quinta-feira, 21 de abril de 2011

ALGO DA INTERNET (44)

O MARACANÃ VINDO ABAIXO E A PANELA DE PRESSÃO SENDO REVITALIZADA
Vamos todos dar uma paradinha em tudo o que estamos fazendo nesse início de feriado para chorar. Eu choro copiosamente ao adentrar o Rio de Janeiro nessa quinta-feira, 21/04 e ver o que havia lido ontem, ESTÃO COLOCANDO O MARACANÃ ABAIXO. Não consigo acreditar que em nome do dinheiro, conseguiram algo que ninguém imaginaria possível, destruíram o maior estádio do mundo. Pior que tudo é que eu, um adepto lutador pela defesa do Patrimônio Histórico, leio que o IPHAN aprovou tudo. Sentir a poeira no ar ao passar ao lado do estádio nessa tarde de quinta, uma poeira dessas que entra nos olhos e me faz lacrimejar copiosamente. O dinheiro realmente é um dos males mais destruidores do mundo. Tudo é permitido em seu nome. Derrubam um estádio que acabou de passar por uma reforma há pouco mais de dois anos e ali no seu lugar, com uma avalanche, uma tsunami de dinheiro público, bancada pela dona FIFA, tendo como capataz Ricardo Teixeira da CBF e infelizmente aprovada pelo governo de Dilma Rousseff. A vergonha ocorrida na reforma e construção dos estádios para futura Copa, Olímpiada são o que de pior existe nesse país. Putrefação total. Tive o prazer de ano passado, ao lado de meu amigo bauruense, Duílio Duka assistir a um jogo, Flamengo 1 x 0 Botafogo no Maracanã, logo depois da Copa 2010. Foi a minha despedida. Guardo isso na memória, em fotos e imagens que nunca mais esquecerei. Na denúncia da pouca vergonha, dois textos retirados ontem da internet, de duas pessoas das mais corajosas desse país, JOSÉ TRAJANO no http://blogdojuca.uol.com.br/2011/04/o-maraca-nao-e-mais-nosso/ e JUCA KFORI no http://espn.estadao.com.br/josetrajano/post/186934_VIDEOBLOG+NAO+SOMOS+CONTRA+COPA+NEM+OLIMPIADA+SOMOS+CONTRA+FALTA+DE+TRANSPARENCIA+E+PLANEJAMENTO . Por sorte ainda temos jornalistas como esses a escancarar que o REI ESTÁ NU, PELADINHO DA SILVA e poucos, mas muitos poucos mesmo tem a petulância de apontar o dedo para sua indecência. A casinha lá da rua Araújo Leite, a dos Pioneiros de Bauru está caindo aos pedaços, com os proprietários aguardando ansiosamente a tal da desapropriação a baixo custo, enquanto que dinheiro para reformar a Panela de Pressão, onde o basquete mandará seus jogos é coisa que vai acontecer num vapt-vupt. Li que lá serão gastos R$ 300 mil reais e que quando o dinheiro sair, em trinta dias tudo estará pronto. Veremos o que ocorrerá lá além do basquete. Guardadas as devidas proporções, vergonhas à parte, o vício do sistema é refazer tudo com dinheirama pública. Uma festa. Eu não quero me adaptar a aceitar isso, não quero compactuar com isso, não quero nem entender direito para não me estressar mais. Deixa eu aproveitar um pouco desse feriado...

quarta-feira, 20 de abril de 2011

DICA (74)

CADA UM PÕE NO CARRO O ADESIVO A ESPELHAR O QUE É
Algo que virou uma grande febre nos carros dos brasileiros é adesivar a traseira com personagens da MINHA FAMÍLIA. De início até achei interessante a idéia, mas hoje repensando a coisa, acho uma grande bobagem. Primeiro porque damos dicas interessantes para sermos abordados por quem quer que seja e já com algum conhecimento prévio sobre algo sobre mim. Quer dica melhor para um larápio do que já ver estampado no carro ser aquele de um casal de idosos, ou uma mocinha indefesa admiradora da Sininho, ou ainda uma mulher sozinha e sua pimpolha? Gosto da criatividade do brasileiro, de ele diante da possibilidade de montar colagens de adesivos e colar no seu carro fazer alguma coisa que chame a atenção, demonstre sua alegria, irreverência, essas coisas. Mas esse mundo é perigoso e alguns, os mais ligados no consumismo, acabam exagerando na coisa. Tem carros cheios de aparelhos outros que o sujeito possui e tá tudo ali mostrado na traseira do carro. Isso me faz lembrar-se da revista “Caras”, que estampa a casa do sujeito inteira, cômodo por cômodo, facilitando em muito o trabalho de mapeamento de quem deseja larapiar algo por ali. A coisa dos adesivos virou moda e quando parte para esse lado, fico sempre de fora. Nessa semana comecei a reparar nos adesivos, vi de tudo um pouco e muito bem espalhado pela cidade, verdadeira febre. Alguns, alertados pela polícia, após uma matéria na televisão acabaram retirando os mais chamativos dos carros, mas como um acaba achando bonito o do outro e eles estão sendo vendidos em tudo quanto é banca, desde as de jornais, camelôs, bombonieres, etc, o chamarisco é grande. Meu carro ainda é a moda antiga, tem alguns adesivos, mas o que mais quero colocar ainda não o fiz e só por causa dessa movimentação toda acabei pesquisando na internet, achando um local onde fabricam o que quero para todos os gostos e preferências. Como me disse uma amiga, “boi preto anda com boi preto”, não quero nada disso de juntar familiares na lataria do meu meio de locomoção, quero mesmo é colocar um CHE e aqui vai a dica: http://www.zazzle.com.br/che+guevara+adesivos+carros

terça-feira, 19 de abril de 2011

MEMÓRIA ORAL (103)

CRÔNICA DE UMA MORTE ANUNCIADA
A saga hoje aqui relatada é a minha e de mais 499 bauruenses, que no último domingo, 18/04/2011, viajamos de Bauru a Itu, para tentar empurrar um time de futebol, o Esporte Clube Noroeste, aqui da nossa aldeia, numa tentativa tresloucada para escapar do rebaixamento, na última rodada do Paulistão de Futebol 2011, fato esse que o levaria para a segunda divisão ou o faria continuar navegando junto aos times mais vistos e bem pagos do estado. Um domingo de festa, tendo início na feira dominical, desfile junto da Maria Fumaça Noroestina do artesão Chico Cardoso a unir os vermelhinhos na rua.

O título utilizado nesse texto é dos mais propícios e cópia assumida de livro de Gabriel Gárcia Marquez, um colombiano a escrever como poucos, retratando as agruras de um povo enganado e tripudiado a séculos, cheio de crenças e acreditando, como nós daqui, em milagres terrestres, sem querer enxergar algo muito sórdido, oculto pelos bastidores de vis negócios. Negócios esses embutidos em tudo o que se faz por aqui, seja futebol, trabalho, vida pessoal, passos na esquina, afinal, vivemos num mundo onde o senhor é o capital. Eu, amante de futebol, pareço não ter entendido que ele não é mais feito como antigamente, com romantismo e amor a camisa. Hoje é mais um lucrativo negócio, “brincadeira de gente grande”, como dizem alguns, “para poucos”, complementaria outros. Eu ainda amo o time da minha cidade, por ele perco o sono, a calma e até as estribeiras. E faço loucuras.

Não sou o único nisso, pois noto a existência de uma legião, pequena por sinal, de abnegados noroestinos que pensam e agem iguaiszinhos a mim. Acredito que o grupo esteja em torno de umas mil pessoas. Não querem saber do que acontece nos bastidores, como a coisa se processa, querem é continuar tendo um lugar para se distrair, passar alguns momentos de envolvimento com algo que gostam de verdade, no caso o futebol. Faço isso desde a me conhecer por gente e acredito não mudarei enquanto viver. Esse ano a coisa foi sofrível, o time não se deu bem desde a primeira rodada, um desencontro atrás de outro e a esperança sendo renovada a cada rodada. “Na próxima ganharemos”, era o lema de todos. Isso não vingou e desencadeou que na última rodada, além da necessidade de ganharmos o jogo, teríamos de contar com uma sucessão de resultados para escapar da degola. E se não deu certo no campeonato inteiro, por que deveria dar agora?
Adrenalina a mil, todos mais do que cientes de que o time não foi nada confiável em 18 jogos, mas tentando acreditar no lema de que a “esperança é a última que morre”. Isso justamente na última rodada, a 19. Entramos numa barca muito em moda nessas ocasiões. Um ex-presidente do clube, Cláudio Amantini, associado a alguns empresários, paga transporte e entrada para 500 torcedores deslocarem-se quase 300 km daqui e dar a força final para o time. Não deu nem tempo de discutir como isso foi feito, o fato é essa legião acabou gostando da idéia e na manhã do último domingo, todos na sede na única torcida organizada, a Sangue Rubro, lugar garantido com reserva antecipada e o embarque no denominado “trem da alegria” (trem, aliás, é o símbolo do time).

Os torcedores vão chegando dos mais diferentes lugares, todos com as cores vermelho e branco, estampas da torcida e do time no peito, numa festa na rua. Amantini acompanha o embarque, Renato Alves e Pavanello, da torcida organizada idem, correndo para que ninguém se atrase e todos cheguem com tempo de folga em Itu. “Estarão nos esperando na entrada da cidade, o pessoal da Polícia Militar fará uma revista e escolta até o local pré-determinado no estádio”, me diz Pavanello. Escolho um dos ônibus e junto de Aldo Wellichan, munido do mesmo espírito, embarcamos na viagem. Problema mecânico logo nos primeiros 40 km, resolvido com a troca do ônibus, com 30 minutos de atraso, recuperados na parada e reencontro com o resto do comboio. Lanche rápido, enxame coletivo, barrigas devidamente cheias e o restante do trecho com cantorias mil dentro de todos os ônibus. Alegria incontida, talvez a esconder apreensão que acometia a todos, mesmo sem se fazer notar.
Na chegada outro pequeno desajuste. Justo o ônibus em que me encontrava perdeu-se do grupo e adentra isolado a cidade. Da apreensão inicial, pois estaríamos à mercê de torcedores do time adversário, tudo certo e a chegada até antecipada no estádio. Palavras duras de um comandante da PM, dizendo-se ser o dono do pedaço e ditando regras. Na entrada, duas pessoas já designadas para entrega dos ingressos, revista feita e um amplo local para a torcida bauruense. O time adversário, dois pontos abaixo de nós, padece dos mesmos problemas e tenta se safar da degola, precisando ganhar a todo custo. A torcida, mesmo com preços reduzidos não comparece em bom número e após o reencontro com muita gente conhecida de Bauru, abraços mil, troca de informações, abraços e dedinhos cruzados, o jogo vai começar.

Bandeirona desfraldada sob a torcida, batuque bem organizado, balões de gás voando, o time vem agradecer a presença da torcida, mas ao começar o jogo a ficha começa a cair para todos. A apatia de todos os outros jogos se repete ali, justamente num dia onde o coração precisaria estar na ponta das chuteiras. Com o passar do tempo, uma única e decisiva chance de gol perdida e fisionomias mudando na face de todos. O time não correspondia novamente e assim se sucedeu. Toma um gol no primeiro tempo, outro num pênalti duvidoso no segundo tempo, o craque do time jogando vinte minutos e sendo expulso e nada mais a fazer do que o resignado entendimento de que tudo não passou de um sonho. E ele estava desfeito.

O Ituano, o adversário escapa do rebaixamento na “bacia das almas”, contando, além da vitória ali conquistada, com a vitória de um outro time. Para eles, festa, invasão de campo e alegria, para nós, tristeza e nada mais. Olhares incrédulos para o campo, fixos num horizonte distante e inatingível, incertezas sobre o futuro e agora o voltar para casa. Não vejo manifestações contundentes por algo que deveria ter sido conquistado e não o foi. Pelo contrário, todos ali parecem já previam que o que aconteceria e não deu outra, foi o que ocorreu, sem tirar nem por. Lamentações, histórias revividas de pontos que poderiam ter sido ganhos, os craques que desapontaram, os dirigentes ineptos, o dono da grana que não dá ouvidos à cidade e um time que cai. Da festa da vinda, uma tristeza tão encruada em todos, permitindo até uma soneca sem sobressaltos para quem desejasse assim fazê-lo. Despedidas melancólicas e a promessa de reencontro em algum torneio que porventura aconteça no segundo semestre. Falar o que mais?


Assentar a poeira, ver como é que fica, aguardar o algo novo, rescaldo disso tudo são as frases mais ouvidas nesse momento. Opiniões lúcidas de todos que acompanharam o time durante o campeonato todo, unânimes em afirmar que tudo começou errado, um grupo empresarial agindo em desacordo com os interesses da cidade, um dono prepotente e sem querer dar ouvidos aos torcedores e aos clamores de gente que entende do riscado e prenunciavam os erros. É triste ficar de fora do banquete dos melhores, do grupo de elite (mas você não é contra a elite? - sic), mas por aqui algo a mair precisa ser pensado e definido: Qual o Noroeste que queremos? Um com dinheiro no caixa e sem identidade com a cidade ou um com gente daqui, grupo com menos recursos, mas dando atenção para interesses que não os do time? E quem poderia representar esse algo novo para o Noroeste? E se Damião puxar o carro? Incertezas que ninguém ainda possui as respostas.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

CARTA (62) E ALGO MAIS DO DOMINGO

A RELIGIÃO NOS MEIOS DE COMUNICAÇÃO - carta publicada na Tribuna do Leitor, Jornal da Cidade - Bauru SP, edição de ontem 17/04/2011, depois de pauleira generalizada entre adeptos de variadas religiões, cada uma afirmando ser a sua a única indicada pelo dedo divino, dou meu pitaco.

O que mais se repete na seção de cartas dos jornais é a discussão em torno da religião. O tal do chover no molhado. Um não reconhece o outro, um mais iluminado que todos os outros, só a dele é original e por aí afora. A maioria renega a ciência, deixam de lado o comprovado por séculos de evolução e estudo para ficarem ao lado de crenças. Obscurantismo total. O que nos levará a isso? Tempos inquisitoriais, intolerância cada vez maior e principalmente com aqueles que pensam e se negam a caminhar como manada. Isso tem pouco conserto, pois tudo é permitido, em nome de uma suposta liberdade, falam o querem, defendem absurdos, profanam verdades históricas. A fé cega leva qualquer um ao abismo. A contestação deveria mover o mundo, instigar, provocar, querer saber, buscar respostas e não seguir dizendo amém sem entender direito o que lhe é imposto. O medo de um suposto castigo celestial cega e cala a maioria inculta.

Querem uma séria discussão para já? Ouçam o rádio, qualquer uma das rádios, daqui e de qualquer lugar, liguem as TVs, quase todas e constatem as aberrações. Um crime de lesa consciência. E vamos ficar indiferentes? Controlar e criminalizar isso é mais do que necessário, mas não só dos que cospem aquelas imbecilidades nos nossos ouvidos e olhos, mas também em quem vende horário para isso. Todo crime tem dois lados, o do corrompido e o do que corrompe. Aqui explícito algo a demonstrar que por dinheiro alguns vendem a alma para o capeta e ficam posando de santinhos. Do pau oco, afirmo eu.

Está mais do que na hora de regular a massificação religiosa no rádio e na TV. A tal da finalidade democrática da comunicação é ferida diariamente pela pregação criminosa e desmedida, dando sustentação a algo contra qualquer legislação existente. Concessão pública de comunicação não foi feita para isso. Trata-se de um exercício de poder o visto hoje, pois não é mais necessário ir a templo algum, bastando um mero clicar e o dinheiro é transferido de um bolso para outro. Como não quero ver pregações políticas ostensivas nos meios de comunicação, idem para a religião. O espaço público está sendo privatizado. Tem rádio e TV loteados com contratos de gaveta, todos ilegais e com aberrações no ar. O que mais se vê são manifestações preconceituosas e de intolerância religiosa e todos do lado de cá de mãos atadas, como se nada estivesse em curso.

Não discuto liberdade de crença, cada um acredita no que lhe convier, mas o uso abusivo e indiscriminado dos meios de comunicação para massiva pregação e até sua sustentação econômica é algo a merecer ampla discussão e uma regulação imediata. Esse pessoal já passou dos limites do tolerável. Alguns já deveriam estar sentados no banco dos réus e outro tanto detidos. Até quando vamos tapar o sol com a peneira?

ALGO MAIS DO DOMINGO, A PARTE MATINAL, 17/04/2011
Ontem era um dia especial, domingo de sol e com uma expectativa no ar. O Noroeste fazia sua despedida do Paulistão 2011, num jogo de vida ou morte em Itu, contra o Ituano, decidindo se continuaria na 1ª Divisão ou cairia para a 2ª. Diante disso, tudo a ocorrer em Bauru antecedendo o jogo seria sobre o futuro do time da cidade. Na feira dominical um pouco disso, com muitos transitando logo pela manhã com as camisetas do clube. Chico Cardoso, um aposentado da ferrovia, amante de trilhos e trens, noroestino da melhor cepa, artesão de peças em madeira estaria na manhã participando de mais uma Feira Estação Arte junto à Feira do Rolo e à estação da extinta Cia Paulista, reunindo arte, artesão e arteiros culturais da cidade. A Maria Fumaça apitava logo no clarear do dia anunciando fumacê na beirada dos trilhos e nos falantes, som irradiando a música de Caetano Veloso, em trilha preparada por Wellington Leite. Chico prepara uma novidade para todos com a fabricação de uma peça única e a homenagear o time de toda a cidade. Criou uma locomotiva, o próprio símbolo do time, com as cores vermelho e branca, tendo estampada o escudo do time em suas laterais. O trenzinho não é pequeno, sendo desses de empurrar e a caber uma criança dentro. Desce a feira toda empurrando seu trem e chamando a atenção de todos. Curiosidade total. Crianças queriam subir e adultos curiosos com o som de um trem verdadeiro. "É simples, uma lata cheia de pedrinhas girando e emitindo um som igual ao da Maria Fumaça", responde. De todos os econtros, um deles, com o ex-jogador noroestino Valeriano, hoje de bengala, emocionou a todos. Muitos param para fotos e após mais de uma hora fora dos trilhos, chega finalmente ao final da linha, ou seja, estaciona seu trem noroestino na gare junto à sua barraca. Chico pulsa Bauru, pulsa Noroeste, pulsa um amor pela cidade e algo a denotar ser um artista voltado para o sentimento popular de todos nós. Precisamos muito de pessoas assim, abnegadas a criarem algo novo a demonstrar a existência de uma Bauru a pulsar pela sua verdadeira identidade. Gosto é dessa Bauru, a da baixada a fazer frente a das alturas e demais desse Chico, meu amigo e um trabalhador a representar condignamente essa cidade. A história do resultado de um jogo conto amanhã, numa saga ainda não totalmente escrita, mas com título já escolhido, "Crônica de uma morte anunciada".

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- Ainda ontem, atinjo a marca de 100 (cem) seguidores nesse blog. Marca redonda que muito me orgulha.

domingo, 17 de abril de 2011

MEUS TEXTOS NO BOM DIA (120 E 121)

DISPUTAS INTERNAS – publicado diário bauruense BOM DIA em 09/04/2011
Dói criticar a atual administração municipal. Explico. Quando da eleição existiam duas candidaturas bem distintas, mesmo possuindo semelhanças visíveis. Duas correntes, uma mais popular, com conotação de atendimento aos anseios da maioria mais carente da população e do outro, a dos defenderem os mais abastados, o poder econômico, o dos que se acham, mesmo não sendo nada disso. Mesmo tendo plena ciência de que essa mais popular era um verdadeiro balaio de gatos, ali algo muito mais palatável, com alguns interessados em verdadeiramente transformar essa cidade, atuar sem se beneficiar dos que mais precisam. Esse o motivo por ter votado ao lado desses, depois vitoriosos. Hoje, passados mais de dois anos da administração, uma queda de braço ocorre e precisa ser entendida. Dentro do grupo vencedor, esse que governa, existem antagonismos. Um nitidamente mais voltado para o social e outro mais elitista e conservador, igual às correntes em disputa na eleição. Disputa hegemônica dentro das ações da administração. Puxando a brasa para o seu lado, cada um tenta se impor como o mais correto. O prefeito foi eleito pela população bauruense por causa do seu discurso em prol de avanços sociais. A eleição foi decidida por esses. Perceptível que os a almejarem uma postura mais elitista, demonstrem descontentamento e pressionem. Vencendo esse lado, além de exporem o prefeito pelo não cumprimento das promessas de campanha, tornará o restante do mandato cada vez mais enfraquecido. Acredito que Rodrigo ainda penda pelo lado de quem o elegeu, mas sofre constante e dura pressão. E mais, com Caio prefeito teríamos algo muito pior do que temos hoje. Rodrigo precisa entender isso e reencontrar seu caminho.

PUXAR A BRASA PARA O SEU LADO – publicado diário bauruense BOM DIA em 17/04/2011
Escrevo sempre sobre a parcialidade do que ouço, vejo e leio na mídia brasileira. Muito do pensamento único a dominar o mundo, pendendo quase sempre para o lado do capital e de grupos econômicos. Ausência de honestidade intelectual ao apontarem erros vergonhosos nos adversários, não enxergando nenhum nos a representarem seus interesses. Perniciosos a extremo, deixando clara a parcialidade, pois quando o grupo a que pertencem detém poder, nenhuma declaração de descontentamento. Detesto as declarações a circunscrever todos nossos escândalos como obra única petista. Com o mensalão é assim. Não mencionam a origem em Daniel Dantas, PSDB mineiro e FHC. Esconder isso é faltar com a verdade. Caolhice em nome de um amor pelo outro lado, inconfesso por sinal. Distorcem e mentem quando necessário e às favas o jornalismo. Remeto isso para Bauru, exemplificando num programa jornalístico na rádio AM Jovem Auri Verde, o “Plantão das Seis” (18h às 18h20), com apresentação de Silvestre, Chico Cardoso e um “Consultor” (sic). Escrachadamente anti-petistas e a favor dos tucanos, talvez reflexo do pensamento do dono do empreendimento. Lembro das críticas vorazes ao governo Tuga e do endeusamento, feito até hoje ao de Nilson Costa, por manter ali publicidade regiamente paga. Hoje, uma ironia incontida com tudo o que denote Governo Federal, PT, MST, Sindicatos e Movimentos Populares e um dourar de pílula para tucanos, Governo Estadual e ícones destes, como Alckmin, Serra, Tobias, Ives Gandra, até com reverência servil aos golpistas de 64. Escondem terem um lado. O dinheiro ilícito do outro é um absurdo, o do patrão nem comentado é. Que jornalismo é esse? Isso é um cadinho do a ocorrer nacionalmente nas nossas rádios, jornais e TVs. Exemplos outros existem aos borbotões e quem paga o pato são os ouvintes, leitores e telespectadores, ou seja, nós, que compramos gato por lebre.

HOJE É O DIA
- Desculpem a pressa, mas compromissos outros com a felicidade me fazem abandonar o mafuá de forma rápida e intempestiva, viajando junto da Sangue Rubro para ITU, presenciar o Noroeste escapar do rebaixamento (toc toc toc). A história desse dia eu conto depois de passado o sufoco...

sábado, 16 de abril de 2011

CHARGE ESCOLHIDA A DEDO (39)

WOLINSKI NA INDEFECTÍVEL “PIAUÍ” E A BUNDA DE SIMONE

Tem coisas na vida pelas quais nos envergonhamos. Uma das minhas é continuar lendo mensalmente a revista “Piauí” (http://www.revistapiaui.com.br/ ). Faço isso desde o seu lançamento e nesse mês a edição de nº 55. Gostei do formato logo de cara, estava órfão com o fim d’O Pasquim 21 e cai de boca, sem deixar por um só momento de saber ser ali um enrustido reduto da perniciosa direita brasileira e, disfarçadamente (eles bem que tentam com brincadeirinhas vis), do PIG – Partido da Imprensa Golpista. Não compro gato por lebre. Mário Sérgio Conti como Diretor-responsável e a família Moreira Salles com a financiadora e mantenedora do negócio, só poderiam estar de um lado. E estão. Nessa última edição, capa linda com o traço do Wolinski e um destaque desproporcional (a maior matéria da revista até então) para o texto de Pérsio Arida, relatando sua vida, primeiro de militante de uma esquerda quase armada, Var-Palmares, para ser o big boss do tucanato e do neoliberalismo nativo. Aqui um pequeno parêntese a lembrar frase de Plínio de Arruda Sampaio para Dilma num dos debates eleitorais: “Eu ter vindo da direita para a esquerda, ótimo isso. Pior, esses irrecuperáveis, os que estiveram na esquerda e hoje fazem e acontecem na direita. Esses os piores”.

Essa é a Piauí que leio e até gosto de muita coisa lá encontrada, principalmente a tentativa de imitar a novaiorquina The New Yorker (http://www.newyorker.com/ ). Arremedo ou não, espremo esse limão (gosto do azedume) e saboreio somente o seu supra-sumo. Agora mesmo não consigo parar de delirar com os cartuns do francês argelino Georges Wolinski espalhados por toda a revista, retirados do delicioso livro deste, “A sexualidade da França de De Gaulle a Sarkozy”. Entrei em êxtase com todos, mas em especial com um, esse a me remeter a algo pessoal. Na página 70, retratando algo dos Anos Sarkosy, uma tira com o título “A face oculta de Simone”. Sim, é dela, Simone de Beauveir (retratada também num outro texto, “Permanência e Desfiguração”). Ele escreve como se supostamente tivesse 50 anos, exatamente minha idade e descreve algo sobre a famosa foto póstuma da Simone, a com a bunda exposta. Linda, maravilhosa, divinal... Quando a vi pela primeira vez, fiquei de queixo caído, como Wolinski e tantos outros. Tudo o que ele escreveu é exatamente o que penso. Reproduzo aqui e indico a leitura do restante dos seus cartuns gastando os R$ 12 reais do preço de capa. Só por isso vale muito a pena.

Tá tudo aqui, exposto e declarado. Sou assim, penso assim. Lembro de algo com o amigo Marcos Paulo, que além dessa Simone possui outro sonho de consumo, Jane Birkin. Ambas divinais e com posicionamentos de vida a encantar qualquer homem metido a pensar em juntar sexo com cabeça pensante. Relação conjugal para mim é um pouco disso. Tenho a minha Simone, Ana Bia, refletindo exatamente um cadinho disso tudo. Ela é única, universal e transcendente. Eu é que deixo a desejar no papel de Sartre. Ela percebe isso, releva e tocamos o barco. Declarações à parte, me deu vontade de escrever disso tudo e cá está para avaliações outras. Alguém daí do outro lado ainda lê a Piauí? Conversemos então...

sexta-feira, 15 de abril de 2011

RETRATOS DE BAURU (99)

MARCIA NURIAH, A BAILARINA BATENDO AS ASAS
Querem um nome aqui em Bauru a representar a ética profissional por excelência? Marcia Nuriah é um dos que primeiro me vêem à mente. Ela é autêntica em tudo que faz, profissional como poucos, vai atrás, sua a camisa, faz e acontece. Sempre foi assim e não sabe fazer de outro jeito. Uma batalhadora essa singular pessoa, idealizadora do Grupo Folclórico Nuriah e do Festival Internacional de Danças Árabes de Bauru, que desde a criação acontece na cidade, mas nesse ano, bate asas, assim como ela. Marcia literalmente cansou, vai embora na próxima segunda junto do marido e dos filhos para a Holanda, onde fixa residência. A professora, bailarina e coreógrafa condecorada e reconhecida perdeu as esperanças e porque não dizer, a calma, para continuar esperando pelo algo novo. Segue a vida, deixa seu curso ministrado a anos na sede do Ballet Vitória Régia, que agora será ministrado pelas ex-alunas Mariana Piccirilli Oliveira e Patrícia Tsumoto. Vai continuar fazendo tudo o que mais gosta na vida do outro lado do oceano, no país de seu marido. Além de nunca ter seu nome envolvido a modismos, galgou e conquistou o que é hoje com trabalho sério, resumida numa fala ontem quando ministrou a última aula para suas alunas: “Minha dança é alicerçada num monte de conhecimento técnico. Estudei muito, aprendi a dançar valorizando a história do mundo árabe, onde está inserida a minha dança. Malhei vocês no ferro aqui na escola, mas sempre com humildade. Não tem nada pior do que as pessoas que se acham. Vivemos num mundo em que a ética morreu. No lugar do humanismo entrou o hedonismo, o consumismo. Com a contracultura pregávamos valores solidários e hoje predomina a conveniência, o eu, o egoísmo exacerbado. Levo em conta que o colonizador nunca valorizou a cultura do colonizado e quando me vêem somente como dançarina de dança do ventre, repudio a erotização que procuram fazer. Eu sou uma artista que não produz metal, produzo pensamento, passo idéias. Aqui na escola, digo que aprendemos ‘hesbollah’ e não a rebolar”.

OBS FINAL E CONCLUSIVA: Ontem, deixei outras tarefas e fui assistir uma parte de sua última aula noturna, tendo o privilégio de presenciar sua fala às alunas. Da angústia da despedida, muitos desabafos e a constatação de se estar diante de uma pessoa diferenciada. Por fim a notícia de que o Festival de Dança não ocorrerá em Bauru nesse ano: “Ele vai para a Barra Bonita. O nosso teatro está sem condições e não terá nunca se a grande reforma feita ali não começar pela própria avenida Nações Unidas. Gastando dinheiro só no teatro e nenhum na Nações, na primeira chuva tudo se perderá. O Rodrigo sabe disso e acredito não jogará dinheiro fora. Não posso deixar um festival dessa magnitude a mercê de picuinhas, não ser valorizado. Cheguei a ouvir de um funcionário do teatro que para ele pouco importava, acontecendo o festival ele teria que vir e trabalhar e não ocorrendo, ficaria em casa. Falta compromisso. Falta tanta coisa. Três gestões com problemas e nos rescaldos acho que o melhor foi o Vinagre. Um dia acredito que o Festival possa voltar para Bauru. O pessoal da Barra estavam atrás de mim faz muito tempo, chegou o momento de mudar”. Recuperando-se de uma cirurgia a viagem será de navio, com tempo para contemplações e reflexões. A despedida de Bauru é na próxima segunda, 18/04 e ainda dá tempo de lhe dar um forte abraço, como fiz questão de fazer na noite de ontem. Para finalizar assistam o vídeo com uma pequena amostra de sua emocionada fala, antes da despedida preparada por suas alunas.

OBS MAIS DO QUE FINAL: Marcia sabe que sou um péssimo fotógrafo, uma das deficiências desse mafuento escrevinhador. Eu tento e ela deve compreender isso, como boníssima pessoa que é.