terça-feira, 7 de setembro de 2021

COMENDO PELAS BEIRADAS (107)


BRASIL E BAURU PRECISAM SUPERAR BOLSONARO E SUÉLLEN
O ANTES
Cá estamos, chegamos na fatídica data, onde um golpe será tentado, mas deverá ser abortado e seus próceres culpabilizados pela destruição deste país. Estar nas ruas hoje para se posicionar contra os malversadores no poder, eis o que me resta fazer, diante de tudo o que vejo sendo feito para desgraçar este país. Não conseguiria permanecer em casa, daí vou com a consciência tranquila, cheio de gás e muita garra, pronto para defender este país com unhas e dentes. Nada é conquistado sem "sangue, suor e lágrimas", portanto, ciente de tudo o que pode vir pela frente, saio de casa nesta manhã, disposto a fazer a minha parte para reconduzir o país para alguma normalidade melhor do que a vivida hoje. Aqui em Bauru, a concentração dos sensatos será defronte a Câmara dos Vereadores, logo mais a partir das 9h30. Lá estarei...

BAURU NAS RUAS CONTRA A PERVERSIDADE BOLSONARISTA

ATO FORA BOLSONARO HOJE DE MANHÃ EM BAURU
Alguns dos pronunciamentos, pouco antes da passeata pelas ruas centrais da cidade, com parada na Esquina da Resistência. Bauru resiste e demonstra a insatisfação com a continuidade do genocídio bolsonarista. Eis o link: https://www.facebook.com/henrique.perazzideaquino/videos/913863602820540


VALE DO ANHANGABAÚ LOTADO PELO FORA BOLSONARO
Ao vivo, direto do vale do Anhangabaú em ato gigante em defesa da democracia e justiça social. São Paulo não foge à luta, muita juventude e povo das periferias. O Bolsonazismo não passará! Eis o link: https://www.facebook.com/henrique.perazzideaquino/posts/4892401597456477

A CARA DO CARA
O sucesso do ato hoje nas ruas de Bauru contra a perversidade genocida do atual desGoverno do ex-capitão, se deve a um conjunto de fatores, mas neste momento, reverencio e aplaudo o diretor da Apeoesp local, Marcos Chagas, que nesta semana sofreu perseguição contra a realização do ato, optaram coletivamente por mudar o local e mais uma vez, disponibilizou todo o aparato e esforço para a realização de mais um grandioso acontecimento democrático nas ruas bauruenses. Um grande viva para quem decididamente se mostra importantíssimo neste momento. A foto é do Tauan Mateus.

O DEPOIS
Em Bauru o ato contra Bolsonaro foi mais que grandioso, diria mesmo, maravilhoso. Nele a comprovação de que, Bauru resiste e se mostra firme no propósito de escancarar as mazelas fundamentalistas do desGoverno, tanto Federal como Municipal. Nas manifestações bolsonaristas país afora e nas falas dele, o capiroto, tanto em Brasília, como em São Paulo, não só desrespeito à Constituição, mas aos princípios básicos e elementares do Estado de Direito. Explícito na fala dele o medo do que pode lhe acontecer. Bolsonaro não saiu de sua bolha. Está cada vez mais só com ela, esse percentual que tudo faz por ele, mas se mostra cada vez mais restrito, diminuindo a cada dia. Se faz necessário urgentes providências contra o que ele prega. Ele, já se sabe, tentará de tudo, mas estará cada vez falando só para os seus, decrépito, alucinado, doente e cada vez mais perigoso. Se as instituições quisessem mesmo tomar alguma atitude, o momento seria este. Por tudo o que disse hoje, o afastamento por incapacidade e autoritarismo explícito está mais do que evidente, latente. Se faz necessário, cada vez mais, povo nas ruas, pressão popular e aniquilamento desse viés autoritário hoje latente no país. Só com o povo nas ruas tudo se reverterá. Eu mesmo já queria ter ido hoje pras ruas e só dela sair quando o capiroto estivesse sacado do poder. Mobilização in interrupta. O Brasil vencerá este triste momento, mas pelo visto, algum padecimento até lá. Estejamos prontos pro que der e vier. E de nossa incomPrefeita, Suéelen Rosin, tudo o que já se esperava. Ela em Sampa, em cima de um caminhão de som e a defender o capiroto, por fim multado pelo não uso de máscara. Dela, só algo depreciativo. Não faz nada em prol da cidade, age pela conveniência do que lhe impõe seu tosco entendimento do que seja administração pública. A cidade padece e continuará padecendo enquanto não se intensificar cobrança mais séria sobre seus procedimentos despropositados e inconsequentes. Uma alcaide totalmente na contramão. 

ESTE HPA, NAS RUAS E NAS LUTAS

segunda-feira, 6 de setembro de 2021

CHARGE ESCOLHIDA À DEDO (174)


RESISTIR É PRECISO - NAS RUAS E LUTAS
01.) CANSEI DE SER AMEDRONTADO
Existe algo no ar além dos aviões de carreira, mas isso não deve ser motivo para nos trancar em casa e permanecer quietinhos e esperando o que vai acontecer com o país. Muitos dos que são contra o capiroto ou hoje já abriram os olhos e não amis votariam neles se dizem amedrontados com algo que possa acontecer nas ruas amanhã. O que existe é uma campanha deflagrada pelos bolsomínions, exatamente de intimidação, mas na verdade o fazem, porque lá no fundo sabem que, os acuados são eles e não os contrários ao bolsonarismo. Quem tem problemas a acertar com a lei é justamente o presidente e todos os seus filhos, cada um pior que o outro, todos malversadores do erário público, perversos até a medula e todo esse conluio atuando contra os interesses populares.

É do conhecimento de todos o grau de insanidade do presidente, seu despreparo e também sua periculosidade, diria mesmo, genialidade para o crime. O conjunto de ações dele e dos seus até hoje só comprovam isso. Estão muito enrolados com a lei e sabem disso. Jogam tudo na fragilidade de nossas instituições e hoje, quando algumas que antes estavam aliadas a ele, mas agora atuam dentro da normalidade, Bolsonaro investe tudo contra elas, pois sabe onde pode terminar tudo isso, com ele preso, ele e os seus, todos em cana dura. Esse Sete de Setembro e sua investida contra essas instituições é a maneira que possui para se safar, espalhar o caos e nele chafurdar. Não podemos cair nessa. Eles estão desesperados e jogam suas últimas cartadas. Quem ainda os apoia, ou são tão perversos quanto ou estão ainda iludidos e não estão entendendo nada.

A cartada deles amanhã e de cunho golpista, declaradamente golpista. Meramente golpista e o fazem com alerde, gritam bem alto, tentam se passar por imponentes, mas na verdade estão com muito mais medo que a gente, pois sabem que se a lei for cumprida, os dias de Bolsonaro estão mais do que contados. Nas redes sociais muita coisa desencontrada no dia de hoje e um algo mais de intimidação, pregando o medo coletivo. Tenhamos todos a mais absoluta certeza, o que virá daqui por diante neste país e até que se dê a saída ou impedimento de Bolsonaro é algo nunca visto em nossa história. Se tiver que acontecer algo de violência, que ocorra, talvez até inevitável, mas não se pode esperar sentado, pois deste jeito o mal perdurará.

Eu não tenho receio nenhum de ir pras ruas amanhã e gritar bem alto contra Bolsonaro e tudo o que ele representa, pois sei o quanto de mal este já causou ao país. Sua continuidade será, não só a destruição do país enquanto nação ainda com algo de soberania, mas a de um ideal, a de um país altaneiro e livre. A luta se dá hoje também por liberdades, essas no limite. Não temos, infelizmente instituições fortes como as norte-americanas que souberam resistir ao golpe de Donald Trump. Por aqui, já foi feito muito mais perversidade que lá e por enquanto o cara continua solto e aprontando das suas. Deixaram ele ir longe demais e agora está difícil contê-lo, mas o momento é agora. Ou na união coletiva fazemos isso e o expulsamos do poder ou até a eleição teremos um país totalmente de pernas para o ar em algo muito pior do que está prestes a ocorrer amanhã nas ruas.

Precisamos todos estar nas ruas e lutas. O medo faz parte da vida humana. Por um país melhor se faz necessário não ceder, não esmorecer, não afrouxar, enfim, enfrentar o touro à unha. É o que estarei fazendo amanhã bem cedo, indo na manifestação contrária a Bolsonaro. Eu vou pras ruas amanhã em qualquer circunstância, pois sei o que está em jogo. Sei o país que quero e o país que temos e o que poderemos ter de retrocesso se vingar algo diabólico planejado por essa corja que hoje nos governa. Não tem como permanecer em casa.

02.) LULA FALA AO PAÍS NO SETE DE SETEMBRO
https://www.youtube.com/watch?v=hiFrW31JqvE
O Brasil vai superar seus problemas, mas precisa antes dar um basta em Bolsonaro. Precisamos botar fim na angústia que o país vive hoje. Com Lula para voltarmos a ser um país digno. HPA

03.) “NÃO VAMOS DECEPCIONAR O EX-CAPITÃO”
Essa frase não é minha. Acabo de vê-la reproduzida para mim, por dileto amigo, o professor e fotógrafo Mauro Landolffi, quando me perguntava do horário certo do início da manifestação contrária ao interesses golpistas do dito cujo, também capiroto mor deste país. Sim, nossa missão amanhã é exatamente essa, a de decepcionar o ainda mandatário deste país, um que sabe exatamente o que está fazendo neste 7 de Setembro, pois ao invés de conclamar o povo brasileiro para a resolução dos seus problemas, o incita para algo fraticida e onde o único beneficiado será ele, seus filhos e seus asseclas, todos milicianos e genocidas. Estar nas ruas amanhã para se posicionar contra a bestialidade em curso é algo mais do que necessário, pois do contrário estaremos vendo um avanço de uma minoria que, precisa entender de uma vez por todas que o Brasil não precisa de autoritarismos, de fundamentalistas e nem de armas, como proposto neste momento. Nossos problemas e soluções são bem outras.

Eu, Mauro Landolffi e muitos outros bauruenses estaremos saindo de casa amanhã dispostos a colocar a cara a tapa, enfrentar os dragões da maldade, peitar os malversadores e dizer em alto e bom som, sermos todos contrários a tudo o que ocorreu ao país após o golpe de 2016, aquele do conluio, o “Com Supremo, com tudo”. Hoje, felizmente, até o Supremo percebeu o erro cometido lá atrás quando referendou a bazófia hoje incrustrada no poder, algo tipo essas sanguessugas que não querem largar o osso. Amanhã é dia de irmos todos pras ruas, pois permanecendo em casa, vendo os acontecimentos pela TV, a decepção de não participar deste único momento, quando podemos sacar com maior rapidez e extirpar o mal que assola o país. Tentam nos assustar, mas nada nos intimidará. Em Bauru o ato será defronte a Câmara Municipal de Bauru, a partir das 9h30 e deverá ser algo marcante, posicionamento dos sensatos, dos que almejam outro país e estarão nas ruas exatamente para decepcionar o golpe em curso. Só assim vergaremos os golpistas, com demonstração de força. 

Até amanhã nas ruas. Espero encontrar por lá parcela significativa dos bauruenses.

04.) MANTENHA DISTÂNCIA
Recomenda-se distância de qualquer “Puma” que seja visto no dia de hoje.

domingo, 5 de setembro de 2021

BAURU POR AÍ (194)


MINHA PASSAGEM HOJE PELA EMDURB, TERMINAL RODOVIÁRIO E A DESOLAÇÃO
Pra começar o decepcionante cartaz, escrito à mão pelos próprios funcionários anunciando que não mais existem os tais dos 15 minutos de estacionamento gratuito. Alguém precisou fazer algo à mão, feito com caneta bic, todo pontilhado, pois devem estar recebendo reclamações de todos os tipos e maneiras. Para evitar maiores constrangimentos, produziram de próprio punho uma explicação, pois a direção da Emdurb nem isso se predispôs a fazer. o cartaz colado junto da guarita de entrada do local é o sinal de que tudo por ali está bem diferente. Tudo mudando e para muito pior.

Não foi somente isso. Tudo por ali transpira e demonstra o tanto que o ambiente por ali é completamente diferente do que já foi um dia. Um sinal total de desleixo e abandono. Não pela ação dos funcionários, mas algo advindo da parte administrativa, que de certa forma, abandonou as instalações, deixando-as entregue à própria sorte. Muito triste andar por ali e sentir o clima de desleixo, de tristeza entre os funcionários. Conversei com três destes, de diferentes setores e em todos um semblante de preocupação. "Nunca tivemos o terminal com tantos problemas acumulados. Sabemos que, pelo que a gente ouve, a Emdurb não passa por bom momento, mas não existe mais um clima de mera cordialidade para conosco. a direção nos trata mal, é como se não existíssemos. Existe o pessoal do gabinete e eles de nariz empinados, nos vigiam e nos tratam mal. Todos por aqui estão desalentados e não é só entre os funcionários. O abandono é gral. Pergunte para os taxistas o que acham do momento. Eles observam e sabem de tudo", me diz um deles.

Para outro, que conheço de longa data, questiono sobre a ação do atual presidente da Emdurb, Luiz Carlos da Costa Valle, indicado pela atual administração. "Esse é o que de pior podíamos ter. Nos ignora totalmente. Ele não gosta de funcionário e nem nos cumprimenta. Tudo o que cada um que vem aqui percebe é o reflexo de algo abandonado, largado e tratado com pouco caso", me diz. E o questiono: "Mas ele é evangélico, deveria ter ao menos o bom senso no trato com as pessoas". Sua resposta: "Até o capeta pode ser evangélico. Aqui algo assim, alguém que não sabe tratar bem o ser humano, não tem um mínimo de sensatez para dirigir algo dessa natureza. Não existe ninguém satisfeito dentro do que estamos vivendo. Já tivemos administrações com problemas, mas nessa eles estão todos reunidos e só piorando. Isso aqui não vai ter um final feliz, pois pelo que estamos entendendo, assim o querem".

O clima por lá é exatamente este mesmo, como se o terminal e o local por inteiro representasse algo como um final de feira, xepa espalhado por todos os lados. Do cartaz feito à mão que vi logo ao chegar para estacionar o carro, para o ar carregado, como se uma bomba estivesse prestes a explodir nas instalações, prenúncio de que, não só a escolha da atual direção é totalmente infeliz, como dá a entender, além do despreparo, um empurrar com a barriga, como se não soubessem o que fazer. Ali, ainda um dos portais de entrada e saída da cidade e cada dia, algo mais rejeitado pela cidade, pois nada muda, aliás, tudo piora. "Não existe mais sintonia disso aqui com a cidade, esse pessoal perdeu a noção, agem só pensando neles e refletem bem o atual momento e como se dá a administração atual da cidade. O terminal clama por socorro e foi bom você ter enxergado e visto isso pessoalmente. Escreva sobre isso tudo, pois assim talvez se mexam, façam algo, pois por aqui, como está vendo, desolação total e absoluta", me diz outro.

SÓ MESMO O ROQUE PARA POSSIBILITAR "A INTERNACIONAL" DENTRO DA CÂMARA DOS VEREADORES
No ato pela passagem de um ano sem a presença física de Roque Ferreira entre nós, ele que foi vereador em Bauru por dois seguidos mandatos, teve na última sexta, evento por lá o reverenciando e de tudo, muita emoção, tudo culminando com algo inusitado e no final, todos com os punhos esquerdos levantados e cantando em alto de bom som A Internacional. Só mesmo Roque para possibilitar tal feito, ainda mais pelo momento vivido, quando naquela casa de leis, uma degradação quase total, com cada vez menos pessoas dispostas a empreender a luta por ele travada. Da reunião possibilitada, novamente algo que ouvi pela última vez quando de seu enterro, quando todos os presente cantaram à capela a mesma canção e nessa sexta, com áudio de mais de cinco minutos, a repetição. depois, na manhã do último sábado, ao final do ato na Esquina da Resistência, a mesma canção sendo entoada a plenos pulmões. Foi algo revigorante...

O R$ 7,00 O LITRO DE SETEMBRO
O ex-capitão, ainda presidente berra porque é fraco. O perverso soma reveses, mas que o povo "dele" nas ruas para encobrir a debilidade. Ele não para de colecionar derrotas, fato ofuscado pelo histrionismo do próprio. O tribunal Superior Eleitoral investe contra a indústria bolsonarista de mentiras nas redes sociais e isso o incomoda muito, o faz atirar contra quem demonstra sua perversidade. Tudo isso atrapalha seu plano de reeleição, daí ele joga pesado, como o faz no ato golpista de amanhã, 7 de setembro. Não esmorecer, não se deixar levar, muito menos se intimidar. Ele vai jogar cada vez mais sujo e fora das quatro linhas, agindo como um verdadeiro criminoso. Estejamos mais do que atentos e prontos para o que deer e vier. o fato é que, cada vez mais a certeza do país precisar urgentemente se desfazer de toda a armação que o sustenta no poder, pois isso causou prejuízos incalculáveis do país. Amanhã é dia de ir pras ruas e protestar contra esses desmandos. Aqui em Bauru o ato será defronta a Câmara Municipal a partir das 9h30 da manhã. Vamos?

sábado, 4 de setembro de 2021

REGISTROS LADO B (61)


NO 61º LADO B, POLÊMICAS, PREOCUPAÇÃO COM A TEORIA E VISÃO MAIS QUE PRÓPRIA DOS FATOS COM O PROFESSOR ALMIR RIBEIRO, SALUTAR CONVERSA

“Em caso de saque, proteja-se: procure uma livraria”, professor Almir Ribeiro, 11/01/2017.

Quando se aproxima mais um final de semana, eu cá do meu canto me preparo para algo do qual peguei gosto e gosto muito, produzir mais um bate papo dentro deste projeto que denominei de LADO B – A IMPORTÂNCIA DOS DESIMPORTANTES. Para mim, algo a me mover nestes tempos nada luminosos. Foi o que encontrei para resgatar histórias de vida, rever pessoas e tentar, ao meu modo e jeito, continuar dando sentido à minha vida. Tudo começou logo no início da pandemia, quando estávamos verdadeiramente mais isolados e daí, o questionamento que fiz a mim mesmo: o que fazer para não me afastar das ruas e pessoas, das histórias que gosto de resgatar e contar? Via surgirem lives de todos os tipos e maneiras. Crie algo com a minha cara, dando voz e vez para alguns, possuidores de muita história para contar e com pouco espaço na mídia massiva. Não queria conversar com os ditos importantões e sim com gente de minha laia e lavra, os que estão na lida e luta faz tempo, alguns com espaço, outros sem, todos mais do que valorosos. Peguei mais do que gosto e tento renovar a cada semana, com um diferente papo, essa pegada pelas histórias de vida. Todos aqui retratados me são muito gratos. Carinho e admiração por todos, indistintamente e tem sido algo pelo qual me reencontro comigo mesmo, essa busca pelo entrevistado que virá, pela conversa que ainda não fiz. Isso tudo tem me feito um bem danado.

Pois bem, neste final de semana, justamente quando chego no 61º Lado B, eis que o convidado tem exatamente 61 anos de idade. Uma mera coincidência, enfim, alguém com o mesmo tempo de vida corrida que a minha. Não é bolinho, nem fácil carregar nos costados 61 anos. No bate papo desta semana, ALMIR RIBEIRO, um professor pra lá de polêmico, voraz leitor e com participação mais do que ativa na vida política da esquerda bauruense nos últimos 30/40 anos. Almir pode ser considerado várias coisas ao mesmo tempo, desde consultor para muitos, mentor, para outros, um chato, mas de algo ninguém pode desqualifica-lo, o de sua coerência e retidão, sempre na mesma linha de conduta política. Eu mesmo, quanto já não me digladiei com o danado em tempos idos. Embate pelos quais a boa recordação se dá exatamente por causa da passagem do tempo e, na reflexão do ocorrido, ter tido a certeza de que, se ocorresse hoje novamente agiria diferente. Num destes embates, ele me disse certa feita numa conversa na Feira do Rolo: “Sou as vezes duro com os amigos, com aqueles que ainda podem ouvir e até mudar de opinião, do que aqueles que não vejo esperança nenhuma”. Almir deve ter enxergado alguma esperança em mim, tanto que estamos aí, conversando e hoje proseando sobre sua vida.

E o danado tem muito para nos contar. Nasceu em Olímpia, pequena cidade do interior paulista e de lá saiu aos 17 anos para vir pra Bauru. Numa conversa preliminar me dizia que lá, nenhuma livraria, duas bibliotecas, depósitos de livros, a da escola onde estudava e a municipal, mas foi nos cinemas locais, dois na cidade, nas sessões nos meios de semana, quando passavam clássicos e cults, até para preencher o espaço, se apaixonou definitivamente pelo cinema, algo pelo qual nunca mais conseguiu se desvencilhar – e nem quer. Quero que nos conte de sua passagem pela livraria da Tilibra, na Batista de Carvalho, quando por quatro anos, atendeu e conheceu pessoas, ampliou seu leque e conhecimentos. Depois vieram as participações políticas, primeiro no PT e depois, até hoje, no PSTU. Junto a isso, os estudos, as leituras todas e o magistério. Quero conversar com ele sobre tudo isso, junto e misturado, mas mais que isso, Almir é dessas necessárias pessoas, bom de prosa, pronto para nos dar uma aula sobre os enfrentamentos da vida. Ele me falava de como chegamos neste triste momento atual e lhe disse de como faremos para sair disso. Foi o bastante para ele me dizer sem pestanejar: “Para querer sair, precisamos entender como entramos, como foi possível entrar neste processo”.

Almir tem como uma de suas preocupações básicas a leitura. Cansou de presenciar a luta sem embasamento, baseado só na vontade, mas sem estar aliada ao conhecimento de fato do que ocorre. Isso só se dá com leitura, aliás, muita leitura e ele bem sabe, poucos estão dispostos a isso. Ler, infelizmente, ainda é para poucos e pelo andar da carruagem, cada vez para menos pessoas. Ele é desses que, não faz mais nada sem tentar interpretar o que está por detrás das coisas. Interpretação é tudo, daí a cobrança que faz para a leitura, pois nos vê hoje envolvidos numa triste guerra de memes, reproduzindo discursos que não deveriam ser os nossos. Ou seja, ele cobra um mínimo, um estudo mínimo para a saída do lugar comum. Essa a conversa que quero travar com o danado, ele lá no seu bunker nos altos do jardim Bela Vista, mais precisamente no Parque União, bem ao lado do bosque e também das brigas que empreender para mantê-lo vivo e reluzente. Enfim, um brigão, sempre a boa briga, de uma contenda que, sabemos, a gente entrou e dela não mais sairá.

Uma hora será pouco para tanta conversa e dele, aqui relembro alguma coisa já escrita por mim - embates e acarinhamentos - e publicada no blog Mafuá do HPA, só para apimentar mais a conversa de logo mais:

- Publiquei em 21.09.2013: “TOMO CONHECIMENTO EXISTIR O ‘MÉTODO HPA DE DISCUSSÃO’ - Pela manhã tomo conhecimento de como ALMIR RIBEIRO, prócer do PSTU na cidade, entende as intervenções desse modesto escriba, expondo a tudo e a todos como entende ser meu método de discussão via internet. Cada um possui o seu, o meu é, mesmo observando algo de errado em procedimentos de algumas das boas experiências socialistas mundo afora (caso explícito de Cuba), prefiro enaltecer as boas e não dar munição para os que só esperam isso de nós, também cair matando neles. Não me verás fazendo isso, mas se ele as faz, tudo bem, afinal deve ter lá experimentações pessoais nas quais esteve envolvido muito mais convincentes, algumas já colocadas em prática e sem máculas, que o coloca entre os mais bem dotados no quesito “Orientador Geral do Planeta”. Eu não oriento nada, sou desorientado por natureza. Eis como sou visto por ele: “Método HPA de discussão:
1. Discorde e argumente.
2. Se seu interlocutor apontar um erro em seu argumento e argumentar de forma que você não possa responder diretamente:
a) questione sobre algo que ele não disse nem mesmo implicitamente e/ou
b) apresente um novo argumento que, preferencialmente, mude o foco do debate”.

- Publiquei em 19.06.2014: “ENTENDENDO O PSTU – MAS COMO, ONDE E POR QUE? - Papo de feira dominical é pra lá de vantajoso, além de ser feito ao ar livre, ambiente buliçoso, cheio de possibilidades, inegável que a Banca do Carioca, o livreiro mor da feira, lá na Feira do Rolo atrai de tudo um pouco. Nós (dentre os quais me incluo), os atraídos por aquele edificante lugar, sabemos que tudo pode ocorrer nos fortuitos encontros ocorridos a cada novo domingo. Nesse último, 15/06, éramos quatro no papo e dali conto o que se sucedeu. Eu, o vereador Roque Ferreira - PT, o professor e pensador Almir Ribeiro – PSTU, Zé Maria o assentado especialista em bambus no Terra Nossa em Aymorés e em passagem rápida seu Mário da Paz Pereira, presidente da Associação dos Aposentados de Bauru (estávamos bem defronte essa sede). Só mesmo ali, tudo por obra e culpa do acaso. Muito foi conversado, papo vai, papo vem e acabou dando nisso.

Almir nos explica algo da linha de ação do PSTU. Foi mais ou menos isso: “Eu nas discussões sou as vezes mais duro com os amigos, com aqueles que ainda podem ouvir e até mudar de opinião, do que aqueles onde não vejo mais esperança nenhuma. Acham que vou perder tempo com aqueles, por exemplo, que vaiaram a presidenta no Itaquerão? Nem perco mais tempo. Existem os irrecuperáveis, com linha de pensamento e ação já mais do que definidos. Já com os militantes, muitos desses dentro do PT tento demonstrar seus erros, discuto de forma dura, pois esses são mais conscientes, podem vir a enxergar tudo por outra vertente. O toque mais duro é com o intuito de sensibilizar e para abrirem seus olhos. Assim como a Esquerda Marxista não sai de dentro do PT, o PSTU não sai das ruas. Apanhamos dos mais exaltados nas manifestações do ano passado e não saímos das ruas, nem mudamos de posição. Estamos ali, muitas vezes nos mesmos atos dos que nos agrediram. Esse nosso papel, essa nossa luta. O black blocker chegou a isso que chamam de radicalização por exclusão. Não foi encontrando mais onde por pra fora sua forma de ação e deu no que vemos nas ruas. O Black não se sentindo representado por nada dentro do quadro político brasileiro, querendo fazer algo, até desorientado, tenta ao seu modo se mostrarem presentes”. (...)

Os encontros dominicais na feira propiciam isso e muito mais, mas estava com pressa no último domingo e por ali permaneci pouco menos de uma hora, depois fui distribuir a edição do Brasil Atual nº 2, que já está nas ruas. Boa discussão, não? Que ela venha de forma plausível...

- Em 16.02.2016 ele disse e eu registrei: “Só ouvi d. Marisa, mulher de Lula, duas vezes. A primeira, foi no começo da década de 80 do século passado, quando lhe perguntaram o que tinha achado do filme Eles Não Usam Black Tie, de Leon Hirszman e ela respondeu "a Fernanda Montenegro não sabe catar feijão". Concordei com ela, embora a cena fosse bonita e esse nem de longe era o problema principal do filme. Voltei a concordar com ela 20 anos depois. Ao conhecer o Palácio da Alvorada teria dito a Lula que os donos do poder nunca os deixariam viver lá. Por oito anos pareceu que seu vaticínio estava errado. Até começarem a cobrar o aluguel...”.

- Publiquei em 15.10.2018: “PROFESSOR BOLSONARISTA, VOCÊ NÃO TEM VERGONHA? - DIA DO PROFESSOR "Professores, diretores e supervisores que apoiam Bolsonaro: sei que são perguntas retóricas, mas precisam ser feita:
Vocês não tem vergonha de apoiar um candidato que diz que vai proibir o tal "kit gay" que nunca existiu em suas escolas?
Vocês não tem vergonha de apoiar um candidato que é contra algo que não existe, a tal "ideologia de gênero"?
Vocês não tem vergonha de apoiar um candidato que discrimina negros, que são comparados a gado e responsáveis pela sua própria escravidão?
Vocês não tem vergonha de apoiar um candidato que discrimina mulheres, que são fruto de uma fraquejada, merecem ganhar menos que os homens e, em alguns casos, não merecem ser estupradas porque são feias?
Vocês não tem vergonha de apoiar um candidato que discrimina homossexuais, que os considera doentes que podem ser 'curados' com uma boa surra?
Vocês não tem vergonha de apoiar um candidato que diz na televisão que precisa matar umas 30 mil pessoas no país'?
Vocês não tem vergonha de apoiar um candidato que tem como ídolo Brilhante Ustra, que levava filhos para verem suas mães barbaramente torturadas?
Vocês não tem vergonha de apoiar um candidato que diz querer acabar com a estabilidade no emprego dos funcionários públicos e de outros direitos sociais e trabalhistas duramente conquistados?
Vocês não tem vergonha de assinar planejamentos, coordenar reuniões, onde se prega exatamente o contrário de tudo isso?
Vocês não tem vergonha de apoiar um candidato que fala em ensino à distância desde o fundamental? VOCÊS NÃO TEM VERGONHA?" professor Almir Ribeiro.

- Publiquei em 19.11.2018: “ALMIR JÁ SABE O QUE VAI FAZER DURANTE O GOVERNO BOLSONARO – VAI VIVER DE HUMOR CRÍTICO – CONHEÇA UM POUCO DO QUE SAI DE SUA FÉRTIL IMAGINAÇÃO CRIATIVA - Posso discordar do Almir Ribeiro em “n” coisas e acho ótimo que isso aconteça. Discordar e debater a respeito disso e daquilo, algo engrandecedor. Ruim é o que estamos vendo, de alguém propor eliminar os que pensam diferente e estão dispostos a fazer oposição ao que vem pela aí. Peguei o fim da ditadura militar e seria um horror ter que voltar a um regime onde vigora o pensamento único sem contestação. Daí, nesse momento, dito por muitos como a “última gota” das liberdades, não mais permitidas no desGoverno do capiroto, ver os posts do professor da rede pública de ensino estadual, também fervoroso militante das hostes do PSTU, com sua fina e mordaz ironia é para rir, mas também para chorar. O que ele nos escancara é a mediocridade reinante e querendo tomar conta de tudo e todos. Seus textos com as mais belas sacadas que vejo vicejar pelas redes sociais nos últimos dias, com fotos tiradas do fundo do baú desopilam o fígado e nos preparam para tudo o mais. Que venha o touro e que, pelo menos possamos rir disso tudo. Sintam o que selecionei de suas férteis postagens, mas antes vejam uma frase a explicar essa sua fase de postagens: “E essa vontade louca de brincar quando o resto de nós está morto...”.

Encerro com algo escrito por ele em outro Sete de Setembro, o do já longínquo 2013, mas com validade para todo o sempre brasileiro: “Neste 7 de setembro, ouçamos o grito... O grito dos excluídos, dos migrantes, dos sem terra, dos que sofrem nas macas e corredores dos serviços públicos de saúde, dos negros descriminados, dos homossexuais agredidos, das mulheres violentadas, dos pais das centenas de jovens assassinados, dos milhares de jovens que têm seus sonhos destruídos por uma educação de péssima qualidade. E também os gritos de alegria dos deputados ao livrarem um condenado da perda de mandato, dos CEOs das grandes empresas ao ver suas planilhas de lucros, dos banqueiros frente a um novo aumento dos juros, dos empreiteiros pela Copa e pela Olimpíada. E os gritos de ódio, ignorância, medo dos Felicianos, dos Malafaias, das Sarah Sheeva, dos 'amigos' da ROTA, dos que pedem a volta dos militares... Nossa independência não está no passado”, ALMIR RIBEIRO, professor e militante do PSTU, numa mensagem ontem pouco antes de se recolher aos seus aposentos, preparando-se para os embates de hoje”.
Enfim, uma SALUTAR conversa. Será hoje, logo 17h. Vamos juntos?

ESQUINA DA RESISTÊNCIA, UM ANO SEM ROQUE FERREIRA
Hoje, sábado, das 10 às 12h, homenagem para Roque no reduto de luta do Calçadão da Batista. A fala de muitos e algo deste grande batalhador das causas sociais desta cidade. Roque vive!

Eis o link do ato com algumas das falas gravadas por mim: https://www.facebook.com/henrique.perazzideaquino/videos/839866056891514
Hoje pela manhã, Esquina da Resistência, ato pelo ano sem Roque Ferreira e uma poesia escrita à mão por Esso Maciel, sendo lida por Priscilla Lellis Krupelis.

sexta-feira, 3 de setembro de 2021

OS QUE FAZEM FALTA e OS QUE SOBRARAM (153)



NÃO TINHA COMO DAR EM OUTRA COISA: ESTÃO URINANDO E DEFECANDO NO ENTORNO NO VITÓRIA RÉGIA SEM SANITÁRIOS PÚBLICOS
Quando dias atrás a incomPrefeita Suéllen Rosim pessoalmente mandou demolir os banheiros públicos do movimentadíssimo parque Vitória Régia, tudo porque estavam em petição de miséria, ao invés de reformá-los, era inevitável acontecer o que hoje relata o Jornal da Cidade em manchete no Caderno Geral, “Após fim dos banheiros no Vitória, calçadas viram sanitários ao ar livre – Moradores e comerciantes dos entornos do parque reclamam que situação piorou muito após a demolição dos espaços”.

Não se faz necessário ser nenhum bidu para chegar na triste constatação de que, era inevitável tudo chegar na situação atual. Com o parque aumentando sua movimentação, devido também ao declínio do isolamento social na cidade, sendo um dos únicos pontos de lazer na cidade, era evidente que, com muito mais gente ali circulando, principalmente à noite, a quantidade de pessoas não tendo como fazer suas necessidades básicas, tudo seria feito nas portas das residências no entorno e também debaixo das árvores do próprio parque. Isso tudo demonstra o infantilismo de como se dá algumas das relações administrativas da alcaide bauruense, ou simplesmente, um intenção pouco usual e não revelada explicitamente.

Quando ocorreu a demolição dos banheiros, a alcaide veio a público e disse textualmente que, estaria colocando e a disposição da população banheiros químicos. Sim, alguns estão, mas somente nas quartas-feiras quando ocorre no local a feira noturna. Nos demais dias, todos os em situação de urgência sanitária estão sujeitos a evacuarem no primeiro lugar que encontrarem pela frente. Essa é uma pequena amostra da Bauru gerada pela nossa fundamentalista e negacionista administração, também bolsonarista.

REUNIÃO PÚBLICA - ATO EM MEMÓRIA DO EX-VEREADOR ROQUE FERREIRA 03 09 2021
Aconteceu hoje de manhã na Câmara Municipal de Bauru, propositura da vereadora Estela Almagro PT e com a fala emocionada de muitos que, ao longo do tempo, conviveram com Roque Ferreira. Alguns dos depoimentos são mais que contundentes e merecem ser ouvidos. Foi uma atividade política das mais emocionantes o ato de um ano sem a convivência com Roque.
https://www.youtube.com/watch?v=4v6n6V894ao

NÃO É POSSÍVEL PENSAR FORA DA HISTÓRIA, TEMOS QUE ACENDER LUZES*
* Meu 29º artigo para o semanário DEBATE, de Santa Cruz do Rio Pardo, edição virtual publicada hoje:

Ocorreu hoje em Bauru homenagem ao político Roque Ferreira, eterno defensor dos trabalhadores e atuante nas causas populares, falecido exatamente um ano atrás e dentre as homenagens ocorridas hoje num ato na Câmara Municipal de Vereadores, uma das falas merece ser aqui compartilhada, a do professor Clodoaldo Meneghello Cardoso, professor aposentado da Unesp Bauru e presidente emérito do Conselho Municipal dos direitos Humanos de Bauru. Não consigo escrever nada hoje e essa fala, por mim transcrita, diz muito do que precisamos hoje:

“Nós estamos aqui fazendo um exercício de memória. Nós estamos cultivando a cultura histórica que este país não tem. E não temos porque exatamente uma educação que silencia a História ou passa uma História dos dominantes. E a História dos dominantes é estranha para nós. Eu me lembro quando eu estudava, era História do Brasil, uma coisa que não dizia nada a mim. Nós não estudamos a História do povo brasileiro. Então, esse exercício aqui é muito importante, porque existe a história oficial, a história como ciência e existe a história do tempo vivido. Essa história do tempo vivido que temos que passar para as novas gerações. E temos que registrá-la. Temos uma história aqui nessa sala, porque é o tempo vivido que nos traz identidade e que nos dá consciência que a realidade é mudança.

Isso é que é fundamental. Quando se fala da importância da História na Educação é porque ela muda o conceito de ser humano. O ser humano muda, ele está se construindo. Se eu estou me construindo, nós estamos nos construindo, eu tenho que estar aberto à mudança, aberto ao questionamento crítico, da realidade e de si mesmo. Isso é que é Educação na História e pessoas como o Roque fizeram isso o tempo todo. O Roque nunca abandonou em nenhum passo que ele deu a história do tempo vivido.

Essa é a marca do ser humano. O ser humano é um ser das distâncias. Ele está no passado, no presente e no futuro. Não é possível pensar fora da História e nós temos que passar isso para as novas gerações. Eu estou educando um neto e estou falando disso. Não é o um memorialista dizendo que foi assim em Bauru, não é isso. Qual a história do povo de Bauru, qual é a identidade que nós temos. Nós temos um grande foco de identidade que é a ferrovia e está se perdendo. Uma cidade sem identidade, sem força. E o Roque tinha uma sensibilidade da identidade política, cultural e histórica de um povo na cidade de Bauru.

A vida é feita de dias claros e de noites escuras. Nós não podemos ter ilusão que é diferente. Que dia claro eu posso lembrar aqui do tempo vivido. O tempo de 2005 a 2015 em Bauru. Foi um tempo de dias claros. Não que resolvemos o problema de Bauru, mas avançou a consciência dos Direitos Humanos, da dignidade humana, na Educação, na Saúde. O que nós tínhamos na conjuntura. Tínhamos um governo Lula iniciando, tínhamos as conferências nacionais. Tivemos nesse período um Plano Nacional de Direitos Humanos, nós tivemos a Comissão da Verdade e isso repercutiu em Bauru e o Roque fez essa ponte. Ele estava aqui em Bauru de olho no nacional, ele estava antenado, tinha uma informação diária. O que nós fizemos aqui, começamos justamente nessa época um movimento dentro da Câmara e avançamos no movimento popular. Existia uma ponte de dentro da Câmara com os movimentos sociais.

A gente ia dialogando e avançando, criando comissões. Então, foram tempos de dias claros. Tínhamos a sensibilidade do executivo. É importante isso. Porém, estamos vivendo noites escuras. E a noite escura faz parte da vida. Nós sempre teremos dias claros e noites escuras, mas o sol vai nascer de novo. O importante na noite escura é saber o que vamos fazer nela. Vamos ficar relembrando os dias claros? Precisamos porque o tempo vivido nos dá lições, ensinamentos, nos dá força, porém, exige mais. Quando estamos no carro e escurece o que fazemos? Acendemos a luz, botamos o farol. Muitas vezes a luz é baixa, pequena, mas te quem acender sempre. O Roque articulou sempre, ele não trabalhou sozinho. Então, na noite escura não basta esbravejar que a luz se foi. Não basta uivar como os lobos que uivam para amedrontar ou pra buscar alimento. Nós não queremos concorrer com os lobos. Nós temos que acender luzes. Essas luzes que temos que acender. Isso aqui é uma luz.
A noite escura começou com o golpe de 2016. Essa noite está aprofundando, mas temos que acender luz. Não é combater com uivo, nem com ódio. Ignorar. Temos que acender luz. Nós somos a soma das nossas vivências, experiências e lembranças, porém, nós somos também os nossos sonhos”.
Henrique Perazzi de Aquino, jornalista e professor de História (www.mafuadohpa.blogspot.com).

A CEREJA DO BOLO

quinta-feira, 2 de setembro de 2021

O QUE FAZER EM BAURU E NAS REDONDEZAS (141)


SENTO NUMA MESA DE BAR E REMEMORO O PASSADO A ME ENCHER DE SAUDADE E A CARA
Eu e um amigo, um bar escolhido a dedo e nele, nós dois e algumas ampolas de cevada muito gelada. Diante de uma semana das mais tensas, quando um eminente golpe paira no ar, paradeira mais do que estranha, com tudo e todos meio na esquiva, espreita por algo que possa pintar, eis uma indecorosa proposta para este final de tarde, destes irrecusáveis convites e convite feito pro amigo de longa data: “Vamos tomar umas e esquecer da vida?”. Fomos e ao voltar pra casa, cambaleante e soltando bolhinhas de ar, tento rememorar algo do que me veio à mente na mesa de um bar, com gente ao nosso lado, mas só nós e nossos assuntos, ninguém mais nos importunando ou interrompendo a conversação.

Falamos e falamos, destravamos a língua e a memória. Foi bom, pois depois da segunda, parece que algo aconteceu, um certo alívio e aquilo tudo entalado na garganta, pronto para explodir e vir à tona, veio mas não na forma desse confronto hoje expelido em cada novo diálogo. Eu e o dileto amigo, ficamos a rememorar o passado, lembrar histórias e passagens, tempos idos e cada um puxando, engatando uma conversa na outra, unindo temas meio que sem nenhum elo de ligação, mas pelas pessoas envolvidas, saíram de nossa memória histórias do arco da velha.

Estava precisando disso, sair do trivial. Escolhemos um bar à dedo, conhecido, mas fora do circuito. Sentamos numa mesa, chegamos de máscara e só a tiramos por causa da cerveja gelada, que era recolocada em nossa mesa tão logo a tirávamos da capinha plástica. Nestes momentos, cada gole serve e muito para desanuviar o cérebro e reavivar algo meio que adormecido. Daí, um empurrando o outro, foram sendo reveladas passagens de antanho, dessas que a gente gosta de reavivar e acrescentam e muito em nossos currículos – principalmente os etílicos. Beber tem disso, solta a tramela de nossas entranhas e torna-se um perigo, pois o sujeito com menos controle de si mesmo, pode acabar soltando a franga. Não soltamos, mas rimos desbragadamente e ao final, algo gostoso e saboroso, a certeza de termos algo pra contar, algo de bom para ser relembrado e revivido.

Saímos do bar com a alma lavada e a consciência tranquila, mais leves e conscientes de que, mesmo com tudo o que está em curso ou possa acontecer, nada irá nos impedir de ser o que somos, de termos estado de corpo presente em tanta coisa nestas plagas, destas que são insignificantes para muitos, mas trazem baita orgulho para gente como nós dois, seres normais, destes vivenciando a cada instante novas aventuras e pelo traçado de como se deram, baita orgulho de estar nelas envolvido. Bar em certos momentos da vida gente serve e muito para desopilar o fígado, botar os bofes pra fora, mas não só em forma de vômito, mas de rememorações, algo tão necessário até para oxigenar a alma.

Volto pra casa rindo à toa, falando sozinho e feliz da vida, pois por alguns instantes consegui sacar a tensão da qual estava acometido. Estou mais leve e enquanto não passar de todo o fogo do qual estou ainda envolto, estarei nas nuvens, refletindo sobre tudo o que falamos. Como é bom ter história para contar. Tem coisas que não conto pra ninguém, mas tem muitas que a gente conta, rememora e ri, como grandes feitos pelos quais estivemos envolvidos. Eu me orgulho do meu passado, também do meu presente e sei, estarei sempre altivo para o que ainda me resta de futuro. Me arrependo de pouca coisa onde estive envolvido e mesmo as pisadas de bola, hoje relevo muitas, pela inexperiência de quando as cometi ou até pelo erro querendo acertar.

Queria escrever sobre tantos nomes e histórias hoje revividas, mas prefiro não citar ninguém, pois serão recortes de algo ocorrido e sem o contexto, talvez possam ser entendidas pela metade. O fato é que bebi e consegui chegar em casa intacto, corpo sã e solto, sem um hematoma e ao chegar, me deparo com as luzes todas do prédio apagadas em mais uma pane da eletricidade. Ouço que isso vai ser rotina daqui por diante na vida do brasileiro e no meu caso serviu para, ao subir doze andares, baixar bocadinho do fogo e conseguir sentar e escrevinhar isso tudo, talvez sem pé nem cabeça, mas algo pelo qual, sei conseguirei dormir tranquilo, pois a cevada também me faz esquecer que algo mais acontece do lado de fora de minha janela. Amanhã é outro dia e começo tudo de novo. Hoje não, estou nas nuvens e me deixem assim continuar, pois sonho com meu passado e ele me faz viajar sem tirar os pés do chão. Boa noite, gente e desculpe qualquer coisa. Amanhã, se conseguir acordar, explico melhor!
OBS.: Gente, desculpe a comparação, mas me vi, eu e meu amigo, como nessas memoráveis fotos do Aldir Blanc e do João Bosco, ambos em mesas de bar. Ao menos tentamos imitar os mestres e amanhã, se tudo der certo, volto ao normal - ou anormal, sei lá.

A REALIDADE NUA E CRUA
Ontem um dileto amigo me diz para nos prepararmos, pois algo muito parecido com o que ocorreu em 64 está prestes a ocorrer novamente no país, a se repetir como farsa. Dizia ele que, em 64, a Câmara com Ranieri Mazzilli e o Senado com Auro de Moura Andrade foram os artífices do golpe, dando um ar de legalidade ao mesmo e hoje, os dois presidentes dessas casas estão alinhados também com a perversidade em cur, prontinhos para referendar a malversação. Dizia também que, talvez as Forças Armadas não estejam totalmente alinhadas com o que está em curso, mas nada farão se algo ocorrer, porém, quase a totalidade das Policias Militares dos estados da Federação já estão insubordinadas e não mais respondem ao que os governadores lhes ordenam. Concluiu para mim que, o golpe fatal pode não ser dado neste dia 7 de setembro, mas ele virá, pois certamente o ex-capitão tem essa intenção e nada o impedirá de tentar. E nós, a esquerda, dizia ele, ou ao menos os que podiam resistir, pregam que tudo ocorra via eleição, só assim e sem nenhuma outra forma de resistência. Isso tudo que me diz, não me faz esmorecer, mas ficar em alerta, aliás pisca alerta mais do que ligado, ciente de que, mesmo só escrevendo, prevejo dias ruins para os que, como eu, se expõe além do que os malversadores aceitam. Se mostrar diariamente contra "eles" sempre foi um perigo, pois conclui esse meu amigo, "imagina se um miliciano te ameaçar, o que vai fazer, recorrer a quem? Terá que fugir, só isso lhe restará". Será esse o país que teremos daqui por diante, quando de dentro de casa estamos esperando uma mudança via eleitoral, quando a resistência teria que se dar desde já nas ruas? Eu vou pras ruas neste Sete de Setembro, manifestação já marcada pra acontecer em Bauru no parque Vitória Régia. É o mínimo que posso fazer neste momento.

ROQUE FERREIRA PRESENTE, UM ANO DA PERDA DO LUTADOR SOCIAL
Amanhã, sexta, 03/09, 9h na Câmara Municipal, Ato reverenciando atuação de Roque no parlamento e nas lutas sociais e
Sábado, 04/09, pela manhã na Esquina da Resistência, ato de união dos lutadores sociais relembrando sua trajetória de luta.
Impossível não estar presente nestes dois Atos, também de resistência aos tempos atuais.

quarta-feira, 1 de setembro de 2021

CARTAS (232)


A PRAÇA-ROTATÓRIA COMO POLO DE URBANIDADE: PREMISSAS PARA PROJETAR A CIDADE CONTEMPORÂNEA
Prof. Dr. Adalberto da Silva Retto Jr - Unesp - Bauru*
* O texto do professor Adalberto na íntegra e ao final um PITACO deste mafuento HPA. Creio, possa estar surgindo algo grandioso pensando e repensando Bauru.

"Uma figura nodal aparece no debate da cidade de Bauru rompendo a inércia do período pandêmico: a denominada “modernização da Praça Portugal”. Uma praça-rotatória, nuance terminológica que esconde uma ambiguidade entre movimento e forma, relações entre projeto de mobilidade e projeto urbano e jogo de interesses entre poder público e empreendimentos privados de grande porte.

Para melhor compreender os contornos desse estatuto ambíguo, vale reconstruir a genealogia dessa figura, tanto na história da cidade europeia como na estruturação da expansão da cidade do Oeste Paulista, em quadrícula regular.

Na cidade europeia, o surgimento e a experimentação das rotatórias (rond-point em francês) nos remete aos parques de caça da burguesia e aos jardins clássicos no século XVIII. Mais tarde, aos Grandes Trabalhos do Barão Haussmann, na construção da Cidade Luz, Paris do século XIX. Aquele foi um momento decisivo quando os inventores da nova ciência chamada "urbanismo" (Ildefonso Cerdá, Camillo Sitte e Joseph Stübben) buscavam soluções para os conflitos entre veículos em encruzilhadas urbanas. Mas é a Eugène Hénard, em 1906, que devemos a invenção da "rotatória", elemento que os arquitetos e engenheiros de tráfego do século XX continuaram a usar na construção da cidade moderna.

Quando analisamos as cidades em quadrícula, ou seja, a maioria das cidades do centro oeste do Estado, formadas pelo binômio café-ferrovia, temos a passagem de uma trama ortogonal a um dispositivo centrípeto e centrífugo que, no caso de Bauru, forma um anel externo sinalizando a expansão da cidade em várias direções. Algumas dessas praças rotatórias aludem a países cujos imigrantes foram relevantes na formação e construção da cidade: Praça Portugal, Praça do Líbano, Praça Itália, Praça Chiujiro Otake (Japão), Praça Alemanha.

Se a eficácia das rotatórias está comprovada em termos de tráfego, sua sistematização, resultante de uma visão excessivamente instrumental, entra pouco a pouco em colapso, no momento em que uma nova concepção de cidade e de espaço público está em voga. Nessa nova concepção, estruturas semelhantes são reinventadas até mesmo como pontos de drenagem urbana e, por que não dizer, como mecanismos de articulação e construção de urbanidade da matriz viária contemporânea.

Seguindo esta linha de raciocínio, uma cuidadosa abordagem de planejamento poderia construir uma narrativa importante articulando mobilidade, planejamento urbano e história da cidade e, a partir de um "paradigma sistêmico”, repensar a estrutura excêntrica ao centro histórico como nós de urbanidade, mobilidade e acessibilidade, funcionando como peças do vocabulário atual do projeto da cidade contemporânea. Pensar uma praça-rotatória com tais características, dentro de um plano de mobilidade mais amplo, não só daria visibilidade a uma articulação constitutiva funcional e física, mas também faria repensar a noção de pertencimento e equilíbrio da cidade, que iria além do privilégio de obras apenas no vetor sul de Bauru. Do ponto de vista funcional, abrangeria as funções urbanas e suas inter-relações, enquanto do ponto de vista físico seria a congregação de todos os espaços – da tridimensionalidade, da matéria da realidade urbana, dos canais materiais de ligação e da denominada “cidade física”. O aspecto simbólico e político seria traduzido na construção de uma narrativa para a cidade pensada de forma equânime e inclusiva.

Portanto, a denominada “modernização da praça” poderia ser pensada com ações projetuais que demonstrassem eficiências e acionassem novas relações entre infraestrutura e espaço público, dando corpo à necessidade de reagir à demanda de acessibilidade mediante estruturas capazes de incidir de fato no desenho urbano.

Dentro dessa perspectiva, em vez de propor meras faixas de pedestres, marcadas em vermelho na proposição publicada, a ação projetual poderia responder, de forma responsável, às linhas de orientação e opções estratégicas apresentadas em instrumentos legais que alertam para a necessidade de reflexão mais ampla e integrada de todos os sistemas identificados e baseados no Desenho Universal. Nesse contexto, se visto apenas como ideia da eliminação de barreiras arquitetônicas, o conceito de acessibilidade parece simplista e limitado, pois seu único propósito é cumprir uma obrigação legal que só conseguirá beneficiar e satisfazer às exigências de duas “categorias” de usuário: do automóvel e do habitante do grande equipamento beneficiado.

A investigação no âmbito do projeto urbano, portanto, poderia valorizar os fenômenos de descontinuidade de superfícies, recuperando não só a visão da praça para a escala humana, mas também a necessidade de redesenho de calçadas e, assim, ligar questões relativas à qualidade morfológica e espacial da estrutura urbana. Estaríamos, assim, respondendo a um dos maiores desafios da cidade contemporânea que, para arquitetos e urbanistas, consiste em colocar a acessibilidade como instrumento de projeto para elevar a qualidade dos espaços, e conceituando o projeto urbano como motor fundamental e imprescindível de cada cidade e atividade.

Pensar o projeto da cidade contemporânea significa relacionar-se com elementos urbanos e promover sistemas qualitativos de conexões, como elementos estruturantes da própria forma da cidade, pois a qualidade do urbano não reside somente na dotação de serviços e equipamentos de grande impacto, mas na qualidade da experiência do cidadão, que se apropria da cidade quando e se esta lhe for acessível.

As intervenções a favor da mobilidade urbana, portanto, não contemplam somente a exigência de atingir o lugar de destinação, mas devem propor uma releitura do espaço valorizando a fruição e a percepção, a fim de recompor as diversas partes urbanas em uma sequência narrativa unitária para garantir, a cada uma e ao todo, efetivo reconhecimento. Ocorre integrar as perspectivas na grande e na pequena escala, nesse momento em que a acessibilidade deriva da interação entre os dois elementos principais, componentes da estrutura urbana: espaço-funcional (as atividades urbanas) e espaço-temporal (as redes de transporte), através dos quais pode haver integração osmótica, como forma de regeneração da excessiva fragmentação da cidade contemporânea.

E assim, cada elemento, cada material, cada superfície, cada volume, cada feixe de luz é funcional para a proposta e compõe o discurso de uma visão, uma especificidade, uma linguagem e uma vontade comunicativa. Essas escolhas são fundamentais para delinear o experimento perceptivo que dá vida tanto às narrativas experienciais pessoais quanto às percepções coletivas, e à capacidade dos homens de ver e compreender a realidade que os cerca".

PITACO DO HPA – O texto acima saiu em forma de carta, publicada na edição do último domingo, 29/8, no Jornal da Cidade – Bauru SP, Tribuna do Leitor e merece considerações mais específicas. Evidente neste caso o desejo do professor Adalberto de interagir com a cidade onde mora, disponibilizando seu trabalho em prol de melhorias no sistema viário e urbanístico da cidade. Ele sugere, indica e apresenta uma solução, de concepção moderna, usual e integrando o homem no espaço de sua cidade. Pelo que entendi, a cidade, ou melhor, a administração atual se mostra indiferente, ausente e distante de uma solução para reconhecido lugar público. Prefere maquiar e a continuidade da utilização da enorme praça de forma não condizente com o que pode realmente trazer de benefícios para a cidade. Enxergo além do que está escrito e por conhecer o professor, sei ele estar envolvido e atuando num grupo propondo algo diferente para a cidade, juntamente com seus alunos. Mais do que perceptível seu desejo de começar a montar estratégias de construção coletiva da cidade. Isso deve estimulá-lo mais do que fazer contato com os atuais administradores. Sabe o que fiz? O contatei e me propus a ajudar no que for possível na efetivação deste grupo, já atuando, podendo ser ampliado, com ideias transformadoras para Bauru. Adalberto tem outro grande projeto, um de remodelação do centro velho da cidade de Bauru, possibilitando sua recuperação, revitalização e renascimento. Como ficar indiferente ou mesmo distante de algo assim? Não consigo. Travo contato com ele e o grupo, conversando sobre como poderei ajudar, não só a divulgar, mas também fortalecer um congraçamento com resultados. Se algo não desponta via os atuais administradores, por que não com gente fora dele e não só com ideias, mas com algo prático, sensato, objetivo e pensando a cidade, levando em conta, em primeiro lugar, o ser humano que nela habita? Creio que daqui sairá algo mais do que proveitoso. Conto mais em outras postagens, enfim, se alguns preferem a cidade sem a mobilidade urbanística, eis o outro lado, em algo que li e me encante ide cara: “a qualidade da experiência do cidadão, que se apropria da cidade quando e se esta lhe for acessível”. A conexão está iniciada.

NOROESTE 111 ANOS
“Quando você é criança, o seu time do coração é "herdado" dos pais e, sobre influência, o vínculo se fortalece. Normal. Eu também sou corintiano, de família. Mas posso dizer que o time que eu verdadeiramente escolhi torcer, sozinho, sem interferência, sem modinha, é o time da minha cidade, da minha terra, do "quintal" de casa. Eu não tenho que atravessar centenas de quilômetros para vê-lo em campo. Eu não tenho que ligar a TV para vê-lo jogar. Ele está aqui! É o Noroeste da minha amada Bauru”, Bruno Freitas.

“Um dos raríssimos times da região que disputou a Série A do Campeonato Brasileiro, em 1978. Bicampeão da Copa Paulista (2005 e 2012), Bicampeão do Interior (1943 e 2006). Tricampeão Paulista Série A2 (1953, 1970 e 1984). Campeão Paulista Série A3 (1995). Disputou três Copas do Brasil (2006, 2007 e 2013). Três Séries B do Brasileiro (1980, 1991 e 1992) e cinco vezes a Série C do Brasileiro (1990, 1998, 2006, 2007 e 2008). O gigante se levantará ainda mais forte e eu estarei lá pra testemunhar. Parabéns, Norusca. #111”, perfil publicado pelo Esporte Clube Noroeste.


EU E O NOROESTE – Amor antigo, amor de moleque que se apaixona pela bola e pelo time de sua aldeia. Não consigo mais me desvincular dessa querência. Ela me persegue, mesmo em tempos como este, quando há mais de um ano não vou ao campo de futebol ver de perto o time do meu coração. Torço como pode. Certa feita, muitos anos atrás, eu e Roque Ferreira estávamos no campo e falava a ele dessa paixão, mas odiar tudo o que acontecia nos bastidores do time, as falcatruas que a gente sabe rola nos bastidores, as negociatas e ele, calmamente me diz, que deveria continuar torcendo, pois se fosse se importar com isso, não torceria mais por time algum, pois em todos a coisa é muito suja. E assim continuo torcendo, ciente de quase tudo o que acontece pelos tantos dirigentes que por ali estiveram. Muitos de abominável memória, outros relevantes. Tenho em mente e a uso sempre para exemplificar a podridão da bola, o caso do goleiro Válter, quando o passe ainda era do clube e foi vendido na bacia das almas. Um empresário da cidade, que queria ser presidente, comprou o passe, favorecido pelos dirigentes por um irrisório preço, valor quase exato de pendências existentes e meses depois o revende com altíssimo lucro. Depois, alguém assim se diz torcedor do time. Como? Rola de tudo nos bastidores da bola e isso é ficha pequena. Perdura o padecimento dos times. Quantos hoje, que já foram grandes pelo interior, estão na crista da onda? Como sobrevivem não se sabe, mas o fazem e ainda conseguem manter alguns dirigentes na crista da onda. Meu time sobrevive mal das pernas faz tempo. Rema contra a maré e agora mesmo, está prestes a começar a Copa Paulista não se sabe como. Ninguém conta como consegue manter contratos com jogadores se mal paga as contas de luz do estádio. São as coisas inexplicáveis do mundo da bola. Temos passaremos vergonha quando a bola começar a rolar, mas nem por causa disto estarei com o radinho colado no ouvido e torcendo pelo “vermelhinho”. Eu amo demais da conta o futebol interiorano, mesmo precarizado e aviltado, pois isso vem de muito longe. Não consigo mais se desvencilhar e na verdade, quero continuar sofrendo e torcendo. Queria mesmo era poder voltar ao campo, rever amigos e poder bater papo sobre futebol e tudo o mais. Sair de casa me faz bem, ir ao campo, revigora a vida. É dos poucos prazeres que nos resta neste pueril mundo dos tempos atuais. Eu olho para trás e me vejo moleque, chegando cedo nas arquibancadas, sentando lá dos lados dos eucaliptos, bem antes do jogo começar, rádio ligado e curtindo cada momento de minha presença no Alfredo de Castilho. Minha memória viaja com o glorioso e centenário Noroeste.
OBS.: As fotos publicadas são de março 2019, uma das últimas onde pude estar de corpo presente no campo do Noroeste, eu, Truijo e Ávila, todos abnegados torcedores. Na segunda, Roque Ferreira e um dos melhores repórteres de campo que temos na cidade, gente da velha guarda, Jota Martins.