FOTOS COM VESTIMENTA NAZISTA EM BAURU E AS REPERCUSSÕES – QUAL O CONTEXTO?!?!?*
* Primeiro as três fotos do post da PKC e na sequência as quatro demais, em tamanho menos e divulgadas pela aluna Fabiana (clique em cima de todas para vê-las em tamanho ampliado).

1 – Primeiro vi três fotos com o símbolo nazista nas redes sociais e com o seguinte texto:
“Glamorização do nazismo no estande de História da Feira de Profissões da USC aqui em Bauru. Falta de noção em cadeia, PKC
2 – Especulei sobre o que seria aquilo e na sequência postei nas redes sociais o seguinte texto:
UMA DESNECESSÁRIA LOUVAÇÃO AO NAZISMO
O fato ocorreu em Bauru, dentro do recinto de uma de nossas maiores universidades (a segunda na cidade) e justamente no estande levando o nome do Curso de História, na Feira das Profissões da USC - Universidade do Sagrado Coração. Cursei História na então USC, recém saída da denominação FAFIL e numa turma que repudiaria isso de forma veemente, ou seja, se fossemos para utilizar roupas e insignias nazistas, o faríamos queimando-as em praça pública. Não vi até agora, algumas horas depois da publicação das fotos no facebook pela PKC ninguém da USC vir a público explicar dos motivos disso. Algo nesse sentido sendo exposto entre sorrisos e poses para fotos, exatamente num momento quando alguns pedem a volta do regime militar, outros tascam palavrões horrorosos contra meros opositores e num estande de um curso de História uma louvação totalmente desnecessária é para coçar o cocuruto e cobrar uma resposta mais do que esclarecedora. O que motivou isso? Qual a intenção?
Que diram disso nossos professores Lidia Possas, Terezinha Zanloqui, João Francisco Tidei de Lima, Saletinha e tantos outros. Repico essas fotos compartilhadas da internet para apreciação de gente que comigo estudou na USC e assim como eu, devem estar se perguntando: Será que o curso hoje está num grau de espetacularização dessa forma e jeito ? Vejam isso meus amigos Sonia Mazzi, Sonia Maria Mozer, Sonia Aparecida Fardin, Fabíola Soares, Fábio Paride Pallotta, Márcia Regina Nava Sobreira, Rui Dom Quixote, Duílio Duka, Wilson Tuim, Neli Maria Fonseca Viotto, Reginaldo Tech, Juarez Xavier, Dino Magnoni, José Laranjeira, Célio José Losnak, Sérgio Losnak, Alex Sanches, Narciso do Tempo, Roque Ferreira, Luis Henrique Rafael, Paulo Neves, Oscar Fernandes da Cunha, Cláudio Lago, Lázaro Carneiro, Luiz Henrique Carneiro, Luiza Conceição Quinezi e outros.
Enfim, qual a explicação???
3 – Momentos depois, Alexandre Criscione, aluno da USC publica isso:

"Carta de repúdio de alunos do 4º ano de R.I ao estande do curso de História na Feira de Profissões
Nós, alunos do 4º ano de Relações Internacionais da USC, muito nos surpreendemos com o estande do curso de História na Feira de Profissões da Universidade hoje, dia 16 de Setembro.
Ao querer apresentar a alunos do último ano do Ensino Médio fatos sobre a Segunda Guerra Mundial cometeram o grave erro de enaltecer os regimes totalitários responsáveis pelo início do conflito, utilizando as vestimentas e os símbolos representantes de tais grupos, dentre os quais a suástica nazista. Não suficiente, o estande também apresentava discursos do ditador Adolf Hitler.
O Nazismo foi responsável pelo genocídio e perseguições à negros, judeus, homossexuais, e todas as minorias étnicas que não condiziam com a suposta raça ariana. É inadmissível que um curso de História, sendo seus estudantes e coordenação conhecedores de todas as mazelas praticadas por esse regime, possa não ter a sensibilidade de percepção ao contexto atual, onde partidos neonazistas voltaram a participar de eleições na Europa, o que traz reflexos até mesmo nas ruas do Brasil.
Como exemplo, citemos: somente esse ano foram mortos 85 LGBT’s. No ano anterior, 312. Há um mês atrás seis imigrantes haitianos foram baleados em frente a Paróquia Nacional da Paz. Anteontem (14/09) um senegalês foi queimado vivo nas ruas de Santa Maria, RS.
Toda e qualquer menção ou veiculação de símbolos nazista no Brasil é crime previsto no Artigo 20 do Código Penal:
Art. 20. Praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional.
§ 1º Fabricar, comercializar, distribuir ou veicular símbolos, emblemas, ornamentos distintivos ou propaganda que utilizem a cruz suástica ou gamada para fins de divulgação do Nazismo.
Apesar de haver representação também dos Judeus (um dos grupos que foram perseguidos, torturados e assassinados) a falta de sensibilidade se denota quando temos a certeza de que o cenário ideal seria apenas o de representações dos oprimidos, sem precisar conter as vestimentas nazistas e fascistas, que eram maioria. Este curso de Humanas perdeu uma oportunidade ímpar de mostrar a jovens em formação a única parte que não deve ser esquecida: a morte de mais de dez milhões de pessoas derivada do ódio político, do racismo, da xenofobia e da homofobia.

Nós repudiamos veementemente essa exibição do curso de História, e aconselhamos a Universidade do Sagrado Coração a fazer o mesmo, além de exigir um pedido de retratação por parte da coordenação do curso.
Assinam a carta:
Matteo Netto/ Alexandre Criscione/ Ana Lívia Rodrigues/ Thaís Helena Tambara/ Natalie Alves/ Júlia Lourenção/ Débora Ani Marchi/ Mariana Marcelino Florenzano/ Julia Concuruto Reche/ Lilian Lacerda/ Isabela Andreatta/ Matheus S. Contreira/ Gabriel Cara".
4 – A repercussão bomba em comentários e os alunos de História da USC assim se manifestam somente hoje pela manhã, após uma acalorada discussão, em texto repassado por Fabiana Ferreira Rocha:
“Diante de toda polêmica que as publicações de imagens do stand de História da feira das profissões 2015 na USC geraram, sentimo-nos na obrigação de esclarecermos e explanarmos o ocorrido. Primeiramente, o mal, muitas vezes, está nos olhos de quem o vê. Apenas fotos de representações nazistas e fascistas foram divulgadas, omitindo as demais representações de judeus, soldados americanos, brasileiros, japoneses, entre outros personagens da Segunda Guerra Mundial e principalmente, a distribuição de pombas e pedidos de paz. O contexto completo foi omitido, ou seja, podemos apontar essas postagens como tendenciosas e de contexto fragmentado. Nosso stand foi cuidadosamente planejado e estudado, a fim de contarmos a história do final de uma guerra, ou seja, algo que ocorreu, e ao negarmos e tratarmos tal tema como “tabu” compactuamos com a omissão de fatos. A informação e o conhecimento devem ser difundidos, só assim, as gerações que se distanciaram temporalmente desses fatos, poderão compreender seus impactos na história e no cotidiano de nossa sociedade.

O que não foi divulgado, infelizmente, foram as intervenções do stand como, por exemplo, a participação de descendente de judeus, afrodescendentes e homossexuais, nossos colegas e amigos de estudos e trabalhos, distribuindo pombas da paz e cartas de judeus e soldados da guerra endereçadas a suas famílias, defendendo a igualdade e a paz entre os homens. As alunas e alunos usando fardas e suásticas apenas ilustravam o contexto de guerra, como atrizes encenando em um filme ou documentário e, em momento algum exaltaram ou atribuíram qualidades positivas ao regime nazista. No entanto, como historiadores, temos a noção de que não devemos, em hipótese alguma, cometermos anacronismos, agindo sempre de maneira apenas a compartilhar os conhecimentos adquiridos através do estudo de diversas fontes. As acusações infundadas apenas confirmam que essas pessoas não estiveram presentes em nosso stand, pois nossa monitoria clamava pela paz, pela igualdade e pelo direito de expressão, direito esse que nos é tolhido de maneira tão anacrônica e punitiva ao lermos comentários que chegam a incentivar a violência contra nossos colegas, acusando-nos de glamourização do nazismo e até de apologia aos regimes nazifascistas.

Ressaltamos que em momento algum fizemos apologia ao regime nazista, nossas caracterizações eram meramente ilustrativas. As suásticas e outros símbolos nazistas já foram inclusive, retratados por escolas de samba, novelas, filmes, como forma de difusão da história e não vemos razões lógicas para críticas tão severas, afinal, estamos democratizando informações e fazendo com que os ventos de tempos sofridos não soprem no nosso presente.
Os estudantes de história da Universidade do Sagrado Coração representam uma geração preocupada com a história da humanidade, com a cidadania, a politização e a liberdade de expressão de todos, repudiando qualquer julgamento prévio sem consulta de fontes, tampouco discursos de ódio ou incitações à violência. Continuamos levando a mensagem proposta na feira, de PAZ ENTRE TODOS OS POVOS, e liberdade para todas manifestações culturais, politicas, sociais, e de caráter qualitativo. Não apoiamos ou compactuamos com qualquer forma de segregação ou discurso preconceituoso, muito menos com qualquer apologia ou incentivo às práticas nazifascistas.

Pedimos encarecidamente a todos que comentaram e compartilharam imagens de graduandos participantes da feira, que leiam essa manifestação com atenção e considerem nossa boa intenção. Que o conteúdo do nosso trabalho seja exposto de maneira completa. Precisamos falar, Maria da Penha falou sobre as agressões que sofreu, e mesmo julgada por muitos diante de um contexto considerado tabu, deu origem a uma lei de proteção às mulheres. É falando sobre o nazismo que impediremos um novo holocausto e foi falando sobre isso, que compartilhamos conhecimento histórico com diversos jovens. É sempre através da fala, da expressão, que conquistamos os feitos mais dignos e fundamentais para nossa segurança e bem estar e principalmente, para que os oprimidos e minorias tenham suas vozes ouvidas.

A aqueles que visitaram nosso stand e conheceram de perto nosso trabalho, por favor, compartilhem esta manifestação para que qualquer mal entendido seja sanado e nosso trabalho seja divulgado devidamente como foi realizado. Que a História seja sempre difundida e compartilhada como forma de conhecimento, pois um povo que desconhece seu passado não se prepara para o futuro.
Luz e paz a todos!
Alunos de História responsáveis pelo stand de História na Feira da Profissões – USC, 2015”.
5 – Muito mais foi dito e todos os comentários feitos pelas Redes Sociais serão postados nos Comentários desse post, facilitando o real entendimento de tudo o que ocorreu.
HPA.