quarta-feira, 7 de outubro de 2015

PRECONCEITO AO SAPO BARBUDO (94)


NO LIMITE: IMPOSSÍVEL OCULTAR O ÓDIO – REAGIR É PRECISO
Primeiro o caso da morte em Belo Horizonte do ex-ministro, ex-presidente da Petrobras e do PT, o Luiz Eduardo Dutra. Leiam só um dos muitos textos sobre o tema publicados na imprensa. Clicando a seguir:http://www.brasil247.com/…/O-%C3%B3dio-pol%C3%ADtico-e-o-vi…. Se isso não é ódio, perdoem-me, mas não sei mais o que venha a ser. Foram distribuir panfletos no velório do Dutra.

A mesma cena se repete em Bauru. O vereador Roque Ferreira ex-PT, agora no PSOL, teve um enfarte e está internado no Hospital da Unimed em Bauru. Tatiana Calmon, sua esposa publica hoje algo sendo vislumbrado via facebook. Leiam primeiro seu texto e depois observem o que escreveram dele na reprodução que faço ao lado: “Parece brincadeira. Chegamos num nível praticamente insuportável de agressões. Pessoas movidas o tempo todo por ódio, praticando e desejando mal. Desde o instante que meu companheiro Roque Ferreira teve problemas de saúde e foi socorrido temos sofrido diversos tipos de ataques. O telefone da minha casa, tocou várias vezes durante a noite e madrugada. Algumas vezes ouvia-se uma respiração, da outra vez um riso, e outras vezes apenas o som de um telefone sendo desligado. Nas redes sociais, onde muitos mostram seu melhor lado, o desrespeito é enorme. Roque tem plano de saúde sim, e não por ser vereador e não por ser do PT. Tem, como todos os ferroviários da ativa sim, pois, apesar dele estar exercendo um mandato ele tem profissão. Guardem os rojões, a vida segue”.

A bestialidade humana está atingindo seu ápice pelas redes sociais. O tal do “ovo da serpente” já passou da fase embrionária de estar sendo chocado. As serpentes já estão soltas e fazendo das suas. O importante é não reagir com algo do mesmo nível, mas esse algo precisa e deve ser feito já. Também pelo facebook leio e reproduzo só duas das boas respostas dada ao casal Roque/Tati. “Já disse e repito: estamos sendo por demais tolerantes. Fascistas são fascistas: não se trata de ignorância, de falta de empatia, ou de qualquer outra coisa semelhante ou que minimamente lembre o que nos torna humanos. São fascistas e como tal devem ser combatidos e destruídos.”, escreveu o professor Almir Ribeiro. “Tatiana, melhoras ao Roque Ferreira! Quanto às bestialidades da internet, ignore, ao menos por ora!”, escreveu Luiz Henrique Rafael, procurador do MIT – Ministério Público do Trabalho.

A repulsa é grande e busco as causas de tudo isso que viceja nas ruas em poucas linhas. O PT errou e muito quando no Governo, deu margem à isso tudo. Antes dele todos no Governo sempre agiram da mesmíssima forma. A diferença é que o PT propunha o diferente e quando lá, algo foi feito nesse sentido, inegável isso, mas inegável terem também cometido os mesmos erros dos demais. Só que, pela sua pregação de uma vida inteira, nunca foi aceito pelos demais e esses não o perdoaram. Merece a punição, assim como todos os demais. Os demais, entrelaçados com Judiciário e com maioria política nas instâncias legislativas, para continuarem fazendo o que sempre fizeram e em conluio com a mídia, criminalizam só ao PT, isentando os demais, tão os mais perversos.
Tanto foi feito, falado, escrito, publicado, noticiado que, de tanto ser repetido, tudo o que contenha a simples menção da sigla PT está sendo associado à corrupção. Isso um lado, incautos caem nisso. Do outro, uma significativa parcela de brasileiros que nunca aceitaram mudanças progressistas e não fazem questão nenhuma de se mostrarem atrelados, unha e carne, com os interesses da casa grande & senzala. É a direita que não se diz de direita e sim, liberais. Uma ova. É uma turba que, até então, esteve quieta, sufocada pelos avanços todos, porém aguardando a exata oportunidade de por as manguinhas de fora. Fascistas por natureza. No balaio de gato onde vivemos hoje os dois grupos se unem, um escorado no outro e fazem de tudo e mais um pouco para tentar sepultar de vez não só o PT, mas tudo o que possa ter alguma conotação de esquerda.

Minha derradeira conclusão: O presenciado com Dutra e Roque é só o começo. O clima está criado e se nada for feito e já, eles só avançarão, mais e mais. Se quiserem esperar piorar, basta se aquietar agora e esperar que tudo se resolva com o tempo. Amanhã será tarde demais. Contem comigo para a reação que se faz necessária. Não é o momento de se esconder e sim de enfrentar a bestialidade toda. Esperar o que? Alguns deles já deram o tom de como enxergam seus adversários: “Tem de morrer essa corja!”. Não desejo a morte nem para esses, mas necessitam ser calados, se não pela razão e pela lei vigente, talvez pela força advinda das ruas. Ela existe e precisa ser insuflada e já.

terça-feira, 6 de outubro de 2015

COMENTÁRIO QUALQUER (144)


UMA NO CRAVO E OUTRA NA FERRADURA
A NO CRAVO: ESSA EU ME CURVO TODA VEZ QUE A VEJO...
Uma batalhadora na acepção da palavra. Beirando os oitenta anos continua na lida e sem poder parar. Dona Hilda de Souza é catadora de papel e mora lá no Fortunato Rocha Lima, beirando a rodovia Bauru/Marília. Sobe e desce a pé e empurra seu carrinho sempre cheio de papelão pelas ruas. Já escrevi muito dela e apresentei o meu primeiro trabalho/artigo acadêmico tendo ela como pano de fundo. Não só as agruras do seu dia a dia, mas a continuidade da exploração que todos sofrem na pesagem e revenda do que coletam. Na cidade, algumas cooperativas funcionando mas nas mãos de gente com ligação umbilical com associações de moradores e outros interesses, muitos deles políticos. Muita coisa acaba não batendo com os interesses desses trabalhadores. Recebi de uma amiga de bancos escolares de mestrado na Unesp um belo trabalho feito aqui sobre essa realidade, o exato ponto nevrálgico da atuação dessas cooperativas, onde acertam e onde ainda erram e muito. Quando terminar a leitura, com a permissão da autora, quero publicá-lo aqui, pois versa sobre um baita de um problemão bauruense. Por enquanto, fiquem com duas doloridas fotos de dona Hilda, tiradas ontem perto do Poupatempo. Ao revê-la pelas ruas, dia após dia e nunca em momentos de lazer, mas sempre na lida, aquilo que me faz continuar tentando fazer algo para denunciar e tentar alterar algo dessa tremenda desigualdade existente entre as classes sociais no mundo em que vivemos. Gente como dona Hilda merece e muito estar em outra condição. Essa sim é uma baita de uma merecedora de um Título de Cidadania Bauruense e da página inteira na Entrevista da Semana do JC dominical. Sua história de vida é a desses tantos que enfrentam o touro a unha e não podem esmorecer um só segundo. Uma das figuras mais simpáticas do centro da cidade. Experimentem ir bater um papo com ela e depois me contem...

E A NA FERRADURA: SE O ALCKMIN PROIBIU É PORQUE TEM ALGO DE ESQUISITO ALI NO METRÔ
Eu não quero só falar mal do governador Alckmin, mas ele e os que o defendem com unhas e dentes fazem de tudo (e sempre mais um pouco) para que continuemos no bombardeio. A homenagem pelo que fez com a questão da água já era o ridículo do ridículo e o “amigão” querendo laurear o chefe deveria ser sim penalizado, pois o expôs ao ridículo. Passado isso, quando se esperava uma trégua para acalmar a gozação, eis que hoje algo mais sério é divulgado. Por ordem superior do Governo paulista de agora em diante está proibida a divulgação de qualquer matéria ou informação sobre os bastidores das maiores construções ocorrendo em São Paulo, sendo a principal delas as do Metrô, cujos valores já são objeto de escândalo internacional. Só daqui a 25 anos. Mas com que autoridade se pode fazer algo assim? Sinceramente não sei. Num momento em que a transparência é tudo o que se pede, uma lei draconiana como essa é tudo o que a oposição pede para deixar transparecer a existência de algo mais do que suspeito nessa e em outras obras envolvendo o Governo do Alckmin. Na alegação estás dito que tudo foi feito para evitar o uso das informações ocultas por gente mal-intencionada ou inabilitada. O que seria isso? Investigar não pode? Imaginem se Dilma fizesse aprovar algo assim? Estaria impeachmentada no ato, mas com o Alckmin o povo paulista adora fazer vista grossa e joga tudo novamente para debaixo do tapete. O que alguém em sã consciência pretende com uma lei dessas? Tentem me convencer de que não é para esconder algo. Quando criança, meu pai querendo nos impedir de fazer algo proibia e daí era o mesmo que dizer: “Façam”. Quem não gosta do que é proibido? Ainda mais nesse caso, onde algo já foi descoberto e agora tentam brecar tudo com lei que nem sei se tem validade legal. Agora danou tudo, pois vejo implícito na proibição algo tão revelador quanto tudo o que já foi apurado. Eles estão se entregando minha gente!!!!

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

PERGUNTAR NÃO OFENDE ou QUE SAUDADE DE ERNESTO VARELA (104)


SKAF DA FIESP MENTIU, DIZ QUE NÃO, MAS PAGOU SIM PELO PATO
Paulo Skaf o atual presidente da FIESP gosta mesmo de um jogo de cena. Lançou uma campanha nacional e espalhou uma pataiada país afora e neles todos gravado algo assim "NÃO PAGO O PATO". Até em Brasília tinha o tal patão, aquele gigante, inflável e lá a gravação com algo que descobri ser deslavada mentira. Na verdade, a FIESP e SKAF pagaram pelos patos todos. A campanha é milionária e os contribuintes atrelados à tal entidade profissional pagaram a conta da confecção de todos os patos do protesto, encomendados todos por eles mesmos. Se acham que falto com a verdade, peçam para ele mostrar as faturas e os comprovantes do pagamento da pataiada. Foi ele quem pagou o pato e não quer admitir. Vejo que a FIESP não gosta muito de assumir publicamente o pagamento do pato pelo Sonegômetro brasileiro, mesmo esses índices baterem na estratosfera e terem entre os seus os maiores nesse quesito. E, depois insufla o país, assim como não quer nada, dizendo que somos o país onde mais se paga imposto, o que não é de todo verdade. Ou seja, ele não só encomenda o pato, como depois paga pelo pato e ainda quer esconder de todos o feito. Mentiu descaradamente... Mais uma pataiada de sua lavra!

PUTIN ACERTANDO O ALVO NA SÍRIA E OBAMA NÃO NO AFEGANISTÃO

Os EUA praticamente destruíram o Iraque, Afeganistão, Iraque, Síria e outros nas adjacências e em curso, provocando essa diáspora que hoje ocorre mundo afora. Gente fugindo de suas terras, abandonando tudo para tentar a vida em outras paragens. A instabilidade toda foi provocada por quem? Não teria sido o petróleo e os interesses norte-americanos os causadores de tudo? Sim, evidente. Provocou também essa avanço desmedido e incontrolado do EI – Estado Islâmico, tão ou mais cruel que o próprio EUA. Da insanidade desses bestiais malucos, todos vivendo nababescamente, pregando algo aloprado como se muçulmano fosse violência e mais violência. É isso ou isso. Estados inteiros sendo destruídos e o mundo se calando, vendo tudo como se nada nos tivesse um tiquinho a ver com a gente. Daí a Rússia do sr Putin resolve dar o seu jeito, atende chamado sírio e começam a bombardear as instalações dos mais desvairados dentre todos em voga. Não vi nada até agora sobre terem errado os alvos. Dos EUA, novamente mais uma pataquada, quando destroem um hospital cheio de inocentes no Afeganistão. E o telejornalismo que ando vendo vias mídias locais ainda se mostra com um pé atrás com Putin e aceitando cordialmente as esfarrapadas desculpas dos norte-americanos. Afinal, querem ou não dar um basta nesse tal de EI? Pelo que estou entendendo tem gente querendo amenizar as coisas para os do EI? Não tem algo de muito errado nisso ou eu é que pirei de vez?

O FIM DAS HORAS EXTRAS NA PREFEITURA DE BAURU EM TRÊS MOMENTOS:
 
1.) "Devido ao desaparecimento misterioso de uma postagem minha de ontem (04/10) sobre a medida da prefeitura municipal de bauru em reduzir horas extras dos funcionários e consequentemente escalas de serviços de saúde incompletas, realizo novamente a postagem com o meu direito de liberdade de expressão. Segue abaixo a foto anexa da postagem", postagem de Natália Zanferrari no facebook com a foto da conversa no facebook. 

2.) "Henrique, respondo por aqui, pois não havia opção de comentar. Se pensarmos que o papel do vereador é fiscalizar o Executivo, essa relação promíscua é inaceitável. Por outro lado, não gosto de individualizar na análise, como se esse fosse um problema de determinados indivíduos ou partidos. O problema que você relata aí ocorre aqui, lá e acolá. Em todo lugar no Brasil onde houver governo e situação, haverá essa promiscuidade. Essa democracia de coalização sempre será refém dessas composições absurdas. Por outro lado, há uma questão bem objetiva nesse caso que é denunciado. Para além de todas as distorções que existem na democracia brasileira, há uma completa inversão de valores nesse caso. Ferram com quem trabalha de fato, em um serviço essencial para as pessoas, ao mesmo tempo em que mantêm as regalias dos apaniguados", resposta do jornalista Rodrigo Ferrari. 

3.) "Exato.Não se pode tapar o sol com a peneira. Sabemos da existência de distorções também entre os funcionários normais. Muitos dão um jeito de embromar. Também não é exclusividade daqui de Bauru. Algo que precisa ser melhor conduzido. Ninguém gosta desse tal de Banco de Horas, mas quando implantado e com acompanhamento rigoroso, uma possibilidade real de compensação. Mesmo assim existem alguns que necessitariam continuar fazendo Horas Extras e pelo visto a coisa foi generalizada para tudo e todos, sem exceções. Já os apaniguados comissionados que recebem e não trabalham está na hora de colocar um fim nisso. Aproveitem o momento dito de crise e que se acabe com os sanguessugas", a resposta dessa HPA.

domingo, 4 de outubro de 2015

MÚSICA (128)


‘ADEUS, CINCO LETRAS QUE CHORAM’ FOI CANTADA NA DESPEDIDA DE MINHA TIA EDI PERAZZI*

*Desculpem a falta de pique no dia de hoje, perdi minha tia, irmã gêmea de minha mãe e hoje nada mais que isso, um homenagem para ela.
Edi e foto da gêmeas.
Velório sempre é muito triste. Mais triste ainda o momento da despedida e da fechada do caixão. Meus três primos, os filhos de minha tia EDI PERAZZI, 78 anos, irmã gêmea de minha mãe ENI PERAZZI (falecida aos 74), falaram e emocionaram a todos: Célia, Beto e Guto. Minha tia foi, dentre tantas coisas uma mulher que tinha sebo nas canelas, adorava a rua e suas vertentes.Dançava que é uma maravilha, carnaval era com ela mesmo e também, como última atividade de sua vida, participava ativamente do grupo Tricoteiras do Face. Tricotava como poucas, ela e minha mãe. Tenho aqui guardado algumas das preciosidades tecidas pelas mãos hábeis de ambas. Sexta passada, depois da despedida dos três filhos, algumas pessoas ali presentes e com uma inscrição na camiseta, “Veteranos da Canção”, um grupo de cancioneiros e trovadores urbanos bauruenses, onde minha tia e seu marido, o Rubens também faziam parte. Pediram para fazer a despedida com uma das canções que ela muito gostava e cantava no grupo. Foi a “Adeus, cinco letras que choram”, do Francisco Alves, que aqui peço para escutarem na voz de Elba Ramalho. Todos cantamos juntos e eu aqui, já escutei outro montão de vezes. Cliquem a seguir e relembremos juntos mais essa do Rei da Voz: https://www.youtube.com/watch?v=KiEHUmmdX3Y

Adeus, adeus, adeus
Adeus
Adeus, adeus, adeus
Cinco letras que choram
Num soluço de dor
Adeus, adeus, adeus
É como o fim de uma estrada
Cortando a encruzilhada
Ponto final de um romance de amor

Quem parte tem os olhos rasos d'água
Sentindo a grande mágoa
Por se despedir de alguém
Quem fica, também fica chorando
Com um lenço acenando
Querendo partir também
Adeus, adeus, adeus
Adeus, adeus, adeus

Por fim, achei no youtube o grupo cantando CHALANA e dentre
eles, minha tia Edi e Rubens. Matando bruta saudade. Cliquem a seguir:https://www.youtube.com/watch?v=xtAiEHTsB1g

PS.: Amanhã volto à ativa, hoje peço, me deixem ficar remoendo minhas dores internas e externas.

sábado, 3 de outubro de 2015

FRASES DE UM LIVRO LIDO (96)


A ALMA DAS RUAS CONTIDA NUM TEXTO - NOS LUGARES E PESSOAS DE MINHA ALDEIA
Lendo muito para o mestrado. Dentre as muitas leituras, um livro que já li e reli várias vezes, “A alma encantadora das ruas”, obra imortal do João do Rio. São crônicas do início dos anos 1900 na então Capital Federal, o Rio de Janeiro, mas nos seus lugares, situações e personagens com o viés de ver e entender as misérias humanas. O autor foi um autêntico flâneur, percorrendo becos, vielas, botequins, tortuosos caminhos, atento observador das misérias, tudo para relatar com fidelidade o que de fato ocorria nas ruas. Do livro extraio a sua frase mais linda e significativa, “EU AMO A RUA”. Busquei o livro, pois nessa edição em minhas mãos, a de 1991, um ensaio o abre, “A RUA” e ali muito do que faço, busco e me preenche intelectual, social, políticmente e como também não fico sem descrever meus relatos das trombadas que vou tendo, produzo algo com o que fui presenciando nessa semana, tudo junto e misturado com o que retiro do livro. Na mistura, algum entendimento, talvez elucidação dos meus motivos. Quando os trechos estiverem entre aspas será obra do João do Rio e sem aspas é coisa minha. Vamos...

“Eu amo a rua. (...) Tudo se transforma, tudo varia – o amor, o ódio, o egoísmo. Hoje é mais amargo o riso, mais dolorosa a ironia. Os séculos passam, deslizam, levando as coisas fúteis e os acontecimentos notáveis. Só persiste e fica, legado das gerações cada vez maior, o amor da rua. (...) A rua é um fator da vida das cidades, a rua tem alma!”.

Circulo pelo Calçadão da Batista e lá reencontro Celsão, um artesão a viver de sua arte. Seu ponto fico é na praça Rui Barbosa, mas desde que a reforma do lugar começou o ajuntamento dentre os tantos por lá tornou impraticável seu comércio. Beneficiado que foi por ação do vereador Roque Ferreira, propiciando aos artistas atuarem no Calçadão mudou-se de mala e cuia para defronte a loja Pernambucanas e lá, com sua lona estendida no chão e seu alicatinho nas mãos, torce e retorce suas peças. Ao me ver sou chamado e me diz: “Escreva de mim, agradeça ao Roque por poder estar aqui. Isso foi conquista dele. Hoje, não só a praça é do povo, como o Calçadão”. Celsão é daqueles que, como eu, inventaram o próprio emprego e viaja país afora, fazendo turismo ao seu modo e jeito, ou seja, conhece lugares e trabalha nessas praças. Eu já parei com isso, ele não, o fará, pelo visto enquanto tiver forças.

“Em Benares ou Amsterdã, em Londres ou em Buenos Aires, sob os céus mais diversos, nos mais variados climas, a rua é a agasalhadora da miséria. (...) A rua é o aplauso dos medíocres, dos infelizes, dos miseráveis da arte. (...) A rua é generosa. (...) A rua é transformadora das línguas. (...) A rua nasce, como o homem, do soluço, do espasmo. Cada casa que se ergue é feita do esforço exaustivo de muitos seres... (...) A rua sente nos nervos a miséria da criação, e por isso é a mais igualitária, a mais socialista, a mais niveladora das obras humanas. A rua criou todas as blagues e todos os lugares-comuns.”.

Descendo a Antonio Alves, ali defronte o Empório Barres, do outro lado da rua permaneceu por anos um vendedor e sua velha perua Kombi, primeiro vendendo frutas e legumes, depois só plantas. Seu nome era conhecido de todos, simplesmente João. De uma hora para outra sumiu, escafedeu-se. Preocupado fui perguntar dele no estacionamento onde guardava suas coisas. O que ouvi foi reconfortante. Assim recebi a informação: “João precisava se aposentar e conseguiu um emprego no CEASA, no box de flores. De segunda a sábado está lá, mas aos domingos continua na feira. Passe lá, vai ficar contente de saber que se interessam por ele”. Passarei nem que for para o abraço. João conseguiu galgar alguns degraus acima.

“A rua é a eterna imagem da ingenuidade. Comete crimes, desvaria à noite, treme com a febre dos delírios... (...) A rua faz as celebridades e as revoltas, a rua criou um tipo universal, tipo que vive em cada aspecto urbano, em cada detalhe (...), criatura que pede como se fosse natural pedir, aclama sem interesse, e pode rir, francamente, depois de ter conhecido todos os males da cidade, poeira d’ouro que se faz lama e torna a ser poeira – rua criou o garoto. (...) Para compreender a psicologia da rua é preciso ter espírito vagabundo, cheio de curiosidades malsãs e os nervos com um perpétuo desejo incompreensível, é preciso ser aquele que chamamos flâneur e praticar o mais interessante dos esportes – a arte de flanar.”.

Na esquina de baixo, ainda Antonio Alves com Ezequiel Ramos, no quintal da Casa Ponce Paz, sempre por ali o velho pintor e sua tela, retrando ao ar livre e fazendo questão de ser visto. Ele me diz: “Muitos passam e estranham, não estão acostumados. Em São Paulo ainda existem alguns como eu, aqui, pelo visto, hoje só eu. Adoro os que passam e puxam conversa. Até paro de pintar só para conversar melhor”. Junto dele um típico personagem das ruas, Denis Marques, um profundo conhecedor dos meandros das ruas bauruense, o que me deu a dica para escrever dias atrás sobre o “Ponto Vinte”, o dos taxistas que trabalhavam no movimentado ponto da zona. Conhece tudo das ruas, fonte inesgotável de pesquisa, uma enciclopédias ambulante sobre tipos, lugares e ocorrências. Se quer saber de fato algo das ruas fale com gente assim, que vive nelas. Aprendi isso e disso faço uso.

“Flanar! Aí está um verbo universal sem entrada nos dicionários, que não pertence a nenhuma língua! Que significa flanar? Flanar é ser vagabundo e refletir, é ser basbaque e comentar, ter o vírus da observação ligado ao da vadiagem. Flanar é ir por aí, de manhã, de dia, à noite, meter-se nas rodas da populaça, admirar o menino da gaitinha ali na esquina, seguir com os garotos, gozar nas praças os ajuntamentos, conversar com os cantores, é ver os bonecos pintados a giz nos muros das casas, é estar sem fazer nada e achar absolutamente necessário ir ali, levado pela primeira impressão, por um dito que faz sorrir, um perfil que interessa, um par jovem cujo riso de amor causa inveja...”.

Na banca de revistas eu bato os melhores papos desse mundo. Tenho algumas de minha preferência. Gostava muito da do Cláudio ali na Duque, mas ele foi dar um jeito numa lá na vila Falcão, defronte o Confiança e deixou a da Duque aos cuidados do filho, o Gustavo. Passo lá, mas o ajuntamento diminuiu. Converso muito na da Hilda, defronte o verdadeiro aeroporto. Ela é uma figura, aliás, imensa figura humana. Vive para seus cães, observadora como poucos. O aposentado Roberto Maldonado não sai dali, prefere ficar na prosa ali na rua do que dentro de casa. Não bate mais cartão, vai além disso, tanto que Hilda quando precisa se ausentar, como agora, cheia de dores, fisioterapia diária, larga tudo aos cuidados do amigo. Ele também muito bom de papo. A conversa fiada tem ali pouso e morada.

“Há nada mais enternecedor que o princípio de uma rua? É ir vê-la nos arrebaldes. (...) Oh! Sim, as ruas tem almas! Há ruas honestas, ruas ambíguas, ruas sinistras, ruas nobres, delicadas, trágicas, depravadas, puras, infames, ruas sem história, ruas tão velhas que bastam para contar a evolução de uma cidade inteira, ruas guerreiras, revoltosas, medrosas, aristocráticas, amorosas, ruas covardes, que ficam sem um pigo de sangue... (...) Há ruas que, pouco honestas no passado, acabam tomando vergonha. (...) Há entretanto outras ruas, que nascem íntimas, familiares, incapazes de dar um passo sem que todas as vizinhas não saibam. (...) Qual de vós já passou a noite em claro ouvindo o segredo de cada rua? Qual de vó já sentiu o mistério, o sono, as ideias de cada bairro?”.

Eu sempre fui vidrado em porteiros de prédios. Tem uns que são chatos pra dedéu, mas quando dão para serem bons e conversadores, sai de baixo. Daí tornam-se inigualáveis. Conheço vários e não existe solidão para quem mora sozinho e tendo um porteiro bom de papo, consiga se dizer em depressão. Seu Nezio Martins, que trabalha ali na travessa entre o shopping e o Aeroporto é um belo exemplo. Não queira lhe passar a perna, pois já viu de tudo nesse mundo, mas é a bonança em pessoa. Só não converso mais com ele, pois tenho medo de atrapalha-lo lá no seu ofício diário. Bom porteiro não é fofoqueiro, não fica no disque-disque, mas sabe prosear, contar histórias, ouvir causos e ser em muitos caos mais do que um bom conselheiro. Deveriam até por causa disso ganhar mais do que o próprio prefeito.

“A alma da rua só é inteiramente sensível a horas tardias. (...) Se as ruas são ente vivos, as ruas pensam, tem ideias, filosofia e religião. Há ruas inteiramente católicas, ruas protestantes, ruas livre-pensadoras e até as ruas sem religião. (...) Entre as ruas existem também as falsas, as hipócritas... (...) Mas o importante, o grave, é ser a rua a causa fundamental da diversidade dos tipos urbanos. (...) A rua é a civilização da estrada. Onde morre o grande caminho começa a rua, e, por isso, ela está para a grande cidade como a estrada está para o mundo. (...) nas grandes cidades a rua passa a criar o seu tipo, a plasmar o moral dos seus habitantes, a inocular-lhes misteriosamente gostos, costumes, hábitos, modos, opiniões políticas.”.

Hoje passei lá pela Bernardino de Campos na saída da Falcão e nela vi algo que quase me fez bater o carro. Uma pequena porta aberta e lá dentro algo inebriante, o reduto profissional de um alfaiate. Um alfaiate resiste ali naquele lugar e ao olhar lá para dentro vejo muita roupa sob as mesas, demonstrando que algum trabalho ele deve ter por ali. Esse resistente personagem deve ter histórias mil para contar, relatos desconcertantes de vida e não conseguirei ficar muito tempo sem ali aportar, assuntar de quem seja o dono, ouvir, ouvir e ouvir. Alguém aí sabe quem possa ser esse tal de Valsan Alfaiate?

“Oh! Sim, a rua faz o indivíduo, nós bem o sentimos. Um cidadão que tenha passado metade da existência numa não se habitua jamais com outra. Os intelectuais sentem esse tremendo efeito de ambiente, menos violentamente, mas sentem. (...) As pedras! As pedras são as couraças das ruas, a resistência que elas apresentam ao novo transeunte. (...) As ruas são tão humanas, vivem tanto e formam de tal maneira os seus habitantes, que há até ruas em conflito com outras. Os malandros e os garotos de uma olham para os de outra como para os inimigos. (...) O homem, no desejo de ganhar a vida com mais abundância ou maior celebridade, precisa interessar à rua. (...) No espírito humano a rua chega a ser uma imagem que se liga a todos os sentimentos e serve para todas as comparações.”.

O maior maravilhamento que vejo lá no Carioca, o tal da banca de livros no meio da Feira do Rolo é por descobrir ser ele um aglutinador de pessoas. Uma imensidão de gente gravita no seu entorno e só estão ali por causa dele, eu um desses. E quando descobri isso, passei a ir mais e mais, ou seja, o cara é dotado de um alto poder magnetizante, inebriante, um perigo, diria, pois pode nos levar para cima ou para baixo, para o nirvana ou para o buraco. Não me preocupo com isso. O que me motiva é ver o tanto de gente que por ali passa, ali para conversar, simplesmente jogar conversa fora. Aquele lugar merece mais do que um tratado sociológico, merece um amplo estudo de como algo tão simples pode vir a ter um inestimável poder de convergência humana. Carioca, mesmo sem o saber é um desses seres iluminados, acima do bem e do mal, propiciando a felicidade para muitos, pelo simples fato de ali estar, de ali permanecer e de ali irradiar coisas boas para tudo, todas e todos. Poderoso essa cara, viu!

“...considerarei a rua um ser vivo, tão poderoso que consegue modificar o homem insensivelmente e fazê-lo o seu perpétuo escravo delirante. (...) A rua tem ainda um poder de sangue e de sofrimento. (...) olhai o mapa das cidades modernas. De século em século a transformação é quase radical. As ruas são perecíveis como os homens. A outra, porém, essa horrível rua de todos conhecida e odiada, pela qual diariamente passamos, essa é eterna como o medo, a infâmia, a inveja. (...) Talvez que extinto o mundo, apagados todos os astros, feito o universo treva, talvez ela ainda exista, e os seus soluços sinistramente ecoem na ruína, rua das lágrimas, rua do desespero – interminável rua da Amargura...”.

Encerro esse longo texto sabadal com algo que li na última edição da revista Piauí, edição de setembro 2015. Dentre tudo o que tinha lá para ser degustado, algo me chamou a atenção. Para muitos passaria batido. Foi no texto onde um jovem escritor, Ta-Nehisi Coates explica, numa carta ao filho, o que significa ser negro na América latina. Certa vez em Chigaco, descendo pela rodovia Dan Ryan contempla pela primeira vez um imenso local com apartamentos populares para pobres norte-americanos, o STATE STREET CORRIDOR. Olha o que ele escreveu do lugar: “Uma extensão de mais de seis quilômetros de conjuntos habitacionais decadentes. Havia moradias populares desse tipo por toda Baltimore, mas nada tão abrangente. Essas moradias me parecem um desastre moral não apenas para as pessoas que lá viviam, mas para toda a região, uma metrópole de pessoas que se transportam todo dia de suas casas para o trabalho e passam por ali, e que com sua muda aquiescência toleram uma coisa dessas. Mas nesses prédios havia muito mais do que eu, mesmo com toda minha curiosidade, estava preparado para ver”. São esses lugares que me interessam. Fiz uma pesquisa rápida e iguais a ele, muitos aqui perto de nós, em menores proporções, mas tão ou mais aviltantes e neles pessoas, gente cheia de vida e histórias. É isso, é sobre a alma contida nisso tudo que reside o meu mais profundo interesse. Conhecer para transformar e mudar. Vamos que vamos.

Leiam também isso, na mesma linha: file:///C:/Users/Henrique/Downloads/218-4091-1-PB.pdf

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

O PRIMEIRO A RIR DAS ÚLTIMAS (13 e 14)


1.) AREIA MOVEDIÇA NA NUNO DE ASSIS É PARA FILMAGEM DO NOVO INDIANA JONES

Seria cômico se não fosse trágico. O cenário da avenida Nuno de Assis em Bauru nos últimos dias é exatamente esse, o de algo beirando o cômico, mas recheado de tragédia. A avenida está de pernas para o ar e passando por maus bocados desde que, ali foi iniciada as obras dos emissários por onde começariam a ser resolvidos os problemas do esgoto lançados no ribeirão Bauru. Uma interminável interdição ainda em curso fecha passagens e causa o caos na região. Com uma programação fugindo da lógica, espécie de vai e vem, as obras perderam o rumo e estão desorientadas. Para piorar tudo, parte do que já foi terminado está ruindo, ou seja, afundando. Com as últimas chuvas, pesados caminhões afundaram em crateras abertas assim do nada. Simplesmente passando pelo lugar quando tudo se afunda. Um cenário bem propício de filmes de antanho, ao estilo Tarzan ou Indiana Jones, quando alguns dos algozes do homem da selva, desconhecendo o terreno por onde adentravam, acabavam caindo numa área onde iam afundando e ficavam só com o pescoço para fora. Um gaiato aqui da região, ouviu o Tizoco dizer no rádio que é isso mesmo: AREIA MOVEDIÇA NA NUNO. Pior seria se Broncolino, o colunista cujo slogan era “O primeiro a rir das últimas”, que com absoluta certeza não perderia a oportunidade de ironizar por obra tão mal sucedida e praticamente necessitando de uma completa revisão em toda sua extensão. Escreveria assim em sua coluna: “Atenção. Tráfego permitido na Nuno de Assis, mas para veículos com no máximo 1200 quilos (peso médio de veículo de passeio). Caminhões nem pensar”. O cenário está pronto, aguardamos somente a chegada do Indiana Jones para seu mais novo filme, dessa vez nas barrancas do ribeirão Bauru.


2.) O VAMPIRO PASSOU POR BAURU, MAS NÃO SE ATREVEU A DESCER NO AEROPORTO DE AREALVA - PREFERIU O AEROCLUBE
Podem me desdizer a vontade, quanto mais o fazem, mais posto algo nesse sentido. Inventaram o tal do aeroporto lá em Arealva onde uns poucos ganharam os tubos. O grande negócio de cargas está no papel e assim permanecerá até não sei quando. Nessa semana vieram me dizer da especulação que precisa lotear mesmo a área inservível do Aeroclube e só manter seus prédios históricos, enchendo tudo de prédios e mais prédios. Calado fiquei. Hoje dou a resposta. O senador José Serra (pelo qual não nutro nenhuma simpatia, diga-se de passagem) passou por Bauru ontem para palestrar na ITE. Asneirou à vontade, inclusive contra a aprovação do fim do financiamento privado nas campanhas políticas. Isso uma coisa e o que ressalto aqui outra. Sabem onde seu jatinho desceu? Quem afirmou Aeroporto de Arealva errou e feio. Todos, disse todos, descem no Aeroclube de Bauru, aqui no centro da cidade. O desprezo pelo elefante branco é mais do que evidente e até por aqueles que estiveram envolvidos na aprovação para transferência para o meio do mato, como o partido pelo qual sempre militou o famoso Vampiro Tucano. Que diria disso o intrépido Broncolino, o "primeiro a rir das últimas"? Simplesmente colocaria uma notinha ao seu modo e jeito, talvez dessa forma: Pois é, o outro é a modernidade em forma de projeto e com tudo em cima, mas o velhusco continua atraindo a tudo e todos? Se até o Vampiro faz uso dele, acho que a maldição do outro está mais do que comprovada.

OUTRA COISA
COMO PROCESSAMOS O EXCESSO DE INFORMAÇÕES RECEBIDAS
Permaneço toda a tarde de ontem em sala de aula. Logo no início uma questão foi lançada à baila: COMO VOCÊ GERENCIA O EXCESSO DE INFORMAÇÃO? Sim, somos sufocados por muita informação, mas em sua maioria, algo desnecessário, inútil, que em nada contribuirá para nada de nada. E absorvemos muito disso, dessa inutilidade toda e de certa forma, praticamente impossível processar tudo, deglutir e depois passar adiante. Essa rapidez e facilidade com que ao abrir o computador, tudo diante de nós, sempre muitas dúvidas: Estamos recebendo de fato algo útil? Poucos são os que estão sabendo lidar com sabedoria diante desse momento. E a vertentes são muitas.

Parar com tudo é a solução? Claro que não. Filtrar e selecionar o recebido é o mais adequado. Tento fazer isso. Sou seletivo. Ao acordar leio o jornal local, na sua versão impressa e compro uma revista semanal, além de umas três mensais. Ao abrir a internet, primeiro leio meus e-mails e os respondo. Abro o site de um jornal estrangeiro latino e mais dois blogs. Ao abrir o facebook, diante da enxurrada, leio as primeiras, ali no topo e me atento para umas dez páginas, ou seja, clico nelas. E depois, vejo o que rolou de minhas postagens, comento e posto novas. Volto ao face algumas outras vezes ao dia e se o mantenho ligado, talvez mais pelos grupos de estudo, todos ligados ao mestrado, com textos e mais textos. E assim como todos, vejo tudo o que rola, mas tento não me deixar levar pela empolgação. Resisto e não acredito ter ainda a necessidade de ter internet no meu celular, pois quero ler, ver TV, conversar, sair e divagar.


Não me canso de repetir a história passada comigo da moça que liga aqui de uma dessas empresas de telefonia/internet e por ter descoberto que não possuo plano com mil canais e com internet baixa, liga e diz ter algo para revolucionar minha vida. Oferece um plano com os tais todos canais e um aumento de internet com megas aos borbotões. A mesma resposta dou para todas. Digo querer continuar com meu plano de TV com poucos canais e com a interne baixa, suficiente para o que faço e não quero aumentar nada disso pelo simples fato de ser rueiro, de gostar de cinema, bares, livros, conversa fiada e tendo tudo o que me oferece, com certeza ficaria mais em casa e adoeceria. Como não quero adoecer, recuso. Por fim sempre rimos e na maioria das vezes ouço algo interessante do lado de cá: “Gostaria de ser como senhor”.

Não sou diferente de ninguém, pois vejo e faço tudo o que todos fazem. Já entrei de boca nisso tudo e vi que se continuasse, sairia mesmo doente. De nada nos adiante receber tanta informação, de fontes variadas e múltiplas, todas com entendimento múltiplo e variado, porém, poucas com algo abalizado e consistente. Querendo isso, EU seleciono e vou à busca. Faço o meu filtro e dessa forma, tento não me deixar levar. Criei uma rotina e como faço uso do computador para meu trabalho, tenho horário para divagar e um mais amplo para pesquisas e estudos. Na aula ouço algo mais e anoto no meu caderno: “Se as mídias fazem as suas escolhas, eu devo ter as minhas”. Sim, não me venham eles querer impor a deles, pois já tenho as minhas. Impossível viver hoje sem as influências adquiridas pelo uso contínuo da internet, mas amenizá-las é preciso, diria, mais do que necessário. Por fim, um entendimento mais do que conceitual, o levantado com a questão: A informação está a serviço de quem? Ciente de tudo o que está por detrás de cada coisa recebida, fica mais fácil não se deixar levar e não comer gato por lebre. Assim toco meu internético barco.

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

OS QUE FAZEM FALTA e OS QUE SOBRARAM (78)


EDUCAÇÃO SENDO PRECARIZADA POR ALCKMIN EM SÃO PAULO E A LEMBRANÇA DOS BRIZOLÕES - CIEPs
Em São Paulo o bicho pega. O governador Alckmin resolveu fazer mudanças na Educação e eliminar escolas, juntar séries e colocar todos do mesmo tamanho no mesmo caixote. A caixa de agora em diante vai ter que ter o mesmo tamanho para tudo e todos. Guardadas as ironias, não custa lembrar que com a Oficina Cultural foi a mesma coisa. Decisão tomada, ordem executada, sem nenhuma possibilidade de alternativas. A grosso modo a justificativa que os subordinados ao governador estão autorizados a divulgar é que tudo não passa de um mero processo de reorganização do Estado. Herman Voorwald, o holandês Secretário de Estado da Educação diz que juntando todos alunos da mesma faixa etária no mesmo ambiente melhora a aprendizagem. Não leva em conta os deslocamentos humanos muito maiores e sim, algo que não diz, um corte em gastos. Muitas escolas já estão com seus dias contados e pelo que se sabe, pouco existe a ser feito, pois de sensibilidade esse Governo entende pouco, quase nada.

Mesmo ciente de que dificilmente existirão meios de mudar a opinião de quem trabalha sempre com olhos voltados para os resultados financeiros da caixa registradora, sem nunca levar em conta o resultado da sociabilidade humana, relembro aqui experiência brasileira na contramão do que Alckmin executa hoje. Foi a idealizada e colocada em prática por nada menos que uma dupla infernal, Leonel de Moura Brizola e Darcy Ribeiro, respectivamente governador e vice do Rio de Janeiro, em administração iniciada em 1982. Inesquecível a experiência dos CIEPS – Centros Integrados de Educação Pública, confundidos com algo maior, que era o programa de educação idealizados pela dupla, criados para garantir á população o direito ao ensino gratuito moderno, reestruturado do ponto de vista pedagógico e tecnicamente aparelhado. “Previam-se metas assistenciais (como uniformes, calçados e melhoria na qualidade da merenda) e pedagógicas (como aumento da carga horária diária para cinco horas e revisão de todo o material didático), treinamento dos professores e melhoria de suas condições de trabalho, reforma e conservação das escolas e do mobiliário e novos projetos educacionais – voltados à pré-escola, à criação de Centros Culturais comunitários e à educação juvenil noturna. Havia entre os idealizadores a convicção de que a democratização da educação teria que minimizar as carências essenciais daqueles estudantes que provinham de situações desprotegidas”, escreve Helena Bomeny sobre o tema.

Foram erguidos 507 CIEPS durante os oito anos dos dois governos de Brizola no Rio e mesmo longe da perfeição, propiciou extensa programação de atividades escolares e assistenciais para crianças e jovens. Diferente do que prega Alckmin, Darcy Ribeiro era um visionário e tudo fazia pelos que ele mesmo denomina de “apreço pela classe de baixo”. Numa de suas falas, eis a concepção educacional do CIEPS, proclamada em alto e bom som: “Ao invés de escamotear a dura realidade em que vive a maioria dos seus alunos, provenientes das classes sociais mais pobres, o CIEP compromete-se com ela para poder transformá-la. É inviável educar crianças desnutridas? Então o CIEP supre as necessidades alimentares dos seus alunos. A maioria dos alunos não tem recursos financeiros? Então o CIEP fornece gratuitamente os uniformes e o material escolar necessário. Os alunos estão expostos a doenças infecciosas, estão com problemas dentários ou apresentam deficiência visual ou auditiva? Então o CIEP proporciona a todos eles assistência médica e odontológica”.

Não houve solução de continuidade após Brizola deixar o Governo estadual. Tudo voltou ao sistema convencional. Nada de horário integral, nem assistência de saúde, muito menos as construções voltadas para integração. Passado esse tempo todo, tudo aquilo continua no imaginário e sonho, verdadeira utopia de ensino e referência nas discussões. Querer que o holandês Voorwald e Alckmin, guardadas todas as proporções possíveis e imagináveis possam ter um mero soslaio de comparação com Darcy e Brizola é querer demais, forçar a barra. A forma do entendimento e aplicação do que venha a ser a Educação entre eles é algo como querer comparar a água límpida com a do esgoto, concepções totalmente diferentes e opostas. O negócio do momento é esse mesmo, interromper tudo, abortar o já precário, para precarizar ainda mais. Se já está ruim, aguardem só mais um pouco, ficará pior. E se bobear, escrevam o que digo, quando tudo estiver num beco sem saída o governador, esse mesmo que foi laureado pelo maravilhamento que fez com os recursos hídricos paulistas virá a público e dirá: “Foi culpa da Dilma”.

Brizola e Darcy personificam a utopia que nos faz bruta falta nos dias atuais.