sábado, 26 de janeiro de 2019

MÚSICA (169)


PARA ESPAIRECER DIANTE DE TUDO O QUE FAZEM AO PAÍS, O ALENTO VEM DA MÚSICA*
* Vá ouvindo aos poucos, em drops, entendo a mensagem servindo para os dias de hoje e tente como eu, continuar vivo nessa bagunça dos dias atuais. A proposta é ir, abrindo o acervo do Mafuá e mostrando uma por dia as de minha preferência. Aqui alguns exemplos:

1.) “QUEM SÓ ESPERA NÃO ALCANÇA”
Num momento de luta e resistência nada como pegar aqui na estante e colocar pra rodar na vitrolinha a canção de luta produzida por TAIGUARA. Escolho do CD, “BRASIL” (Movieplay, 1994), A “CAVALEIRO DA ESPERANÇA”, dedicada para Luiz Carlos Prestes. Ouvindo isso e sem sair da trincheira de luta, expondo as sacanagens do momento e propondo a devolução do Brasil aos brasileiros.
Eis o link encontrado no youtube: https://www.youtube.com/watch?v=Wjo8yBnKtzE

Quem só espera não alcança/ Mas quem não sabe esperar/ erra demais, feito criança/ Cai. E até se entrega ou trai./ E cansa de lutar./ O Cavaleiro da Esperança / faz a hora acontecer/ Faz punho armado/ Faz punjança/ Mas combate pela paz/ pro povo não morrer./ Pois Ogum Guerreiro não morre/ prestes a encontrar/ uma estrela d'alva para nos guiar./ É soldado alerta. É São Jorge/ prestes a enfrentar/ o dragão do mal/ que quer nos matar.

2.) "EU JUREI ATRAVESSAR O MAR"
SELMA REIS é uma artista que conheci pelo vozeirão. Tenho delas todos os LPs e a maioria dos CDs. Assisti dois shows, um no Rio, no Largo da Carioca, sol do meio dia, nos tempos que a Prefeitura carioca bancava projetos musicais em praça pública. Depois ela veio em Bauru, numa memorável noite no SESC (sempre ele, hem!), onde acabei ficando amigo internético dela e sempre conversávamos, até o dia em que, inesperadamente veio a falecer. Escolho para ouvirmos juntos do CD "TODO SENTIMENTO" (Warner, 1995), uma música com o toque suburbano, a "EMOÇÕES SUBURBANAS" (Altay Veloso e Paulo Cesar Feital, ambos do outro lado da baía, um de São Gonçalo e outro de Niterói). Na voz dela essa canção ganha uns contornos pra lá de divinais. Sintam o clima ouvindo esse clipe encontrado no youtube: https://www.youtube.com/watch?v=Q2xr1POIN-I

Às vezes/ Morro por cantar demais/ Nasci assim/ Suburbanamente/ Me fiz confidente/ Das àguas do cais/ Poetas/ São meus guias naturais/ Seres tão abissais/ Que eu nem sei mais/ Se reencarnarão outra vez/ Nas águas do cais/ Eu jurei/ Atravessar o mar/ Nas asas do albatroz/ Eu jurei/ Que ia chegar a deus/ E aos meus com minha voz/ E agora que eu cheguei/ Ouço gemer nas embarcações/ A voz das nossas canções/ Num mar que eu não naveguei/ Jamais me entregarei/ Ao som das "ondas" musicais/ Poetas vivem no cais/ Das minhas emoções.

3.) "A MARÉ NÃO TÁ BOA VAI VIRAR A CANOA"
Hoje busquei para colocar pra rodar aqui na vitrolinha um CD desses remasterizados, um com o QUARTETO EM CY, lindinho demais da conta, onde só cantaram composições de nada menos que Chico Buarque de Hollanda. Trata-se do CD "CHICO EM CY - QUARTETO EM CY" (1991) e a escolhida foi "TAMANDARÉ", uma sobre o almirante do mar (ou seria marquês?) e a faço nesse momento até para comparar com isso da "maré não estar muito boa para alguns condecorados". Sintam a firmeza dessa letra, algo só possível mesmo com o cabedal de um Chico Buarque, um dos melhores letristas deste país.

Eis o link de Tamandaré: https://www.youtube.com/watch?v=kubDXfi5ASA

Zé qualquer tava sem samba, sem dinheiro/ Sem Maria sequer/ Sem qualquer paradeiro/ Quando encontrou um samba/ Inútil e derradeiro/ Numa inútil e derradeira/ Velha nota de um cruzeiro./ "Seu Marquês", "Seu" Almirante/ Do semblante meio contrariado/ Que fazes parado/ No meio dessa nota de um cruzeiro rasgado/ "Seu Marquês", "Seu" Almirante/ Sei que antigamente era bem diferente/ Desculpe a liberdade/ E o samba sem maldade/ Deste Zé qualquer/ Perdão Marquês de Tamandaré/ Perdão Marquês de Tamandaré./ Pois é, Tamandaré/ A maré não tá boa/ Vai virar a canoa/ E este mar não dá pé, Tamandaré/ Cadê as batalhas/ Cadê as medalhas/ Cadê a nobreza/ Cadê a marquesa, cadê/ Não diga que o vento levou/ Teu amor até./ Pois é, Tamandaré/ A maré não tá boa/ Vai virar a canoa/ E este mar não dá pé, Tamandaré/ Meu marquês de papel/ Cadê teu troféu/ Cadê teu valor/ Meu caro almirante/ O tempo inconstante roubou./ Zé qualquer tornou-se amigo do marquês/ Solidário na dor/ Que eu contei a vocês/ Menos que queira ou mais que faça/ É o fim do samba, é o fim da raça/ Zé qualquer tá caducando/ Desvalorizando/ Como o tempo passa, passando/ Virando fumaça, virando/ Caindo em desgraça, caindo/ Sumindo, saindo da praça/ Passando, sumindo/ Saindo da praça/ Passando, sumindo.

4.) "VÁ SEMPRE EM FRENTE NEM PENSE"
Apaixonado por futebol, confessei outro dia por aqui que daqui por diante só torço para os perdedores ou os que estiverem disputando campeonatos em campos sem a pompa de serem "Arenas". Daí sempre serei noroestino, o time de minha aldeia. Hoje o Norusca adentra o campo às 18h30 na série AIII do Paulistão e estarei atento a todos os detalhes. Enquanto o jogo não começa, descolo aqui na estante um CD sobre o tema futebol, um de cantante com vozeirão pra lá de estonteante, o PEDRO LIMA, no "Futebol Musical Brasileiro Social Clube" (Brazil Musical, ). Já tinha dele outro CD, o "Carioca" que não me canço de ouvir. Não existe voz igual a dele. Mais que ótima. Escolho para escutarmos juntos algo do imortal GONZAGUINHA, o "GERALDINOS E ARQUIBALDOS", que fala de tudo em pouco e assim resvala no tema futebol, mas dá um toque pra gente de outras tantas coisas, muito pertinentes nos dias de hoje.

Eis o link para ouvir a belezura: https://www.youtube.com/watch?v=6JaIp59Iiw8

Mamãe não quer... não faça/ Papai diz não... não fale/ Vovó ralhou... se cale/ Vovô gritou... não ande/ Placas de rua... não corra/ Placas no verde... não pise/ No luminoso... não fume/ Olha o hospital... silêncio/ Sinal vermelho... não siga/ Setas de mão... não vire/ Vá sempre em frente nem pense/ É Contramão/ Olha cama de gato/ Olha a garra dele/ É cama de gato/ Melhor se cuidar/ No campo do adversário/ É bom jogar com muita calma/ Procurando pela brecha/ Pra poder ganhar/ Acalma a bola, rola a bola, trata a bola/ Limpa a bola que é preciso faturar/ E esse jogo tá um osso/ É um angu que tem caroço/ É preciso desembolar/ E se…

5.) "OLHO GRANDE EM MIM NÃO PEGA"
Num dia onde o filho do homem está tornando o ar irrespirável e Brumadinho traz à tona a mais nova tragédia do país, boto a cara pra fora da janela e tudo correndo na maior tranquilidade, como se nada estivesse em curso, daí como percebo não vai ocorrer nenhuma revolta popular a virar essa mesa, resolvo apelar pro santo. Saco da estante aqui no mafuá o CD "À VERA" (Universal, 2015), do grande sambista ZECA PAGODINHO e boto pra rodar até gastar o "PRA SÃO JORGE". Pedindo ajuda pro santo guerreiro, mesmo tendo perdido a fé em qualquer tipo de divindade religiosa. Vale o misticismo de alguém que luta com a lança na mão e segue enfrentando seus dragões...

Eis o link: https://www.youtube.com/watch?v=FpM1tJ5yef4

Vou acender velas para São Jorge/ A ele eu quero agradecer/ E vou plantar comigo-ninguém-pode/ Para que o mal não possa então vencer/ Olho grande em mim não pega/ Não pega não/ Não pega em quem tem fé/ o coração/ Ogum com sua espada/ Sua capa encarnada/ Me dá sempre proteção/ Quem vai pela boa estrada/ No fim dessa caminhada/ Encontra em Deus perdão.

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