segunda-feira, 21 de setembro de 2015

O PRIMEIRO A RIR DAS ÚLTIMAS (12)


PREFEITURA COBRA SEUS INADIMPLENTES – BRONCOLINO RIRIA DA DECISÃO

“Devo não nego, pago quando puder”, esse lema hoje nem é mais levado em consideração pelos mais abastados desse país. Rico não paga imposto nesse país e cada vez o cordão desses contumazes inadimplentes aumenta mais. Quando vemos a presidente Dilma tentando emplacar aumento de alguns impostos, dentre eles o CPMF, a grita é geral, mesmo sem notarem que quem pagaria seria os mais abastados. Esses, mancomunados com parte da mídia nos fazem entender que o problema deles de não pagarem é extensivo a todos nós. E caímos como patinhos. Defendemos os interesses deles que é uma maravilha.

Aqui em Bauru a coisa não é diferente. Nessa semana sendo intensificada uma campanha da Prefeitura Municipal de Bauru tentando receber dívidas em atraso dos seus inadimplentes. Nada contra. A pressão está ocorrendo e na fala do Secretário do Dinheiro Público Municipal falta pouco para a cobrança ser efetivada. Ouço pelo rádio entrevista do mesmo e lá ele explicita que o montante da dívida está na casa de R$ 210 milhões de credito em prol da Prefeitura e com a campanha esperam receber por volta de R$ 50 milhões. A cobrança assusta? Sim, assusta os possuidores de pequenas dívidas e esses logo estarão a pagar o que devem. Os tais 50 milhões sairiam desses bolsos, só deles.

Broncolino, se vivo, o que se utilizava do slogan, “o primeiro a rir das últimas”, entre múltiplas e variadas gargalhadas diria algo assim: “Nesse montante estariam incluídas as dívidas dos maiores devedores do município?. Certamente que não, pois esses não se intimidam com nada desse tipo”. Concluo com algo de minha lavra e responsabilidade: Os tais maiores devedores do DAE já saldaram suas pendengas? Não tomamos nem conhecimento da tal lista de seus nomes, quanto mais ter a grana em caixa. E os maiores devedores de IPTU e tantas outras taxas, multas, acordos não cumpridos e quetais? Até quando uma campanha como essa vai ser aplicada só naqueles cujos costados já estão pela hora da morte? Com a palavra a Prefeitura, os que dizem cobrar com afinco, persistência e impiedosamente. Enfim, vale ou não para tudo, todas e todos?

É SÓ UM MINUTINHO
Com essa fala na ponta da língua todo mundo pelo menos algumas vezes já a utilizou para ocupar alguma indevida vaga de estacionamento. A pressa dessa vida e o querer parar o carro em lugares muito movimentados faz com que a pessoa se aposse por alguns instantes de um espaço não reservado a ele. Noutros um pouco de safadeza mesmo. Não adianta dizer que não fez (isso aqui é quase como a corrupção só enxergada nos outros). Pelo menos alguma vez isso já deve ter acontecido. Hoje ao circular pela rua Primeiro de Agosto, numa de suas quadras mais movimentadas no centro nevrálgico da cidade, entre as ruas Gustavo Maciel e Rio Branco, eis que todas as vagas de estacionamento em todo o quarteirão sete estavam ocupadas por cadeiras de rodas e nelas a inscrição usada por todos: "É só por um minutinho". Eram onze horas da manhã, sol de rachar manona e algo feito exatamente para isso, chocar e assim, ajudar a conscientizar. Fui conferir e vi que as cadeiras eram todas da APAE e lá num cartaz na esquina a explicação. Hoje é o Dia Nacional de Luta das Pessoas com Deficiência e numa iniciativa da EMDURB, a que direciona nosso trânsito a campanha de um dia sendo colocada em prática. De minha parte confesso, vou pensar muito mais em ocupar as vagas destinadas aos deficientes. Muito válida.

domingo, 20 de setembro de 2015

OS QUE FAZEM FALTA e OS QUE SOBRARAM (77)


UM MÉDICO BAURUENSE E ALGO DA INTRANSIGÊNCIA DE SUA CLASSE – O TAL DO ÓDIO

Primeiro peço que leiam o editorial da revista Brasileiros, nº 98, setembro de 2015, autoria do seu diretor de redação, o jornalista fotógrafo Hélio Campos Mello, com o título SOBRE INCOMPETÊNCIA, CRETINICE E HIPOCRISIA: http://brasileiros.com.br/…/sobre-incompetencia-cretinice-…/. Faço questão de reproduzir uma frase do texto e com o devido destaque: “...o nível de ignorância, cretinice e estupidez que aflorou e se tornou vergonhosamente visível nas manifestações de rua e nas redes sociais, principalmente na avenida Paulista e no Facebook. (...) Uma olhada pelos personagens, atitudes e cartazes exibidos pelos participantes da manifestação do dia 16 de agosto dá vergonha e desgosto. Pior é a cretinice hidrófoba, espécie de estupidez patológica, já com um pé dentro do território da barbárie. Exemplo disso foi a recente caminhada dominical do ministro da Justiça do País na avenida Paulista. Por pouco não foi linchado. Verbalmente, porém, foi achincalhado. “Pega ladrão”, “corrupto”, “petista”, “cara de pau”, “filho da puta”. Foi também chamado, aos urros, de “bolivariano”, adjetivo que atualmente acompanha “petista” e é vociferado por quem nem sabe seu significado, muito menos quem foi Simón Bolívar. (...) Também não há desculpa para a hipocrisia”.

Agora começo a contar a história do médico bauruense JOSÉ EDUARDO FOGOLIN. Ele trabalhou em Bauru no SAMU, exercendo depois a função de administrador desse serviço na cidade. Trouxe consigo bem de antes da sua formação profissional algo singular dentro do estudo da medicina, um denodado amor pelo SUS e pela sua função pública. Sim, o Sistema Único de Saúde, tão maltratado pela classe médica brasileira e principalmente pelos órgãos de classe dessa categoria profissional, um que, mal ou bem, sempre atendeu de forma ampla toda a população brasileira. José Eduardo vê no SUS algo sui generis no modelo de atendimento à população, carente ou não, ou seja, a todos. Ao invés de criticá-lo, sempre está a propor medidas para sua melhoria e aperfeiçoamento. Crê e aposta suas fichas nisso. Compra homéricas brigas na defesa desse modelo. Numa delas, nem ele, nem todos os ainda conscientes nesse país conseguem entender como pode uma parcela significativa dos médicos cravar homéricas críticas ao Sistema e continuar enviando seus pacientes particulares, principalmente aqueles cujos planos privados de saúde não cobrem seus diagnósticos para o atendimento público. O SUS pode tudo, inclusive ser o saco de pancadas de tão unida “catiguria”. Durma-se com um barulho desses. Essa, infelizmente, a postura de boa parte da classe médica brasileira. O médico bauruense combate essa postura.

Escrevo dele pelo motivo de tê-lo reencontrado nesse último sábado pela manhã, quando estava numa reunião acadêmica lá no tranquilo Bar Aeroporto (faço muitas sérias reuniões em bares, viu!). Ele é muito lembrado aqui na cidade por causa de outro motivo. Tipo físico privilegiado, sarado, lembrei a ele de um folclore circulando pela cidade, o de que muitas e muitos chamavam o SAMU só para ser por ele atendido. Ele ri. Sua vida mudou muito, casado, hoje reside na capital federal (ele lá, ela aqui). Em 19/10/2011, o Jornal da Cidade noticiou assim sua saída da cidade atendendo convite para trabalhar no Ministério da Saúde:http://www.jcnet.com.br/…/medico-de-bauru-assume-cargo-em-m…. Sim, desde então exerce por lá a função de Coordenação Geral de Média e Alta Complexidade, quando passou a “organizar as políticas públicas voltadas aos atendimentos ambulatoriais e cirurgias especializadas no âmbito do SUS”. Isso o obriga, desde então a viajar país afora e a se especializar cada vez mais. Vem exercendo sua função a contento.

Agora faço a ligação do primeiro parágrafo com os demais. Na abertura do 38º Congresso Brasileiro de Oftalmologia, em Florianópolis, começo desse mês, ele foi veementemente vaiado por uma plateia constituída em 100% de médicos brasileiros e com algo peculiar, o tal do “Fora PT” em alto e bom som. Vídeos publicados na internet mostram o representante encerrando o discurso e deixando o púlpito ao som de vaias e assovios. José Eduardo não estava li para fazer política partidária (nem sei se ele é do PT), mas simplesmente para fazer a abertura do Congresso e falar sobre Oftalmologia. Confiram um dos tantos vídeos feitos no local clicando a seguir: https://www.youtube.com/watch…. Vaias são normais. Já vaiei muito e continuarei vaiando. Mas tem vaie por algo além da crítica. Hoje isso bem latente, extrapolando um ódio mais do que pulsante, espumando e escorrendo pelo canto da boca de muitos. Demonstrações como essa, para mim, explícitam esse ódio. O PT no Governo deixou e muito a desejar (mas também fez o que ninguém até então tinha feito), mas quando você vê a classe médica se manifestando contrário à atuação do SUS, do Mais Médicos, do programa de Especialidades e tudo para privilegiar o privado em detrimento do público, vejo que, a MEDICINA BRASILEIRA ESTÁ DOENTE. O bauruense José Eduardo teve a oportunidade de vivenciar isso pessoalmente.

OUTRO EXEMPLO DA INTRANSIGÊNCIA - SENDO ÁRABE JÁ É SUSPEITO, NOS EUA ESTÁ É PRESO
Um garotão residindo com a família desde muito tempo nos EUA, mas com traços indissolúveis no sangue. Primeiro algo que sempre vai atrair atenções das mais suspeitas nesses lugares onde o racismo é mais do que latente, é negro. Depois o nome, AHMED MOHAMED, 14 anos e muçulmano. Isso por si só já é altamente combustível lá nos EUA e no resto desse globalizado mundão cada vez mais piorado e deteriorado mentalmente. Tudo piora no dia em que o jovem, curioso em robótica resolve levar para sua escola e com o intuito de apresentar para seu professor de Engenharia um relógio feito por ele mesmo. A geringonça foi logo vista como algo mais do que suspeito. Seria o garoto portador de uma bomba e prestes a explodir a escola? Uma professora o denunciou e ele foi sumariamente preso, alagemado e o objeto detido para averiguações. Todos, indistintamente, ignoraram totalmente suas explicações, afinal, ele mesmo conhecido por todos, pacato cidadão, portava um apetrecho ameaçador. O caso gerou um algo mais na questiúncula dos preconceitos todos lá na terra do Tio Sam. A última e mais instigante notícia do caso é que o garoto já foi solto (ufa!), o presidente do país, o negro de nome também suspeito, Barack Hussein Obama, acabou convidando-o para visitar a Casa Branca e lhe apresentar o tal relógio, mas ele até pode ir, mas sem o dito cujo, pois a criteriosa (sic) polícia daquele país ainda não lhe devolveu o surrupiado relógio artesanal. O mantra hoje vigente em países com culpa no cartório é só esse: “Desconfiar é preciso”. Foi o que fizeram.

Leia mais sobre o assunto no relato ]do jornal El País, na sua versão em português: http://brasil.elpais.com/…/internaci…/1442421306_154702.html

sábado, 19 de setembro de 2015

BAURU POR AÍ (118)


QUATRO TEMAS, TUDO JUNTO É MISTURADO - ENFIM, É SÁBADO!


GRAFITE É CRIME? UM ARTISTA AFIRMA QUE AQUI EM BAURU SIM.
Saio a fotografar essa cidade em suas entranhas e algo acabo trazendo para cá. Circulava lá pelas imediações do final da Duque, a rotatória e ao pegar uma rua que me levaria para a Cruzeiro do Sul, ei que, ali no cruzamento das ruas Minas Gerais com Joaquim Lopes Abelha, um imenso e alto muro com variados e múltiplos grafites. No meio deles a inscrição que me chamou a atenção: "SÓ EM BAURU GRAFITE É CRIME!!". Percebi que aquela esquina, talvez reduto, moradia de alguns grafiteiros, o local tornou-se uma espécie de mural livre, espaço democrático para alguns ali exercitarem sua arte. Mas a pergunta não me saiu mais da cabeça. Seria isso mesmo? Será mesmo que ainda criminalizam o grafite em nossa terrinha? Com a resposta os envolvidos com a questão.

A SITUAÇÃO DA ESTAÇÃO DE TIBIRIÇÁ
O lamento de Edison Cavalieri, morador de Tibiriçá sobre o abandono da estação lá do distrito e com citação de meu nome: “Este era o estado da saudosa estação da NOB a dois anos atras hoje esta quase caindo. Lamentavel. Em 2008 recorri a diretoria da Unesp e fizeram um projeto para restauração da Estação que usamos para vir estudar de Tibiriçá a Bauru na decada de 50. Juntamente com meu amigo Henrique Perazzi de Aquino, o então secretário da Cultura José Vinagre, conseguimos com o Deputado Federal Vicentinho em visita a Bauru um verba de R$ 100.000 que chegou no ultimo mês da administração do meu amigo TUGA ANGERAMI.Não tenho noticia e aqui em Tibiriçá a expectativa e do tombamento literal desse monumento que para nós representam MUITO.
Mas Henrique, somos quase mil....”.


O MEU LUGAR
Quando vejo algo nesse sentido explodindo pela aí, penso cá com os meus botões. Por que ainda não realizamos algo parecido aqui pelos lados bauruenses? Fui dar uma espiada no livro que tem como um dos carros chefes meu amigo carioca, o poeta de botequim Eduardo Goldenberg e tantos outros, como Simas e o Aldir Blanc em textos que certamente são todos do balacobaco. Pela capa do livro eu vejo a reverência feita aos bairros populares, em sua maiorias periféricos e daí bate aquilo de juntar um time bem bauruense e instigar a algo ser feito na mesma via de mão sempre cheia de muitas possibilidades. Um exemplar desse livro vou pedir em breve lá para a Livraria Edições Folha Seca, do também amigo Rodrigo Ferrari e de sua mãe, que infelizmente ainda não tive o prazer de conhecer pessoalmente, mas somos amiguíssimos pela vias internéticas da cida, Maria Helena Ferrari. Livros com esse me inspiram a escrever cada vez mais das entranhas dessa Bauru, relatos de lugares sendo desbravados, pessoas sendo reveladas. Isso tudo é uma grande paixão e quando leio o breve relato do Eduardo instigando seus amigos para lerem o livro, vejo que cá do lado bauruense isso carece de uma movimentação imediata visando falarmos do Jaraguá, Gasparini, Falcão, Dutra, Ipiranga, Rasi, Redentor, Geisel, Cardia, Nova Esperança, Bela Vista, Baixada do Silvino, Vista Alegre, Mary Dota e tantos outros. Ideias não nos faltam, falta hoje é o ajuntamento tão necessário de pessoas em torno delas. Essa mais uma a ser catalogada no meu caderninho de anotações. Clicando a seguir dá até para espiar um pedacinho da obra carioca: http://www.morula.com.br/catalogo/omeulugar/

VILANOVA ARTIGAS – RELEMBRANDO UM GRANDE ARQUITETO E ALGO DELE ETERNIZADO EM JAÚ

Primeiro as homenagens, justas e merecidas. O Jornal da Cidade no seu caderno dominical, o Regional fez um justo reconhecimento a um arquiteto dos grandes dentro do cenário nacional: VILANOVA ARTIGAS. Com o título de “Arquitetura de Jaú tem o legado de Vilanova Artigas”, a jornalista Rita de Cássio Cornélio produziu um belo de um material. Li, gostei e vou guardar com todo carinho. Nos três links disponibilizados pelo jornal, a possibilidade de tomar conhecimento de algo pouco conhecido até então por mim.

Leiam clicando a seguir:
http://www.jcnet.com.br/…/duas-obras-sao-tombadas-pelo-patr…
http://www.jcnet.com.br/…/arquiteto-fez-16-projetos-em-jau.…
http://www.jcnet.com.br/…/arquitetura-de-jau-tem-o-legado-d…

Depois disso a minha conversa fiada. Estive em Curitiba semana passada e levado por um baita de um amigo bauruense que lá reside há quase trinta anos, o Kizahy Baracat fui conhecer o Museu Oscar Niemeyer, o famoso OLHO. Muita coisa por lá admirável, mas confesso, algo me chamou a atenção em tudo, uma exposição louvando o ARTIGAS, a “Centenário de João Vilanova Artigas – Nos pormenores um universo”. Viajei no tempo e no espaço e uma das boas discussões que a visita proporcionou foi a feita com o Kizahy e justamente sobre Jaú. Dizia a ele que o prédio do terminal rodoviário de Jaú era obra do arquiteto e ele insistia que não, mas que o campo do XV de Jaú sim. Não prosseguimos, pois nenhum dos dois tinha tanta certeza. Trouxe um belo folder da exposição e lá já tiraria essa dúvida (só lido depois), pois em três belas fotos a elucidação da charada. É dele a rodoviária e o prédio do campo do XV também, só que esse perdeu a importância, pois não foi seguido à risca até o fim o programado no projeto (isso quem me elucida é o texto da Rita).

Na simplicidade de um leigo, cujo irmão é arquiteto, mas mesmo assim, pouco entendo do riscado, reproduzo aqui as fotos lá feitas e um algo mais. O algo mais me chamou muito a atenção e vai um pouco além da exposição em si. Das reproduções das maquetes, fotos com detalhes, tudo muito interessante e por fim, ao me deparar com as construções em madeira, os tais suportes da exposição, me deparo com algo cheio de ligas, conexões, cotovelos, joelhos e junções. Fiquei maravilhado e quero ver se consigo montar uma mesa daquele jeito aqui na casa do meu pai, talvez na cozinha, o maior espaço da casa. Sei que isso não é obra do Artigas, mas ali junto de sua obra só veio complementar e enriquecer o ali possibilitado.

Para finalizar, só um algo mais. O departamento de Cultura de Jaú deveria mover céu e terra para trazer para a cidade a exposição do Artigas. Lendo a matéria da Rita e ao ver in loco a belezura da exposição, a cidade onde deixou uma marca mais que eterna precisa conhecer mais desse arquiteto. E por fim, uma necessária estocada em alguns que hoje vejo escrevendo bobagens em cima de bobagens sobre comunistas, como se fossem os piores deste mundo. O fazem por puro preconceito ou desconhecimento de História. Artigas, assim como Niemeyer eram COMUNISTAS. E alguém consegue em sã consciência desaboná-los por causa disso? Para os que respondem sim, essa observação final é mais do que necessária. Tempos obscuros necessitam de ressalvas como essa ao final dos textos.

Viva Vilanova Artigas!

sexta-feira, 18 de setembro de 2015

RETRATOS DE BAURU (176)


EDILSON ESTRAVAZA INTENSA ALEGRIA PELA SUA REINTEGRAÇÃO
As histórias emocionantes pintam assim meio que sem querer e me tocam profundamente. Essa aqui narrada hoje me arrepiou por inteiro. Minha emoção ocorre pela coincidência de poder estar relatando nesse exato momento algo de uma injustiça cometida quase uma década atrás e hoje reparada. Um afastamento de funções e a reintegração da mesma após um longo processo administrativo, com a seguinte conclusão: Inocente. Vi esse velho conhecido trabalhando na Parada LGBT, empurrando um carrinho de bebidas pela avenida e parei para algumas fotos, ele ali trabalhando e se divertindo. Dias depois quando fui complementar o texto, tomo conhecimento de um algo mais de sua história. Foi o que me tocou profundamente. Dar a volta por cima é algo maravilhoso de ser descrito e enaltecido. Faço isso com ele e por ele.

EDILSON WILLIAM GONÇALVES DARIO, 47 anos, solteiro, homossexual assumidíssimo é funcionário público municipal desde 1984, ocupando o cargo de Vigia e vive hoje uma situação pra lá de inusitada. O conheci quase uma década atrás quando exerceu essa função na Cultura Municipal. Depois fico sabendo que havia atuando também na Saúde, Educação, Botânico e Zoológico. Como ele mesmo diz sempre sorrindo: “Cão mandado não tem escolha, trabalha onde lhe colocam”. Edilson foi confundindo com alguém que lesava a Prefeitura e foi afastado de suas funções. Recorreu desde o primeiro instante e só agora, conseguiu ser reintegrado às suas antigas funções. Calmo, comedido em sua fala, talvez por ser do candomblé, mais precisamente Yaô de Airá com Oxum, seguindo regiamente um conselho ouvido por lá: “a gente tem que se vigiar”. Foi em busca dos seus direitos e da reconquista do trabalho. Penou por sete longos anos em atividades distintas e na última, montou uma banca de flores e plantas defronte o Panelão do Redentor, a poucos metros de onde mora. Tocava a vida como podia, sem nunca esmorecer. Sempre presente nas Paradas da Diversidade, vai para extravasar e por pra fora as amarguras. Rindo toca sua vida. Com quase 1m90 de altura, tipo físico avantajado, Edilson não tem vergonha de dizer que faz artesanato, gosta de tricotar. Isso mesmo, ele faz tricô e muito bem feito. Vestindo branco, sua cor preferida, voltou ao trabalho no último dia 15 e amanhã, sábado, dia 20, completa mais um ano de vida. Seu presente foi o retorno. Sabe como ele responde aos que o entenderam nesses anos todos? Com uma frase que ele diz ser da Xuxa: “Carinho a gente não fala obrigado, a gente retribui”. Sua história é a da superação.

Os que não desistem nunca estarão sempre por aqui.

PALANQUE - USE SEU MEGAFONE (75)


FOTOS COM VESTIMENTA NAZISTA EM BAURU E AS REPERCUSSÕES – QUAL O CONTEXTO?!?!?*

* Primeiro as três fotos do post da PKC e na sequência as quatro demais, em tamanho menos e divulgadas pela aluna Fabiana (clique em cima de todas para vê-las em tamanho ampliado).

1 – Primeiro vi três fotos com o símbolo nazista nas redes sociais e com o seguinte texto:
“Glamorização do nazismo no estande de História da Feira de Profissões da USC aqui em Bauru. Falta de noção em cadeia, PKC

2 – Especulei sobre o que seria aquilo e na sequência postei nas redes sociais o seguinte texto:
UMA DESNECESSÁRIA LOUVAÇÃO AO NAZISMO
O fato ocorreu em Bauru, dentro do recinto de uma de nossas maiores universidades (a segunda na cidade) e justamente no estande levando o nome do Curso de História, na Feira das Profissões da USC - Universidade do Sagrado Coração. Cursei História na então USC, recém saída da denominação FAFIL e numa turma que repudiaria isso de forma veemente, ou seja, se fossemos para utilizar roupas e insignias nazistas, o faríamos queimando-as em praça pública. Não vi até agora, algumas horas depois da publicação das fotos no facebook pela PKC ninguém da USC vir a público explicar dos motivos disso. Algo nesse sentido sendo exposto entre sorrisos e poses para fotos, exatamente num momento quando alguns pedem a volta do regime militar, outros tascam palavrões horrorosos contra meros opositores e num estande de um curso de História uma louvação totalmente desnecessária é para coçar o cocuruto e cobrar uma resposta mais do que esclarecedora. O que motivou isso? Qual a intenção?

Que diram disso nossos professores Lidia Possas, Terezinha Zanloqui, João Francisco Tidei de Lima, Saletinha e tantos outros. Repico essas fotos compartilhadas da internet para apreciação de gente que comigo estudou na USC e assim como eu, devem estar se perguntando: Será que o curso hoje está num grau de espetacularização dessa forma e jeito ? Vejam isso meus amigos Sonia Mazzi, Sonia Maria Mozer, Sonia Aparecida Fardin, Fabíola Soares, Fábio Paride Pallotta, Márcia Regina Nava Sobreira, Rui Dom Quixote, Duílio Duka, Wilson Tuim, Neli Maria Fonseca Viotto, Reginaldo Tech, Juarez Xavier, Dino Magnoni, José Laranjeira, Célio José Losnak, Sérgio Losnak, Alex Sanches, Narciso do Tempo, Roque Ferreira, Luis Henrique Rafael, Paulo Neves, Oscar Fernandes da Cunha, Cláudio Lago, Lázaro Carneiro, Luiz Henrique Carneiro, Luiza Conceição Quinezi e outros.

Enfim, qual a explicação???

3 – Momentos depois, Alexandre Criscione, aluno da USC publica isso:

"Carta de repúdio de alunos do 4º ano de R.I ao estande do curso de História na Feira de Profissões
Nós, alunos do 4º ano de Relações Internacionais da USC, muito nos surpreendemos com o estande do curso de História na Feira de Profissões da Universidade hoje, dia 16 de Setembro.

Ao querer apresentar a alunos do último ano do Ensino Médio fatos sobre a Segunda Guerra Mundial cometeram o grave erro de enaltecer os regimes totalitários responsáveis pelo início do conflito, utilizando as vestimentas e os símbolos representantes de tais grupos, dentre os quais a suástica nazista. Não suficiente, o estande também apresentava discursos do ditador Adolf Hitler.

O Nazismo foi responsável pelo genocídio e perseguições à negros, judeus, homossexuais, e todas as minorias étnicas que não condiziam com a suposta raça ariana. É inadmissível que um curso de História, sendo seus estudantes e coordenação conhecedores de todas as mazelas praticadas por esse regime, possa não ter a sensibilidade de percepção ao contexto atual, onde partidos neonazistas voltaram a participar de eleições na Europa, o que traz reflexos até mesmo nas ruas do Brasil.

Como exemplo, citemos: somente esse ano foram mortos 85 LGBT’s. No ano anterior, 312. Há um mês atrás seis imigrantes haitianos foram baleados em frente a Paróquia Nacional da Paz. Anteontem (14/09) um senegalês foi queimado vivo nas ruas de Santa Maria, RS.

Toda e qualquer menção ou veiculação de símbolos nazista no Brasil é crime previsto no Artigo 20 do Código Penal:

Art. 20. Praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional.
§ 1º Fabricar, comercializar, distribuir ou veicular símbolos, emblemas, ornamentos distintivos ou propaganda que utilizem a cruz suástica ou gamada para fins de divulgação do Nazismo.

Apesar de haver representação também dos Judeus (um dos grupos que foram perseguidos, torturados e assassinados) a falta de sensibilidade se denota quando temos a certeza de que o cenário ideal seria apenas o de representações dos oprimidos, sem precisar conter as vestimentas nazistas e fascistas, que eram maioria. Este curso de Humanas perdeu uma oportunidade ímpar de mostrar a jovens em formação a única parte que não deve ser esquecida: a morte de mais de dez milhões de pessoas derivada do ódio político, do racismo, da xenofobia e da homofobia.


Nós repudiamos veementemente essa exibição do curso de História, e aconselhamos a Universidade do Sagrado Coração a fazer o mesmo, além de exigir um pedido de retratação por parte da coordenação do curso.

Assinam a carta:
Matteo Netto/ Alexandre Criscione/ Ana Lívia Rodrigues/ Thaís Helena Tambara/ Natalie Alves/ Júlia Lourenção/ Débora Ani Marchi/ Mariana Marcelino Florenzano/ Julia Concuruto Reche/ Lilian Lacerda/ Isabela Andreatta/ Matheus S. Contreira/ Gabriel Cara".

4 – A repercussão bomba em comentários e os alunos de História da USC assim se manifestam somente hoje pela manhã, após uma acalorada discussão, em texto repassado por Fabiana Ferreira Rocha:
“Diante de toda polêmica que as publicações de imagens do stand de História da feira das profissões 2015 na USC geraram, sentimo-nos na obrigação de esclarecermos e explanarmos o ocorrido. Primeiramente, o mal, muitas vezes, está nos olhos de quem o vê. Apenas fotos de representações nazistas e fascistas foram divulgadas, omitindo as demais representações de judeus, soldados americanos, brasileiros, japoneses, entre outros personagens da Segunda Guerra Mundial e principalmente, a distribuição de pombas e pedidos de paz. O contexto completo foi omitido, ou seja, podemos apontar essas postagens como tendenciosas e de contexto fragmentado. Nosso stand foi cuidadosamente planejado e estudado, a fim de contarmos a história do final de uma guerra, ou seja, algo que ocorreu, e ao negarmos e tratarmos tal tema como “tabu” compactuamos com a omissão de fatos. A informação e o conhecimento devem ser difundidos, só assim, as gerações que se distanciaram temporalmente desses fatos, poderão compreender seus impactos na história e no cotidiano de nossa sociedade.


O que não foi divulgado, infelizmente, foram as intervenções do stand como, por exemplo, a participação de descendente de judeus, afrodescendentes e homossexuais, nossos colegas e amigos de estudos e trabalhos, distribuindo pombas da paz e cartas de judeus e soldados da guerra endereçadas a suas famílias, defendendo a igualdade e a paz entre os homens. As alunas e alunos usando fardas e suásticas apenas ilustravam o contexto de guerra, como atrizes encenando em um filme ou documentário e, em momento algum exaltaram ou atribuíram qualidades positivas ao regime nazista. No entanto, como historiadores, temos a noção de que não devemos, em hipótese alguma, cometermos anacronismos, agindo sempre de maneira apenas a compartilhar os conhecimentos adquiridos através do estudo de diversas fontes. As acusações infundadas apenas confirmam que essas pessoas não estiveram presentes em nosso stand, pois nossa monitoria clamava pela paz, pela igualdade e pelo direito de expressão, direito esse que nos é tolhido de maneira tão anacrônica e punitiva ao lermos comentários que chegam a incentivar a violência contra nossos colegas, acusando-nos de glamourização do nazismo e até de apologia aos regimes nazifascistas.



Ressaltamos que em momento algum fizemos apologia ao regime nazista, nossas caracterizações eram meramente ilustrativas. As suásticas e outros símbolos nazistas já foram inclusive, retratados por escolas de samba, novelas, filmes, como forma de difusão da história e não vemos razões lógicas para críticas tão severas, afinal, estamos democratizando informações e fazendo com que os ventos de tempos sofridos não soprem no nosso presente.

Os estudantes de história da Universidade do Sagrado Coração representam uma geração preocupada com a história da humanidade, com a cidadania, a politização e a liberdade de expressão de todos, repudiando qualquer julgamento prévio sem consulta de fontes, tampouco discursos de ódio ou incitações à violência. Continuamos levando a mensagem proposta na feira, de PAZ ENTRE TODOS OS POVOS, e liberdade para todas manifestações culturais, politicas, sociais, e de caráter qualitativo. Não apoiamos ou compactuamos com qualquer forma de segregação ou discurso preconceituoso, muito menos com qualquer apologia ou incentivo às práticas nazifascistas.

Pedimos encarecidamente a todos que comentaram e compartilharam imagens de graduandos participantes da feira, que leiam essa manifestação com atenção e considerem nossa boa intenção. Que o conteúdo do nosso trabalho seja exposto de maneira completa. Precisamos falar, Maria da Penha falou sobre as agressões que sofreu, e mesmo julgada por muitos diante de um contexto considerado tabu, deu origem a uma lei de proteção às mulheres. É falando sobre o nazismo que impediremos um novo holocausto e foi falando sobre isso, que compartilhamos conhecimento histórico com diversos jovens. É sempre através da fala, da expressão, que conquistamos os feitos mais dignos e fundamentais para nossa segurança e bem estar e principalmente, para que os oprimidos e minorias tenham suas vozes ouvidas.


A aqueles que visitaram nosso stand e conheceram de perto nosso trabalho, por favor, compartilhem esta manifestação para que qualquer mal entendido seja sanado e nosso trabalho seja divulgado devidamente como foi realizado. Que a História seja sempre difundida e compartilhada como forma de conhecimento, pois um povo que desconhece seu passado não se prepara para o futuro.

Luz e paz a todos!
Alunos de História responsáveis pelo stand de História na Feira da Profissões – USC, 2015”.

5 – Muito mais foi dito e todos os comentários feitos pelas Redes Sociais serão postados nos Comentários desse post, facilitando o real entendimento de tudo o que ocorreu.
HPA.

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

INTERVENÇÕES DO SUPER-HERÓI BAURUENSE (87)


GUARDIÃO ACOMPANHA AÇÃO DE ÓRGÃO REBAIXADOR DE EXPECTATIVAS – “AQUI TEM TRETA”, AFIRMA


Guardião, o super-herói bauruense é mordaz. Morde e assopra. Diante do rebaixamento do Brasil após a abalizada (sic) avaliação feita pelos incontestáveis e criteriosos auditores transnacionais da agência de classificação de risco, a Standart & Poor’s (afinal a dita cuja é norte americana e isso é mais do que incontestável), avaliou seriamente se o mesmo não ocorre na nossa Bauru. “Nada hoje em dia é mais avaliado sem que seja levado em consideração uma infinidade de interesses, desde os comerciais, industriais, aéreos, submersos, subterrâneos e, mais do que nunca, os a envolver o próprio caixa do contratado. O que mais se vê hoje no mercado são pesquisas e avaliações pagas pelo próprio envolvido, tudo para favorecer seus negócios ou mesmo, para desfavorecer seus concorrentes. No mercado, diria, tudo vale e tudo é permitido. Como poucos hoje contestam algo advindo de tão altas e garbosas esfera, tudo é devidamente engolido, sem nem mais a necessidade de uma mera vaselina para facilitar a degustação. Vislumbrei isso no caso dessa agência e passei a notar algo mais aqui em nossa aldeia e em alhures”, diz o desconfiado e sempre atento super-herói.

Na sua análise feita após ler tudo o que saiu sobre o rebaixamento brasileiro, pensou lá com seus botões: “Mas quem estaria por detrás dessa agência? Como se sustenta, quem a banca? Com que intenção julga os países? Quais os critérios e quanto ganham com isso? Sim, no mundo onde vivemos, ainda para uma pomposa agência como essa, precisando sobreviver e o fazendo muito bem, com toda a pompa que lhe é de direito. E, como é do conhecimento geral de tudo e todos isso tudo deve custar muito caro. Dito isso, olho para as avaliações feitas aqui no terreiro, na rinha de luta bauruense. Quando um economista enfatiza via rádio que, a indústria, o latifúndio e o comércio precisam disso e daquilo, sem se ater ao outro lado da moeda, ou seja, o do trabalhador e suas condições, o faz desinteressadamente e só com o intuito de contribuir positivamente? Só os muito tolos caem nessa. O sujeito empurra a avaliação pra cima ou para baixo de acordo com os interesses que lhe sustentam e os mantém ali naquela situação. Quando você ouve aí via mídia que as tais ‘forças vivas bauruenses’ estão todas convergindo para uma ação, qual a sua interpretação? Estariam dando seu aval para algo do interesse coletivo ou o deles próprios?”, diz.

Segundo a concepção demonstrada por Guardião, ninguém escapa de cometer injustiças em suas avaliações. “Agências bancadas por interesses dos detentores do capital é só a ponta do iceberg. Opiniões ditas como idôneas, mas cheias de inconfessáveis interesses é o que mais se vê hoje em dia”, segue seu relato. Guardião encerra cravando ele mesmo uma borduna no que faz: “Não pensem que eu também não o faça seguindo essa ou aquela linha de conduta. Faço o mesmo e como tudo tem o seu lado, melhor mesmo, antes de abalizar e referendar o que vê sendo paparicado por aí, pense e repense sobre quais os interesses de cada um em tomar aquele posicionamento, o de rebaixar ou elevar o nível disso e daquilo. Melhor forma de errar menos e não comprar gato por lebre”. Daí, diante disso tudo, quando você se deparar com alguém descendo a lenha e empurrando para baixo algo, pense duas vezes antes de ir lá e dar o seu quinhão para despinguelar a coisa de vez. “Mesmo sem você o perceber, algo muito idêntico a essa tal de Standart & Poor’s pode estar em pleno funcionamento aqui em plena Bauru. Cuidado, pois a qualquer momento até tu eles rebaixam, basta não rezar na cartilha lá deles”, conclui.

Obs.: Esse Guardião é criação do artista plástico Leandro Gonçalez (www.desenhogoncalez.blogspot.com), com pitacos escrevinhativos deste mafuento HPA. Ambos já foram desclassificados em variadas e múltiplas agências classificatórias, dessa forma, são assumidamente uns desclassificados.

quarta-feira, 16 de setembro de 2015

BEIRA DE ESTRADA (53)


TIO GUI NÃO ENXERGA TUDO VESGAMENTE*

* 7ª participação deste HPA na revista mensal bauruense AZ!, edição n° 29, setembro 2015, nas bancas e gratuito:

Esse mundão “véio sem portera” está mesmo de pernas para o ar. De pouco tempo para cá deu para aflorar nas pessoas algo de um bestial ódio, transformando-as em objeto de interesses políticos. Corrupção todos sabem, existe desde que esse país existe. Nós é que a enxergamos mais ou menos em uns, sempre de acordo com a conveniência existente em cada cabeça. A coisa hoje é endêmica, por todos os lados, situações e poros. Assim sendo, fica sem sentido querer colar serem uns os piores, culpados de tudo, quando os demais também agem da mesmíssima forma e até pior.

O escrito acima tem endereço. Explico. De nada adianta ir para a rua vestindo verde e amarelo e soltar o verbo somente contra o PT. Ele é somente mais um nesse processo altamente corruptivo de nossa sociedade. Enxergando caolhamente menos possibilidades de estancar o mal. Esgrimando somente contra o PT, certamente ele será encurralado, daí pergunto: E os demais? A vista grossa, os isentos acabam se fortalecendo e tudo continuará como dantes no “quartel de Abrantes”. Minha conclusão. Baseado no reinante ódio, pouca ou quase nenhuma “solucionática”.

Louvo os sensatos. Eles existem. Cito um, o empresário bauruense Guilherme Reis. Um cidadão como a maioria. Alto, magro, calvo, porém com um enorme diferencial, um baita sorriso na cara. Muitos o conhecem por causa do famoso apelido, Tio Gui. Esse dado por causa de suas intervenções criativas com a garotada. Ele comanda junto da esposa uma famosa loja de produtos de decoração, encravada no coração da Zona Sul bauruense, a mais abastada. Guilherme é um ser iluminado, irradia belas possibilidades por todos os poros.

Escrevo dele por um único motivo. Ele destoa da maioria raivosa. Sem nenhum medo de se posicionar, sempre muito lúcido, sua luta se dá contra a corrupção num todo, nunca segmentada. Enxerga e valoriza os avanços e conquistas dos governos petistas, a tal do “nunca dantes na história desse país”. Algo inegável. Isso, ele bem sabe, não os tornam acima do bem e do mal. Não desmerece o que foi feito e ao cobrar, o faz a todos no atacado, nunca no varejo, individualmente como vê sendo feito. Ou seja, não crava a faca somente no PT e sim, em todos. Luta por um país mais justo, soberano, menos preconceituoso, intolerante, homofóbico e vesgo. É desses que não se deixa enganar.

Gosto de gente assim, dos que enxergam longe, remam contra a maré. O uso como exemplo, pois enxergo na ação de pessoas iguais a ele, o caminho para a real solução desse país. Faz parte do time a discordar do quanto pior melhor, enfrenta a crise de peito aberto e ao combater a atávica corrupção brasileira o faz a todos os segmentos, independente de sigla partidária. É com esses que eu vou. Ou tudo e todos no mesmo balaio ou a danada resistirá e continuará a fazer das suas.

Henrique Perazzi de Aquino, jornalista e professor de História.

OBS PÓS PUBLICAÇÃO: Tio Gui é mesmo do balacobaco. Vejam só. Após o envio do texto para a revista ele inventa um evento com a griffe, convidando os amigos via internet, o CBR em ASA 19/09. Sabe i que venha a ser isso? Isso aqui: “Comer Beber e Rir. Sempre Mais.... Reunir algumas pessoas que não apalpamos por tempos. Comer Beber e Rir”. Um espaço para debater a situação atual entre amigos, comendo, bebendo e rindo. E assim tocamos nossas vidas.