sexta-feira, 14 de junho de 2019

FRASES (184)


ONDE FUNCIONOU A CERVEJARIA DOS MONGES HOJE UM PASTOR SURFISTA

Em 11/06 publico nas redes sociais uma foto junto deste texto, na seção diária mantida por esse mafuento escrevinhador intitulado Cena Bauruense e as repercussões exprapolam o normal, daí compartilho aqui a maioria dos comentários lá ocorridos:

Primeiro o texto publicado naquele dia: “É desconsertante olhar para o prédio na avenida Getúlio Vargas, onde mais de década atrás funcionou a Cervejaria dos Monges, que já nos trouxe até B B King e hoje, em seu lugar, aquilo tudo sob a batuta de um pastor surfista”.

Dentre elogios e críticas, eis alguns pitacos:

- “Também não me conformo”, Luciana Franzolin.

- “Qual o problema nisso? Gostaria de entender...a gente pede tanto respeito, só acredito que temos que respeitar os demais também....com as escolhas, crenças, e etc”, Karina Rufato. Respondo: “Já passei dessa fase, hoje me encontro na de indignação, pelo conservadorismo latente na maioria desses, até pela vital contribuição que tiveram na chegada de Bolsonaro ao poder. (...)Eu só não vejo a maioria das supostas crenças neopentecostais como palatáveis, elas sim foco de intolerância. Desisti desses.

“Só não confunda neopentecostalismo com protestantismo reformado, um não tem nada a ver com outro.Sou cristã e faço questão de toda vez q vou a um ato denunciar os descalabros da religião e a manipulação de massas.Não pertenço a nenhuma igreja institucional, conheço gente séria e piedosa nesse meio SIM, mas muitas nesse pleito mostraram a que vieram. (...) Não curto igrejas famosas também, sou mais de uma reunião caseira com irmãos na fé.O único que deveria ser notado em um culto é Cristo...somente Ele.Falou q tem gospel famoso , congresso e toda parafernália de celebridade religiosa, nem passo na calçada, isso agride minha fé...”, Amanda Costa

- “Existe o pentecostal e o tradicional a uma divergência entre eles. O pentecostaal é mais conservador o tradicional é mais liberal a uma divergência teológica, exemplos de pastores mais liberais e tradicionais , Ariovaldo Ramos da mídia ninja , Pastor Henrique do PSOL entre outros procura entender mais para não julgar também sou cristão batizado e to na luta das causas sempre estarei”, Augusto Cesar.

- “Minha religião é a vivência. / Minha igreja, o buteco. / Meu pastor, o dono do botequim. / Meu obreiro, o garçom. / Minha óstia, os quitutes./ Meu vinho, é vinho mesmo. / Minha penitência, a ressaca./ Preferia tb a Cervejaria no lugar./ Exerceria ainda mais minha religiosidade. / Vivo a vida, pois só conhece a verdade, quem morreu./ Ouvi um amém ? / Ah não, foi mais um tim tim”, Marcos Marcos.

- “Eu também me sinto alarmada com tanto templo e tanta gente com camiseta de Jesus, fé e quejandos. A meu ver, essa explosão de religião tem muito a ver com o desespero das pessoas de que ela se alimenta”, Juliana Guido.

- “Infelizmente as igrejas se tornaram um "negócio" bem lucrativo e poderoso. Assistimos a essa escalada de forma passiva e ao mesmo tempo conivente, porque o respeito as escolhas dos outros é básica na vida em sociedade. Não vejo nada que possamos "fazer" como cidadãos individualmente”, Lucia Francisco.

- “O que mais tenho visto prosperar nesses tempos trevosos é o comércio religioso. Estão devastando o comércio tradicional. Uma tristeza sim. Pensar que as pessoas procuram tantos vigaristas para compensação de seus medos e desesperanças”, Paulo Lima Assis.

- “O sonho deles é transformar o Brasil e um. Afeganistão sob o domínio Talibã com a diferença que o cabresto será cristão mas a perseguição e assassinatos de mulheres,gays e pessoas pensantes serão iguais, Bozonazi, Moro , Edir e outros bandidos compõe a vanguarda desta agenda inimiga da vida”, Walissom WB Bragião.

- “Sou totalmente a favor de cobrança de impostos para qualquer templo e da criação de uma lei pra coibir essa pedição de dinheiro absurda...tem que acabar com a mamata desse povo.Igrejas são pessoas, se for pra pedir que seja pra matar fome e fomentar crescimento social dos pobres, do contrário, leis rigorosas pra esses mercadores da fé...”, Amanda Helena e a respondendo : ”Também sou totalmente à favor que as igrejas paguem impostos”, Roberto Francisco, o padre Beto.

OUTRA COISA
Como tirar o Adesivo do Carro facilmente sem estragar a cor da lataria - Sem deixar vestígios, a verdadeira operação lava jato.
"Não tem jeito, a gente ama tanto uma coisa que precisa mostrar ao mundo inteiro esse carinho. Seja aos nossos filhos ou a nossa religião, chegando até aos políticos e… operações policiais. Não, pera. Diante tantos acontecimentos no cenário político do país, em especial a publicação da série de reportagens “As mensagens secretas da Lava Jato“, feita pelo The Intercept, é extremamente compreensível que você esteja um tanto quanto decepcionado caso tenha apostado na lisura de certo aparato judicial". Não estamos aqui para te julgar caso você tenha adesivado seu carro em apoio à Operação. Pelo contrário: vamos te dar dicas para tirar esse (ou qualquer outro) adesivo sem deixar o menor vestígio!
Você vai precisar de:
Secador de cabelo
Querosene (ou azeite)
Estopa (ou flanela)
Água e Sabão", FONTE: 
https://www.almanaquesos.com/como-tirar-o-adesivo-do-carro-facilmente-sem-estragar-a-cor-da-lataria/?

quinta-feira, 13 de junho de 2019

BAURU POR AÍ (165)


UM ÚLTIMO PITACO SOBRE O ASTRONAUTA MINISTRO BAURUENSE
"Foi bonita a festa pá", canto a música, pois até eu estive lá a espiar e prestigiar o Arraiá do Astronauta realizado em Bauru no último final de semana. Sem sombra de dúvidas, bonita a festa aérea, muitas atrações e envolvimentos. Curioso que sou, levei junto esposa e amiga carioca, ela produtora de grandes eventos. Queria espiar o que seria isso de Grandes Eventos em Bauru, como se dão, seus bastidores, como se processam. Foi instrutivo o passeio, diria, revelador. Não cheguei a presenciar o astronauta/ministro no local, sábado por volta das 19h, quando lá estive. Bauru e alguns dos daqui envolvidos com isso de produção de eventos deste porte, não só arrecadam muito com tudo isso, mas também ganham. Nada contra, enfim, vivemos num mundo capitalista. O astronauta mais ainda (não digo só lucro financeiro, viu!). Continuo com um pé mais do que atrás com ele, desde sua saída da Aeronáutica, após todo o investimento feito em cima de sua pessoa com a tal viagem ao espaço. Deu um bicudo nas Forças Armadas, montou negócio próprio e quando não estava dando muito certo, tentou voltar, foi rechaçado, buscando outros caminhos. Muitos por aqui o endeusam, eu não. Sou um crítico mordaz de todos os que aceitam cargos, seja qual for, dentro da estrutura deste desconsertante desGoverno do Bolsonaro. Das duas uma, ou é igual a ele ou é conivente com o baú de maldades sendo despejado nos costados do povão. Não existe terceira alternativa. Marcos Pontes parece ter aprendido como trabalhar e se dar bem dentro dessa estrutura de poder. Sabe que abrindo a boca terá vida curta e assim, para se manter no cargo, se mantém calado e passa desapercebido, tocando adiante seu barquinho (ou seria aviãozinho?).
O que já fez ou fará pelo Ministério da Ciência e Tecnologia?, me pergunto. Nada, respondo. Não tem nada a sugerir, a apresentar ou mesmo a ingerir. Está passando o tempo, deixando a "vida lhe levar" e vendo até onde isso poderá lhe levar e se o vento lhe for favorável, não deverá abandonar o navio antes do seu fatal naufrágio lá na frente. Ele, mais uma vez, vai mostrar isso lá na frente, o tempo dirá, esteve no lugar errado e na hora errada. O que quis dizer com tudo isso? Trata-se de um ministro sem luz própria, sem nada a dizer e mais um por ali, fazendo número e nada acrescentando ao país. Quanto a festa, o Arraiá, o que posso dizer, além de sua imponência. Algo me entristece, além do já escrito. Cito um particularidade: dentre os agraciados com as doações arrecadadas, cestas básicas serão entregues para a ONG Arca de Noé (leio isso hoje). Mas como? Ela sendo para atendimento de animas não necessitaria dessas doações de alimentos para humanos. No mais, continuo achando, ou melhor, tendo a mais absoluta certeza, o ministro bauruense é inoperante. Podem alegar e justificar de tudo, até o fato de termos um bauruense por lá, mas nada é suficiente para me convencer do contrário.

EM TEMPO: A informação que mais queria ter após o final do evento, ninguém me deu até a presente data. Ocorreu um acidente com o protótipo do 14 Bis, o piloto se machucou, mas nada foi publicado pelo jornal local, pouco foi visto pela TV ou dito pelo rádio. Enfim, estão a querer esconder o que? Eu, e tenho certeza, boa parcela dos bauruenses estão ávidos por saber do estado de saúde do piloto. Por que esconder isso da população? O evento foi sim um sucesso, parabéns, mas ocultar o acidente de nada ajuda. Alguém sabe algo sobre o piloto e os estragos na aeronave. Ou foi absoluta pisada de bola a não informação ou estão querendo mesmo esconder algo que não pode e nem deve passar batido.

OUTRA COISA
A COMPROVAÇÃO QUE FALTAVA
Ontem a noite mais uma revelação das gravações obtidas pelo Intercept e sendo despejadas em drops, aos poucos, uma por uma, para degustação lenta, gradual e com uma consistência desvendando as entranhas do que foi, não só a Lava Jato na sua essência, mas a junção dos juízes encastelados em Curitiba e um algo maior, a efetiva participação dos EUA na história. Da boca do próprio juiz Sérgio Moro, a revelação, por enquanto só numa pequena e curta frase (muito mais deve vir por aí), porém contendo uma atroz revelação, a já desconfiada e até agora sem provas. Eles cometeram as barbaridades todas e agora sabemos, consultavam antes órgãos norte-americanos, para neles buscar a aprovação final. Subserviência, entreguismo e vendilhões da pior espécie. O que deve vir a seguir, demonstrará a estreita relação desses juízes curitibanos, da Lava Jato com os interesses de outro país e não com os nossos. Pérfidos cidadãos e ainda por cima, ainda encastelados no poder vigente, o de Bolsonaro, fruto do trabalho sujo, que teve o ápice com a destituição de Dilma em 2016, golpe mais do que declarado e a chegada de tipos como esses ao poder. Em matéria publicada hoje, o melhor jornal impresso dos nossos tempos, o diário argentino Página 12 não deixa isso passar em branco e vai exatamente na veia com "Un peón en el juego de la geopolítica de EE.UU". Leiam a seguir e vejamos se ainda restará alguma ponta de desejo nos reticentes em que, entreguistas como esse ex-juiz, Sérgio Moro e também Dallagnol, continuem em seus postos e a dar continuidade na venda e entrega do país. Eis o link da matéria: https://www.pagina12.com.ar/199966-un-peon-en-el-juego-de-l…. Não é só nojo, é escárnio elevado à sua máxima potência.

quarta-feira, 12 de junho de 2019

PALANQUE - USE SEU MEGAFONE (127)


LAMENTÁVEL - OCORREU A DESAPROPRIAÇÃO DO ASSENTAMENTO CANNÃ

Um duro golpe no intenso trabalho dos movimentos sociais aqui localizados para conseguir um pedaço de chão onde uma camada muito grande de trabalhadores pudesse ter em definitivo um terreno para construir suas residências. Acordos e desacordos, uma parcela foi transferida para outra área, próximo do cemitério Cristo Rei e a maior parte ficou ao deus dará, sem teto, abrigo e na rua da amargura. Intenso trabalho de vários agrupamentos políticos e sociais para angariar fundos, visando dar uma sustentação inicial para aqueles que, estão nesse momento na transição de um lugar para outro e também, principalmente, para aqueles sem nenhuma moradia. Hoje a tarde militantes do DNA Petista, capitaneados por Claudio Lago, do qual faço parte, arrecadamos um valor em dinheiro entre nós e algo foi levado em caráter imediato para uma central de apoio no local. Outras iniciativas, como a relatada abaixo também em curso. Fiquemos atentos, alertas e prontos para ajudar no que for preciso. A luta continua e se faz necessário, ainda mais quando se trata de conseguir um terreno para famílias em busca de levantar seus lares.

"[08:52, 11/6/2019] Tatiana Calmon Karnaval: Por falta de cumprimento de acordo por parte do Prefeito, saiu a reintegração de posse que determinou o despejo das mais de 500 famílias que estão no assentamento Canaã.
O prefeito irá alojar 200 dessas famílias num terreno sem qualquer estrutura, perto do cemitério Cristo rei. Nessa área, uma população carente crescente se acotovela nas favelas, nos pedrinhos. Esgoto a céu aberto, sem postos de saúde, sem escolas. Sem nada. E mais 200 famílias sendo simplesmente depositadas ali, feito lixo..
Estive ali ontem a noite, e a sensação de abandono é terrível. Um frio de cortar a pele. as pessoas tentando erguer as presas um barraco para se proteger ao menos das intempéries. Levamos algumas cobertas, mas que nao cobre a todos....
No assentamento, ainda estão mais de 300 família, que não tem pra onde ir, esperando os tratores passarem por cima do pouco que tem.
Não, não são bandidos, como muitos dizem.
São famílias inteiras, que lutam com dignidade por um mundo melhor.
O grau de necessidade so faz aumentar com o despejo, e por isso pedimos ajuda,doem cobertas, roupas de frio, material de construção e alimentos.
Quem puder, leve diretamente ao local onde eles irão ficar. Quem não puder, pode deixar no sindicato dos ferroviários, na Cussy 3-40. Mantas, cobertores, meias. arroz...
Ajudem...".

OUTRA COISA
A VERDADE VEIO A TONA E QUEM PROPICIOU FOI UM JORNALISTA NORTE-AMERICANO ATUANDO DENTRO DA VERDADE FACTUAL DOS FATOS
Glenn Edward Greenwald (Nova Iorque, 6 de março de 1967) é um escritor, advogado e jornalista norte-americano, especialista em Direito Constitucional. Em junho de 2013, através do jornal britânico The Guardian, Glenn Greenwald foi um dos jornalistas que em parceria com Edward Snowden levou a público a existência dos programas secretos de vigilância global dos Estados Unidos, efetuados pela sua Agência de Segurança Nacional.
Sua reportagem ganhou o Prêmio Pulitzer de jornalismo em 2014 e, no Brasil foi agraciado com o Prêmio Esso de Reportagem, por artigos publicados em O Globo acerca do sistema de vigilância virtual dos Estados Unidos em território nacional. O trabalho de Greenwald sobre a história de Snowden foi apresentado no documentário Citizenfour, que ganhou o Oscar de Melhor Documentário em 2014. Greenwald apareceu no palco com a diretora Laura Poitras e a namorada de Snowden, Lindsay Mills, quando o Oscar foi dado. No filme de 2016 de Oliver Stone, Snowden (filme), Greenwald foi interpretado pelo ator Zachary Quinto. A revista Foreign Policy nomeou-o um dos 100 principais pensadores globais de 2013. Antes das revelações dos arquivos de Snowden, Greenwald era considerado um dos mais influentes colunistas de opinião nos Estados Unidos. Depois de trabalhar como advogado constitucional por dez anos, ele começou a blogar sobre questões de segurança nacional antes de se tornar um colaborador do Salon.comem 2007 e depois para o The Guardian em 2012. Casado com um brasileiro, vive hoje na cidade do Rio de Janeiro e de lá lançou o Intercept, um canal jornalístico na acepção da palavra, atuando dentro da verdade factual dos fatos, doa a quem doer. 


OBS.: Não gosto do termo HERÓI, utilizado na imagem para ilustrar este texto, porém, Green o extrapola, vai além e na demonstração de como se faz/pratica o verdadeiro jornalismo, deixa evidente caminhos pelos quais nunca se deve afastar quando  diante de escrever/investigar um tema. Está sendo dado a tudo e todos um banho jornalístico, até na forma de ir divulgando os fatos aos drops, de cara algo já pra lá de preocupante e na sequência, o xeque-mate. Tudo ao seu tempo. 

terça-feira, 11 de junho de 2019

RETRATOS DE BAURU (227)


HOLANDESA SUSAN VENDE LATINHAS PELAS RUAS DE BAURU
Não havia como ela não chamar a atenção na feira dominical da Gustavo no último domingo. Ela é muito organizada. Chegou com um carrinho improvisado, com uns sacolões cheios de garrafas pets e latinhas. Permaneceram quase ao nosso lado, numa mesa do Bar do Barba, de onde ela ia e voltava, sempre comedida, contrita, calada e com aqueles gestual bem europeu. Pela fisionomia, a certeza, se tratava de uma europeia. Fomos todos ter com ela e em questão de minutos estávamos todos num diálogo desses a atravessar o oceano e resgatar sua história, desde o velho continente até sua chegada nessas plagas, a aldeia bauruense. Uma história sofrida, envolvente e contada aqui do jeito mais suave que pude buscar, sem tocar feridas e problemas outros.

SUSAN DEJONG é holandesa, 39 anos e está no Brasil, há aproximadamente uns dez anos. Conheceu um brasileiro pelas redes sociais, o que a fez deixar família, um trabalho estafante num frigorífico perto de Amsterdam e vir dar com a cara e a coragem por aqui, primeiro em Lins, depois Bauru. Hoje, o companheiro continua por lá, ela aqui, morando no jardim Nova Esperança e descendo todo dia, ela e seu carrinho, juntando o que conseguiu amealhar como forma de manter um digno ganha pão. Tem um filho, hoje ainda sob os cuidados da sogra, mas fazendo questão de mostrar a todos na tela de seu celular. Tímida, fala de forma bem reservada, conta sua história, em algumas passagens carregada de muito sofrimento e dor, noutras ainda cheia de esperança de dar a volta por cima. Entende bem o português, mas se expressa melhor pelo inglês, mesmo não sendo sua língua e diz já ter visto de tudo um pouco nas suas andanças pelas ruas de Bauru. Do carrinho lotado a realidade nua e crua: “Com isso tudo aqui juntado eu devo ganhar um 15 reais, no máximo 20 reais. Não reclamo disso, toco a vida adiante”. Por ser mulher, tem outros problemas pelas ruas e um deles é o assédio, feito pelos que a enxergam mais frágil e disso querem tirar proveito. Tenta se safar de tudo, fala com orgulho do filho e mesmo nas condições em que vive, possui uma baita dignidade, tanto nos gestos, como no asseio e, principalmente, na forma buscada para sobreviver. É uma quase moradora de rua, mais uma catadora de recicláveis desta cidade, andarilha/andante e linda figura humana, muito lúcida e só necessitando de um empurrão amigo, para sair da situação, uma oportunidade, que sabe ser difícil, até por ser estrangeira e não dominar totalmente a língua. Não gosta de ser confundida com uma figura exótica, pois quem a conhece, como fizemos na manhã do domingo, a certeza exatamente do contrário. Susan resiste, insiste, dá murros em ponta de faca, mas não desistirá facilmente até reencontrar caminhos mais suaves para tocar a vida, ultrapassar suas barreiras e ser feliz, pois no fundo é isso o que todos queremos, buscamos e precisamos.


OUTRA COISA
SABE AQUILO QUE AFIRMEI ONTEM POR AQUI? HOJE DE NOVO, EIS A MANCHETE PRIMEIRA PÁGINA DO ARGENTINO PÁGINA 12
Seus textos não são encontrados na mídia massiva brasileiro, portanto, se refestele os lendo por aqui, como: “Terremoto en Brasil por la revelación sobre cómo se armó la operación judicial-mediática contra Lula - Una luz en la oscuridad: La conmoción causada por la revelación sobre cómo se armó la operación judicial-mediática contra Lula ya impactó en la Corte Suprema, donde uno de los jueces la consideró “muy grave”. En el Congreso impulsan una Comisión Investigadora y desde distintos sectores reclamaron la inmediata libertad del ex presidente”.

https://www.pagina12.com.ar/199603-una-luz-en-la-oscuridad

https://www.pagina12.com.ar/199513-fin-de-cual-ciclo

https://www.pagina12.com.ar/199605-que-dicen-los-mensajes-del-juez-y-los-fiscales-del-lava-jato

https://www.pagina12.com.ar/199606-caida-de-un-pais-lider

Agora me digam com toda a sicnceridade: é ou não o melhor jornal diário impresso do nosso mundo, o latino?

segunda-feira, 10 de junho de 2019

O PRIMEIRO A RIR DAS ÚLTIMAS (73)


SE TUDO NÃO CAIR DESSA VEZ COMO NUM CASTELO DE CARTAS, NOSSA JUSTIÇA ESTARÁ SENDO JOGADA NA LATA DO LIXO

FOI UMA POUCA VERGONHA O JULGAMENTO DE LULA
ESCÂNDALO MUNDIAL ESCANCARADO
Eis o link do Itercept: https://theintercept.com/2019/06/09/editorial-chats-telegram-lava-jato-moro/

"Não se trata apenas da prisão de Lula (como se fosse pouco).
- Trata-se da destruição da engenharia nacional, das empreiteiras, dos estaleiros e de prejuízos imensos para a Petrobrás (punam-se os dirigentes, mas preservem as empresas);
- Trata-se de desferir um golpe na democracia, literalmente fraudando uma eleição para aboletar no poder a milícia e a banda podre das Forças Armadas, com apoio do capital financeiro;
- Trata-se de fraudar a Justiça, com dezenas de processos agora sob suspeição.
Moro e sua trupe têm de pagar o imenso dano causado ao país", Gilberto Maringoni.

O BRASIL DES"MORO"NOU DE VEZ...
SE A MÍDIA NACIONAL IGNORA OU JOGA A SUJEITA PRA DEBAIXO DO TAPETE, A INTERNACIONAL ESCANCARA O ESCÂNDALO: A LAVA JATO É UMA SÓRDIDA FARSA

Jornais internacionais, como o melhor do nosso mundo latino, o diário argentino Página 12, colocam hoje em destaque de primeira página o escândalo que, não só envergonha, como criminaliza os que detiveram o ex-presidente Lula, o alijaram da eleição e num conluio promoveram a destruição do país. O Intercept expôs toda a trama entre Sergio Moro e Fallagnol, o acordo feito na surdina e colocado em prática da forma mais vil possível. Está tudo escancarado, não existe mais como tapar o sol com a peneira, mas a imprensa nacional finge nada ter acontecido. Quem quer hoje saber de fato o que ocorre com o país, tem que se informar via redes sociais ou pelos relatos da imprensa internacional. Eis as matérias publicadas hoje no Página 12, esmiuçando tudo em detalhes:
https://www.pagina12.com.ar/199389-brasilgate
https://www.pagina12.com.ar/199390-mas-alla-del-chamuyo
https://www.pagina12.com.ar/199367-que-hicieron-con-el-nobl… (Leiam em especial este artigo, sobre algo a ocorrer tanto na Argentina, como no Brasil: O que foi feito do nobre ofício do Jornalismo?).

Tenham em mente algo bem simples e dos motivos da mídia nativa nada dar sobre ao assunto: ela foi e continua sendo parte integrante do grande golpe tramado contra o país, seus interesses e produz a mentira hoje divulgada como informação. Se nada for feito, se a mídia nativa não repercutir, ser nada for feito contra Sergio Moro e Dallagnol, tenham a mais absoluta certeza, estamos dentro de uma cruel e insana ditadura.

MALABARISMO
Foi de um malabarismo aviltante ouvir a fala hoje pela manhã do radialista/economista Reinaldo Cafeo, quando no seu espaço no noticiário econômico da manhã da 94FM, o InformaSom, falando sobre o momento da economia e seus desdobramentos de queda e alta, fez de tudo e mais um pouco,sem citar o escândalo revelado ontem com as gravações disponibilizadas pelo Intercept. Para gente como Cafeo, o que ocorreu é um nada, não existe e não existirá até esses serem devidamente colocados na parede e serem também cobrados desses a responsabilidade por terem apoiado descaradamente a derriçada do país e seu encaminhamento para esse cruel e insano momento. Esses, Cafeo & Cia sempre louvaram Moro & Cia como deuses e salvadores da pátria e agora, desamparados, ainda estão um tanto perdidos, mas não dão o braço a torcer e enquanto tudo não ganhar uma repercussão, pela qual terão também que opinar e informar de fato o que se passa, estarão dando uma de isentos. Foi hilário demais da conta ouvir seus comentário e fingindo nada acontecer. Ele bem sabe, o país está prestes a desmoronar de vez e por tudo o que ouvi da boca de gente como ele, estiveram do lado errado, do que apunhalou o país pelas costas e num mato meio que sem cachorro, estão aguardando ordens superiores ou ver o que ainda poderá ser feito para salvar o negócio onde apostaram suas fichas. E ninguém ainda respondeu a pergunta: Cadê o Queiroz?

"E agora, Sérgio?
A farsa acabou, tua aureola de bom menino desmascarou, ajudar a produzir provas falsas contra quem vai julgar é a tua verdadeira cara, fez barganha com a caneta de magistrado, condenou um inocente, jogou-o atrás das grades, tirou-o da disputa presidencial e em troca, ganhou um ministério, de forma provisória até abrir uma vaga no STF. O próprio Jajá Vai Embora, assumiu que tem o compromisso de nomeá-lo para o Supremo.
O sonho acabou, Sergio!
E nem adianta procurar em outra confeitaria, pois seu sonho amargou!
Mostrou teu verdadeiro caráter, tua verdadeira cara.
Você nunca foi isento!
Você tinha partido na Magistratura!
Burguês que não concordava com os projetos sociais implantados em nosso país. Você pensa igualzinho seu chefe: filho de pobre não precisa estudar, tem que ser trabalhador braçal.
Estou vendo LULA sair sorridente da cadeia, indo tomar uma cachaça com os companheiros do ACAMPAMENTO LULA LIVRE e plagiando FIDEL CASTRO:
- Condenaram-me, não importa, a história me absolveu.
LULA LIVRE!
CADEIA PARA MORO e DALLAGNOL, JÁ!", Antonio Pedroso Junior.

NÃO SE ILUDAM, MESMO COM TODAS EVIDÊNCIAS, ELES NÃO LARGARÃO DO OSSO ASSIM TÃO FACILMENTE
Eu bem que tentei escrever algo diferente do script para o dia de hoje, mas aqui e agora sou obrigado a confessar, impossível. Hoje o dia é o da lavagem de roupa suja e em público, pois a grande farsa nacional, montada e sendo tocada teatralmente desde o golpe de 2016, o que destituiu Dilma do poder foi desmontado. Os acusados, Moro e Dallagnol, podem espernear a vontade, dizer o que quiserem, usar todos os possíveis e impossíveis argumentos, tentar a saída pela tangente, usar e abusar do auxílio ajudativo de uma conivente mídia massiva, tão ou mais perversa que eles, mas foram pegos com a mão na botija e estão num beco sem saída, nenhuma escapatória. E o mais gostos disso tudo é o que ainda está por vir. As denúncias, pelo que vi, estão só começando e se logo de cara, já estão de pernas totalmente para o ar, o sórdido jogo foi desconstruído e seus personagens estão numa lona de dar gosto. Não devemos acreditar que, mesmo escancaradas todas as falácias e perversões cometidas, será fácil tê-los defenestrados do poder, pois eles são peças fundamentais no tabuleiro jogado até então. Irão fazer de tudo e mais um pouco para mantê-los na ativa, porém, estão com a credibilidade não só abalada, como na lata do lixo. Se informar nesse momento pelo que reproduz a mídia massiva local, comandada pela TVs, depois jornais e rádios é achar que os dois agiram ainda no total desvio, dentro da normalidade lá estabelecida por eles, pérfida e atroz. A informação do que de fato ocorre está em outro lugar e ele que deve ser buscada. Não esmorecer e não se deixar levar por falsos devaneios. Os sacanas hoje no poder, todos num conluio, só deixarão o poder sob fogo cruzado, muita luta, portanto, mesmo com todas as evidências a comprovar a sacanagem feita com Lula, nem ele será solto assim facilmente, como ninguém deixará seus cargos sem que escorra sangue, suor e lágrimas. Estejamos preparados, pois para começar essa semana vai ser das mais intensas e sexta, 14/6, Greve Geral para alavancar e deletar o mais rápido possível esses vendilhões todos.

domingo, 9 de junho de 2019

COMENTÁRIO QUALQUER (189)


DAS TROMBADAS PELAS RUAS - CLUBE DO BOLINHA


SEU ROBERTO DO ALHO
Não existe reconhecimento melhor e maior do que ser chamado pelo nome, quando ontem à noite circulando e nuns bordejos a pé pela alameda Otávio Pinheiro Brizola, ser abordado por nada menos que, seu Roberto do Alho. Ele com sua lubrificada bicicleta, para no meio fio e no também no meio de seu ofício diário, o de percorrer todos seus clientes, variados e múltiplos pontos comerciais desta aldeia bauruense, vendendo seus graúdos pacotes de alhos, vindos do interior de Minas. Ontem confessava entristecido, pois no meio de um entressafra, não tinha para oferecer os grandões, classificação 9 e sim, por enquanto, somente os 6, considerados por ele de menor qualidade. Toda vez que o reencontro, não resisto em parar para um conversinha, quando me conta mais e mais detalhes de como prossegue sua vida, toda envolvida com a questão dos alhos e de como, após tentar fazer várias coisas como fonte de subsistência, acabou por encontrar no alho, que hoje entende como poucos, a sua mola impulsionadora e propulsora. Cidadão dos mais simples, conversador E ontem com um quase frio, estava em mangas de camisa, pouco agasalho e me explicando: “Na subida que fiz para chegar até aqui, só no pedal, não tem frio que resista, bate um calor”. Portanto, faça como eu, deixe de comprar alhos e bugalhos pela aí e o faça somente diretamente das sapientes mãos de gente a entender o que faz. Eu, assim como muitos criamos uma rede própria de consumo, adquirindo alguns produtos diretamente das mãos desses e não mais das grandes redes supermercadistas ou coisa que o valha. Valorizo esses todos e adoro ir escrevendo deles, fazendo com que, essa rede, se possível cresça e apareça, se mostre mais presente, viva, pulsante, impulsionante e assim ele continue sempre a sair pras ruas, ter a rica possibilidade de trombada pelas esquinas da vida. Só de vê-lo na ativa, já tenho o coração acelerado e quando me conta, como ontem, ter poucos pacotes no retorno para seu porto seguro, sua residência, feita no início da madrugada, algo mais servindo de alegria e aquecimento em dias não tão quentes. Seu Roberto é desses, que quando visto pelas ruas, possuidor de luz própria, tornam essa aldeia mais calorosa e luminosa. Isso sim é empreendedorismo.

ADVOGADO ZONTA
Esse Zonta é desses advogados considerados por mim como atuantes no meio social, o da camada com menor poder aquisitivo na cidade, tendo seus olhos e ação para com esses, motivo de sua atuação profissional. Tem história num passado recente e também o não tão recente desta aldeia. Dias atrás, eu e outro advogado na mesma cepa, Gilberto Truijo, o encontramos quando paramos nossas atividades para tomar um café com leite no meio da tarde numa padaria lá perto do Cemitério da Saudade. Eis que, lá dentro, tendo o mesmo procedimento, dr Zonta e um casal, seus clientes. Foi o suficiente para todos terem seus tempos de permanência no local mais do que estendidos, pois diante de uma pessoa tão rica e lotada de histórias, loucas para pularem fora, ou seja, serem reveladas, sentamos e nos pusemos a prosear. Naquele momento em especial dizia que a última vez que o trio ali esteve reunido foi no evento para homenagear o ex-prefeito, o comunista Gasparini. Nos disse: "Foi lindo, mas sabe o que senti a falta? Do meu depoimento, pois também tenho uma história mais que boa do Gasparini. Queria ter falado num fundo solidariedade criado por ele na cidade". Deitamos boa conversas, dessas a revirar a tumba da história oficial desta cidade, uma que até hoje é contada de um jeito, mas sem ter como pano de fundo a sua versão popular, a sob os olhos do Zé Povão. Dr Zonta, toda vez que o vejo circulando pela aí, faz com que remonte a isso, sentar com essas pessoas e ouvir algo das ocorrências de antanho, as passando batidas ou não foram ainda devidamente reveladas. Eu, Antonio Pedroso Junior e outros tanto, inseridos nesse contexto de bater pernas pelos quatro cantos destas plagas bauruenses, precisamos mais e mais arregaçar as mangas e nos colocar nas ruas ouvindo esses todos, cheios de coisas a arrepiar as tais "forças vivas" desta aldeia. Zonta é merecedor de uma prolongada e alvissareira gravação, horas de revelações.

FRED DO SAMBA E DA VILA FALCÃO
Esse é um daqueles que circula pela cidade inteira e mais um pouco. Sabe de tudo, anda por tudo, conhece tudo e está sempre antenado das coisas pelo lado do acerto. Conheço o Fred faz um baita tempão e até hoje não sei direito do que ele se aposentou, pois sei que ferroviário não é, nem funcionário público. O que sei dele é que o vejo pelos mais diferentes lugares da cidade e quando estou num evento, olho para os lados e lá está o Fred, com a mesma carinha, sempre bem disposta e cheio de palavras de incentivo, um inveterado lutador. Falou em samba, ele está presente. Morre de paixão pela sua Mocidade Independente de Vila Falcão e nessa reestruturação da escola de samba, muito dos trabalhos de bastidores, vieram de gente com esse espírito desprendido e dos que não arredam pé de pegar no pesado. Falou de política, vez ou outra compareço na Câmara dos Vereadores e quase sempre ele por lá e sempre com um algo a mais, um documento sacado lá do fundo do baú e sendo ali apresentado como prova inconteste do que está dizendo. Fred não anda em grupos, quase sempre só, mas desses que não foge da raia. Hoje trombo com ele na feira dominical, ou seja, mais um dos lugares onde bate cartão. Vem logo puxar conversa e me pergunta sobre o baú de maldades que o desGoverno do Bozo está despejando sob nossos costados. Sei, estará marcando presença na Greve Geral do dia 14/6 e além disso, durante a semana toda, estará participando ativamente da organização e contatos para que tudo ocorra a contento. Impossível não parar e prosear com gente da laia do Fred, desses mais que bacanas, pessoa a dignificar a luta e resistência das e nas ruas de Bauru. Não o vejo em bares, furdunços bagunçativos ou encrencas, mas sempre engajado e atento, radar ligado, de prontidão para o que der e vier. É desses que, para saber das novidades da cidade, aquelas que ainda não chegaram ao seu ouvido, se achegue dele e tome conhecimento, se informe, se atualize das últimas e só a partir de então dê seu palpite. Ele se antecipa e já chega nos lugares sabendo de tudo.

HENRIQUE AQUINO, NÃO CONFUNDIR COMIGO, ESSE MEU FILHO
Dei sorte danada com o filhão, Henrique Aquino, nome curto, sem delongas, duas palavras. Criei dois problemões para o danado. Nome curto, muito mais fácil de ter muitos homônimos e depois o mesmo nome meu, só sem o Perazzi, esse maior, pois pode ser confundido comigo e diante de tudo o que escrevinho ou estou enfurnado, corre risco de levar umas catundas pela aí e nem saber direito dos motivos. No mais, só orgulho. O danado concluiu o curso de Letras e me confessou: “Não quero dar aulas. Abomino a vida acadêmica, quero distância”. Faço o que? Nada. Tento incentivar a cursar outro, mais rentável, mas nesse país com os encaminhamentos atuais, o melhor mesmo é finalizar sua cidadania europeia para bater asas. Como posso querer segurá-lo por aqui diante de tudo o que ocorre? Não tenho como. Ele me surpreende em cada ato. Concluiu o curso em Araraquara, a única cidade paulista hoje comandada pelo PT, namora firme, se mostram apaixonados, gerencia uma livraria de rua (aquela cidade é talvez a cidade interiorana com maior número de livrarias de rua do país), revende bottons e agora quer lançar uma marca e produzir suas próprias estampas de camisetas. Ou seja, está se virando nos 30, muito mais que o pai. Ele veio passar o final de semana por aqui e ontem à noite não nos vimos. Marcamos hoje e no lugar mais democrático destas plagas numa manhã dominical, a feira, Bar do Barba, onde rola o rolo e os rolistas, como nós, marcamos presença. Foi pouco menos de hora e meia juntos, circulando pelas possíveis vielas, esbarrando nos apertos, esfregas e comprinhas, como livros e algo pelo qual ele gosta e eu desconheço por completo, jogos de tabuleiro. Sentou na nossa mesa e esbanjou simpatia, com algo pelo qual muito me orgulho e invejo, ele lê hoje muito mais que esse velho lobo das estepes, carcomido pelo tempo e com um chip mental já um tanto avariado. O dele está tinindo e pelo que vejo, cabe espaço pra caramba, algo seletivo sendo ali acumulado e despejado aos drops nas conversas e papos. Você não imaginam o benfazejo que é ter um filho que pensa, que não cai nessas armadilhas dos tempos atuais e que sabe muito bem separar o joio do trigo. Ganhei na loteria. Estar com ele, semana sim, semana não, papo não tão longos, mas todos tão rentáveis é algo a me recarregar até o próximo reencontro. Vi ele se afastando na feira, fiquei sentado na mesa, olhando aquele seu jeito, muito parecido com o meu e ciente de tê-lo encaminhado a contento pros embates da vida, isso não tem preço. Dia 14 eu sei, ele lá, eu aqui, estaremos nas ruas esgrimando contra isso tudo o que representa o retrocesso conservador e doente advindo com o golpe de 2016. Meu filho me embala, mesmo sem ter muita ciência disso.

sábado, 8 de junho de 2019

MEMÓRIA ORAL (240)


STRIP SEM SEXO – Diversão na Sunset, boate londrina*
* Esboço de uma história sendo pensada para uma publicação mensal impressa e aqui publicada antes dos ajustes finais.

Dificilmente alguém vai num “inferninho” sem receber um convite. Pode ser desta forma ou para conferir uma indicação. Fomos pelo segundo motivo. Estivemos em Londres, Inglaterra, no final de janeiro e começo de fevereiro deste ano, eu e a esposa Ana Bia Andrade, seguindo um roteiro de andanças pela capital londrina, ditado por alguém que lá morou por mais de dez anos, a bauruense Luciana Franzolin. Havíamos pedido a ela algo inusitado, bem underground, ou melhor, queríamos conhecer as quebradas da cidade. Ela nos apresentou e encaminhou à distância por lugares, roteiro pensado nos mínimos detalhes, que sozinhos não iriamos, ainda mais por nossa estadia ter ocorrido em apenas seis dias. Um desses lugares faço questão de descrever em detalhes como se deu a visita, íntima (nem tanto), informal e tendo brasileiros dos dois lados.

No roteiro para 31 de janeiro, uma quinta, lá estava: “Uma vez no Photographers Gallery vocês estão no Soho e aí, meu bem, era nosso território rsrsrsrs, logo abaixo da gallery vocês vão ver os sex/book shops, entrem! Então eu recomendo o Sunset Strip na 30 dean Street (http://www.sunsetstrip.co.uk/theclub.htm). Se derem sorte encontram Vânia ou Helena no bar. Tony é o dono do local. Lá me conhecem como Luciana (italianado), amiga do Antônio (fotógrafo). Depois, vocês podem comer algo por ali (Soho), tem muitas opções”. Confesso, estávamos ansiosos para conhecer o lugar e dentre todas as indicações, nessa fervilhava dentro de nós a mais absoluta curiosidade, enfim, a rara oportunidade de conhecer um inferninho londrino.

Demos sorte, pois quem nos recebe é Vânia (não cito seu nome completo para não identificá-la junto a seus parentes brasileiros), 21 anos de Londres e 16 no Sunset Bar & Striptease, ou seja, mais calejada impossível. Primeiro ela atravessa rua a me ver fotografando a fachada. Queria saber dos motivos. Ao nos descobrir brasileiros e estarmos justamente à sua procura, somos convidados a entrar. Sentamos no balcão, movimento ainda fraco, perto das 17h e enquanto atendia as mulheres e clientes chegando para a noite, foi descrevendo como se constitui a rotina por ali. O local não é luxuoso, com um salão para recepção, onde todos se aglomeram, depois descem para a pista, onde ocorrem strips e muita conversa, mas só conversa, nada de sexo por ali, algo proibido de ocorrer em boates na Inglaterra.

Na conversa com Vânia vou entendendo como tudo ocorre. Primeiro, um tanto desconfiada, depois, como toda boa brasileira, nos revelando detalhes da casa. Conta que a casa ficou famosa no Brasil por causa de uma matéria na TV Record, uma ex-miss brasileira, reaparecendo após sete anos desaparecida e trabalhando ali no período, como todas as demais que ia nos apresentando. “Aqui não tem prostituição, aqui tem diversão. Cada uma paga 20 libras para passar algumas horas conosco. Os homens chegam, elas os incentivam a ir pra pista, dançam, conversam e, é claro, consomem muito. São aproximadamente umas 50 mulheres previamente cadastradas e selecionadas por mim. Não são obrigadas a vir, vem quando querem. São de todas as nacionalidades, desde brasileiras, como polonesas, romenas, thecas, muitas latinas... A casa não é exclusividade para mulheres, já tivemos muitas travestis. Somos ecléticos e modernos”, conta.

Vânia é a gerente e espécie de faz de tudo por detrás do balcão. Esse toma toda a extensão lateral do ambiente, onde ocorrem os primeiros contatos. Conhece todas pela fisionomia e na chegada recebe o dinheiro e as liberam para a diversão. Controla a entrada e diz: “Aqui não existe tempo de permanência, a casa funciona de segunda a sábado, das 12h à 1h da manhã. Tudo é pago, cabines exclusivas para dança são 20 libras. Elas ganham para dançar com exclusividade e assim por diante. A casa começa a bombar depois das 18h, os homens chegam, pagam a bebida, escolhem a sua preferida, ali já combinam alguma coisa”. Não resisto e pergunto se existe algum problema com a polícia. “Sem nenhum problema. Todos estão aqui para se divertir, somente isso, para se divertir, se encontrar, bater papo, dançar e tentar ser feliz”.

A experiência londrina de Vânia antes do Sunset foi com trabalhos em restaurantes, até dominar o inglês, daí conheceu o esquema do bar, caiu nas graças do Tony e dali não mais se afastou. Conta que o bar tem 70 anos de existência, 25 no formato atual e Toni tem 30 na direção. As mulheres vão chegando e além do dinheiro adiantado, tem seus nomes marcados numa lista, num clima dos mais amistosos, onde segundo ela, não existe motivo para nenhum tipo de indisposição, pois todos ganham e saem satisfeitos. “Aqui você trabalha e vê a coisa render, lá no Brasil não. Lá é tudo muito sofrido. Eu não vim pra cá só por dinheiro, mas hoje sei, tudo o que consegui, se ainda estivesse no Brasil, dificilmente teria tido as mesmas oportunidades”. Com o passar das horas, conta também sua idade, 50 anos, filho com 24, casada, morando nos arredores de Londres e lá outra vida. No Sunset a necessária transformação, de alguém resolvendo tudo, desde a mulher interessada em fazer parte do time, como ter que desligar uma por ter sido inconveniente ou mesmo, ter fugido das regras previamente conversadas e não respeitadas. Tudo é com ela e Tony a deixa bem à vontade, liberdade total, pois sabe, mesmo sem conhecer o ditado brasileiro, mas das regras de um bom negócio, onde se apregoa que, “em time que está ganhando, não se mexe”.

Na Inglaterra é proibida a prostituição de rua e quem for pego com a prática nas esquinas, paga pesadas multas, tanto um como o outro. Nisso são rigorosos, assim como a informação também me passada por Vânia, a da não existência de motéis no país. A velada prostituição se dá abertamente via sites, com cada profissional tendo seu próprio local para atendimento dos ditos clientes. No Sunset, como me foi dito por ela, não acreditei e só vim a entender depois, realmente não rola prostituição, não tem sexo na parada, nem no local, nem longe dela. A casa promove diversão, alguém chega com essa finalidade, encontra uma parceira para tanto, gasta e sai de lá plenamente satisfeito, bem ao estilo londrino. Algo impensável no Brasil, onde já estaria naturalmente misturada a diversão com sexo, não havendo outra possibilidade. Em Londres, ao menos aparentemente, tudo é velado, encoberto por névoas e pitadas de um refinado puritanismo. Ou seria conservadorismo, preservado ao longo dos séculos?

OBS.: Todas as fotos são ilustrativas e foram retiradas do site da Sunset.