terça-feira, 31 de dezembro de 2013

ALGO DA INTERNET (80)


COISINHAS POUCAS ANTES DOS ROJÕES ESTALAREM NO AR
O ANO VELHO ESTÁ SE ESVAINDO POR ENTRE NOSSOS DEDOS e, por mais que tente, não tenho nada de novo para escrever. Como estou para desligar meu computador e só o religar em 2014, se sobreviver há tudo o que me espera nas próximas horas, espero reencontrá-los todos aqui mesmo nesse bat canal, cada um trilhando a boa luta, esgrimando em defesa de causas nobres e procurando ser o menos injusto possível, sensatez sempre em alta e lutando sempre pelo Brasil num todo, pois se ele for mal, com certeza o seremos. Desculpe qualquer coisa, mas eu sou assim mesmo, briguento, turrão, "apenas um latino-americano, sem dinheiro no banco, sem parentes importantes"... Em 2014 vou continuar aprontando e você? (tira do Rep, giliteada do diário Página 12 de hoje).

O VELHO CHICO IRIA FALAR MAL, MAS FOI COERENTE NO RODA VIVA
Assisti ontem ao RODA VIVA na TV Cultura, quando mais uma vez o impertinente Augusto Nunes convidou alguém para descer a lenha sem dó e piedade no atual Governo Federal ( pratica usual do que se transformou o programa). Um horror isso do pau mandado do estadual descer a lenha sem dó e piedade no federal. Quem sentou diante da bancada de convidados foi o intelectual marxista, sociólogo CHICO DE OLIVEIRA, 80 anos. Ele já apoiou Lula, o PT e hoje se encontra numa posição de criticidade, esse o motivo do convite, para segundo a direção do programa encerrar com fecho de ouro o ano de 2013. O tiro saiu pela culatra. Chico falou o que tinha que ser falado sobre o PT e o atual Governo, mas o disse com honestidade. Não a crítica pela crítica, mas a crítica no momento exato, oportuno e sem elevações desnecessárias de tom. Num momento desferiu algo assim: “Veremos daqui há dez anos o que vai dar essas privatizações de hoje. Monopólio estatal que se transfere para monopólio privado nunca dá certo”. Ótimo. Na bancada dos entrevistadores, cito somente três pessoas, pois os demais não merecem citação: Paul Singer, Carlos Guilherme Mota e Férrez. Os demais tentaram junto com o entrevistador elevar o tom da crítica, mas nas respostas do Chico, foram obrigados a baixarem o tom, afinal ele era o entrevistado. De tudo, uma citações pinçada ao léu da entrevista, a mais importante do programa. Quando perguntado sobre a eleição do ano que vem: “A Dilma ganha fácil, pois a oposição é muito pior que ela. (...) A oposição não tem eixo para martelar junto à população. É mais pela fraqueza das oposições que eu acho que essa eleição está decidida”. Dito isso se lembrou de alguém que não me esqueço jamais, LEONEL BRIZOLA (como é bom a lembrança de gente como Brizola), quando citou a famosa frase: “Se saem bem porque possuem a oposição que todo governo gostaria de ter”. Daí eu confesso ter divagado e viajado nas estrelas até o final do programa, relembrando coisas, frases e passagens onde o velho Briza desferia certeiros petardos. O velho Chico ontem foi no cravo e na ferradura. Gostei mais pelas caras e bocas do Augusto Nunes e de um cara lá da Folha de SP, que tentava rebater, mas não deu, a COERÊNCIA VENCEU.Assistam a entrevista inteira aqui: 
http://www.youtube.com/watch?v=7OHNWC-ITmM
O DEPUTADO ESTAVA ONTEM COM O GOVERNADOR INAUGURANDO CASAS EM PIRATININGA E SOLTANDO FARPAS CONTRA O MAIS MÉDICOS E O MINHA CASA MINHA MINHA VIDA. O DEPUTADO NÃO SE ENXERGA, POIS FOI POR CULPA DE GENTE QUE ELE COLOCOU ERRADAMENTE NA SAÚDE QUE HOJE VIVEMOS UMA DAS PIORES SITUAÇÕES NESSE QUESITO EM BAURU. PEDRO TOBIAS NUNCA MAIS!!!!!!!!!!!!!!!

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

DOCUMENTOS DO FUNDO DO BAÚ (60)


ARRUMAÇÃO, UM ACHADO PRECIOSO E A PROMESSA PARA 2014 - FAZER COMO ISAÍAS DAIBEM
Penúltimo dia do ano, eu permaneci quase o dia todo enfurnado aqui pelos lados do mafuá e atarefado com uma arrumação. Caixas e caixas de papéis postadas em cima de um velho sofá e papéis sendo descartados, muita coisa de trabalhos antigos, extratos de bancos, contas pagas e recortes de jornais, isso aos montes. Cada um possui um significado, um motivo mais do que especial para ter sido recortado e guardado. Cada um possui uma história só dele. A parte mais difícil é essa, a de recordar o motivo pelo qual foi guardado e se é merecedor, diante dessa minha nova avaliação, a graça de permanecer mais um tempo guardado (sic) aqui no recinto onde tudo está encerrado, que carinhosamente dei o nome de mafuá. Nada melhor do que fazer esse tipo de rescaldo há cada final de ano. Eu me perco nesses detalhes. Se fosse pela Ana jogaria muita coisa fora sem muito procedimento, mas isso me dói. Outra que está doidinha para fazer a mesma coisa é Amadja, que faz a faxina aqui em casa e quando se depara com o estado do mafuá, sempre se oferece para resolver tudo: “Posso dar um jeito, nisso tudo, seu Henrique?”. Eu não deixo, mas ela no seu ímpeto de arrumar e deixar tudo mais apresentável, tira tudo do lugar e peno para encontrar alguns papeizinhos. Da minha dessarumação entendo eu.

Fiz essa introdução para descrever algo que encontrei hoje no meio disso tudo. Uma dessas coisas que não vou jogar de jeito nenhum. Para muitos não tem importância nenhuma, mas para mim tem todas. Uma pessoa que passava regularmente aqui pelo meu portão era o professor Isaías Daibem. Ele lia muito e de vez em sempre, além de ler distribuía o que lia entre alguns diletos amigos. Era metódico, primeiro um envelope onde fazia o endereçamento à pessoa agraciada com o mimo, dentro um bilhete de próprio pulso e junto o texto, o artigo, o recorte, o jornal, o livro, a peça, enfim, o motivo que o fazia ir até a casa dos amigos. Até acho que ele queria mais do entregar papéis aos amigos, queria papear , jogar conversa fora, ver como estávamos, propor a tal da revolução e insistir para que não desistíssimos da empreitada de modificar esse mundo. Deve ter me deixado uns cinco ou seis aqui  e quando não me encontrava, ou colocava na caixinha do correio ou entregava diretamente ao meu pai. Depois ligava para confirmar o recebimento.

Ainda vou juntar todos espalhados por aqui, pois acredito não ter tido coragem de jogar nenhum fora. O que achei hoje é datado de 05/03/2013. Olhem só o texto do bilhete: “Caro Henrique. Bom Dia! Tomo a liberdade de enviar-lhe este exemplar do Brasil de Fato, uma vanguarda de Nuestra América. Nele tem matérias que você, com muita propriedade vem abordando em seu mafuá! Um big abraço! Isaías”. Não houve jeito, eu peguei o jornal comecei a reler tudo, marquei alguns textos pelos quais quero escrever em breve e estou ainda pensando em onde vou guardar essa preciosidade.Só nesse perdi (ou ganhei, sei lá) quase uma hora de arrumação. E por fim, penso em fazer em 2014 o mesmo que ele e com maior intensidade. Quero ir distribuindo um pouco do que leio, do que ouço, do que junto e compartilhar com diletos amigos. Essa uma promessa para o ano novo. Aguardem-me, portanto, vou iniciar uma distribuição do bocadinho que tanto gosto, mas só para alguns (algumas também) que também gosto muito. Vamos ver como vai ser a receptividade disso. Eu brigo com muitos, mas com outro tanto eu tento continuar muito próximo. É o meu jeito de viver.

Em tempo: Isaías não é o único dentre meus amigos que fazem isso, mas a maioria, confesso, faz isso via e-mail ou facebook. Poucos batem no meu portão, mas alguns o fazem. Hoje mesmo, conto algo, foi engraçado, um amigo parou no portão e apertou a campainha. Passando do outro lado da rua um viu a gente, deu a volta e veio conversar. Não é que outro, passava casualmente de carro pelo portão e vendo três parou também. Ficamos em quatro ali num inesperado e irradiante ato. 

domingo, 29 de dezembro de 2013

ALFINETADA (118)


MAIS QUATRO TEXTOS DE 2001 DESSE HPA LÁ NO ALFINETE
Na reprodução que faço aqui dos meus antigos textos publicados no semanário pirajuiense, O Alfinete (pica mas não fere), acabo me divertindo ao reler meus escritos. Por sorte eu recebia alguns exemplares aqui em casa e sempre procedia assim, um eu guardava e outro recortava e colava num caderno. É desses que hoje bato uma foto e publico aqui. Foi divertido rever as propostas da criação de um partido, a ânsia em querer que os leitores do jornal participassem com sugestões, críticas ou ao menos dissessem um "estamos aqui". Como também foi bom reler o que escrevi do Paulinho da Viola. Não mudei uma virgula do que sinto dele. E o texto dos famosos, ri de novo com o que escrevi, mas acredito ter ficado razoável. Tem gente que gosta de ficar afirmando que um dia foi uma coisa e depois amadureceu, hoje é outra. Eu acredito não ter mudado esse meu jeito moleque de encarar essa vida. Se puderem dêem uma espiadinha neles:
nº 117 - 26/05/2001 - O Partido Político da Minha Cabeça
nº 118 - 06/06/2001 - Os Famosos
nº 119 - 09/06/2001 - Negócio Seguinte:
nº 120 - 16/06/2001 - Artesão do Samba

sábado, 28 de dezembro de 2013

CARTAS (115)


CARTA ABERTA AO GRUPO CINÉPOLIS
A chegada das novas salas da Cinépolis, instaladas no Boulevard Shopping Nações em Bauru, eram aguardadas com imensa ansiedade na cidade. Afinal, seriam, além da quantidade de poltronas, uma oxigenação a mais para os amantes do cinema. Agora, são três pontos diferentes com belas salas na cidade. Sabíamos que a Cinépolis traria para Bauru o que de mais avançado existe nesse segmento de mercado no mundo. Fui conferir pessoalmente e comprovo isso, as salas são perfeitas, atendem todos os requisitos de modernidade e equipamentos de última geração. Agradecemos por isso.

Porém, algo foi decepcionante para uma considerável faixa dos consumidores do produto cinema na cidade. A programação de todas as salas atende somente ao gosto de público interessado em blockbusters e filmes no entorno do produzido ao estilo hollywoodiano. Nada além disso, todas ocupadas somente com esse estilo. Se for esse o padrão da Cinépolis, desculpe-me, mas poderiam ter inovado, buscado algo além, ou seja, trazer isso, mas também atender a uma faixa considerável de cinéfilos interessados em obras diferenciadas.

De um total de seis salas inauguradas, deixo uma sugestão: por que não em uma delas, um filme cult e novo a cada semana, ocupando no máximo dois horários diários simultâneos com grandes exibições? Seria muito pedir isso? Tenham certeza que geraria na cidade e região uma legião de pessoas interessadas em assistir filmes diferenciados. Lanço até algumas ideias que poderiam ser feitas em conjunto. Bauru foi uma cidade onde existiu no passado um forte e influente Cine Clube e hoje dentro dos projetos do Governo Federal de Pontos de Cultura um deles é exatamente o Cine Clube Aldire Pereira Guedes, sempre afinado com os filmes alternativos, cults, independentes, etc. Imaginem uma parceria do Cinépolis com o Cine Clube e esse ajudando na divulgação de filmes atendendo a um padrão para um público diferente? O mesmo filme que passa em salas diferenciadas nos grandes centros passaria também aqui em Bauru.

Não adiantaria em nada termos mais um shopping na cidade se ele não procurasse inovar. O Boulevard fez isso e está despontando e elevando o seu sucesso a cada dia. De nada adianta Bauru ter mais seis ou dez salas de cinema se em nenhuma delas existir alternativas para outro público voltar a assistir cinema. Estão perdendo uma grande oportunidade de num baixo custo, terem uma programação ousada e inovadora, caindo nas graças da cidade e de milhares de pessoas que viriam em busca também dessa novidade. Não existe muito mais a ser dito, existe sim a sensibilidade do Grupo Cinépolis em atender todos os nichos de mercado. Nesse, desculpem-me, mas poderiam ter adentrado a cidade com uma enxurrada de elogios. Bastava somente a utilização de uma sala em dois horários diários para esse outro nicho e isso ocorreria.

Muitos, dentre os quais me incluo, estariam dispostos a contribuir para que essa empreitada ocorra e tenha o maior sucesso. Querendo posso propor uma reunião com agentes culturais, frequentadores de cinema que preferem filmes de arte e todos os interessados na criação de um novo espaço com essa característica na cidade. Essas pessoas formam um público amplo e variado, podendo surpreender todas as expectativas. Pensem seriamente no assunto. Divulgo o texto dessa carta no estilo Carta Aberta, pois gostaria que ela gerasse e fomentasse uma ampla discussão em torno do tema.

Atenciosamente
Henrique Perazzi de Aquino – jornalista, professor de História e pequeno comerciante – www.mafuadohpa.blogspot.com

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

UMA MÚSICA (102)


MEU CATÁLOGO MUSICAL – OCUPANDO MEU DIA DE ARRUMAÇÃO MAFUENTA
Esses dias meio que sem muita coisa para se fazer (no meu caso) são ótimos para arrumações. Tento deixar o meu mafuá mais apresentável e dessa forma poderei convidar todos a darem uma passadinha por aqui. Só que como gosto muito de papéis, a cada reencontro com algo aqui depositado, paro tudo e vou ler aquilo, depois fico com dó de jogar no lixo e vou pensar onde poderei guarda-lo por mais um tempo. O que já era para ter sido feito, ainda está no começo. Mas tenho que confessar, como é gostoso ir reencontrando um papelzinho perdido há meses e nele um escrito, uma frase, poesia, endereço, dica de algo a ser visto, etc. Devo passar mais a próxima semana enfurnado aqui e num divertimento que só eu mesmo entendo e sei dar valor.

Dentre tudo o que vasculhei, averiguei, trilhei, separei, acho hoje algo que para mim, um colecionador de LPs e CDs, na grande maioria de MPB, faz e tem muito sentido. Acredito que há uma década atrás estava disposto a separar todo meu acervo por títulos. Veja a loucura. Pegava um disco e catalogava cada música por um tema. Já tinha catalogado mais de 400, entre LPs e CDs e aproximadamente umas 4.000 musicas, chegando até aquela altura em mais de 500 temas. Hoje devo ter mais de 3 mil discos e quando chegasse ao final, a ideia era poder produzir um programa no estilo que ouvia nos meus áureos tempos na JB AM RJ, onde era escolhido um tema a cada programa e de dez a vinte eram tocadas só sobre ele.

Um exemplo. Quando o tema fosse TREM, dentre tantas outras uma que tocaria seria MARIA FUMAÇA (de Kleiton e Kledir Ramil, LP Kleiton & Kledir, Barclay, 1982). Com o tema bairro de COPACABANA – Rio, uma que poderia tocar seria DO LEME AO PONTAL (do Tim Maia, LP Tim Maia, Continental, 1986). Com o tema ÍNDIO, uma pouco usual poderia ser a ÍNDIO (cd, Moro no Brasil, do grupo Farofa Carioca, com seu Jorge, Polydor, 1998). Com o tema PIANO, não poderia esquecer de PIANO NA MANGUEIRA (CD Antonio Jobim Brasileiro, Globo, 1994).

Fiquei revendo isso tudo e acabei por me esquecer de compromissos do lado de fora do mafuá. O filho queria isso, Ana Bia queria que estivesse com ela, meu pai queria a janta no horário certinho e nada acabou acontecendo a contento. Nem o mafuá acabou senso arrumado, mas levem isso em consideração: “Amanhã vai ser outro dia/ Hoje é você é quem manda/ Falou tá falado/ Não tem discussão...). Essa é a APESAR DE VOCE, do Chico (tenho tudo dele aqui). Mas pera lá, como posso catalogar essa aí? Deixa ver... Desse jeito não arrumo nada.


ATRIBULAÇÕES DESSES DIAS - Me desculpem não estar podendo atender os compromissos e convites para os quais sou chamado nesse final de ano. O motivo é esse triunvirato, que consome todas minhas parcas forças. Uma hora um chamado do filho, na outra linha Ana, logo a seguir pai clamando pelo seu café na mesa. Tem momentos que os pedidos ocorrem todos juntos e embolados e a cueca que era para levar para o pai no banheiro eu coloco junto com as roupas da Ana, a insulina que era para aplicar no pai eu já queria injetar no filho, o óculos do filho eu troco pelo da Ana, enfim, esses aí tomam todo o meu tempo e acabo não tendo nem para minhas parcas coisinhas íntimas e pessoais. É com eles que eu continuo indo...

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

MEMÓRIA ORAL (152)


ALGO DE PIONEIRA TRABALHADORA DOS TRILHOS - 80 ANOS PASSADOS

MOACYR LOPES é um retinto senhor de 81 anos, paulistano da gema, mesmo tendo nascido em Gália, interior paulista (40 km de Marília e 60 km de Bauru), uma cidade que já foi cortada por trilhos urbanos e hoje sua fama é por ser considerada a Capital da Seda. Esse senhor saiu de sua cidade natal aos dois anos de idade só voltando uma única vez aos 17, para uma visita de algumas horas, acompanhado de seu padrinho, um delegado de polícia de Garça e depois nunca mais voltou. O fez agora, 60 anos depois, na segunda, 23/12, acompanhado de sua esposa, Darcy Soliva da Costa, a filha desta Ana Beatriz e deste escriba, acompanhado de seu pai, Heleno, 85 anos. O grande motivador foi esse breve reencontro de Moacyr com sua cidade, seu passado todo envolto em fatos nunca revelados.

A viagem de ida, passando por Piratininga, Cabrália Paulista, Duartina e Fernão foi ótima para saber mais detalhes da saga da mãe de Moacyr, JUDITE LOPES, falecida esse ano aos 101, rodeada pelos quatro filhos (as), todos nascidos nas mesmas circunstâncias. Ela é uma das mulheres pioneiras da história da ferrovia paulista, numa história nunca desvendada pelos seus. “Cresci em São Paulo ouvindo a história de minha avó Dalila, que cozinhava para os que iam construindo a ferrovia. Pelo pouco que colhi, vivia numa espécie de acampamento, mudando de um lugar para outro. Só muito tempo depois fui me atentar tratar-se dos primórdios da ferrovia e elas pioneiras, das primeiras dentre as trabalhadoras mulheres na ferrovia. Nasceram ambas em Bananal, pois querendo ouvi-las reviver histórias, era só lembrar esse nome, que tudo se reavivava nelas, lascando a contar a história desse lugar”, relembra o galiense Moacyr.

Ele nunca foi muito ligado em desvendar a história dos primórdios da mãe, uma brava e resistente senhora, negra retinta e dos porquês de não ter o nome do pai no seu registro de nascimento, nunca conhecido por nenhum deles. “O que mais importa a todos é o fato dela ter conseguido nos manter unidos, criando todos sempre ao seu lado. Quer mais valor que esse?”, pergunta ele. Sim, deduz-se que Judite viveu um curto período de sua vida em Gália, onde conheceu um distinto senhor que a engravidou e depois nunca mais um soube nada do outro. “O que sei do meu pai é que se chama VICENTE, era português, tinha um vasto bigode e que possuía bens na região. Nada mais. Depois fui perceber que ter um bigodão era a coisa mais comum naquela época. Aos 17 anos, vim de trem de São Paulo para rever meu padrinho, que na época era delegado de polícia muito respeitado em Garça, conhecido como Joãozinho Soldado. Recordo ter descido na estação, ser recebido por esse e dali entramos logo numa casa, onde me foi servido um almoço, depois voltei, passei por Garça e retornei para São Paulo. Nunca mais tive notícia do padrinho, nem de nada de Gália”, a curiosidade crescia na medida em que nos aproximávamos da cidade.

Deu tempo dele contar uma última história desse dia, pouco antes de avistarmos o portal de entrada de Gália: “No almoço que me foi servido, colocaram no meu prato uma bisteca imensa, gordurosa, que não saberia como comer. Eu ali, de terno branco, percebendo uma distração de todos, dei um fim na mesma a enfiando no bolso do terno. Quando viram que havia terminado, fizeram de tudo para me servir outra. Recusei e foi uma sufoco me desfazer daquela que me engordurou todo o terno”. Foi inevitável a pergunta: “E ninguém deu por falta do osso da bisteca?”. Entre muitos risos adentramos a avenida que nos levaria para o centro da cidade, a Martiniano Inácio Gonçalves. Véspera de feriado, a cidade estava praticamente deserta, quase ninguém nas ruas e uma das primeiras vivas almas que encontramos foi num estabelecimento comercial.

Chamando a atenção na entrada, uma ampla loja de móveis rústicos, a Madeira Maciça, com dois salões, abarrotados de pesados e criativos móveis, vendidos ali e feitos justamente no barracão onde antes era o depósito da ferrovia, o último resquício existente hoje de que algum dia uma ferrovia havia cortado Gália. Descanso para as pernas e motivo para as primeiras indagações. Pergunto para Patrícia, uma das proprietárias algo de uma velha história do cemitério local, na saída para Fernão e num elevado, quando diziam que uma moça envolta em luz ficava sentada num dos seus muros à noite, cumprimentado os amedrontados viajantes que necessitavam de ali passar. Sua resposta foi curta e conclusiva, o que certamente geraria, se tempo houvesse longo bate papo: “Conheço essa e muitas outras, esse cemitério é rico nisso”.

Quase horário do almoço, a parada obrigatória foi no restaurante Gutierrez na avenida central da cidade, a São José, na primeira quadra após a praça, indicação da Patrícia. A primeira impressão havia sido boa, uma cidade limpa, bem arborizada, uma praça ocupando dois extensos quarteirões e até uma cobertura, num dos lados, devendo ser o local apropriado para as festas locais. No primeiro tour algo havia nos chamado a atenção, uma casa com os muros pintados e conclamando a ninguém ali ir com intenção de encheção de saco. A frase principal era um recado dessa forma: “Eu sou iluminada e não preciso de ninguém”. Ainda antes do almoço, Moacyr no balcão do restaurante estranha a forma como lhe servem uma caipirinha com pinga num copo e limão sendo espremido num outro. Bebe separadamente e diz serem estranhos os hábitos de sua terra, isso para ele que cresceu trabalhando como garçon na região do bairro do Bexiga, reduto de gente como Adoniran Barbosa, depois funcionário público em diversas atividades até a aposentadoria.

Grupo reunido e a postos para a primeira incursão pela cidade, eis que Moacyr e seu Heleno resolvem não aderir ao tour. Preferem permanecer numa mesa na calçada do bar bebericando umas cervejas e jogando conversa fora com alguns outros frequentadores. Essa demonstração e pouco interesse em conhecer a igreja de São José e seus atrativos afrescos, o estádio de futebol local, nem as instalações da fabrica de seda, a famosa Beraldin, com loja especialmente aberta para atender turistas e muito menos o local onde resiste ao tempo a única recordação da ferrovia, o barracão do armazém. Tudo foi feito quando conseguimos que os dois adentrassem o veículo e uma passada pelo citado barracão foi inevitável. Poderíamos desvendar algo de sua história procurando contato com algumas pessoas mais velhas da cidade, detentoras de resquícios da história oral da cidade, mas diante do seu desinteresse tudo foi deixado de lado.

No retorno, ficamos sabendo mais dos detalhes e dos motivos desse aparente desinteresse. “As histórias que sei já me bastam. Imagino como tudo tenha se dado e os detalhes não irão alterar em nada minha vida. Minha avó e minha mãe representaram algo surreal e pouco conhecido do cenário da história das ferrovias, a da participação das mulheres. Esse nada saber sobre meu pai nunca me trouxe problemas. Minha mãe preencheu tudo em nossa vida e estivemos todos ao lado dela até o fim, isso nos basta”, relata. Ele não quer ir buscar dados sobre o assunto, queria fazer uma viagem alegre, só isso, mas não me pede para que nada faça em busca da obtenção de algum elo que possa desvendar a história do início de sua vida ou parte dela. Darcy, a esposa, nutre o mesmo pensamento, ficando mais curiosa quando lhe informo de um livro, o “Mulheres, trens e trilhos”, baseado na tese de doutorado da professora de História, Lídia Maria Vianna Possas, que desvendou e elucidou com a obra publicada pela Edusc em 2001, o importante e tão discriminado papel da mulher na saga da construção e instalação da ferrovia no centro oeste paulista.

“Elas estavam lá: no espaço trilhado pelos caminhos de ferro! (...) Pude vislumbrar o funcionamento do sistema de dominação e exclusão, reificado pelo discurso da narrativa oficial. (...) Procurei mostrar que as mulheres chegaram com os forasteiros nos rastros dos trens e trilhos. (...) A ferrovia foi o instrumento do poder político das oligarquias paulistas. (...) Apresentavam-se sem  relevância política e socialmente desvalorizadas. (...) Permaneceram, assim, às margens, carregando imagens ainda repletas de dúvidas sobre sua conduta, seja moral ou ideológica, ao tomar posições mais politizadas e ao defender seus direitos como cidadãs. (...) Encontraram já pronta e fortemente arraigada uma metáfora, ‘eram todas vagabundas’. Fazer de conta. Resistir, aceitar, provar o contrário, permanecer em silêncio ou retirar-se foram algumas das estratégias assumidas pelas mulheres ferroviárias. (...) Uma das fortes imagens construídas sobre as mulheres na ferrovia, especialmente aquelas que foram  as pioneiras, como sendo ‘todas vagabundas’, instiga a minha pesquisa”, essas algumas das frases recolhidas por mim do citado livro e que servirão de foco instigante para tentar desvendar algo mais sobre Dalila, Judite e Vicente.

Num outro trecho, algo mais, na voz de dona Sazinha, esposa de um chefe de estação, que acostumada às constantes mudanças impostas ao marido e consequentemente à sua família, deixou registrado à autora em 1998: “o vagão de trem, tendo ao fundo cargas para transportar, era ao mesmo tempo a minha casa, o meu quarto, a minha cozinha – lugar onde criava a minha família”. Quem me diz que algo parecido não ocorreu com dona Dalila, tendo que criar sua prole no meio daquela balbúrdia, vida cigana repassada à filha Judite e num desses lugares, justamente Gália, o fortuito encontro com certo Vicente e daí o nascimento de Moacyr. No momento aproveito esses dias de final de ano para reler do livro da professora Lídia, achar um exemplar para enviar à dona Darcy, depois tentarei ao meio jeito e modo um contato com pessoas que possam me ajudar nessa pesquisa. Aguardem novidades e o provável desvendar de algo oculto no texto do poeta maior de Bauru, Rodrigues de Abreu, quando num momento se referia no que o trem trazia e levava em suas viagens: “Mil forasteiros chegaram nos trens da manhã e vão, de passagem, tocados de pressa para o El-Dorado real da Zona Noroeste”.

Obs.: Tenho que confessar. Darcy é minha sogra e Moacyr seu marido. E a história de dona Judite muito me chamou a atenção desde o primeiro momento em que a ouvi.

quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

COMENTÁRIO QUALQUER (120)


IMAGENS MARCANTES DE ONTEM PARA HOJE
Na primeira, circulando pelo centro de Bauru, véspera de Natal, num carrinho de papel e reciclados, um senhor o havia deixado parado por alguns instantes na beira de uma calçada enquanto descansava na sombra de uma majestosa árvore. Lá, na frente do seu objeto de transporte (não o seu, mas o do seu ganha pão), fixado com um arame, algo que, certamente deve ter encontrado na rua e achou interessante tê-lo ali bem na frente, sob o olhar de todos. Numa gravação feita em ferro, um BOAS FESTAS. Para mim, essa é mais significativa e mais importante do que todas em neon que vi, em tamanhos e formatos muito mais pomposos. Para esse eu faço questão de retribuir um sonoro BOAS FESTAS. Que assim seja, para ele e para todos os que ainda conseguem enxergar algo assim no meio da parafernália natalina.

Na segunda, vinha descendo de carro pela Nações e ao passar pela Marcondes Salgado, fazendo a curva numa espécie de pequena rotatória, aguardando o sinal abrir para adentrar a Julio Prestes, eis que me deparo com uma dessas cenas que me entristecem sobremaneira por esses dias. Um senhor, aparentando meia idade, sentado no meio feio, no meio da balbúrdia, pernas já no meio fio e cabeças baixas, pouco esperava das próximas horas, a noite de 24 para 25 de dezembro. O que faz uma pessoa escolher um lugar desses, bem no meio daquele mar de veículos e ali ficar prostrado, resignado e sem esperanças? Esse é só mais um deles, um que pode estar ali por “n” motivos e não tenho capacidade alguma para enumerar um que seja, mas o que me fica é a força da imagem. Enquanto corria tanto por tantas coisas naquele momento, ele ali não corria mais. Cliquei-o numa foto e a repasso para, tentando mostrar a todos como me sinto na maioria dos momentos nesses dias, quando me volto os olhos para fora dos vidros do meu carro.

Na terceira, essa de Ricardo Bizarra, jornalista de uma rádio da cidade e gileteada no facebook. Foi feita por ele no início da tarde de ontem e registra um dos locais mais aterrorizantes para todos, principalmente no horário do registro, representando a grande concentração humana que deve ter lotado supermercados e shoppings país afora, em busca das últimas compras. Na legenda estava algo mais ou menos assim: "A visão do inferno no dia de hoje, o saguão do mercado...". Quem passou por isso sabe o que isso representa. Nela, em toda sua essência, está concentrada toda a gana de consumismo que a maioria das pessoas tem concentrada dentro de si por esses dias, mais ou menos canalizada na ida em busca das últimas compras, do objeto esquecido e ali se deparando com tantos outros na mesma situação. É algo que todos querem fugir, dizem detestar, mas repetem ano após ano, desde que foi introduzido dentro da rotina do ser humano, ter que comprar mais e mais, dar presentes e mais presentes, encher sua mesa de guloseimas mil, tudo como justificativa para glorificar e exaltar o nascimento de um ser humano a milênios atrás. O comer, comer tem como resultado algo repetido na maioria dos lares mundo afora, todos desmaiados, cansados de tanto mastigar e engolir.

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

RELATOS PORTENHOS (09)


A VELHINHA E SUA PARAFERNÁLIA MUSICAL NAS RUAS DE SAN TELMO
Hoje é um dia meia boca (ou até boca inteira), pois a grande maioria das pessoas já se encontra em compasso de espera para o Ano Novo. Véspera de Natal, uma data hoje marcada pelo consumismo desenfreado, eu mesmo já encerrei minhas atividades profissionais no ano, devendo recomeçar no início de janeiro. Vendedor tira férias desse jeito, entre feriados. Vejo muitos trabalhando e ralando muito nesses dias e é pensando nesses que posto aqui de forma despretensiosa, mas para uma reflexão sobre o que vemos por aí nas nossas andanças, algo que na maioria das vezes nos faz parar, fotografar, ter posicionamentos breves, passageiros e depois, na sequência da vida, tudo continuar da mesma forma que dantes. O que foi visto ali já foi devidamente esquecido, mas ali na próxima esquina existe algo novo, com o mesmo significado, propiciando a continuidade do questionamento: Por que disso? Isso não só nos alegra, pela emoção das imagens que posto, a da sensibilidade de ver uma musical velhinha, mas também muito entristece pelo seu significado oculto. Escrevo isso pensando numa pessoa, pois nos meus retornos à Buenos Aires, bato cartão na feira dominical de San Telmo, o tradicional bairro boêmio da capital portenha e ali uma das mais famosas do mundo ao ar livre, de artesanato e antiguidades. Num dos seus cantos, a velhinha com mais de 80 anos, que inventou uma parafernália linda, tocando e encantando os presentes. Bate naquilo tudo com gosto, arranca aplausos e a grana necessária para continuar tocando sua vida dignamente. Pessoas como ela estão por todos os cantos, aqui e acolá, cada qual tocante e encantante ao seu modo e jeito. A pergunta que não me sai da cabeça é só uma: Não seria muito mais interessante vê-la tocar e cantar não movida pela necessidade, mas pelo amor ao que faz? Ela deve fazer isso pelas duas coisas juntas, mas... Tento me reprogramar e voltar à Buenos Aires em julho do próximo ano e irei na expectativa de reencontrá-la e se não o fizer, triste ficarei, mas sei que outros estarão ocupando seu espaço e ela terá ido. Esse mundo onde vivemos não será nunca um primor no atendimento das reais necessidades do ser humano. Aqui em Bauru outros tantos fazem o mesmo, como o cego que toca seu instrumento na feira dominical. Até quando terá forças para lá estar? Que tenham todos bons dias nesses que nos restam nesse bocadinho de ano.
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segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

O QUE FAZER EM BAURU E NAS REDONDEZAS (38)


NATAL CHEGANDO E O FURDUNÇO NÃO SE AQUIETA...
Caso 1 - Tomo conhecimento de um novo jornal impresso circulando na cidade, o semanário JORNAL DE BAURU, emblemática sigla, “JB”, trazendo lembranças do saudoso Jornal do Brasil carioca. Numa postagem na internet, alguém logo pergunta: “Sinceramente não conhecia esse jornal. Como está sendo sua venda e distribuição?”. Na rua, o Kyn Jr me mostra alguns exemplares e aproveito o questionamento e a resposta dada por um dos seus responsáveis, EUGENIO JABUR (algum parentesco com o Jabbour do JC?): “O Jornal é semanal, sai toda sexta-feira e é distribuído gratuitamente em um pedágio na Getúlio Vargas aos sábados, repartições públicas, algumas empresas e disponível no Fran’s Café do Ponto Bauru Shopping, Bookafe da 13 de Maio e Pepper. Formato standart e a partir de janeiro a versão on line diária”. Instigado pergunto a ele: “ Eugenio, só para gente saber e ficar ciente dos bastidores: Inciativa de quem? Quem o banca? Quais nomes constam da relação de participantes? Você é o jornalista responsável? Também não sabia do jornal, passo no Fran's para ler um”. A resposta dele foi a seguinte: “Henrique, um jornal sem pretensão para discutir aquilo que os outros veículos não discutem, não somos concorrentes de ninguém e damos espaço a todos os políticos e pessoas que queiram debater ideias. Mas que sejam coisas interessantes e não apenas para auto promoção. A editora é a Lucilene Motta. Tem mais dois jornalistas que são amigos. Eu sou apenas um apoiador. Quem banca??? A fé e alguns clientes que anunciam. Por enquanto é isso...abraços”. Gosto muito de novas iniciativas no campo jornalístico, mas como não gosto muito de ver jornais ou quaisquer outros meios de comunicação atrelados a incógnitos patrocinadores, ocultos financiadores e atuando por debaixo do pano, prefiro conhecer algo mais desse para emitir alguma opinião. Entendo assim esse negócio: se alguém tem pretensão de lançar algo, que o faça, mas coloque junto seu nome e sobrenome, para todos do lado de cá saberem de fato e de direito com quem estão a tratar. Não sei ser esse o caso, mas isso deveria servir de conduta para tudo e todos se lançando nessa árdua batalha de lançar produtos de informação.

Caso 2 - Conheci muita gente lá em Reginópolis quando lancei o livro sobre a cidade junto com o Fausto. Um deles foi o João Valdemir Franco, o Nenê da Oficina, uma pessoa boa de papo e de copo. Estamos em campos opostos e nem por isso ficamos a digladiar gratuitamente. Na manhã de hoje acordo e o vejo postando uma foto do ministro presidente do STF Joaquim Barbosa, quando num vôo Brasília/Rio, ao lado do comandante da aeronave com essa legenda: “O Ministro Joaquim Barbosa voando na econômica, junto com o público sem nenhuma regalia, sem utilizar aviões emprestados ou fretamentos escusos ou favorecimento da Força Aérea...”. Quis provocar algo nele e reproduzi foto do prefeito de SP viajando de circular, o inquerindo dessa forma: “Joaquim de classe econômica e Haddad nos ônibus circulares paulistanos, cada um a seu jeito. Seria bom se todos se entendessem melhor deixando seus egos de lado e trabalhando unidos por esse país, não por projetos pessoais ou de grupos”. Sabendo ser ele convicto ant petista sua resposta veio assim: “Esse é um PTralha, fazendo parte do tudo bona gente”. Respondi assim:
Esse seu defeito, caro João, o Joaquim também não é nenhum santo, sabemos do deslize com o filho na TV Globo, do apartamento em Miami muito além de suas posses, do autoritarismo exacerbado quando no poder exercendo o cargo de presidente do STF, até acima da lei, desviando-se dela e para ele tem aplausos, já para o prefeito de SP, só pelo fato dele ser do PT, já vem com o termo "PTralhas", generalizando tudo. Se não sabe, o Joaquim, esse mesmo do STF acaba de não permitir o aumento do IPTU paulistano, onde os mais ricos pagariam mais e os mais pobres menos, num gesto nada louvável para alguém que se diz defensor da Justiça. Postei a foto desse só para demonstrar para ti não existirem santos na política, nem na Justiça nacional. Não os idolatremos, pois eles possuem muitos interesses, cada um mais perniciosos que o outro”. João rebateu: “O quem importa não só para eu como para todo o Brasil, se não fosse o Joaquim PTralha algum estava comendo cana, esse é um dos poucos brasileiros que já entrou para os anais da História...”.  Respondi dessa forma: “Veja caro João, os TUCANALHAS, piores que os PTRALHAS, estão soltos e atuando na política, lesando os cofres cada vez mais. Devemos nos preocupar em punir esses também, pois o montante lesado por esses é infinitamente maior que os do mensalão. Tem gente da alta esfera do governo paulista envolvido e o STF, nem o pessoal daqui do facebook não esperneiam tanto como no caso dos petistas. Por que, saberia me responder?”. A resposta do João foi essa encerrando o debate: “Caro Henrique, você não tem argumentos para me convencer, nossa ideias são opostas e mais um detalhe falou que é politico, não deixa de ser ou será corrupto ... até mais ver boas festas”. E assim encerramos a discussão.

Caso 3 - Repercuto aqui algo que li três dias atrás no Jornal da Cidade: “Casa é derrubada por engano no Parque Pampulha em Agudos”. A história é de arrepiar, com o título de “Milton não era Nilton e a casa caiu”, podendo ser lida aqui: http://www.jcnet.com.br/Regional/2013/12/milton-nao-era-nilton-e-a-casa-caiu.html. A monstruosidade maior é que a reportagem ao querer ouvir do Juiz dos motivos e se aceitavam o erro, a Justiça já estava em recesso (volta só dia 06/01) e a família está vivendo de doações. Minha resposta é uma só e a fiz pelas redes sociais dessa forma: “VÉSPERA DE FESTAS - É nesses momentos que se percebe se um Governo Municipal é bom ou não. Ocorrer uma falha dessa natureza é meio que inconcebível, quase uma maluquice burocrática, mas já que aconteceu e o erro está estabelecido e não existe meios de se voltar atrás, daí o que olho é a atitude que terão as autoridades daquela cidade para com o erro cometido. Como acolherão essas pessoas e o que farão para corrigir o lamentável erro? Se nada ocorrer, trata-se de um DESPREZÍVEL governo, se a medida for paliativa, mais um governo, pouco diferente da insensibilidade grassando hoje por aí, mas se a reparação for absoluta, com a amparação da família e a imediata instalação dela num outro imóvel, daí algo a ser louvado como GRANDIOSO. Veremos como trataremos os donos da cidade, os que soltam e mandam prender lá pelos lados de Agudos, mas só depois de ver a solução para o ocorrido. Aguardo ansioso o desfecho disso para escrever algo mais sobre o tema...”. Como conheço o assessor jornalístico da Prefeitura e da Câmara, fiz um questionamento ainda não respondido por ele: “ caro Paulo Corrêa, com a palavra os administradores de Agudos...”. Será que tudo o mais por lá também entrou em recesso? Espero que não.
 
Caso 4 - Por fim fazem exatos 25 anos que CHICO MENDES foi brutalmente assassinado no Acre. Compartilho mensagem recebida da amiga Cláudia Pinto: “Há exatos 25 anos era assassinado um dos maiores defensores do povo e da floresta Amazônica. Chico Mendes, que seu legado continue sempre vivo dentro de todos nós! ‘No começo pensei que estivesse lutando para salvar seringueiras, depois pensei que estava lutando para salvar a Floresta Amazônica. Agora, percebo que estou lutando pela humanidade’, Chico Mendes”. Ao reproduzir a imagem e esse texto para os meus deixei junto a seguinte mensagem: “Não nos esqueçamos nunca dele. Para os que me dizem petistas, olho para trás e comparo tudo com os dias de hoje, percebendo ainda existirem muitos idealistas, pensando e agindo da mesma forma de 25 anos atrás. É ao lado dessas pessoas que continuo minha caminhada, acreditando sempre que um novo mundo sempre será possível”.

domingo, 22 de dezembro de 2013

FRASES DE UM LIVRO LIDO (75)


DOMINGO RELENDO ‘O NOME DE DEUS’, DO INESQUECÍVEL FAUSTO WOLFF
Eu nunca me cansarei de escrever de FAUSTO WOLFF, o carcamano escritor/jornalista gaúcho/carioca que nos deixou em 2008. Tento até hoje escrever como ele e não consigo. Aqui o que já escrevi dele: http://mafuadohpa.blogspot.com.br/search?q=fausto+wolff. Na insistência, releio seus escritos e aprimorar a escrita, que me sai falha, desconexa. Peguei um dos seus muitos livrinhos que tenho aqui no mafuá, o “O nome de Deus – 10 histórias” (editora Bertrand Brasil RJ, 1999, 210 páginas), bem propício para esses festejos natalinos e de passagem de ano, quando em muitos aflora uma exacerbada religiosidade e reproduzo algumas frases grifadas por mim:
- “...por dinheiro faria literalmente tudo. E por este tudo, não entenda o leitor tudo de bom e sim tudo de ruim”. 
- “O poder exige muitas coisas. Para andar pelas suas cercanias, entretanto, duas qualidades são fundamentais: mediocridade e subserviência”.
- “prepotente com os humildes e humílimo com os poderosos. É fácil deduzir que de posse de tais credenciais, embora de origem modesta, acabaria sendo um vencedor”.
- “Mas esses canalhas não eram comunistas? Não eram contra o regime? Como, agora, enriqueceram e viraram neoliberais?”.
- “Numa sociedade onde o salário mínimo não é suficiente para alimentar um cão por mês, numa sociedade em que os pobres são tratados como animais e vivem em casas de cachorro, numa sociedade em que o homem é educado para a violência e estratificado na miséria, é espantosos que exista uma gente tão gentil, cortês, educada como a gente carioca”.
- “Até para mim é difícil crer nisso, mas já houve um tempo em que acreditei na viabilidade do ser humano. Acreditei, por exemplo, que se dessem ao sujeito as possibilidades mínimas para ser feliz, ele o seria e não permitiria que seu medo interferisse na felicidade dos seus circunstantes”.

- “...acreditava que a televisão servisse para alguma outra coisa além de fazer dinheiro para poucos e imbecilizar muitos. (...) Hoje vivemos num mundo prestes a se suicidar, em que a informação transformou-se em cultura; um mundo em que os homens acham que a arte pode ser parida sem dor. Não vejo mais televisão, não leio jornais e uso o computador como máquina de escrever”.
- “É no bar que me vêm as melhores ideias para contos e romances que não escrevo nunca, pois como estou sempre de porre, no dia seguinte não lembro coisa alguma”.
- “Nunca me considerei um filhodaputa. Não sou desses sujeitos que, numa briga, são capazes de dar um chute na cabeça de um cara caído no chão. Também não sou desses que quando um mendigo vem pedir dinheiro para uma cachaça manda ele trabalhar. Sei que quem mendiga ou não encontra trabalho já se animalizou, e aí não há nada a fazer. Não sou puxa-saco, ladrão ou delator”.
- “...falta de dinheiro é que nem lepra. As pessoas notam logo quando um cara está duro e se afastam temendo uma mordida”.
- “Claro que um dia, o pessoal da classe média para cima vai todo nascer, se alimentar, estudar, namorar, fuder, casar, ter filhos, trabalhar e ser cremado dentro de gigantescos shoppings centers. Do lado de fora, só os zumbis. Mas por enquanto ainda existem lugares onde nem a televisão nem os computadores fizeram vítimas, pois ainda não atacaram”.
- “O medo é um troço nojento, uma dessas lacraias brancas, sem olhos, que vivem debaixo da terra e se alimentam de ovos dos insetos menores”.
- “Como poderia imaginar que a maior parte da esquerda iria para a direita, que a imprensa, uma vez livre, se auto-amordaçaria e se tornaria sócia do poder? Que a juventude seria alienada e a cultura morta?”.
- “Se Deus não existe, o que é bastante provável, nada muda. Se existe, não há de querer se vingar num pecador medíocre como eu”.
- “Dizia sempre que o médico que quer enriquecer deveria ser banqueiro, político ou bicheiro”.
- “Nunca o homem teve tantas informações e nunca esteve tão confuso. As pessoas querem ser especiais, querem que a vida delas tenha um sentido. Como não conseguem mais acreditar em gnomos, fadas, búzios, astrólogos, para fugirem da angústia e se sentirem únicas. Mas só através do conhecimento é que podemos nos descobrir; saber para o que servimos e que diabo estamos fazendo neste mundo”.
- “O mundo é uma surpresa que dói. Depois, com o tempo, só dói”.
- “Desse orfanato muitas sairão prostitutas. Nem todas. Muitas morrerão antes”.
- “O homem é quem faz do mundo o que bem entende e aparentemente está tentando destruí-lo. Digamos que Deus nos deu um belíssimo jogo. Como não temos paciência, talento e amor para decifrar suas regras, crianças irritadas que somos, preferimos destruí-lo. O nome do jogo é verdade. Para decifrar a verdade, o homem criou a realidade e acabou por se perder nos seus labirintos”.
- “Se o homem nasce perfeito, como acreditamos, o culpado pela própria deterioração física e moral só pode ser o próprio homem”.
- “Ganham dinheiro em nome de Deus sem a licença de Deus. Botaram ele de sócio do grande mercado, mas não pediram licença. Ele não assinou embaixo”.
-“Nas repartições públicas, as filas eram insuportáveis, os guardas de trânsito o achacavam continuamente, os remédios não faziam o efeito que diziam fazer, as notícias na televisão eram mentirosas, seu cafezinho, invariavelmente, era servido frio, e até o seu banco que ele amava e que juravam não seria privatizado, o foi. Há quem diga que foi essa privatização que detonou a psicose”.

sábado, 21 de dezembro de 2013

RETRATOS DE BAURU (149)


JOSÉ ESMERALDI SÓ DIGNIFICA O MICROFONE POR ONDE ATUE

Poderia pesquisar um pouco para escrever de uma pessoa pela qual nutro um carinho mais do que especial, mas não, prefiro fazê-lo só de memória e ela, com o passar dos anos acaba nos traindo. Talvez me esqueça de algo, de algumas passagens, mas quero deixar registrado hoje aqui, um bocadinho do que me lembro dessa imponente, altaneira e vigorosa pessoa para a história do rádio bauruense.

JOSÉ ESMERALDI é paulistano, tem cara e jeito de paulistano, vivência de quem viveu anos dourados dentro da maior cidade brasileira. Tudo o que adquiriu dos seus tempos paulistanos ele trouxe para Bauru e aqui cedeu graciosamente para os bauruenses através das ondas do rádio por onde atuou até agora. Acho que o conheci através do Clube do Gramophone – Estação Memória (tenho até carteirinha), um programa na Auri Verde, onde fazia os ouvintes sentiam-se num baile. Tenho uma história disso. Meu vizinho, seu Carlos, hoje com mais de 85 anos, na época ouvia aquilo e meu nome junto, tanto que num dia me disse: “Que raio de baile é esse, que o cara diz que você está lá, mas está aqui”. Expliquei a ele e o Esmeraldi passou a falar que ele também estava no baile. Outra passagem das mais dignas foi na sequência do “Samba & Bola” (criação do Galvão de Moura), um dominical, também na Auri Verde, antecedendo o futebol. Suas histórias dos boleiros e tocando samba de verdade são inesquecíveis (lanço uma campanha em 2014 para a rádio trazê-lo de volta). Passou pela 710, nos tempos em que o Damião a levou para junto da Panela de Pressão. Um dia fui eu e o Tarcisio Mazzei (levei meu filho junto), no seu programa, lá pelos idos de 2008 e tirei históricas fotos dele naquele microfone. Na FM da Unesp, levou o “Rádio Saudade”, só com nostalgia e deve ter sido uma das maiores audiências deles. Precisou se ausentar por uns meses, mas quando quiz voltar, nem falando com o reitor da universidade houve mais jeito. Saiu da Auri Verde desgostoso pelas trapalhadas do seu diretor, o Silvestre e depois disso, quando todas as portas se fecharam, criou o seu próprio espaço. Com alterações constantes, mas sempre atuante, mantém até hoje sua voz em evidência no seu “Frequência Memória”, com o slogan “uma rádio fora de moda”, expondo um bocadinho de sua discoteca (http://www.frequenciamemoria.net), com estúdio e tudo mais na sua própia casa, lá pelos lados da rua Alfredo Ruiz. Não posso me esquecer de algo, muitos o chamam de Lyllo, nada mais italiano e jovial, a sua cara.

Obs.: Esse texto sai também hoje no meu facebook, como nº 330 dos "Personagens sem Carimbo - O Lado B de Bauru".