quarta-feira, 5 de setembro de 2018

UM LUGAR POR AÍ (112)


OS QUE RESISTEM AO LADO E POR LULA ou COMO VIR PARA CURITIBA E NÃO VER O PAPA, ops, digo, IR A ROMA E NÃO IR VER O LULA
A vigília pró-Lula toma conta do país, pois mesmo os que discordam do PT e sendo sensatos, enxergam nitidamente o baú de maldades que o golpe despeja sob a cabeça do ex-presidente Lula, mantendo-o preso ilegalmente, como mais um preso político do estado de exceção vigente. Ao lado da sede da Polícia Federal em Curitiba, o local do cativeiro de Lula, por mais de 150 dias uma legião de abnegados brasileiros ali se revesa e em alto e bom som gritam a todo instante: Lula Livre".

Voltei no dia de hoje pela segunda vez ao local e constatei as mudanças na forma de resistência. Em 1º de Maio, o acampamento Marisa Letícia estava funcionando a todo vapor e agora vejo que tudo continua como dantes, porém com mais segurança. O local, a aproximadamente um km de distância da sede da PF, agora está mais protegido e desta forma propiciando mais segurança para todos os que, chegando das mais diferentes partes do país, possam alio descansar sem percalços.

Anteriormente a concentração diária, a mesma que entoa os gritos diários de "Bom Dia, Boa Tarde e Boa Noite Presidente Lula!", estava localizado nos fundos da sede da PF, aproximadamente uns 200 metros de distância e com uma barraca central montada no meio da rua. Hoje a situação está bem melhor e todos os que se predispõe a permanecer durante o dia todo acompanhando o desenrolar dos acontecimentos do dia, agora se concentram num terreno bem defronte a PT, bastando atravessar a rua para ali estar. No local, a concentração de barracas de apoio e o local onde tudo acontece durante o dia.

Organização é tudo e o pessoal da retaguarda, os que garantem o sustentáculo dessa maravilhosa resistência se superam e mesmo diante de todos os obstáculos, persistem e nesse novo local, a poucos metros do portão de entrada da PF, uma maior mobilidade e poder de fogo. Tudo agora acontece nesse local e ali é o lugar para encontrar todos os visitantes diários.

Quem esteve falando aos presentes no dia de hoje foram os pais da vereadora carioca do PSOL, Marielle Franco, brutalmente assassinada a tiros no início do ano. Ela falou aos presentes em dois momentos e ressaltou em todos que a sua dor é a mesma de Lula e de todos os brasileiros resistindo contra as crueldades impostas por um Governo não mais defendendo os interesses do povo trabalhador.

Acompanhei por algumas horas todo o desenrolar de tudo o que ali foi acontecendo e com as fotos aqui publicadas, deixo registrado algo bem simples e servindo para tudo o mais nesse momento: a resistência se faz necessário e o que vi ali, gente dos mais diferentes lugares deste país, para ali se dirigindo, tudo em busca de mostrar ao resto do país que a única forma de tiramos Lula dessa injusta e insana cadeia é com a união de todos, quebrando dos grilhões e fazendo com que, pela força popular, a insanidade caia por terra.

Cada ida para lá serve muito como recarregador de baterias. É assim que volto de lá, totalmente recarregado e pronto para os próximos embates.
HPA - Curitiba PR, terça, 04 de setembro de 2018.

DROPS - HISTÓRIAS REALMENTE ACONTECIDAS (159)


TRISTEZA AO SE DESFAZER DE PRECIOSAS COLEÇÕES – JÁ PASSEI POR SITUAÇÃO SEMELHANTE
Essa quem me contou foi meu filho. Ele estuda e trabalha em Araraquara, num famoso sebo/livraria. Dias atrás ele sozinho na loja, entra um senhor de meia idade, jeito de roqueiro e com uma pesada caixa de papelão nas mãos. Pergunta pelo dono da livraria e ao saber de sua ausência, diz deixará a caixa para posterior avaliação:

- Queria que avaliasse para mim. Dei uma apertada e queria ver se ele não compra essa coleção de LPs. Passo em alguns dias para ver o que avaliaram.

Ele se vai e o filho abre a caixa. Para seu espanto, ali dentro uns 70 discos, coleções inteiras de clássicos do rock, intactas, muito bem conservadas. Desde Led Zepellin, Beatles, Dire Straits, Bob Dylan e tudo o mais. Individualmente valiosos e quando juntos, valor ampliado. Coleção de alguém a gostar realmente desse gênero musical.

O dono do estabelecimento ao tomar conhecimento da coleção fica maravilhado, vê um por um e se depara com um dilema: o que oferecer por tão rica coleção? Não pode oferecer um preço baixo a ponto de ofender o dono do acervo, ainda mais ele numa situação de fragilidade comprovada e nem alto, que não possa pagar.

Eu cá do meu canto, ao ouvir a história contada a mim com riqueza de detalhes pelo filho, calado fiquei e a imaginar a tristeza se abatendo sobre alguém encurralado pela situação momentânea, a ponto de se desfazer de algo tão valioso, guardado por tantos anos.

Já passei por algo semelhante tempos atrás. Sempre colecionei LPs e coisa de uns 15 anos atrás, também num momento de aperto financeiro recebo em casa o dono de um famoso sebo paulistano. Nem me lembro como foi contatado, mas sabendo do que possuía, veio de São Paulo para ver de perto o acervo. Acertamos de me pagar R$ 400 reais e levaria 40 LPs, títulos escolhidos a dedo por ele dentro da coleção. Nem quis ver quais ele levou, só conferindo a quantidade. Se arrependimento matasse, estaria morto.

Até hoje quando saio a procura de algumas preciosidades e não os encontro, lembro que talvez possa estar dentre os tais 40. Aquele Arrigo Barnabé, o Clara Crocodilo ou aquele Aldir Blanc, álbum duplo, selo da gravadora independente Saci. Para reavê-los hoje, pagarei entre R$ 100 a R$ 200. São alguns, dentre tantos outros. Junto as duas histórias e sei a dor que o cara lá de Araraquara deve estar sentindo. Eu me coloco no seu lugar e olho para os lados, sei que histórias como essas são hoje rotina. Os motivos podem ser vários, falta de espaço, mudanças, mas o pior e maior der todos são os tais problemas financeiros. Eles nos encurralam e acabamos fazendo besteira.
OBS.: As duas fotos são meramente ilustrativas.

segunda-feira, 3 de setembro de 2018

BEIRA DE ESTRADA (98)


HÉLIO LEITES ENCANTA A FEIRA DO LAGO DA ORDEM EM CURITIBA - ODE AOS QUE VIVEM NUM MUNDO À PARTE
Esse Hélio é mesmo da pá virada. Uma pessoa incrível, dessas criadoras de um mundo a parte, só seu e dele fazendo uso para conseguir sobreviver na crueldade deste mundo. Bancário aposentado, quando conseguiu fechar esse ciclo em sua vida, deu início a outro, o de um mundo de pirlimpimpim, mágico e lúdico. O conheci em Bauru, tempos atrás, quando o querido pessoal do Festival Internacional de Bonecos o trouxe de Curitiba para Bauru. Ela havia acabado de ser homenageado com um belo livro contando sua história, capa dura e com ilustrações de boa parte dos seus trabalhos. Acabei não comprando o livro, mas fui comprando pela ideia do criador de peças maravilhosas, miúdas e nelas inscrições com a boa tirada de uma cabeça anos luz à frente da nossa, ou da imensa maioria dos pobres mortais.

Voltei pra Curitiba essa semana e também para Feira do Lago da Ordem, uma que, aos domingos, reúne artesões de variadas matizes e esses expõe seus trabalhos em mais uma das denominadas Feira das Pulgas, o lugar onde se encontra de tudo o que é fabricado à mão por gente expondo depois tudo nas ruas. Hélio não podia ficar de fora dessas e sabia que o iria encontrar no meio da rica balbúrdia dominical. Quando o vi me aproximei e o vendo da mesma maneira de quando o conheci, já fui logo falando:

- O senhor não vai se lembrar de mim, mas eu nunca mais me esquecerei de ti. Sou de Bauru e o conheci num dos Festivais de Bonecos.

Ele me olhou e em questão de segundos me respondeu:

- Claro que lembro. Ganhei um botton de ti feito na hora e com a minha foto ali estampada.

E começamos a falar um da vida do outro. Ele continua fazendo o que gosta, como gosta e do jeito que gosta. Tem uma banca na feira e ali leva suas criações, montagens em peças únicas, com escritos bem sacados. Cada peça é uma obra de arte e a intenção dele não é a de vender, pois já tem um ganho mensal, o seu sustento, mas fazer arte, ver pessoas, passar ideias adiante e buscar novas ideias, essas que o movem. Diante de cada novo trabalho, um tempo na sua execução e tudo sendo finalizado ali mesmo na rua, na frente dos que passam e se interessam em conhecer algo saído da verve desse original artista de rua.

Hélio tem história mais que própria e quem estiver a fim de conhecer algo verdadeiramente grandioso, basta clicar seu nome do google e ir se deliciando com as descobertas. Eu, como já o conheço, busquei ali, no pouco tempo dispensando para um conversa, me recarregar ao seu lado. Pessoas assim são puras, divinais, verdadeiros anjos terrestres. Saquei da máquininha fotográfica e o registrei em vários ângulos, muitos dos seus trabalhos. Queria escrever muito mais do que realmente o faço, pois já o fiz no passado aqui nesse mesmo espaço. Paro por aqui, pois sei que, para quem estiver interessado, cada peça aqui publicada vale um longa história. E hoje, tomei uns vinhos, quase durmo em cima do computador enquanto tento escrever esse texto. Com o Hélio no coração vou me deitar e amanhã conto mais.

domingo, 2 de setembro de 2018

MEMÓRIA ORAL (229)


COM MÁQUININHA DE CARTÃO E PENSAMENTOS DE ESQUERDA, EIS O LIVREIRO DA FEIRA DO LARGO DA ORDEM


                        Escrito em homenagem ao Carioca da Banca, Feira do Rolo - Bauru SP.


Visitar a cidade que for e nela tendo uma feira ao estilo Mercado das Pulgas, impossível não ir conhecê-la pessoalmente. Assim se dá a cada retorno à Curitiba e com a famosa feira do Largo da Ordem. Ali uma miscelânea, conjunto de artesãos de toda espécie. A variedade é imensa e tudo tem início bem lá embaixo, passa pelo largo propriamente dito, segue diante passando pela fonte do “Cavalo Babão” e toma conta dessa praça em todos os seus espaços vazios. Uma enormidade de variedade. Hoje tinha além do oferecido nas barracas, música em variadas manifestações e gêneros. O curitibano, mas principalmente os turistas batem cartão naquele quadrilátero e se esbaldam com o ali oferecido. Seus frequentadores brincam: “Ir a Roma e não ver o papa é quase a mesma coisa que vir à Curitiba e não passear pela feira do Largo da Ordem”.

A feira, como se vê, é isso tudo e muito mais. Escolho um dos seus personagens e desta forma reverencio tudo o que ali é possibilitado em matéria de arte e cultura. Bem no meio do largo central, o próprio Largo da Ordem, ladeado de igrejas, exposições variadas e lugares com séculos de existência, do lado do bebedouro de animais, mantido bem no centro como um marco do lugar está localizado numa montagem em forma de quadrado, sem cobertura e com bancas de madeira. É o livreiro mais famoso do lugar, o Ronaldo Livreiro, que gosta de ser lembrado somente pelo primeiro nome ou pelo de seu aparato ali disponibilizado a cada domingo, denominado de Folha Diferenciada, também um site de notícias e livraria (folhadiferenciada.blogspot.com.br).


Aquele aparato de livros, a maioria novos e conseguidos nas diversas pontas de estoque, Ronaldo traz todo domingo para o local e os espalha, quando consegue, separando-os por temas. Um sujeito de bem com a vida e com posicionamentos firmes, como se vê estampado na camiseta que usava neste domingo, “A casa-grande surta quando a senzala aprende a ler”. Brinco com ele: “Ufa! Que bom, enfim encontro um livreiro de esquerda”. Ele, ri e percebe que diante dele outro da mesma linhagem: “Posso fazer uma brincadeira contigo?”. Digo que sim e ele desfere: “O Brasil de hoje, quer queiram quer não só possui dois candidatos a presidente, Lula e Haddad”. Sim, concordo e a partir daí divagamos de tantos outros assuntos. Na sequência me espanta quando diz: “Você não sabe, mas prefiro Moro ao advogado Zantin”. “Mas como?”, lhe pergunto. Sempre rindo me responde: “Ele mantendo Lula preso agora, o candidato será Haddad e este será eleito, deixando Lula livre para atuar em toda América Latina, mais que um embaixador do Brasil que queremos e precisamos”.

Impossível não falar de política por esses dias, ainda mais com um sujeito tão antenado e vendedor de livros. Barbudo, chapéu quase da cor da barba, ele é conhecido por todos e nesta manhã chuvosa se desdobra para colocar e tirar um imenso plástico transparente sobre a preciosa mercadoria. “Livro não tem liga com água, ainda mais se for de chuva. Tenho que ficar atento e no começo de uma mera garoa já cubro logo e aparecem até amigos para ajudar”, me diz. Isso mesmo, os amigos o rodeiam e ele navega na turbulência da feira com muita maestria e sapiência. As ofertas são muitas e algo da maior importância é vê-lo discorrendo sobre a maioria das obras expostas. “Faz parte do meu negócio. Imagina eu revender algo e não conhecer nada a respeito? Passaria descrédito”. Um cliente levou um Plinio Marcos, outro um Ruy Castro, Saramago, Clarice Lispector e assim por diante.


Nenhuma feira de antiguidade, em qualquer do mundo, não é um lugar de valia reconhecida sem no meio de tudo ter lá um livreiro a revender essas preciosidades, livros. Ronaldo está encravado ali bem no coração da mais famosa feira de Curitiba, já possui algumas décadas de ininterrupta frequência e pelo visto não possui nenhuma intenção de abandonar o seu meio de vida. “Estar no meio desse burburinho e além de vender livros, conversar com quem gosta de ler, bater papo, ampliar conhecimentos é para lá de auspicioso”. Sim, ele na hora do cliente pagar a conta possui algo a diferenciar de outros tantos em feiras variadas. De uns tempos para cá, ajudado por um dileto amigo está fazendo uso de uma maquininha de cartão e qualquer valor, o cliente escolhe, pode ser na forma de débito ou crédito. É a forma dita por ele como a de ter ingressado na modernidade. No mais, continua tudo como dantes e apostando em dias melhores para o país, consequentemente para os adeptos da boa leitura.

sábado, 1 de setembro de 2018

COMENTÁRIO QUALQUER (179)


EU NÃO ACREDITO EM MAIS NADA
Primeiro impedem definitivamente Lula de disputar o pleito, desrespeitando decisão da ONU e tudo o mais. Nada a espantar, enfim, golpe que segue. Agora Haddad disputa o pleito como candidato e seguindo as regras do jogo impostas pelos insanos golpistas de plantão. O que os sacanas hoje no poder querem é exatamente isso, o arcabouço da legalidade no que fazem. Ainda falta acontecer mais e mais episódios em prol de seus atos. O candidato representando o poder, Alckmin, não pode ficar de fora desse 2º turno, mesmo tendo pífia votação. Será uma disputa entre Haddad (se o deixarem chegar até lá) e, provavelmente, Alckmin. Prevalecerá o vale tudo, mas sempre favorecendo o lado dos golpistas, enfim, chegaram até aqui e não vão devolver o poder assim por nada para proponentes em rever as maldades todas. Percam as esperanças, pois o jogo seguirá sujo até o final. E não se esqueçam que para fechar o ciclo, nossas eleições possuem apuração feita através do indelével voto eletrônico, mantidos e manipulados por quem comanda todas as decisões. Tudo isento até a medula, como todos sabemos muito bem (Brizola se revira no túmulo neste exato momento). Querem ir até o fim para ver no que isso tudo vai dar? Tudo bem, seguirei com Haddad, do começo ao fim, mas ciente de antemão, sem chances. Ganhar ele ganharia fossem limpas as eleições. As intenções de voto sempre demonstraram isso, mas não vai ser o voto quem decidirá esse pleito, o primeiro sob o comando das forças ocultas golpistas. Escrevam isso tudo e depois me cobrem.
OBS: Foto de Haddad tirada por mim aqui mesmo em Curitiba, no 1º de Maio lá junto do cárcere de Lula, junto da PF. Sem virada de mesa e povo nas ruas, esqueçam, pura perda de tempo.

A FOTO NA PAREDE E AS LEMBRANÇAS DE ANTANHO
Na parede do restaurante Bife Sujo, centro velho de Curitiba, registros da resistência å ditadura militar e numa das fotos algo visto hoje com dor: "Vencemos o Maluf". E hoje, diante de tantas repetidas barbaridades jurídicas, o que teremos que fazer para por pra correr esses bestiais golpistas? "O Bife Sujo levou este nome por causa de um sanduíche muito apreciado pelos jornalistas e demais intelectuais que lá frequentavam, isto no final da década de 70. E também porque o boteco inicial era um sujinho. Depois ele foi vendido, e o novo proprietário investiu uma boa grana melhorando o serviço. E hoje os antigos garçons, que trabalharam com o segundo dono, são os proprietários. Durante a ditadura foi ali que aqui em Curitiba ocorreu a "revolução de boteco". Era o ponto de encontro da esquerda e dos democratas engajados. O bar era um agito, lá nos discursos em cada mesa predominavam os tons inflamados, como sempre foi um ponto de irradiação da cultura em geral. Hoje é mais um restaurante do que um bar. Lá se serve boa comida e bebida. Os atuais cabeças são o Nei Oliver e o Cesinha, que embora sejam de direita, HA! HA! HA!, são democratas, e eles, e a ótima equipe, mantém um serviço padrão impecável. Os preços praticados são acessíveis a quase que todos os bolsos. Passando por aqui vale a pena ir conferir a feijoada servida no sábado. O resto do menú também é muito bom", Carlos Molina sobre o Bife Sujo.

UTILIDADE COMPROVADA
Chego em casa neste momento e me deparo com duas situações. Na primeira um papel dobrado e enfiado no portão de entrada e ao adentrar o quintal, meu cão, o irrepreensível Charles fez mais uma de suas diárias merdas bem num local onde costuma depois pisotear. Tenho que ser rápido nas decisões, antes dele sujar suas patinhas e a melhor sacada foi destinar bom uso para o papel que tinha em mãos. O resultado vocês podem ver na foto. Na sequência, tudo devidamente jogado no cesto do lixo. Missão cumprida.

sexta-feira, 31 de agosto de 2018

DIÁRIO DE CUBA (100)


QUEM SABE DE FATO O QUE O PRECISA SER FEITO A FAVOR DO POVO – MARCÃO ME DISSE SABER
Meu amigo Marco Paulo Resende, o Marcão, também conhecido na cidade de Bauru como “Comunista em Ação me dá seguidas lições de vida. Neste momento anda um tanto bravo comigo. Quer me ver desligado do PT e de Lula, algo que um dia ele também já esteve plugado, mas com o passar do tempo se desligou de vez. Estivemos juntos em duas viagens internacionais inesquecíveis. Na primeira fomos ver um comício de Hugo Chavez em plena Buenos Aires, estádio do Ferrocarril e depois, por 30 inesquecíveis dias percorremos mochilando Cuba de cabo a rabo. Foram mais que reforços na linha de pensamento e ação por nós empregada. Sempre o ouço com a devida atenção. Não tento convencê-lo de mais nada, pois ele lê muito, percebe tudo e nos reencontros (infelizmente muito poucos nos últimos tempos), um papo pra lá de saboroso. Ninguém pode falar nada do Marcão, pois sendo filho de quem é, poderia estar desfrutando de uma vida de muitas benesses, mas abriu mão de tudo, em função da causa a tocar sua vida. Tem vida mais que espartana, não abandona suas camisetas vermelhas tendo a foice/martelo como estampa e nos planos uma ida em definitivo para o Canadá, com plano mais que adiantados. O gostoso é quando não se concorda com tudo o que o outro está a dizer, daí o debate flui mais caloroso. Com ele sempre foi assim.

Escrevo dele por outro motivo. Dentre as muitas coisas que me disse ao longo de umas duas décadas de convivência, algumas me são inesquecíveis. Em forma de brincadeira o tratávamos por “Comandante”, tal o carinho que possui por Fidel Castro. Foi incorporando algo do comandante cubano em seu visual e modo de viver, chegando a proferir certa feita algo mais ou menos assim: “Se um dia chegar a ser um chefe de estado, da estatura de um Fidel, um comandante, eu sei que o povo não sabe direito o que deve ser feito por eles, mas eu sei. Não vou ficar perdendo tempo com assembleias, ritos que dizem ser democráticos. Quando eleitos dentro do atual sistema, a maioria não faz o que deveria ser feito, traem os interesses populares”. Isso me calou fundo. Vejo agora a tal da democracia exercida pela TV Globo e como age com os candidatos a presidente, convidando quatro para entreviosta no Jornal Nacional, excluindo o líder das pesquisas, Lula e o PT, assim como os menos cotados, como Boulos e outros. Nem falam de Lula e dizem serem democráticos. A democracia, sabemos, é balela. Alckmin quando governador paulista não permitiu a abertura de nenhum processo investigativo dentro da Alesp, mesmo diante de evidências corruptivas de sua administração. Chamam isso de democracia, mas sabemos, o que é feito por debaixo do pano e pode ser intitulado de tudo, menos de democracia. Exemplos outros pipocam pela aí em todas as esferas.

Junto a fala do Marcão com os dois exemplos citados e constato algo mais. Eu mesmo reclamo muito de governos ditos mais populares, como o de Lula no Brasil, Cristina na Argentina ou Correia, no Equador, que chegaram ao poder e vacilaram. Fizeram muito, mas poderiam ter feito mais. Se fazem valer da Constituição, das leis vigentes, do poder constituído pelo mundo político e hoje, mais do que nunca, de um Judiciário voltado exclusivamente para os interesses de uma casta e dos interesses destes. Já a direitona, com Macri, Temer ou mesmo o traidor Lenín Moreno no Equador, um exemplo de como quando no poder, chegam e executam sem dó e piedade algo contra os interesses do povo. O neoliberalismo é assim, chegam e não esperam um só segundo, colocando em prática a crueldade e o arbítrio. Veja agora na Colômbia, no dia seguinte da saída do presidente Santos, o que chega, ligado aos paramilitares mais odientos e a Uribe, um declarado fascista, já quer rever o tratado de paz com as FARC. O que fazem é terra arrasada, sem dó e piedade. Não contemporizam e não respeitam nada. A democracia que vale é a deles, imposta por eles e com as regras deles. Isso não é nada democrático.

Dito, isso, entra a fala do Marcão. A democracia cansa e em alguns casos, morosa demais, noutras faz coisas pela metade, deixa de fazê-los, inviabiliza algo mais em prol dos interesses populares. Podem denominar como ditadura ou algo mais, isso não interessa muito, mas Cuba só sobreviveu até hoje por causa de lideranças que sempre souberam o que deveria ser feito em prol do povo. Do contrário, já teria se afundado há muito tempo. Podem me perguntar: mas você não é um sujeito a favor da democracia? Já fui mais, mas dentro das atuais estruturas de poder constituídos no Brasil ela não mais vingará a contento. Desesti de continuar acreditando em histórias da carochinha. A democracia que temos é caolha, manquitola e falsária. O país pode ter pela frente algo muito pior que isso, com uma ditadura de direita e perseguições a tudo, todas e todos como norma recomendável. Prefiro a isso, uma verdadeira ditadura de esquerda, com alguém sabendo de antemão tudo o que precisa ser feito por esse povo, hoje preso nas correntes das nefastas informações midiáticas, que o enganam descaradamente. Mas quem dos candidatos a presidente poderia cumprir esse papel? Lula? Com ele, algo de muito bom, mas não mijaria fora do penico dos ritos democráticos. Boulos? Talvez, em partes. Mas quem? Enfim, que tipo de ditadura é tolerável e até salutar? Marcão me disse lá atrás, sendo ele, saberia de antemão tudo o que deve e precisa ser feito. Com ele ou com qualquer outro, isso só ocorreria através de uma revolução. Infelizmente, distante. Muito distante. Isso me consome, pois os anos voam e creio não terei o prazer e o contentamento de ver essa luz no final do túnel.

quinta-feira, 30 de agosto de 2018

INTERVENÇÕES DO SUPER-HERÓI BAURUENSE (116)


QUEREMOS FLAN (PUDIM) É A CARA DAS MANIFESTAÇÕES DA GETÚLIO BAURUENSE
Uma das manifestações mais repugnantes dos últimos tempos se deu semanas atrás em Buenos Aires, quando parcela dos favoráveis ao neoliberalismo, representados em sua maioria por idosos da classe média e representantes oligárquicos foram para as ruas gritando em alto som: “QUEREMOS FLAN”, tudo após um humorista ter lançado o bordão como forma a demonstrar das dificuldades dos favoráveis ao macrismo continuar com seu poder aquisitivo num país destroçado por medidas impopulares e o aumento das restrições de gastos e ganhos para todos. Existem vídeos aos borbotões, tanto do humorista quando falou pela primeira vez do flan, um doce popular, como o nosso pudim, aquele redondinho, servido habitualmente em padarias. O fato foi que, como algo feito com trejeitos humorísticos cai nas graças da parcela favorável ao esmagamento das questões sociais e restrições de direitos aos trabalhadores?

Guardião, o intrépido herói bauruense (criação do artista do traço Leandro Gonçalez, com pitacos escrevinhativos do mafuento HPA), faz uma alusão ao visto no país hermano com o que viu aqui na bauruense avenida Getúlio Vargas, quando das manifestações (sic) ali ocorridas com o fardamento verde-amarelo: “Esse pessoal perdeu a noção não só do ridículo, mas do bom senso. Descaradamente vão pras ruas clamando contra a perda dos seus privilégios. Tanto lá como cá, não estão interessados nem um pouco no fim da corrupção, mas estão mais do que preocupados com o crescimento de uma classe dita por eles como subalterna, essa conquistando coisas e ocupando espaço até então nunca conseguidos. Se borram de medo dessa aproximação. Hoje, passado certo tempo, com uma análise mais fria, com mais dados, nítido que ali estavam para mostrar preferirem o país do atraso, o da dependência e a do arrocho para os trabalhadores, movimentos sociais e afins, pois esses não estavam mais sabendo se conter dentro de sua caixinha”, conta.

O grito do humorista, depois dos conservadores argentinos pelo tal do “flan”, para nós, pudim é sintomático desses tempos. “Deve ser difícil manter o padrão e conseguir consumir desbragadamente o flan nos tempos atuais. Quem deixou a Argentina na situação atual não foi Cristina e sim, Macri. O mesmo se deu no Brasil, não foi o PT o causador do momento atual, mas sim uma crise mundial e a incompetência de golpistas insanos nos levaram aos caos. Mesmo no fundo do poço, devendo até as calças, parcela da classe média, daqui e de lá, não reconhecem que o antes era melhor e mesmo danados até o talo, apoiam o retrocesso. Porém, padecem e nem o flan conseguem mais consumir a contento. O desalento os fazem saírem pras ruas em total desespero. Nunca mais se viu nada na Getúlio em Bauru depois da injusta destituição de Dilma. Isso é prova inconteste dos reais motivos do que estavam a fazer na avenida, hoje marcada pelos atos dos ditos coxinhas locais. Ficou estigmatizada como reduto dos insensíveis. Insuflado, facilmente voltariam para a avenida clamando por algo muito parecido com o Queremos Flan argentino”, continua Guardião.

Hoje, os tais coxinhas se mantém um tanto calados, aguardando novas instruções, pois são conduzidos por ordens superiores. Enquanto isso, Guardião disseca o visto aqui e na Argentina: “A bestialidade da exclusão está escancarada nessas marchas ocorrendo em redutos mais abastados. Esses, os que antes gozavam de inauditos privilégios, como manter uma trabalhadora em sua residência nas 24h do dia, hoje gastam muito mais com isso e culpam o PT pela perda do secular privilégio. O doce flan, gritado agora nas ruas é uma metáfora. Esse todos estão mais que cegos, pois não entenderam ainda que, com o incentivo a governos como o de Macri e de Temer, ao invés de terem solucionados seus problemas, tudo será ampliado. O poder de compra, de consumo será cada vez mais reduzido e se danam o pobre, algo resvala na classe média, essa padece e não aceitando, esperneia, vai pra rua, clama pelo docinho já não mais possível no cardápio. O processo de degeneração ainda está inconcluso. Existe ainda uma parcela desses reclamando, mas conseguindo consumir. Talvez quando o calo apertar ainda mais, consigam enxergar o que lhe fizeram os tais neoliberais. Talvez seja tarde demais, talvez ajudem a camada popular a virar essa mesa, o que é difícil, pois o que se vê na fisionomia dessas manifestações nas ruas buenaristas e na getulista bauruista são de pessoas querendo estar nos degraus de cima e não se importando nem um pouco com os que estão nos degraus de baixo. É com essa mentalidade florescendo de forma bem explícita que o jogo segue. Pode escrever, muito em breve baureuenses vão clamar por um QUEREMOS PUDIM”, conclui Guardião e vai num botequim de esquina comer sua coxinha requentada ou salsicha em conserva naqueles vidrões expostos nos pés sujos nas quebradas bauruenses.