PRATICAMENTE INEVITÁVEIS DESTOMBAMENTOS DE IMÓVEIS EM BAURU - TUDO JÁ DECIDIDO Na seção Entrelinhas do Jornal da Cidade, edição de ontem, domingo, 05/05, a confirmação de tudo o que haviam me adiantado semana passada: "Conselho - O secretário de Cultura, Rick Ferreira, vai chamar uma reunião do Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural de Bauru (Codepac), na semana que vem, para que seja definido um presidente. Em seguida, devem ser colocados em votação processos que estão parados há mais de dois anos, período em que o Conselho ficou inativo. Entre eles, constam o destombamento do Hotel Milanez e da Casa dos Pioneiros, e alteração em pontos do tombamento do Aeroclube".
Destrincho o agora proclamado. Irão ocorrer destombamentos dentro do que já foi tombado em tempos idos pelo CODEPAC - Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico e Cultural de Bauru, com imóveis de reconhecido valor histórico na cidade. A movimentação nesse sentido já ocorreu e agora, analisando friamente a retomada dos trabalhos do referido Conselho, quando na maioria dos votos, o poder público, ou seja, os interesses representados pela Prefeitura Municipal não perdem em nenhuma hipótese, a única conclusão plausível, possível e límpida, cristalina é que sua reativação se deu única e exclusivamente para sacramentar os destombamentos.
A Prefeitura talvez não deseje os destombamentos do Hotel Milanez (esquina da Rodrigues com Monsenhor Claro) e a Casa dos Pioneiros (Araújo Leite, quadra acima da Nuno de Assis), mas age sob pressão e percebe-se, se submete a eles e aos interesses em jogo. Aberta a porteira, creio que o melhor é acabar de uma vez por todas com isso de querer se preservar alguma coisa histórica por essas plagas, pois todos os demais (e a fila será grande) exigirão a mesma coisa. Não existiu, não existe e não existirá dentro das atuais condições nenhuma possibilidade do poder público ser o mediador entre as partes, o proprietário do bem tombado e o bom uso das leis de defesa desses bens, inclusive de incentivo para restauro, recuperação, pois isso, segundo os que detém o poder da caneta hoje, são incompatíveis com quem de fato impõe as regras do jogo, a especulação imobiliária.
O CODEPAC perdeu o jogo e se verga, pois as forças contrárias e a impor o destombamento, além de representarem o interesse do mais forte, não existe condições de se propor algo ao contrário. Explico. Se fosse convocada uma equipe neutra, com especialistas nesse quesito, algo de concreto poderia ser definido como luz no final do túnel. Seria ótimo a existência de um plano de trabalho, uma regra a ser seguida, mas pelo visto, impensável dentro do que já está decidido. Pura perda de tempo discutir. A lembrança do único destombamento ocorrido na cidade é trágica. Ocorreu com a edificação das Indústrias Matarazzo, junto aos trilhos férreos, vila Cardia, entre o Quartel da PM e o hoje Boulevard Shopping. A administração Izzo Filho determinou que assim seria e foi, não dando lhufas para a grita ao contrário. O mesmo deverá ocorrer agora.
Seria de bom alvitre consultar especialistas e mais que isso, voltar a se bater na tecla do que o proprietário pode desfrutar de benefícios tendo seu imóvel tombado. Até o presente momento, nada disso ocorreu e nem deve ocorrer, pois a nota que fizeram circular pelo jornal é curta, reta e direta. Tudo já está sacramentado. Quanto ao Aeroclube, a especulação venceu e a margem daquele espaço, que dá para a avenida cult da Zona Sul, a Getúlio Vargas terá em breve a mesma destinação da outra, toda ocupada com investimentos privados. Será o boom do mercado nos próximos meses, pois a liberação para construção nas laterais já deve mexer e muito com o mercado imobiliário. O prefeito assim decidiu, teve que reativar o Conselho para sacramentar e legalizar tudo e o que se verá nos dois destombamentos citados e em outros tantos é algo bem simples, terra arrasada. O progresso que alguns dizem ser mais que necessário no velho centro da cidade não se dará pela revitalização de suas edificações, mas sim a derrubada e construção de novas, dentro do padrão de modernidade (sic) vigente.
Se não for isso o que estiver em curso eu me castro em praça pública. Creio, nem um abraço coletivo salvaria o que virá pela frente...
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| Nem um abraço aos imóveis a serem destombados os salvarão da degola em Bauru. Aqui jaz... |























