sábado, 29 de agosto de 2026
meus caros e caras, NÃO ME AMOLEM, ESTOU LENDO, PÔ!!!
Quando eu estou sem vontade - como neste momento - de nada fazer, eu me tranco no meu quarto, finjo não escutar a Ana Bia batendo na porta e me ponho a ler. Tenho um livro para terminar, faltam menos de 30 páginas e nessas ocasiões, não me peçam para fazer nada, nem mesmo quando ela insiste que tenho que ir na padaria buscar algo que faltou para preparar o almoço. Não quero ir. Tenho ainda umas 30 páginas desse livro do Gregorio Duvivier, o cara engraçado do Porta dos Fundos, que a Cia das Letras, reunindo suas crônicas semanais para a Folha de São Paulo, juntou tudo num livro lançado em 2014 e que, por algum motivo, acabou lá nas prateleiras do sebo do Bau. Foi um achado, destes só possível para quem vasculha tudo. O Roberto, lá do Bau, vendia tudo a R$ 10 reais, depois baixou para R$ 5 e depois a R$ 2, agora tudo por R$ 1,50. Tem que garimpar. Acho que arrebanhei este por R$ 2, pois como vejo vez ou outra o Porta dos Fundos, sei ser de uma pegada que gosto, disse pra mim mesmo; "seu texto deve valer a pena". E vale, mas nem todas as curtas crônicas. Tem umas chatas, mas eu também passo por isso. Eu peguei essa mania de escrever todos os dias e assim sendo, tem dias saindo maravilhas e noutros, nem merda sai. Mas continuo produzindo, ou melhor, espelindo, parindo-as assim mesmo. O Gregório deixou isso bem explícito lá em algumas de suas crônicas. Tem dias que não bate a inspiração necessária para escrever nada, mas como quero continuar publicando um texto por dia, em algumas ocasiões, acabo parindo textículos (sic), muitos me envergonhando. Então, escrevia aqui disso de estar terminando um livro e quando isso acontece, procuro não atender nem telefone. O livro dele se chama "PUT SOME FAROFA", algo assim, como comer com a boca cheia de farofa e querer conversar. Eu tenho uma amigo jornalista que é assim, ele conversa com a cara encostada na sua e expele na sua todos os dejetos que tem dentro da boca. Estou tentando se aproveitar de fragmentos expelidos pelo Gregorio. Até grifei alguns. Sou assim, dizem estragar meus livros, pois não resisto, grifo todos. Este só mais um deles. Quando você visitar meu Mafuá, folheando livros espalhados alheatóriamente por lá, perceba logo de cara os que já li, pois estarão todos grifados com canetas marca texto. Os lisos estão na fila. Um dia, quemsabe, os lerei. O do Gregorio não ficou muito tempo. Trata-se de crônicas curtas, pois o espaço dado a ele semanalmente lá na Folha - que deixei de ler pela pusilamidade editorial - ser pequeno. Condensa tudo em poucas linhas e assim como faço aqui no blog/Facebook, cravo o que me dá na telha. Compartilho aqui uma frase escrita por ele, que tem muito a ver com o que passo diariamente, nessa ânsia de escrevinhar algo todo santo dia: "Durante a semana eu tenho várias ideias pra crônica. Mas nunca tenho nenhuma no sábado, que é quando eu tenho que escrever a crônica. Você deve estar me pérguntando: por que é que eu não escrevo a crônica duarnte a semana, no momento exato em que eu tenho uma ideia para escrever a crônica?". Pensando nisso, ando de uns tempos para cá com um caderninho nas mãos, onde anoto tudo o que penso e logo na sequência, se não tiver anotado, esqueço. Com algum rabisco anotado, lembro e assim fica mais fácil continuar escrevinhando. Isso que escrevo agora não tinha anotado e o faço, pois as batidas na porta são persistentes e desta forma não venço as tais 30 páginas. Paro aqui, pois me faltam meras 30 páginas do livro do Duvivier pra terminar e a Ana me apoquenta, é o tal do negócio que tenho que ir buscar lá na padaria. Enfim, eu adoro me trancar no quarto e fica rescrevinhando abobrinhas, como agora. As manhãs de sábados são ótimas para divagações filosóficas e perdições, escritas um tanto sem sentido e nexo. Viva o proporcionado pelo texto do Gregorio!
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