domingo, 7 de agosto de 2022

REGISTROS DO LADO B (97)


NO 97º LADO B AS HISTÓRIAS DO LIVREIRO MOTOCICLISTA REGINALDO FURTADO
As histórias aqui contadas no LADO B - A IMPORTÂNCIA DOS DESIMPORTANTES, são as de quem fazem e acontecem por essas e outras plagas, os resistentes e persistentes. Hoje, trago aqui a de quem, depois de passar por momentos muito tristes, ter ficado viúvo, se reencontrou consigo mesmo abrindo um sebo e logo a seguir tornando-se também livreiro. REGINALDO FURTADO foi professor da rede pública estadual uma vida inteira e neste período juntou livros em sua casa, onde constituiu uma rica biblioteca. Ela cresceu tanto e ele, ampliou tanto seus horizontes que, resolveu não só expor, como abrir um negócio, não só para comercializar livros, mas também para conversar e ouvir histórias. Seu espaço, ali na rua Saint Martin é exatamente isso, um local onde a pessoa pode até entrar para comprar um livro, mas uma vez lá dentro, se depara diante de um inveterado conversador e algo rola a partir daí, fluindo o inimaginável. Reginaldo sempre gostou de motos e vez ou outra, sai pela aí, em busca de ver outros ares, na maioria das vezes sózinho, ele e seus inusitados destinos. Vou juntar isso tudo e ouvir suas histórias, seus relatos e a sua versão de como se dá essa nossa passagem do ser humano pela Terra. Escrevo isso, pois ele é também um estudioso das Ciências Esotéricas. Juntaremos tudo isso numa proveitosa conversa. Vamos juntos?

Em 03/10/2020 publiquei: ""O LIVREIRO", DO REGINALDO ABRE HOJE SUAS PORTAS
O professor Reginaldo Furtado demonstra coragem e arrojo em mais uma de suas iniciativas. O cara é professor, ofício de uma vida inteira e junto dela, amealhou ao longo de mais de 40 anos de profissão uma gana de livros, lotando espaços possíveis e impossíveis dentro de sua casa. O tempo foi passando, ele pegou também outros gostos na vida, um deles o de se perder pelo mundo, ele e sua motocicleta, tudo ampliado depois da dor do passamento de sua esposa, o que, certamente, aumentou em muito a solidão dele dentro de quatro paredes. Sempre teve outras fugas, uma delas a poesia, pois exímio escrevinhador, se mete em fraseados dos mais construtivos e daí dá prosseguimento para sua vida.
Chega num momento de sua vida, pandemia que não acaba mais, aquilo tudo dentro de casa e ele mesmo querendo dar sentido diferente para o que lhe resta de existência, junta também algo de uma necessidade, que todos temos nos dias de hoje, de amealhar algum a mais, bate o estalo: "Vou abrir um sebo". A ideia não foi só ganhar algum com a coisa, mas reencontrar pessoas, bater papos, propiciar novas amizades e fazer circular aquilo tudo que tinha só para si e agora vai ganhar o mundo.

A partir de hoje, 10h, o sebo O LIVREIRO, localizado no coração da cidade, rua Saint Martin 15-07 estará abrindo suas portas e sempre, das 10 às 15h - pelo menos agora, nesse período de sérias restrições andativas -, atenderá ao público interessado nas belezuras ali expostas em suas estantes. Reginaldo não mora ali, mas diz ser ali casa de uma amiga e como ela tinha espaço físico considerável na garagem de frente de sua casa, depois de longas conversas, veio a consumação do que estará se materializando neste auspicioso dia.

A abertura de mais um ponto comercial para circulação de livros deve sempre ser comemorado, não mais com fogos de artifício, mas com toda pompa e se possível estendendo um tapete vermelho, não para os visitantes, mas para quem ainda é possuidor da coragem de enfrentando todos os dragões dos moinhos aí nos obstruindo o caminho, fazê-lo da mesma forma e mostrando ser possível algo nos moldes do que vem pela nossa cabeça. Reginaldo sempre foi bom de conversa, proseador desses que mais gosta de ouvir do que falar. Essa qualidade já um sinal de sua evolução. Fala menos e ouve mais, mas quando emite o que lhe vai pela cachola, um posicionamento firme e contundente. Todos sabem muito bem o lado onde se encontra, o que defende e quais suas lutas. Se as alardeia pouco, com pouco tempo de conversa o sujeito já sabe muito bem quais seus ideias e propósitos.

Um audaz cidadão, que hoje, além de ganhar o mundo, rodando pela aí com o vento na cara, estará a partir de hoje em outra frente de batalha e convencimento, a de falar de livros, leitura e temas no entorno. Todos hoje estamos mais do que necessitados de lugares assim, onde além de fazer algo pelo qual gostamos, encontramos alguém à altura, com cabedal para tanto, iniciando um diálogo dos mais proveitosos e duradouros. Quem conversa com Reginaldo sabe do que escrevo, pois começando uma conversa hoje, interrompida pelos motivos do curto encontro, já pensa em como irá fazer para tê-lo frente a frente novamente. Com O LIVREIRO aberto não se façam mais de rogados e vamos todos pra lá, ver o que ele tinha de bom escondido dentro de sua casa e colocar as conversas em dia.

Sim, no meio disso tudo, essa coisa aí fora que não cede, pandemia ainda muito presente e atuante. Reginaldo não conseguiu esperar mais e estará atendendo dentro de todas as normas recomendáveis e seguidas por ele, do distanciamento e procedimentos adequados para este momento. O auspicioso fato é que, a partir de hoje, uma nova livraria estará aberta na cidade e com ela, aquela coisa imantada, magnética nos chamando para lá adentrarmos e dar início numa viagem de sonhos. Fiquei mais do que contente com a belezura da proposta do amigo Reginaldo, remando contra a maré, inclusive dos que dizem que investimento em livros hoje é coisa do passado, algo onde o lucro não é dos mais edificantes. Um negócio como este, todos sabemos, não tem em si somente isso de lucrar e muito menos enricar, mas tem muito mais de tocar a vida fazendo o que se gosta, ir tocando-a para frente com altivez, sapiência e envolvido. Ah, o que seria da gente sem os envolvimentos!

O lugar que eu mais reencontrava o Reginaldo era nas manhãs de domingo, todas elas, lá na Banca do Carioca, o livreiro da feira do Rolo, quando nunca de lá saia sem carregar batelada de livros. Ele, assim como eu e outros tantos, íamos lá - voltaremos em breve -, em busca das raridades que Carioca sempre conseguia garimpar e diante da aproximação de cada cliente, já levantava os braços e o recebia sempre com um: "Não imagina o que trouxe e reservei para ti. É a tua cara". E no momento seguinte nos colocava nas mãos, algo que ele, ciente de que por ali passaríamos, obras identificadas como tendo a nossa cara, jeito e maneira. Reginaldo teve sempre algo o esperando e voltava todo domingo. Juntou tanto, pegou tanto gosto pela coisa, chegando ao ápice de montar seu próprio sebo, onde a partir de hoje vai dar vazão a todo aprendizado livresco de quatro décadas. Um encanto arrebatador.

Parabéns, Reginaldo Furtado. Que tudo dê muito certo e desde já, seu sebo é mais um dos lugares onde indico de olhos fechados como parte do oásis ainda existente em Bauru, desses cantinhos onde diante de tudo o que vemos acontecendo aí fora, pode ser um reduto de acontecimentos inexplicáveis. Vida longa aO LIVREIRO".

Eis o link da conversa franca e cordial, cravada com 1h de duração com o instigante amigo, tão necessária neste momento, quando o país necessita e muito de gente dialogando e de livros, muita leitura e compreensão de onde de fato estamos metidos: 

outra coisa
1.) EU FUI CONFERIR E CONSTATEI: OS TRABALHADORES DA EMDURB FORAM VITORIOSOS NA GREVE DO LIXO EM BAURU
Certamente, os passadores de pano de Suéllen não vão publicar o resultado de 18 dias de corajosa greve dos garis de Bauru, como vitória. Preferirão cravar como derrota dos trabalhadores e vitória de Suéllen.

O Blog do Mafuá foi conferir e posta a verdade dos fatos: o criminoso roubo dos R$ 375,00 per capita, por mês, no vale-alimentação que Suéllen manteve, por mero gostinho sádico de castigar a quem trabalha duro, está resolvido!

Veja o que a TV TEM noticia: "Coletores de lixo decidem em assembleia encerrar greve após quase 20 dias em Bauru - Decisão foi aprovada no início da manhã desta quinta-feira (4) após reunião de conciliação terminar sem acordo. A assinatura da proposta entre Emdurb e sindicato foi feita no fim da manhã. Depois de 18 dias de greve, os funcionários da coleta de lixo da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) decidiram pôr fim à paralisação em assembleia realizada na manhã desta quinta-feira (4). Segundo o diretor do sindicato que representa o funcionalismo municipal em Bauru, Valdecir Rosa, a empresa apresentou uma nova proposta após a segunda audiência de conciliação na Justiça do Trabalho terminar sem acordo nesta quarta-feira (3). A Emdurb concordou em chegar no valor do vale-compra exigido pela categoria, mas de forma escalonada. Até então, isso estava condicionado ao equilíbrio financeiro da empresa ser alcançado, mas essa cláusula foi retirada”, afirma. De acordo com a empresa, a diferença de valores dos meses entre agosto de 2022 e agosto de 2023, que será de R$ 3.450, vai ser paga em 12 parcelas de R$ 287,50, por mês. Inicialmente esse pagamento começaria a partir de janeiro de 2024, mas esse foi um dos pontos reformulados e essa diferença começará a ser paga em setembro de 2023".
Como entendi o resultado favorável aos trabalhadores:

A soma dos valores que Suéllen insistiu, sadicamente, em negar aos valorosos trabalhadores, para um vale-compra de R$ 1 mil, por mês, no prazo de 1 ano,12 meses, corresponde a R$ 3.450,00. Graças ao correto e corajoso movimento grevista, agora encerrado em assembleia, tal soma começa a ser paga, complementarmente, a partir de setembro de 2022, no valor de R$ 287,50, o que é vitória indiscutível da categoria e derrota de Suéllen, para a qual, infelizmente, "as forças vivas', a "areia movediça" e os passadores de pano vão tentar fazer crer que "a prefeita venceu mais uma". Como quem cala consente, eu conferi e constatei, o TRABALHADOR VENCEU A CONTENDA.

VIVA A EMDURB E SEUS VALOROSOS SERVIDORES.

2.) 80 ANOS PARA SEMPRE - VIVA CAETANO VELOSO!
Informado de que, hoje, sete de agosto de 2022, Caetano Veloso comemora os seus 80 anos de idade, parei para lembrar tantas coisas maravilhosas com que Caetano nos embalou, até agora.

Gostei, muito, muito, mas, muito mesmo, de conferir que no breve post de hoje que Caetano Veloso manda, em vez de um número oito qualquer, ele crava o oito deitado, símbolo matemático de INFINITO! Porque ele sabe, e faz questão de mandar recado: Caetano é para sempre! Ponto!

Dentro ainda, de coração imerso nessa extraordinária caetaneação, dentre tantas pérolas que ele nos deu em mais de meio século, veja o selecionado, especialmente, para você, pensando na barra, principalmente, na luta "sem limites" empreendida não só aqui na cidade de Bauru, mas a nível nacional. Ele nos inspira:

LETRA: "Não me arrependo"
Eu não me arrependo de você
Cê não me devia maldizer assim
Vi você crescer
Fiz você crescer
Vi cê me fazer crescer também
Prá além de mim...
Não, nada irá neste mundo
Apagar o desenho que temos aqui
Nem o maior dos seus erros
Meus erros, remorsos
O farão sumir
Vejo essas novas pessoas
Que nós engendramos em nós
E de nós
Nada, nem que a gente morra
Desmente o que agora
Chega à minha voz
Nada, nem que a gente morra
Desmente o que agora
Chega à minha voz...
Êh! Êh! Êh! Êh! Êh! Êh!
Êh! Êh! Êh! Êh! Êh! Êh!
Êh! Êh! Êh! Êh! Êh! Êh!
Êh! Êh! Êh! Êh! Êh! Êh!
(Repetir a letra)

Sem palavras. Para completar a singela homenagem, a canção, com ele cantando, está, aqui: https://youtu.be/M5XnDOKG0-E

Viva, Caetano!!!

3.) JÔ SOARES E O CAPIROTO

sábado, 6 de agosto de 2022

O PRIMEIRO A RIR DAS ÚLTIMAS (120)

DISPUTAS ARGENTINAS E BRASILEIRAS – FUJA DOS FAKE NEWS*
* Eis meu 71º texto para o semanário DEBATE, de Santa Cruz do Rio Pardo, edição chegando nas bancas hoje.

Acabo de voltar de viagem à Argentina, doze dias de intensas andanças e “assuntamentos” sobre os destinos de um dos países mais instigantes desta América Latina. Buenos Aires é um dos meus destinos preferidos de viagens, a cidade que mais visitei fora do país em toda minha vida. Não só volto – quando posso -, uma vez ao ano, como me interesso pela sua vida intestina. Ouço quase diariamente uma rádio dentro da perspectiva que, acredito ser a mais saudável para este nosso continente, a libertária 750 AM (https://www.pagina12.com.ar/am750/radio-en-vivo), programa diário com Victor Hugo Morales, o La Mañana. Não existe nada igual no Brasil, pelo menos nas ondas de rádios ao antigo estilo. Leio também diariamente o diário Página 12, em sua edição virtual (https://www.pagina12.com.ar/) e neles textos envolventes de muita esperança de libertação dos povos latinos. Estive na cidade quando da posse de Alberto Fernández e sua vice, Cristina Kirchner e junto com outros brasileiros, dentre os quais o então senador Lindbergh Farias, marcamos não só presença, como realizamos belos atos em prol da necessária resistência de nossas nações e povos.

A temática da disputa hegemônica na América Latina passa necessariamente pela resistência peronista dos Kirchners, como da eleição de Lula este ano aqui no Brasil. Faço pouco turismo por lá, pois quero estar junto das transformações sociais, algo inerente a todo escrevinhador em busca, não só de boas histórias, mas também da realidade nua e crua, como se apresenta hoje. Certo que, a Argentina passa hoje por dificuldades muito sérias, mas na maioria dos lugares onde busco informação por aqui, essa vem sempre truncada e parcial. Na verdade, com o país dolarizado, o rico de lá sonega descaradamente. Suas transações comerciais não são mais feitas via banco ou instituições oficiais. Ele guarda seu dinheiro em cofres e assim apunhala o próprio país. Exigem muito, mas fazem pouco pela recuperação. Sua área rural é de uma insensibilidade, quase idêntica a do agronegócio brasileiro. A grande mídia de lá, como a de cá, age em defesa desta minoria, mente muito e encobre suas falcatruas.

A Argentina não sairá da situação atual sem uma tomada de consciência coletiva. Como aqui, muito difícil sensibilizar o endinheirado. Aqui, apunhalaram a nação com uma reforma trabalhista miserabilizando o trabalhador. Mais uma tentativa em curso, com a chegada de um superministro, Sergio Massa, até dias atrás presidente da Câmara dos Deputados. Ele foge da linha nacionalista peronista, pois dialoga muito com entidades como o FMI e representantes do mercado e dos EUA. Com ele, alguma possibilidade sem rompimento brutal entre os lados em questão, pois o rico ainda lhe dá crédito. O trabalhador, certamente, terá arroxado sua situação e talvez ganhe lá na frente. Uma aposta de risco. Ou ela, ou o inevitável choque de interesses entre os que possuem e os que estão na penúria.

Por aqui, na maioria do que vejo sendo publicado, a defesa da minoria abastada. “A Argentina segue com altas de preços, estão afundando, mas o que importa é que o governo passará a usar linguagem neutra em documentos”, publica o bauruense André Duarte, um promoter de eventos bolsonarista, portanto, sempre puxando a corda para algo dentro de sua linha de pensamento. Temos o costume de escrever e analisar tudo segundo o que vemos sendo divulgado pela TV Globo. Difícil encontrar algo isento só buscando uma fonte de informação. Eu fui lá e antes de sair, meu médico me disse: “Lá está pior do que a Venezuela”. Tenho certeza, ele nada sabe sobre a Venezuela, pois estes estão em recuperação e em Buenos Aires, muito pouca gente morando nas ruas, bem diferente da capital paulista. Por lá, os programas sociais não deixam ninguém passar fome e a escola pública é exemplo de qualidade, algo já capenga por aqui. Sou mais pelo que vi, do que pelo que dizem por aqui. No Brasil viceja um estado onde as fake news dominam a informação, mentem muito e enganam o povo. Tanto lá, como cá, uma disputa fraticida de interesses bem antagônicos, os que lutam por algo para a maioria pobre da população e os que só pensam em seus anéis e cofres. Eu tenho um lado e luto, escrevo e defendo o lado do trabalhador.
Henrique Perazzi de Aquino, jornalista e professor de História (www.mafuadohpa.blogspot.com).

A FOFOCA CORRE SOLTA, MAS SERÁ VERDADE? NÃO SE FALA EM OUTRA COISA EM BAURU
Não existe mais como segurar, pois alguém contou a novidade e todos já sabem, basta a confirmação para ser explicitada e divulgada aos quatro ventos. De início, espalhou-se de boca em voca, como a mais nova novidade envolvendo escândalos com a esfera pública municipal. Algo escabroso e tendo como pano de fundo uma igreja e tudo bem distante de cultos, rezas, mas bem prximo de oferendas e afagos feitos sem o conhecimento da patuléia, por debaixo dos panos. Algo assim, contado ao pé do ouvido, diante de fortes rumores, são os tais segredos que ninguém consegue segurar. Estive ontem na festa do mais novo grupo de mulheres na cidade e este era o assunto predominante. Estava na boca de todos, ou seja, todos os presentes ouviram alguma versão da história e, diziam, em breve estaria firme e forte sendo divulgada, bastando uma confirmaçãozinha.

Lembrei quando ouvi e o interlocutor me pediu discrição, pois ainda faltava a cereja do bolo, de algo dito pelo falecido político Tancredo Neves, quando alguém no interior de Minas Gerais querendo lhe contar um segredo, pede sigilo. Ele, com sua sapiência mineira desfere: "Pô, se é segredo, por que vem contar justo para mim? Se for assim tão segredo, guarde para ti e não conte a mim, pois não vou conseguir me segurar". Na festa de ontem, creio eu, ninguém conseguiu se segurar e o fato novo correu de boca em boca. O que ninguém quer é ser o divulgador, colocando embaixo sua chancela, sua assinatura, pois em caso de não ser lá assim tão verdade, assumiria sózinho os percalços processativos. Daí, tudo ficou somente no "passe adiante, mas o faça discretamente e não diga que fui eu que te falei".

Chego em casa, vou contar a novidade para minha cara metade e para minha surpresa, ela já sabia a história, até com mais detalhes do que havia ouvido. Uma amiga, que não estava na tal festa, havia lhe ligado só para contar a novidade. Ela me diz, que se verdade for, é para derrubar o caminhão de melancia inteiro e não sobrar uma sequer pra contar a história. Dias atrás, quando ouvi uma outra denúncia sobre as tais viagens turísticas com ônibus público e com cobrança de passagem, me confessaram: "Creio estar diante do batom na cueca dessa administração". Pode até ser, pois o lá ocorrido é mais do que grave, diria mesmo, gravíssimo, mas nas audiências semanais tudo é revelado em conta gotas, em drops, aos poucos e a cada novo embate entre as partes, algo mais estarrecedor, porém lento. Já nisso ouvido, seria algo que se comprovado por A + B, um daqueles socos incontornáveis abaixo da linha da cintura e provocando imediato nocaute.

O escrevinhador precisa saber se, o ouvido é fofoca ou se existe de fato verdade por detrás do relato. Pela forma como ouvi, tem muita consistência, mas ninguém quer se antecipar sem antes ter a mais absoluta certeza. Com isso tudo na cabeça vou hoje cedo ao supermercado e reencontro dileto amigo. Quando esboçava algo e lhe perguntei se sabia da mais nova história circulando pelos corredores da cidade, ele ri e me diz: "Será que não é o mesmo que queria te contar?". Era, ou seja, ele já sabia e também estava espalhando. Pelo que me diz, a comprovação já está formalizada, cita até nomes de receptor e receptador, mas não não ouso ser o primeiro a revelar. Me aquieto, venho para casa, desligo o computador, com medo de cometer algum inconveniente revelativo e resolvo aguardar os acontecimentos. Será que vai dar na Entrelinhas do JC de amanhã?

BAURU, DA PEÇA COM O CRUCIFÍXO DE MARÍLIA PERA NO BTC À ENTRADA DE SUÉLLEN E SUA IRMÃ NO MEIO DO SHOW DO DANIEL
Passar vergonha sempre fez um pouco de parte das entranhas desta isnólita Bauru. A cidade, mesmo com o passar de algumas décadas, não consegue superar o feito de um dito como "força viva" destas plagas invadindo a peça teatral de Marília Pera acontecendo no BTC e por causa de umas questões religiosas sendo tratadas em divergência com sua obtusa linha de pensamento, fala horrores para a atriz. Viramos por muito tempo motivo de chacota nacional, quando éramos mencionados pelos artistas como terra de um conservadorismo atroz e doentio. Entendível o fato de vivermos naqueles tempos um nefasto período civil militar, onde as mentes foram condicionadas a ter mêdo e aceitar o falso moralismo como norma de conduta.

Dizem que, Bauru nunca abandonou de vez essa sua veia rídicula de encarar o mundo. Nesta semana, tudo se repetiu e como farsa. Acontecia no parque Vitória Régia o show de aniversário da cidade, com o cantor Daniel. Pelo informado, ele entra no palco e faz uma homenagem a Nossa Senhora Aparecida, sua santa de devoção, inclusive direcionando que a imagem que tinha em mãos fosse entregue para uma senhora, indicada por ele na platéia. O show corre e a nossa incomPrefeita não se segura, prepara e apronta das suas. Interrompe o show, como dona do espetáculo e entre uma canção e outra, pede um aparte ao artista, dizendo que uma pessoa quer muito "louvar a deus". Ele atônico, calado, nada diz e se posta ao lado, tendo início a tal louvação, feita à capela pela irmã de Suéllen Rosim. Não se pode dizer que nunca antes ocorreu algo igual na cidade - Marília Pêra que o diga -, sendo o ocorrido a continuação do show de horrores dessa atual administração. Ela, a cantante irmão da alcaide, ora ou canta, sei lá, duas peças louvatórias, que certamente, não tem espaço num evento como o realizado. Tudo obra de quem se acha Dona da Cidade. Entre vaias e aplausos, a vergonha estava concretizada, repetindo-se como farsa.

Daniel recomeça seu show quando saem do palco e ao final, parece ter dado o devido troco, ao seu modo e maneira, sem precisar dizer uma só palavra de desagravo pela deselegância transcorrida no meio de sua apresentação. Como última canção de seu show canta "Ave Maria", símbolo de religião oposta a da Dona da Cidade. 

sexta-feira, 5 de agosto de 2022

DROPS - HISTÓRIAS REALMENTE ACONTECIDAS (206)


começando os trabalhos

A CASA GRANDE & SENZALA CONTINUA DE PÉ E BEM ATUANTE
"CONVERSA NO ÔNIBUS - Duas mulheres conversando atrás de mim. Uma delas:
- A minha patroa não deixa eu comer na mesma hora que eles. Tem que ser depois. Também não posso comer a comida deles, e nem esquentar minha marmita. Acabo comendo comida fria todos os dias.
A outra:
- Olholholhó. Tô bem, a minha deixa eu esquentar a marmita.
E riram...
O ano é 2022, Brasil", Elaine Tavares, professora da Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis SC.

O relato aqui transcrito de minha amiga internética - que ainda não conheço pessoalmente, mas nutro imensa simpatia, pois comungamos das mesmas inquietações e lutas -, não representa nenhum novidade. O Brasil, como sabemos de cor e salteado, continua com seus pés atolados na Casa Grande & Senzala, ou seja, uma legião de patrões e empresários desta terra não tão varonil, segue atuando com seus subordinados, seguindo fielmente algo tendo a escravidão do ser humano como regra de conduta. Dois dias atrás, publiquei texto aqui onde relatava algo ocorrendo com amigo bem próximo, desempregado e atuando na venda de automóveis, praticamente em troca de alimentação. Seu ganho, mesmo trabalhando pesado se dava somente quandio vendia automóveis, no seu local de trabalho, do contrário, conta com ajuda de custo do empresário, dada segundo seu bel prazer. Ontem recebo relato de conhecida, que ao ler meu texto, posta sua situação e a publico de forma anônima, cortando alguns trechos, para impedir qualquer possibilidade de intendificação:

"Caro Henrique, li o relato descrito por ti de seu amigo trabalhando num estacionamento de venda de automóveis e te envio a minha situação, não muito diferente da dele. Me aproximo dos 50 anos e diante de tanto bater cabeça, nada encontrando como trabalho, fiz curso de corretora de imóveis e atuo junto de uma das grandes da cidade de Bauru. A imensa maioria desses profissionais não possuem renda fixa, muito menos carteira assinada. Somos autônomos, a nova forma de nos escravizar. Dão a isso o nome de modernidade, isentando o patrão do registro. Ganhamos pelo que vendemos e diante de mercado em baixa, recebo clientes, vou atrás deles com meu carro, de ônibus, a pé e tudo por minha conta e risco. Não existe ajuda de custo na maioria das imobiliárias, pois alegam que o percentual de ganho que temos é suficiente para boa remuneração. Sem um mínimo, vivemos do que? De brisa, pensam eles, os patrões. Se nada vender, nada ganho e não tenho nem a ajuda de alimentação no local de trabalho de seu amigo. Faz dois meses que nada vendo, portanto, nada recebo. Existe em Bauru muitos na mesma situação que a minha, somos autônomos, portanto, liberamos a imobiliária de arcar com problemas trabalhistas. Assim somos por imposição destes, pois queria muito ter um mínimo para chamar de meu. Não temos esse direito. Corro atrás, cada vez mais, de buscar gente interessada nos imóveis, alugar e vender, única forma de ganhar algum. Caímos nessa situação e com a reforma trabalhista aprovada com Temer e consolidada com Bolsonaro, tudo piorou. Sou um camêlo, trabalhando de sol a sol, burro de carga, com caixa às costas e ganhando muito pouco. Quando questiono o patrão, pedem o mesmo que li do seu relato, se esforce que consegue. Como irei me aposentar nessa situação, se mal consigo algum para minha decente subsistência? Ser corretor de imóveis, dono de uma imobiliária é uma coisa e vendedor de imóveis outra bem diferente, realidades bem distintas".

no meio dos trabalhos diários
CONTINUAM DENÚNCIAS DE EMPREGOS AO ESTILO CASA GRANDE & SENZALA - MÚSICOS TRABALHANDO POR PORTARIA
Depois da publicação de um primeiro relato, o do trabalhador numa loja de venda de veículos, ali atuando, mas ganhando somente quando vende algum veículo, num desrespeito ao não registro em carteira e muito menos, pagamento de vigente salário mínimo. Contei essa história e me pedem para divulgar outra, a da funcionária de imobiliária, que atua como se fosse corretora e também sem salário, ganhando somente quando vende algo. Este o atual quadro vigente e ululante pela aí. Mal chego em casa no meio da tarde e algo mais no messenger, outro relato. Mais uma denúncia de como se dá a tal da Reforma Trabalhista vigente no pós-golpe de 2016, implementado por Temer e consolidado por Bolsonaro:

"Henrique, muito triste os seus dois relatos. O meu também. Você me conhece bem, sou músico aqui na cidade há mais de vinte anos e te peço publique o que ocorre, mas não me identifique, pois se a coisa já está difícil, pode piorar. Não trabalhamos por um prato de comida, como seu amigo, não precisamos vender um carro ou uma casa para ganhar, mas algo de igual teor ocorre com a classe artística. São formas muito parecidas de uma exploração já implantada e em pleno exercício. Em muitos dos bares onde tocamos, música ao vivo, levo a aparelhagem eletrônica, instalo e não consigo mais fechar um cachê mínimo para tocar. Os empresários hoje querem que trabalhemos por portaria. Ou seja, só recebemos pelas pessoas presentes e se antes havia um ganho determinado com um cachê, hoje tem noite que não conseguimos nem R$ 50 reais. Como sobreviver desta forma? Tocamos de duas a três horas por noite, quase ininterruptutas e só falta mesmo, partir de nós, os músicos fazer a propaganda da casa. Não está fácil a situação da categoria e para piorar, como você sabe, a Secretaria de Cultura não ajuda nada, não incentiva, não viabiliza alternativas. Seus projetos são inviáveis, existem no papel e não se concretizam. Nem adianta procurá-los, pois com eles sem possibilidade de algo a nosso favor. Nem penso mais em carteira assinada, ser autônomo ou algo parecido. Quero comerr, pagar minhas contas e fazer o que gosto e sei fazer. Muita falta de sensibilidade para conosco, diálogo cada vez difícil. Como trabalhar motivado nestas condições?".

terminando os trabalhos do dia
para não dizer que nada escrevi da incomPrefeita no dia de hoje...

NÃO SE TRATA DE INSENSIBILIDADE, MAS DE MODUS OPERANDI
A greve do servidor municipal da Emdurb chegou ao fim. A categoria encurralada pela ação autoritária da alcaide resolveu ceder e desde ontem já está 100% nas ruas. As negociações continuarão, mas como já é sabido, com Suéllem Rosim, impossível saber se existirá algum tipo de diálogo a partir de agora. Ela intimidou os servidores e na volta, não está bem certo se ocorreu ou não algum reajuste no vale alimentação. Conseguiu seu intento, vergou a categoria, mas ganhou a desconfiança de todos. Se até antes do início da greve, não se falava em atrasos salarias, hoje já é certo que no próximo pagamento, ao menos dez dias de atraso. Isso ocorre exatamente para demontrar que, houvessem se calado, tudo continuaria como dantes, mas foram cutucar o vespeiro fundamentalista, descobriram como se dá o seu modus operandi.

Um horror o vídeo da incomPrefeita na noite de ontem acusando os servidores de, ao cumprir o acordado com a Justiça Trabalhista, não cumpriam o mínimo exigido e, segundo ela, mantinham lixo nas ruas para deixá-la em mal lençóis. Foi leviana, sem provas e jogando pra sua torcida, os seus seguidores, que a partir de algo assim, se posicionam contra os servidores da Emdurb. Ela, que já havia demonstrado sua inaptidão para o diálogo, quando contrata empresa para coletar o lixo durante a greve, preferindo gastar alto valor do que valorizar a categoria profissional dos coletores de lixo. O ocorrido não se trata de quada de braços, mas de demonstração explícita de autoritarismo e insensibilidade para o servidor e tudo o que representa para a cidade de Bauru.

A prefeita pode até achar ter saído vitoriosa com o final da greve, mas quem saiu de fato perdendo é ela, mais uma vez, acumulando assim, muitas evidências de uma prática desqualificada para o cargo, ao menos quando se fala em atuação dentro de padrões democráticos. Ela inside em seguidos erros, total falta de sensibilidade e tino para o exercício do cargo. Diria mesmo, despreparada, inábil e grosseira, preferindo gerar desconforto entre os servidores, do que resolver de fato as questões. A questão do vale alimentação continua sem solução. Ela continua sendo investigada pela Processante nos seus calcanhares, motivado por compras de imóveis descabidos e muitos inservíveis. Assim como acusou os servidores de atuarem de forma desleal, ganhou mais um processo, o de Elias Brandão, o mentor do texto aprovado da Processante que, teve seu nome divulgado para os seus o criticarem e até mesmo, perserguirem. Elias a processou, pois passou a sofrer ameaças e ela, já foi devidamente intimada no processo. Deve depor e a atenção se voltará para suas justificativas. Ela, como se vê, mete os pés pelas mãos. Não dá uma bola dentro.

ALGO DE JÔ SOARES

quinta-feira, 4 de agosto de 2022

CHARGE ESCOLHIDA A DEDO (185)


começando assim o dia
"CIRCUITO AFETIVO AUTORITÁRIO", O QUE VEM A SER ISSO E ONDE A ALCAIDE SUÉLLEN SE ENCAIXA NESTE CONTEXTO
Começo pela definição do que venha a ser o termo em curso e ganhando imensa força sob Bolsonaro e os seus adeptos, dentre os quais incluo a atual alcaide bauruense, a incomPrefeita Suéllen Rosim, um dos seus mais básicos exemplos. "Uma das primeiras características do sentido de Justiça moderno passa pelo entendimento da tirania como não observação dos direitos. O filósofo francês Étienne de La Boétie, que exerceu influência sobre Marx, em muito contribuiu para esse debate ao formular, no século XVI, uma pergunta fundamental: por que nos submetemos aos tiranos? Uma resposta que ele mesmo dá para essa questão ajuda a elucidar o configuração do circuito afetivo populista de extrema-direita. La Boétie diz que quem apoia um tirano quer também ser um em sua vida social, familiar, cotidiana", palavras do jurista Pedro Serrano.

Ainda na onda do escrito pelo progressista Serrano, leio que "esse indivíduo, impedido pelas vias democráticas que se firmam em princípios e valores éticos, esse indivíduo se pendura na chancela de uma autoridade macroperversa para dar vazão às suas condutas nocivas no nível micro". Paulo Freire dizia que o opressor, quando perde suas condição como tal, sente-se oprimido. Tudo isso acaba por redundar no esvaziamento, na degeneração da democracia e dos direitos básicos da convivência humana, que cedem ao que podemos chamar de PRINCÍPIOS MORAIS METAFÍSICOS DESPROVIDOS DE SENTIDO. Vivemos isso hoje no Brasil e, quiçá também em Bauru, com a adepta total e absoluta da mesma linhagem de pensamento e ação bolsonarista, autoritária e fundamentalista da atual alcaide.

Está em curso uma dominação tirânica, da pior espécie, eliminando e impedindo a reação popular, calando vozes e intimidando outras. A política bolsonarista hoje é exemplo vivo e latente, terreno baldio de imoralidade e um templo profano - alusão umbilical com os neopentecostais no poder - de negociatas e vendições. Cito outro jurista a me orientar neste texto: "Cumprir o dever funcional e constitucional deveria ser uma atitude normal da democracia, sem a necessidade de elogios. Mas, como vivemos num país em que, nas instâncias superiores dos poderes, cumprir as regras e a Constituição está se tornando exceção e, a violação, a regra, elogiamos a excepcionalidade que resiste à corrupção e à degradação dos princípios da república e da democracia", Aldo Fornazieri.

Os bolsonaristas chegaram se achando os donos de tudo, desrespeitando tudo, com respaldo do grupo no poder. Fazem tudo, sem medir consequências. Hoje, tudo exige inciativa imediata dos setores democráticos e populares da nossa sociedade, do contrário, perderemos mais e mais terreno para o autoritarismo, fascismo e fundamentalismo, odioso, perverso, excludente e tirânico. Suéllen com seus atos, passando por cima do crivo dos vereadores para suas ações - as compras imobiliárias feitas só pela sua cabeça -, invadindo shows junto com sua mãe candidata a deputada, contratando outra empresa para coleta do lixo urbano, quando temos uma muito eficiente e agora, intimidando estes, age em tudo que faz, respaldada pelo CIRCUITO AFETIVO AUTORITÁRIO. Ela é hoje o próprio autoritarismo em pessoa, o próprio Dulce, Mussolini encarnada. E cabe aos conscientes fazer algo. Quando a esquerda se esconde debaixo da cama, o fascismo toma as ruas, mentes e consciências. Muitos já se arvoram de defendê-la, como santa, colocada no cargo pelos "deuses", missão divina. Balela autoritária. A resposta se dá somente de uma forma: nas ruas, com grandes mobilizações. Ver, ouvir, tomar conhecimento e nada fazer só faz a perversidade crescer e se multiplicar. Suéllen, assim como Bolsonaro e os seus, precisam ser combatidos nas ruas.

prosseguimento com o passar do dia
DIANTE DA MÃE DA PREFEITA NO PALCO DE SHOW ANIVERSÁRIO BAURU JUNTO DA INCOMPREFEITA, O CAMINHO É O DA IMPUGNAÇÃO DE SUA CANDIDATURA À DEPUTADA
Caminho das pedras para, nas condições legais e na data oportuna, entrar com a impugnação da candidatura de Lúcia Rosim.

As três imagens, acima, seguem, igualmente, no anexo.
Leiam, por favor, leiam atentamente, com calma, pensando, sem o maldito dopping do Facebook, principalmente nossos juristas e advogados progressistas e sempre de plantão, pois a loucura está estabelecida aqui na Terra do Sanduíche.

Aos que insistem em passar pano fazendo de conta que são oposição de esquerda, eis a única ação possível para estancar o mal em curso.

Detalhes dedicados a combater Suéllen e impugnar sua mãe, Lúcia Rosim:
"Propaganda eleitoral

1) Quando é permitida a propaganda eleitoral?
A propaganda eleitoral é permitida, inclusive na internet, a partir de 16 de agosto, dia seguinte ao término do prazo para o registro de candidaturas.
A data é definida pela legislação para que todos os candidatos comecem a propaganda em igualdade de condições, evitando o desequilíbrio na disputa eleitoral.

2) É permitida a propaganda eleitoral em bens particulares? A propaganda pode ser paga?
Em bens particulares é permitida a propaganda eleitoral feita em adesivo ou papel, com dimensão até 0,5 m². Em veículos, são permitidos adesivos microperfurados até a extensão total do para-brisa traseiro. Em outras posições, são permitidos adesivos até a dimensão máxima de 50cm x 40cm.
A propaganda não pode ser paga. Ela deve ser espontânea e gratuita, vedado qualquer pagamento em troca do espaço.

3) Pode haver propaganda nas ruas?
Sim, é permitida a colocação de mesas para distribuição de material de campanha e a utilização de bandeiras ao longo das ruas públicas, desde que móveis e que não dificultem a passagem de pessoas e veículos.
A colocação e retirada dos materiais entre 6 e 22h garante a mobilidade.

4) Em que locais a propaganda eleitoral é expressamente proibida?
A propaganda sob qualquer forma, como pichação, fixação de placas, faixas e assemelhados é proibida em:
- bens públicos, ou seja, bens cujo uso dependa de cessão ou permissão do Poder Público, ou que a ele pertençam;
- bens de uso comum, ou seja, aqueles a que a população em geral tem acesso (cinemas, clubes, lojas, centros comerciais, templos, ginásios e estádios, ainda que de propriedade privada) e outros definidos pelo código civil;
- em postes de iluminação pública e de sinalização de tráfego;
- em árvores e jardins localizados em áreas públicas, bem como em muros, cercas e tapumes divisórios;
- em viadutos, passarelas, pontes, paradas de ônibus e outros equipamentos urbanos.
Como é a regulamentação dos comícios e do uso de alto-falantes?
É permitida a realização de comícios com utilização de aparelhagem de som fixa e trio elétrico entre 8 e 24 horas, até dois dias antes da eleição. Já o uso de alto-falantes é permitido entre 8 e 22 horas, mantida distância maior que 200 m de hospitais, escolas, igrejas, bibliotecas públicas e teatros quando em funcionamento, até a véspera da eleição.

9) O showmício é permitido?
O showmício ou evento assemelhado, presencial ou transmitido pela internet, para a promoção de candidata e candidato, é proibido, bem como a apresentação, remunerada ou não, de artistas com o objetivo de animar comício e reunião eleitoral. A proibição não se estende aos candidatos profissionais da classe artística – cantores, atores e apresentadores – que poderão exercer a profissão no período eleitoral, desde que não envolva animação de comício, participação em programas de rádio e de televisão ou alusão à candidatura ou campanha. É permitida a apresentação artística ou shows musicais em eventos de arrecadação de recursos para campanhas.

CONCLUSÃO: Lúcia Rosim agiu de forma totalmente irregular ao subir no palco no Vitória Régia, numa evidente tentativa de chamar a atenção, atrair incautos eleitores, etc. Alguma dúvida da completa irregularidade da fundamentalista candidata? A administração municipal contrata show para comemorar os 126 anos do aniversário de Bauru e no palco sobre a candidata Lúcia Rosim, infringindo todas as normas de conduta e procedimentos aceitáveis e legais. Impugnação já!

quarta-feira, 3 de agosto de 2022

ALFINETADA (218)


PERFIL DO EMPRESARIADO EM TEMPOS DE REFORMA TRABALHISTA E BOLSONARO NO PODER
Volto de viagem à Argentina, país que me diziam estar estraçalhado, porém mantém intacto algo para os seus cidadãos, um programa social, onde passar fome está fora de cogitação. Chego aqui e reencontro um amigo próximo, desempregado há mais de um ano, vivendo de bicos e sofrendo horrores para continuar tentando viver dignamente. Veio de longe, aqui se instalou e desde então, alguns empregos fixos, todos com renda muito baixa e agora algo arranjado num estacionamento de veículos. Registro em carteira, nem pensar. Trabalha por veículo vendido, onde cumpre uma tabela feita pelo dono do estabelecimento. Vendendo um carro R$ 300,00. Quando vende mais de 3, consegue além do valor um bônus mínimo no mês. Vendeu um no mês passado e seu soldo foi o combinado. Diariamente lava veículos, três vezes por semana, todos da loja, deixando-os impecáveis para os clientes. Em troca recebe a alimentação no local e no final de julho, por cortesia do empregador, lhe foi dado mais R$ 300, a título de cortesia. Vive com os R$ 600. Vai a pé para o trabalho e volta com o patrão, que por sorte, não por gentileza, mora num local, onde terá que, obrigatoriamente passar perto de sua casa, daí chega mais descansado em sua casa.

Essa sua rotina. Nunca tinha trabalhado no ramo e está se adaptando, em algo ouvido pelo patrão: "Isso aqui não é um emprego, é uma profissão". Segundo essa concepção, o empregado pode ganhar muito, desde que venda muito, pois se nada vender, nada ganhará, mesmo lavando e limpando infinidade de veículos durante a semana. Foi esboçar uma reclamação para o patrão e ouviu deste: "Veja como somos solidários. Ainda te propiciamos a alimentação diária. Se esforce mais". A loja possui mais vendedores e todos na mesma situação. Alguns já com anos de janela, mais experientes e desta forma, não medindo esforços para também passar a perna no novato, que bobeando fica sem alguns contratos inciados sob sua batuta, mas finalizados pelo esperto colega de trabalho. O questiono dos motivos de ali continuar e sua resposta: "Fiz concursos, estou atento a toda e qualquer outra possibilidade, mas diante de nada de novo, continuo. Pelo menos ali tenho a alimentação. Sempre vivi com pouco, sei viver nessas condições, mas em alguns casos, nítido como exploram da situação e se beneficiam disso. Se reclamar, perco até isso, daí me aquieto, trabalho calado. Sou um cidadão triste, infeliz".

Ele é uma pessoa muito instruída, possui conhecimento e sabe muito bem discernir tudo o que lhe acontece. Conversamos ontem a respeito e lhe disse, ser este o modal de trabalho atual, o do máximo da exploração da mão de obra do trabalhador, regime escravista, onde todos os direitos trabalhistas estão suspensos e o patrão tem total liberdade, cobertura do atual desGoverno Federal, ações sem nenhum escrúpulo, só pensando e agindo em benefício do patrão. O patrão, por outro lado, cada vez mais, ciente de sua atual condição, defende Bolsonaro e todas as transformações, pois tudo lhe é muito cômodo. Tempos sem lei, ou melhor, trabalhador cada vez mais desprotegido e tendo que se submeter a condições totalmente adversas. Que raios de empresário é esse? Ele, uma pessoa outrora alegre, cheio de ideias, altivo e lendo muito, hoje se mostra, cada vez mais triste, cabeça baixa, sem motivação e perspectivas. Só não cometeu uma loucura até a presente data, pois ainda é guiado por princípios altaneiros. Sua vida, como se vê, está por um fio e num beco sem saída. Já, seu empregador, usufruindo das barbaridades propostas pelo capitalismo selvagem à moda neoliberal, sem nenhum reconhecimento da condição mínima de sobrevivência do ser humano. Este algo bem próprio destes tempos. Como ser feliz diante de algo assim? Impossível não querer mudar isso tudo. Os que se aquietam, se acomodam e aceitam, meus pesâmes, pois fazem parte da podridão permeando as relações humanas.

AGORA A PREFEITA INTIMIDA OS SERVIDORES DA EMDURB - MAIS AUTORITÁRIA IMPOSSÍVEL
Depois de tudo, de ter comprado imóveis inservíveis na bacia das almas e sem consultar ninguém, salvando alguns inolvidáveis bauruenses da bancarrota, depois de aparecer sorrateiramente no meio dos shows do aniversário de Bauru, ela e a mãe, como se tudo o que ali ocorresse no parque Vitória Régia, fosse algo dado por ela para a população bauruense, depois de nada fazer, mesmo com comprovações de viagens turísticas com ônibus da Educação, com aval da Cultura e de adulteração de documentos, com intuito de dar um jeito e livrar a cara de alguns staff, depois de driblar o sindicato dos servidores e dar um reajuste parcial para o vale alimentação, beneficiando uns e dando uma banana para outros, agora, quando os prejudicados e deixados de lado, revoltados por terem sido preteridos se unem, promovem uma justa greve, ela, a IncomPrefeita, vem à público, contrata uma empresa suspeita para executar o serviço destes, os coletores de lixo e como a greve tem continuidade, ela os ameaça com provável demissão. Estabelece um prazo, até a próxima sexta, 05/08 e se estes não voltarem ao trabalho, poderão perder o emprego. Na verdade, o que está em curso é o fim da Emdurb, mas inicialmente uma estocada numa das categorias mais importantes hoje dentro do funcionalismo municipal, a dos coletores de lixo.

Essa a linguagem da bolsonarista e fundamentalista prefeita. Faltava só mais essa, uma declarada ameaça e guerra estabelecida com o funcionalismo. A categoria num todo, o conjunto dos servidores, mesmo os que receberam a partir deste mês o vale de R$ 1 mil reais, deveriam se unir aos que não receberam e engrossar o caldo contra a atitude autoritária da alcaide, que foge de suas responsabilidades, criando mais um problemão, diante de tantos outros empurrados com a barriga. Por outro lado, faz de tudo para emperrar e inviabilizar a Processante que, nos seus calcanhares, está a investigando. Ela desmerece as testemunhas que apresentam algo contundente contra sua pessoa, como o mentor do projeto da Processante, foge das respostas e contra-ataca com ameaças, intimidações e instiga os seus, aqueles que pelas redes sociais, a defendem com unhas e dentes, iguaizinhos ao bolsonaristas no cercadinho do lado de fora do Palácio do Planalto.
Ou Bauru se une e dá início a um incessante trabalho de descrédito para tão ultrajante administrtação, ou a cidade estará pela frente, como fez Bolsonaro com o país, com algo sem limites, querendo tomar conta de tudo, uma espécie de "com Supremo com tudo", igualzinho fez seu mentor. Permanecer calado, só observando é tudo o que ela quer. Suéllen trabalha e age com a certeza da impunidade. Estes tempos a fazem agir assim, ela aprendeu a fazer política desta forma, invcentivada pelos lá encastelados hoje em Brasília, não respeita leis, normas, convenções, regras, pois acredita que o que vai pela sua cabeça é o correto. Essa intimidação para com os servidores da Emdurb merece uma revolta generalizada e ela tem que ter início neste momento. Deixando hoje, amanhã virá algo mais, depois outra coisa, mais outra e quando nos dermos conta, ela terá tudo dominado. E ela não é tão forte assim, ou é?

terça-feira, 2 de agosto de 2022

FRASES (223)

JÁ DE VOLTA E ALGUNS DETALHES DO ANIVERSÁRIO DE BAURU

A FAMÍLIA SUÉLLEN AGE COMO FOSSEM DONOS DA CIDADE – INTERFEREM ATÉ NA FESTA NO VITÓRIA RÉGIA
Não seria o caso de impugnação de candidatura?

1 - “Essa mulher é uma ridícula. O show do Daniel, impecável e ela interrompe pra chamar uma mulher pra clamar Jesus. Vá pra ponta da praia. Vim embora como um monte de gente. Não confunda as coisas. A cidade não é sua. O show não é seu. Que merda", Helena Aquino.

2 - "Misericórdia kkkkkk. Quarteto completo está achando que os envangelicos estarão elegendo a senhora sua mãe", Creuza Ferreira.

3 - "Prefeita, mãe da prefeita e os representantes do povo", Sergio Moreno.

4 - "Para mim nem precisava dos Palhaços com esses governantes que temos já nos fazem rir e muito e melhor rir do que infartar e não chorar kkkkkkkkkkkk", Wilson Leandro do Nascimento.

5 - "Enquanto isso, os trabalhadores da Emdurb sem a correção do vale compra e a cidade perdida no lixo por causa da incapacidade de administrativa", Vera Martins da Matta.

6 - "Patati daqui, patata de lá... e o cercadinho é a self", Reginaldo Tech.

7 - "Os palhaços não tem culpa kkkkk", Alexandre Moresque.8 - "Enfiando a candidatura da mãe em todo lugar", oportunista", Vera Signorini.

9 - "Imperdoável o que foi feito durante o isolamento. O dinheiro sobrou, enquanto artistas locais ficaram à míngua implorando por lives e nem o ar condicionado do teatro foi reparado", Wellington Leite.

10. "Hoje por volta das 20 horas no farol em frente o CEASA parei com o Carro me deu ancia o Mau cheiro .A Cidade está Fedendo é lixo por toda Cidade", Zezé Simão.

já de volta, amanhã recomeço com a corda toda
HÁ SETE ANOS ATRÁS ESTAVA TAMBÉM NESTA DATA EM EM BUENOS AIRES...
Hoje, retornando de lá, adentrando novamente Bauru, essas tantas idas e vindas e o sentimento é de uma querência muito grande por aquele lugar. Aprendi a gostar ao longo dos tantos anos que por lá estive e nem o roubo de meu celular, num descuido imperdoável, ocorrido no último domingo, me faz desgostar. O cuidado que deveria ter tido lá é o mesmo que devo ter em Bauru, São Paulo, Nova York ou qualquer outro grande centro capitalista do planeta, onde persiste a imensa diferença de vida entre os que possuem e os que nada possuem, sem condições também de adentrar ou presenciar um novo mundo. Minha cabeça está ainda se recompondo da chegada, cansado de andar, após 12 dias de intensa atividades ruística. Hoje, terça, 02/08, só quero - e preciso - descansar e depois, amanhã, com algo mais reajustado reinicio as tarefas a mim designadas nesta parte que me cabe do que vem a ser o entendimento humano. Hoje, preciso só me recompor. Volto de mais uma andança, cheio de boas histórias - só uma ruim, a do roubo do celular - e no rescaldo, muita coisa de positiva a ressaltar. Viva Buenos Aires, viva a Argentina, viva a recuperação que lá ocorre, nova tentativa de reenquadrar o país e devolver alguma normalidade, que sabemos, não irá ocorrer nunca dentro da perspectiva neoliberal. Com Alberto Fernández, com ainda um ano pela frente para algo ser construído neste sentido. A cada ida, volto cada vez mais peronista. Viva também para essa Bauru resistindo ao imposto por essa banal e destrutiva administração bolsonarista suellista. Resistir e lutar é preciso. Sou dos que lutam e não desistem fácil. Volto para me engajar de corpo e alma na campanha que retirará definitivamente o "capiroto" de nossas vidas. Esse meu empenho para os próximos meses. Hoje ainda não, mas amanhã, quarta, já estarei pela aí, sendo, fazendo e acontecendo.

Eis meu texto de sete anos atrás hoje localizado pelo Facebook: “DESVENDANDO BA - O COLORIDO NAS CALÇADAS E MEUS PÉS: Duas coisas me chamam muito a atenção nas calçadas, dentre tantas outras a me mover por aqui. Cito essas para fomentar algo vindo de dentro, pessoal de cada individuo. Na primeira, acho lindo essas pequenas mercearias, quitandas que expõe na calçada as coloridas frutas e legumes. É, para mim, como se fosse um objeto de exposição, me quedo diante delas e fico curtindo aquela montagem, cores sobrepostas como se tivessem sido ali juntadas especialmente para o olhar de quem passa pelas ruas. E não é isso mesmo? São sempre comércios pequenos e na parada em alguns deles, percebi que na maioria existe uma divisão comercial. O comércio propriamente em si comandado por um argentino e o de frutas e verduras por um estrangeiro. Vi muitas peruanas se ocupando disso por aqui, numa subdivisão do minúsculo empreendimento. Na outra, algo bem meu, pessoal. Sou um adorador e usuário de alpargatas e por aqui as vejo com maior intensidade que no Brasil. A Paez, a maior delas, mas outras de menor monta vicejam pelas pequenas lojas. Me vejo babando diante de cada nova vitrine onde estão expostas alpargatas e isso atrasa minha caminhada e sempre sou puxado para continuar a andança. Impossível ir-me daqui sem levar algumas na bagagem. São pisantes macios, flexíveis e meus velhos pés já se acostumaram com sua malemolente modelagem. A rua me arrebata.

segunda-feira, 1 de agosto de 2022

MEMÓRIA ORAL (283)

CRÔNICA DO ROUBO DE MEU CELULAR NO CENTRO DE BUENOS AIRES

Imprudência total de minha parte. Desde antes da saída de Bauru, para estadia de doze dias em Buenos Aires, fui devidamente avisado dos perigos de tirar fotos nas ruas de grandes centros urbanos, ainda mais tudo agravado com a situação social de Brasil e Argentina. Tanto aqui como lá, grande quantidade de famélicos nas ruas em situação não só de rua, mas de marginalidade. Na falta de condições de subsistência, muito agravada a condição humana e daí, um pulo para pequenos delitos, feitos em sua maioria para a continuidade da vida e sobrevivência. Padeci pelo descuido.

No domingo passado, ao sair do hotel, na calle Viamont, andávamos pela avenida Nove Julho, havíamos cruzado a avenida Corrientes, bem defronte o famoso Obelisco, marco principal da cidade de Buenos Aires, quando saco o celular do bolso, no meio da agitação do lugar, me posiciono para tirar uma foto de Ana Bia, quando sinto algo tocar minha levantada mão. Foi tudo tão rápido e o jovem ladrão, com blusa pampera, com motivos militares, desses camuflados, sai em dispara pelas ruas Diagonal e Caravelas, desembocando na rua Rivadavia. Eu correndo atrás, quando o perdi de vista. Desesperado, corria e gritava pelas ruas, com mochila às costas, que voltasse: "Eu te pago, volte, pago para me devolver".

Antes de correr atrás do rapaz, um grupo de moradores de rua deitados na esquina da Diagonal com Caravelas, haviam demonstrado conhecer o rapaz. Na volta da correria, ainda em desespero, converso com eles, junto de Ana. Foi quando Micaela, companheira de outro ali deitado ao seu lado, num colchão debaixo de uma marquise se apresenta e diz conhecer o rapaz. Pede mil pesos (em torno de 20 reais) para ir atrás dele e me trazer o celular de volta. Dou, Braian, seu companheiro vai e ela fica ao nosso lado conversando. Tudo presenciado por um segurança, de obra no local. Brian volta em dez minutos, diz ter falado com ele, mas ele não aceita voltar e quer mais dinheiro para entregar o celular. Dou mais 2 mil pesos (por volta de 40 reais) e aguardo. Essa vez, ele se vai nos confins do lugar junto de outro que se aproximou, de nome Roberto. Em instantes, Micaela que estava ao nosso lado, junta suas coisas, as deixa guardadas na obra, com permissão do segurança e se vai. Esperamos mais dez minutos e todos somem.

Instruído pelo segurança da obra, me diz que não voltarão, ele liga para a Polícia e em instantes aparecem. Relatamos o ocorrido e somos aconselhados a ir prestar depoimento da delegacia mais próxima, pois de posse deste documento poderia acionar o seguro da Vivo. Eles nos levam até a delegacia, isso já por volta das 12h e daí uma maratona, até de lá sairmos, por volta das 17h30. Fomos muito bem atendidos. A polícia de posse de meu depoimento localizou dois dos ladrões. Os vimos detidos dentro do carro policial, Micaela e o ladrão, que não sei o nome - faltavam Braian e Roberto. Pelas leis locais, fui ouvido, os identifiquei, mas a polícia nada mais pode fazer. O próximo passo é dado pelo juiz que, decidiu mantê-los detidos, porém ouví-los vai demorar. Ou seja, pelo meu leigo entendimento, se ambos fossem ouvido de imediato, talvez uma chance de localizar no dia o aparelho, mas com os outros dois soltos e os detidos sendo ouvidos não se sabe quando, quase nenhuma possibilidade de recuperar o aparelho. Foi-se o que era doce.

Volto pra Bauru no dia seguinte, segunda e não tenho mais notícias do andamento das investigações por lá. Tenho e-mail do policial que nos atendeu, chamado ao local, por ter conhecimento de português e da delegacia local. Fez o serviço de tradutor junto a nós. Presencio mais duas ocorrências - nenhuma de roubo -, onde policiais falam em inglês e alemão. Não nutro mais esperança de recuperação e o próximo passo é tentar algo pelo seguro da Vivo, recuperação das imagens e arquivos guardados na Nuvem, daí tocar a vida e se precaver mais para não ter repetida situações como a ocorrida. Teria feito um acordo com eles, ali no momento, para recuparer, mesmo ciente do erro deste ato. Talvez desespero, sangue quente quando do ocorrido. Hoje, dois dias após tudo, já em Bauru, sei que, o ocorrido se repete não só lá, mas por todos os lugares deste planeta, onde as desigualdades estão cada vez mais latentes e pulsantes. Estamos diante de um mundo onde tudo está aí exposto, mas poucos podem adquirir esse algo mais e daí, os excluídos fazem de tudo e mais um pouco para participar do butim. O jogo é este, talvez sejam as peças com menos culpa no quadro apresentado. Os entendo e compreendo, escrevo regularmente sobre esses temas. Gostaria, se tempo houvesse, de conhecer mais da realidade da Micaela e dos seus nas ruas, fazer um amplo apanhado da situação vivenciada por estes, que pouco se difere dos que vivem abandonados nas ruas de São Paulo, na denominada Cracolândia ou mesmo, nas esquinas de todas nossas grandes cidades. Mas tudo ocorreu justamente um dia antes de voltar. Com certeza, iria voltar e tentar contatá-los para contar algo segundo a versão de como vivem e são discriminados.

A minha perda foi somente material. De todas as cronicas que pude escrever, com vivências in loco pelas ruas de Buenos Aires, essa mais uma delas. Ter passado uma tarde de domingo inteira dentro de um plantão policial argentino me foi muito revelador. Muita coisa até então por mim totalmente desconhecida veio à tona. Não sabia, por exemplo que, lá não existe essa divisão de Polícia Civil, Militar, Rodoviária e Federal. Todas são concentradas numa só e assim agem, não existindo as divisões e disputas ocorridas aqui no Brasil. Outro fato revelador e constatado in loco, foi de como as mulheres são melhores e mais ágeis no aprontar da descrição de um BO policial. Enquanto os homens se enrolam e demonstram dificuldade de transcrição, elas se saem muito melhor e a narrativa flui muito rápido quando investidas diante de um relato e sua transcrição para o papel. Outro fato, diferente do que vejo aqui, é a forma de abordagem para o cidadão, principalmente o mais vulnerável. Não existe o aperto quando da prisão para revelar o ocorrido. Simplesmente, fazem a detenção, levam para a delegacia e aguardam a decisão de um juiz, que diante dos fatos narrados, toma a decisão dos próximos passos. Minha cronica sai de forma rápida, ainda pulsando algo bem pessoal, mas no frigir dos ovos, trata-se de uma experiência, dentre tantas outras tidas por lá, de algo que fui em busca, o algo mais de um país visitado, não só em busca de turismo, mas de histórias. Com essa minha, dá para construir uma bem minuciosa. Um dos policiais, ao me identificar como jornalista - periodista para eles -, me diz: "Nesta tarde tens diante de si um painel bem amplo para muita escrita e reflexão". Concordei.

OBS. 1:
Como é por demais importante contar com a presença de amigos por perto, quando de situações como a ocorrida, ainda mais em países com procedimentos diferentes dos que vivemos. Durante toda a tarde contamos com dois fiéis amigos, Adrián Jara e Sergio Bauer, moradores do bairro de Boedo, amigos de longa data, da convivência nos congressos acadêmicos. Algo mais do que indescritível tê-los por perto e, ao final, fazendo questão de nos deixar na portaria do hotel.

OBS. 2: "Então, esse fato ocorrido com você, pode render um aprofundamento (matéria) sobre polícias e modelos de policiamento, segurança pública nos países da América Latina, suas diferenças. A Argentina tem uma polícia totalmente desmilitarizada. Já no Brasil essa instituição, criada por decreto da Ditadura Militar em 1970, acumula desde aquela época denúncias de abusos contra a população, muitos são milicianos, integram organização criminosa, fazem tráfico de drogas, etc. Só verificar as pesquisas de pessoas que foram mortas pela Polícia Militar. Ver os dados da Secretaria de Segurança Publica do Estado de SP? Só de SP. Essa separação das polícias no Brasil é errada, além de militarizada, violenta, etc. As polícias no Brasil, sempre tiveram ligação com grupos de extermínios presentes em suas forças de segurança pública. Como no Chile, a polícia é altamente militarizada. Aqui no Brasil, as forças de segurança dos Estados tem como política a repressão preventiva, e voltada para os jovens de setores populares, e seletiva, voltada para militantes de organizações sociais, etc. Mas a Argentina também esteve envolvida, na Operação Condor, formalizada em Santiago do Chile no final de outubro de 1975, uma aliança entre as ditaduras instaladas nos países do Cone Sul na década de 1970, Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Paraguai e Uruguai, para a realização de atividades coordenadas, de forma clandestina e à margem da lei, com o objetivo de vigiar, sequestrar, torturar, assassinar e fazer desaparecer militantes políticos que faziam oposição, armada ou não, aos regimes militares da região. Enfim, onde tem atuação militarizada, corrupta, assassina, saímos do Estado de Direito e caímos em um Estado Policial, fora de controle, que praticam massacres, genocídios na periferia, pobres e negros, etc. A função de limitar o poder punitivo, violento das polícias viria do judiciário, entretanto, assistimos no curso da história, muitas vezes, o Judiciário traiu sua função. Na medida em que os juízes traem sua função, tornam-se menos juízes, levando a um estado policial em que não há juízes, mas policiais fantasiados de juízes. Foi o que aconteceu na Alemanha nazista. Etc. etc. etc", comentário da advogada bauruense Maria Cristina SAnt'Anna Zanin.

OBS. 3: As fotos são meramente ilustrativas e foram sacadas do google argentino.