quinta-feira, 7 de setembro de 2017

PERGUNTAR NÃO OFENDE ou QUE SAUDADE DE ERNESTO VARELA (127)


SETE DE SETEMBRO – POR QUE ME UFANO DE MEU PAÍS?

Vivemos um triste momento deste país, com o povo se entristecendo a cada dia, mais e mais, seguindo como manada num caminho quase sem volta. Antes de escrever o que me traz aqui hoje, reproduzo o editorial de Carta Capital de um dos maiores e melhores jornalistas vivos desde país, Mino Carta, o INEXORÁVEL DEPENDÊNCIA. Cliquem a seguir e leiam com a melhor forma interpretativa possível: https://www.cartacapital.com.br/revista/968/inexoravel-dependencia. O quadro da Independência, com um D Pedro altaneiro e falando grosso é uma piada a atravessando o tempo, mas não se sustentando historicamente. Assim como, hoje impossível não afirmar em gênero, número e grau estarmos vivendo um momento sui generis, atolados num estado de exceção, golpista por natureza e osmose. E o desalento desponta dos que apoiam essa bazófia nacional. E como tem gente ainda apoiando os que golpeiam de forma insana e cruel os anseios populares.

Por que me ufano de meu país? A pergunta é velha. Pode ser respondida com ou sem a interrogação. Afonso Celso escreveu essa obra há mais de cem anos e ali expressava seu descontentamento com os próprios brasileiros desprezando sua própria nação. Os argumentos dele são contestáveis, mas não o questionamento, esse ainda se apresenta atualíssimo. Eu e ufano e me desaponto demais com esse país, ainda mais pelos rumos tomados nos seus dias atuais. Uma sucessão de fatos, principalmente os de intolerância, verdadeiro ódio de classe, impossibilitando qualquer tipo de razoável diálogo entre uns que saíram de verde-amarelo nas ruas, guiados por um falso pato e a falácia de ali estarem protestando contra a corrupção. Foram desmascarados e hoje, quando grassa a corrupção em escala muito maior que a dos governos anteriores, esses se encolhem e nem o rabo ousam mostrar.

Eu não me ufano totalmente, mas me envergonha constatar no eu nos transformamos. Um país perdido, opaco, submisso e à serviço das piores instituições de todos os tempos (pelos menos o que conheci em vida). Cito um mísero exemplo. Chico Buarque, um dos melhores compositores deste país hoje atrai a ira de uma turba odienta(a dos verde-amarelos), pelo simples fato de se posicionar contrários aos seus interesses. Procuram pelo em ovo, ou seja, algo para criticá-lo e por esses dias estão reproduzindo totalmente fora do contexto, uma gravação de 2006, quando jocosamente em forma de pilhéria dizia comprar letras de músicas de um tal de Ahmed. Editaram tudo e os sites criados só para divulgar mentiras espalham uma versão editada, sem citar que aquilo era brincadeira. Incautos compartilham como verdade e aproveitam para tascar o pau no Chico, nem se dando ao luxo de conferir se aquilo é mesmo verdade. Vejam algo envolvendo um conhecido bauruense: https://www.facebook.com/jairfontao.odria/posts/1969506979992880. Entrei na discussão, pois não me segurei nas calças.


Meu outro exemplo aqui utilizado para descrever o estado de desânimo é o que se passa com o Conselho da Comunidade Negra de Bauru, antes muito atuante e hoje, sob a presidência de Selma, ligada a grupos evangélicos, certo retrocesso. Ano passado, nesse mesmo dia, 7 de setembro tentei desfilar com faixa contra o golpe (o fiz também em manifestação no Calçadão da Batista) e tentou me impedir. Queria algo só contra o racismo e nada mais, sendo que a luta do racismo está mais do que interligada com todas as demais lutas. Conseguimos em ambos os lugares descer com a faixa. Ela não quer nada além de faixas e gritos contra o racismo. Nem sai de casa, pois como podemos vencer tudo o que está sendo feito contra os interesses populares, quando lideranças agem em desalinho e favorecendo o lado oposto? São sinais de que a luta está perdida, desviada de seus rumos. Leiam algo num post da amiga Nina Barbosa: https://www.facebook.com/nina.barbosa.9/posts/1413669288731368?pnref=story

Viceja uma conformação, um conformismo, um aceite coletivo. Poucos estão a resistir e os estragos são imensos. Creio que o povo, a massa mesmo ainda não se deu conta de tudo o que está sendo feito contra seus interesses. Do outro lado, pelos meios de comunicação de massa, o outro lado tenta passar uma situação de normalidade e de uma recuperação do país. Mas como? Evidente que isso não ocorre. Hoje no Jornal da Cidade, artigo do economista Reinaldo Cafeo, ECONOMIA VOLTA A CRESCER (http://www.jcnet.com.br/editorias_noticias.php?codigo=249533).
Um ajuntamento de mentiras, pois enxerga só melhorias quando analisadas sob a ótica do “deus mercado”, nunca para a imensa maioria da população, essa desgraçadamente num beco sem saída. Fazem isso a todo instante tentando enganar a tudo, todas e todos. Também no mesmo JC de hoje, o secretário de Agricultura e Abastecimento do Estado de SP, em entrevista diz: “Acho que nenhuma pessoa imagina que vai acontecer um fato que desestabilize o governo Temer. Ele deverá concluir o mandato. (...) Chega de gladiadores, é hora de consultores”. Eis a entrevista: https://www.jcnet.com.br/Geral/2017/09/arnaldo-jardim-economia-ganhou-autonomia-na-crise.html. Ninguém pergunta nada sob as falcatruas de Alckmin, as do próprio secretário, nada sobre o golpe, como se vivêssemos na mais absoluta normalidade.

Bate o desânimo. Prostrado, sigo minha sina escrevinhatória e nem de casa quero sair, para não me aborrecer mais. Sete de Setembro é só mais um capítulo para os aproveitadores dizerem da necessidade de defendermos nosso país, mas como, se esses mesmo apoiam a venda de tudo, todas nossas riquezas sendo distribuídas na bacia das almas e ninguém preocupado. Preocupados estão esses bestiais com a delação do Pallocci e com a prisão de Lula. Na manchete de ontem do jornal O Globo, o porta voz da bestialidade, primeiro a manchete contra Lula e abaixo as malas de dinheiro do Geddell, como se fossem do PT de Lula. A bestialidade impera e esse filmeco também em cartaz em Bauru, o “Polícia Federal – A Lei é para todos”, escancara vivermos num estado letal, reino da mais completa e absoluta mentira. Não se esqueçam, Chico Buarque é o culpado disso tudo, ele, Lula, Dilma, eu e todos os que resistem.

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

PRECONCEITO AO SAPO BARBUDO (118)


BARBEIROS, FEIRANTES E UMA CRISE QUE SEM LUTA NÃO TERÁ MAIS SOLUÇÃO
Semana passada fui aparar a barba no Gil Caniatti, excelente profissional ali na rua Júlio Prestes, mais de 20 anos no ramo e a maioria deles ali no mesmo ponto. Num certo momento da conversa me chama a atenção para algo que, também já havia chamado a minha: “Henrique, não sei se você reparou, mas abriram salões de Barbeiro pela cidade toda, uma enxurrada deles, muitos até um em cima do outro”. Começamos a contar e ali nas redondezas mais de seis. Minha resposta foi simples e acredito tenha acertado na lata: “Nei, esses são os tais sinais da grandiosidade da crise que os golpistas nos enfiaram. Não existe mais emprego e daí, cada um se vira como pode. Quem se cansa de procurar emprega, acaba tendo que inventar o seu. Sim, as barbearias pipocam por tudo quanto é bairro, são de baixo custo, muitas usando as áreas das próprias residências ou mesmo pequenas portinhas. Inevitável, essa a luta pela sobrevivência”.

Confabulamos muito sobre isso e se tivesse passado segunda, 4/9, lá na porta do Gil, com toda certeza teria comentado com ele sobre a manchete do Jornal da Cidade, “Número de feirantes dobra em Bauru”. Enfatizam com: “em quatro anos, subiu de 260 para 510 o total de profissionais que trabalham nas feiras livres espalhadas por 31 bairros da cidade”. Nem precisei ler o texto para creditar isso à tal da crise, consequentemente, o desemprego. Os motivos? A tal da defesa intransigente das leis do mercado como salvação da lavoura, favorece a uns poucos, os rentistas e coloca o grosso da população num mato sem cachorro. Ou seja, tá todo mundo matando cachorro a grito. Leiam a matéria clicando a seguir: https://www.jcnet.com.br/…/crise-faz-dobrar-total-de-feiran…

Mas vamos dar nomes aos bois. Está na hora do que ainda resta de trabalhador com carteira assinada neste país compreender que, se não prestar atenção na política, vai continuar a ser governado por quem toma decisões contra ele. Simples assim, o governo federal foi assaltado por uma quadrilha que, está dilapidando os recursos públicos e entregando toda economia nacional de mão beijada para grandes corporações internacionais. E o povão pagando a conta, com desemprego, falta de serviços públicos e aumentos abusivos de tudo, desde energia elétrica ao combustível. Está bem evidente que o trabalhador neste governo perdeu quase tudo o que até então possuía, terceirização total, fim da CLT, esvaziamento da Justiça do Trabalho, etc. Com o discurso de que o mercado é o organizador da sociedade, tudo está com esses e tudo o mais, como os princípios sociais e de solidariedade vão sendo extirpados. Com os que estão aí no poder, não existe mais nenhuma ilusão, nunca mais existirão, não só empregos, como legislação a defender o trabalhador. Acabou e de agora em diante é a terra do vire-se quem puder e como puder. Isso que se vê, com essa explosão de novas barbearias e feirantes em profusão é só o começo, pois como já disse, o emprego acabou. Urge que as massas se levantem e enfrentem os vendilhões e oportunistas no poder, pois do contrário a guerra está perdida e se está ruim, a tendência é piorar e muito, cada vez mais.

ESSA É PARA OS QUE ACREDITAM NA FACULDADE DE MEDICINA BANCADA PELO GOVERNO PAULISTA EM BAURU
Tudo sucateado e em petição de misérias no que conserne às obrigações do governo do estado dito como mais rico da federação, São Paulo, governado pelos tucanos há quase 25 anos. Estão pondo a perder tudo o que se refere à coisa pública e com a bela justificativa de praticaram o "estado mínimo". Repassa tudo o que era até então obrigação sua para outrem, na cara dura e tudo o que precisa honrar com compromissos, se omite, escamoteia e não paga, deixa à mingua até falir ou ser passado para a iniciativa privada na bacia das almas. temos que ser dutos, implacáveis com Alckmin e os seus, pois são dilapidadores do patrimônio paulista. Esse exemplo hoje publicado no Jornal da Cidade aqui de Bauru cai como uma luva para os baba ovos que aplaudiram efusivamente a chegada da tal Faculdade de Medicina, via USP para Bauru. Mas como?, perguntei desde o começo. Se ele sucateia tudo, como pode querer entregar faculdade de medicina para Bauru? Vai ser uma meia boca de faculdade, bem ao seu estilo. Os bobocas ainda continuam acreditando. Constatem o que sai publicado sobre a situação do IPMET, na UNESP Bauru hoje no JC e me digam se existe alguma possibilidade de levar a sério algo deste bestial governo estadual? E me respondam: por que o paulista ainda continua aplaudindo tudo o que esse cara faz, se na verdade, ele só nos crava a faca? Eita povo besta, seu!!!
https://www.jcnet.com.br/Geral/2017/09/ipmet-manifesta-preocupacao-sobre-continuidade-de-atividades-do-orgao.html

terça-feira, 5 de setembro de 2017

FRASES DE UM LIVRO LIDO (119)


O QUE VOCÊ ANDA LENDO? EU LEIO A “CAROS AMIGOS” – O REGIME DE EXCEÇÃO E A DITADURA BRASILEIRA GOLPISTA

Na edição 245, julho de 2017, ainda nas bancas, algo mais que necessário para devolver a verdade dos fatos. Uma entrevista com Marcio Sotelo Felippe, ex- procurador do estado de São Paulo e já no título, algo sobre a revelação de algo não levado ainda muito sério entre nós: “É uma ditadura de novo tipo”. Marcio confirma vivermos dentro de um novo regime de exceção, com o esvaziamento das instituições e o atropelo da Constituição pelo próprio Judiciário, numa bela entrevista de seis páginas, feita por Aray Nabuco, Lilian Primi e Nina Fidelis. Reuni parte do que acredito ser a parte mais significativa:

- “O golpe foi dado em ambiente de fascismo, aí que a gente percebe que mudou a forma política de dominação. É uma ditadura de novo tipo, é uma nova categoria da política. Ninguém põe tanque na rua, ninguém depõe pela violência um governo legitimamente eleito. Ninguém cerca o Palácio do Planalto e tira o Presidente da República. Golpes jurídico-parlamentares são dados com aparência de legalidade e com a aparência de constitucionalidade. Preserva as instituições liberais clássicas e esvazia elas de qualquer conteúdo democrático. Então parece que nós estamos em uma democracia, parece que n[ós temos uma Constituição. Da Constituição, eles fazem o que querem. O Supremo faz o que quer. Eles ajudaram a derrubar a Dilma”.

- “É a forma de fazer o estado de exceção; é esse o novo papel do Judiciário, entendeu? (...) É o papel do Judiciário. Agora ele é meio que protagonista do processo. (...) Não é mais tanque na rua, é o Judiciário. Quer dizer, a velha tese de que o Estado, as funções do Estado, estão a serviço da classe dominante”.

- “...o que eles fizeram na Constituição de 88, sobre os poderes do Ministério Público, por exemplo, na época, era interessante e era democrático. Em tese, no sistema democrático, você tem um Ministério Público forte e independente, imune ao Executivo ou ao poder político, mas o processo social e político instrumentalizou isso a seu benefício e dá o golpe instrumentalizando isso. É questão de poder, não é? (...) Então, eles pegam o Ministério Público e o Ministério Público se presta a esse papel porque está no jogo de interesses de classes também, essa questão está na origem de classe também. Quem é, quem são os promotores, quem são os juízes? É a classe média, a classe média brasileira, reacionária como diz a Marilena Chauí, tem um déficit cognitivo e é uma aberração ética. (...) Com o passar dos anos, o acesso ao concurso foi se elitizando. (...) Então, quem é que está no Judiciário, no Ministério Público, nessas carreiras jurídicas? É o produto dessa elite reacionária, com fortes elementos fascistas, nós vimos isso hoje, nesses dias, nesses processos”.

- “...o sistema, a classe dominante, a elite e seus braços no sistema político, eles se protegem, e o sistema é esse mesmo, de corrupção, de propina, quer dizer que o PT, de algum modo, participou disso. Só que o PT não percebeu que ele não podia fazer isso. Os outros, a casa-grande podia. Então, a diferença de postura. Eles pegaram isso e transformaram num espetáculo midiático, toda aquela coisa do mensalão, toda aquela performance do Joaquim Barbosa, contaminou a classe média, em grande parte reacionária, que já é por natureza reacionária, criou um clima fascista, um clima de ódio na sociedade. Então, é só comparar como se trata o PT e como são tratados os partidos burgueses”.

- “O que o Moro está fazendo, o que a Lava Jato está fazendo é a tal teoria do domínio de fato, que é uma deturpação, não é nada disso a teoria de domínio do fato, quer dizer, mas o Lula era presidente da república, aí o cara lá que era diretor de uma estatal recebeu uma propina, então o Lula é responsável criminalmente. (...) Vale para o Zé Dirceu, não vale para o Temer, não valeu para o Fernando Henrique. Vale para o Zé Dirceu e vale para o Lula”.

- “Não ocorre mais raciocínio jurídico, é tudo político. Vamos pegar alguns episódios, a violação do sigilo telefônico e o que Moro fez com ela. Isso é um processo kafkiano no seguinte sentido: o sujeito está sendo processado, mas quem comete o crime é o Estado, não o sujeito. Então, os crimes do Estado em um processo contra o Lula. Quebra do sigilo telefônico é crime. (...) Eles vão dando carta branca para o Moro. Não é o Moro. O Moro não é o cavaleiro solitário, o juiz ousado, entendeu? Vai para o Supremo, carta branca. E vai, vai, vai, vai e vai o quanto ele quiser, não tem freio, não tem limite. É o golpe com a participação do Judiciário. (...) Eles estão cansados de saber que não tem crime de responsabilidade da Dilma, todos falaram, todo o processo do golpe. O rei está nu. Todo mundo sabia que não havia crime. É o modelo do golpe soft, né?, da nova ditadura, ditadura de novo tipo. (...) A ação de Moroi teve as portas abertas pela atuação de Joaquim Barbosa no mensalão”.

- “A cultura jurídica vai ficando cada vez mais punitivista. Vai impregnando... no juiz daqui da Vara criminal há um impacto. Ele já é um sujeito reacionário, de classe média, às vezes filofascista e toda a cultura jurídica do País vai sendo impregnada, se tornando punitivista. Moro, Joaquim Barbosa e o Supremo têm um grande papel nisso. (...) Quando é que isso vai terminar? Quando terminar o golpe. E quando termina o golpe? É uma questão de poder. (...) Eles estão em uma política de classes, uma agenda de classe. Ajuda a derrubar a presidente da República legitimamente eleita e dá sustentação a isso que está aí, o País em ruínas”.

- “O Moro é juiz, ele não é parte, ele julga o que as partes oferecem para ele, está equidistante das partes. Ele parece como parte e aparece como peça política do processo de impeachment. (...) Então, não fosse o estado de exceção, não fosse isso uma ditadura, esse homem estava, em primeiro lugar, afastado do processo por suspeição; em segundo lugar, estava sendo processado disciplinarmente; em terceiro lugar, deveria estar sendo investigado pelo crime de quebra de sigilo telefônico. (...) O que é o conceito de ditadura? É a concentração dos poderes sem limites jurídico constitucionais. Franco, Salazar, Hitler, Mussolini. Quais eram os limites do Franco? Do Salazar, do Médici? Não tinha, não tinha limite jurídico constitucional. Isso é ditadura, concentração de poder. (...) Só que é uma ditadura de novo tipo. Não é pela violência explícita, não é pelas armas, é soft”.

_ “Na verdade, a gente está vivendo um processo de deterioração da democracia, do que havia de democracia, produto do neoliberalismo. O mercado aprisionou, capturou o Estado. E não é um processo nosso, estamos reproduzindo coisas que aconteceram por aí. (...) Correia de transmissão, é o que o Michel Temer é hoje, é correia de transmissão entre o Estado e o marcado. Então, é uma ditadura mesmo, é uma ditadura de novo tipo, em que se preservam as instituições, tem o Parlamento, tem o Judiciário, mas completamente esvaziados de conteúdo democrático”.

A revista inteira continua sendo uma leitura quese obrigatória para quem não quer ser enganado, diante de tudo o que se vê sendo publicado pela mídia massiva.


TENHO UMA HISTÓRIA COM A ROGÉRIA
Aliás, todo mundo de bem deveria ter uma história, ao menos uma com a Rogéria. Primeiro pelos seus 74 anos, bem vividos e pelo que representou, quase impossível alguém não ter tido um olhar pra lá de transpassado tendo como pano de fundo ela, a diva de toda uma geração. Minha história é muito simples. 

Conto aqui. Tempos atrás pensávamos em trazê-la para um show em Bauru. Diante dessa imensidão de espetáculos talk show, uns mais inassistíveis que os outros, pensei cá comigo: um com Rogéria atrairia muito público em Bauru. Levei a ideia adiante, consegui o seu fone e liguei. Ela mesmo atende, era o de seu apartamento. Falei de minhas intenções (opa?) e ela sempre muito solicita (isso já deve fazer perto de uns dez anos), puxava uma conversa na outra. Falamos de tudo e num certo momento me disse: "Ainda atraio muito as atenções, tem muito garotão que gosta de algo não tão novo, mas em pleno funcionamento". Rimos muito, como se fossemos antigos amigos. Falou quanto seria seu show (barato perto das besteiragens de hoje) e num certo momento me confidencia algo: "Bauru, Bauru, já estive em Bauru e tenho ótimas lembranças não daí, mas de um lugar aí perto. Lembro que em Jaú, aí pertinho, tinha uma usina de açucar e os meninos de lá, usineiros, filhos dos donos me convidaram sempre para ir lá. Foram festas inenarráveis, dessas inesquecíveis. Aqueles meninos gostavam muito de festar e eu fui na deles". 

Amei ouvir isso, enfim, Bauru, Jaú e adjacências ajudaram a dar e receber amor pelas vias onde precisam continuar acontecendo. Hoje, essa diva se vai e deixa uma lacuna em todos os que fizeram e aconteceram em tempos idos. Tenho por ela a mais profunda admiração. Saudades eternas. Infelizmente não tive o prazer de conhecê-la pessoalmente, além de uns três shows assistidos ao longo de minha vida. Quando mais jovem era mais ousada, hoje do alto dos seus 74, mais conservadora, enfronhada na luta pela sobrevivência, a qual todos estamos inseridos.

segunda-feira, 4 de setembro de 2017

CENA BAURUENSE (164)


UM FINAL DE SEMANA ONDE SÓ DEU “CIA ESTÁVEL DE DANÇA”

Neste último final de semana em cartaz no Teatro Municipal Celina Alves Neves, por três dias consecutivos, a magnânima apresentação da COMPANHIA ESTÁVEL DE DANÇA DE BAURU, capitaneada pelo competente bailarino Sivaldo Camargo. Eu não me canso de elogiar o belo trabalho do poder público em realizações, projetos e atividades onde tudo anda muito certo. Essa Cia é um dos projetos que mais deu certo dentro da Secretaria Municipal de Cultura, pois propicia algo que já dá o que falar e ainda vai dar muito mais, pois tudo por lá sendo feito com carinho, discernimento e profissionalismo. Vero Sivaldo fazendo e acontecendo lá nos fundos do prédio da Cultura, persistente e insistente como só ele sabe ser, aquilo anda que é uma maravilha, viceja, brota, frutifica, expande, expele e, mesmo sem ter sido essa a intenção, comprova que, tudo pode dar certo dentro da estrutura pública. Existe essa balela de que nada que é público é bem feito. Aqui uma inconteste prova em contrário. Quando tudo é bem feito, dá não só muito certo, como prossegue e cala a boca de todos aqueles a insistir na besteira da falta de eficiência na coisa pública.

Foram três dias, de sexta a domingo, de 1 a 3 de setembro, no horário nobre do Teatro, 20h30, com público marcante, presenças ilustres dentro desta cidade, todos prestigiando, aplaudindo, conversando com os bailarinos, trocando ideias, conhecendo de perto cada detalhe do dia a dia do trabalho deles todos. Um teatro não precisa estar necessariamente cheio para se observar que tudo anda a contento e funcionando as mil maravilhas. Ele precisa e teve neste final de semana um público interessado em Cultura (com C maiúsculo), gente que sai de casa com o intuito de ver, reconhecer e valorizar as coisas da terra. Todos ali gostam muito de peças e shows com muita gente famosa, mas não deixam de ver o que é belo no que também é feito aqui. Muitos que vão ver peças de astros globais, acabam indo, não entendem patavinas, aplaudem tudo adoidado, tiram fotos ao lado deles todos, deitam falação e não saem de suas casas em dias de eventos locais. A Cultura chora quando isso ocorre, mas ela está em alta quando aquele rico espaço ferve com gente de Bauru.

Eu participei do fervo neste final de semana. Teve muita gente que lá estiveram por lá nos três dias. Eu e Ana Bia não o conseguimos, mas estivemos por dois dias, sábado e domingo. Os espetáculos sob a direção do competente Sivaldo tiveram diferenciações de um dia a outro, mas mesmo que tudo fosse igual, espetáculo de dança quando vistos mais de uma vez, em cada uma delas, um novo olhar, propiciando uma nova discussão sobre o tema. Eu viajei revendo o Marcos Arantes, o bailarino que esteve por quatro meses no Canadá e ao voltar, mais maduro, presença de palco marcante, junto de seus colegas, algo brilhante. Todos trabalhos já apresentados pela Cia e agora revisitados, como “Frida”, “Baluarte”, “Tango”, Sentir-se-á”, “Cores e Gestos”, “V de Vivaldi” e “Grand-pas-de-Deux do Cisne Negro”. Todos estão de parabéns e se por lá não vislumbramos a presença de autoridades constituídas da cidade, tivemos muita gente do ramo, gente que gosta e entende de Cultura e isso é muito mais significativo do que a presença de todo e qualquer, só aparecendo para compor um cenário. Foi um final de semana sem esses, mas com aquele espaço todo preenchido pelos que lá estiveram, acarinhando todos os envolvidos com o benfazejo carinho dos que sabem da importância de projetos como esse se firmarem mais e mais.

domingo, 3 de setembro de 2017

CHARGE ESCOLHIDA A DEDO (124)


POLÍCIA E SUA FUNÇÃO - SEM TRUCULÊNCIA É TUDO MUITO MELHOR
Ando pensando muito nisso. Tudo na vida é um grande teatro. Em cada Governo uma polícia e e cada uma agindo de forma diferente uma da outra. Se o Governo é mais liberal, ação dentro dos preceitos democráticos, a sua polícia é mais contida, age dentro dos preceitos estabelecidos por esses e, como agora, quando num regime mais duro, eles se soltam mais no sentido do autoritarismo, da truculância e da violência. Hoje, bem claro isso, a polícia brasileira atuando no desGoverno do ilegítimo Temer é muito mais dura, violenta e insensível do que no governo de Lula e Dilma. Isso ocorre aqui hoje e também na Argentina de Maurício Macri, onde produz até desaparecidos políticos e promove ação de subtrarir da sede de movimentos sociais, tudo o que lá encontrar. Vejam a tira de hoje do Miguel Rep sobre o tema. Lá, como aqui, uma polícia, paga para nos proteger, mas agindo em muitos casos contra o povo. O dito recentemente pelo comandante da Rota paulista, da existência de um procedimento específico para os ricos da Zona Sul e os probres da Zona Norte é o maior exemplo disso. Rep enxergou isso e pode ser visto no aqui publicado. Ninguém é contra a polícia e sua ação. Longe disso, mas não dá para entender essa brutal diferença entre a forma de trabalhar num governo democrático e noutro autoritário. Padrão de procedimento, nem pensar, né! Enfim, quando a polícia superar isso de dizer "amém" a um patrão e ter uma linha de conduta única, dentro da lei, soberana, talvez obtenha mais respeito e confiança da população.

sábado, 2 de setembro de 2017

MEMÓRIA ORAL (215)


EXISTE UM BOM LUGAR PARA FORTUITOS ENCONTROS FORA DO CORRE-CORRE: O ARAPONGAS
Semana passada estava eu e um amigo em busca de um lugar para promover uma reunião com aproximadamente umas cem pessoas no centro de Bauru e matutamos demais da conta, sem chegar numa plausível conclusão. Mas existiria um lugar realmente acolhedor, onde fosse possível a união do útil ao agradável, ambiente desses carregados de bom astral e onde ainda se possa relaxar de verdade? Só sexta à noite, quando me reencontrei com um divinal espaço nas ditas quebradas do centro, encontrei o tal. Trata-se da SOCIEDADE ESPORTIVA ARAPONGAS. Dela já escrevi por aqui quando do aniversário de 50 anos, 23/06/2009, tudo podendo ser lido clicando a seguir: http://mafuadohpa.blogspot.com.br/search….

O time de futebol de minha aldeia, o Esporte Clube Noroeste, 107 anos de idade fez anos e seus torcedores também estavam em busca de um lugar acolhedor para abrigar os torcedores na festa comemorativa. Pavanello, um dos líderes da torcida organizada Sangue Runro me diz na entrada do evento: “na sede ficaria muito apertado, pois queríamos trazer o Grupo Elite, samba de primeira, fomos de uma lado a outro e quando lembramos do Arapongas, vim pessoalmente, vi todo o aparato, simples, mas eficiente, impecável, disse pra mim mesmo: ufa! E cá estamos felizes da vida”.

O Arapongas é um clube de bocha encravado quase no centro da cidade, muito perto do Boulevard Shopping e umas três quadras atrás do Teatro Municipal, mais precisamente na rua presidente Kennedy nº 14-30. Já teve centenas de sócios e hoje resiste com pouco menos de 50 e com mensalidade de R$ 25 reais. Duas quadras de bocha, daquelas no estilo mais tradicional possível, com cancha de areia e bolas pesadonas. Quase aderiram tempos atrás para a tal da cancha sintética, mas preferiram permanecer ligados ao passado. Junto a isso tudo, um bar, mesas de sinuca, a possibilidade de um carteado em suas mesas e um salão daqueles, metade abertos, com um madeiramento de mais de 50 anos, impecável e resistentes mais do que qualquer vida humana.

Logo na entrada da festa dou de cara com o Amilton Alves Teixeira, que já foi de tudo na Diretoria do Arapongas, hoje é apenas diretor, mas continua fazendo tudo por lá. Ele, conceituado advogado, aposentado da área de Saúde, exímio fotógrafo, bom vivant, festeiro por natureza e desses que não ficam sem bater cartão vários dias por semana nas dependências. Ele me conta algo mais quando lhe instigo sobre a proximidade, quase parede meia com uma imensa igreja evangélica, ocupando bom espaço no quarteirão: “Eles não te cacife para mexer com a gente. Eles lá, nós aqui, cada um no seu quadrado. Tempos atrás tinham alguns conselheiros nossos loucos para vender tudo, mas conseguimos resolver da melhor maneira possível. Numa assembleia foi deliberado que, o clube não pode ser vendido em hipótese nenhuma e se por acaso, um dia necessitar fechar, tudo será devidamente doado para uma entidade filantrópica. Desde então, ninguém mais toca no assunto”.

Nada transpira modernidade por lá (o banheiro sim, reformado e limpo, fino trato) e isso é o que chama muito a atenção. Quando existem tantos lugares com a concepção do moderno, nada como existirem alguns belos exemplares de como a vida processava de forma mais simples, do jeito antigo. Antigo não quer dizer antiquado. Ou seja, um amplo espaço, gostoso, arejado para ali irem se reproduzindo a forma mais gostosa de vida, tão necessária nesses tempos de corre-corre e aceleração dos tempos atuais. Uma cervejinha gelada sendo levada na mesa, uma sinuca na mesa do lado, o barulho de uma bocha ao lado e vida que segue. Pergunto quanto cobraria para uma festa. “Alugamos para festas, desde casamentos e eventos. São poucos, mas estamos abertos a negociações. Se me perguntar o preço do aluguel para uma festa de vocês, fico sem saber. Vamos sentar e conversar, pois se gostou daqui, vãos dar um jeito de sua festa acontecer aqui. Num papo sem pressa a gente chega num denominador comum. Tá bom assim?”, me diz.

Na garagem, entrada pelo portão principal, cabe, seis carros e o espaço é todo coberto. “E tem a cozinha, que pode ser usada pelos que quiserem fazer um evento ou festa aqui. Tem tudo o que um evento necessita. Somos acolhedores”, conclui. Dá para perceber, pela simpatia a recepcionar os noroestinos. Mas o que chama a atenção num lugar tão simples e ainda por cima com essa cara de passado estampada no rosto? Penso sobre o assunto antes de bater em retirada na festa do time do meu coração e chego na seguinte conclusão: a simplicidade, honestidade de propósitos, jeito tranquilo de tocarem as coisas. Mesmo enfurnados no meio do turbilhão frenético, exigindo corre-corre, o pessoal do Arapongas já superaram isso e não se incomodam com o barulho do turbilhão proveniente dos que se agitam fora dos seus portões. Adentrou ali, o negócio é baixar a guarda e usufruir de momentos fortuitos da benevolência proveniente do lugar. Deixo o esbaforido do lado de fora e permaneça por lá com a tampa do benfazejo destravada. O Arapongas é um oásis no meio da perdição do vapt-vupt, pois tudo por lá corre lentamente, como devia ser a vida de todos e qualquer ser vivente.

OBS.: “Mas por que você escreve isso desses lugares? Quanto ganha para fazer isso”, poderia me perguntar o gaiato. Eu responderia assim: Ganho tudo o que imaginar sua mente suja. O ganho ali é bem outro e, pelo visto, desse você não entende patavinas. Melhore deixar pra lá.

sexta-feira, 1 de setembro de 2017

O PRIMEIRO A RIR DAS ÚLTIMAS (45)


TERÁ SIDO SEU GABRIEL QUEM ESTEVE HOJE PELA MANHÃ EM CASA? – COLEÇÃO DO CORREIO DA NOROESTE DE 1948
Primeiro conto o fato ocorrido e a me causar o questionamento acima. Sai pela manhã e quando volto, o inquilino da casa ao lado do mafuá me diz ter recebido um livrão, trazido por um senhor de carapinha branca, que lhe disse o nome e ele não se lembrava. Disse que depois ligaria e diria do que se tratava. Fui ver o que se refere e o tal livro são as edições encadernadas do Correio da Noroeste, de Outubro a Dezembro de 1948. Algo único, peça rara e daí questiono o vizinho de tudo quanto é jeito e maneira e ele não se lembra do nome, pouco da fisionomia. Matuto, coço a cabeça e nem imagino quem poderia ter deixado obra tão rara aqui no meu portão e assim sem nenhum explicação.

Só vejo uma pessoa em condições de ter me agraciado com essa obra rara, seu Gabriel Ruiz Pelegrina, falecido esta semana. Terá sido ele? Brinco comigo mesmo, o tal do livrão não me sai da cabeça e ao sair para resolver uns problemas (como eles aumentaram depois do cruel e insano golpe, hem?), resolvo passar para filar um chá lá no Sindicato dos Ferroviários e rever Tatiana Calmon. Enquanto espero ela atender alguém tomo o chá e pela demora resolvo entrar e só cumprimentá-la. Para minha surpresa quem lá estava era exatamente o filho mais velho do seu Gabriel, o Carlos Roberto. Fizemos uma roda e falamos por mais de meia hora sobre as histórias todas envolvendo o memorialista de tão saudosa memória, o mais atuante de todos os que escreveram e continuam escrevendo sobre a história de Bauru.

Não resisti e lhe contei do ocorrido, culminando com: “Seu pai esteve lá em casa hoje de manhã e está distribuindo o acervo que lhe resta. Começou pela minha casa”. Brincamos a respeito. Não sei nem como surgiu, mas foi falado sobre o que fazer com o que ainda resta do acervo do seu pai ainda sob a guarda da família e sobre as condições do acervo lá em poder do Museu Municipal, inclusive de jornais dessa mesma época do Correio da Noroeste. “Desde que o Museu Histórico fechou, lá pelos idos de 2009, será que o acervo ainda continua impecável? Como estará aquela única coleção de históricos jornais?”. Carlos coçou a cabeça e disse: “Meu pai deu muita coisa nos últimos tempos, todos os que frequentavam a casa dele nos últimos tempos foram agraciados com documentos. Mas ainda tem coisas valiosas lá em casa”.

Brinco ainda mais com ele e digo: “Continua doando e hoje, tenho quase certeza, foi ele quem passou lá em casa pela manhã”. Rimos e continuamos a falar do memorialista até no momento da despedida, já na calçada (falaríamos um dia inteiro e não esgotaríamos o assunto). Venho pensando no assunto, chego no mafuá e o livro ali diante de mim, cheirando mofo, peça de grande valor. De onde terá saído isso? Como decifrar essa charada? Só mesmo apelando para seu Gabriel Ruiz Pelegrina, para que volte ao meu portão, nem que em sonho e me elucide tudo. Terá sido ele mesmo hoje cedo no meu portão? Terá sido tudo isso um sinal do além de algo a ocorrer em outra instância, de lugares onde esses jornais estão clamando por ajuda e com esse no meu portão, um declarado pedido de “SOCORRO”.