domingo, 21 de abril de 2019

O QUE FAZER EM BAURU E NAS REDONDEZAS (112)


VAMOS DISCUTIR PATRIMÔNIO HISTÓRICO E CULTURAL EM BAURU?

Esse assunto é ótimo para ser discutido neste exato momento. Primeiro porque depois do incêndio da catedral parisiense de Notre Dame muita coisa está vindo à baila e dentre mortos e feridos, algo a ser considerado: os cuidados do patrimônio lá em terras europeias e aqui nessas plagas tupiniquins. Inolvidável distanciamento. Isso, por si só, já justificaria uma baita escrevinhação, mas tem mais. Abro o Jornal da Cidade de hoje e o sempre atento e amigo jornalista, Aurélio Fernandes Alonso, sempre sintonizado no que merece ser levado adiante como boa pauta, traz no Caderno dominical Regional, do ainda único jornal diário impresso bauruense uma ampla reportagem sobre o tema patrimônio histórico: "Jaú estuda flexibilizar tombamentos", "Jaú vai reavaliar tombamentos", "Pederneiras prepara primeiro tombamento", entre outros, podendo ser lido num leve click a seguir:https://www.jcnet.com.br/…/jau-estuda-flexibilizar-tombamen….



Juntei as duas coisas e me lembrei de um aperto de mãos dado no prefeito bauruense, Clodoaldo Gazzetta quando o reencontrei no Espaço Protótipo, dos amigos Fábio Valério e Juliana Ramos, reunião com agentes culturais, tentando viabilizar no consenso um nome para ocupar a Secretaria Municipal de Cultura. Não sou amigo do prefeito e nunca conversei com o mesmo, nem sequer numa mera mesa de botequim. Ele se dirige a mim, na presença de testemunhas e diz mais ou menos isso: "Eu não sou seu inimigo, precisamos conversar. Passe lá no gabinete, está desde já convidado". Não passou disso. Penso em passar e o motivo é exatamente este: a quantas anda algo feito em prol do Patrimônio Histórico e Cultural na cidade de Bauru. Na qualidade de ex-presidente do CODEPAC - Conselho de Defesa do Patrimônio Histírico e Cultural de Bauru, por quatro anos e mais quatro como conselheiro, quando observo hoje (desde o início do segundo mandato do ex-prefeito Rodrigo Agostinho), o mesmo sem atividade e tudo o que foi feito sendo esquecido, menosprezado e até, porque não dizer, vilipendiado, eis um ótimo motivo para conversações variadas e múltiplas. Ainda mais por ler, de cabo a rabo, os bons exemplos vindos da região, na excelente matéria do JC.

Conversando a gente se entende ou se não ocorrer nenhum tipo de entendimento, ao menos as ideias foram lançadas ao ar, sugestões para a boa e necessária discussão. Eu não preciso concordar com tudo o que ele faz para me sentar numa mesa de negociação e de sugestões. O que ocorre hoje com o Patrimônio Histórico é mais do que grave, caso de abandono geral, tudo deixado ao deus dará. Continuar como está, inadmissível e irresponsabilidade de todas as partes envolvidas na questão. Triste demais ver o que ocorre hoje com o grandioso projeto Ferrovia para Todos, que nos governos de Nilson Costa recuperou e colocou para rodar a Maria Fumaça e sua composição férrea, depois no de Tuga Angerami, onde participei como Diretor do Patrimônio Histórico e Cultural, a última recuperação de carros férreos e logo a seguir com Rodrigo, a despedida dos passeios e isolamento do projeto, tudo estagnado e em caráter não só de espera, morosidade atroz. Sei dos motivos todos para a paradeira, mas faltou empenho junto ao então Governo federal, incomensuravelmente mais palatável que o atual. Que poderei dizer do Museu Histórico Municipal, cujo último endereço foi na rua Antonio Alves, depois teve seu acervo empacotado e nunca mais nada foi exposto? Há mais de dez anos tudo guardado e, mesmo com recebimentos de verbas públicas, muitas vindas de emendas parlamentares, nem esse, nem o MIS - Museu da Imagem e do Som conseguem ver o prédio da Estação da Cia Paulista revitalizado e entregue à visitação.
Nova composição CODEPAC.


O CODEPAC não funciona e sei das forças contrárias para que continue ali quietinho, sem movimentação. Outro dia mesmo postei uma mera foto do famoso hotel no cruzamento da avenida Rodrigues Alves e rua Monsenhor Claro, abandono total e dentre tantos, o ex-prefeito Rodrigo postou algo lá: "Os proprietários querem o destombamento do imóvel". Se isso ocorre, certamente, forças ocultas também se movimentam para impedir que o Conselho volte a ativa, pois uma coisa está ligada a outra de forma umbilical. Não vejo as questões históricas patrimoniais na pauta deste Governo e nem do do anterior. Uma pena. A Casa dos Pioneiros, já desmoronada, ali na Araújo Leite, teve processo de desapropriação levada adiante, mas o valor não foi pago aos herdeiros e nem que tivesse sido pago, creio nada teria sido feito de obras por ali. Vai ruir e virar pó. Outros na mesma situação. Ouço dos vizinhos da casa do Mauro Rasi, ali na Bandeirantes, que a herdeira está se movimentando para fazer algo por lá, mas se tivesse respaldo e ajuda nos encaminhamentos por parte do poder público, tudo poderia ser facilitado. Poderia citar tantos outros, mas o espaço é curto e a rua me chama, enfim, hoje é domingo, feira, sol e gente na rua.

Por falar em domingo, estou de saída pra feira dominical, mais precisamente para a do Rolo. Inadmissível ver aquele baita barracão, antigo armazém da Cia Paulista, ali defronte a feira abandonado (ainda com móveis e acervo do Museu Ferroviário lá dentro?). Uma vez foi sugerido (e quase vingou) para ser doado a grupos empresariais que o transformariam em Memorial da Indústria, mas nada foi adiante, pois faltaram investidores. Tudo continuou como dantes, puro e total abandono. E por que não, como feito com Notre Dame, ocorrer por aqui, algo dentro das nossas pernas e meios, campanha para revitalizar não só o largo onde ocorre a feira, aquele lindo piso de paralelepípedos e um algo mais no barracão, talvez até o tão sonhado Mercado Municipal? Isso sim seria algo de concreto para a revitalização do velho centro bauruense, hoje estagnado. Ou seja, quero com tudo isso, dizer que a conversa com o prefeito pode sim acontecer, mas teria que ser dentro desses itens e os torno públicos, para que Bauru saiba, de uma pontinha do muito que pode ser refeito, movimentado e tocado adiante. A questão é financeira, mas não somente ela deve movimentar uma causa, pois na união de muitos, algum facilitador sempre surge e alavanca as coisas.

Daí, o Caderno de hoje no JC é mais um, que se lido e entendido pelas autoridades de plantão e todos os com interesse nessas questões, uma real possibilidade de movimentar e fazer andar o setor. O que não pode e não deve é a continuidade da paradeira por aqui. Se acham que exagero, minto ou sei lá o que, peçam para o próprio Aurélio, o que escreveu a matéria de hoje no JC, citar algo do que vislumbrou na região e o que ocorre na mesma proporção aqui em Bauru? Vão se espantar com sua resposta.

sábado, 20 de abril de 2019

BAURU POR AÍ (163)


TV MAFUENTA DO HPA FAZ SUA ESTRÉIA

01) Gravações de aproximadamente dez minutos (este já extrapolou e passou dos quinze) com a cara e o jeito deste mafuento e criador de caso HPA.

Antonio Pedroso Junior
é memorialista, escritor e um dos que hoje sabem executar na exatidão do termo a palavra "provocador,provocação". Não que o faça assim do nada, pois muito do que desfere pela dua ácida boca tem endereço certo, reto e direto. Aqui o primeiro bate papo desta que, creio, deverá ser uma série de vida longa e cheia de novidades, iniciada com esse bauruense cheio de História para contar, sobre algo do que faz, como faz e abordando temas de uma historiografia ainda pouco contada e revelada nesta aldeia bauruense. Antonio Pedroso Junior é desses que vale a pena lhe entregar um microfone, pois ligado ou desligado, o danado não perde a oportunidade. Essa primeira gravação ocorreu na manhã do dia 19/04/2019, na casa de outro militante histórico de Bauru, Milton Dota, tendo ao lado os férreos trilhos, que outrora foram quem trouxeram o progresso para essa hoje dita por alguns como "Cidade Sem Limites" (sem limites do que mesmo?).

Obs.: A gravação sai enviesada, gravada de lado, pois esse mafuento ainda não está devidamente inteirado de como deve ser o posicionamento da câmera quando da gravação - em fase de aprendizagem.

O link para o vídeo é: https://www.facebook.com/henrique.perazzideaquino/videos/2627590880604238/


02) Segue as intrépidas gravações deste mafuento HPA, encarando de frente gente daqui e de fora, como essa que vos apresento em primeira mão.

PATRICIA CAJU é essa senhora, espevitada e ao mesmo tempo bem comportada cidadã carioca, também Cidadã dos Eventos, diria, dos grandes eventos. Sua especialidade é estar por detrás da produção desses megas espetáculos. Ela sentou nos bancos escolares de antanho, lá na sempre Cidade Maravilhosa (mesmo hoje muito maltratada) com nada menos que Ana Bia Andrade (minha companheira de todas as horas) e nas idas e vindas à Bauru, se hospeda aqui conosco. Das conversas e dos temas pelas quais ela por aqui aportou, bateu a vontade de registrar tudo numa gravação de tiro curto. Como sei, ainda ouviremos muito dela por essas plagas, pois além de uma palestra ministrada para alunos de Design da FIB, estão em andamento planos ousados para um grandioso evento, eis antes que alguém o faça, o meu cartão de apresentação da querida Patricia Caju para todos vocês. Essa gravação foi feita aqui em casa no exato dia em que ela estava batendo asas e voltando ao seu Rio, sábado passado, 13/04/2019.

OBS.: Como isso tudo deverá ser uma longa séria, reafirmo, vivendo e aprendendo. Ana ao me ver assistindo o vídeo, chegou perto e assuntou: "Está baixo demais". Como esses microfones dessas maquinetas que anda à mão são de alcance reduzido, creio, terei que aproximá-los mais do entrevistado. Vivendo e aprendendo.

O link para o vídeo é: https://www.facebook.com/henrique.perazzideaquino/videos/2627974883899171/

03) Essa foi antológica, realizada tempos atrás quando o ator passou por Bauru e como está inserida no espírito mafuento, adentra o que quero ir juntando daqui por diante.

TONICO PEREIRA é consagrado ator brasileiro, um dos maiores, com currículo mais do que comprovado. Passou por Bauru ano passado com a estréia da peça "O Julgamento de Sócrates", um tapa na cara da mediocridade nacional. A bauruense ficou estupefata quando diante do que via, não sabia onde enfiar a cara, pois ele estabeleceu uma relação mais do que envolvente (e necessária) o que fizeram com Sócrates e com Lula, sem o citar em nenhum instante. Foram para assistir o astro global e se depararam com alguém a questionar o vergonhoso apoio que davam para Bolsonaro e o apunhalamento em praça pública feito para com o ex-presidente Lula. Na saída, ele envergando uma camiseta com a estampa de Brizola no peito fica muito a vontade conosco, eu e Cláudio Lago, quando o gravamos e num vídeo já publicado em 16/07/2018, dei lá atrás, sem querer, o pontapé inicial para este projeto que agora retomo e creio eu, darei impulso. Leiam o que escrevi sobre a vinda dele no blog Mafuá do HPA: https://mafuadohpa.blogspot.com/search?q=tonico+pereira. A partir daquele dia, eu sabia, começaria a gravar coisas pela aí, reiniciadas nesse exato momento.

O link para o vídeo é este: https://www.facebook.com/henrique.perazzideaquino/videos/21962
75177069146/

sexta-feira, 19 de abril de 2019

BEIRA DE ESTRADA (106)


RECUPERAÇÃO DE NOTRE DAME, CODEPAC, BAURU E EUROPA NO MESMO BALAIO
Certa feita aqui em Bauru, eu presidia o CODEPAC - Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico e Cultural de Bauru, anos do último Governo Tuga Angerami e numa das reuniões tentávamos um acordo para o tombamento somente da parte frontal, a fachada do prédio da Lusitana, esquina da Batista de Carvalho com Gustavo Maciel. Os representantes dos proprietários, contrários ao tombamento se posicionaram e uma senhora, herdeira do imóvel disse textualmente: "Eu adoro patrimônio histórico, acho lindo os museus da Europa, frequento eles, mas não vejo porque a preservação de nada por aqui, pois não existe leis para essa proteção. Lá lindo, aqui e no meu imóvel, sou contra".

Lembro deste diálogo neste exato momento ao ouvir na televisão que a reconstrução/revitalização/restauro da Catedral de Notre Dame, em Paris será possibilitada, pois o valor arrecadado entre a iniciativa privada, aproximadamente 4 bilhões de dólares em poucos dias é mais do que suficiente para tal. Nenhuma grana pública, uma vez que tudo foi preenchido pela grana de doações privadas. Dentre os doadores, muitos empresários brasileiros e dona Lili Safra, banqueira residente desde sempre na Europa, com valor de alto quilate. Por aqui, nossos museus, imóveis tombados, leis de incentivo, conselhos de defesas do patrimônio, estão todos cada vez mais estagnados, paralisados, aturdidos e contidos. Chego a pensar que a empresária bauruense não errou quando de sua manifestação, mas é cruel demais da conta se deparar com essa situação e se mostrar indiferente, inerte e quase nada poder fazer para reverter a triste situação.

TIRAM O PARALELEPÍPEDO E COLOCAM ASFALTO NO LUGAR...
Isso que está a ocorrer agora em Bocaina, quando a Prefeitura daquela cidade insiste em colocar asfalto sob um histórico piso de paralelepípedo é bem característico deste país. Não fazem esforço nenhum para valorizar um piso histórico e na primeira oportunidade querem logo asfaltar tudo e o que é pior, nem retiram as pedras, colocam o piche por cima. Culturalmente um desastre. Lembro que aqui em Bauru, dos tempos quando presidia o CODEPAC - Conselho de defesa do Patrimônio Cultural e Histórico de Bauru, num certo dia nos chega a denúncia de que a Polícia Militar tinha se movimentado para que a Prefeitura Municipal asfaltasse todo o piso de paralelepípedo onde está hoje localizada a Feira do Rolo. Fizeram uma parte e a justificativa lá deles era de que, com asfalto facilitaria as ações de encontrar drogas jogadas ao meio fio pelos que dela fazem uso na região. Usando dos argumentos que o largo a envolver prédios históricos e tombados deveria passar por restauro, quando o piso de paralelepípedos seria todo recuperado, nivelado, o asfaltamento foi embargado e estancado a sangria no local. Sabe o que aconteceu? Desde então, creio já mais de dez anos, nada foi feito para restauro do piso, encontrando-se todo desnivelado, feio e macambuzio. Nem por isso devemos ser favoráveis à sua retirada. A Prefeitura teve no passadio equipes especializadas em paralelepípedos e hoje nenhuma profissional dentro do seu quadro de funcionários com essa qualificação, porém, instigar e provocar para que volte a tê-los é parte fundamental de quem ousa ainda continuar discutindo questões de patrimônio cultural dentro de uma cidade latino-americana com mais de 100 anos e com mais de 400 mil habitantes. O mesmo que ocorre agora em Bocaina se repete por muitas outras cidades e o tema levantado pelo arquiteto José Xaides Alves em seu texto é mais do que pertinente. Endosso e passo adiante a discussão sobre o tema.

O post do Xaides: “Prefeitura na contramão da cultura, do turismo e do meio ambiente - Vejo com pesar esta tentativa equivocada da prefeitura de Bocaina SP, de trocar a pavimentacão de paralelepípedos históricos da Cidade de Bocaina. A quem interessa isso? De fato não poderá ser para valorizar ainda mais esta cidade que se valoriza a cada dia com seu patrimônio cultural e artístico. Reduto de belas obras de arquitetura do período cafeeiro, e especialmente das obras do pintor Benedito Calixto, a cidade deveria ficar atenta em se tornar estrategicamente uma joia nesse momento em que o Turismo Cultural, Ecológico e Artístico cresce em todo mundo, e cada vez mais globalizado as pessoas buscam nichos de ambientes diferentes, culturais e ambientalmente bem cuidados. E não a mesmice de padrões alienígenas impostos por construtoras visando lucros de curto prazo, que destrói a identidade histórica. Para a economia urbana futura, preservar os pisos em paralelepípedos do centro histórico é inteligente, fortalece o caminhar do pedestre, diminui o impacto e riscos de segurança do trânsito, permite maior permeabilidade das águas, atrai mais gente e o turismo cultural, etc. Pra que se tornar lugar comum?????”.

COM SEMANA SANTA, FERIADO PELA FRENTE, NADA COMO IMAGINAR CRISTO HOJE E LUTANDO A FAVOR DOS INJUSTIÇADOS DESTE MUNDO E ENFRENTANDO O SISTEMA - ESCAPARIA DA CRUZ? Eis a matéria do jornal Brasil de Fato, “Jesus não morreu pelos nossos pecados e sim, por enfrentar o sistema”: https://www.brasildefato.com.br/2018/03/31/artigo-or-jesus-nao-morreu-pelos-nossos-pecados-e-sim-por-enfrentar-o-sistema/?fbclid=IwAR2Vh0VoPS5PDcRhHF13phk06-t-Cf5NaIHi2D_aqFqBW2O5OzrbN0EYGgg
Miguel Rep, edição de hoje no melhor jornal diário do nosso mundo, o argentino Página 12.

quinta-feira, 18 de abril de 2019

AMIGOS DO PEITO (157)


BEBER EM BAR DE AMIGO É A PEDIDA DAQUI POR DIANTE...
Sigo a risca algo dito a mim tempos atrás pelo Marcão, ex-proprietário do Dona Pingueta: "A gente tem que prestigiar bar de amigo, de quem pensa igual a gente e não ficar gastando nossa grana em bares onde além da linha de pensamento é bem outra, o clima idem". Ontem fui conhecer o mais novo bar num dos bairros bauruenses onde já foram palco de homéricos bares, a vila Falcão. Cito dois assim de memória, o Jama e o Pé de Varsa, ambos na rua Campos Salles, esses já nos anais (ui!) dos botequins e com histórias mirabolantes, acontecimentos inenarráveis dentro do cenário da vida sob a ótica de um balcão de bar.

Fabricio Genaro é um perseverante. Por oito anos foi assessor parlamentar dos mais aguerridos, desses que você bota a mão no fogo e não se queima, sujeito pra lá de gente boa, no que essa denominação tem de mais valor. Tem passagem histórica pelo tempo de vida atuando nas hostes junto aos camelôs do centro da cidade, numa inesquecível banca, ponto de encontro e reencontros. Menino bom, morando com a mãe, toca sua vida de uma forma memorável e diante de algo bem ao estilo desses nossos tempos, quando os empregos estão em extinção, acaba fazendo o mesmo que a imensa maioria do povo brasileiro e cria o seu. Enfim, ciente de que, com o currículo que possui, poucos lhe abririam as portas para emprego, abriu um negócio pra chamar de seu, o Bar do Genaro, ali no cruzamento das ruas Wenceslau Brás e Altino Arantes. É muito fácil, no trevo do Relógio de Sol, siga como indo para o campo do Noroeste, essa a Wenceslau e três quadras acima, a esquina com a Altino. Chegou.

Faz uma semana que suas portas estão abertas e ainda está na fase de conquistas, ou seja, portas abertas, mostrando a que veio, cheio de planos e ideias. Reformou aquilo tudo no braço, ele e amigos, como o Silvio Durante. O lugar tem a sua cara, identidade revelada nas fotos espalhadas pelo bar, onde imperam desde o bom e sempre útil Raul Seixas, como bandas como o Rolling Stones e um Mick Jagger com os peitinhos de fora. No balcão interno, algo como mantra, frase lapidar de Fernando Sabino: "Tudo certo no final, se não deu certo é porque ainda não chegamos ao final". Tem pimentas de todos os gostos espalhadas pelos balcões, uma até dentro de recipiente com formato de caveira (essa deve ser da brava).

Estive lá ontem à noite em grande estilo, acompanhado de amigos e conhecidos, para uma noitada num local merecedor de gastarmos o que ainda temos nos bolsos. Como todos eram de sua laia, ele estava integrado ao grupo e além de nos servir, fez parte do grupo. Como está ainda começando e chegamos pouco antes do sol se por, ciente de que sua dispensa ainda está se formatando, sugerimos ir buscar linguiças de variados sabores num açougue, três quadras acima. Churrasqueira desligada, quando chegamos ele cozinhava para degustação própria uns filés de panceta e como filamos a iguaria, sugerimos completar com linguiça e feita nesse objeto hoje muito útil nas cozinhas de tanta gente, o Airflayer. de lá saíram porções, que de 20 em 20 minutos reabasteciam a fome insaciável dos presentes.

Rodada de conversação política e assuntos variados, com cerveja sendo revendida num preço honesto e dentro da necessidade solicitada, estupidamente gelada. O Clube do Bolinha se fez presente e já agendou novas investidas. A próxima se dará sábado agora, quando o lugar abrilhantará sua primeira feijoada, com samba de mesa, sob o comando de mulheres nos instrumentos e voz. Os amigos vão se achegando. Na inauguração, sábado passado, dia de jogo do Noroeste, muitos saíram do campo e ali marcaram presença. Já tem gente, como o fizemos, marcando convescotes reunitivos para o local, tudo pra prestigiar o amigo em início de contenda.

Bar, como é sabido, é lugar de conversas também fúteis e numa delas, os presentes notaram que do outro lado da rua, uma academia de ginástica e no andar de cima, o salão de esquenta, com imensa janela de vidro dando para o salão principal do bar. A música advinda de lá chegava em baixo volume, o que é louvável, mas as imagens de gente, corpo perfeito, malhação rolando solta, na comparação com os sentados nas mesas, além da baba no queixo, uma pitada de inveja ("ainda hei de fazer o mesmo", disse um dos presentes). Lugar aprovado, Genaro no toco, acaba por se transformar no mais novo prisioneiro bauruense, pois de agora em diante, para comparecer a alguns dos nossos atos contestatórios pela aí, só mesmo arriando as portas do botequim.

Seu lugar está tomando forma, tanto que aceita sugestões (desde que não seja para gastar os tubos). Nas paredes deve despontar um painel com fotos da ferrovia, dos trabalhadores dentro das Oficinas da NOB, ali pertinho ou mesmo de gente que fez história na vila Falcão. Surgiu a ideia de uma estante com livros, doados por amigos e para ir multiplicando a leitura. O cardápio será variado, já pensando em fazer frango assado aos finais de semana, comidinhas para grupos específicos e promover a rolança do bate papo descontraído e saudável, algo em falta hoje pela aí. Ou seja, Genaro está na lida, pronto pro que der e vier, aguardando os amigos, chegados, conhecidos e botequinistas variados e múltiplos, pois essa ideia precisa vigorar. Enfim, se a gente vai sair pra beber, que seja em locais como o do Genaro, amigo de quatro costados.

quarta-feira, 17 de abril de 2019

O PRIMEIRO A RIR DAS ÚLTIMAS (70)


A VERIFICAR...


1 - Querem saber mesmo? Não acredito que os caminhoneiros tenham peito suficiente para seguir adiante e promover a greve que o país tanto espera (ainda mais teleguiados como o foram na anterior, por entidades patronais), pois gostam mesmo é de fazer barulho em governos democráticos, onde sabem de antemão nada lhes acontecerá, mas nos que pegam pesado pro lado deles (e está ao lado dos interesses patronais), jogam miudinho, enfim, o buraco é muito mais embaixo. Adoraria queimar minha língua e ter que vir aqui me retratar. A verificar...

O link que me fez escrever: https://outline.com/nBtE8Y

2 - Fui em busca de saber algo mais dessa publicação, a Revista Crusoé, censurada nos tempos atuais. Mesmo no face deles, pouca coisa deles mesmos, mas as publicações anteriores estão todas lá. Independente de quem sejam (mas é sempre salutar saber os nomes, de quem se trata), com o ato, a certeza agora absoluta de estarmos vivendo um estado nada normal de direito, ou seja, pé bem dentro do de exceção. Alguma dúvida de que o bicho iria pegar, ainda mais num declarado desGoverno como o tal, onde as liberdades democráticas valem nada? Se acham que isso é muito, imaginem os senhores (as) o que está por vir com a movimentação para destituir gente horrorosa do STF e em seus lugares a chegada de gente inominável, bem aos estilo dos ministros deste Governo (virão ministros no estilo Damares). O que querem fazer com este país, todos eles, sabemos de cor e salteado e como diz a música, "que saco, eu morro no fim" é a única certeza que tenho. Por causa disto, continuo pagando em dia o Fundo Mútuo Terra Branca, aqui em Bauru, pois, pelo menos, não fará com que meus amigos corram atrás de pagar até meu sepultamento. Se não os derrotarmos enquanto ainda existe alguma chance, seremos em breve sepultados, todos e sem exceção, pois no neoliberalismo deles não existe possibilidade de gente questionadora e a dizer na cara as mazelas produzidas. A informação dentro da verdade factual dos fatos está com seus dias contados. A verificar...

O link que me fez escrever: https://www.facebook.com/revistacrusoe/

3 - Eu adoro a Argentina e volto pra lá todo ano para expor trabalhos acadêmicos (cada ano mais difícil, penoso, custoso e doloroso). São nove seguidos anos e a triste comparação e constatação: se existia desigualdade nos governos de Nestor e Cristina (sim, existia e muito, mas muito diferente da promovida hoje), agora então, no de Macri, incomensurável, descalabro total e absoluto. Governos como o do casal argentino e de Lula/Dilma no Brasil, Correa no Equador, Santos (direitista convicto, mas menos cruel e insano) na Colômbia e até mesmo Evo na Bolívia (ele que saiba se cuidar) não são mais tolerados (o Uruguai, até o momento lá quietinho, também se cuide e se prepare - se arme). Na Venezuela, por ter muito petróleo e não aceitando as condições impostas pelo Grande Irmão do Norte, como ocorreu aqui no Brasil, onde tudo está sendo entregue em esforço, dá-lhe retaliações e embargos variados e múltiplos. Na triste comparação entre Argentina e Brasil, o que me assusta foi ver uma declaração nessa semana de alguém do governo Bolsonaro (não me lembro se dele mesmo), proclamando em alto e bom som que, ocorrências como a da Argentina não podem se repetir no Brasil, ou seja, ele quis dizer que, lá Macri promoveu as transformações sociais muito lentamente e deu no que deu. A intenção é, até para não se repetir a convulsão social lá instalada, gradativa e corroendo o governo por dentro e por fora, fazer tudo de uma só vez ou muito mais rapidamente. Estejamos todos mais do que preparados, pois se enxergam muita insanidade no que Macri fez e faz na vizinha Argentina, aos atuais verdugos instalados no desGoverno brasileiro tentarão agilizar o processo e nos deixar à míngua, nem de pires na mão, mas numa tanga de dar gosto, nus e com a mão no bolso (e já não estaríamos nessa situação?). Para a situação se repetir e a miséria estar instalada por aqui, um pulo, muito mas rápido do que possa imaginar nossa vã filosofia. Tempos de declarada insanidade, sem dó e piedade cravando a estaca no que ainda resta de direitos para os dos andares de baixo e nisso, mesmo eles ainda não tendo percebido, incluída a classe média, uma que adora se mostrar leniente e referendando governos autoritários. A verificar...

O link que me fez escrever: https://www.cartamaior.com.br/?%2FEditoria%2FPelo-Mundo%2FCrise-na-Argentina-a-fome-ja-atinge-a-classe-media%2F6%2F43843&fbclid=IwAR1n0PsyBTZC2icy2w1LUPklvSdJNhO3q1xb5TaJL7A4nCF1SOqyjSRH35E

4 – Tem muito mais, mas preciso continuar limpando o Mafuá e trabalhando, pois o bicho está pegando...

terça-feira, 16 de abril de 2019

RELATOS PORTENHOS / LATINOS (63)


A UBERIZAÇÃO DO MUNDO – CONVERSAS PELA AÍ

Nas utilizações que faço do UBER aqui em Bauru, conversando com motoristas, nenhum deles consegue pagar a Previdência ou algum plano de Privado. Nada, o que fazem é sobreviver, num mundo onde cada vez os empregos assalariados estão escassos, raros e remunerando cada vez menos. A capacidade do poder público oferecer proteção ao trabalhador contra sinistros e a velhice tem diminuído e a tendência, com a aprovação da reforma como proposta pelo desgoverno de Bolsonaro & Cia é agravar ainda mais o problema. O empregador/empresário brasileiro e também latino americano aproveitando-se do sucateamento proposto pelos governos neoliberais nadam de braçada, pois os direitos trabalhistas foram suprimidos, consequentemente a carga tributária cai sensivelmente, ou seja, o patrão recolhe menos, ganha mais e o empregado está cada vez mais desprotegido. No geral esse é o que está em curso no mundo atual, incentivado por Governos desleais para com os interesses populares e das classes trabalhadoras, apoiados por uma mídia massiva a defender a minoria dominante.

Tenho muitos amigos que, sem o trabalho no UBER estariam hoje num mato sem cachorro. Entraram nele como uma tábua de salvação, mas estão cientes de que, algo está errado e o futuro cada vez mais incerto. Se o carro quebra, o custo é somente deles, pois a entidade UBER se isenta de tudo, isso documentado quando do ingresso no modal de trabalho. Se ficarem doentes e impossibilitados de trabalhar, não estarão cobertos e garantidos. Para muitos é o que apareceu e se dão por contentes por estarem trabalhando, pois do contrário, ouço de alguns deles: “O que estaria fazendo nesse momento não fosse isso?”. Trata-se de um problema de grandes proporções, pois os trabalhadores além de estarem praticamente à margem de coberturas garantidoras de um futuro mais tranquilo, pois é como se trabalhassem por conta própria e muitos deles com precárias inscrições de CNPJ, empresas com reduzida contribuição para Previdência. Ou seja, tudo reduzido, tudo piorado, essas as condições propostas pelos empregadores desses novos tempos, os apostando ser isso a tal da “modernidade”.

Dou exemplos de algo que acabo de ler no melhor jornal impresso do nosso mundo, o diário argentino Página 12, em duas matérias sobre um novo formato já em vigor naquele país, no sistema de entregas rápidas, onde os trabalhadores se desdobram para atender o mais rápido possível, pois são penalizados se ultrapassarem um certo tempo e da mesma forma, trabalham sem quase nenhum respaldo de direito trabalhista a lhes defender. Um regime beirando a semiescravidão. Eis os dois textos publicados em 14/04, domingo último e merecendo leitura e entendimento da real situação para onde está sendo levado o trabalhador com a crueldade imposta pelo neoliberalismo. PRECARIZAÇÃO LABORAL MATA:https://www.pagina12.com.ar/187321-la-precarizacion-laboral… e UBERIZAÇÃO DO TRABALHO: https://www.pagina12.com.ar/187232-uberizacion-del-trabajo. Exatamente o que se passa na Argentina é o que já se passa por aqui e se ainda não no mesmo grau de intensidade, isso com desgovernos como os atuais, onde nada é feito em prol dos trabalhadores, isso é mera questão de tempo. Diante de tudo o que se vê sendo sendo feito, a pergunta que não quer calar, o avanço desmedido de empresas, nenhum nacional, todas essas sendo geradas de algum grande centro capitalista e fugindo das regras e leis locais, ficaremos quietos e vendo a banda passar? Quando forem se dar conta, com certeza, será tarde demais. Apoiar regimes como os de Bolsonaro e Macri resulta nisso, perda de direitos e cada vez mais salários achatados, mato sem cachorro. Aprovar a reforma da Previdência como se apresenta é só mais um degrau na degradação pela frente.

segunda-feira, 15 de abril de 2019

DOCUMENTOS DO FUNDO DO BAÚ (128)


OS TEMPOS ATUAIS EXIGEM REAÇÕES À RUBEM FONSECA – COMO O PERSONAGEM “O COBRADOR” RESOLVE SUA DOR DE DENTE E EU A MINHA

Dia penoso para meu problema dentário. Justo hoje, a coisa se agravou e tomo conhecimento minha dentista baixa em Paris, viagem de 20 dias. Diante de algo as ser resolvido agora, imediatamente, ela lá longe, tento outras alternativas e com todas à mesa, relembro de um conto de Rubem Fonseca, justamente o que dá nome a um de seus livros mais famosos, “O Cobrador” (1979), quando seu personagem principal, uma espécie de vingador sanguinário, faz das suas, sem dó e piedade. Um “vingador não apenas da divisão de classes, mas também da violência simbólica”. Vou nas estantes do Mafuá e fico todo contente, pois o livro resistiu à enchente e dele extraio seu texto inicial, justamente o que me deu vontade de fazer para resolver a questão do meu problema dentário. Eis o que veio à mente:

“Na porta da rua uma dentadura grande, embaixo escrito Dr. Carvalho, Dentista. Na sala de espera vazia uma placa, Espere o Doutor, ele está atendendo um cliente. Esperei meia hora, o dente doendo, a porta abriu e surgiu uma mulher acompanhada de um sujeito grande, uns quarenta anos, de jaleco branco.

Entrei no gabinete, sentei na cadeira, o dentista botou um guardanapo de papel no meu pescoço. Abri a boca e disse que o meu dente de trás estava doendo muito. Ele olhou com um espelhinho e perguntou como é que eu tinha deixado os meus dentes ficarem naquele estado.


Só rindo. Esses caras são engraçados.

Vou ter que arrancar, ele disse, o senhor já tem poucos dentes e se não fizer um tratamento rápido vai perder todos os outros, inclusive estes aqui – e deu uma pancada estridente nos meus dentes da frente.

Uma injeção de anestesia na gengiva. Mostrou o dente na ponta do boticão: A raiz está podre, vê?, disse com pouco caso. São quatrocentos cruzeiros.

Só rindo. Não tem não, meu chapa, eu disse.

Não tem não o que?

Não tem quatrocentos cruzeiros. Fui andando em direção à porta.

Ele bloqueou a porta com o corpo. É melhor pagar, disse. Era um homem grande, mãos grandes e pulso forte de tanto arrancar os dentes dos fodidos. E meu físico franzino encorajava as pessoas. Odeio dentistas, comerciantes, advogados, industriais, funcionários, médicos, executivos, essa canalha inteira. Todos estão me devendo muito. Abri o blusão, tirei o 38, e perguntei com tanta raiva que uma gota de meu cuspe bateu na cara dele – que tal enfiar isso no seu cu? Ele ficou branco, recuou. Apontando o revólver para o peito dele comecei a aliviar o meu coração: tirei as gavetas dos armários, joguei tudo no chão, chutei os vidrinhos todos como se fossem bolas, eles pipocavam e explodiam na parede. Arrebentar os cuspidores e motores foi mais difícil, cheguei a machucar as mãos e os pés. O dentista me olhava, várias vezes deve ter pensado em pular em cima de mim, eu queria muito que ele fizesse isso para dar um tiro naquela barriga grande cheia de merda.

Eu não pago mais nada, cansei de pagar!, gritei para ele, agora eu só cobro!

Dei um tiro no joelho dele. Devia ter matado aquele filho da puta”.

Assim começa o livro do Rubem Fonseca, uma eletrizante leitura, essa reação que o "fudido" um dia tem na vida diante de tanta coisa martelando e zunindo na sua cabeça. O seu Dia de Fúria. O meu não foi hoje, nem será amanhã, mas vontade não me falta, ainda mais diante desse maldito momento em que enfiaram o país. A gente tem que se segurar pra não fazer loucuras, uma atrás de outra. Comedido, contido, atado dos pés à cabeça eu lembro da estória do livro e com ela prossigo com minha dor de dente, sem coragem para cometer loucuras. No exato momento em que vou me deitar, leio a mensagem deixada no meu whatts pelo atendente de plantão da clínica: “Vamos agendar para moldar amanhã?”. Durmo com analgésico e esqueço momentaneamente da solução que O Cobrador deu para seu problema. Sou mesmo um bosta.