num processo como esse é praticamente impossível todos deixarem de participar, desde os que votam, ao dirigente maior do país. Líncoln, que muitos dizem ter sido impoluto, impávido e não corrupto, estava ciente de todas as transações, tanto que num certo momento diz a um assessor: “Eu sou o presidente e não vou fazer isso, mas vá lá e faça o que tem que ser feito. Precisamos ganhar”.

Independente de ver se a causa era boa ou não, o fato é que a escravidão foi ali abolida. A barganha foi efetuada, alguns mudaram de lado para isso ocorrer e em todo o processo não me lembrei por um só momento do ex-presidente Lula quando disse ser o próprio Líncoln brasileiro, mas sim em FHC, o anterior a ele, Fernando Henrique Henrique Cardoso, que praticou uma barganha muito parecida com o Congresso brasileiro e por motivos muito menos nobres, a sua reeleição. Até as pedras do reino mineral sabem que barganhas desse tipo ocorreram entre gente ligada ao presidente e congressistas e FHC se fez vitorioso em seus intentos. Já virou folclore sua atuação na compra dos votos dos congressistas (falta um digno julgamento). No sistema vigente, mesmo descoberta toda a maracutaia, pelo menos aqui, tudo continua como dantes, desde que sejam amigos da mídia nativa, do contrário por muito menos é pedido a cassação ou o impeachment.  Imaginei algo surreal, FHC assistindo ao filme, observando as tratativas de negociação e vindo à sua mente como se processou as suas, muito mais nefastas, pois visou algo pessoal, benefício próprio. Será que ninguém vai perguntar isso a ele? Gostei do filme mais pela comparação e pela constatação de que tudo continua sendo votado dentro dos parlamentos da mesmíssima forma. Ou não?

sábado, 2 de março de 2013

PERGUNTAR NÃO OFENDE ou QUE SAUDADE DE ERNESTO VARELA (74)

SERIA UM ELEFANTE BRANCO? ONDE ESTARIA SUA CAIXA-PRETA? SITUAÇÃO DA COHAB
Bauru tem um enorme ELEFANTE BRANCO incrustado no alto da Nações Unidas, o prédio de algo que se tornou pesado demais para ser arcado por qualquer Prefeitura Municipal, a COHAB/Bauru. A companhia foi alimentando uma dívida que hoje beira perto dos800 milhões de reais. Ela, a Cohab foi criada para construir casas populares e com sede em Bauru, o fez em quase um centena de cidades. Por que só Bauru estaria a discutir isso nesse momento? E os demais sócios? Talvez o problema dessas outras cidades estarem dando uma banana para Bauru seja pelo fato da administração da companhia ter sido sempre bauruense e privilegiando nossa cidade. Tudo feito à revelia dos demais. Assim sendo, por que só agora quando tudo chega ao fundo do poço é que queiram ouvir os demais? O fato é que Bauru está sendo praticamente notificado pela credora, a CEF – Caixa Econômica Federal como sendo uma espécie de única fiadora da dívida. E pelo visto, Bauru e seus administradores também possuem esse entendimento. Para começar a presidência da companhia sempre foi escolha do prefeito bauruense. Entende-se disso que, quem dita tudo ali dentro são os indicados pelos prefeitos daqui. Sempre entendi assim.

Se isso é um fato, outro é que o atual presidente está encastelado no poder há mais de cinco anos, Gasparini Júnior e até uma semana atrás fugia de dar explicações esclarecedoras sobre o montante, tipos de negociação, etc. Agia escondido de tudo e de todos. Com a água batendo no pescoço resolveu vir a público, deu explicações para os vereadores e voltará ao tema no começo da próxima semana. Uma pessoa, só ele, com viagens semanais à Brasília, só para discutir esse tema (sic) deve ter mesmo detalhes interessante para relatar a todos na cidade. É o que se espera, aliás, o mínimo. O máximo seria algo sempre adiado, mas que pela seriedade da situação talvez tenha chegado o momento de sua exposição: a revelação dos SEGREDOS OCULTOS, os muitos defuntos enterrados sob as mármores de entrada da Cohab.

Nada mais que transparência. A Cohab já é considerada insolvente e não tem como pagar sozinha o que deve. Na sequência da cobrança o próximo a ser acionado é a Prefeitura Municipal de Bauru, como a garantidora dos contratos efetuados no passado. Rodrigo Agostinho, o prefeito já está predisposto a arcar com R$ 1,5 milhão ao mês para ir saldando o passivo. Isso é  menos do que os juros mensais da dívida. Gasparini Jr diz que a empresa tem ainda muito a receber, mas vai revelando isso aos poucos, drops sob drops, sem entrar em detalhes. Por que a Prefeitura bauruense está assumindo sozinho o imbróglio? O erário público municipal continuará sendo dilapidado mês após mês enquanto não forem definidas prioridades e um jogo limpo, principalmente por parte de quem parece estar a esconder algo, a direção da companhia. Gasparini Jr se impôs como presidente  e dali não sai de jeito nenhum. Seu partido, o PMDB o banca no cargo, mas passados cinco anos nada se viu de acertados passos para frente no sentido de solucionar de vez a situação periclitante da hoje deficitária companhia e em estado de falência  múltipla dos órgãos. Ou a CAIXA-PRETA da Cohab é aberta já ou a sangria continuará e a conta só irá aumentar. É chegada a hora do prefeito dar um murro na mesa e exigir seriedade dos dirigentes da Cohab. É para já.
OBS.: Ajuda substancial na elaboração desse texto recebi de contínuas matérias publicadas quase diariamente no jornal Bom Dia Bauru.

sexta-feira, 1 de março de 2013

BAURU POR AÍ (80) 

QUANTO RECEBE MESMO UM MÉDICO HOJE NOS PLANTÕES MUNICIPAIS?
Abro os jornais de hoje e lá está uma notícia inesperada. “Governo planeja "importar" médico para a rede pública - A atuação de médicos estrangeiros e de brasileiros formados no exterior na rede pública de saúde pode ser facilitada por uma proposta em debate pelo governo federal. Hoje, esse ingresso é feito principalmente pelo Revalida, exame tido como difícil e com alta taxa de reprovação. A ideia é lançar editais internacionais para que os médicos trabalhem vinculados à rede pública em cidades do interior e periferias carentes de assistência, com registro provisório de dois anos. (...) O Ministério da Saúde calcula um deficit de 160 mil médicos, que será suprimido apenas em 2035 se mantida a presente situação. (...) As entidades médicas no Brasil têm opinião contrária e criticam duramente a ideia de flexibilizar a entrada dos diplomas internacionais”.

Esse o fato. Junto a isso e vejo aqui a solução para um problema local. Dias atrás foi divulgado pela imprensa local o salário estratosférico de alguns médicos lotados na Secretária Municipal de Saúde. Alguns chegam a receber mensalmente valores perto de R$ 60 mil mês. Isso se deve ao acordo proposto pelo secretário da pasta e com a anuência da Câmara de Vereadores, que aprovou a excepcional medida como única solução para resolver de vez o problema dos médicos que não queriam mais atuar com servidores municipais, sob a principal alegação de baixos soldos. O resultado é esse e está a assustar a cidade num todo. Rever isso é mais do que necessário (assim como a lei que impede manifestações no Calçadão da Batista). E os vereadores estariam interessados nisso?

Vejo como solução duas vertentes e em ambas a utilização de profissionais estrangeiros. A primeira é a Prefeitura já ir vendo desde já os procedimentos para trazer alguns desses para Bauru. Na segunda, trazer para Bauru médicos cubanos, muito populares nas muitas intervenções que fazem mundo afora, não só em trabalhos comunitários, como o de resolução de problemas médicos. O problema aqui é crônico por um único detalhe, muito perceptível, na visível intenção de que a solução médica passe por valores estratosféricos pagos aos mesmos. No acordo com os médicos cubanos, a solução do atendimento ao menos favorecidos, emergências no SUS e Prontos Socorros, algo deplorável para os médicos que saem hoje de nossas universidades já com a mentalidade explícita de serem inseridos no rentável mercado das clínicas. Na falta desse compromisso social, a solução pode ser dada com um TRATAMENTO DE CHOQUE. Choque de percepção, choque na comparação, choque de imagem, choque no conceito e também um choque para que cumpram um mínimo, o que está prescrito no juramento que fazem quando concluem o curso de Medicina. Existindo a intenção de mudar e resolver de fato a questão minha contribuição é repassando o telefone de contato do Cônsul Geral cubano em São Paulo, sr Lázaro Méndez Cabrera (FOTO), números 11.3865.7975 ou 11.38645052. É pegar ou largar, resolver de vez ou deixar como está e ir observando como a cada mês os cofres municipais vão sendo cada vez mais dilapidados.