terça-feira, 7 de maio de 2019

DOCUMENTOS DO FUNDO DO BAÚ (129)


PRATICAMENTE INEVITÁVEIS DESTOMBAMENTOS DE IMÓVEIS EM BAURU - TUDO JÁ DECIDIDO
Na seção Entrelinhas do Jornal da Cidade, edição de ontem, domingo, 05/05, a confirmação de tudo o que haviam me adiantado semana passada: "Conselho - O secretário de Cultura, Rick Ferreira, vai chamar uma reunião do Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural de Bauru (Codepac), na semana que vem, para que seja definido um presidente. Em seguida, devem ser colocados em votação processos que estão parados há mais de dois anos, período em que o Conselho ficou inativo. Entre eles, constam o destombamento do Hotel Milanez e da Casa dos Pioneiros, e alteração em pontos do tombamento do Aeroclube".

Destrincho o agora proclamado. Irão ocorrer destombamentos dentro do que já foi tombado em tempos idos pelo CODEPAC - Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico e Cultural de Bauru, com imóveis de reconhecido valor histórico na cidade. A movimentação nesse sentido já ocorreu e agora, analisando friamente a retomada dos trabalhos do referido Conselho, quando na maioria dos votos, o poder público, ou seja, os interesses representados pela Prefeitura Municipal não perdem em nenhuma hipótese, a única conclusão plausível, possível e límpida, cristalina é que sua reativação se deu única e exclusivamente para sacramentar os destombamentos.

A Prefeitura talvez não deseje os destombamentos do Hotel Milanez (esquina da Rodrigues com Monsenhor Claro) e a Casa dos Pioneiros (Araújo Leite, quadra acima da Nuno de Assis), mas age sob pressão e percebe-se, se submete a eles e aos interesses em jogo. Aberta a porteira, creio que o melhor é acabar de uma vez por todas com isso de querer se preservar alguma coisa histórica por essas plagas, pois todos os demais (e a fila será grande) exigirão a mesma coisa. Não existiu, não existe e não existirá dentro das atuais condições nenhuma possibilidade do poder público ser o mediador entre as partes, o proprietário do bem tombado e o bom uso das leis de defesa desses bens, inclusive de incentivo para restauro, recuperação, pois isso, segundo os que detém o poder da caneta hoje, são incompatíveis com quem de fato impõe as regras do jogo, a especulação imobiliária.

O CODEPAC perdeu o jogo e se verga, pois as forças contrárias e a impor o destombamento, além de representarem o interesse do mais forte, não existe condições de se propor algo ao contrário. Explico. Se fosse convocada uma equipe neutra, com especialistas nesse quesito, algo de concreto poderia ser definido como luz no final do túnel. Seria ótimo a existência de um plano de trabalho, uma regra a ser seguida, mas pelo visto, impensável dentro do que já está decidido. Pura perda de tempo discutir. A lembrança do único destombamento ocorrido na cidade é trágica. Ocorreu com a edificação das Indústrias Matarazzo, junto aos trilhos férreos, vila Cardia, entre o Quartel da PM e o hoje Boulevard Shopping. A administração Izzo Filho determinou que assim seria e foi, não dando lhufas para a grita ao contrário. O mesmo deverá ocorrer agora.

Seria de bom alvitre consultar especialistas e mais que isso, voltar a se bater na tecla do que o proprietário pode desfrutar de benefícios tendo seu imóvel tombado. Até o presente momento, nada disso ocorreu e nem deve ocorrer, pois a nota que fizeram circular pelo jornal é curta, reta e direta. Tudo já está sacramentado. Quanto ao Aeroclube, a especulação venceu e a margem daquele espaço, que dá para a avenida cult da Zona Sul, a Getúlio Vargas terá em breve a mesma destinação da outra, toda ocupada com investimentos privados. Será o boom do mercado nos próximos meses, pois a liberação para construção nas laterais já deve mexer e muito com o mercado imobiliário. O prefeito assim decidiu, teve que reativar o Conselho para sacramentar e legalizar tudo e o que se verá nos dois destombamentos citados e em outros tantos é algo bem simples, terra arrasada. O progresso que alguns dizem ser mais que necessário no velho centro da cidade não se dará pela revitalização de suas edificações, mas sim a derrubada e construção de novas, dentro do padrão de modernidade (sic) vigente.

Se não for isso o que estiver em curso eu me castro em praça pública. Creio, nem um abraço coletivo salvaria o que virá pela frente...
Nem um abraço aos imóveis a serem destombados os salvarão da degola em Bauru. Aqui jaz...

segunda-feira, 6 de maio de 2019

O QUE FAZER EM BAURU E NAS REDONDEZAS (113)


OS TRÊS PORCOS - ASSENTAMENTO KANNÃ BAURU

Uma peça teatral com temática infantil, mas também para adultos sendo apresentada no interior do maior assentamento urbano de Bauru, o Kannã. É possível isto, e ainda mais, quase as vésperas da decisão final sobre sua desocupação ou mesmo resistência? Sim. Foi o que de fato ocorreu na manhã de hoje quando a Próxima Companhia (www.aproximacompanhia.com.br), numa ousada produção da conhecida teatróloga Solange Borelli, por intermédio do Proac SP, chega até Bauru e escolhe como local de apresentação da peça "OS TRES PORCOS - FUÇANDO NAS RUAS", um espaço central dentro do referido assentamento, pois a temática tem tudo a ver com o local e seus moradores.

Sinopse: "Três porcos procuram por um espaço para construir suas casas e aos escolherem um local desocupado descobrem que ele pertence ao Lobo, e que deverão pagar para morar ali. Logo, o Lobo decide transformar aquele espaço em um empreendimento imobiliário, e tenta tirar os porcos do lugar, manipulando os suínos por meio de cartas de despejo, incêndios "acidentais" e outras manobras, por vezes utilizando um dos porcos como seu funcionário. Dessa forma, os procos deixam de trabalhar juntos para a manutenção da vida coletiva e passam a preocupar-se com a manutenção do seu conforto individual, mesmo que para isso tenham que sacrificar seus laços e as moradias dos outros".

Uma belezura de texto e de interpretação. Tudo começou há uns dois meses atrás, quando o amigo José Vinagre me liga e pede se tenho o número de alguém do Kannã, pois estava em contato com uma diretora teatral paulistana querendo aqui se apresentar e justamente lá com eles. Passo o do Cláudio Lago e este a coloca em contato com o pessoal do assentamento. Me esqueço do assunto e nessa semana, para minha grata surpresa, tudo já está devidamente montado e a única apresentação na cidade ocorreria no Assentamento, na manhã deste domingo, 11h. Claro que vou, levo Ana Bia junto, o Vinagre idem, Lago e Sivaldo Camargo seguem por outras vias e todos lá aportamos.

Um maravilhamento total e absoluto. A temática se encaixa visceralmente com a vida dos moradores, ainda mais por estarem passando neste exato momento um dos mais cruciais da luta pela definição ou não do lugar como o de suas definitivas moradias. As crianças adoraram e os adultos saíram de lá com a pulga atrás da orelha, pois a peça é mais do que fazer pensar, sendo na verdade, um fazer lutar, resistir e enfrentar o tal do "lobo" com garra, disposição, coragem e união, muita união, pois sem ela nada é conseguido a contento neste país. Todo o pessoal envolvido na apresentação de uma simpatia enorme e o trato deles para com a comunidade, algo que nunca mais esquecerei. Emoção do começo ao fim, inclusive dos atores no contato com a realidade ali vivida.

"A Próxima companhia, formada em 2011, tem em sua trajetória uma prática teatral baseada em pesquisas, experimentações e criações artísticas voltadas ao trabalho do intérprete e sua relação com o público e ao desenvolvimento de uma dramaturgia própria e em diálogo com a cidade", está escrito no folder distribuído no local. Esse diálogo com a cidade, no caso, com a realidade das ruas, com o maior problema vivido pelos moradores do Kannã foi de fazer emocionar os mais reticentes e duros. Não teve quem não tivesse saído dali carregado com uma intensa carga emocional e recarregado para os embates que virão pela frente.

A questão da reforma agrária e urbana sempre esteve na pauta do dia deste país, mesmo que seus governantes ousem descartá-la e como vemos hoje, até criminalizá-la. Bestiais existem aos borbotões, eles sim são os seres descartáveis desse mundo, onde a maioria ainda se submete aos interesses de uma minoria, mais por não saberem a força que possuem quando unidos. Um dia saberão, espero. O que a peça incute em quem a assiste é exatamente isso, o despertar, o abrir dos olhos diante de algo que precisa, deve e já deveria ter sido feito. Enfim, o LOBO não pode continuar ditando as cartas, ainda mais de uma forma autoritária e arbitrária, como o faz. Para reverter isso, o trabalho incessante de formiguinha se faz necessário. A Próxima Companhia faz isso, sendo mais um grão de areia a conscientizar os que um dia irão virar essa mesa e restabelecer a verdadeira ordem das coisas nesse mundo. Torço e luto por isso.

domingo, 5 de maio de 2019

DIÁRIO DE CUBA (108)


MÃE CUBANA

Ela se foi nessa semana, a mãe da querida mestra de música Rosa Maria Tolon. Ela viveu uma vida à maneira cubana, de forma intensa, generosa e cheia de muita luz. Veio ao Brasil pelo menos três vezes, visitar a filha e eu estive em sua casa no ano de 2008, quando por lá passei um mês (não em sua casa, em Cuba). Fui recebido por ela e os seus (Rosa estava aqui no Brasil dando aulas na USC), primeiro num jantar em família, depois quando da despedida outros reencontros. Conheci todos, parentes próximos e vizinhos. Foi lindo a forma possibilitada, quando eu e Marcos Resende, meu companheiro na empreitada, procuramos Rosa dizendo que estávamos indo conhecer seu país. Ela nos abriu as portas de sua casa cubana, contatou a mãe, seus irmãos, parentes e a recepção foi alvissareira, inesquecível. Nas vezes em que aqui esteve, fui revê-la, sempre com um baita sorriso no rosto e aquela expressão de quem vive a vida pelo seu lado mais saudável e palatável, o do bem estar coletivo. Os cubanos, como todos sabemos são pobres, mas dignos, vivem com o necessário, o básico não lhes falta, muito menos cultura, lazer e conhecimentos gerais, o que os impedem de serem dominados, como o são nesse momento os brasileiros. Ela comprovou para todos nós, algo até hoje difundido como não possível em Cuba, a viagem de seus habitantes mundo afora.
Com as viagens que fez ao Brasil, para visitar a filha, demonstrou que tanto lá, como cá, tendo condições de pagar a passagem, ela não só é possível, como acontece, sem maiores delongas e problemas. Conheci através desta viagem todos os familiares dessa boníssima família, tanto os residentes em Cuba, como os aqui (o filho de Rosa, Amílcar é hoje um integrado bauruense/cubano, meu dileto amigo). Sentirei não só saudades do que passei em Cuba, na casa dessa senhora, do convívio com os seus, pois sei que, esses momentos são mais do que irrecuperáveis, imortais e me enternecem para sempre. Ao saber de seu passamento, além da tristeza, o filme que me passou na cabeça é desses onde penso muito no que poderia ser feito deste mundo, quando as pessoas ousassem ter em vida a oportunidade de desfrutar de um mínimo generalizado, sem essas bestiais divisões e impedimentos do mundo onde vivemos. Rosa me dizia na época que a mãe, aposentada, saia frequentemente de ônibus, praticamente gratuito para eles, indo semanalmente ao cinema, consertos, balés, bailes e afins. Existe um lazer disponível para todos de sua idade, sem custos e impedimentos, todos desfrutam. E ela sabia muito bem tocar sua vida. Ela vai morar eternamente no meu coração.

O CASO DOS DESTOMBAMENTOS EM BAURU SE CONCRETIZANDO
Não era só rumores; no Entrelinhas de hj: "O secretário de Cultura, Rick Ferreira, vai chamar uma reunião do Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural de Bauru (Codepac), na semana que vem, para que seja definido um presidente. Em seguida, devem ser colocados em votação processos que estão parados há mais de dois anos, período em que o Conselho ficou inativo. Entre eles, constam o destombamento do Hotel Milanez e da Casa dos Pioneiros, e alteração em pontos do tombamento do Aeroclube." Enviado por Pedro Romualdo, fotógrafo da Câmara Municipal de Bauru especialmente para este mafuento HPA.



JÁ RESERVOU A SUA?

Miguel Repiso em sua tira no diário argentino Página 12, edição de ontem deixa bem claro que famílias inteiras já moram dentro de lixeiras na capital daquele país, Buenos Aires, algo a se repetir por onde viceje o tal do neoliberalismo predatório, essa espécime do capitalismo onde o ser humano é tratado como lixo. Daí, gente como Macri, o mandatário deles, como Temer/Bolsonaro, os nossos, são muito além de vilões, pois seus desGovernos não terão em nenhum momento seus olhos voltados para os interesses populares. Basura pura. Isso mesmo, bestiais de plantão, apoiem com todo louvor iniciativas como a reforma da Previdência e o fim do incentivo para as universidades públicas, continuem ao lado do bolsotarismo. Observem a tira e se preparem, aliás, reservem sua lixeira o quanto antes, pois a concorrência está grande.
Tenham tudo, todas e todas um ótimo domingo, recheado de boas reflexões sobre a necessidade da Desobediência Civil como linha de frente de nossos atos.

sábado, 4 de maio de 2019

UM LUGAR POR AÍ (122)


DOIS LUGARES POR AÍ
01.) VAL DE PALMAS - XERETA OBSERVAÇÃO DE FORASTEIRO CIRCULANDO PELA ESTRADA DE TERRA DEFRONTE A ANTIGA ESTAÇÃO

Estive recentemente visitando a estação rural férrea de Val de Palmas e conto aqui o que vi. Ela está localizada na antiga estrada para Tibiriçá, uma de terra batida, começando logo após o o Posto Comandante, beirada da rodovia Bauru/Marília. No local além deste imóvel histórico outro, o de um famoso casarão, ambos tombados pela Patrimônio Histórico, o CODEPAC e ali levantados para dar vazão à produção cafeeira de antanho na região. Foram tempos de grande movimentação no local, porém muito antes da privatização, essa estação já se encontrava desativada, para sofrer um longo processo de abandono.

Por um longo período ali funcionou junto a mesma um bar e até um animado e concorrido forró rural, com letreiros chamativos beirando a pista de terra, porém motivados por desavenças no local, tudo se findou e o que restou no local foram os moradores, que asseguram, até a presente data, que tudo permaneça em pé. Não fossem esses, essa estação já estaria sido totalmente vandalizada. A presença de moradores inibe que o local seja depredado e totalmente destruído. Famílias ali residem, se ajuntando e mesmo diante da precariedade, conseguem dar um ar de dignidade ao local.

Minha lembrança de uns dez anos atrás é a de alguns vagões férreos ali abandonados, esses totalmente dilapidados e o que resta dele, virados para o lado de uma ribanceira e deles retirados tudo o que possa ser considerado servível. Ainda no local nada mais que sucata de pouca serventia. Alguns barracos de madeira surgem ao lado deles, no entorno da estação e com eles o registro de alguma movimentação. Do outro lado, o de quem segue adiante, um barracão, antigo armazém ligado à estação e ali, pela limpeza no local, mato cortado, sua utilização talvez como depósito para algum fazendeiro da região.

Os trens ainda passando por ali o fazem numa velocidade que, se a pessoa for lépida e fagueira, consegue subir facilmente em sua rabeira. São composições compridas, de carga da Rumo, a concessionária da malha ferroviária no trecho, inclusive Bauru. Na estrada de terra, o cuidado dos que ali passam de carro são para os animais no entorno da estação. No dia em que ali passei, alguns porquinhos enfileirados em fila indiana teimavam em zanzar na pista e a parada para observar o espetáculo deles numa dança diante do carro foi obrigatória, até como reverência para o que propiciavam para olhos não acostumados com o que via.

Não existe projetos, nada no horizonte a ser vislumbrado para essa estação e para tantas outras na mesma situação. Existiram e foram funcionais durante um período da ferrovia, mas com o declínio da atividade comercial no seu entorno foram sendo fechadas, muito antes da privatização das ferrovias brasileiras. Viraram peças a serem esquecidas, pois diante de tantas edificações históricas no mesmo estado, passaram a ser consideradas invisíveis e assim continuarão até serem totalmente dizimadas. Os moradores do local, solícitos e simpáticos para com forasteiros como esse mafuento escrevinhador, permitiu que fotografasse o local, chegasse perto da estação sem nenhum tipo de problemas. O único receio é que, com divulgação do estado conhecido por todos, surjam problemas para sua permanência, no mais convidam para conversas.

Permaneci pouco menos de meia hora no local e com o registro das fotos aqui publicadas, algo mais do que se passam com uma infinidade de pequenas estações rurais ainda espalhadas por uma malha férrea antes de intensa movimentação e hoje, entregue ao esquecimento e renegada a lembranças de uns tantos que ainda passam por ali e relembram histórias de antanho. Outras tantas foram derrubadas, principalmente as cujas malhas foram retiradas, pois sem os trilhos, os fazendeiros desses locais, derrubam tudo e não deixam mais nem vestígios de sua existência. Essa ainda resiste, como um fantasma ali na beira da estrada de terra. O lugar, se não assusta, também não mete medo, mas para amantes de boas histórias, sempre um algo a mais para ser desvendado e relatado. É o que tento fazer nesse exato momento.

2.) 20 ANOS DA FOLHA SECA
Se existe um lugar dentro da cidade do Rio de Janeiro que todo visitante precisa necessariamente conhecer esse lugar é a Livraria Folha Seca, do amigo Rodrigo Ferrari, o Digão e de sua mãe, Maria Helena Ferrari, uma dupla que, juntos tornaram a Cidade Maravilhosa mais doce, fraterna e suave, mesmo nesses tempos amargos, pueris e bestiais. Aquilo lá é um oásis, uma ilha no meio do oceano recheado de incertezas e adversidades. Vou ao Rio com menos frequência que antes, mas em todas necessito me recarregar, não só da boa conversa, encontrada muito por lá, mas pra consumir, ver as pessoas, saber das novidades, trazer algo e me inspirar para o que virá pela frente. Adoro aquele lugar e sempre pensei ser possível tentar fazer algo por Bauru, a aldeia onde nasci e vivo, com a mesma cara e sapiência. Conheci o Rodrigo quando ainda era funcionário de uma famosa livraria carioca, isso já vai mais de 20 e tarará de anos, perto dos trinta acho e a partir de então, nos tornamos fraternos, amigos e isso vai se prolongar por todo o sempre. Ele também era amigo de meu sogro, seu Zé Pereira (pai de Ana Bia Andrade) e só fui ficar sabendo disso depois, quando conheci Ana e esse me levou para passear pelo Rio Antigo e descobrimos juntos que eramos amigos do Digão. Ali tem tanta coisa boa, aquela reunião de livros com tema do Rio, Samba, Carnaval e Futebol, tudo junto e muito misturado, como só a cabeça do seu dono soube reunir, manter e tocar adiante. Além de tudo, idealizou, criou e mantém um samba na frente do local, com a ajuda de outros comerciantes e ajudou decisivamente a revitalizar um dos lugares mais bucólicos do velho centro do Rio. Ali só existe virtudes, nenhum defeito ou demérito. Amo de paixão e indico para todos os que que vão pro Rio e buscam um porto seguro, um lugar onde as amizades nascem assim do nada e a gente se sente, não só em casa, mas entre pessoas confiáveis, livres, leves e soltas como deve se
r a vida. Eles completam vinte anos (parece que foi ontem) e já tem até um documentário sobre eles rodando por aí. Para quem não conhece, ei a oportunidade.

sexta-feira, 3 de maio de 2019

PERGUNTAR NÃO OFENDE ou QUE SAUDADE DE ERNESTO VARELA (147)


DESTOMBAMENTO DO AEROCLUBE - É POSSÍVEL?

Corre a boca pequena, estão querendo destombar parte do Aeroclube (tombamento efetuado pelo CODEPAC - Conselho de defesa do Patrimônio Histórico e Cultural de Bauru) ou readequar o que foi tombado permitindo ali ser levantado edificações, atendendo pedido único e exclusivo da especulação imobiliária, muito atuante na cidade. Torço muito para que tudo não passe de uma infundada informação, mas o CODEPAC, recém constituído precisa vir a público e explicar em detalhes, o que foi proposto, como foi proposto e o que foi discutido e aprovado. Um "destombamento" nessa altura do campeonato é algo inimaginável, mas como tudo é mais do que possível nos tempos atuais, enquanto as informações não chegarem claras e límpidas, a dúvida permanecerá no ar. Torço muito para que tudo não seja verdade e tenha que vir aqui, dizer que o que ouvi hoje de fonte mais que confiável não passou de engano, infundada informação. Em tempo: Reunião do Conselho teria ocorrido semana passada. A verificar...


DESTOMBAMENTO DE PRÉDIOS HISTÓRICOS ESTÁ PEGANDO FORTE EM BAURU - ENTENDA O QUE SE PASSA

A questão de patrimônio histórico cultural recentemente tocada por mim, com algo sobre um provável destombamento do Aeroclube em Bauru, ao ouvir os muitos lados da questão, coloco um algo a mais, ou seja, uma pimenta a mais no já quente molho. Vamos aos fatos. Na questão específica do Aeroclube, envolvendo área pública, sob o domínio da Prefeitura Municipal, pelo menos por enquanto não foi aventado o destombamento, mas existe sim permissão para comercialização de áreas no local, algo já consentido e até dado como certo pela legislação vigente. O que se faz necessário e ainda não foi feito pelo CODEPAC é o tombamento da pista deste aeroporto, o que cercearia essa investida, pois ele até o presente momento se restringe às edificações, essas garantidas, o entorno delas não. Se isso irá acontecer num curto espaço de tempo, algo improvável, mas não impossível.

Já de outros imóveis, os particulares tombados, esse sim existe uma forte pressão para alguns destombamentos. Explico como tudo se processa. Alguns donos de imóveis alegam que não possuem condições para efetuar o restauro como a lei prescreve e ao procurarem a Prefeitura essa se vê impedida de fazer algo em área particular, nem propor nenhum investimento, muito menos também ter dinheiro para essa finalidade.
Diante do impasse, alguns proprietários já procuraram o Ministério Público, esse parece estar procurando entender o que se passa, ouvir as partes e pode decidir, diante dos fatos apresentados que a melhor solução é mesmo o destombamento. Se isso ocorrer, os proprietários poderiam fazer o que almejam para esses imóveis, revendê-los imediatamente.

A parte final se consumaria desse jeito. Fala-se muito em recuperação do centro velho da cidade, sua reocupação e coisa e tal. Isso, pelo visto, não passa no restauro desses imóveis tombados e sim, na sua derrubada e no lugar, edificações novas. O que estaria por detrás de tudo seria isso, o destombamento facilitaria a venda, derrubada desses imóveis hoje abandonados e em petição de miséria. Em seu lugar surgiria o novo, a forma como alguns estão enxergando poderia se dar a revitalização do centro, com tudo novo. Entendam como quiserem, mas a pressão de alguns proprietários é nesse sentido. Tudo o mais deve ser entendido, quando isso for levado em consideração e o assunto for seriamente discutido, onde outras possibilidades poderiam ser apresentadas.

quinta-feira, 2 de maio de 2019

OS QUE FAZEM FALTA e OS QUE SOBRARAM (125)


DIA DO TRABALHO - ATO EM BAURU, A BANDEIRA DO LULA LIVRE E A CERTEIRA RESPOSTA DE ROQUE PARA ABESTADO PROVOCADOR

Participei ontem, mesmo gripado e com o corpo em frangalhos, do Ato do Dia do Trabalho/Trabalhador nas imediações do parque Vitória Régia em Bauru, começando com a concentração com alguns representantes dos movimentos sociais rurais na praça do Líbano, uma passeata subindo a Nações até o local onde o ato em si ocorreu, diante do Caminhão Palco da Prefeitura Municipal, ladeado por barracas de vários segmentos sociais da cidade. Foi um grande dia, uma manifestação digna do nome, pois reuniu todos os segmentos seriamente envolvidos na questão da resistência pela perda dos direitos duramente conquistados no passado e hoje sendo jogados todos na lata do lixo pelo desGoverno capitaneado por Bolsonaro, representando o que de pior existe no neoliberalismo predatório, esse câncer dentro do capitalismo a prevalecer atualmente. Quando se sabe da fragmentação dos interesses da esquerda, das dificuldades de união em prol do interesse comum, ontem vi algo salutar, pois estávamos todos ali para deixar bem claro, em alto e bom som: quando o assunto é a luta por direitos, a denúncia de arbitrariedades, estaremos todos juntos. Muitas bandeiras foram levantadas e tiveram espaço ontem: a contra a Reforma da Previdência, a do Fora Bolsonaro e a do Lula Livre.

Lindo demais foi presenciar enquanto estava participando da passeata, ao se aproximar do viaduto sob a Nações, o da avenida Duque de Caxias, um grupo de militantes petistas, do Núcleo de Base DNA Petista, confeccionaram uma gigante bandeira com a estampa da cara do preso político mais importante do planeta, o ex-presidente Lula. Após a passagem do grupo, a mesma foi levada para o parque e içada entre as árvores, num local de destaque, tornando-se durante o dia um dos pontos de maior circulação, como todos querendo tirar uma foto tendo ao fundo a imagem de Lula. O evento em si foi por demais grandioso, pois fugiu do que era regularmente feito em anos anteriores, quando a Prefeitura bancava um show musical, com artista conhecido e o evento em si, a manifestação das causas do trabalhador era deixadas meio que de lado. Sem o show, o que se viu foi a união em torno de uma pauta comum e a movimentação coletiva, propiciando além da apresentação de artistas locais, uma pausa no meio delas para a fala de representantes previamente inscritos, com aproximadamente dois minutos cada (poucos não extrapolaram o tempo). Umas vinte pessoas passaram pelo microfone e deram seu recado. Em cada barraca algo diferente, preparado minuciosamente para o dia, enfim, pode não ter sido um dia de “casa cheia”, mas muito representativa. No rescaldo, todos saíram satisfeitos e esperançosos com as próximas manifestações e reuniões coletivas, todas com o intuito de botar abaixo esse cruel e insano momento vivido pelo país desde o fatídico golpe de 2016.

Dito isso tudo, saliento uma passagem ocorrida quando na passeata pela Nações, algo que pode ter passado desapercebido por muitos e a maioria dos presentes no Vitória Régia nem tomou conhecimento, mas quero aqui relembrar o ocorrido, até para salientar algo muito comum nos tempos atuais. A carreata subia a Nações e no microfone estava Roque Ferreira, com uma verve ótima para tal finalidade. Foi quando vindo de um veículo modelo Ka branco, o motorista faz questão de produzir aquele grito repudiado por todos: “Vão trabalhar, cambada de vagabundos”. Grita e depois acelera. Roque interrompe sua fala e dá a imediata e necessária resposta, em alto e bom som, algo que deve ter sido ouvido pelo abestado provocador. Como exatamente naquele momento estava gravando um vídeo mostrando a passeata em toda sua extensão, registrei a resposta do Roque e aqui a compartilho na íntegra: “Nós estamos trabalhando companheiro, você também precisa porque o seu carrinho está bem derrubado, um kazinho é carrinho de proletário, viu, proletário que ganha muito pouco. Enfim, nós temos que avançar na nossa luta e infelizmente temos um proletário que ganha muito pouco e pede para os outros trabalhar. Todos aqui trabalham, companheiro. Só que nós temos a decência e a coragem de lutar para a defesa dos nossos direitos e das futuras gerações. Essa a luta que estamos travando, essa a consciência que nós temos”. Algo bem sui generis no atual momento brasileiro, quando parte do proletariado, o que deveria estar na luta quando da perda dos seus direitos, age ao contrário, ou seja, defendo os interesses do patrão, do algoz, o que lhe retira os direitos. Inconcebível, mas fruto de uma informação truncada, mentirosa e despejada ininterruptamente pela mídia massiva, faz parte do cenário perverso vivido pelo país no momento. Eis o link desse vídeo, quando a gravação citada faz parte de sua parte final: https://www.facebook.com/henrique.perazzideaquino/videos/2647085938654732/

Num outro vídeo, esse quando da passagem pela bandeira com a estampa do Lula, mesmo gravando não me contive e além do grito da massa, minha fala pode ser ouvida: https://www.facebook.com/henrique.perazzideaquino/videos/2647106685319324/

Daqui por diante, todos sabem o deve e precisa ser feito para se conseguir o intento de virar essa mesa e devolver o país à sua normalidade: pressão, muita pressão, povo nas ruas e lutas. Do contrário, nada será alcançado. A única linguagem entendida pelos hoje encastelados no poder é sentindo a força das massas, do povo nas ruas.

quarta-feira, 1 de maio de 2019

CENA BAURUENSE (184)


DEZ IMAGENS DO QUE ROLA PELA CIDADE DITA COMO "SEM LIMITES"
01. 
A imagem do mais importante preso político do planeta ontem estava hasteada no viaduto na Duque de Caxias, sob a Nações Unidas, um dos pontos altos do Dia do Trabalhador reverenciado ontem na cidade com disposição e garra.
02. Locomotiva 404, movida a lenha, segue altaneira no Bosque da Comunidade, cartão postal de quem, como eu, passa pela rua Araújo Leite e revive seu passado de glória.
03. Pastelaria localizada numa das mais movimentadas esquinas centrais da cidade, avenida Rodrigues Alves com Azarias Leite.
04. Quase todo dia ele estaciona seu carro, permanecendo o dia inteiro na lateral da USP, rua Albino Tambara, oferecendo aos que ali transitam fantoches de mão feitos em família, uma faz, ele revende.
05. Na esquina da Rio Branco com Presidente Kennedy, placa lateral de estacionamento mantém, há mais de uma década, publicidade eleitoral de candidato a Governador, cujo destino hoje é incerto e não sabido.
06. Ao terminar o asfalto no Chapadão, eis o caminho de terra que nos leva para o Assentamento Rural de Aimorés, divisa entre Bauru e Pederneiras.
07. 
Vila Independência, esquina da Felicíssimo Antonio Pereira com Newton Prado, antiga residência de madeira resiste ao tempo e a tudo mais, permanecendo em pé, forte, rígida e altaneira, aroeira pura.
08. O que teria dado errado com a Galeria Bichusck, na rua Araujo Leite, centro de Bauru, para ela permanecer fechada por tanto tempo na movimentada rua Araujo Leite?
09. Passar o tempo jogando carteado e dominó debaixo de frondosa sombra, eis um dos cenários diários na praça Rui Barbosa.
10. Rua Bandeirantes, quadra 13, bem atrás do Colégio São José, residência de dois Osvaldos que já se foram, instigadores e inquietos, de um dos lados o Rasi, pule duas e no outro extremo, Penna.