segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

CENA BAURUENSE (157)


SAMBÓDROMO SÁBADO À NOITE – O PRINCIPAL SÃO AS PESSOAS

Sábado á noite, eleição do Rei Momo e Rainha do Carnaval Bauru 2017, lá no Sambódromo do Geisel e dentre os presentes, este mafuento registrado. Um que, além de escrevinhar, ainda se dá ao luxo de sair pela aí registrando as pessoas dessa cidade. E o faz não naqueles que saem diariamente nas colunas sociais, os que pagam até jabá para terem suas caras estampadas em publicações variadas e múltiplas. Para mim, o melhor de tudo em eventos periféricos e ir fotografando e depois expondo de uma forma bem generosa, espontânea e, porque não, entusiasta, esses tantos movendo verdadeiramente esta Bauru para a frente.

Escolhi dez momentos e com uma pequena legenda, sem a identificação das pessoas nela contidas, algo do que rola nos bastidores não só do Carnaval, mas da vida que pulsa e impulsiona todos nós para a frente. Fotografo por causa deles todos.

Foto 1: Quando uma das deusas do carnaval, com muito samba no pé está, por algum erro de avaliação, do outro lado do alambrado


Foto 2: A matriarca da escola, aquela que pega no pesado, vigia tudo e até na festa está em estado de alerta

Foto 3: O guardador de carros de uma famosa casa noturna te reconhece e faz questão de lhe dizer que irá sair na escola que mais lhe apetece.
Foto 4: O menino enverga a camisa do time da sua aldeia e me puxa pela camisa como a dizer: "Estou aqui, viu!"
Foto 5: Dois renomados professores de balé, o primeiro e o atual, falando sobre um menino dançarino indo como bolsista para o Canadá.
Foto 6: Dos reencontros da festa, dois velhos sambistas, um em cada lado, agremiações diferentes, unidos pelo amor ao samba.
Foto 7: O menino cansado e sentadinho na sarjeta, sendo acolhido pela mãe e daí ambos sorriem e continuam a festa.

Foto 8: Sou puxado pela manga da camisa e o autor me diz: "Me fotografa também". E me leva até sua companheira. 
Foto 9: Dois sambistas encostados no alambrado após a apresentação diante do jurados e sorrindo para a foto.
Foto10: Da foto que era inicialmente para ser feita com um, mas outros foram se achegando e resultou no alegre ajuntamento de tantos quanto couberam na foto.

domingo, 12 de fevereiro de 2017

O QUE FAZER EM BAURU E NAS REDONDEZAS (86)


TERRA DO NUNCA - COMO, AO OLHAR COM OS OLHOS DA FOLKCOMUNICAÇÃO PARA BARRACÃO LÁ NO GASPARINI, VIAJO DENTRO DA SABEDORIA POPULAR

Que o país todo está de pernas para o ar com a chegada desse (des)Governo golpista, disso não existe mais nenhuma dúvida? Trouxeram com eles a insegurança, a canastrice no jeito de tocar as coisas públicas, a bisbilhotice, a malversação declarada e inescrupulosa e também, além do desleixo, uma pitada de “podemos fazer de tudo com eles, pois não existirá reação”. Eles, os golpistas jogam muito com isso e assim tramam maldades dia após dia. De certa forma sabem que, assim como disse Ciro Gomes num evento semana passada onde estive presente, existe um medo diante de tudo à nossa volta sendo destruído: “Nosso povo está é com medo, bem diferente de passividade. Como um cidadão trabalhador, duas horas de ônibus para chegar ao seu emprego, mal remunerado, instabilidade total, come mal, duas horas a mais para voltar para casa, dorme mal, mulher reclama das contas não pagas, como vai reagir? Ele nem imagina como fazê-lo, pois suas necessidades imediatas o consomem”.

A reação se dá de variadas formas e jeitos. Constato uma, fonte de meus estudos mestradinos, com a leitura das teorias de folkcomunicação. Isso é o passo adiante do que entendemos por folclore, pois analisa um algo mais. Entenda isso lendo essa definição: “Dedica-se ao estudo dos agentes e dos meios populares de informação de fatos e expressão de ideias. (...) Se o folclore compreende formas grupais de manifestação cultural protagonizadas pelas classes subalternas, a Folkcomunicação caracteriza-se pela utilização de estratégias de difusão simbólica capazes de expressar em linguagem popular mensagens previamente veiculadas pela indústria cultural.”.

“Cada vez mais, as culturas regionais e locais vêm se posicionando no contexto globalizado, suas manifestações passam por uma ‘atualização’, e também criam modelos próprios para inseri-los na arena digital. Alia-se a isso a existência hoje de uma consciência da importância da cultura local como fator de desenvolvimento e consolidação das diferenças entre grupos e de sua protagonização na cultura global”, diz um renomado autor. Ou seja, as mensagens criptografas pelos variados e múltiplos agentes locais estão por todos os lugares. É a forma como se comunicam com o mundo externo, já que não dispõe de meios para estarem atuando dentro dos meios convencionais de mídia. Criaram os seus, como o muro da Faneco com suas mensagens, os papéis colados nos postes com dicas do que rola nos bairros, o cartaz fincado no buraco com a chacota pelo descaso do poder público e por aí adiante.

Cito um caso para ver como, de uns tempos para cá, tudo me interessa. Por onde circule recolho essas manifestações e ao fazê-la, incremento meus estudos e isso me instiga em mais e mais: ser um observador de como em tudo o que o povo mais simples faz, dificilmente lá não está cifrado uma mensagem, um toque, uma dica, uma comunicação. Foi o que vi e aqui reproduzo através de fotos num ambiente de lazer funcionando lá no Gasparini, uma casa de jogos de malha, boliche. Localizada na beirada do bairro, também da rodovia Bauru/Araçatuba, um galpão e lá funcionando o tal espaço. Dentro um bar e a pista de malha (sabiam que existem muitos campeões estaduais de malha em Bauru?), gravado do lado de fora em letras grandes e feitas por algum artista local, o nome dado pelos próprios usuários ao lugar: TERRA DO NUNCA.

Assim como na terra de Peter Pan, o suburbano, o periférico, o morador das entranhas de qualquer cidade, cria seus espaços próprios, seus pontos de convergência, onde trocam figurinhas, confabulam e se unem para muitas e muitas coisas. O nome ali gravado, por si só, merece um “estudo de caso”. Diante da perversidade do momento, nada melhor do que um seguro refúgio, num sacrossanto lugar com o nome muito sugestivo de Terra do Nunca. Viajo na maionese com esses nomes saídos na sabedoria popular e ao publicar só esse, peço para que pensem comigo: quantos outros não estão espalhados cidade afora e possuem a mesma conotação? Você já reparou em algum outro? Cite-os aqui e vamos ampliar essa boa discussão. No mais, sigo com o pessoal lá do Gaspa, a Terra do Nunca é mesmo um ótimo lugar para viajarmos nesse instante vivido pela cidade, estado e país. E não nos esqueçamos da Sininho e do seu pó de pirlimpimpim...

sábado, 11 de fevereiro de 2017

FRASES (152)


DIANTE DE TANTOS PERIGOS NAS RUAS, EIS UM LUGAR VERDADEIRAMENTE SEGURO PARA SE REFUGIAR

“Em caso de saque, proteja-se: procure uma livraria”, professor Almir Ribeiro.

Quando li esta frase publicada pela aí, consegui me tranquilizar. Diante da atual greve dos policiais militares. Primeiro lá pelos lados capixabas, já chegando no Rio de Janeiro e no prolongamento, vindo dar com seus costados aqui por São Paulo, com prenúncio de saques variados e múltiplos, não desses que a gente faz normalmente nos caixas eletrônicos, mas com invasão de lojas e gente carregando tudo nos costados, estava deveras preocupado: onde me esconder diante de tanto assombro?

Ufa! Já não terei mais essa preocupação. Já que o sacrossanto recinto de qualquer lar já não é lugar mais seguro e para aqueles com pretensão de tentar se esconder atrás do púlpito de alguma igreja, informo também já serem lugares visados, pois como algumas arrecadam demais da conta, prevejo problemas para seus cofres nesses conturbados dias. Para os que não possuem condições de fugir para o campo, muito menos deixar o país via algum aeroporto ainda não totalmente tomado pelas hordas descontroladas, a melhor solução é mesmo a dada pelo ilustre professor.

Não se tem notícia de nenhuma invasão nesses lugares reservados aos diletos livros. Em caso de eminente perigo, procure refúgio em alguma biblioteca ou mesmo nas poucas sobreviventes livrarias bauruenses. Lá com certeza encontrará paz e poderá, enquanto perdurar a bagunça do lado de fora do mundo, fazer uma reflexão de sua vida, posições tomadas, com quem tem andado, quem tem apoiado, a quem tem dado aval e se um bocadinho de tudo o que ocorre pela aí não está ocorrendo com uma pequena participação de algo a envolver a sua pessoa.

Conto aqui a única historinha, a única que me lembro e envolvendo o excomungado padre bauruense, o Beto, hoje com templo ali na Henrique Savi. Dos seus tempos de programa de rádio, ouvi isso de sua boca. Alguém o alertando dos perigos de se deixar livros expostos junto ao vidro traseiro do carro: “Mas o senhor não tem medo, podem quebrar o vidro para levar os livros?”. Sua resposta, pelo que me lembro foi mais ou menos assim: “Ficaria contente se isso acontecesse, seria um luxo isso no Brasil, arrombar um carro para levar livros”. Sim, concordo, desconheço algum arrombamento de veículo para o exercício dessa profícua licenciosidade, seja em casa, carro, etc.

Portanto, não existe lugar mais seguro do que em caso de qualquer tipo de violência urbana, procurar imediatamente refúgio em alguma livraria. Quem mesmo vai querer um livro no Brasil de hoje? Só mesmo algum louco. Mas nós não estamos todos mais que loucos com esses já nove meses enfurnados num regime de exceção e caos golpista?

Preste a devida atenção, em nenhum saque, não só desses ocorrendo em lojas de departamento, mas também nos desvios de verbas públicas, ninguém o faz para comprar livros. Podem até sacanear nos preços dos livros, não os entregar ou superfaturar seus preços, mas nenhum para se beneficar deles. Indico e recomendo o contrário: VÁ SE REFUGIAR NOS LIVROS.

ALFINETADA (153)


MAIS TEXTOS DA LAVRA DO HPA N'O ALFINETE DE PIRAJUÍ - BOCADINHO POR MÊS
Tenho a intenção de republicar por essa via todos meus textos publicados lá no hebdomadário pirajuiense,o do slogan “pica mas não fere”, dos tempos do Marcelo Pavanato. Hoje, mais uma batelada, de março e abril de 2005. Semelhanças com textos atuais, como já afirmei por aqui mês passado, informo, não são meras coincidências.

Edição 314 – nº 240 – MPB e TV: Não vejo uma na outra – 12.03.2005
Edição 315 – nº 241 – O Brasil abraça o mundo – 19.03.2005
Edição 316 – nº 242 – Gente do lado de cá 8: Darci Bueno e as fotos da ferrovia – 26.03.2005
Edição 317 – nº 243 – O que a Veja anda vendo – 02.04.2005
Edição 318 – nº 244 – Memória Oral – 09.04.2005
Edição 319 – nº 245 – Tempo de Resistência – 16.04.2005
Edição 321 – nº 246 – Glocalização de um homem santo – 30.04.2005

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

MEMÓRIA ORAL (207)


SEXTA É DIA DE PEGAR MAIS LEVE, POIS A MÃE DO RALINHO JÁ CONSEGUI INTERNAÇÃO E ATÉ A CHUVA DEU UMA TRÉGUA
CONTO ALGO DE UM SHOW AQUI OCORRIDO NO SESC E NA QUARTA PASSADA, REVIVAL COM HENRIQUE ROSA
Quem é do cenário musical bauruense, algo em torno de aproximadamente uns vinte anos atrás (Será tudo isso? Mais ou menos?) com certeza conhece Henrique Rosa. Pois bem, o danado ao perceber ser Bauru pequena para embalar seus sonhos bateu asas e foi ser gauche na vida. Deu voltas pela aí e se fixou não tão longe de sua Piratininga e também de Bauru. Enfim, Piratininga e Bauru são quase a mesma coisa, uma embalando os sonhos doutra. É um tal de um aprontar ali e se esconder aqui e vice-versa. Rosa cantou e encantou por aqui junto de uma pá de gente de responsa e toda vez que anuncia vir ter com os de sua aldeia, muitos aparecem. Dessa vez tudo ocorreu lá nas hostes do SESC e da reunião de antigos músicos, alguém ao final da contenda musical disse acertadamente: “Se soltassem uma bomba aqui e agora, boa parte da música bauruense teria fim”. A bomba não vingou.

Os amigos músicos bauruenses são acolhedores e nos reencontros surge de tudo. Abreuzinho (quem não se lembra do Abreuzinho, filho do dr Abreu, o médico de todos lá de Pira?) estava num contentamento de dar gosto. Ria a cântaros e num certo momento se enlaçou ao Paulinho Saca (foi difícil separá-los) e disse mais ou menos isso, gravado num vídeo para não me chamarem de mentiroso: “Eu sou a pele mais fina do saco desse aqui. Amo ele”. Sinceramente, não sei se isso tudo vai dar em casamento, mas o Saca ficou um tanto tocado. Encontros e reencontros como esse se davam a todos instante do lado de fora do palco, enquanto Rosa e sua banda arrasava corações e matava muitos de tardia saudade. Num sofá do lado esquerdo do palco, bem ao lado do bar, muitos se revezavam, ao lado de Ralinho e sua Cláudia. O percussionista Nem foi um deles, pois tocou com quase todos por ali. O ilustrador Fernandão conversou de montão com o guitarrista Carlão.

Não quero ficar aqui enchendo linguiça. Conto só algo bem rápido. Cada um dentre os muitos por lá deve ter muito mais histórias junto do Rosa do que as minhas. Eu quase não assisto o show, foi por pouco. Chego atrasado, depois das 21h30 e os portões já fechados. Os seguranças não me deixaram entrar. Não sou dado a dar carteiradas (nem tenho cacife para isso), nunca faria isso, mas abro a carteira e tento me dizer jornalista, até mostro minha surrada carteirinha, naquele momento de pouca valia. A situação estava incontornável, mas eis que chega por ali, também atrasada, a bela loira Lizete Agnelli. Disse a ela em voz baixa: “Tente tu, pois eu não consegui entrar”. Quando ela ia jogar aquele charme para cima do porteiro, eis que vem lá de dentro outro segurança com a notícia de que naquele dia o horário máximo de entrada foi estendido para 22h. Deve ter ocorrido algo em quem nos via pela câmera de segurança, claro, só por causa dela, não desse careca e ainda por cima mafuento. Adentramos e diante de nós aquela imensidão de gente saída das catacumbas bauruenses, ops, digo, essa imensa legião de bons músicos e amigos variados e múltiplos, gente a enaltecer essa terra dita “sem limtes” muito fora dos seus territoriais limites.

Como tentava dizer, cada um tem histórias mil com esse meu xará. A minha é das mais simples. Não sei tocar nem caixa de fósforos, mas sempre gostei de música e conheço uma pá dessa gente que toca e canta em Bauru. Fiz boas amizades com todos. O Rosa eu conheci no antigo O Braseiro, lá na Duque, que foi de meu cunhado, o Paulão e da mana Erci. Muita gente tocou por lá e esse só um dentre tantos. Mas o Rosa marcava presença por onde posava e acabei o vendo em vários outros lugares. Acho até que ele vai se lembrar de outras tantas histórias e pode enriquecer esse escrito. Eu estou ficando um tanto gagá e minhas lembranças estão se dissipando com o passar dos anos. Preciso que me reativem o cerebelo, daí embalo. Ando tão esquecido que acabei comprando o CD dele e, é claro, já o tinha, comprado num sebo, num lugar que se contar nem ele acreditará, na vizinha Marília. Agora tenho dois e para quem quiser, empresto um, o sem o autógrafo, mas só com promessa de devolução.

Durante a semana passada passei lá pelo Templo Bar, para ver a apresentação de dois diletos amigos lá cantando e ao final, uma conversa sobre esse outro dileto amigo em comum. Foi com Audren Ruth e Marquinho Wanderely. Esse parou de comer (é sabido que o Fernando fornece um regabofe de responsa aos músicos no final das apresentações) e cantarolou uma do repertório dele assim na capela, de memória. Audren lembrou outras histórias. Ou seja, a imensa maioria tem coisas e causos envolvendo esse danado. Sim, ele foi e deve continuar danado, pois sua carinha não consegue esconder isso de ninguém. E com aqueles cabelos encaracolados, deve, mesmo bem resolvido ao lado da mulher amada, continuar causando pela aí. Mas não é disso que quero escrever. Queria ter o poder de possuir um gravador mental e de tudo o que ouvi dele ali nos bastidores, na dita coxia, pouco consegui guardar. O efeito da cevada consome meu cerebelo e diante de tanta coisa lá ouvida, nada mais me resta além do aqui já escrito. Rosa, portanto, escapou de contar por esse internético meio, algo embaraçoso dos seus áureos tempos pela Bauru de umas duas décadas atrás, pois a memória me falha.

O que vale disso tudo, além do maravilhamento do reencontro e de rever essa gente toda com a música na veia, foi perceber que, para o gajo o tempo passa muito lentamente. Continua afiado e na ponta dos cascos. Cantando e encantando muito. Lembro aqui para encerrar algo que nem deveria fazê-lo, mas o faço como prova de termos que superar tudo, pois além das ideologias e da linha de pensamento de cada um, estão esses laços da aldeia onde vivemos e construímos algo em conjunto. Pois bem, no auge daquele pauleira entre tucanalhas e metralhas do ano passado, devo ter trocado palavras ásperas com o Rosa, ele pensando tudo de um jeito e eu doutro. Superamos aquele triste momento e até podemos voltar a conversar a respeito, mas ontem não, pois foi um dia musical. Foi um dia para ouvir “Samambaia”, “O Homem Magro”, Embrulho”, Vício”, “Borboleta”, “À Revelia” e tantas outras canções. Foi mais ou menos isso, se não me falha a memória.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

AMIGOS DO PEITO (129)


A CAMISETA DE HOJE ESTÁ COM UM ACREDITANDO NESSES BAGUNCEIROS TOMATISTAS E VIVENDO UM DRAMA PESSOAL QUE JÁ FOI TEMA DE DENÚNCIA CARNAVALESCA

Luiz Manaia, o mais que popular baterista Ralinho é uma dessas pessoas a nos encher de orgulho. Músico de primeira linha no cenário bauruense, vive por esses dias um drama pessoal. Sua mãe, quase vizinha aqui do mafuá (ela do lado de cima da linha, eu do lado debaixo) teve um AVC e está internada (sic) no ambiente do Pronto Socorro Central, aguardando vaga para uma UTI. Esse seu drama já chega ao quarto dia e o que conseguiu, após um desabafo via internet, foi somente a partir daí uma reviravolta e interessados em resolver sua situação. Isso, o emputeceu ainda mais. Diante do momento vivido não se excedeu com ninguém, mesmo os tais pistolões propondo ajuda daquele jeito pelo qual, todos sabem, nunca será resolvido o problema da saúde pública brasileira, o jeitinho para se conseguir vaga "pistoleando" e tudo o mais.

Ralinho tenta tocar sua vida e seu relato, mesmo diante de um cenário carnavalesco merece ser aqui contado, como desabafo e como constatação de que, enquanto perdurar algo de igual quilate, descaso, a saúde municipal continuará uma lástima e nem o tão aclamado José Passos Fogolin, laureado e preparado para ocupar o cargo de secretário Municipal de Saúde parece apto a resolver a curto prazo. Temos o Hospital Estadual, o Manoel de Abreu e a Associação Hospitalar de Bauru com vagas públicas e nenhum se prontificou a acolher a paciente sua mãe. Porém, quando ele lastimou o ocorrido pelas redes sociais, vereadores, secretários municipais, políticos variados, dentre os quais até o deputado estadual, segundo ouço, por sinal médico, parece correram e se prontificaram em resolver a questão.

Não escrevo pelo Ralinho, que nesse momento quer ver resolvido o problema de sua mãe, mas pelos tantos em situação idêntica, nos tais corredores de Pronto Socorros. Por que só com a grita em alto e bom som algo foi proposto? O natural seria chegar para o atendimento do PS e de lá já sair para internação. Se a vaga foi conseguida agora, a única dedução existente é que já existia e estava reservada para outro tipo de paciente. Como resolver isso? Com a palavra o atual secretário, o maior interessado na questão, presumo.

Sintam todo o drama do seu desabafo de um dia atrás: "Preciso fazer um desabafo aqui: Minha mãe sofreu um AVC no sábado e até hoje (quarta) está no PS central em estado GRAVE aguardando vaga na UTI no base ou no hospital Estadual e não consegue! Entra governo sai governo e coisa só piora. PMDB 8 anos de governo em Bauru, toda patota (pra não dizer outro nome) do PSDB governam esse estado que é mais rico do Brasil a quase 20 anos, deputados estaduais e vereadores de Bauru, todos INCOMPETENTES!! Pra não dizer outra coisa! Ai vem um e fala que eu tenho que falar com o Ciclano que é assessor do politico Beltrano pra conseguir vaga! Como assim? Eles é quem decidem quem vai morrer ou viver? Falar porra nenhuma, a coisa tem que funcionar sem o dito cunha! É obrigação do Estado! O que pude ver nesses dias é que os verdadeiros heróis são os médicos, seguranças e principalmente os enfermeiros que trabalham no PS central! Esses sim são dignos de todas as honras e medalhas!! Trabalham em condições precárias e fazem verdadeiros milagres pra atender a todos! O resto que eu citei ai tem seus planos vips de saúde e tão cagando e andando pro povo! Pronto falei!".

Como falar de Carnaval diante disso? Quase impossível. O Bauru sem Tomate é Mixto já denunciou isso anos atrás quando fez a marchinha "Bauru cidade sem mixaria", após um médico e também vereador ter dito que "médico não trabalha por mixaria". Nós, os mixos dessa cidade, gritamos contra esses desmandos nas ruas, lutas e também no Carnaval. Todo espaço é válido para por a boca no trombone. Ralinho está junto do bloco, numa disposição mais que profissional, algo inerente a todos os que estão na lida, na luta e, sabem que a vida precisa ser seguida, tocada adiante. Essa homenagem com suas fotos com a camiseta do bloco é para deixar claro a tudo, todas e todas algo bem simples: festamos e muito, mas por trás da festa sempre existe um algo a mais e quem prestar atenção nas letras de nossas cinco marchinhas, uma por ano, verá que ainda fizemos pouco, pois histórias tristes como a vivida hoje pelo Ralinho pipocam nessa terra dita pelas tais "forças vivas" que a conduzem como "sem limites". Bem sabemos quais são os limites por detrás desse slogan e é em cima dele que atuamos, festamos, denunciamos, cantamos e colocamos nossas caras para bater.

Um viva em alto e bom som para o Ralinho, essa fortaleza diante de tudo o que lhe passa pela cabeça por esses dias. Tomateiro faz o que pode neste momento: coloca a boca no trombone.

HPA e com todos os tomateiros unidos, coesos e resolutos. Denunciar esse tipo de procedimento é nosso lema e motivo de nossa existência.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

BAURU POR AÍ (136)


LEITORES PARTICIPAM DO PROJETO DE "CARTA CAPITAL", DENTRE ELES, ESSE MAFUENTO BAURUENSE
Fui convidado e compareci ontem na capital paulistana, lá na parte baixa da avenida Consolação, perto do Mackenzie, teatro Commune (www.commune.com.br) a mais um evento da melhor revista semanal brasileira, a Carta Capital, dessa vez o "Direto da Redação Especial", com a presença de dois debatedores, o ex-governador cearense e ministro de Estado Ciro Gomes e da economista Leda Paulani, diante de um tema a nos angustiar: "Por que o Brasil mergulhou na mais profunda crise política de sua história e como conseguirá superá-la?". Para começo de conversa ouvir Mino Carta versar ao vivo e a cores, nosso melhor jornalista ainda em atuação, baluarte de toda uma geração de bons profissionais é mais do um luxo, talvez um alento.

Depois o debate, com ampla participação da platéia. Ciro é contundente: "Nosso povo está é com medo, bem diferente de passividade. Como um cidadão trabalhador, duas horas de ônibus para chegar ao seu emprego, mal remunerado, instabilidade total, come mal, duas horas a mais para voltar para casa, dorme mal, mulher reclama das contas não pagas, como vai reagir? Ele nem imagina como fazê-lo, pois suas necessidades imediatas o consomem". Demonstra esperança quando faz afirmações contra os golpistas encastelados hoje no poder: "o lado bom da tragédia brasileira é que ninguém mais mundo afora defende o neoliberalismo, nem Trump, só os retardatários brasileiros. A burguesia industrial brasileira sabe que está tudo errado, nosso Congresso não é reacionário, ele é sim, corporativista e corrupto. Ainda acredito na fecundidade desse terrível momento. Enfim, ou colocamos em discussão outro modelo, ou o país não tem saída".

Com a presença, além de Mino Carta, do editor da revista Sergio Lirio, muita gente importante, como Paulo Henrique Amorim, Luis Nassif, Hélio Campos Mello (revista Brasileiros), Luiz Dulci (ex-ministro de Estado), Ricardo Ohtake, muitos empresários e tantos outros conhecidos, a noite foi também para dar início a um belo projeto da revista, o de valorização e aproximação cada vez maior com seus fiéis leitores, dentre o qual me incluo e o motivo de lá estar. Trata-se do Projeto "Assinante CC agora é sócio CC" (socio.cartacapital.com.br).

Tive um artigo publicada na revista na edição da semana passada, o "Poeira e Unguento" e sempre estou envolvido, preocupado e me correspondendo com a revista. Esse meu sexto texto lá publicado. No novo projeto, Sergio Lirio me convida pessoalmente a estar no evento. Chego do meu jeito, quieto, assuntando, tomando ciência e ainda no hall já me sinto em casa. Recebo um kit do evento e nele um livro, o último do Mino, "A vida de Mat" devidamente autografado pelo autor: "Ao Henrique com o abraço subversivo de Mino Carta". Converso por ali com gente que não imaginava ser possível assim de uma forma tão informal.

Na entrada ao teatro sou informado que os leitores teriam cadeira cativa, lugar reservado e na primeira fila. Somos homenageados, valorizados e com o novo projeto estamos inseridos no contexto. Sergio Liro explicita tudo para os presentes e ressalta do papel dos leitores dentro desse novo momento do mercado editorial em papel, da crise e dos rumos da imprensa. Junto a outros que, vou pouco a pouco conhecendo, me sinto em casa. Confabulo e participo do evento. Por fim, deixo nas mãos de Lirio algo de minha lavra e responsabilidade, um texto de quatro páginas, escritas à mão na viagem feita de ônibus do Expresso de Prata para São Paulo, letra um tanto tremida, mas bem legível, intitulado por mim de "Minha relação com Carta Capital" e aqui publicada, para quem se interessar em sua leitura.

Estive em São Paulo por causa disso e gostei muito do vi, ouvi e estarei desde já, enfurnado como Sócio Leitor, participando ativamente para que o projeto dessa inusitada, ousada, independente e quase única hoje a atuar dentro da verdade factual dos fatos possa seguir altaneira por muitos e muitos anos. 

Enfim, como apregoou Mino de forma irônica ao final de sua fala: "precisam continuar mantendo minha subsistência". 

Com ele produzindo o que de melhor temos no jornalismo tupiniquim, faço questão de fazer parte desse time.

HPA - chegando agorinha mesmo de Sampa