quarta-feira, 8 de agosto de 2018

ALGO DA INTERNET (143)


DEU NO JC - EDIÇÃO DE HOJE

1.) AO ABRIR O JC DE HOJE, CHICO MAIA E A QUASE EX-EMDURB CHAMAM A ATENÇÃO

https://www.jcnet.com.br/editorias_noticias.php?codigo=253134
O artigo assinado pelo amigo Chico Maia, até anteontem funcionário público, cargo de confiança do prefeito, secretário municipal e hoje, pelo visto, quase desafeto. Chico foi exonerado recentemente e hoje, mais crítico que dantes, faz uma denúncia das mais sérias contra quem o havia contratado até bem pouco tempo. Adoro esses momentos, pois são reveladores. O que extraímos disso tudo, da pessoa até bem pouco tempo lá dentro das hostes governamentais e hoje do lado de fora é algo mais que preocupante. O artigo revela isso e em primeira instância deve gerar, além das preocupações de praxe, uma profunda análise por parte de quem é pago para investigar o procedimento do Executivo, no caso, a Câmara de Vereadores. Não é um do lado de fora quem pede para que o alerta seja ligado, é exatamente um que estava lá e conhece as entranhas do poder. Que a EMDURB é um baita problema, disso a cidade não tem a menor dúvida e agora, com o projeto do sr Prefeito alterando não só o nome, mas tudo em sua estrutura funcional, algo para uma ampla movimentação: seria essa a mudança que se faz necessária na atual autarquia? Pensemos todos juntos a respeito e com uma resposta das mais precisas para o detentor do poder Executivo. Vejo no artigo não só um toque de retaliação do ex-funcionário, mas uma séria denúncia. A bomba está prestes a explodir. Mais uma. Bom momento para um leitura das entrelinhas do que de fato ocorre.

2.)
MAIS UM BOCADINHO DO CASO SEPLAN E OS ENVOLVIMENTOS OUTROS:
https://www.jcnet.com.br/Geral/2018/08/caso-seplan-justica-acata-denuncia-do-ministerio-publico.html
No JC de ontem algo sobre o instigante tema e os tais sete indiciados dentro da esfera do poder público municipal. Seria de bom alvitre ouvir essas pessoas, saber a versão delas para na comparação tentar estabelecer o que de fato está em curso e ocorrendo dentro da Secretaria de Planejamento. Não dá para engolir, nem a seco, isso de serem sete os únicos indiciados. Pelo que até as pedras do reino mineral sabem o fato não pode estar resumido a somente um acontecimento, um processo, uma ocorrência e sim, aproveitando o momento, ser feito um grande pente fino no setor. Quando algo somente numa ocorrência, talvez a perseguição a algumas determinadas pessoas, mas quando ampliada, a possibilidade de verificação se aquele fato é localizado ou se o vírus está disseminado e tomando conta de tudo e todos. vale muito a pena levar também isso em consideração.

3.) VAGÕES E CARROS FERROVIÁRIOS QUE SE VÃO E NADA DE RESTAURO FEITO PELO "FERROVIA PARA TODOS"
https://www.jcnet.com.br/Geral/2018/08/dnit-leiloara-303-vagoes-em-bauru.html
A matéria publicada hoje no JC pode passar desapercebida para muitos, mas não para mim. Ele é por demais triste, pois a luta de muitos para se manter itens férreos na malha ferroviária da cidade está indo por água abaixo. Com o leilão prestes a ocorrer, a maioria de todos esses vagões e carros férreos aqui estacionados por décadas serão distribuídos para variados lugares e até dilapidados. E quem me diz que os itens tombados pelo patrimônio local serão garantidos? O projeto Ferrovia para Todos quando foi criado o foi com bons motivos. O principal era colocar em funcionamento a composição turística da Maria Fumaça e para ela funcionar estaria ocorrendo conjuntamento algo na recuperação desses itens todos, muitos deles seguros por aqui debaixo de muita briga, porém hoje tudo sendo perdido sem notar nenhuma reação. Os funcionários do setor ainda atuando no projeto não possuem culpa sobre o ocorrido, pois para sua continuidade precisa ocorrer vontade política de quem administra a cidade e isso não ocorre. Não vejo mais ninguém fazendo a defesa pública do projeto e dos restauros, muito menos do funcionamento e retorno da Maria Fumaça. Depois de anos, muita luta para segurar os itens por aqui, hoje o reverso da moeda, o tempo passou e deixaram tudo se esvair. Tristeza demais da conta com tudo isso. Tanto trabalho no passado por nada no presente. E o futuro do famoso entroncamento ferroviário vai se dissipando no tempo, sem que os ainda com poder de fazer algo se movimentem e mostrem de fato a que vieram.

terça-feira, 7 de agosto de 2018

DROPS - HISTÓRIAS REALMENTE ACONTECIDAS (158)


EU NÃO ME CANSO DE RELEMBRAR HISTÓRIAS DAS RUAS BUENARISTAS – AQUI MAIS TRÊS DELAS


Eu até quero voltar a escrever de minha aldeia, essa Bauru cheia de DesEncantos mil, mas como ainda estou com o fuso alterado, peço permissão para alinhavar algo mais da Argentina, mas precisamente de Buenos Aires, onde tive o prazer de voltar e ali gastar sola de sapatos por sete dias. Minhas observações se misturam em minha cabeça com o que reencontro em Bauru e no cenário político nacional. Jogo tudo num liquidificador e consigo antes da perdição total, salvar algo. Ei-lo aqui:

Causo 1 – Sivaldo Camargo, o bailarino 1 desta aldeia, comandante in chefe da Cia Estável de Dança, algo de salutar ainda sendo mantido pelo poder público municipal, pois bem, ele foi conosco e se esbaldou pelas “calles” platinas. Quase no retorno me fez uma observação, sempre regada com algum vinho, após observar muito tudo à sua volta: “Aqui ando até tarde nas ruas e vim preparado para encontrar algo violento, mas nada vejo. Voltamos tarde para nossa morada e as ruas continuam movimentadas, cheias de famílias, gente indo e vindo. No domingo à noite, famílias inteiras nas portas dos teatros até altas horas. Quando faço isso no Brasil, mesmo em Bauru?”. Ele mesmo responde: “Nunca. As nossas culturas são bem diferentes. Nunca que andaria sem preocupações, como fiz aqui, pelas noites das cidades brasileiras. Sei que ando no centro comercial, local de muitas casas de espetáculos, todas abertas, funcionando, mas mesmo assim, não vejo mais no Brasil isso de famílias saírem de suas casas e andarem pelas ruas, entrando e saindo de locais, todos movimentados. Isso me impressionou”.


Causo 2 – Eu e Ana descobrimos um lugar especial no bairro La Boca, não em sua área comercial, mas numa mais afastada, frequentada só por locais. Um Mercado Popular, antigo frigorífico, teto alto e com pequenas lojas e no fundo, um pequeno, modesto, discreto e aconchegante restaurante. Um local onde se reúnem os que gostam de sair de casa, os botando o bloco na rua. Vejo ali garis, braçais, funcionários públicos, aposentados, jogadores de carteado, rufiões, desocupados, enfim, tudo o que se possa imaginar. Ou seja, não existe lugar mais prazeroso. E nós, em três, brasileiros, tentando se fazer entender e sendo muito bem recebidos. Provamos suas bebidas e como o prato do dia, uma dobradinha feita ao estilo portenho. O preço é bem diferente do das lojas a menos de três quadras, o frequentado por turistas. Nos esbaldamos e algo me chama muito a atenção. Pode parecer algo banal, mas não é e faço questão de relatar. Numa mesa num dos cantos, dois senhores jogam ali na mesa xadrez. Fazia tempo não presenciava ninguém jogando xadrez nas ruas (sei que em Cuba o fazem muito nas praças). Espero a partida acabar e vou puxar conversa. Digo que no Brasil, muitos como eles jogam também nas praças e até em bares, mas jogo de damas e dominó. Rimos todos, dizem gostar também muito de dominó, mas quando querem algo mais sério, optam pelo xadrez e as disputas por ali, segundo eles, são acirradas. Viajo imaginando isso.
Adicionar legenda



Causo 3 – Em plena calle Defensa, feira de San Telmo, domingo, muitos tipos se travestem de personagens nostálgicos e ali, com encenações, inclusive com vestuário a caráter, interpretam, ou melhor, incorporam os personagens. Vi um Chaplin de excelente qualidade, com trejeitos de endoidecer gente sã. Todos cobram para fotos, vivem disto. No Caminito tem até um Maradona. Sem problema. Escolho um deles e pago o justo preço para um distinto senhor, esse o próprio Gardel. Fixou na parede no local os dizeres “El pátio de Cardelito”. Cantava lindamente em cima de um banquinho e abaixo, outro cartaz, esse escrito a mão, “Gardel Vive”. Parei para ouvir e constatei, vivia mesmo. Era o próprio. Quem não possui a capacidade de enxergar isso, não deve nem parar diante dele e de toda a preparação feita para ali estar nas manhãs. Se canta bem ou não, algo imperceptível para quem o vê e a abnegação, o esmero nos pequenos detalhes. Me perco do grupo de brasileiros, pois fico hipnotizado pelo distinto argentino, que se quisesse me levaria tudo o que tinha nos bolsos. Um senhor de aproximadamente 80 anos, lindinho de cima embaixo, me arrebata. Ouço suas canções e imagino o que o levou a ali estar. Ao final de uma canção, ele se queda diante da caixa onde cada um coloca o que lhe concebe. Aproveito e puxo conversa, sobre a belezura do que vi, ele ali naquela idade, o repertório, sua abnegação e coisa e tal. Resoluto e em poucas palavras resume sua situação: “Preciso estar aqui, ganho quase nada e sem isso aos domingos, passo necessidades”.

Eu tenho uma história para cada personagem que fotografo nas ruas, pois além do click eu os observo. Ana vivia me puxando pelos colarinhos, pois me atrasava nas andanças, estava absorto no que via, inebriado pelos tipos todos, hipnotizado pelos personagens das ruas. Adoraria escrever mais e mais de tudo o que vi, mas ando com pouco tempo. E com pouco tempo, nada sai a contento. Sou obrigado a escrevinhar somente essas poucas linhas, pois outras obrigações do dia a dia me chamam e dizem, serem mais necessárias e urgentes que essa, a de relembrar histórias vividas. Tomara que amanhã continue a me lembrar de todas elas e possa contar com os detalhes todos que ainda permanecem na minha frágil e esquecida memória. Tenho dito.

Impossível não sair disto tudo inebriado.
Descrever o que esses olhos enxergam pela aí é mais que envolvente.
Faço disso tudo algo onde busco forças para continuar resistindo a esses tempos sombrios, principalmente os que estão por vir.

segunda-feira, 6 de agosto de 2018

COMENTÁRIO QUALQUER (178)


ADEUS BUENOS AIRES

Triste partida, diante de tanta coisa por fazer, ver, estar, chega o dia do retorno. Nessa foto algo de como vejo hoje a Argentina. Numa das folhas que mais gosto de fotografar nas calçadas da cidade, eis uma aprisionada, atrás de um grade. O neoliberalismo não só aprisiona o país, como o retarda. 

A dor que vi estampada nos olhos do seu povo, resistindo bravamente é a que quero expressar nessa simples foto. Tudo são ciclos, esse deve ser superado, até para o bem da Argentina. Tomara que não demore muito mais, pois Macri e Temer são nefastos para nossos países, quando já vivemos tempos mais libertos, soberanos e altaneiros. Hoje padecemos nas mãos de algozes insanos. 

Nos vemos em breve em outros escritos e conversas. Voltei...
HPA - Bauru SP, domingo, 05 de agosto de 2018

DE VOLTA AO BRASIL E DAS COISAS QUE NOS CERCAM - PRA RETOMAR OS TRABALHOS

"Agora você imagina: Haddad tocando guitarra e Manuela com sua Laura no sling. Os dois com a faixa presidencial na rampa do Planalto. Chegando, Dilma de bicicleta e Lula com um isopor na cabeça. Boulos na frente da caravana dos trabalhadores.

Pela porta dos fundos, Temer se transforma num morcego e sai voando.

O Brasil feliz de novo.
Close no sorriso do barbudo.

FIM", Raphael Vidal, carioca cheio da boa malemolência da beira do cais.

HPA - Bauru SP, segunda, 06 de agosto de 2018

domingo, 5 de agosto de 2018

COMENDO PELAS BEIRADAS (59)


DUAS IMPACTANTES FOTOS E UM RAPAZ ENCOSTADO NUM MURO

Foram tiradas por mim na tarde de sexta no parque Lezama, no final da rua Defensa, região central de Buenos Aires. O Parque é bonito, arvores bem altas, frondosas e algumas estátuas. Dessas alguém me disse durante a viagem: "São os vigias dos parques e praças. Estão ali numa espécie de segurança para o local, ou seja, quem se atreve a fazer algo sendo vigiado por alguém lá do alto com uma espada tão afiada?". Esses, os nas estátuas, quando muito fizeram algo quando em vida, muitas décadas atrás, mas hoje, ferro mais que gelado nas tardes frias buenaristas, olham tudo lá do alto e nada fazem para mudar o estadio de coisas lá do que se passa ao nível do chão.

Na sexta eu sumi da vista de todos e fui caminhar, algo que adoro fazer em lugares estranhos. Sai da região da rua Florida, passei perto da Casa Rosada, subi a Defensa e fui indo até dar de cara com esse parque onde tirei algumas fotos. De lá continuei em frente até dar de cara com o bairro de La Boca, primeiro os trilhos do lado do campo de treinamento do time de futebol do Boca Juniors e depois o bairro propriamente dito. Me atenho a duas fotos tiradas no parque. No caminho antes do parque me deparei com um jovem encostado num muro e vendendo panos de prato aos passantes. Achei a cena de cortar o coração. Ele ali, talvez já cansado de oferecer aos passantes, não mais oferecia o produto e permanecia a maioria do tempo de cabeça baixa, enquanto as pessoas passavam diante dele sem ao menos notá-lo.

Aquilo muito me impactou. Permaneci a distância só observando a cena. Muito jovem, magro, cheio de vitalidade e com toda certeza, sem emprego, encontrou os tais panos para revender. O obtido com sua venda seria suficiente para fazer frente suas necessidades? Esse tipo de pergunta é a mesma que repito para todos os ambulantes que vejo nas ruas. Sei a resposta e ela está estampada em suas fisionomias. Eu não o fotografei. Poderia até fazê-lo, creio que de onde me encontrava não perceberia, mas preferi só observar. São tantos na mesma situação, seria só mais um. Mesmo sem a foto seu rosto foi motivo de um sono mais que instável. Ele ali encostado na parede, sem perspectivas de felicidade fazia algo mais que contrariado, mas insistia e evidente, movido pela mais absoluta necessidade. Diante de situações como essa me dá uma bruta vontade de me aproximar, puxar conversa, ver se de fato é isso mesmo. Na maioria das vezes não o faço. Me reservo em observar e ficar ruminando das maldades deste mundo, onde milhões são apartados de quase tudo, para que uns poucos possam desfrutar de uma vida nababesca. Essa conta que não bate no capitalismo está bem documentada na miséria exposta como chaga nas ruas, não só de Buenos Aires, mas da maioria dos países da América Latina.

Volto ao parque Lezama, onde tirei duas fotos e aqui as publico. Era por volta das 11h, seguia minha caminhada e ao me deparar com esses dois seres das ruas, personagens de um triste cenário, dei a volta no varão da estátua e também me posteio para observar a ambos. Uma senhora sozinho, enrolada em velhas cobertas e noutra um senhor também na mesma situação dando comida aos pombos. Eu tento cruzar o meu olhar com o deles e ao vê-los mais de perto, algo me toca. O barbudo dos pombos deve viver ali, pois os pombos não se acanham e nem mantém distância dele. Conversa sozinho e divide sua comida com os animais em algo tão natural, diria, comovente. Enquanto dizem para nos distanciarmos dos pombos, ele os tem bem junto de si. Ela de um lado a estátua, essa no centro do parque, ele noutro. Vejo muitos passando rápido pelo local, nenhum parece os perceber. Ali um local de passagem e eles dois se dignam a ali permanecerem. Devem ser conhecidos dos vizinhos e frequentadores. Desses, vejo madames passeando com seus cães.

Moradores de ruas sempre me chamaram muito a atenção. Ainda se sobrar um tempinho em minha atribulada vida, dedicarei a esses um belo estudo, não só dos motivos de viverem nas ruas, mas de como sobrevivem nessa situação. Como os percebo, numa espécie de seres mais que diferenciados, vivendo com um poder de sobrevoar o mundo vivido por nós, ditos como normais. Essas pessoas em situações de evidente fragilidade, invisíveis para muitos, são ricos no que fazem. Enquanto todos passamos apressados por eles, nada disso altera o modo como tocam suas vidas. Foram levados para isso e lá perderam a pressa, ela já não faz mais sentido. Já o moço do muro, o vendedor de pano de prato, ele bem poderia estar em outra atividade, teria num mundo normal todas as condições para não estar ali com sua pequena banca, conseguindo caraminguás e sobrevivendo de uma forma precária, inútil, besta, sem sentido. Poderia estar com os olhos voltados para tanta coisa bela nos arredores, mas isso me chama mais do que a atenção. Foi o que mais observei nessa viagem. também as inscrições nas paredes e elas, por si só, são merecedoras de outro texto, o qual pretendo fazer tão logo lave a louça a mim reservada aqui na casa onde nos encontramos.

HPA - Buenos Aires, Argentina, sexta, 04 de agosto de 2018, pouco antes de fechar as malas e pegar o caminho de volta para Bauru.

sexta-feira, 3 de agosto de 2018

BEIRA DE ESTRADA (97)


FRAGMENTOS DE VIAGEM
OS SINAIS (E GRAFIAS) DAS RUAS - NESTE CASO, DA ARGENTINA

Nas intermináveis (queria que não tivessem se findado) andanças pelas "calles" portenhas, eis o que consegui registrar. São de toda origem, desde grafites, pichações, colagens variadas e outras mensagens, algumas cifradas, outras bem diretas, todas a demonstrar algo vindo das ruas.

Eu sempre estou mais do que atento a esses sinais. Eles me chamam muito a atenção. Estão lá fixados em cantos, na maioria passam batido pela maioria dos passantes, mas expressam significativos chamamentos, toques de elevada significação sobre o momento vivido. No caso argentino, o país vivendo uma de suas piores crises, desde moral à política, também em véspera de uma votação, dia 08/8, quando o Senado decidirá sobre a aprovação ou não da legitimidade do aborto no país. Tudo isso colocado no mesmo balaio e daí, alguém como eu, com uma pequena máquina fotográfica nas mãos e ir tentando entender o algo mais através dessa grafia, a simbologia das ruas.

Eis alguns dos registros mais significativos e em cada um deles, poderia produzir um texto de seu significado. O texto aqui ficaria por demais longo. Prefiro que cada um faça sua própria interpretação a partir do que aqui observam. o mesmo poderia ser feito em Bauru ou em qualquer outro lugar do mundo, pois em cada aldeia espalhada mundo afora, as tais inscrições estão perpetuadas pelas paredes. Como a imensa maioria delas são de duração reduzida, pois os cartazes são trocados ou arrancados com certa regularidade, as pichações apagadas, permanecendo somente o seu registro fotográfico, eis o que consegui reunir.

Junto muitos desses, pois é minha intenção produzir um texto acadêmico sobre como entendo essa via de informação e dos seus resultados, mas como ainda está em formatação em minha mente, por enquanto quem diz algo são as fotos. Busco no momento referências de outros que, porventura, já estudam esse fenômeno, que como sabemos não é nada novo, remontando a vida humana desde a época das cavernas.

quinta-feira, 2 de agosto de 2018

RELATOS PORTENHOS (54)


NÃO CONSIGO PRATICAR O TURISMO INDIFERENTE

Cá estou eu novamente a contar algo sobre o que vejo aqui por Buenos Aires. Nas calles, muita gente deitada em colchões debaixo de marquises. Aso olhar para a fisionomia desses, aquele cruzamento de olhar para os que ainda se dignam o ao menos dispor de vê-los, além da dor, algo mais doloroso. Mais do que perceptível na sua maioria estarem ali nas ruas há bem pouco tempo. São novatos nas ruas, ou seja, jogados para essa situação recentemente. Não que os que ali vivem há mais tempo causem menos dor. Sinto a mesma dor ao ver tanto um com traços de antigo morador das ruas, como nesses recentes, mas é que por aqui, o crescimento dos recentes é gritante. Espalham principalmente colchões para debaixo das marquises e ali tentam manter a dignidade. Ao lado, em malas e sacos o que conseguiram trazer junto de si, como roupas, principalmente cobertas, pois o inverno por aqui é por demais rigoroso. Com o desgoverno de Maurício Macri, a insensibilidade neoliberal é elevada ao seu mais elevado grau. A bestialidade de se curvar aos ditames do FMI, virando as costas para o seu povo. E ainda chamando o Exército para literalmente bater no povo quando esse quiser reclamar de algo. Esse o triste cenário que vejo na Argentina hoje.

Mesmo com esse cenário, a cidade ainda pulsa fortemente no seu lado turístico. Eu mesmo cá estou por causa de um Congresso Acadêmico e no meio deles pouco vejo sobre esse lado argentino. A maioria come, bebe, ri, gasta e dentre os comentários ouvidos por todos os lados, algo sobre o “câmbio”, a troca de dólar e real. Troquei dólar a 27 pesos e todos o fizeram próximos disso. Não fiquei questionando meus colegas sobre o que víamos nas ruas, mas de nenhum deles ouvi algo sobre isso. Nada a questionar sobre isso, mas de minha parte tenho algo a dizer das viagens que faço. Não consigo me manter indiferente ao que ocorre com o lugar onde me encontro. Sempre isso me interessou e muito. A Argentina, mais do que nunca um lugar onde aprendi a gostar, algo mais me toca fundo. São quase uma dezena de anos, voltando sempre em julho, acompanhando Ana Bia e ruando por todos os cantos. Juntei conhecidos e amigos. Com esses comento e conhecendo mais detalhes, cresce o interesse e a vontade de opinar. Mesmo vindo para atividade acadêmica, faço turismo, mas pulso e muito pelo que vejo. Isso me move.
Não conseguiria viver de outra forma e jeito.

Compro o jornal local, no caso o diário Página 12. Ouço a rádio nos intervalos possíveis, no caso a 750 AM. Junto o que leio e ouço com o que vejo nas ruas e construo minha opinião. Aproveito o turismo para ampliar meus conhecimentos sobre o que de fato se passa com a Argentina desses cruéis e insanos tempos de Macri no poder. Sou daqueles que não consegue ser completamente feliz, esteja onde estiver, principalmente num restaurante ou tomar um bom vinho, quando sei que do lado de fora, passando ali pela calçada uma parcela significativa da população tem muita dificuldade para simplesmente comer algo regularmente. Na principal feira de artesanato nas ruas da capital argentina, além de toda movimentação turística, fico logo a pensar nas dificuldades daquele vendedor de rua, com algo de tão pequeno valor de comércio, ele tão fragilizado e ali, diante do frio e de suas necessidades. Enquanto rimos de tudo, felicidade pelo passeio matinal, ele lá vendendo algo e tendo a necessidade de levar algo no final do dia para os seus. Conseguirá a contento? Penso mais nisso do que no próprio passeio.

Como dar risada entre iguais a mim passando praticamente por cima dessa população sofrendo as barbaridades da insanidade de um governo que não pensa e não age para modificar esse estado de coisas. E não é somente isso. Viajar para mim sempre foi isso. Não levo em consideração conversas sobre vinhos refinados, o corte de carnes mais adequado, o que se passa no saguão dos grandes teatros e nem um mero olhar sobre a crueldade das ruas. Aliás, me incomoda esses temas. Não tenho vontade nenhuma em me aprofundar nessas trivialidades, mas também não cravo a estaca em quem o faço somente sobre esses temas e nunca sobre o que os olhos de todos enxergam das ruas. Cada um pensa e age conforme sua formação. Talvez por causa disto tenha feito História e me sinto feliz pela escolha de Humanas. Ela me acompanhará até o final do meus dias. Meus escritos todos tem a vertente disso a pulsar dentro de mim. As ruas me movem, tanto as de minha aldeia bauruense, como as de qualquer outro lugar por onde tenha a possibilidade de estar. Por esses dias Buenos Aires me move e espero não cansá-los com relatos bem diferentes de um mero roteiro turístico.

quarta-feira, 1 de agosto de 2018

BAURU POR AÍ (155)


CASA ROSADA E PALÁCIO DAS CEREJEIRAS – OXALÁ NÃO EXISTAM AS SEMELHANÇAS DE ALGO DENUNCIADO COMO PRÁTICA RECORRENTE NA ARGENTINA DE MACRI COM A BAURU DE GAZZETTA
Estou na Argentina, porém com ouvidos atentos nos acontecimento do Brasil, no caso específico deste escrito, mas precisamente em Bauru. Passo pela calle Venezuela, quase esquina com a Defensa só para buscar o exemplar gratuito do dia, ali distribuído, do diário Página 12. Lá também a sede da rádio 750, do programa ouvido por mim diariamente, o La Mañana, com Victor Hugo Morales e equipe. Na portaria, pego os exemplares e depois pego um táxi para o Congresso de Design na Universidade de Palermo. Economizo 40 pesos e venho lendo pelo caminho algo da manchete de primeira página. Ali, uma imensa foto da Casa Rosada (infelizmente atualmente gradeada – Maurício Macri tem medo do povo) com os dizeres: “CASA MATRIZ – 290 funcionários mantiveram seus cargos em empresas privadas. Começando por Maurício Macri, que está na direção de uma empresa de minério, uma multidão de funcionários ocupa os dois lados, está no público sem perder vínculos privados”. Leiam aqui o texto principal sobre o tema: https://www.pagina12.com.ar/132187-casa-matriz.

Uma grande e escandalosa vergonha. O cara recebe a incumbência de prestar um serviço público para a comunidade onde vive, aceita, ganha muito bem para executá-lo, mas mesmo continua mantendo ligações muito próximas com empresas privadas. Ganha pelas duas vias, o que sempre souber ser algo mais do que imoral, além de irregular. Pior que tudo é o recebimento de informações privilegiadas dentro do serviço público e as utilizar para benefício próprio dentro da empresa privada. Desavergonhados, cínicos e corruptos na exata acepção da palavra. Quem faz algo dessa natureza e ainda mais descaradamente não é merecedor de nenhum tipo de perdão. O diário Página 12 escancara a situação argentina em algo prevalecendo como mantra do atual governo neoliberal: tudo o que vem desse Governo é desmerecido pela Justiça, ocorrendo uma espécie de não observância, vista grossa. Fosse com os anteriores, os peronistas Nestor Kirchner e depois com Cristina Kirchner, com toda certeza, estariam não só vivendo um inferno astral, como já cassados ou em vias de. Enfim, a brutal semelhança entre nossos países. A prática intestinal da Lava Jato onde se criminaliza tudo de um dos lados da questão (no Brasil com o PT, na Argentina com o peronismo), ocorre em idêntica prática no aqui denominado Comodoro Py. No comando da Lava Jato Sergio Moro e no do Comodoro Cláudio Bonadio. Estratégias com uma similaridade não mais causando estranhamento, mas sim muitas certezas.

Leio a matéria com os olhos voltados para minha aldeia, Bauru, hoje tão distante fisicamente de minha modesta presença. Faz aniversário no dia de hoje, 122 anos e para não dizer ser filho ingrato, esqueço a festa ocorrendo lá no Parque Vitória Régia, me atenho a algo onde gostaria imensamente não ter nenhuma similaridade entre o Palácio das Cerejeiras, a sede do governo municipal bauruense e com a Casa Rosada, a sede administrativa do governo argentino. É por demais desalentador quando um servidor público, ainda mais quando não de carreira, mas indicado pelo atual postulante de cargo comissionado, temporário, de confiança, sendo convidado por notório saber e conhecimento para o cargo ocupado, aceite ali atuar e continue com os pés em duas canoas. Faço a comparação sem citar nomes, até porque não sei existirem de fato, mas o artigo lido serve de alerta para nos mantermos vigilantes, atentos e prontos a denunciar essa danosa prática, tão lesiva aos cofres públicos. Fazer uma constante perícia e acompanhamento sobre esses procedimentos é papel, em primeiro lugar, dos vereadores, pagos para fiscalizar o Executivo e depois por todos nós, desde um órgão como a Justiça, Polícia, até o mais simples cidadão. Estejamos atentos para que algo como o denunciado agora na Argentina não possa se repetir no lugar onde moramos. Li e achei pertinente o toque, a lembrança, para que tudo não vire lambança. No mais, segue a festa de aniversário, enfim, 122 anos é uma bela data e Bauru é mais do que merecedora de dias melhores.

HPA – Buenos Aires/Bauru, quarta (miercoles), 01 de agosto de 2018.