domingo, 15 de fevereiro de 2026

 ALGO MAIS DO CARNAVAL DE BAURU E MEU RETORNO PRA FEIRA DO ROLO

MEU REENCONTRO COM A FEIRA DO ROLO, ALGUMAS CONVERSAÇÕES
Depois de mais de vinte dias fora de Bauru, andanças pela aí, eis que estou de volta, cansado e numa manhã de domingo, voltando para o lugar onde bato cartão todo domingo: a banca de livros do Carioca, na Feira do Rolo. O filhão HA em Bauru e eu enrolado com as coisas do Carnaval, hoje acordo e digo quero passar a manhã toda ao seu lado. Marcamos, ou melhor, ele marca e o lugar escolhido por ele é este, onde sabe estaria com toda certeza, lá junto do furdunço do Carioca.
Eu chego atrasado e me demoro até chegar ao local, pois vou esbarrando em tanta gente conhecida, que se bobeasse ficaria horas entretido com essas prosas de rua. Consigo chegar e ele já estava por lá com três belos livros separados. Nos abraçamos e entabulamos uma lonha conversação sobre este assunto que tanto nos arrebata: livros.
Quem por lá assunta de nossa conversa e nela se insere é outro aforador de rua, velho conhecido bauruense, o RENATO BRAGAIA, fotógrafo de velha cepa, que por anos manteve na cidade a Loja dos Fotógrafos. Muitos filmes revele com ele, num passado, hoje já distante e vê-lo todo pimpão, alegre e sorridente, do alto de mais de 75 anos é bom demais. Nos vê comprando livros e diz que sua adoração são por DVDs de filmes. Compra sempre alguns do Carioca. Este conhecendo seus clientes, sabe o gosto de cada um, separa alguns que já sabe serão deles, como faz comigo com alguns livros. Hoje me presenteou após comprar três e pagar os três do filho, com uma contando a história do "Um homem chamado Maria", do boêmio carioca Antonio Maria, um dos barbarizou a noite carioca nos anos 50/60.
Eu queria ficar com o filho, mas ficamos ali ouvindo algo mais do que o Bragaia tinha para nos contar. Ele, como eu, mantemos muitos CDs/LPs, ou seja colecionamos, juntamos coisa velha, essas que quando os botamos pra rodar, movimentam bocadinho nossas vidas. Bragaia e eu pegamos gosto por bater perna em lugares, com a banca do CArioca, escolhidos a dedo, pois ali, com certeza, encontaremos gente para trocar boa prosa. E como sabemos, ninguém como nós, vivem sem uma boa dose de prosa diária.
As histórias do Bragaia merecem uma conversação mais prolongada, que farei qualquer dia destes. Hoje, a manhã era para prosear com o filhão. Comemos pastel, tomamos suco de laranja, entabulamos mais prosa com o Barba, o do bar ali na esquina e este nos conta que, hoje não tem cerveja pra vender, pois comprou o estoque para este domingo, mas precisando pensar mais do que nosdias rotineiros, bebeu o estoque todo. Histórias assim permeiam a vida dos quadrilateros da feira.
Sumo com o filho para continuar uma prosa só nossa, entre pai e filho, confidências lietrárias. Ele anda lendo muito mais que este velho lobo das estepes e quando desata a contar minúcias de suas leituras, chego ao orgasmo total. Como é maravilhoso ter um filho que gosta de ler. Trago um outro de presente para ele e uma revista com as novidades do HQ mundial. Sentamos numa canto do mundo e ali trocamos figurinhas, como mais gosto de fazer. Um assunto puxa o outro, tanto que, num dado momento ele é chamado para ir almoçar com sua mãe e eu com a esposa.
Hoje deixei muitas conversas parar trás lá no ambiente sadio e profícuo da feira, pois estava acompanhado e não podia parar nas rodas todas. Senti que alguns assuntos vibravam, loucos para extrapolar, porém, não podiam contar com minha participação. Quando junto do filho, esqueço do resto do mundo. Ele me envolve com sua prosa mansa e hoje saio dela, com mais um papel nos bolsos, cheio de indicações de leitura, de temas para pesquisa, algo a me tomar o tempo até o próximo reencontro. Tem coisa melhor na vida que isso, estar de bem com o filho e com ele desfrutar de algo em comum, maravilhamento da vida de ambos?
OBS.: Na foto, eu, Bragaia, o ex-cunhado Agricio Macario e o filhão. Faltou o Carioca, ou melhor, deve ter sido ele quem tirou a foto.

Nenhum comentário: