domingo, 16 de setembro de 2018

DICAS (176)


AS NOVÍSSIMAS RODOVIÁRIAS PRÓXIMAS ÀS RODOVIAS*

Artigo de minha lavra e responsabilidade publicado na edição desta semana do jornal Pedra de Fogo, Lençóis Paulista SP, ampliando o debate sobre a questão da mudança dos terminais rodoviários do centro antigo das cidades para a beirada das rodovias:

Não conhecia o novo terminal rodoviário de Lençóis Paulista. Voltando de São Paulo pelo Expresso de Prata tive o prazer de conhecê-lo num dia à noite. Se a primeira impressão é a que fica, gostei do que vi. Moderno, confortável, prático e mais espaçoso, mas algo me intriga nessas novas localizações. Sei existir um direcionamento de todos estarem localizados o mais próximo possível das rodovias. Muito mais prático os ônibus intermunicipais não atravessarem a cidade inteira para despejar e buscar passageiros. Estando próximos das rodovias tudo pode ser feito com maior rapidez. Eficiência dos serviços, isso em primeiro lugar. Ótimo, mas não é somente isso o que se deve levar em consideração quando das escolhas.
Maquete da agora distante rodoviária de Lençóis


Na de Lençóis, observada por volta das 20h, numa rápida passada e de dentro de um ônibus, percebo algo a mais. Principalmente o cidadão com menos recursos é o mais penalizado com a nova localização. Antes a rodoviária estava no centro da cidade e para estar nela bastava um pulo. Hoje não mais. O deslocamento é complicado, de difícil acesso para a maioria da população. Está num local em desenvolvimento, muito distante do centro urbano e pulsante da cidade. Fui o resto da viagem pensando em como a pessoa com poucos recursos se desloca para aquele local, o tempo perdido, o quanto despende de gasto para tanto. Como resolver os problemas surgidos com a inauguração?
A de Marília é também colada com rodovia.

Não sei se os ônibus intermunicipais continuam passando pelo centro e com pontos distintos nessa região, facilitando o acesso dos usuários. Na existência desses pontos, uma tentativa de solucionar o problema, mas criando outro. Se o fazem, deixam explícito que a nova localização é um problema. E se não o fazem, deixam desamparados parte significativa dos usuários, esses tendo que pensar em outros meios para chegar ao terminal, aumentando suas despesas. Um ônibus urbano mantido pela Prefeitura Municipal, sem custos, com horários regulares poderia ser uma paliativa solução. Inegável o benfazejo da nova edificação, mas quando pensada num todo, envolvendo principalmente os que mais se utilizam e mais necessitam, daí percebe-se realmente o interesse dos dirigentes municipais em estar ao lado da população.

Fazendo uma comparação simplista do novo terminal com outros na mesma situação e com o clássico caso do da cidade de Marília, algo a aprender. Lá também a transferência para a proximidade com a rodovia. A diferença é que lá, o local já era muito mais movimentado que o de Lençóis, esse sendo alavancado inclusive com o deslocamento do terminal. A de Marília possui maior movimentação e vingou. O de Lençóis só foi inaugurado, encontra-se com portas comerciais ainda fechadas (qual incentivo o comerciante possui para lá se instalar?) e precisa ser pensada em todas suas matizes, para ocorrer uma real integração com a cidade e não se torne uma espécie de elefante branco, algo apartado e sem sentido. Para que isso não ocorra, todos os lados envolvidos na questão precisam ser ouvidos e atendidos. Que isso ocorra para o bem de Lençóis. Não basta ser bonito, necessitando também ser realmente útil e prático.

sábado, 15 de setembro de 2018

ALFINETADA (169)


CHICO DEMOLIDOR É PAGO PARA COLOCAR EDIFICAÇÕES ABAIXO E OS PIORES DO NOSSO MUNDO COLOCAM ABAIXO NOSSOS SONHOS
Araújo Leite X Duque de Caxias
 

Circulando pela cidade, descendo a rua Araújo Leite em dois lugares a presença mais que ativa do amigo Chico Demolição. Ele se transformou não só no símbolo das demolições sendo visualizadas na cidade, mas é o contratado para sua execução. Chico vive disso e sem neuras. Contratado, vai lá e executa o serviço, colocando logo abaixo o prédio até então desgastado pelo tempo. As duas edificações aqui citadas estão localizada na rua Araújo Leite, uma esquina com Duque de Caxias e a outra na avenida Rodrigues Alves. Passo em ambas e converso com Chico.

Uma pessoa sensível, de baixa estatura, comedido, reservado, eficiente no que faz, um marreteiro. Não no sentido de marretear produtos, mas de descer literalmente a marreta. Digo a ele que, infelizmente, sou obrigado a fazer uma triste comparação com o seu serviço profissional e outro tipo de profissional (sic), os que demolem o país. Chico faz o serviço sujo, mas somente o que lhe suja as roupas, com muito pó, oriundo das demolições, mas os outros, esses sim muito mais sujos, em outro sentido, pois se sujam interiormente e de uma forma sem perdão.
Araújo Leite X Rodrigues Alves

Enquanto Chico com sua marreta devasta parte da nossa memória, essa sendo substituída por algo dito como mais moderno e necessário, o que até contesto, mas não de forma acintosa, pois sei que nem tudo deve ser mantido ad eternum. Já dos demolidores de sonhos, esses sim, cruéis e insanos, gostaria muito de cravar-lhes não só uma facada, mas acionar um botão igual ao do meu computador, onde deleto sem dó e piedade os insanos e intolerantes, esses bestiais conservadores topando tudo para destruir o país.

Podem dizer produzir uma insólita comparação. Chico é um cidadão mais do que respeitável nesta cidade, noroestino como eu e até lá bato regularmente papo com ele. Fez da marreta seu ganha pão e vejo suas digitais em 90% das demolições na cidade. Ele não tem nada a ver com os demolidores dos sonhos, os que hoje destroem tudo o que foi duramente conquistado, mas vale a comparação, pois ambos colocam abaixo algo. Não quero misturar o que fazem além do já aqui escrito. Chico não destrói nossa memória, ele simplesmente executa um serviço regiamente pago. Não dá para discutir memória cultural num país devastado por mentes afirmando neste momento que o incêndio no museu carioca foi bom, pois eliminou um custo desnecessário que tínhamos para com coisas velhas. Não bastasse a destruição da memória, as classes dirigentes e dominantes brasileiras, essas sim perniciosas e demolidoras empenham-se em esmagar as esperanças no futuro.

Chico me diz que no lugar do que demole surgirá algo novo, um prédio condizente com o progresso da cidade. Até concordo, mas não consigo o mesmo com nenhuma justificativa dada até o presente momento pelos golpistas no poder para a destruição promovida pelos que apunhalam sem dó e piedade os interesses da maioria da população, os das classes menos favorecidas e dos trabalhadores. Para esses, desceria a marreta do Chico sem dó e piedade.
Chico Demolição no meio do mais entende:: escombros.

sexta-feira, 14 de setembro de 2018

CENA BAURUENSE (176)


O EVENTO DOS TRINTA ANOS DA INCORPORAÇÃO DA UNESP E OS TRABALHADORES NOS BASTIDORES
Estive no evento dos 30 anos da incorporação da FEB pela Unesp, hoje o maior campus dessa universidade. O evento ocorreu no Guilhermão e num momento ouvi até algo sobre quem foi o nome que todos conhecem, mas nada sabem dos motivos da homenagem. Foi gratificante ver minha eterna orientadora do mestrado, Maria Cristina Gobbi na mesa montada no palco e produzir um discurso belo e sincero. Como foi também muito belo ver novamente o pessoal da Cia Estável da Dança se apresentando para todos, inclusive o prefeito, que assim teve oportunidade de assistir um espetáculo que até então não havia tido tempo (sic) de ir ver pessoalmente nas apresentações no teatro. 30 anos, gostei de saber da participação do então deputado Tidei de Lima, secretário do governo de Quércia e do seu irmão, Antonio Tidei nas negociações de bastidores para que a incorporação de fato ocorresse. Faltou convidarem Tuga Angerami, também professor da Unesp e o prefeito na época da transição.

Presenciei tudo, mas algo me chamou a atenção e é sobre algumas pessoas ali presentes, pouco notadas o motivo principal deste meu escrito. A Orquestra do Município tocou no evento, primeiro executando o Hino Nacional e depois mais algumas canções. Percebam o orgulho para o prefeito, ali presente, pois num evento tão pomposo, a Orquestra e a Cia de Dança, ambas públicas são as convidadas para abrilhantar o evento. Nos bastidores da Orquestra fico olhando durante bom tempo para alguns servidores públicos municipais, os também ditos e vistos como “carregadores de piano”. Os que trazem e levam de volta todo o aparato da apresentação. Do lado de fora um caminhão baú da Prefeitura e esses montando e depois desmontando tudo. Um deles, o Paulão, uma espécie de mordomo da Orquestra e hoje também guardião da Estação da NOB, o quartel-general deles, estava lá, filmou com seu celular parte da apresentação, o que demonstra um algo mais, ele não estava ali só para cumprir uma obrigação de serviço, mas ama o que faz.

Escrevo mais do Paulão Custódio. Boas lembranças quando o via ali defronte o Automóvel Clube velando na entrada do local, cuidando de todos os detalhes. Estavam no Guilhermão, ele e mais dois, cujos nomes não me lembro, mas alguém vai me ajudar e os citarei com a devida pompa e reconhecimento (achei que um deles é o Diogo Cosmo. é isso mesmo?). Tricotaram durante a apresentação, mas pegaram no pesado quando tudo se encerrou. São organizados e cada fileira dos músicos saem uma a uma escada acima, sem aquele corre-corre, cada um guardando seu próprio instrumento. O mais pesado ficou com o trio comandado pelo Paulão. Poucos notaram a presença deles, mas eu os enalteço, pois são valorosos, os tais imprescindíveis no que fazem e como fazem. O que seria dos espetáculos todos sem esses por detrás de tudo?

A Unesp Bauru é tudo isso que vemos hoje por causa de tudo o que foi citado nos pronunciamentos, mas assim como fiz questão de notar, nada ocorre sem os anônimos, esses atuando nos bastidores, carregando literalmente pianos. Minha sincera homenagem a esses todos, os que carregam a Unesp às costas e os que carregam o peso nas idas e vindas dos equipamentos necessários para as apresentações culturais, tanto da Cultura Municipal como tudo o mais. Como tristemente constato pelas aberrações sendo aprovadas por um Congresso Nacional insensível e insano, não sei se eles ainda são empregados estáveis ou se já fazem parte do novo modal de contratação, a terceirização, que se não chegou também está batendo às portas da Unesp e de tudo o mais.

OBS.: Nessa última foto, enquanto o maestro rege a orquestra, Paulão grava parte da apresentação com seu celular, numa dedicação de quem ama o que faz. O cara é batuta!

quinta-feira, 13 de setembro de 2018

RETRATOS DE BAURU (218)


CLAUDIO VENDE POESIA NOS SINAIS DE TRÂNSITO DE BAURU
Reencontro o baita amigo Lázaro Carneiro hoje pela manhã no centro da cidade. Na parada para o obrigatório papo, ele me diz do seu desalento, total desencanto com o que vê acontecendo, essa inabilidade para nos aproveitarmos do momento atual e virarmos logo essa mesa. Diante da passividade quase geral, ele não mais produz, acabrunhado me diz: “Tudo o que você vê meu lá no facebook não é novo, tudo velho, reproduzido de tempos atrás”. Percebo esse seu estado de espírito se multiplicando, mas alguns estão por aí poetando como nunca, até como meio de sobrevivência e como forma de ir multiplicando uma ideia diferente da que grassa nas esferas golpistas de poder desses sombrios tempos. Conto a história de um que vejo remando contra as marés nos sinais de trânsito desta cidade.

CLAUDIO DOMINGUES DOS SANTOS, 37 anos, mora em Bauru e estuda Psicologia na Faculdade Anhanguera. Nada sei dele, além do fato de vê-lo regularmente diante dos sinais de trânsito da avenida Duque de Caxias, entre a Saint Martin e Agenor Meira vendendo suas poesias aos que por ali param. Sempre de bermuda, óculos escuros, barba por fazer, mochila nas costados e numa das mãos um punhado de papéis. Chega com seu jeito malemolente e oferece algo inusitado aos motoristas: a sua poesia. Muitos já o conhecem e as moedas circulam de uma mão para outra. Em alguns casos ele ali com o corpo vergado fica a explicar dos motivos de poetar e ter que divulgar seu trabalho desta inusitada forma. Ele não se faz de rogado, vai de veículo em veículo e já sabe o tempo a ser utilizado em cada parada diante dos minutos em que o sinal permanece fechado. Faz companhia para tudo o mais nos sinais da região, convivendo num compartilhado espaço, cada um sabendo muito bem como não invadir o do outro, enfim, o mundo é, supostamente, para todos. De uma das poesias comprada dele, o Poemas Persuadictos (parte vinte) extraio algumas linhas: “Estou perdido no meu mundo organizado/ Onde tudo está certo/ E nada pode estar fora do lugar/ Num constante contato/ Com seres de outros planetas...”. Cláudio deve não só fazer contato com seres de outros planetas, mas deve ser um deles, pois flana com seu jeitão no meio dessa bagunça desorganizada, indiferente a tudo o mais, só pensando no cumprimento do seu objetivo para aquele momento. Consegue arrebanhar alguns trocados a cada investida nas ruas e assim toca sua vida. O vejo assim, um ser meio que deslocado deste mundo, num outro estágio, mais elevado, mas necessitando (ainda) das “platas” para continuar sobrevivendo. Inventou um jeito de conseguir seu intento e dele faz o melhor uso possível. Não me perguntem mais nada dele, pois nada mais sei e nem me interessa. O que sei me basta, um poeta de nossas esquinas. Cada um poeta ao seu modo e jeito, esse o dele. Seu facebook para contatos imediatos é: www.facebook.com/claudio.domingues666

quarta-feira, 12 de setembro de 2018

OS QUE FAZEM FALTA e OS QUE SOBRARAM (116)


A VISITA DO DEPUTADO PAULO TEIXEIRA NO MAFUÁ
Uma reunião de insatisfeitos, militantes, convidados e pessoas de todas as matizes dentro do cadinho dos conscientes da aldeia bauruense. Um convite para um bate papo, ouvir o deputado federal Paulo Teixeira do PT, em busca da reeleição e a apresentação do que é seu mandato, como é construído, o que pensa e como age. Na noite de quarta, 12/09, num local previamente escolhido, o Mafuá do HPA, uma espécie de sede da Ursal bauruense (prontamente reproduzido pelo deputado, após tomar conhecimento que esse mesmo agrupamento já produziu até uma Festa Bolivariana na cidade), umas quarenta pessoas, vindas dos mais diferentes lugares e até da região, fizeram algo muito em falta nos tempos atuais: discutiram o país e suas possibilidades.

O que todos buscam hoje é algo neste sentido: a possibilidade de conversar livremente, expor ideias, uma discussão feita dentro de parâmetros ditos democráticos, algo também em falta desde a chegada do golpe no país. Enquanto aguardavam a chegada do deputado, o local foi sendo montado pelos que primeiro chegaram, com a disposição das cadeiras em círculo, uma extensão com uma lâmpada de LED esticada para o meio do quintal frontal, um isopor com bebida gelada e na cozinha, uma fritada de linguiça calabresa com cebola, preparada pelo maitrê vegano Mauricio Passos, vindo especialmente de Pederneiras para o fogão. Um clima de confraternização e propício para a necessária conversa, diante das incertezas de uma eleição para a presidência da República, a primeira depois do golpe, a renovação de dois terços do Senado, mas a renovação completa da Câmara dos Deputados, federal e estadual. A renovação ou a manutenção do estado atual de coisas está diante de todos e a conversa flui. Um dia atrás, Lula, o candidato de todos os presentes foi definitivamente impedido de disputar o pleito por um Judiciário totalmente comprometido com os interesses dos golpistas. Haddad, assume a candidatura pela coligação PT/PC do B, muita incerteza no ar, uma facada no candidato da direita, também apunhalado pelo seu vice, mais um pronunciamento de militar graduado na ativa contrário à esquerda e suas possibilidades. Com tudo isso fervilhando na cabeça de todos, Paulo Teixeira chega, circula no local por meia hora, ouve todas as conversas, junta também o que sentiu de sua ida um dia antes para Curitiba, local da masmorra de Lula e do lançamento de Haddad e inicia sua fala.

Não resumo o que disse. Gravei boa parte dos quase quinze minutos do belo resumo dos acontecimentos e sua interpretação, neste vídeo a seguir: https://www.facebook.com/henrique.perazzideaquino/videos/2293372294026100/. Seu apanhado, bem geral, do momento vivido pelo país é elucidativo. Teixeira é muito lúcido e possui uma comprovada parceria de luta junto aos muitos movimentos sociais comprovadamente ativos do país. Na região de Bauru, sempre presente, não se furta de estar ao lado desses, como faz uma contundente crítica a reforma da Previdência como apresentada. Enfim, ele bem diferente da imensa maioria dos candidatos de Bauru, mais de 20, entre deputados estaduais e federais, possui uma bem definida linha de defesa dos interesses dos trabalhadores (somente Roque Ferreira dentre os candidatos bauruenses). Eu, e tenho certeza, todos os presentes quando da escolha de seus candidatos, fazem junto aos mesmos a seguinte e crucial pergunta: Como é seu posicionamento diante da reforma da Previdência e das mudanças na legislação trabalhista? O voto ocorre diante da resposta. Teixeira passa fácil pelo crivo e com certeza, fugindo do besteiros de que “bauruense deve votar em bauruense”, promove uma ação diferente do leva e trás emendas parlamentares, mas se dispõe a estar na frente de luta. Sua fala deixa evidente seu posicionamento.

Finalizo com algo mais do encontro. Sempre que ocorre algo dessa natureza pelos lados do mafuá ou em outros lugares, o que mais se ouve é da necessidade de ampliarmos, nos reunirmos mais e mais. Fazemos o que podemos. O gostoso desses encontros é ver no semblante de cada um a expressão de contentamento por estar ali reunido. Sim, precisamos no ver mais, essa necessária troca de saberes e opiniões. No encontro desta noite, a repetição de um Lulaço com o trompetista do grupo, o advogado Salvador e seus filhos. Sendo alinhavado um próximo para as ruas da cidade, num local sendo definido: feira, calçadão, shopping, etc. O rescaldo é sempre positivo, Teixeira e também o candidato a estadual, Renato Simões, que teve ato de sua candidatura na Câmara Municipal e fez uso da palavra neste, confirmaram a disposição de luta e a reafirmação de possuírem um lado, o dos interesses populares. Uma noite agradável, onde todos os presentes se recarregaram para os próximos embates, esses já ocorrendo na virada da curva da esquina. Um parabéns para Claudio Lago e Ivan Scromov, organizadores do evento, felizes pelo sucesso e já programando novas incursões.

terça-feira, 11 de setembro de 2018

COMENDO PELAS BEIRADAS (61)


O PT DECIDIU, HADDAD É O CANDIDATO, MAS DEIXARÃO ELE LEVAR SE GANHAR O PLEITO?
A MINHA OPINIÃO:
Eu continuo tendo cá comigo que nossa pífia democracia já foi pras cucuias faz tempo. Desde o golpe, qundo da destituição bestial feita contra a presidenta Dilma, tudo anormal e a cada novo ato a confirmação. Essa eleição, quando querem dar um carinha de legalidade, de normalidade, de que tudo caminho nos conformes da lei, não cola. Tenho comigo e ninguém me tira isso, o fato de terem levado o golpoe até gora, crueldade em cim de crueldade, repetidas maldades e não irão entregar tudo de mão beijada para o que o povo decidir. Se preciso for, darão um outro golpe dentro do golpe. Ao meu ver, irremedivelmente o candidato de Lula, agora definido como Haddad, mesmo diante da forte aceitação popular, tudo farão para impedí-lo de ganhar. Temo que, o PT vai acabar por referendar esse pleito, com tudo o que já foi feito. Os sacanas querem e precisam disso, da participação petista para dar esse ar de legalidade. Quando a última sacanagem for feita, virão eles, os mis sacanas deste país dizer que tudo transcorreu dentro da mais absoluta normalidade, nada a reclamar, pois até a oposição participou. Tomara esteja errado. Vamos com Haddad, desde sempre, mas confesso, com um pé atrás. Não confio em nada do que vem das ditas autoridades constituidas no Brasil de hoje.

E O QUE FOI SURGINDO A RESPEITO:
"É bacaninha o esforço de algumas candidaturas de insistir na pregação do voto útil, no momento em que Haddad dispara nas pesquisas, antes mesmo de ter sido oficializado como candidato. O fato de ele ainda não aparecer liderando ainda em todos os cenários do segundo turno é mero detalhe. Nas próximas pesquisas, ele vai liderar na maioria dos cenários, senão em todos. Seja como for, eu votaria nele, mesmo que ele não tivesse chance de ganhar. Porque agora ele é nosso candidato", Rodrigo Ferrari
"Tive meu voto cassado com o golpe contra dilma, depois veio a retirada de direitos do temer, ai prenderam lula e agora proíbem meu candidato de ir aos debates ???? Quem eles querem enganar???? Somos uma ideia, lula já ganhou!! Haddad e Manu por um Brasil melhor e se Deus quiser uma sao Paulo sem mdb, psdb e pp, enfim sem direita !!!!", Tuta Caetano
"HADDAD sem ser candidato mesmo com os demais estarem a anos em campanha, esta em empate tecnico em 2º lugar, imagina se e somente se virar candidato e com apoio de Lula. Ainda é #Lulalivre, inocente e CANDIDATO", Cláudio Lago
"A unica boa noticia é que se Haddad vence, eles vão pensar duas vezes antes de fazer um novo impeachment que levaria a Manu na presidência...", Eric Schmitt 
"Não se pode falar na TV "Eu sou Lula", com a máscara do ex-presidente. Mas está liberado dizer "Eu sou idiota", com a cara do sujeito que emitiu a proibição?", Gilberto Maringoni
"No teatro golpista ainda teremos mais alguns atos", Hermann Schoroeder Junior.
"A transferência começou !! HADDAD É LULA.! LULA É 13 ENTÃO LULOU BRASIL", Montinegro Monti.

segunda-feira, 10 de setembro de 2018

FRASES DE UM LIVRO LIDO (131)


FACHADAS, O LIVRO DO OLHAR FEITO DAS CALÇADAS BRASILEIRAS ME ENCANTA NA BIENAL QUADRINHOS DE CURITIBA

Tudo o que envolva a rua como tema me chama a atenção. No último final de semana, de sexta a domingo passado aconteceu em Curitiba mais uma Bienal de Quadrinhos (http://www.bienaldequadrinhos.com.br/), onde quadrinistas do país inteiro e até da América Latina ali se reuniram no Portão Cultural, junto ao Museu Municipal de Artes, bairro do Portão num grandioso evento. Fui um devorador e colecionador de quadrinhos, tive tudo desde todas as edições da revista Circus, como a Chiclete com Banana, Rê Bordosa e Piratas do Tietê... Sabe o que fiz com tudo juntado ao longo de muitos anos? Encontrei a melhor solução deste mundo: dei tudo para o filho. Esse, para meu orgulho e contentamento, guardou o que de melhor existia e prossegue minha saga. Nas idas à sua casa, além dos livros de tudo quanto é natureza, a estante reservada ao quadrinhos é meu maravilhamento. Se antes emprestava livros para os outros, hoje ele quem me empresta vez ou outra algum. Sou daqueles sabendo reconhecer todos os que desenharam pro Pasquim pelo traço. Bato os olhos e sei que é o autor. Aprendi isso dessas época.

Dessa geração atual estou um tanto desatualizado, mas dou meus pulos. Circulo bem entre eles e conheço todos os mestres, os papas do assunto, quase todos da minha geração. Os novos, quando meu filho já não me apresentou, nesses lugares como a Bienal, vou assuntando e na aproximação me inteirando do trabalho e dos temas prefenciais. Lugares onde quadrinhos estejam em evidência muito me agradam. Na Bienal curitibana fui com Ana Bia Andrade, não tínhamos muito tempo e o local era bem ampolo. O espaço interno do Centro Cultural abrigava muitas stands, mas do lado de fora o filé, a nata, tudo ali num imenso barracão de lona, com quase cem metros de comprimento e dentro, mais de centena de quiosques. Uma perdição. Tinha de tudo um pouco e para todos os gostos. Literalmente viajei no pouco tempo ali passado sábado passado. Algo me espantou, a quantidade de gente muito nova com belas produções e numa sequência, muitos na floor da idade e já tendo muitas publicações. Tive que ser contido pelo freio da companheira, pois traria muita coisa. O peso máximo de nossas malas estava no limite, tudo por causa dos livros adquiridos em promoções e compras variadas. Como a Bienal ficou por último, a grana já estava também no limite, fui contido pela necessidade, por não mais poder, mesmo querendo muito.

Fiz essa introdução, somente para descrever algo a me cativar, me chamando muito a atenção e escrevendo dele é como se o fizesse de todos os demais. Um livrinho em formato de sanfona, ou seja, você abre e suas páginas dobradas se abrem formando um grande mosaico. O título é bem a cara do mesmo, FACHADAS, seu autor um gaúcho de Pelotas, Rafael Sica. Não é um livro para ser lido, mas para ser visto, revisto, revisitado, curtido pouco a pouco, detelhe por detalhe. Quem é rueiro e gosta de enxergar tudo o que vai numa cena de calçada se encanta com o que os olhos do Rafael enxergaram. Muito sutil, em cada fachada desenhada algo novo, uma cena bem diferente da outra. Eu poderia muito bem fazer uma redação de vestibular, uma crônica com cada fachada do livro. O enxerido como eu, olha uma fachada dessas e já imagina o conteúdo inteiro da casa ao fundo. De um lado a fachada e do outro, algo remetendo para o que está desenhado na fachada. O negócio pode passar desapercebido por muitos, mas não para mim, pois esse livro além das imagens possui um cheiro, um cheiro de rua, de cocô de cachorro na calçada, de lixo deixada por dias na soleira da porta, de uma camisinha jogada num cantinho ou mesmo de uma linda flor vicejando num canteiro bem cuidado. A telha quebrada, a casa abandonada, a pintura cheirando a nova, a trinca na mal cuidada, tudo é motivo para um longo olhar e até um escrito. Divago nisso tudo.

O livro não tem palavras e sim imagens, possui 64 páginas, editado pela Lote 42, tamanho 10 x 15 cm, imagens todas em preto e branco, sem cores, mas deixando fluir a imaginação. Na apresentação descolei isso: "Fachadas é uma série sobre uma cidade que existe. Ou, então, é uma série sobre uma pequena cidade dentro de uma grande cidade. Ou é uma série sobres as casas de uma rua mal iluminada. Ou, enfim, Fachadas é uma série sobre uma cidade imaginária. O quadrinista Rafael Sica nasceu em Pelotas, em 1979. Cronista do cotidiano e da sociedade, seu trabalho é silencioso, mas permeado de sutilezas, humor e significados. Publicou diversos livros, entre eles Ordinário (Cia das Letras, 2011) e Fim (Beleléu, 2014), teve mostras individuais e venceu duas vezes o Prêmio HQ Mix". Vi o livro e já me imaginei, eu e minha inseparável máquineta fotográfica saindo pela aí, aqui mesmo em Bauru ou qualquer outro lugar e pipocando flashes de fachadas variadas. Daria um belo trabalho, isso em cada cidadela, em cada lugar por oinde pise. Juntaria a foto e algum escrito. Mais uma ideia dentre tantas fervilhando pelo cerebelo.

Selecionei três vídeos sobre esse trabalho: 1) https://www.youtube.com/watch?v=Jw4b6qiOLcw, 2) https://www.youtube.com/watch?v=DARXwgRniMw e 3) https://www.youtube.com/watch?v=w2TYxFvVhG4. Neles uma ampla ideia do projeto do autor. O Rafel me autoprizou de boca a reprodução das imagens e assim o faço com a devida louvação, por ter gostado muito e servindo de inspiração para viagens outras, que devo fazer em breve. Ele o fez através do traço, mas como nada desenho, tiro alguma mequetréficas fotos e escrevo alogo dos lugares por onde ainda consigo circular. Vou me ater mais a detalhes como os vistos nos desenhos dele e me inspirar para divagar, algo que tenho feito com louvor e contentamento. O que nos resta num país destriçado e sendo dilapidado senão divagar e resistir ao seu modo e jeito? É o que encontro para fazer a vida seguir adiante diante das agruras desses bestiais tempos neoliberais. Deixo a dica: vamos viajar juntos pelas páginas dessa FACHADAS?