terça-feira, 10 de novembro de 2020

DOCUMENTOS DO FUNDO DO BAÚ (150)


MARCELO BORGES, PRÓCER TUCANO SE FOI AOS 62 ANOS
Marcelo era diferente de tudo o que temos de oposição - ao que eu represento, ele foi situação por muito tempo - em Bauru. Primeiro, alguns amigos me confirmam ter sido a ficha nº 1 do PT na cidade - existe controvérsias - e depois todos os descaminhos, quando se aliou aos tucanos, participando de todo o desastre na sequência, seguindo perfilado até este momento, quando se encontrava no ostracismo, cuidando de sua defesa em atividades pouco honrosas onde havia se metido. Reafirmo, ele foi diferente, pois muitos destes tucanos e outros adversários, enxergavam os do lado de cá como verdadeiros inimigos e nem se davam ao demérito de cumprimentar desafetos. Ele não, pois continuava conversando e trocando opiniões.

A primeira lembrança dele, uma vez que estive fora de Bauru no final dos anos 80, começo dos 90, trabalhando fora da cidade, foi dele ao me ver por aí esbravejando, num destes encontros, que não me lembro qual veio até mim e disse: "Você está trabalhando dentro de qual instituição mesmo?". Ele me achava enfurnado numa Cohab, Cesp ou qualquer outra. O desapontei, dizendo trabalhar por conta própria, o que impedia algum tipo de retaliação ou mesmo perseguição. Depois nos aproximamos, afastamos, digladiamos, mas sempre mantivemos contato. Inesquecível quando ele, muito tempo depois de ter sido vereador, estava ali no Mosquim, a Bauru Cópias, na rua Rio Branco, tirando cópia de seus projetos e me disse: "Você não imagina o barulho que produzia o Guardião, principalmente aquele quando nos colocou, eu e o Segalla como Duas Caras". Naquele dia ele tentou me explicar os seus motivos lá no Residencial Pamplona. Tinha as plantas nas mãos. Disse que, o melhor era não se explicar a mim, mas para a cidade num todo. Ele tentava fazer isto, pois de algo tenho certeza, lá naquele grupo tem personagens muito mais nefastos e perniciosos que ele. Muito mais.

Em outras oportunidades, encontros casuais, conversávamos numa boa, ele especulando, assuntando, trocando opiniões. Fez assim com muitos, a maioria gente que havia militado ao seu lado quando na oposição. Ele se tornou situação, defendeu FHC, Aécio, Alckmin e tudo o mais. Não havia como estar ao seu lado, mas Marcelo não queria perder o vínculo, algo bem diferente de gente como o Ladeira, Lourenço e mesmo Pedro Tobias, por exemplo. Roque me dizia sempre ter sido ele uma pessoa do outro lado lá na Câmara, dentre tudo o que lá existia, dos poucos onde dialogava, conseguia estabelecer conversas aproveitáveis. Essa a imagem que mantenho dele, alguém que gostava de dialogar. Até hoje não sei ao certo e creio ter alguma razão, ele se bandeou para o outro lado, mas sabia estar errado, pois sempre manteve conversas e amizades divergentes. Foi, mas mantinha laços, um pé do lado de cá. Esteve metido em ações lamentáveis e nem por causa disto deixava de conversar, se explicar e tentar dialogar. O hábito sempre foi mantido.

Guardo isso do Marcelo. Certa feita se insurgiu contra mim, quando ainda vereador, me chamando a mim outros dois que lá na Câmara protestávamos (eu, Tristan e Ademar) de os Três Patetas. Anos depois me parou na rua, rimos da situação daqueles dias, foi como um pedido de desculpas. Ele era propenso a atos dessa natureza. Ontem, Marcelo se foi, cedo, pois com 62, ainda tinha lenha para queimar. O fato é que, mesmo ele, militando pela direita, se achava cansado - no caso dele, pelas escolhas feitas, algumas lhe trazendo transtornos - e sem esperanças, pois homem de visão, sabia muito bem, dos erros e culpas cometidos pelo que defendia. Mesmo ele tendo sido pérfido em alguns momentos, não nutro nada além de neste momento, sentir falta das conversas, daquele seu jeitão de se aproximar e estar enfurnado junto de todos os em outro campo político - veja bem, ele não se perfilava, como nós, junto a muitos dos perversos predadores que hoje pululam pela aí. Marcelo, mesmo com tudo de ruim, deixa muita saudade. Poucos são os predispostos à boa conversa hoje em dia, ele era conversador.

OBS.: A última vez que o vi e com ele conversei, naquele dia muito rapidamente, foi no Bar do Genaro, quando Gilberto Maringoni lá esteve hablando sobre sua trajetória e ele lá esteve pelo mesmo motivo que eu, ouvir e conversar (A foto antiga, dele junto a petistas, Apolônio de Carvalho e Lula, faz parte do maravilhoso, único e histórico arquivo pessoal de Pedro Romualdo - o que possui vale quase por um museu inteiro).

LEI ALDIR BLANC É CONVERSA PRA BOI DORMIR
Sempre fui cético a sua aplicação. Ela existe, está aí, lei publicada e todas as cidades brasileiras fazendo de tudo e mais um pouco para se enquadrarem e fazer jus ao recebimento de valores possibilitados. Desconheço quem já o tenha conseguido e se alguns conseguiram, ufa!, serão poucos, enfim, a intenção é essa mesma, poucos receberem algo, para depois quando encerrarem tudo, poderem apregoar em alto e bom som, "implantamos a possibilidade, mas vocês, agentes culturais não se mostraram à altura para conseguir usufruir e agora, prazo encerrado, a disponibilidade está encerrada". São pérfidos até a medula. Ou seja, muito simples, bobo de quem acredita em algo deste desGoverno bolsonarista, ainda mais em área cultural.

Digo e afirmo isto embasado em tudo o que vejo, leio e me informo. Ontem mesmo o ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio afirma categoricamente que, "o auxílio ao setor cultural não terá continuidade no pós-pandemia, é para este momento e não existe planos de continuidade ou programa análogo". Entenderam? Está tudo tão claro. Passado quase nove meses de pandemia ninguém recebeu nada, a pandemia para eles deve perdurar somente até o final deste ano, quando encerrarão os estudos e quem conseguiu conseguiu, quem não conseguiu sifu.

Apregoaram ser 3 bilhões para pagamento de auxílio emergencial, que até o momento não veio a trabalhadores da cultura, além de subsídios para espaços culturais, editais e prêmios. Com gente como Bolsonaro tomando conta das chaves do cofre, do secretário especial da Cultura, o inculto Mario Frias, o militar presidente da Funarte Lamartine Holanda e mesmo o já citado ministro do Turismo, tenham absoluta certeza, fomos todos engambelados, ludibriados, nos passaram mais uma vez a perna, pois acreditamos em história de carochinha, na boa vontade de pérfidos. Caíamos todos na real, pois já cansei de perder tempo com algo que, decididamente não ocorrerá. O que temos que todos fazer, bem unidos, coesos e compactos é combater esse desGoverno que tanto nos prejudica, apunhala e aniquila. Desculpe, mas reafirmo o que venho dizendo há muito tempo, a Lei Aldir Blanc nunca existiu!

Em tempo: O que mais gostaria de ver acontecer neste momento é queimar minha língua, mas pelo que vejo, isso não ocorrerá. Torcia para isso, mas até isso já descarto. E abomino o uso que fizeram do nome de Aldir Blanc para algo tão pérfido.

UFA! VENTANIA DE ONTEM EM BAURU NÃO DERRUBA SOMENTE ÁRVORES E ASSOPRO DEVERIA SER DADO PARA DERRUBAR LÍDER DAS PESQUISAS
Ontem no final da tarde uma ventania tomou conta de Bauru e assustou tudo, todas e todos. Coisa feia. Árvores caiam no meio de algumas ruas, algo desolador e no qual as pessoas pouco podiam fazer alguma coisa, a não ser se proteger e esperar a intempérie da natureza se dissipar. Em algumas região, o vento veio com um apagão nas luzes - nada igual ao que acontece hoje em Roraima -, deixando parte da cidades às escuras até por volta das 22h. Todos cheios de precauções. Até a campanha eleitoral na cidade parece ter tido um certo arrefecimento, devido às dificuldades de circulação durante a passagem dos ventos. Anunciava chuva, ela não veio e o que pode ainda vir, esse para o bem desta cidade é outra queda, a do entusiasmo desta cidade para com o candidato Raul, um que já foi verde, já foi amigo do amigo do atual prefeito, o Clodoaldo Gazzetta II, hoje finge não ter nada parecido com ele e adora ser chamado, denominado e citado como Doutor. O gajo ainda continua nas graças desta cidade, mas como o esfrega final da campanha está na sua fase final, ou os adversários investem no vento contrário contra os malefícios dele ser eleito, ou depois de nada adiantará reclamar, pois se lá chegar, assim como a desgraça que se abate sobre o país, a praga bolsonarista, quatro anos de percalços.

O vento forte que poderá abalar as estruturas construídas não se sabe bem como, só serão desanuviadas se algo for feito já e com coragem. Candidatos que se opõe à essa chegada ao poder, como Jorge Moura PT, Gerson do PDT, Renata do PSOL e Crusco do PCO, dos quatorze no páreo precisam mostrar a que vieram e cravar algo contra o que está em construção para governar a cidade nos próximos anos. É agora ou nunca. Faltam três dias de campanha eleitoral pela TV e se nada for feito, estarão jogando a toalha, o que é lamentável. Campanha política é também confronto e isso pouco está ocorrendo nesta. Sem debates e tudo sendo justificado por causa da pandemia, estes que possuem telhado de vidro e poderiam ser alvos de críticas mil e confrontos olhos nos olhos, estão rindo à toa. Se nada ocorrer no horário eleitoral de hoje, vejo que nada mais ocorrerá e nem a ventania, ainda possível, derrubará quem de fato deve ser vergado, podado e posto no chão. A ventania não fará nada sozinha sem a ajuda destes candidatos, os únicos que se opõem ao que se avizinha como desGoverno bauruense. E aí, vão assoprar a coisa ou deixar tudo como está? Reclamar depois de nada adiantará. Tá tudo morno demais e desse jeito, sem vento forte nada se quedará...

Um comentário:

Marcos disse...

Pensei bem se faria esse comentário, fiquei reticente mas acho pertinente se algo de reflexão sair dele, embora não alimento mais esse tipo de esperança.

Gostaria de nunca ter que escrever um texto sobre sua partida porque quase tudo que escreveu do lado e das escolhas do Marcelo é exatamente nessa mesma situação que se encontra politicamente.

Talvez seja mais fácil eu partir primeiro.

Camarada Insurgente Marcos