terça-feira, 6 de janeiro de 2009

BAURU POR AÍ (10)

UM DEKASSÉGUI BAURUENSE MORANDO DEBAIXO DE PONTE NO JAPÃO
Todos estão lendo algo sobre a nova situação dos dekasséguis no Japão. Os tempos já não são de bonança como dantes. Muitos que estão por lá, sofrem um bocado. Um deles é daqui de Bauru. Sua história é a de muitos, talvez mais sentida por ser a de alguém que saiu daqui. A descobri pela revista Carta Capital, edição 527, de 24/12, com o título “O sol é poente” e a chamada “A recessão na economia japonesa dificulta ainda mais a vida dos dekasséguis e muitos sonham em voltar ao Brasil”.

“Com documentos, roupas e outros poucos pertences guardados em mochilas, Flávio Ideiti Murakami e sua esposa, Érica Alves Kosaka, perambulam de bicicleta há três meses pelas ruas e estradas do Japão. Desempregados, já pedalaram centenas de quilômetros à procura de trabalho. Dormem em praças públicas, vivem de doações e representam, em pleno ano do centenário da imigração japonesa ao Brasil, um triste capítulo para a recente história do fenômeno dekasségui: são as primeiras vítimas de uma crise econômica que, a espantosa velocidade, tem pulverizado os sonhos de muitos brasileiros que atravessaram o mundo”, relata a matéria da revista.

Murakami, nascido em Bauru, sonhou como todos, desde que há cinco anos, quatro a menos que a esposa, foi de mala e cuia em busca de dinheiro, tudo para comprar uma casa aqui em Bauru. Hoje não consegue emprego nem para comprar a passagem de volta para o Brasil. Esse drama não é exclusividade desse casal, pois se estima que aos menos 50 mil brasileiros estejam desempregados por lá. Até para conseguir passagens de repatriação no Consulado, os critérios são muito exigentes. Pelo que deu para notar, o que está em ascensão mesmo por lá é o desejo de voltar e a única saída tem sido o aeroporto. E até isso não é fácil.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

RETRATOS DE BAURU (47)

TITO PEREIRA, O MILITAR FOLCLORISTA
Tito é a simpatia em pessoa, daquelas que você topa em todos os lugares possíveis e também nos inimagináveis. Veio para Bauru depois de entrar para a reserva militar. Atuou na Amazônia por um bom tempo e está intimamente ligado à causa folclorista na cidade. Além da entidade que criou, para dar vazão ao maior evento folclorista da cidade, ano passado trouxe para cá um casal de sacis e, como gosta, provocou a maior agitação. Participa de vários Conselhos Municipais ao mesmo tempo, sendo presidente atual do da Água, além de um dos seus primeiros membros. Atualmente está envolvido até o pescoço com a reforma e preparação do local onde será abrigado a sede do Yauaretê, o seu Instituto Folclorista, debaixo do viaduto das Nações, com a Duque, onde antes esteve abrigada a sede da Polícia de Trânsito. Quem não se lembra da trabalheira dele preparando comida para o pessoal tropeiro no evento lá no Sambódromo, o Revelando São Paulo? Montou barraca e junto da família serviu gente de montão e depois ainda foi visto limpando a sujeirama que os cavalos e bois promoveram no local. Está em estado de graça nesse começo de ano, pois acaba de casar uma das filhas e de fazer uma festa no retorno de um bolsita da Nova Zelândia, que passou uma temporada em sua casa. Sabe viver a vida. E a vive intensamente. Tito é figurinha carimbada, de fino trato.

domingo, 4 de janeiro de 2009

COLUNA NO JORNAL BOM DIA (02)

TUGA
Trabalhei na Administração Tuga Angerami, do início até o seu último dia. E disso não me arrependo. Atuei com esmero e dedicação. Muitos assim o fizeram. Se a população da periferia, aquela que acreditou e elegeu Tuga foi tratada a pão e água, tenham certeza, o mesmo ocorreu no interior do Governo. As torneiras estiveram sempre fechadas. Foi uma escolha, muito criticada, da qual o prefeito não se desviou. A rédea esteve curta para todos.

A melhor resposta foi, quase ao final do mandato, a Prefeitura receber liberação para recursos federais. Um dos alvos nesses quatro anos. Se o método fosse diferente, Rodrigo assumiria em outra situação. Esse é o resultado, eis o mérito. Imaginem outro prefeito dilapidador? A situação estaria incontrolável.

Isso não inviabiliza as críticas. Procedem, mas não da forma generalizada. Ecoando a voz da periferia, o próprio Tuga sabe que ficou devendo a eles e ouve calado. Ecoando sentimento da elite nativa é algo injusto e insensível. Esses não têm do que reclamar. A cidade deles é o paraíso perto da periferia.

Tuga pagou um preço. E continuará pagando por outro tanto de tempo. Porém, o novo momento, quer aceitem ou não, não cai no colo do Rodrigo aleatoriamente. Foi fruto de uma escolha, uma postura. É claro que ocorreram outros erros, assim como acertos. O saldo, no final, foi positivo. O tempo dirá do acerto da austeridade. O fato é que deu um banho, em pelo menos dois que o antecederam.
ps.: esse texto saiu publicado na edição de ontem, sábado, 03/01
UM COMENTÁRIO QUALQUER (30)

OS ANOS TUGA NA PREFEITURA (2005/2008)
Demorei um pouco para externar aqui algo sobre minha participação na administração do ex-prefeito Tuga Angerami. Esperei o ano terminar e Tuga se despedir da vida política. O próprio prefeito havia feito uma auto-avaliação do seu mandato em entrevista ao JC em 16/07/2008, com a seguinte manchete: "Queimei meu patrimônio eleitoral em troca de uma gestão de sacrifícios". Ali ele assumia para si próprio a conta dos erros da administração: "As críticas, os erros eu sempre chamei para mim. (...) Os secretários se desdobraram, todos eles, com o pouco que tinham nas mãos. As decisões tomadas são minhas. Eu sou o prefeito. A conta é minha". Ainda na mesma entrevista: "Entendi o papel que tinha de fazer e não me arrependo. Tomei decisões antipáticas, que não ganham votos e não dão dividendos. Acertei contas, dívidas, ao invés de atender ao pedido do asfalto. E compreendo a frustração do eleitor que esperava de mim que fosse atendido. (...) A cidade se sacrificou. Tem uma hora que tinha de parar com o que foi feito. E eu parei. (...) Compreendo o eleitor que esperava a repetição nessa gestão da minha anterior. (...) A frustração dessa expectativa agora justifica a reação. Tem setores que têm a compreensão dessa opção que o governo fez. Mas querer que todos compreendam é difícil".

A maioria das pessoas sensatas entendeu perfeitamente o que aconteceu no período. Tuga ainda voltou, em dois momentos, a tecer comentários sobre o mesmo tema. No dia 30/12, na despedida que os colaboradores mais próximos lhe proporcionaram no auditório da Prefeitura, sem a presença da imprensa, foi enfático: "A periferia de Bauru sempre teve todo o direito de reclamar, pois acreditou em mim, fui eleito por eles e não os atendi a contento. Tive que optar por outro caminho e não os comuniquei disso. Já a elite bauruense, sempre muito cruel, pensando só em si, autoritária e com sede de poder, essa não tem do que reclamar. Foram beneficiadas sempre e mesmo assim nunca estão contentes". No discurso de transmissão do governo para Rodrigo Agostinho, seu sucessor, disse: "Não espere que a situação esteja totalmente normalizada. Não. Falta muito e Rodrigo terá que continuar a honrar compromissos de pagamento de parcelamentos, onerando as receitas municipais. Porém, hoje a Prefeitura possui crédito, paga em dia e suas licitações são concorridas. Podemos até contrair novos empréstimos e receber repasses federais. Foi custoso chegar até aqui".
Esse o grande trunfo do governo Tuga. Ele se prestou a fazer algo e fez. Pagou o preço, foi duramente criticado, mas foi até o fim. "Se tratei a população da periferia a pão e água, os que estiveram comigo, as secretarias também tiveram o mesmo tratamento", disse. Foram quatro anos quase sem grana para investimentos, onde a criatividade e a ousadia foram saídas das quais todos se utilizaram. Na Cultura o que predominou foi isso e tudo o que foi feito, foi na base de incentivos, patrocínios e eventos sem custo. Rédea curta não foi motivo para se fechar em copas e nada realizar. Muito foi feito. E isso precisa ser valorizado, pois fazer com grana todos fazem. Difícil é fazer sem grana. E foi feito. Um dos grandes trunfos de Tuga e de Vinagre, na Cultura foi dar total liberdade para execução de projetos. Se não existia a viabilidade financeira, existiu o incentivo, a abertura de outros canais, num ambiente de reciprocidade profissional. Entendemos o momento e fomos à luta, sem pedir licença, executando e mostrando a que viemos. Foi minha primeira experiência na vida pública e nela pude mostrar um pouco de tudo o que tinha guardado, pronto para executar. Muita coisa foi interrompida, só na base de projetos, mas nada que não possa ser implantado e executado logo a seguir, por quem quer que assuma a função que exerci ao longo dos quatro últimos anos. Tenho convicção de ter executado com afinco e dedicação minha função. Em nenhum momento cuspo no prato que comi, nunca agi dessa forma. Estou pronto a prestar contas de tudo o que ocorreu no setor sob minha direção.

sábado, 3 de janeiro de 2009

UMA ALFINETADA (44)

AS FRASES DO ANO PASSADO DA AGENDA DO HPA
Meu primeiro texto em cada ano para O ALFINETE, reproduzo frases que vou juntando no alto de minha agenda pessoal. Elas expressam um pouco do que fui lendo durante o ano que se encerrou. Minha agenda é um verdadeiro álbum de figurinhas, onde além de escrevinhar de tudo, vou colando imagens de fatos reprsentativos ocorridos e que presenciei. Vamos a algumas das frases:
-"Estes são os meus princípios. Se não lhe agradam, tenho outros" – Groucho Marx
-"Você nunca percebe o quanto do passado está costurado no forro de suas roupas" – Tom Wolfe, escritor e jornalista norte-americano
-"Escrevo há muito tempo. Costumo dizer que, se ainda não aprendi, não foi por falta de prática" – Moacyr Scliar, médico e escritor gaúcho
-"Na minha religião, espécie de panteísmo urbano, a devoção é por pastéis de carnes e boas livrarias" – Luiz Fernando Veríssimo, escritor e jornalista
-"Está morto: podemos elogiá-lo à vontade" – Machado de Assis, no conto O Empréstimo.
-"Felicidade se acha é em horinhas de descuido" – Guimarães Rosa
-"É preciso ter o caos dentro de si para gerar uma estrela" – Friedrich Nietzche
-"A Bolívia quer sócios, não patrões" – Evo Morales, presidente da Bolívia
-"Há coisa mais triste no mundo do que um trem imóvel na chuva?" – poeta Pablo Neruda
-"Televisão? Inteligência? Não sei, não..." – Sérgio Augusto, crítico de TV
-"Quem dá prazo é autoridade. Índio dá aviso" – índio Menfá
-"A transformação dos Estados Unidos em USSRA (Estados Unidos Socialistas da República da América) já ocorreu. Os camaradas Bush, Paulson e Bernanke simplesmente socializaram os prejuízos dos ricos" – Nouriel Roubini, economista dos EUA
-"Se somos bons apenas por temer o castigo divino e almejar a recompensa, realmente somos um grupo miserável" – Einstein
- "Somos obrigados a viver como se fôssemos livres" – filósofo John Gray
-"O socialismo é ruim, exceto quando serve para estabilizar o capitalismo" – filósofo Slavoj Zizev
-"O seu problema é que os americanos nunca vão tentar se livrar de você" – Chávez para Lula, de modo jocoso.
-"Se todo homem inspira ternura, o que houve, então, com os homens?" – Guimarães Rosa
HPA, 48 anos, que também ajuda a difundir frases anônimas, como essa: "O problema não é o idiota, mas quem dá ouvido a ele" (essa foi para cutucar a forma de fazer política na cidade, escolhida por um boçal, que "se acha", mas ainda não consegui enxergar o quanto é medíocre e pequeno).
PS.: Está saindo publicado hoje, tanto aqui, como na edição impressa d'O Alfinete, de Pirajuí.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

UMA CARTA (23)

O CIRCO DEFRONTE MINHA CASA
Convivo com isso desde que me conheço por gente. Meus pais moram defronte um terrenão, às margens do rio Bauru, av. Nuno de Assis. Isso há mais de quarenta anos. Tive o privilégio de ir a todos que por lá já aportaram, não só os circos, como os parques. Peguei gosto pela coisa. Hoje, beirando os 50 não perco o prazer e a oportunidade de sentar numa arquibancada, ouvir aquele som característico e adentrar um verdadeiro mundo de fantasia.

Foram tantos e em cada um, uma história diferente. Já vi circo sendo arrastado pelas enchentes de beira de rio. Já entrei de graça em muitos, principalmente nos de antigamente, os circo-teatros, quando emprestávamos móveis para compor o cenário e em troca ganhávamos ingressos. Era uma festa. E na adolescência, quando as artistas vinham tomar banho em casa. Fazia estripulias mil para para vê-las no banho e depois no palco. Aprendi a descer em pé no tobogã (já desaprendi) e certa vez vi uma cadeira de um gira-gira soltar-se do cabo e parar dentro do rio. Muitos tornaram-se verdadeiros amigos pela freqüência com que retornavam, como a família Vitinho. Outros nos visitavam com frequência em passagem pela cidade.

Hoje, o Circo Giglio aporta no local, espantando uma família de corujas, moradoras de fato e de direito do terreno, instalando sua colorida lona defronte minha casa. Ouvido mais do que atento, a música deles invade tudo, o alto-falante martela as maravilhas que estarão em cena e uma novidade. Nesse não existem as arquibancadas e sim, cadeiras, com um picadeiro mais elevado em formato de palco. Família de italianos da gema, mesclado com latinos, principalmente chilenos. Tudo se transforma por algumas semanas. Ninguém resiste e a família toda acaba indo assistir o espetáculo. Nada melhor do que terminar o ano com um circo. Nada melhor do que começar o ano com um circo. A arte circense me encanta e rir de palhaços de verdade, os que só nos proporcionam alegria e contentamento é infinitamente melhor do que os que promovem atrocidades mundo afora, vide guerras, tramóias, conchavos, negociatas e uma série de malvadesas e malversações (vide o cenário atual, ANO NOVO, GUERRA NOVA). Parafraseando Luis Melodia: "Quanto mais longe do circo, mais em encontro palhaços". Dos palhaços do circo eu adoro.

PS: Carta enviada para a Tribuna do Leitor, do Jornal da Cidade - Bauru SP.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

DIÁRIO DE CUBA (19)
Hoje, 1º de janeiro de 2009 é uma data muito especial para Cuba, pois comemora-se os 50 Anos da Revolução Cubana. Eu e Marcos pudemos constatar in loco algo muito difundido aqui no Brasil: o que a grande maioria da imprensa nativa continua divulgando sobre o totalitarismo na ilha é pura balela. Conversa para boi dormir. É o tal do "repetir uma mentira até a exaustão, até ela se tornar verdade". Reproduzir mentiras, sem checar ou para atender interesses de grupos é algo que se repete por aqui desde os tempos de Cabral. "Papagaio de Pirata" existe por todos os cantos. Sobre o tema fui ler o que a Folha de SP e o Estado de SP publicaram em sua edição de 28/12. Esperava encontrar algo muito mais raivoso, porém um texto se destacou e justo naquele que esperava ser o mais conservador, o Estadão. No Caderno "Aliás", uma entrevista de página dupla com Daniel Erikson, jovem especialista em relações internacionais, com um livro recém lançado, "The Cuba Wars" (sem tradução no Brasil). No restante, não faltaram ataques gratuitos e desnecessários. Vejam uma síntese da entrevista e confirmem que nem todo norte-americano enxerga Cuba como uma ameaça, um retrocesso, um risco, um empecilho ou uma conquista:
"A forte razão qual os EUA mantêm o embargo contra Cuba é que Washington nunca perddou Fidel pela chamada Crise dos Mísseis, e Fidel, por seu lado, também nunca pediu desculpas a Washington por ter abrigado secretamente armas nucleares soviéticas. Fora isso, os EUA se engajaram numa série de tentativas de assassinar Fidel. (...) Posteriormente vimos o governo americano transferir a política em relação à Cuba para as mãos dos piores inimigos de Fidel, a comunidade de exilados que odiava o líder cubano. (...) Eles jamais se divorciaram realmente. Preferem há 50 anos manter um casamento ruim, ignorando o fato de que precisam mesmo é de um bom conselheiro matrimonial. (...) O que torna uma visita a Cuba tão encantadora e tão trágica ao mesmo tempo é que a gente sente que o país parou no tempo. (...) A geração que fez a revolução está morrendo, portando caberá às gerações mais novas reinterpretar a história. (...) Cuba é o único país do mundo vetado aos norte-americanos. Ou seja, nós não precisamos de autorização para vijar para a China, Irã ou Coréia do Norte, mas viajando para Cuba sem permissão podemos ser penalizados. (...) O problema central é que tanto EUA quanto Cuba acreditam ser excepcionais. Como é que pode haver normalidade no relacionamento daqueles que se julgam acima de tudo?". Ah, se todos pensassem igual a você, que maravilha seria viver... Cuba precisa de gente que a entenda, não que a cutuque sem sentido e sem lógica. Um entendimento é mais do que possível.

DEIXANDO O HOTEL, CAMPANHA DOS HERÓIS E UMA RODOVIÁRIA
Dia de deixar Havana rumo ao interior do país. Pra falar a verdade já não agüentava mais o mexido com ovos pela manhã, do qual gostei demais. Mesmo com toda a variedade de opções no café da manhã ("Desayuno" para eles, uma linda palavra, não?), não ficava sem o gorduroso ovo revirado na chapa. Meu colesterol e trigliceres davam sinais de estarem próximos do limite tolerável, prestes a “abrir o bico”. Eu olhava para aquilo sendo feito, com o carinho da chapeira e não resistia. No apartamento, juntei todas minhas roupas na mochila de costas e estava mais do pronto para iniciar a nova jornada. Antes uma pequena confissão. Viemos para cronometrados 19 dias, onde trouxe 5 pares de meias, 5 cuecas e 7 camisetas, além de uma camisa e camiseta de mangas longas. Nesse sexto dia já tínhamos estabelecido uma rotina, que havia dado muito certo. Lavávamos nossas roupas durante o banho ou na pia do banheiro, colocando-as para secar na janela ou defronte o ar-condicionado. Passei defronte o luxuoso hotel Habana Libre, lotado de turistas do mundo todo, inclusive norte-americanos e observei muitas roupas nas janelas. Sendo assim, tive a certeza de não sermos os únicos a não gastar com serviços extras de quarto. Essa parte tiramos de letra. Não queiram imaginar como fizemos para passar as camisetas.
Despedidas na recepção, com pessoas que mesmo com tão poucos dias já pareciam tão intimas. Tomamos conhecimento de que o hotel estará lotado quando retornarmos e isso terá que ser resolvido nos próximos dias. No saguão nos deparamos com um poster sobre os 5 cubanos detidos ilegalmente nos EUA. Me permitam um aparte e um pulo para nossos dias. Estivemos em Cuba no mês de março e agora, na segunda quinzena de dezembro, o presidente cubano Raúl Castro esteve no Brasil, na reunião de cúpula daUnião das Nações Sul-Americanas (UNASUL), na Costa do Sauípe BA. Falando sobre o assunto, Raúl propôs aos EUA: “A época dos gestos unilaterais acabou em Cuba, agora tem que ser gestos bilaterais. Esses prisioneiros, querem soltá-los? Que nos digam que mandamos os de cá com família e tudo. Mas que nos devolvam nossos cinco heróis”. Dizem ser 200 os prisioneiros políticos na ilha e ele aceita soltar todos caso os EUA soltem os cinco cubanos. É uma clara negociação para que Washington encerre o embargo econômico à ilha. O cubano, como já disse anteriormente, tem essa questão meio que a flor da pele. Ferve com os EUA por causa disso.
Almoçamos nos Las Balerías, ao lado do hotel Vedado. Confesso algo doloroso para mim: não encontro palitos de dentes em Havana. Seguimos de táxi para o Terminal da Via Zul, pagando 5 pesos. Não me canso de observar a fachada dos prédios e das casas, além do transporte urbano. Daria para escrever textos longuíssimos sobre o que fui observando. Nesse terminal, diferente de nossas rodoviárias, onde várias empresas atuam, aqui todos os ônibus pertencem a uma só empresa. O local é amplo, tudo muito bem organizado, lojas de souvenires, serviço interno de alto-falante, restaurante, tudo para atender turistas e os próprios cubanos. Havia lido no Brasil que nesse tipo de terminal só viajavam turistas, existindo um outro só para o cubano. Mais uma mentira de um imprensa que falseia com a verdade. Conversamos com muitos cubanos, com famílias e muitas bagagens. O preço é que é diferenciado. É preço para turista, sendo que no outro terminal, com a mesma qualidade, muito maior, eles pagam preços irrisórios pelas viagens. Pagamos 35 pesos pelas duas passagens e embarcamos pontualmente às 15h com destino a cidade de Santa Clara, terra do famoso Memorial a Che Guevara. Chegaríamos por volta das 19h. Muita coisa foi anotada dessa primeira viagem, mas isso fica para o próximo relato.