sexta-feira, 7 de junho de 2019

DROPS - HISTÓRIAS REALMENTE ACONTECIDAS (168)


HISTÓRIA EM TRÊS CAPÍTULOS


CAPÍTULO 1 - NUMA ESCURA ESQUINA DESTA CIDADE MAIS UM SONHO É DESFEITO

Esse local escuro da foto, bem debaixo dessa placa de Pare é o cruzamento das ruas Inconfidência com Gustavo Maciel, cem metros das linhas férreas, poucos metros do portão principal do CIPs, 100 metros da revenda da Disbauto, da avenida Nuno de Assis e pouco menos de 50 metros do Mafuá deste HPA. Não mais que três dias atrás bem aqui nesta esquina duas senhoras estavam tentando dar uma melhorada na renda mensal e ali posicionaram um carrinho para revender cachorros quentes. No primeiro dia foi um alvoroço na vizinhança, enfim, tudo o que é novidade chama a atenção. No segundo pipocaram algumas vendas e elas ali, das 17h em diante, já demarcando um território, ou seja, um ponto. No terceiro dia, noite de anteontem, quando nem bem a noite caiu, elas receberam visitas indesejadas e de pessoas não interessadas em lanchar, mas em roubá-las. E o fizeram na cara dura, se aproveitando do lugar com pouca iluminação e do pouco movimento nas ruas, mesmo carros passando por ali a todo instante vindo do Bela Vista e pegando direção do centro da cidade ou a avenida Nações Unidas. Além do susto, perderam o pouco que tinham. As vi chorando copiosamente no local e momentos depois uma viatura da PM ali chegou. Não sei se foi descoberto os autores do assalto, mas o que sei é que ontem, quinta à noite, elas não mais estavam na esquina e o local voltou a ficar como dantes, ermo e escuro. Conto isso tudo, com mais uma ponta de tristeza. Elas só queriam ser felizes e ali estavam para arrebanhar um algo a mais, ter um pouquitinho de grana a mais para sonhar terem conquistado algo parecido com um emprego, mas o sonho já deve ter se desfeito com o aperto ali passado. Constatarei logo mais, quando a noite chegar se elas estarão de volta ou desistiram de vez de ter e manter ali naquele lugar o carrinho de lanches. Não existe mais o que falar, existe só o que se lamentar. Toda vez que olhar para aquela esquina irei me lembrar e muito bem da fisionomia de uma delas, chorando e sendo amparada após o ocorrido por vizinhos e populares. E agora fico a me perguntar: para onde terão ido, se é que terão coragem para reabrirem e buscarem novo ponto? Enfim, a noite de Bauru é isso e muito mais.

CAPÍTULO 2 - ELAS VOLTARAM QUASE NO MESMO LUGAR...

Foi lindo demais passar pela esquina da Inconfidência com Gustavo e ver uma luz acesa, não na esquina, mas na garagem da casa onde moram, na rua Inconfidência, bem do lado do Centro Espírita. Reabriram as portas com a cara e a coragem, revendendo pastéis e espetinhos. Os caras, dois numa moto levaram seus celulares, mas naquela mesma noite, a PM recuperou o de uma, além de prender um deles. Disseram que já sabem de toda a trama, o outro logo seria preso e lhes prometeram em breve trazer recuperar também o outro aparelho. Com toda a vizinhança lhes apoiando, criaram coragem e transformaram a garagem não utilizada da casa onde moram no novíssimo ponto comercial. Colocaram uma luz, limparam o lugar e hoje levantaram a porta de aço. Elas se chamam Maria e Isa, ambas maranhenses e já escolheram o nome para o empreendimento, Marisa's Lanches & Salgados. Estão agora mais preparadas mesmo não sendo adeptas de violência, dizem que os próximos serão postos pra correr, pois a vizinhança toda agora está alerta e pronta para ajudá-las na fiscalização. A luzinha acesa é como uma chama no meio da noite. São por demais simpáticas e vendo elas por lá, atravessei a rua e fui conhecê-las, junto de outros vizinhos. Elas são por demais comunicativas, repetiam a história para todos os que ainda não sabiam dela em detalhes. E a cada instante surgia alguém perguntando se agora tudo estava calmo. Teve até gente oferecendo montarem o carrinho defronte outro lugar mais movimentado, onde a vigilância podia ser mais adequada. Elas preferem ali, agora bem ao lado de onde moram. Amanhã cedo já me prontifiquei a ajudar numa faixa a ser fixada bem na frente, onde escreverei o que irão pensar e me comunicar tão logo me levem o pano. Vai dar tudo certo, elas são por demais de arrojadas e com a devida garra, creio terem conseguido criar um elo mais do que sólido com as pessoas ao redor. Acabo de me tornar mais um dos atentos vigilantes, sempre alertas para ajudar no que for preciso.


CAPÍTULO 3 - VENCERAM E O SINAL ESTÁ ABERTO PRA ELAS
Elas me pediram a faixa, uma vez que disse ter as tintas de pano. Tão logo me virão estacionar pela manhã, se aproximaram e com um pano retangular em mãos, me disseram: "Esse é do tamanho um pouco maior que a porta lá da garagem e vai ficar muito bom. Coloque Mariza's -Salgadinhos, Lanches, Pastéis e Marmitas". Fiz a toque de caixa e ao levar, chamaram imediatamente os homens da casa, arrumaram uma escada com o vizinho, pregos com outros e em menos de dez minutos a faixa com os dizeres já estava fixada. O mais gostos foi ouvir de uma delas: "Ela vai nos trazer muita sorte. Tem males que vem para o bem e depois do susto, vamos começar nossa maré de sorte". Não pude esperar para ver os resultados já nessa noite, pois tinha atividades bem longe dali, mas é muito bom perceber a empolgação das duas sócias, bolando coisas diferentes, guloseimas e algo mais da culinária que só elas, maranhenses possuem. Enfim, de algo que começou tão triste, com o assalto e a perda dos dois celulares, um deles já recuperado pela PM e hoje, quando as vejo com o avental ali de portas abertas, esperando seus clientes e cheias de sonhos pela frente, dá uma vontade danada de abraçá-las e não só torcer para que tudo dê muito certo, mas ajudar, com algo além de um escrito numa faixa. Essas duas vão longe e quero qualquer dia desses, poder sentar aqui e escrever um algo mais, um outro capítulo, com algo ainda mais abonador e que a abnegação delas sirva de exemplo para tantos outros sonhos irem se tornando realidade.

quinta-feira, 6 de junho de 2019

ALFINETADA (179)


OS DOIS LADOS DA MESMA MOEDA

LADO 1 – O CAIXA DO SUPERMERCADO NA ZONA SUL

Estava juntamente com meu amigo, o advogado Gilberto Truijo passando uma comprinha no caixa do Supermercado Confiança Max, boca de entrada da avenida Getúlio Vargas, coração do que alguns apregoam ser o intestino da Zona Sul bauruense. Pois bem, ao passar nossas comprinhas, o moço a nos atender, nem sei lá bem dos motivos, mas desembocamos em falar das dificuldades do momento, quebradeira geral e é claro, das mazelas e desventuras deste insano desGoverno bolsonarista. Foi quando o rapaz veio com essa:

- Mas vocês tem que dar tempo ao tempo, ele está só com cinco meses. Os outros roubaram tanto e esse nem bem começou, já recebe saraivada de críticas.

- Meu caro, não se trata de saraivada nenhuma – iniciamos nossa resposta, feita em conjunto, dois contra um. Nesses cinco meses ele já demonstrou todo seu despreparo. Você ainda não percebeu? Pra você está tudo bem? Viu a última declaração dele, a de não gostar de pobre e quem gosta de pobre é o PT, a esquerda. Isso quer dizer que gente como nós, eu e você estaremos danados no seu Governo, tudo contra nós. Como defender um cara que declaradamente afirma não gostar de nós? Isso não te faz pensar?

- Político é tudo igual, fomos lesados demais e agora, estão tentando acertar a coisa – nos diz.

- Se entende assim, não reconhece que década atrás tínhamos um país muito melhor que hoje, pois dentro do proposto por eles, nem se aposentar vai mais, seu contrato trabalhista está se deteriorando e ganhando muito menos que antes, com menos direitos. É esse o arranjo proposto por eles, danar com a sua vida.

Ele se calou em copas, até porque deve ter recomendação de não discutir com clientes. Para nós, claro e evidente, das duas uma. Ou não está entendendo nada ou joga o jogo do pessoal que sai pela Getúlio a defender seus privilégios, que com toda certeza, não são os seus. A conclusão minha e do dr Truijo: Enquanto o trabalhador continuar a defender o interesse do outro lado, aquele que lhe apunhala, estaremos decididamente num mato sem cachorro.

LADO 2 – O DONO DO MERCADO NA PERIFERIA

Esse diálogo foi mantido entre mim e o dono de um mercado num bairro bauruense, um desses enfrentando os grandões que o cercam e lhe levam clientes, mas esse além de resistir possui bem claro a diferença existente entre os dois lados da questão, o país que tínhamos e o país que temos, o que se ganhava antes e o que se ganha agora. Tudo começou quando fui passar minha comprinha e ele, o proprietário estava naquele momento no caixa e pelo mesmo motivo do anterior, o assunto veio a baila assim do nada, floresceu e deu nisso:

- Lembro de ver seu mercado bem mais cheio no passado, muito mais funcionários e hoje, resistindo, você mesmo aqui no caixa. As coisas pioraram né? – lhe instigo.

- Nem queira me lembrar, tenho pesadelos. Até a cabeça das pessoas era diferente. Eu não me atrevo mais a dialogar com clientes que votaram nesse cara que hoje nos governa, pois sei irei perder clientes, mas quando olho para trás, só eu sei as condições que tínhamos no governo do Lula e a que temos hoje. Além do desamparo, tudo se reflete nisso que está vendo. O pequeno comerciante como eu, estamos todos pela hora da morte e sem poder reclamar muito, pois tememos ser mal vistos.

- Que bom te ver reconhecendo que antes tínhamos um país e hoje o perdemos, estamos na beira do abismo. Vejo comerciantes como ti, penando muito hoje, mas não dando o braço a torcer, ainda criminalizando os tempos onde tinham muito mais tranquilidade para tocar seus negócios.

- Essa cegueira está nos matando. Eu não estou sozinho em reconhecer que antes éramos melhores, mas a pressão pra cima de nós é imensa. Me calo para não criar problema maior pro meu lado, principalmente com fornecedores e até clientes. Eu não entendo, sinceramente fico perplexo em ver gente do povo, padecendo demais hoje, quando possuíam melhores condições de vida antes e ainda tendo o disparate de dizer que agora vamos melhorar. Eu já vi que não vai e temo pelo meu futuro. Os grandões do meu ramo nos encurralam, eles abrem lojas luxuosas e nós aqui na periferia, sentimos cada vez mais os efeitos de uma política contra o povo. Eu não entendo, eu como o empregador, o dono do meu negócio, mais de trinta anos atrás de um balcão enxergando que o hoje não vai dar certo e muitos dos lesados, os que padecem mais que eu, cegos e aceitando tudo calados. Estão todos de cabeça baixa, quase resignados, sem saber o que fazer e quando os vejo defendendo as reformas de hoje, quero explodir, mas me contenho.

Saio de lá em estado de ebulição e ao juntar os dois diálogos, a cabeça fervilha: o que deveria estar ali está aqui e o que, supostamente deveria estar aqui está ali. O Brasil está mesmo de pernas para o ar.


OUTRA COISA
O DIA "D" - MAS A GUERRA JÁ NÃO ESTAVA COM SEU FIM DECRETADO? AOS SOVIÉTICOS O QUE É DOS SOVIÉTICOS...

https://fotografia.folha.uol.com.br/…/1635500378684823-come…
Estou acompanhando meio ressabiado essa comemoração com muita pompa dos 75 anos do tal Dia D, o desembarque dos norte-americanos na Segunda Guerra Mundial. Na qualidade de professor de História, queria só lembrar algo: depois de todos os outros participantes se esfalfarem até não mais poder, inclusive com os soviéticos/russos já tendo praticamente abatido os nazistas, os norte-americanos só aderiram quando o pega já estava bem mais ameno e não necessitava mais daquele rala-rala, ou seja, guerrear de fato. Os caras, no caso os norte-americanos chegaram com a devida pompa, mas creio eu, pelo bem da verdade histórica, o fim da guerra já estava selada e os nazistas já tinham tomado na tarraqueta. Não me venham querer dizer, passado tanto tempo da contenda que, foram os norte-americanos os decisivos para o fim da guerra, pois nenhum historiador sério consegue engolir isso. Para mim, quer queiram ou não os que louvam o feito do Dia D, tenho comigo que os soviéticos foram muito mais importantes para vencer os nazistas do que a participação dos norte-americanos. Quem discordar que venha com argumentos muito convincentes, pois reescrever a história menosprezando o papel dos soviéticos é algo que não engulo de jeito nenhum.

quarta-feira, 5 de junho de 2019

PERGUNTAR NÃO OFENDE ou QUE SAUDADE DE ERNESTO VARELA (148)


ALGUÉM SABE DA INVESTIGAÇÃO POLICIAL SOBRE O FIM DAQUELA CENTRAL DE FAKENEWS EM BAURU DESBARATADA NA REGIÃO DA AVENIDA GETÚLIO VARGAS?

Dias atrás compartilhei por aqui um texto do site do Outras Palavras sobre o retorno da ameaça pairando sob nossas cabeças do Deep Fake. Eis o link para leitura: https://outraspalavras.net/int…/deep-fake-a-ultima-distopia/. E por que fui me lembrar dele? Simples. Voltaram a circular algo muito indesejado no seio das redes sociais, aquelas admoestações vindas não se sabe de onde e aos borbotões, principalmente a defender o status quo do Bolsonarismo, com um conservadorismo latente e vindo de gente inexistente, cria de engenhocas cibernéticas, tudo feito para desestabilizar a normalidade da situação. Ou seja, aquilo tudo que propiciou a eleição de Bolsonaro, o fenômeno dos fake News está de volta e em nova versão, com esse nome mais pomposo, Deep Fake. Todos sabemos que a eleição de Bolsonaro se deu muito em função da quantidade de fakes espalhados pelas redes, em algo que até agora não foi devidamente investigado, muito menos punido. Seria fácil seguir puxando pelo fio da meada já desvendada, mas pelo que se vê nos tempos atuais, investigação mesmo para algo a desmontar a farsa deste desGoverno, muito pouca coisa. Os motivos são fáceis de serem detectados, uma poderosa organização onde tudo e todos se juntam lá na frente e tocam esse barco adiante, aos trancos e barrancos, mas com poucas perspectivas de naufragar, uma vez que as ditas instituições estão unidas para impedir o naufrágio.

Dito isto, venho para a participação bauruense nesse imbróglio. Ela novamente se faz presente, ou seja, sempre se faz presente. Começo com o fenômeno dos fake News, o que deveria derrubar Bolsonaro e até impedi-lo de tomar posse, porém como nada foi feito nesse sentido, as tais forças ocultas continuam a agir. Aqui em Bauru existia um bunker de sustentação desses Fake News, ou seja, uma central diabólica onde eram disparados os tais fakes país afora. Não era a única, mas ouço dizer uma central de grande monta, produtora de estragos incomensuráveis e ajuda substancial para a eleição do ilegítimo. Algo até saiu na imprensa quando a mesma foi desbaratada, mas ficou nisso. A sua localização era numa esquina ali num daqueles predinhos na avenida Getulio Vargas, o must dos camisa canarinhos da seleção e dentre os nomes citados, por incrível que pareça ninguém conhecido, ninguém de Bauru, só gente importada. Talvez ali mais uma demonstração de como se dá a utilização de laranjas para dar uma fachada de que tudo foi exportado, nada bolado e traçado por gente da terrinha.

Em 14/10/2018 o JC deu em editorial:https://www.jcnet.com.br/editorias_noticias.php…. Algo previsível, onde o homem normal é mesmo se mostrar contrário a tudo o que tenha uma conotação de irregularidade. Essa, na verdade, uma aberração dos tempos modernos. Em 12/06/2018 mais essa:https://www.jcnet.com.br/editorias_noticias.php…. Enfim, não existe como negar, o fake é crime, sua prática abominável e quem dela faz uso, conhece muito bem os meandros e o manuseio desse meio, o cibernético. Catedrático já existem aos borbotões, dando aulas de como fugir, contornar e continuar atuando, espalhados por todos os lados, inclusive por aqui. Li sobre o fechamento dessa unidade da ilegalidade em Bauru e no JC, mas ao fazer pesquisa não consigo localizar nada e peço ajuda para se alguém conseguir fazê-lo que me encaminhe ou poste aqui o link sobre como se deu. Queria rever a matéria e estabelecer algo em termos comparativos: se aquela foi de fato desbaratada, poderíamos até ver como está a investigação sobre a mesma, punições e coisa e tal, mas no ressurgimento dessa bestialidade humana, falsidade em forma de informação, rever algo nefasto do passado, até para que não volte a se repetir no presente e futuro. Enfim, Bauru foi manchada com essa central atuando aqui e hoje seria um horror se algo pudesse ter continuidade. Essa Bauru detestável, uma a produzir irregularidades, infelizmente existe e vez ou outra mostra suas garras e tentáculos. Esse texto é para que o alerta se mantenha ligado, não permitindo que os fakes voltem a ditar os rumos das questões, espalhando mentiras como se verdades fossem. Chega de Bauru participar de tudo de ruim que ocorre pela aí.

terça-feira, 4 de junho de 2019

PRECONCEITO AO SAPO BARBUDO (142)


DEPRESSÃO COLETIVA SE CURA COM UNIÃO E DISPOSIÇÃO, SEM TRÉGUAS E ESMORECIMENTO
Ontem, num papo bem sincero com uma baita amiga, ela me dizia que devo estar, como muitos ao meu lado, numa baita crise depressiva interna, algo que tento não externar. Deu lá até o nome correto para coisa, mas já me esqueci. Sim, concordo com ela, não só eu, mas vejo muitos na mesma situação. Algo me corrói por dentro e também por fora, tento manter a tranquilidade, mas não vivemos momentos nada tranquilos e isso, quer queiramos ou não, são externados em nossas ações, no meu caso, também nos escritos. Quem é próximo de mim percebe isso, deve estar nítido.

Preocupante? Talvez. O fato é que tento dar a volta por cima, levantar, sacodir a poeira e dar a volta por cima, mas não está sendo fácil para ninguém, ou pelo menos para todos os que lutam por um Brasil melhor, soberano, altaneiro, justo, igualitário e sem injustiças, principalmente as sociais, provocadas pelo ódio de classe, tão latentes hoje em dia. Os que vieram com o golpe de 2016, foram se achegando e hoje estão a exercer o poder com muita brutalidade para com os menos favorecidos, fazem de tudo e mais um pouco contra os interesses da classe trabalhadora, a imensa maioria do povo brasileiro e ver isso quieto, podendo fazer pouca coisa, além de estar com o bloco na rua em constante luta, torna a todos os envolvidos meio que adoentados.

Sinto isso não só mim, mas em muitos ao meu lado. Basta olhar para suas fisionomias e isso está mais do que constatado. Seria pior se não existisse esse grupo de resistência, onde ainda podemos nos manifestar e botando os bofes pra fora, estravazando de alguma forma. Fazendo isso eu tento recolocar as coisas no seu devido lugar, pelo menos no meu interior. Não reprimo meus sentimentos, escrevo e boto pra fora muita coisa guardada. Sei não ser o suficiente, mas já é algo. Queria poder fazer muito mais, sei que posso, sei que devo, preciso fazer e isso é o que me move. Gente como eu não luta somente por uma vitória no campo pessoal, mas no coletivo e sabemos que deste insano desGoverno atual nada virá nesse sentido, pois estão aí para destruir tudo o que foi tão duramente conquistado. Sem luta, sabemos, nada será mantido.

Mesmo cambaleante, estarei pela aí, na lida, luta e trincheiras todas. Esse meu lugar e sei, que os tantos com o mesmo sentimento reprimido aqui dentro do peito, estamos só na espreita para, quando tudo isso a florescer nas ruas crescer e ganhar mais corpo, se libertar mais e mais. A gente só quer ser feliz, mas também possibilitando a felicidade de todos. Chamam isso de comunismo ou de qualquer outro ismo, mas na verdade, isso me foi ensinado lá atrás e desse lema de vida não consigo me afastar. Sim, estou doente, mas tentando e fazendo de tudo para na virada de mesa, me curar e ao buscar dar um jeito para esse país, a melhora ou até cura virá para a ampla maioria do povo brasileiro. A gente se curando coletivamente, sei que esse estado depressivo vai me abandonar, assim como a de muitos na mesma situação em que me encontro. Não vamos soltar as mãos uns dos outros e daí vamos crescer, vicejar, lutar junto até vencer esse triste momento deste país chamado Brasil. Curar as feridas uns dos outros, algo que penso ser mais do que possível, um sendo escada do outro e não deixando ninguém para trás. Diferenças a gente acerta lá na frente, pois a causa maior precisa ser combatida e vencida é já. Desunidos vai ser barra, pesado demais e daí, a doença já instalada dentro da gente vai vencer nossa resistência. E é a gente que precisa vencer ela, botar ela pra correr o quanto antes.

segunda-feira, 3 de junho de 2019

BEIRA DE ESTRADA (109)


NÃO AGUENTOU DOIS MESES
Esse ponto comercial, localizado na rua Primeiro de Agosto, defronte a praça Rui Barbosa, entre a agência do Banco do Brasil e uma Auto Escola foi aberto menos de dois meses atrás e já fechou, tornando-se mais um local de portas abaixadas, diante de algo que mais cresce nos tempos atuais, a infrutífera tentativa de se dar bem nos negócios em tempos de crise. Faço uma breve reflexão sobre esse ponto comercial. desde o primeiro momento em que o vi sendo aberto, deu uma vontade de ir lá ter uma palavrinha junto dos seus expoentes. Investiram um valor considerável num comércio restrito, para poucos. Amigos me diziam, "mas eles vendem uma coisa aqui e outra ali, estão se firmando". Nunca os vi assim. Na verdade, são tantos hoje investindo tudo o que possuem num sonho, o de ter seu próprio negócio, mas o fazem também sem nenhum estudo de caso. Sem capital de giro, aquele necessário dinheiro para se garantir, até pelo menos o local ficar conhecido e se firmar, quando nem isso existe, as possibilidades diminuem. O aluguel dali é uma exorbitância, mas mesmo assim, vejo gente arrojada arriscando suas fichas. Torço muito para que tenham sucesso, mas sei que as adversidades todas conspiram contra nós todos. Neste caso específico, só de olhar lá dentro em toda vez que ia ao banco, buscava encontrar ali o movimento, gente ali dentro, para me certificar de que conseguiria seu intento. Dias atrás, após ter presenciado dias e dias quase sem movimento, seu proprietário capitulou e abaixou as portas. Perdeu tudo o que investiu. Não sei se é mais triste vê-lo ali dentro atrás do balcão e sem movimento ou agora, quando tudo o que tinha dentro já foi removido e o sonho desfeito. Qual o próximo passos dessas pessoas após ter seu pequeno negócio ido por águia abaixo? Penso muito nisso, mas de minha parte afirmo, não investiria meu único dinheirinho num negócio desse tipo, muito segmentado, com custos altos e com essa pífia movimentação financeira do país nesses bicudos e quebradiços tempos.

FECHANDO TUDO

Que a agência central dos Correios, a da praça D Pedro está um deserto isso é facilmente constatável. Basta dar por lá uma passada e nem reflexo de tempos outros, quando aquilo ali fervilhava. Preparativos avançados para tudo ser repassado para a iniciativa privada e na bacia das almas, como o fazem com tudo neste cruel e insano momento brasileiro, onde defender o que ainda é nosso está parecendo um crime. Desolação entre os funcionários, pois não estão tendo ânimo para reverter a situação, mesmo aqueles que tanto lutaram contra o avanço do malefício da chegada do Bolsonarismo predatório. Sou de um tempo que essa agência permanecia cheia, com filas para tudo, inclusive na sua Agência Filatélica, muito movimentada, inclusive com eventos grandiosos para os lançamentos de selos. Hoje tudo deserto e essa já com seu fechamento decretado. Não mais teremos agência filatélica na cidade. Participei em tempos de antanho de encontros memoráveis ali naquele espaço, onde éramos todos atendidos por uma simpática funcionária, muito dedicada, conhecendo a todos pelo nome e mais que tudo, gostando e muito do que fazia. Achei essa foto dela junto do marido, outro resistente dos Correios, ambos felizmente conseguiram se aposentar em vida e agora desfrutam de algo juntos, o que provavelmente não irá acontecer com a maioria dos trabalhadores brasileiros daqui por diante. Bate uma enorme tristeza em ver o que estão a fazer com os patrimônios brasileiros, a derrocada final e já imagino o que será do futuro deste país quando tudo o que esses vendilhões estão colocando à venda já não mais existir.
Zilda se aposentou em tempo.
Esse país não avança, aliás caminha a passos largos para a beira do abismo, mas bestiais continuam apoiando ações de quem nos governa dilapidando tudo. Olho para minha velha coleção de selos, muitas pastas ainda guardadas em gavetas, revejo o que já foi esse comércio e comparo com o hoje, chegando na conclusão de que, se antes acreditava ter um pequeno tesouro em mãos, hoje sei tenho um monte de papéis velhos e desbotados, desvalorizado e sem serventia. Tudo perde o valor quando jogam contra o país, incentivando as pessoas a atuarem contra o próprio patrimônio e nem imagino a tristeza do casal da foto diante disso tudo. Por onde andará o Nando, filho do seu Paulo, que tinha uma revenda de vinhos defronte o SENAC, desde menino no ofício de filatélico, esmero nunca mais presenciado. A última notícia foi de estar residindo em Curitiba e fico aqui tentando vê-lo atuando diante das adversidades e contradições nas quais desembocamos.


O SINAL ESTÁ FECHADO PRA NÓS...
Assim como na música, estou cá parado diante de um semáforo, cruzamento da Rodrigues com a Rio Branco e a cabeça fervilha. Acabo de circular pela cidade, seu centro velho e o que mais se vê são as portas fechadas, lacradas e com placas de “Aluga-se”. Muitos não se deram conta, mas para adentramos o “deus nos acuda”, falta pouco. E como deus não acode, esperemos pelo pior. Ainda bem existem os que resistem e insistem em continuar dando murros em ponta de faca, colocando o bloco na rua e persistindo em apontar o dedo para o atual rei: “Ele está nu!”. Sim, nu e em estado putrefativo, porém, com apoio advindo das tais forças vivas desta nação, ele não só se segura, como se sustenta.
Esse pessoal hoje no poder avançou demais o sinal, aprontaram demais com o país, mas também o emburreceram desmedidamente. Tá difícil de dialogar, mesmo com os fudidos, os tomando na tarracheta e mesmo assim, não enxergando nada. O balconista da loja na praça me pede para ter calma com o Bozo, enfim, “são só cinco meses”. Pergunto se ele tomou conhecimento da última dita por ele, a de que “quem gosta de pobre é o PT”. Ou seja, tentei lhe dizer, ele te odeia e nada fará por ti, disse isso textualmente e tu continua cego. Caso perdido. O sinal continua fechado para os que protestam, criticam, cutucam, apontam os erros e as cagadas, mas isso não me faz entregar os pontos. Se o fizer, será meu fim. Mais dia, menos dia, a derrocada será tão grande que todos terão que enxergar o óbvio. Tomara não seja tarde. Enquanto isso continuo minha ladainha de não desistir. Não há mal que sempre dure, seu disso, mas meu velho corpo está cansado de tanto sinal fechado. Esse aqui mesmo na minha frente, estou por um fio para avançar mesmo no vermelho. Vermelho, epa, se é vermelho não é para seguir em frente, enfim, essa cor denota luta e esperança de dias melhores. Piso no acelerador... Não se desesperem, consegui chegar em casa sem nenhum arranhão, pelo menos desta feita. Amanhã será outro dia.

domingo, 2 de junho de 2019

ALFINETADA (178)


DOMINGO - OCORRÊNCIAS


1.) SABE AQUELE LUGAR ONDE VOCÊ QUER ESTAR E NÃO PODE, DECLINO O MEU NO DIA DE HOJE
Neste exato momento tem uma cambada de valorosos bauruenses saindo de van para Sampa, pegando estrada logo pela manhã, café da manhã num restaurante de beira de estrada, tudo para marcar presença num dos atos mais auspiciosos deste dia, o festival Lula Livre, na praça de todo paulistano, a da República, centro nervoso da capital paulistana. Uma amiga que endireitou e hoje já não segue mais o lema a mim ensinado e do qual não abandono, o de que "boi preto segue e anda com boi preto", os quinze estradeiros desta manhã seguem rigorosamente à risca esse ensinamento, o de para se buscar e ser feliz, estar entre os seus, fazendo o que tem que ser feito. O show de hoje na Praça da República é desses lugares para recarregar baterias, recompor energias e restabelecer parâmetros diante de tudo o mais que temos e o que virá pela frente. Não será se fechando em casulos que iremos resolver a questão desse país enfiado numa destruição sem fim. A solução virá das ruas e pelas ruas, sabemos disso e toda e qualquer manifestação neste sentido é mais que válida.
Iria com todo prazer, viajando entre tantos outros com a mesma disposição e garra, mas estou temporariamente impedido, no estaleiro e daqui do meu canto, torço muito e conto com todos eles para ir me mantendo informado de tudo o que estará rolando lá em Sampa, da viagem, dos reencontros, esses tão saborosos e revitalizantes. Quero saber de tudo, detalhes e das tratativas, dos chamamentos, convocações e dos próximos passos. Está mais do que escancarado para o mundo todo o baú de maldades e as injustiças cometidas na manutenção da prisão do ex-presidente Lula e estar junto de toda e qualquer manifestação neste sentido é mais do que salutar. Mesmo distante, estarei com todos e todas. Meu desejo era estar aí, no fervo e gritando em alto e bom som pelo Lula Livre e pela devolução do país aos verdadeiros brasileiros, os que não o querem sendo vendido na bacia das almas como vemos neste momento. Digo e repito: muito simples ver o país sair dessa barafunda onde estamos metidos, com essa desvalorização e negativismo, fundo do poço. Querem a solução? Simples. Lula e a esquerda no poder, a chance de ser restabelecida a dignidade, soberania e o país ser tratado de forma altaneira. Enquanto isso não ocorrer, veremos tudo ser entregue e a perdição crescendo. Estar nas muitas manifestações de rua, o que mais se faz necessário. Essa de hoje, uma dentre tantas pela frente. Não fujamos de nossa responsabilidade para com o que ainda resta deste outrora soberano país. O negócio lá em Sampa hoje não é nem a belezura do show, a reunião de diletos e bons, fiéis artistas, mas o congraçamento em prol da causa maior, da real necessidade de estarmos mais e mais unidos, coesos e desfraldando bandeiras, resistindo e botando o bloco na rua, escancarando nossas preferências e lutando por elas. Tenho dito. HPA, doente por não poder viajar neste domingo, 8h00, 02 de junho de 2019.

2.) GANHEI O DIA HOJE NA FEIRA DOMINICAL – INESPERADO REENCONTRO COM JOAQUIM CÂNDIDO VIEIRA
Foi inenarrável. Seu Joaquim é um rueiro, assim como eu, gosta demais de bater perna e o fez até quando deu. Não podia ficar sabendo de evento que já se preparava a contento, fazia poesias e as levava para ler, pedia a palavra, era desses que não se intimidava, chegava e abafava, tinha o que dizer, sabia muito bem o que fazia e quando o viam chegando, a certeza de que algo novo havia sido devidamente preparado para aquele momento. Tenho tantas lembranças dele e das tantas vezes que nos cruzamos cidade afora, ele sempre cheio de coisas para dizer, pois é desses onde assunto nunca lhe faltava. Possui um amor fora do comum pela ferrovia e sabe muito bem da importância dela para Bauru, a fonte de seu progresso e pujança. Não foi ferroviário, mas viveu nesta cidade, toda ela envolvida com essa questão e sempre soube lhe dar a devida atenção, respeito e consideração. Dele escrevi algumas vezes nos meus espaços, tanto no blog, como pelas redes sociais e algumas eu faço questão de recordar, bastando clicar nesse link a seguir e tudo o que já publiquei tendo seu nome como pano de fundo estará diante de si num piscar de olhos: https://mafuadohpa.blogspot.com/search?q=joaquim+c%C3%A2ndido.

Esse é o seu Joaquim, conhecido de tantos nesta cidade. Estava sumido já fazia um tempinho, deixado de comparecer e de bater cartão na feira e nos acontecimentos ao redor do que ainda nos resta de ferrovia. Estava preocupado e havia perguntado por ele dias atrás, sem obter resposta convincente. Hoje, saindo da feira, quase na esquina da Julio Prestes com Antonio Alves, pronto para bater asas e ir ter em outro lugar, eis que o vejo vindo calmamente pela rua, amparado pelas mãos do filho e de um neto. Ele me reconheceu, me abraçou, trocamos umas breves palavras e me disse estar com muita saudade da feira. Seu filho me conta ter ele ficado muito doente e ao melhorar lhe diz que precisa ir andar na feira. O filho tenta argumentar, mas é convencido pelo pai, que resoluto não abre mão, quer ir andar na feira. E assim foi feito. Vieram os três, um de cada lado. Ele andou sozinho, parava a todo instante e foi seguindo em frente, seguiu pelo meio da Feira do Rolo, foi ver a Estação da Cia Paulista e sua cabeça deve ter ficado em estado de plena ebulição. Aquilo tudo que sua cabeça e mente já conseguiram juntar a respeito desta cidade e agora, revendo algumas delas numa caminhada nesta manhã dominical.

Foi ótimo rever seu Joaquim. Ele é mesmo uma fortaleza, demonstrou isso na sua força interior, demonstrada nesta manhã e eu, presenciando parte da cena, faço questão de passar adiante. Quem não conhece seu Joaquim não sabe o que está perdendo, ele é memória viva de tanta coisa já ocorrida nesta cidade, uma daquelas fontes que para serem consultadas bastava lhe fazer uma pergunta e a resposta ocorreria em instantes, de memória, de lembrança vivida, sem consultar alfarrábios. Pois bem, ele hoje está de volta às ruas, gastando sola de sapatos novamente por caminhos muito dantes percorridos. Não sei sua idade, mas creio estar perto dos 90, um oitenta e tarará. Uma fortaleza caminhando de pescoço ereto, olhando firme para a frente. Revejam nos meus posts anteriores algumas fotos que havia tirado dele e a comparem com essas atuais. Tenham a mais absoluta certeza, ele é a própria história viva desta cidade. Resiste e insiste, lindo demais da conta vê-lo na sua persistência por ver de novo tudo o que já conhece tão bem, mas sempre, como bem sabe, a cada nova olhada, tudo com nova roupagem.

OBS.: Não deem risadas de mim, esse escovado mafuento sem papas na língua por andar pelas ruas com dois chapéus. Um hoje me encontrou na feira e disse não me reconhecer, pois até já usava dois chapéus ao mesmo tempo. Ri e para ele não expliquei nada, mas o faço aqui: já fui pra feira com um e lá ganhei outro do Chico, um feirante rolista. Quiz recusar, mas ele insistiu, achei chato e aceitei o mimo. Chato seria andar com um na cabeça e outro na mão, preferi andar com os dois na cabeça, um tentando encobrir o outro. Não devo ter conseguido o intento a contento.

3.)
INFUNDADA AÇÃO POLICIAL - MAIS UM POBRE MORTAL É EXPOSTO DESNECESSARIAMENTE
Presenciei algo lamentável hoje pela manhã, por volta das 11h no estacionamento central do Supermercado Confiança Rodoviária Bauru. Uma desnecessária ação policial, motivada por um chamado totalmente sem noção. Chego no estacionamento e um velho conhecido, vendedor de paçoquinha nos sinais ali no cruzamento da Nações com a Nuno (não quero identificá-lo para não estigmatizá-lo ainda mais) e frequentador diário do mercado estava acuado num canto de parede, envolto por dois carros policiais e vários deles no entorno. Ao olhar dos lados, pelo menos mais dois carros no estacionamento e muitos policiais militares. O vendedor de rua já havia tido todos seus pertences verificados, documentação apresentada e tudo ali, na frente de todos, exposição injustificada. Procuro tomar conhecimento de como tudo ocorreu. Conheço essa pessoa de longa data e sei das dificuldades de sua vida, trabalhando diariamente para sobreviver. Quando vende o suficiente seu pernoite é numa pensão, quando não o faz, junta tudo o que é seu e dorme nas ruas. Daí o motivo de andar permanentemente com uma mochila, sempre cheia, tudo o que possui.

Ouço outras pessoas, uma delas presenciou tudo desde o início e me conta sua versão. Uma pessoa dentro do mercado presencia conversa alheia, onde ouve alguém dizer estar indo embora, talvez para a Bahia. Por entender algo a mais e, segundo ouço, por ser também policial, esse aciona a Militar e essa chega rapidamente, com várias viaturas, quatro no total. O "suspeito" é trazido para fora e ali, encostado no muro a ação se processa. Quando chego os policiais já haviam constatado ser inverídica a suspeita e ele sendo liberado. Após uma exposição desnecessária diante de todos os clientes que por ali estavam, teve sua fisionomia exposta e envergonhado não sabia direito nem como reagir. O alcaguete acusador acompanhou tudo junto da PM (ouço dizer ser da Polícia Civil) e em nenhum momento se aproximou para pedir mera desculpas pelo inconveniente da situação. Por fim, também se vai, com aquele ar de ter cometido ato de grande valia. Ou melhor, provocou sim, ação desnecessária da PM e, com certeza, nem foi notificado pelo ato intempestivo e abusivo, sem noção.

O fato a merecer elogio ouvi de um fiscal do mercado. Conhecendo a pessoa abordada, quando viu tudo terminado, dele se aproximou: "Vim me desculpar contigo em nome do mercado. Te conhecemos, está aqui todos os dias, nunca nos causou problemas. Quero que saiba que nada do que aconteceu partiu do mercado, nós não temos nada a ver com tudo o que ocorreu". Digna justificativa. Ficou bem claro, tudo partiu de uma infundada denúncia, suposto policial a paisana, provável cliente do mercado e gerando algo detestável, grandiosa operação, com a humilhação de um cidadão comum, trabalhador das ruas baruenses. Creio, seria de bom alvitre essa pessoa, a produzir ato tão indigno contra um semelhante, ser identificado e receber a devida reprimenda. Foi ação toda detestável e a merecer esse escrito, feito em forma de denúncia.

sábado, 1 de junho de 2019

CHARGE ESCOLHIDA A DEDO (147)


DISSECANDO DUAS FALAS MUITO EXPLÍCITAS DE BOLSONARO - NÃO GOSTAR DE POBRE E MINISTRO EVANGÉLICO, ILUSTRADO POR JAGUAR

FALA 1 - "Eles gostam de pobre", diz Bolsonaro sobre veto à emenda do PT. Eis o link da matéria de Carta Capital: https://www.cartacapital.com.br/…/eles-gostam-de-pobre-diz…/. Simples, reto direto e reto, sem tirar nem por, está tudo dito nesta simples frase com quatro palavrinhas. Bolsonaro se revela em suas falas, ele aliás, não posso negar isso, é muito transparente, não esconde nada, joga limpo e a cada nova abertura de boca, algo mais revelado, sem subterfúgios. Se querem ler a matéria inteira ela versa sobre outro assunto, o da proibição da cobrança de bagagem aérea, mas isso não vem ao caso no que escrevo. O fato é um só, Bolsonaro deixa bem claro não gostar nem um pouco de pobre, portanto, aqueles que o elegeram foram todos traídos, apunhalados e agora, se ainda não sabiam, sabem que ele nada fará pelos desfavorecidos, desvalidos e desassistidos. Disse textualmente e isso não tem concerto que, quem gosta de pobre é o PT. Não só o PT, completo, mas todos os que tem a consciência das desigualdades existentes neste cruel mundo regido pelo capitalismo predatório. A questão não é gostar de pobre, mas de olhar para o conjunto da sociedade e não privilegiar, muito menos rejeitar e ignorar ninguém. Se a ficha para os eleitores dele não caiu, acho melhor refletir logo sobre onde se meteram, pois a coisa deve piorar muito na continuidade de uma pessoa assim no comando do país.

FALA 2 - “Será que não está na hora de termos um ministro no Supremo Tribunal Federal evangélico?”, essa a fala do presidente, num outro arroubo onde expõe nitidamente o que pensa, como pensa, age e governa. Eis o link da matéria de Carta Capital: https://www.cartacapital.com.br/…/bolsonaro-diz-que-stf-le…/. Nada contra um evangélico, protestante, católico, muçulmano, anglicano, budista ou ateu ser ministro do STF, desde que não misture alhos com bugalhos, mas o que o Bozo quer é exatamente um que misture, daí é merda na feita. Se querem ler a matéria inteira ela versa sobre declaração dada em evento religioso promovido pela Assembleia de Deus em Goiânia (GO), nesta sexta-feira 31. Lá tem muito mais coisas, porém me atenho a essa frase e tento destrinchar, como o faria magistralmente um açougueiro. Na parte entre aspas e citada por mim, novamente algo revelador da linha de pensamento e ação do presidente, que nunca escondeu agir na exata forma como o faz, aliás, sempre o fez. Se parcela significativa do eleitorado votou nele, a maioria não foi enganada e age igualzinho a ele. Os que foram, esses ainda com alguma esperança de recuperação. Bolsonaro quer alguém no STF, não pensando com a mente voltada para o estado laico, como ainda o somos hoje, mas com a mente evangélica neopentecostal, a de pastores que hoje o apoiam abertamente, todos os interesses muito bem definidos. Ter uma pessoa assim no STF é também ir transformando tudo para que os interesses desses se sobreponha ao dos demais, como aliás, faz hoje o prefeito carioca Crivela, ligado umbilicalmente com a Universal. Se é isso que querem, parabéns, continuem o apoiando e louvando seus atos como as de um enviado dos céus.

OBS FINAL E INCLUSÃO DE JAGUAR: Resolvo ilustrar meu escrito com charges do imortal Jaguar, do alto dos seus 87 anos. Jaguar é o pseudônimo desse cartunista brasileiro que teve um destaque muito importante nos últimos cinqüenta anos de nossa história. Foi um dos fundadores do famoso jornal "O Pasquim" em 1969 e criador do ratinho Sigmund ou Sig para os íntimos, o seu alter-ego, que ora tem um temperamento irônico, noutro valentão, sonhador, bem-comportado e que muda de fisionomia como muda de humor. Recebo pelas mãos do amigoFausto Bergocce, a 3ª edição do jornal de humor, o +Humor (https://www.facebook.com/pg/Jornal-Mais-Humor-249716472607078/posts/?ref=page_internal) e neste número só charges com o tema Aposentadoria e na capa e página central, Jaguar. Ele brinca seriamente sobre exatamente temas como o que tento dissecar e daí, junto as duas coisas e as exponho para reflexão ampla, geral e irrestrita.


OUTRA COISA - O MERCADO DE TRABALHO E SUAS TRANSFORMAÇÕES, PARA PIOR
01.) OS UBERISTAS CONSEGUEM CONTRIBUIR PARA A PREVIDÊNCIA?
Essa e tantas outras perguntas que gostaria de fazer para a imensa maioria das pessoas hoje, praticamente foram obrigadas a atuar com a bandeira do Uber, a revista CartaCapital disseca numa reveladora matéria, compartilhada por mim. A crueldade do novíssimo sistema, onde o empregado praticamente fica de mãos atadas com seu empregador, que nem assim se denomina, revela toda a crueldade do que se apresenta como "modernidade". Entenda algo mais do que virá pela frente, quando a classe trabalhadora num todo for submetida a algo parecido. Que futuro os espera? E ainda querem emplacar essa monstruosidade de reforma da Previdência, nos moldes sugeridos, quando a aposentadoria será algo como sonho inatingível... Eis o link para matéria leitura da matéria: https://www.cartacapital.com.br/sociedade/jornalista-que-virou-uber-e-dificil-fugir-da-sensacao-de-fracasso/

2.) AS NOVÍSSIMAS FORMAS DE EXPLORAÇÃO DO TRABALHO HUMANO - CADA VEZ MAIS DESUMANIZADO, PRECARIZADO E ONDE O TRABALHADOR DEIXA DE POSSUIR DIREITOS, SÓ OBRIGAÇÕES, EIS A MODERNIDADE E SEUS TENTÁCULOS.
No texto compartilhado por mim está dissecado de forma límpida o que vem a ser mais essa maldade contra o ser humano, numa época onde deveria ter seus direitos mais que garantidos, mas os perde com uma facilidade nunca vista. Como ao menos espernear diante de tanta crueldade na mente de quem decide sobre o futuro da legislação e normas trabalhistas do futuro? Eis o link para leitura da matéria original: https://www.facebook.com/photo.php?fbid=2115788725211325&set=a.603181016472111&type=3&theater