CHARGES ESCOLHIDAS A DEDO (65)
ALGUNS POSICIONAMENTOS DOMINICAIS
1 – O Papa católico renunciou. Para não dizer que nada direi sobre algo tão íntimo, foro pessoal de um chefe de Estado, minha opinião fica sendo a desse trecho de um longo discurso que frei Beto, outro católico, ministrou em São Paulo: “Depois que anunciou a renúncia, Bento XVI recebeu o clero de Roma sem bengala, falou de improviso, sorriu e denunciou a hipocrisia religiosa e defendeu a verdadeira renovação da igreja. Sou pela reeleição de Ratzinger”. Guardadas as devidas proporções, incluída minha dose de ironia, que bem não faz o papel de renunciante a alguém com cargo tão pesado (ou seria carregado?). Um estudioso de religião disse acertadamente: “A igreja está doente porque vive no século XI”. Não preciso dizer mais nada.
2 – Correa, o sujeito que deu ares de país sério ao Equador, conseguiu nesse domingo a sua reeleição com os pés nas costas. Concorria com um ex-banqueiro e da OPUS Dei. Foi de lavada. Ainda bem. O novo Chávez? Mais que isso. A “revolução cidadã” implantada por ele no país vizinho é algo inebriante, com destaque para os pesados investimentos em infraestrutura, saúde e educação. Mudou o país para melhor. Um de seus lemas é contagiante e gostaria de ver outros presidentes latinos com a mesma fala e prática: “O Equador não está mais a venda”.
3 – Quem está chegando ao Brasil é a blogueira cubana Yoani Sanchéz, indefectível persona, evidentemente custeada em tudo o que faz dentro de Cuba por dinheiro externo, com origem ainda não totalmente sabida, pois por lá não exerce nada de produtivo. Na chegada, Veja, a revista que defende o indefensável acusa graduado funcionário público federal de participar de um complô para denegrir a imagem de tão controversa pessoa. O que ele faz, se é que faz é criticar alguém merecedora de muita crítica, pois vive dentro de Cuba, às espensas de dinheiro externo, criticando ferozmente o país e ainda tendo a pachorra de se dizer perseguida. Vá ser FDP no raio que o parta. E que não venha dar uma de santinha por aqui.
4 – Marina Silva lança partido novo, batizado de REDE, despontando no horizonte com um nome já sugerindo controvérsias mil. Rede para pegar o que, afinal? Quem melhor esmiuçou a nova sigla, como o papel hoje cumprido por Marina foi Gilberto Maringoni, dando dicas resumidas aqui por mim: “O movimento REDE é personificado só em Marina. Só ela aparece. Trata-se de um movimento para uma candidatura. Já falou em ensinar criacionismo nas escolas. Já falou em impedimentos de pesquisa de células-tronco. Não se trata de atacar a religiosidade dela, isso é público! Ainda um ajuntamento de gente em torno da conservadora Marina e só”. Concordo e desde já me posiciono completamente fora disso tudo, pois não tem compromisso com nada a não ser consigo mesmo.
5 – Na cidade do Rio de Janeiro o Carnaval ainda não terminou. Nesse domingo, 17/02, passados cinco dias do término da festa, alguns blocos resistem em desfilar a alegria nas ruas e praças. Num deles, pelo nome, VAI BARRAR? NUNCA!, saiu às 16h. Criado em 2010 por quatro amigos, o bloco da Penha protesta contra os que insistem em criar, depois aprovar e também legislar defendendo leis impeditivas. Adoraria estar nessa festa, porém, faço o contrário, me engajo a partir de segunda na luta contra os que se opõem a desmandos acima até da Constituição. Guardião, o super-herói de Bauru vem aí soltando fogo pelas ventas...
Obs final: Presto aqui homenagem à charge e ao cartum, motivos de minha eterna adoração e veneração. Fausto Bergocce, meu amigo e companheiro no livro "Reginópolis, su História" está em três, Pelicano noutra e um que desconheço na do telespectador de TV. Adoro ilustrar tudo o que faço com esses desenhos maravilhosos, traços inigualáveis, pessoas sacando e dizendo tudo num simples (como simples, se nem um traço reto consigo fazer?) traço.
segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013
sábado, 16 de fevereiro de 2013
O QUE FAZER
EM BAURU E NAS REDONDEZAS (26)
UM PROTESTO
DENTRO DA USC, AINDA O CASO FECHAMENTO VERITAS
Acordei hoje
com uma bruta saudade da rádio Veritas Fm, a que a USC mantinha até pouco tempo
atrás e perdeu porque quis e assim se fez. Nem sei se a saudade era da rádio num
todo ou do amigão, Wellington Leite, que agora está só lá na rádio Unesp FM. O
fim da Veritas foi mais uma grande vergonha propagada pela administração USC –
Universidade do Sagrado Coração nos últimos tempos. A primeira foi ter trazido
o chileno para cá e deixa-lo fazer todo o serviço sujo que elas, as irmãs, não
tiveram coragem, de fazer, ou seja, demissões e cortes múltiplos e variados. Nem sei e nem quero
saber se hoje a USC já voltou a viver bem das pernas, mas o fato é que ela de
uns tempos para cá fez de tudo e mais um pouco para se distanciar da cidade. Deixar
a Veritas fenecer sem tentar lhe estender o braço de salvamento foi a gota d’água.
Infelicidades administrativas.
O programa
matinal que o Wellington tinha por lá revigorava a cidade e batia de frente com
outro, também dos bons, nos mesmos moldes lá na Unesp. Ficou o da Unesp,
felizmente. Aliás, a TV Unesp teve os mesmos problemas que a Veritas, foi
atrás, brigou, esperneou e já consegui ter sua TV novamente no ar. O que faltou
na USC foi isso, pois com o fato consumado, analisando friamente após tudo ter
sido consolidado, é que a direção da universidade aguardava de forma ansiosa
por algum impedimento para fechar de vez a rádio. Foi o que fizeram sem só e
piedade (cheguei a rezar pela reabertura). A programação era boa, locutores competentes, bem dirigida pelo
Reginaldo Vianna, mas algo não agradava a contento o lado do poder e mando.
Lanço aqui
uma REAÇÃO e uma PROPOSTA aos que assim como eu gostávamos muito de ouvir a Veritas. Presenciei
gente comovida com o fechamento, algumas se propondo a protestar, botar a boca
no mundo, mas vejo que tudo foi mesmo coisa de momento. Provando que queremos
pressionar a direção pela reabertura, por que não juntamos um grupo e vamos com
cartazes lá para os corredores da USC, num dos dias de maior movimento? Quantos
se juntariam a mim? Proponho algo bem organizado e definiríamos a data entre
25/01 a 01/03. Ou fazermos algo representativo ou esquecemos disso e vamos
tocar nossas vidas, mas bem que gostaria de reviver meus tempos de estudante
por lá, curso de História, e nós com faixas e cartazes nas mãos. Aguardo
contatos e redistribuição desse texto entre os admiradores da falecida (pode ressuscitar ). É agora ou nunca,
afinal a USC vem pisando na bola não é de hoje, vide o que fizeram com o Núcleo
de Documentação e História, esse morrendo de inanição, falência múltipla dos órgãos. Que será que se passa com a cabeça
dos dirigentes da USC? Por favor, não me deixem PLUGANDO GELO...
sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013
MEMÓRIA ORAL (136)
MAS COMO É MESMO QUE NASCEU ESSE BLOCO?
Em inserções diárias íamos instigando os amigos próximos e a receptividade foi crescendo. Decisões precisavam ser tomadas, aliás todas. O artista plástico Silvio Selva tinha iniciado anos atrás
(exatos oito) uma letra de marchinha e ficou de retomar algo guardado lá do fundo do baú. A servidora municipal Rose Barrenha queria reviver algo onde havia atuado com intensidade, o projeto antimanicomial “Loucos por Alegria”, onde anos atrás descemos num numa turma num “louco” desfile. Tatiana Calmon espalhou a ideia por tudo quanto é lado e ela foi frutificando, multiplicando-se a cada novo toque. A professora Ana Bia, ao meu lado me instigava com ideias cariocas de blocos e nomes. Oskar
tinha até um, com uma aranha de símbolo e eu fui logo escrachando, brincando e provocando com um outro que não saiu do papel, o “Viúvas do Batata”, dos que um dia confiaram e depois se decepcionaram com o vereador do mesmo nome. Tudo ainda era uma grande brincadeira.
A cada dia gente nova despontavam nas discussões e diante de tanta fluidez de propósitos marcamos uma reunião para a casa do Oskar, no Geisel. Mesmo com uma carne seca na moranga, somente eu, sua esposa e Rose Barrenha lá estivemos. Sugeri o nome versando sobre o famoso
sanduíche bauru, logo aceito. Discutimos sobre o uso do Misto com X, possibilitando variadas interpretações. Era exatamente o que queríamos. Nos primeiros versos do Silvio, algo cai no gosto de todos, o “Bauru Bauru Bauru Cidade que me seduz/ As vezes falta água, as vezes falta luz”. A brincadeira estava estabelecida. Arte com marca do bloco, camisetas, músicos, carro de som, autorizações e os gastos todos, tudo alinhavado. Local definido, Calçadão da Batista de Carvalho, em pleno sábado de
Carnaval e descida marcada para 12h, pico do comércio. Quando todos já se preparavam para bater asas, eis que surge Carlos Alexandre e sua namorada. Comem, propõem mudanças na letra e ficam encarregados da criação da página com o nome do bloco no facebook. Já em casa, disparo a ideia do nome, a banda do Alemão do Kananga e a marca sendo feita pelo Gonçalez. Começamos a sentir a boa receptividade, sempre crescente.
Contato o João do escritório local da CUT, ele compra a ideia e
cede graciosamente o carro de som puxado a mão, onde propagaríamos o som. Tudo cresce quando Camila, colunista do Bom Dia e logo a seguir Rufino, o do Jornal da Cidade divulgam algo sobre a vontade coletiva de botar um crítico bloco na rua. Cada um a seu modo ia divulgando, mais pelos meios alternativos internéticos. A coisa só cresceu, tomando uma sempre crescente proporção, ou seja, não teríamos mais como voltar atrás. Insuflados por um número crescente de adesões no grupo lá no facebook, o nome começou a se firmar. Envio e-mail para o Secretário de Cultura de Bauru, Elson
Reis com solicitação para apoio e consequente acompanhamento. Junto com o chargista Gonçalez bolamos como seria a estampa. Lembro-me de um velho conhecido, o Carlão da Silk Bauru e decidimos fazer inicialmente 50 camisetas, com tudo pronto em no máximo cinco dias. Faltavam menos de doze dias para a festa começar.
Chego da viagem na quarta, 13, passo na Secretaria de Cultura para acertar detalhes de um provável acompanhamento da Polícia Militar e recebo a notícia bombástica, uma tal de Associação dos Comerciantes do Calçadão haviam se reunido naquela manhã e decidiram não autorizar o desfile. Troco e-mails ásperos com funcionária da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, pois submeteram-se facilmente à negativa dos comerciantes. Argumento que isso
gerará um confronto desnecessário, mas na resposta se mostram irredutíveis. No começo daquela noite fui presenciar o ensaio do bloco e ao chegar a surpresa. Ana e Rose haviam instigado a Tatiana a também comparecer. Vejo alguma dificuldade no grupo em pegar o ritmo pretendido. Cheia de luz, Tatiana pega o microfone e canta divinamente a letra, como devia mesmo ser feita e eu de queixo caído pego minha câmera e gravo tudo. Todos ficam sabendo da negativa e algo começa a ser difundido via internet.
Amanheço na sexta pedindo ajuda para nosso advogado de plantão, Gilberto Truijo, que nunca havia saído num bloco carnavalesco e nesse diria que iria, proibido ou não. Disparo no blog toda a troca de correspondência com os órgãos da Prefeitura. Na internet o caso explode. Dou entrevista para o Franco Junior da Auri-Verde e a Maria Dalva, no noticiário da hora do almoço na 94FM diz textualmente ser o impedimento “algo
perigoso, pois não é possível a Câmara aprovar leis que impedem o povo de circular em certas ruas”. Elson Reis liga e diz que está fazendo o possível e o impossível na liberação, mas num email a Secretária da Seplan é decisiva: Indeferido. Na Unesp Fm, entrevistado na hora do almoço Elson reafirma que tudo será sanado. A decisão coletiva foi a de descer, pois afinal, a praça e as ruas continuam sendo do povo e para o povo, mas Elson liga no final da tarde e confirma autorização e diz que as duas rainhas desceram conosco. As camisetas chegam e mais 30 pedidas, ligações
pipocam por todos os lados.
Instalados numa espécie de QG aqui no mafuá, surge o estandarte quase pronto, trazido pelas mãos da Rose. Munidos com colas de tecidos todos se põe a colar as letras nos panos e a tarde rolou coordenada pela mana Helena, controlando o telefone e as entregas das camisetas. Um amigo, Paulo Proença me passa um email falando de Carnaval e lhe peço para montar a arte do folheto com a letra da marchinha. Corro para imprimir na Trena Copiadora e na volta, Oskar está em casa ajudando a desorganizar ainda mais a
bagunça instalada. Teríamos uma entrevista para fazer à noite num outro grupo de apoio, o do Enxame Coletivo, do Artur Faleiros, que também havia criado outra página no facebook. Poucos quiseram ir, pois cada um tinha uma correria particular nos preparativos finais. Fomos eu, Oskar e Ana Bia, mas a TV deles falhou e a entrevista não foi ao ar.
A história eu conto como a história foi, parafraseando o título de um belo e velho livro. Relato aqui algo no qual fui me meter como um dos protagonistas num belo acontecimento em Bauru, a criação de um bloco carnavalesco, o “Bauru sem Tomate é MiXto” (com X mesmo). Muitos tinham esse desejo, participar de um irreverente bloco e o que faltava era alguém para colocá-la em prática. Oskar Sobrinho, professor de História como eu, num papo internético me convidou
para participar de uma viagem de van pelo Nordeste no final do ano. Minha resposta: “Pode até ser. Não sei nem se estaremos vivos até lá. Por que não fazemos algo já, que tal um bloco de Carnaval?”. Oskar topou na hora e a ideia foi lançada despretensiosamente via facebook faltando pouco menos de 20 dias para o início dos festejos de Momo.
Em inserções diárias íamos instigando os amigos próximos e a receptividade foi crescendo. Decisões precisavam ser tomadas, aliás todas. O artista plástico Silvio Selva tinha iniciado anos atrás
A cada dia gente nova despontavam nas discussões e diante de tanta fluidez de propósitos marcamos uma reunião para a casa do Oskar, no Geisel. Mesmo com uma carne seca na moranga, somente eu, sua esposa e Rose Barrenha lá estivemos. Sugeri o nome versando sobre o famoso
Contato o João do escritório local da CUT, ele compra a ideia e
A marchinha vai sendo definida em drops, aos poucos, mas seus versos mais significativos já estão consolidados e tudo é finalizado com um “Mas vou falar/ Amo Bauru/ Mas amo menos quando vence o IPTU”. Eu e Gonçalez tivemos que decidir o título na correria, “Faltou
Água, Sobrou Buraco”. Ana antecipa o valor para quitar a silcagem das camisetas e a mana Helena corre por tudo quanto é canto vendendo algo que ainda não tínhamos para entregar. Mesmo conhecendo uma pá de músicos, quase todos ocupados nesse período definimos pelo nome do Alemão, o da Kananga. Ele nos faz um preço camarada e se encarrega de juntar músicos, alguns poucos que estão sem trabalhar nesse período. O Carnaval se aproxima, dias 4 e 5 viajo a serviço e vou acompanhando tudo via internet. A Tati explode emoção em cada
postagem e multiplicam-se os interessados em sair, ela com sua agitação, agitadora nata, foi decisiva para espalhar tudo e ir moderando os conflitos.
Chego da viagem na quarta, 13, passo na Secretaria de Cultura para acertar detalhes de um provável acompanhamento da Polícia Militar e recebo a notícia bombástica, uma tal de Associação dos Comerciantes do Calçadão haviam se reunido naquela manhã e decidiram não autorizar o desfile. Troco e-mails ásperos com funcionária da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, pois submeteram-se facilmente à negativa dos comerciantes. Argumento que isso
Amanheço na sexta pedindo ajuda para nosso advogado de plantão, Gilberto Truijo, que nunca havia saído num bloco carnavalesco e nesse diria que iria, proibido ou não. Disparo no blog toda a troca de correspondência com os órgãos da Prefeitura. Na internet o caso explode. Dou entrevista para o Franco Junior da Auri-Verde e a Maria Dalva, no noticiário da hora do almoço na 94FM diz textualmente ser o impedimento “algo
Instalados numa espécie de QG aqui no mafuá, surge o estandarte quase pronto, trazido pelas mãos da Rose. Munidos com colas de tecidos todos se põe a colar as letras nos panos e a tarde rolou coordenada pela mana Helena, controlando o telefone e as entregas das camisetas. Um amigo, Paulo Proença me passa um email falando de Carnaval e lhe peço para montar a arte do folheto com a letra da marchinha. Corro para imprimir na Trena Copiadora e na volta, Oskar está em casa ajudando a desorganizar ainda mais a
Dormir, como fazê-lo? Ana ri até agora contando como levantei às 4h da manhã dizendo a ela, “estou tenso” e indo para o computador. Por volta das 6h30 fui entregar camisetas. Às 9h estava com o Lulinha na sede da CUT montando o som e trazendo-o para a Praça Rui Barbosa. Chegamos sozinhos por volta das 10h, depois vieram a Helena, depois o Silvio
Selva, logo depois minha Tia Edi e o Rubens. Depois das 11h, o grupo foi crescendo e percebemos que o som não estava funcionando. Lulinha voou para trocar a bateria, voltando por volta das 11h30, quando a praça já começava a fervilhar. Quando Tatiana colocou sua saia amarela no meio da praça (por cima de um bermudão, viu!), o movimento só crescia. A garoa insistia em não parar de cair, mas isso não estava esmorecendo o grupo. Até padre Herman passou por lá para dar uma espiada, junto de Célio Losnak. Dino Magnoni e sua trupe vieram animados e Oslar Sobrinho, vestiu uma bóia ali no meio da praça e acabou se transformando no “Homem Bóia”, futuro herói das enchentes bauruenses. Roque
veio com seus dois assessores, Silvio e Fabricio. Carminha Fortuna veio munida de uma máquina fotográfica e registrou cada detalhe, registro memorável e histórico. Outros fizeram o mesmo e com máquinas nas mãos coloriram a manhã de sábado. Uma pá de gente despontava por todos os lados. No carro de som, a gravação da marchinha bombava e Tatiana sobe no coreto e de lá
propaga um algo mais da festa.
Quando passava das 12h30, os PMs vieram nos falar se iriamos demorar e decidimos descer. E descemos em algo maravilhoso, divinal, inenarrável, cheio de muita luz e brilho. Calamos a boca dos descontentes e dos que querem tudo sob o mando e tacão só deles. Mostramos para esses de quem são as ruas bauruenses. Não provocamos ninguém, só festamos e cantamos nosso hino em alto e bom som. O Kananga e seu grupo estavam afinados e em auadra quadra, bem no meio delas, sete no total, íamos parando e repetindo a cantoria da marchinha. Tudo foi mu
ito rápido, muitos se associaram a nós e nem me lembro como foi a descida. Sei que chegamos, extenuados e querendo mais, A chuva mesmo caiu um pouco mais intensa quando havíamos chegado no canto da praça Machado de Mello. Deu tempo de cantar um Feliz Aniversário em ritmo de Carnaval para Rose Barrenha e por fim, um grupo foi terminar a festa no restaurante Convívio,
sempre cantando até não mais poder. Acho que não passamos de umas cento e cinquenta pessoas, pouco mais, pouco menos, mas parecíamos zilhões, pois as repercussões do que fizemos continuam sendo publicadas aqui e ali até hoje, seis deias depois do cortejo ter descido a Batista.
Devo ter esquecido de citar muita gente (todos foram importantes e decisivos para o coletivo sucesso), mas isso aqui não é um texto definitivo, não é essa a intenção. Deve ser entendido com um daqueles livros que o Mário Quintana adorava ir colocando suas poesias, cheios de espaços em branco, pois dessa forma ia preenchendo com outras coisas.
Façam isso, me ajudem a citar muitos outros que nos ajudaram, contribuindo para que essa festa coletiva tivesse esse sucessão danado. E não me digam que organizei nada, pois isso tudo só foi possível por causa de nossa desorganização coletiva, aliada a uma vontade coletiva de bailar num diferente Carnaval. Objetivo alcançado, em nome dos desorganizados todos, informo que nada sei se será possível isso tudo, junto e misturado, ocorrer novamente no ano que vem. Veremos. Quem sabe. Pode ser. Talvez. Depende. Mas que dá vontade, isso dá e muita!
OBS FINAL: Fotos eu tirei várias e muitas outras foram tiradas. Peço desculpas a todos pelos que não sairam aqui publicados, pois era impossível fazê-lo com todos. Elas estão por aí...
quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013
FRASE (100)
ALGO SOBRE A DIÁRIA INTOLERÂNCIA E UM DOS MOTIVOS DE CONTINUAR ESCREVINHANDO
A famosa frase atribuída a VOLTAIRE precisa ser entendida e melhor aplicada nos dias atuais: “Não concordo com uma palavra do que dizes, mas defenderei até o ultimo instante seu direito de dizê-la”. Vivemos anos de intolerância, muito mais acentuados do que tempos idos, quando liamos mais, pensávamos mais, sabíamos ao menos discernir quem está do nosso lado e quem o faz de forma do contra. A atuação política e social de cada um era mais intensa. Repudio totalmente o linchamento que setores do conservadorismo brasileiro tentam impingir à Lula e Dilma, pois mesmo com todas as pisadas de bola promovidas pela dupla, o Brasil caminhou e não andou para trás. Vide como estamos hoje diante de um mundo em polvorosa. Quem não reconhece um mínimo não merece consideração, mas ouço-os todos, paciência de Jó, pois sigo o que ditou mestre Voltaire. Difícil agir seguindo isso a risca, mas tento e tenho meus problemas por causa disso. Anteontem dando uma espiada num desses canais de TV a cabo, uma cena do filme brasileiro “Zuzu Angel”, a estilista brasileira que teve o filho desaparecido sob tortura e morreu de uma forma muito estranha, tudo por causa de buscar informações sobre o paradeiro do filho. Na cena ela estava diante de um senador norte-americano em Washington
e ele lhe promete cobrar algo do Governo brasileiro, mas lhe diz: “Quero que saiba que não concordo uma vírgula com o procedimento e tipo de ação promovida pelo seu filho, mas é desumano o que estão a fazer com ele. Vou interceder”. São tipos de ação de quem, mesmo na discordância, ao menos ouvem o que o oponente tem para dizer e não se omitem. Sempre agi dessa forma, ouvindo e tentando ser ao menos ouvido. Farei tudo para que tudo continue dessa forma em tudo que faço. Essas são simples explicações de meus elementares procedimentos.
Quando repudio aqui a intolerância, passando pela banca da Hilda lá no Aeroporto, compro a
última Brasileiros, edição de janeiro. Na capa o ex-ministro de FHC, ex-governador paulista e um dos fundadores do PSDB, Luiz Carlos Bresser Pereira, que não suportando a intolerância do atual tucano, dá entrevista e na manchete algo significativo: “Uma voz contra o linchamento – Fora do ninho tucano, o ex-ministro e fundador do PSDB sai em defesa da democracia e faz o contraponto ao moralismo liberal, que ganhou força com o mensalão”. Na conclusão da bela entrevista percebe-se o quanto a elite brasileira é moralista e seu ex-partido algo repugnante diante do afastamento dos princípios trilhados pela social democracia. Felizmente, nem todos pensam e agem cegamente, mas tristemente percebo ser Bresser uma rara ave a pensar diferente de uns tantos que enraivecidos torcem pelo quanto pior melhor, tudo para voltarem ao Governo e fazerem tudo ainda pior do que já é feito hoje. Veja uma de suas reflexões e pensemos a respeito: “Aproveitou-se o momento do mensalão para mudar a jurisprudência brasileira de uma maneira muito perigosa”.
Diante desses dois fatos, algo ainda sobre o Carnaval. Durante os dois dias no
Sambódromo bauruense, tirei fotos de tudo e de todos, mas a mais significativa delas, pelo menos para mim, não foi a de nenhum folião. Um menino juntando latas. Começou com um saco pequeno e o volume foi crescendo e ele arrumou um maior e o arrastou pela avenida. Foi aplaudido, alguns tentarem lhe ajudar, sensibilizou muitos, passou despercebido para a maioria e não o acompanhei por muito tempo, portanto, não sei do destino, nem dele, nem de suas latas. Seu destino não me sai da cabeça. Concluo esse meu escrito de hoje com algo que para alguns pode parecer proselitismo, mas quem me conhece sabe que assim sempre procedi. Tudo o que faço, desde meus escritos, minha ação diária, minha forma de proceder nos embates aqui dentro desse blog, na vida, no trabalho, tem por fundamento dar o meu quinhão, minha modesta participação para mudar esse estado de coisas, exatamente o visto ali num intervalo dos desfiles. E tem momentos que nem sei se estou fazendo certo, mas não gostaria de parar, pois vejo que muito ainda precisa ser feito. E eu quero continuar tentando ao meu modo e jeito.
OBS.: Amanhã aqui algo definitivo sobre a criação de um Bloco que deu o que falar nesse Carnaval Bauruense...
ALGO SOBRE A DIÁRIA INTOLERÂNCIA E UM DOS MOTIVOS DE CONTINUAR ESCREVINHANDO
A famosa frase atribuída a VOLTAIRE precisa ser entendida e melhor aplicada nos dias atuais: “Não concordo com uma palavra do que dizes, mas defenderei até o ultimo instante seu direito de dizê-la”. Vivemos anos de intolerância, muito mais acentuados do que tempos idos, quando liamos mais, pensávamos mais, sabíamos ao menos discernir quem está do nosso lado e quem o faz de forma do contra. A atuação política e social de cada um era mais intensa. Repudio totalmente o linchamento que setores do conservadorismo brasileiro tentam impingir à Lula e Dilma, pois mesmo com todas as pisadas de bola promovidas pela dupla, o Brasil caminhou e não andou para trás. Vide como estamos hoje diante de um mundo em polvorosa. Quem não reconhece um mínimo não merece consideração, mas ouço-os todos, paciência de Jó, pois sigo o que ditou mestre Voltaire. Difícil agir seguindo isso a risca, mas tento e tenho meus problemas por causa disso. Anteontem dando uma espiada num desses canais de TV a cabo, uma cena do filme brasileiro “Zuzu Angel”, a estilista brasileira que teve o filho desaparecido sob tortura e morreu de uma forma muito estranha, tudo por causa de buscar informações sobre o paradeiro do filho. Na cena ela estava diante de um senador norte-americano em Washington
e ele lhe promete cobrar algo do Governo brasileiro, mas lhe diz: “Quero que saiba que não concordo uma vírgula com o procedimento e tipo de ação promovida pelo seu filho, mas é desumano o que estão a fazer com ele. Vou interceder”. São tipos de ação de quem, mesmo na discordância, ao menos ouvem o que o oponente tem para dizer e não se omitem. Sempre agi dessa forma, ouvindo e tentando ser ao menos ouvido. Farei tudo para que tudo continue dessa forma em tudo que faço. Essas são simples explicações de meus elementares procedimentos. Quando repudio aqui a intolerância, passando pela banca da Hilda lá no Aeroporto, compro a
Diante desses dois fatos, algo ainda sobre o Carnaval. Durante os dois dias no
OBS.: Amanhã aqui algo definitivo sobre a criação de um Bloco que deu o que falar nesse Carnaval Bauruense...
quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013
PERGUNTAR NÃO OFENDE ou QUE SAUDADE DE ERNESTO VARELA (73)
http://www.pagina12.com.ar/diario/suplementos/espectaculos/5-27788-2013-02-13.html e busquem uma tradução, fácil no site deles. Falar e mostrar esse Lado B causa indignação em quem está acostumado a ver retratado só o Lado A de uma cidade em tudo que lê, ouve e vê. Pois eu me interesso só e tão somente em retratar e ficar ao lado desse tão repudiado e maltratado Lado B. Nesse lado de uma cidade falta água, esgoto, luz, tem buraco, goteira, saúde precária, inundação, alagamento, enchente, transporte urbano deficiente, locomoção dificultada, adutora estoura e muito mais. Já no Lado A, pouco disso acontece. Tanto lá em Buenos Aires, como cá na nossa Bauru e em tantas outras, a exposição disso causa consternações. Queremos só e tão somente uma equiparação do atendimento das reivindicações desses dois lados, já que ninguém discute uma mudança no sistema político que nos rege. Defender o Lado B também gera consternações.
A FALTA D’ÁGUA ESTÁ AÍ E O LADO “B” QUE MUITOS INSISTEM EM NÃO ENXERGAR
Ao abrir o Jornal de Cidade de hoje, novamente no Entrelinhas uma citação do bloco mais irreverente do Carnaval Bauruense em 2013: “Revolta - Moradores do Jardim Redentor, que desde segunda-feira estão com as torneiras secas, demonstraram indignação com a avaliação negativa do prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) das críticas sobre falta de água feitas pelo bloco ‘Bauru sem Tomate é Mixto’. O bloco aproveitou o Carnaval para descer o Calçadão da Batista cobrando o Executivo, que avaliou o período como despropositado para a manifestação”. Taí, pelo visto nada do que enaltecemos não pode ser considerado como despropósito, pois são fatos corriqueiros do nosso dia-a-dia. Da administração Rodrigo, quem melhor entendeu isso foi o próprio presidente do DAE – Departamento de Água e Esgoto, Giasone Candia, de uma velha geração e cepa, mente arejada, espírito pronto para ouvir elogios e críticas. Ele estava conosco na descida do bloco e sabe que os problemas que enfrenta são imensos e as críticas merecedoras. Gente assim sabe que um algo mais precisa e deve ser feito. Enfrentará “Deus e o Diabo na
Terra do Sol”, nessa verdadeira “Terra em Transe” que é hoje o DAE, interna e externamente, porém ciente de tudo o que precisa ser lá feito para devolvê-lo de fato à cidade, esperamos dele uma ação firme, coerente, concreta e decisiva para resolver de fato a questão da água na cidade.
Enxergar esse outro lado da cidade, o que sofre e padece o ano inteiro da falta de muitas coisas básicas é algo que tento fazer sem se mostrar um crítico desses incoerentes, que sempre só se mostram do contra, empedernidos inimigos, vendo algo ruim em tudo, tudo para favorecer seu grupo. Combato veementemente os que fazem isso com Lula e Dilma e não seria coerente comigo mesmo fazer o mesmo em Bauru com o Rodrigo. Critico e elogio com a mesma intensidade, clamando sempre pela solução de nossos problemas. Nada arrivista, mas como bom observador. Hoje mesmo ao ler pela internet o argentino Página 12 (como faço todos os dias – o melhor jornal da América do Sul), na capa de seu caderno Cultural, o Cultura & Espetáculos, algo sobre enxergar esse outro lado de uma cidade, num texto de Facundo Gari: “Buenos Aires Lado B – A Multidão: O artista plástico Martín Oesterheld, concebeu seu primeiro longa metragem a partir dos restos da grandeza de duas ditaduras, Onganía e Videla”. O autor resume todo o seu trabalho numa frase: “Estou interessado em saber como as sociedades escolheram para esquecer”. E ele mostra uma cidade esquecida e seus personagens vivendo dentro estado decrépito, de quase absoluta falência de assistência e benefícios. Leia mais em:
Terra do Sol”, nessa verdadeira “Terra em Transe” que é hoje o DAE, interna e externamente, porém ciente de tudo o que precisa ser lá feito para devolvê-lo de fato à cidade, esperamos dele uma ação firme, coerente, concreta e decisiva para resolver de fato a questão da água na cidade.![]() |
| Diretor argentino de O Lado B |
terça-feira, 12 de fevereiro de 2013
CENA BAURUENSE (104)
CARNAVAL: ELOGIOS, UM BLOCO AINDA NÃO ENTENDIDO E A REVELAÇÃO DE QUEM MAIS SAMBOU NA PISTA
O Carnaval de rua bauruense está nos seus estertores, quase no fim. Hoje, um restinho de folia nas ruas do Mary Dota, com o baterista Toninho e sua banda, a Tropical Super Show. Imperdível para quem não quer perder o que ainda nos resta antes de voltar à normalidade na tarde de quarta. A Prefeitura acertou em cheio com o Carnaval desse ano. Elogios para a organização, empenho geral do pessoal da Cultura, todos por lá atuando nos bastidores, para que a festa ocorresse dentro da normalidade. E quando nada se comenta deles é porque tudo deu certo. O Elson Reis, Secretário de Cultura não arredou pé das atividades e só não sei se perdeu peso ou ganhou, pois eu acho que na ansiedade comemos mais. Eu critico muita coisa que ocorre na cidade, mas adoro ter que elogiar e faço sempre que encontro algo que goste. De tudo o que vi no Sambódromo só uma crítica: a festança era de Carnaval e nos intervalos dos desfiles uma música sendo propagada pelo alto-falantes que nada tinha a ver
com a festa. Se boa ou não, discutível, mas acredito que nesses dias o que deve prevalecer são as músicas envolvendo o tema. Fora disso, pisada na bola. Evitar isso é sensatez.
Abro o jornal de hoje, JC e na Entrelinhas a última nota cita o bloco de rua, onde estive metido por esses dias. Foi isso: “Bauru sem água - Em entrevista concedida ao pool de transmissão do carnaval, formado pelo JC, Auri Verde, 96 FM, TBR e o programa “A Noite é Sua”, Rodrigo considerou, para o período de festas, despropositadas as críticas feitas pelo bloco “Bauru sem Tomate é Mixto”, que no sábado desfilou pelas quadras do Calçadão da Batista de Carvalho e criticou a falta d’água, entre outros. Ele, no entanto, reiterou o respeito por qualquer manifestação, crítica ou não”. Meu comentário é simples. Rodrigo não deixa de ser o simpático garotão que
adoramos cumprimentar, não me considero seu amigo, porém muito menos inimigo. Ele precisa entender que ao optar pela vida política, mesmo boa praça, está sujeito a “chuvas e trovoadas”. Deixo claro em tudo o que escrevo, mesmo ele ter feito muita coisa de boa para Bauru, não gosto de algumas de suas companhias, de sua opção politica, por aceitar certas imposições administrativas, pela demora na solução dos problemas do DAE, na Saúde e morosidade em outros quesitos, como o tratamento de esgoto e finalizarde vez a bazófia na Cohab. Apontar erros, sugerir caminhos e mostrar isso de forma
jocosa durante o Carnaval é algo natural .Elogio seus acertos, mas não me furto a fazer a crítica, nada arrivista, feita de forma maldosa e inconsequente. Ele sabe bem de outra coisa, quem critica também pode ser criticado. Todos, criticados e críticos querem mesmo uma Bauru melhor. Só isso. Da critica sempre se tira um proveito muito maior do que dos falsos e rasgados elogios.
Eu estive nos dois dias no Sambódromo e gostei da evolução do Carnaval. Esse problema dele ainda ser dependente do poder público é algo para ser discutido de forma ampla. Discordo das contumazes críticas a essa ajuda, mas penso que algo deva ser feito
para desassociar isso. O Carnaval deve ser só mais um com repasse de recursos, sem os falsos moralismos que alguns tentam impingir ao fato. Talvez um grande evento reunindo o pessoal das escolas e bloco, onde todos os envolvidos possam vislumbrar possibilidades outras seja um bom início. Quando alguns não conseguem enxergar algo diante dos seus narizes, nada melhor do que ser didático. Esse papel cabe para a Prefeitura e a Cultura municipal. Gente para falar disso e demonstrar opções outras é o que não falta. Posso criticar o cinema norte-americano em muita coisa, o produzido em Hollywood, mas seu acerto é não depender um centavo de recursos públicos. Nada ocorreu por lá de um dia para o outro e alguém precisa dar esse pontapé inicial. Pois que seja agora.

Desses dois dias por lá quero deixar algo aqui registrado. Observei muito, bati muita palma, cheguei a criticar outros, vi o esforço de cada um, fui entendendo em cada gesto novo como cada escola foi sendo construída, formatada e a olho nu deixo aqui publicada fotos de um sambista, uma pessoa que para muitos passou pela avenida de forma incógnita, mas não para mim. Um anônimo, desses arrebatadores, um dos que fez com que a festa tivesse o brilho e o sucesso obtido. Sempre existirão aqueles que gostam de desfilar em várias escolas e blocos, dançam até não poder mais. Fiquei o observar um desses, todo de roupa branca e com um pandeiro na mão. Afirmo sem medo de errar, foi a pessoa que mais desfilou diante de nossos olhos. Esteve na maioria das escolas e blocos, cavou um espaço só seu. Dançou muito, mostrou o que sabe fazer com o pandeiro na mão e fez sempre bonito. Não sei seu nome, nada dele, mas ficava encantado a cada retorno seu na avenida, mal acabando de desfilar por uma escola, lá estava ele novamente na avenida o fazendo para outra. Sempre sorridente, foi talvez uma das figuras mais marcantes da festa bauruense desse ano. As fotos desse post de hoje são todas dele, pois sendo o que mais desfilou, nada melhor do que tentar descobrir algo de sua pessoa. Aguardo informações dos que o conheçam...
CARNAVAL: ELOGIOS, UM BLOCO AINDA NÃO ENTENDIDO E A REVELAÇÃO DE QUEM MAIS SAMBOU NA PISTA
O Carnaval de rua bauruense está nos seus estertores, quase no fim. Hoje, um restinho de folia nas ruas do Mary Dota, com o baterista Toninho e sua banda, a Tropical Super Show. Imperdível para quem não quer perder o que ainda nos resta antes de voltar à normalidade na tarde de quarta. A Prefeitura acertou em cheio com o Carnaval desse ano. Elogios para a organização, empenho geral do pessoal da Cultura, todos por lá atuando nos bastidores, para que a festa ocorresse dentro da normalidade. E quando nada se comenta deles é porque tudo deu certo. O Elson Reis, Secretário de Cultura não arredou pé das atividades e só não sei se perdeu peso ou ganhou, pois eu acho que na ansiedade comemos mais. Eu critico muita coisa que ocorre na cidade, mas adoro ter que elogiar e faço sempre que encontro algo que goste. De tudo o que vi no Sambódromo só uma crítica: a festança era de Carnaval e nos intervalos dos desfiles uma música sendo propagada pelo alto-falantes que nada tinha a ver
Abro o jornal de hoje, JC e na Entrelinhas a última nota cita o bloco de rua, onde estive metido por esses dias. Foi isso: “Bauru sem água - Em entrevista concedida ao pool de transmissão do carnaval, formado pelo JC, Auri Verde, 96 FM, TBR e o programa “A Noite é Sua”, Rodrigo considerou, para o período de festas, despropositadas as críticas feitas pelo bloco “Bauru sem Tomate é Mixto”, que no sábado desfilou pelas quadras do Calçadão da Batista de Carvalho e criticou a falta d’água, entre outros. Ele, no entanto, reiterou o respeito por qualquer manifestação, crítica ou não”. Meu comentário é simples. Rodrigo não deixa de ser o simpático garotão que
Eu estive nos dois dias no Sambódromo e gostei da evolução do Carnaval. Esse problema dele ainda ser dependente do poder público é algo para ser discutido de forma ampla. Discordo das contumazes críticas a essa ajuda, mas penso que algo deva ser feito
Desses dois dias por lá quero deixar algo aqui registrado. Observei muito, bati muita palma, cheguei a criticar outros, vi o esforço de cada um, fui entendendo em cada gesto novo como cada escola foi sendo construída, formatada e a olho nu deixo aqui publicada fotos de um sambista, uma pessoa que para muitos passou pela avenida de forma incógnita, mas não para mim. Um anônimo, desses arrebatadores, um dos que fez com que a festa tivesse o brilho e o sucesso obtido. Sempre existirão aqueles que gostam de desfilar em várias escolas e blocos, dançam até não poder mais. Fiquei o observar um desses, todo de roupa branca e com um pandeiro na mão. Afirmo sem medo de errar, foi a pessoa que mais desfilou diante de nossos olhos. Esteve na maioria das escolas e blocos, cavou um espaço só seu. Dançou muito, mostrou o que sabe fazer com o pandeiro na mão e fez sempre bonito. Não sei seu nome, nada dele, mas ficava encantado a cada retorno seu na avenida, mal acabando de desfilar por uma escola, lá estava ele novamente na avenida o fazendo para outra. Sempre sorridente, foi talvez uma das figuras mais marcantes da festa bauruense desse ano. As fotos desse post de hoje são todas dele, pois sendo o que mais desfilou, nada melhor do que tentar descobrir algo de sua pessoa. Aguardo informações dos que o conheçam...
segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013
AMIGOS DO PEITO (76)
O BLOCO DO EU SOZINHO EM BAURU É O ESSO MACIEL E SÓ
Adoro reverenciar a irreverência e criatividade do Carnaval carioca em vários quesitos. Um deles é algo a resistir bravamente. Acreditava que só lá ainda persistissem os foliões que, predispostos a bolar uma
fantasia única, só para ele, depois desfilando com ela garbosamente pelas ruas e praças. Necessariamente não desfilam em blocos e escolas de samba, mas o fazem no espaço dedicado aos que circulam nas ruas. Na metade do século passado esse tal BLOCO DO EU SOZINHO (foto ao lado) era muito comum, depois foi amainando até quase desaparecer. No Rio devem perdurar alguns pelas ruas, aqui em Bauru, até tempos atrás conhecia dois, hoje somente um, ESSO MACIEL.
É dele que falo. Um retinto senhor, nada comum, 72 anos, morador da vila Falcão, aposentado como servidor público municipal, onde atuou por muitos anos lotado no Gabinete de vários prefeitos. Figura marcante, homossexual assumido, muitos o evitaram e até hoje o evitam, pois sempre teve uma personalidade forte. Um diferenciado
poeta, seguidor dos Dizzie Croquetes, permanece vestindo a indumentária desses e com elas sai vestido pelas ruas bauruense em cada carnaval. Nesse ano foi visto em três momentos. Primeiro no baile de quinta à tarde na Associação do Aposentados, depois no desfile do bloco Bauru Sem Tomate é Mixto (com X mesmo) e por fim ontem, no primeiro dia do desfile das Escolas de Samba e Blocos no Sambódromo.
A fantasia, segundo ele é a de uma onça morrendo, asas enfraquecidas (sic). “É o último ano da onça alada. Vejam agora, pois ela está morrendo e se sair pelas ruas ano que vem, terei que pensar em outra coisa”, me diz defronte
sua casa, quando o pego para atendendo um pedido, leva-lo ao local do samba no asfalto. Sua casa por si só é algo sui generis, pois colado ao lado do portão, recados para não ser perturbado por pedintes, religiosos, cobradores, interessados em sexo, etc. Não gosta de ser perturbado com baboseiras e escolhe as pessoas com quem conversa: “Só me predisponho a falar com quem vejo possuir violino mágico. Só dou
minha atenção e meu sorriso para quem possua isso, do contrário, finjo não mais vê-los”.
O BLOCO DO EU SOZINHO EM BAURU É O ESSO MACIEL E SÓ
Adoro reverenciar a irreverência e criatividade do Carnaval carioca em vários quesitos. Um deles é algo a resistir bravamente. Acreditava que só lá ainda persistissem os foliões que, predispostos a bolar uma
É dele que falo. Um retinto senhor, nada comum, 72 anos, morador da vila Falcão, aposentado como servidor público municipal, onde atuou por muitos anos lotado no Gabinete de vários prefeitos. Figura marcante, homossexual assumido, muitos o evitaram e até hoje o evitam, pois sempre teve uma personalidade forte. Um diferenciado
A fantasia, segundo ele é a de uma onça morrendo, asas enfraquecidas (sic). “É o último ano da onça alada. Vejam agora, pois ela está morrendo e se sair pelas ruas ano que vem, terei que pensar em outra coisa”, me diz defronte
Esso diz demorar quatro horas na preparação da onça, com pinturas pelo corpo todo, colagem e adereços, todos comprados em R$ 1,99, desde a sandália até o colorido dos cabelos. Circula ele e seu personagem com uma desenvoltura divinal pela pista, sendo um dos mais fotografados na noite. Esso vive só, numa casa rodeada por oito cães (já foram 22), seus guardiões, protetores. É uma pessoa irresistível e, quando o vejo vou logo parando para um papo. Ontem sai de lá feliz da vida, pois ao apresenta-lo ao
Valter Tomas Ferreira, o Valtinho da Biblioteca e Gibiteca Municipal, definimos preparar algo com as poesias e escritos do Esse e juntos montarmos uma exposição para o segundo semestre desse ano, expondo isso para que Bauru conheça um pouco desse personagem único, mais do que um tipo popular, mais do que um tipo do nosso Lado B, enfim, Esso é um ser ainda sem definição, objeto de difícil catalogação, peça rara, digno e único representante na Bauru de hoje do Bloco do Eu Sózinho. Tem mais, eu já prometi infinitas vezes contar toda sua história num livro, mas me falta tempo e não sei quando irei cumprir o prometido, mas sei que um dia o farei e com louvor.
Assinar:
Postagens (Atom)










