sexta-feira, 30 de abril de 2010

DROPS - HISTÓRIAS REALMENTE ACONTECIDAS (29)

FEBRE DAS FIGURINHAS
Faltam pouco menos de sessenta dias para começar a Copa Do Mundo da África do Sul e muito dela já está a circular pelas ruas. A febre já começou a irradiar pelos comerciais de TV, vitrines de lojas em verde-amarelo e entre outras coisas, algo que a cada ano se renova, um álbum de figurinhas da Panini, vendido em bancas de revistas e que nesta época acaba por se transformar numa verdadeira febre, a inebriar e contagiar gente da mais tenra idade aos mais velhinhos.

Isso mesmo, esse negócio de figurinhas da Copa não é coisa somente para jovens e isso constatei na banca de revistas Duque, aqui em Bauru, quando no sábado passado, seu proprietário Cláudio, teve que montar algumas mesas e cadeiras na calçada para abrigar a quantidade de colecionadores, que com listas à mão aumentaram o movimento do local em mais de 500% (tudo isso!?!). É uma loucura e o que menos se vê por lá são as tais crianças. De um simpático nipônico, seu Teru, com uma quantidade imensa de figurinhas repetidas nas mãos e algumas listas com as faltantes ouço: "Isso não é para meu neto é para mim. Coleciono figurinhas da Copa desde a de 1950, tenho todos os álbuns e isso me contagia nesse período". Deu para perceber que seu Teru já passou da casa dos setenta e faz um certo tempo.

Outro por lá é o Lopes, um senhor de barba, dono de uma pequena empresa e magoado com algo ouvido momentos atrás por ali. "Um rapaz passou por aqui e vendo esse movimento todo disse em alto e bom som que ele estava indo trabalhar, pois alguém teria que fazê-lo. Todos aqui trabalham, mas não deixamos de lado, em alguns momentos, esse negócio de juntar e trocar figurinhas. Quanta gente nova não conheci só nesta manhã de sábado", me diz. E é isso mesmo, pois o entra e sai é de endoidecer gente sã.

Na banca do Cláudio, numa manhã de sábado normal ele atende sózinho à sua clientela, mas nesses dias em que os álbuns estão a movimentar esses lugares, foi obrigado a reunir toda a família, o filho de 16 anos, a namorada e alguns amigos do filho. Todos ali, para ajudar na venda dos pacotes, na orientação das trocas e principalmente para impedir que furtos ocorram. "Outro dia, um senhor de idade me disse que algumas figurinhas prateadas, das especiais lhe foram surrupiadas da mão por um apressado moleque, que depois saiu correndo. Depois disso reforçei o meu pessoal para não deixar ninguém sair daqui insatisfeito", conta Cláudio.

Todos já estão familiarizados com o nome da maioria dos jogadores e ouvi de muitos que os da nossa seleção devem ainda sofrer algumas alterações. "Faltam os moleques do Santos, que não podem faltar do escrete", me diz um atento colecionador. Cláudio está com o sorriso de orelha a orelha de tanto movimento. Na avenida Duque de Caxias, uma das mais movimentadas da cidade, toda Copa Cláudio age da mesma forma e providencia um espaço vip, na calçada para abrigar todos. Antes de ir embora, revejo um amigo, dono de uma empresa de tapetes com listas na mão e comprando mais pacotes. Após os cumprimentos pergunto se está comprando para o filho e sem nenhum constrangimento me diz: "Que filho que nada, essas são para mim mesmo e já estou preenchendo o terceiro álbum". E aí, é febre ou não? "E a eleição presidencial", me pergunta um senhor com a mão lotada de cromos. "Essa começa depois do final da Copa, já no dia seguinte", ele mesmo me responde. Terminando essa febre, começa então essa outra.

quinta-feira, 29 de abril de 2010

DICAS (57)
MESMO DE LONGE, MUITAS COISAS PARA FAZER EM BAURU
Dia 30/04, amanhã, 19h30 lá no Teatro Municipal a exibição de um filme documentário do cinegrafista bauruense Adauto Nascimento, o "SUBVERSIVOS ANÔNIMOS". Esse trabalho, uma obra de resgate da história de muitas pessoas que estiveram envolvidas na luta de resistência aos regimes autoritários já implantados no Brasil, merece ser visto. Obra única e algo para ser guardado com muito carinho, pois trata-se da história viva, aquela que pulsa de verdade e quase nunca nos é contada. Recebo um convite pela internet e nele algo mais, citando a presença de Maurice Polliti, assessor especial da Secretaria Nacional de Direitos Humanos, falando sobre seu livro recentemente lançado, o "Resistência atrás das grades", enfocando as greves de fomes dos presos políticos durante o regime militar. Tanto um como o outro, imperdíveis. Uma pena estar tão longe de Bauru.

Estou nessa semana em duas cidades bem distantes de Bauru, primeiro o Rio de Janeiro (em breve publico aqui um ensaio fotográfico sobre uma feira de livros na Cinelândia) e Vitória ES. Muito trabalho e quase nenhum lazer. Aqui fico sabendo que a festa que a CUT daqui do Espírito Santo irá fazer no Dia do Trabalhador, Primeiro de Maio terá como atração principal o cantor Alexandre Pires, de gosto mais do que discutível. Sei que em Bauru a festa, também patrocinada pela CUT, com apoio da Prefeitura Municipal terá no centro do palco RENATO TEIXEIRA. Ponto para Bauru e para nossa CUT. Renato esteve em Bauru poucos anos atrás, na festa de aniversário de Bauru e vê-lo novamente é sempre muito bom. Nessa quero chegar em tempo de ficar na fila do gargarejo.

Imperdível nesta final de semana é assistir ao último jogo do NOROESTE, na despedida do campeonato, fechado com chave de ouro, após conseguir subir com uma rodada de antecedência para a Primeira Divisão do Paulistão 2011, lugar de onde nunca deveria ter saído. Não só estarei lá, como farei um texto longo da festa para o blog do amigo Reynaldo Grillo, que lá dos States comanda algo inusitado, um espaço onde escreve diariamente sobre nosso Centenário Clube. A concentração etílica, como sempre será na sede da Sangue Rubro. Haja fígado e alegria!

Uma das vozes mais bonitas de Bauru, a de MANU SAGGIORO, estará juntamente com Daísa Munhoz e Silvia Ferreira se apresentando num show intitulado "Cantata a Três", no Urbano Pub, a nova casa com uma proposta mais do que interessante, lá no começo na avenida Nossa Senhora de Fátima. Onde tem Manu cantando é sinal de boa música e só não estarei por lá pelo motivo dessa viagem à trabalho. Da última vez que fui ao Urbano, tive que voltar, a casa bombava e não podia mais receber ninguém. Aguardo ansioso o trabalho aglutinador da Associação comandada pela dupla de proprietários. Quem quer ouvir e ver Manu, clique seu nome no Youtube e verás do que essa menina é capaz.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

UMA ALFINETADA (67)
Na semana passada, edição de sábado, 24/04, d'O Alfinete, semanário de Pirajuí, completei 500 textos publicados. Eis o meu texto para a edição redonda, com algo bem polêmico, ao estilo de tudo o que combato como condenável na política brasileira:

Vejam só. Edição 580 d'O Alfinete e nele sai publicado meu texto 500. Isso mesmo, acabo de completar quinhentos. Um luxo, não? Sinto-me honrado pela longevidade e confiança depositada em minha pessoa. Algo que começou lá atrás com o sempre amigo Marcelo Pavanato, depois a Fátima, o Pedro, o Américo e agora o Alex. É isso, continuo nas paradas até me dizerem que meus textos não mais interessam. Hoje mesmo, para comemorar o número redondo, venho com uma polêmica, algo sobre a expulsão de um militante petista, feita pelos membros de seu partido. Tento colocar o assunto em pratos limpos por aqui.

Cássio Cardozo de mello Filho, o Cururu é um velho conhecido. Atuou em Bauru como dirigente cultural na Oficina Cultural, ligada ao governo paulista. Militava nos quadros tucanos e ao ser deletado por esses, voltando para sua Pirajuí, acabou encaixando-se nas hostes petistas, da qual sai nesse momento (não sem antes espernear), motivado por uma esquisita expulsão do partido. O caso repercute regionalmente. Cada lado deve dar suas explicações para entendermos melhor o imbróglio.

Pelo que conheço do Cássio e de sua esposa, a também batalhadora (a causa indígena está sempre na pauta do dia deles), Rejane, promovem uma luta diária, incessante e desbravadora contra preconceitos e falta de espaço na mídia. Não vivencio o que acontece no dia-a-dia de Pirajuí, mas quando li algo sobre essa expulsão logo me veio a mente algo ocorrido aqui em Bauru quansdo há seis anos atrás, por divergir em gênero, número e grau da atuação da manager do PT na cidade (do qual era filiado e militante), a hoje vice-prefeita Estela Almagro, sai na campanha eleitoral ostentando uma camiseta, a "Sou PT voto Tuga". Afrontei o partido, sei disso, mas o fiz para expor os problemas locais, intermináveis e que já haviam gerado até boletins policiais em plantões policiais.

Na sequência, num longo processo de expulsão, pulei fora antes de sua conclusão. Por fim, ele acabou não dando em nada para os demais indiciados (sic), segui a vida e hoje, ao tentar voltar, percebo ter impedimentos naturais. Algo assim como alguém a comandar o partido com punhos de aço e a impedir e criar obstáculos. Do caso de Pirajuí e do meu uma semelhança, pois o partido regionalmente está sob o tacão da mesma pessoa, antes e depois, talvez ad eternum. Cássio me envia seus recuros, todos muito bem justificados e me diz da forma desprezível como foi comunicado da expulsão. Leio estarrecido e acredito ser necessário uma explicação, cartas na mesa, sem receios, de ambas as partes, pois do contrário, ficando o dito pelo não dito, quem perde é a legenda, o nome do partido. Pessoas vão e voltam. Somos nós, os militantes, o diferencial deste partido, o único a conviver com facções, posições antagônias, até divergentes, mas todas convergindo, como se fosse um funil para a causa maior, que nesse momento é a eleição da Dilma presidente.

Nossas diferenças estão aí, expostas, como feridas, sangrando, latejantes. Fazemos isso de forma natural, mas quando passa dos limites, algo precisa ser feito. Cadê a legitimidade da expulsão? Comprovem isso e o assunto será encerrado. Do contrário, o juris esperniendi continuará sendo feito. Tanto em Pirajuí, como aqui. Cássio e Rejane merecem respeito. Eu idem, pois mesmo fora do partido, continuei como uma rés desgarrada, atuando pelas brechas, beiradas, na defesa do governo Lula, do "PT do bem" e das causas sociais. Novidades nesse caso, de ambos as partes serão bem vindas para esclarecer tudo. Aguardemos.

terça-feira, 27 de abril de 2010

CENA BAURUENSE (58)

UM SÁBADO MAIS DO QUE MUSICAL COM A FAMÍLIA VIDAL
Célia Vidal é filha de minha madrinha, a querida Santa, portanto a considero mais do que família. Ela vive me convidando para ir até a escola de música dela e do seu marido, o maestro GEORGE VIDAL, a "CLAVE DE SOL". Fico adiando, mas neste último sábado, 24/04, fui e presenciei algo indescritível. Do local, uma observação, trata-se de um oásis encravado dentro da cidade de Bauru, com produção de música da melhor qualidade. Disso eu já sabia, mas conferir isso pessoalmente foi outra coisa.

No convite não estava explicitado muito bem o que
seria presenciado e ele me foi feito pelo ORKUT (enfim, uma qualidade e uma virtude desse tal de Iogurte). Fui junto de Ana Bia e além de rever Célia, minha madrinha Santa, o que vi por lá foi um encontro da família Vidal, com a apresentação do seu irmão ROGÉRIO VIDAL, um cantor e compositor de mão cheia, hoje radicado em Piracicaba e lá exercendo a função de Secretário Municipal do Meio Ambiente. Nessa família todos cantam (e encantam) e conhecer um pouco do trabalho deste seu irmão foi verdadeiro privilégio. O show recebeu o título de "DIA E NOITE" e nada mais foi do que um apanhado de toda sua obra poética, com acompanhamento de gente da casa e gente da família.

Algumas letras versavam sobre o meio ambiente, principalmente sobre a situação de Piracicaba. Numa das músicas Rogério fala sobre o fumacê sobre aquela cidade e encerra com uma frase profética: "E ainda fazem piui piui para anunciar o fim do dia". Noutra, "Saideira", um samba ao estilo botequim fez todo rirem com a frase: "Seu garçom eu não vou lhe pagar, pois a cerveja que eu bebi ficou lá no seu banheiro. Se quiser vá lá buscar" (mais ou menos isso). Além de tudo revi uma pessoa que não via tocar há uns vinte anos, o percussionista Medinho, o Archimedes, que atacou com seu inseparável pandeiro em algumas canções.

Foi uma noite onde a casa estava cheia (só os parentes já lotavam o pequeno espaço), bebi, conversei, revi pessoas queridas e comprovei que existem locais diferenciados em Bauru e esse um deles. Na saída, tentei aplicar o golpe da frase ouvida momentos atrás no refrão da "Saideira", mas fui alcançado na calçada... No vídeo abaixo, publicado sem autorização da Família Vidal, todos eles cantando "Serpente de Prata" (sobre o Rio Piracicaba na sua época de maior poluição), assistam antes deles pedirem minha prisão, uma pequena amostra do que esse pessoal é capaz:

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segunda-feira, 26 de abril de 2010

TEXTOS PUBLICADOS NO JORNAL BOM DIA (69 e 70)

DEMONIZAÇÃO DO IRÃ - texto publicado edição diário BOM DIA, de 17/04
O país “capeta” no momento é o Irã (assim como já foi o Iraque), concentrando tudo o que de ruim acontece no mundo. A orquestração parte dos EUA e religiosamente (sim, existe a profecia do preceito norte-americano acima de tudo – e de todos) é repetida pelos asseclas mundo afora. Ladainha cansativa, cheia de contradições, além das inverdades históricas. Primeiro porque o Irã não faz nada diferente do que faz, por exemplo, o seu vizinho, Israel, esse apoiado pelos EUA. Um pouco de história não faz mal a ninguém. O Irã vive sob marcação cerrada, contínua e perniciosa. A perseguição teve início porque, na Revolução Islâmica, em 1979, os EUA apoiavam o xá Reza Pavlevi, uma ditadura que fazia e acontecia, mas rezavam na mesma cartilha. Veio a revolução e a conseqüente nacionalização de empresas, muitas delas petrolíferas. Ocorre também a invasão da embaixada americana em Teerã e isso não é perdoado até hoje. Nos últimos tempos, o vizinho Israel começou a temer o Irã, pelo simples fato deste ter começado a investir em tecnologia, inclusive a nuclear. Esse já assinou o tratado de não-proliferação nuclear, levando também em conta que Israel já tem 200 ogivas nucleares e a Índia outro tanto. Ambas as potências nucleares, com problemas evidentes de direitos humanos e não há reclamações. O buraco com o Irã é mais embaixo, pois desde a revolução islâmica não aceita a orientação dos EUA e muito menos ceder aos interesses de Israel. Aí o bicho pega. O Brasil de Lula acertadamente não entra na jogada dos EUA.

DROGAS E DISTÚRBIOS - texto publicado diário BOM DIA, 24/04
Com um jornal nas mãos leio uma assustadora manchete: “Essas drogas causam distúrbio mental e perda do sentido da realidade”. Fico a matutar procurando entender melhor o que estavam a querer dizer com aquilo tudo. Puxa vida, deve ser isso mesmo, também sou um inconformado com a reação causada pelo consumo desenfreado e sem limites de algumas manchetes de jornais, programas de TV e de rádio sobre nossas mentes. Consumidor contumaz de tudo o que se relaciona com a nossa imprensa, padeço muito com títulos sensacionalistas, muitos inventados para assustarem incautos. Deslavadas montagens para tentar desviar a atenção, enganar mesmo, interesses mais do que escusos. Uma vergonha. Hoje mesmo, percebo em toda imprensa um pânico nas páginas e vídeos quando Dilma fala em Estado forte. Viro a página ou mudo de estação e noto que tudo é permitido para o outro candidato, o Serra. Todos sabem, a cobertura mídiatica nunca estará ao lado de Lula. Estão contra ele, o que já fez pelo país e idem para sua candidata. Promovem horrores contra ele. Como das duas vezes em que foi eleito, continuam semeando um medo coletivo. Esse tipo de droga nos faz um mal danado. Influências negativas no cerebelo, talvez pela insistência em sua reprodução. Nisso, o filho, sempre atento, me mostra novamente o jornal com a manchete lá de cima. “Pai, aqui diz das drogas orgânicas, cigarro, pó essas coisas”. Cai a ficha, vejo que continuam preocupados com um tipo de droga e nem um pouco com outra. Desisto.

domingo, 25 de abril de 2010

UMA CARTA (46)
ESQUERDA ASSUMIDA E DECLARADA
-- Sai hoje no Jornal da Cidade, 25/04, carta de minha lavra:
Quando leio cartas como as dos missivistas João Guilherme Ortolan e Márcio M. Carvalho, contrários ao posicionamento do vereador Roque Ferreira, nosso mais atuante e progressista vereador, não vejo porque o prolongamento de tão
infrutífero debate. Tudo seria resolvido de forma simples e objetiva, com a resposta que ambos esperavam ler.

Dessa forma, acreditariam estar colocando o vereador numa sinuca. Ocorreria o contrário, pois a cada defesa feita, Roque estaria mais próximo dos seus
eleitores e do seu ideal de vida e luta. Assim sendo não vejo problema nenhum na ainda esquerda brasileira assumir publicamente:
- todo e qualquer repúdio ao PIG – Partido da Imprensa Golpista, esteja ele onde estiver,
- fazer a defesa do voto não restrito a candidatos bauruenses (uma grande besteira),
- continuar atuando, apoiando e colaborando com o único movimento organizado deste país, o MST e na defesa pelas ocupações de terras ilegalmente ocupadas pelo latifúndio,
- ataque frontal aos mensaleiros e trapaceiros tucanos, petistas, bauruenses e de qualquer outra espécie e natureza,
- a defesa intransigente das Farcs, um legítimo movimento guerrilheiro, aos moldes dos vitoriosos em Cuba, Nicarágua e a outros, por exemplo, como um mexicano, sob a direção do comandante Marcos,
- continuar apoiando Cuba e o modo de vida lá implantado como a única alternativa viável de uma melhoria considerável para a grande massa dos desvalidos, diante do falido e injusto mundo capitalista,
- estar ao lado da atual política externa brasileira, que nunca atuou tão bem, inclusive no caso do Irã, Cuba,
protecionismo norte-americano, Mercosul, etc,
- continuar a luta em prol de um país que respeite de fato e de direito os Direitos Humanos,
- a defesa intransigente de o Brasil estar aliado aos movimentos libertários latinos, como os desenvolvidos na Venezuela, Bolívia, Equador, El Salvador, etc,
- lutar para que todos os cruéis crimes cometidos pela ditadura militar tenham seus processos reabertos e consigamos cicatrizar definitivamente essa ferida aberta com nosso passado,
- continuar lutando de forma veemente contra a imposição do agronegócio e do neoliberalismo como únicas alternativas para o desenvolvimento desse país e
- repudio constante ao termo “candidata guerrilheira”, como se pejorativo fosse, pois o que Dilma fez lá atrás só dignifica seu currículo e enaltece sua pessoa.

Estar ao lado disso tudo é algo a tornar qualquer pessoa mais digna, demonstrando estar totalmente vinculado com a luta por um mundo mais digno e humano. Tenho comigo que a esquerda desunida continuará sempre vencida. Admira-me as pessoas que possam hoje se dizer democratas e ter saudades do período militar, reproduzir mentiras de forma repetida pela internet, propagar inverdades históricas, defender minorias abastadas e enxergar tudo caolhamente. Eu, na defesa de tudo explicitado no texto, luto é por um outro mundo, bem diferente deste em que vivo. E assim toco minha vida, sem esconder de ninguém isso tudo.

sábado, 24 de abril de 2010

DIÁRIO DE CUBA (50)

O QUE VEMOS NA TELESUR, ESTUDANTES CUBANOS E SUADAS COMPRINHAS
Algumas definições para o último dia inteiro em Havana. Meu gosto sempre foi o de bater perna, continuar as observações e fotografar muito, mas antes de tudo isso, um papo elucidativo com o companheiro de viagem, Marcos Paulo sobre nossas parcas possibilidades de gastos para esses dois dias restantes, 26 e 27/03/2008 (completamos 17 dias por lá), uma quarta e quinta. Contas feitas, com uma reserva no bolso, me preparo para sair às ruas. Ligo a TV na Telesur, uma companheira da qual sentirei muita falta, pois acabei me identificando demais com sua programação, totalmente voltada para as camadas mais sofridas da América Latina. Vejo o povo ali representado, suas alegrias, suas histórias, país por país. Filmes de todos os países, muitas pessoas contando sobre seus ofícios, um de cada nação. É lindo ficar diante da TV vendo um fabricante de facas argentino, uma cantor de rua paulistano, uma artesã da Guatemala, um pintor mexicano, etc (www.telesur.net ). Ficaria horas ali, mas a rua me chama.

Suculento café da manhã e um papo até com um senhor carrancudo, que achávamos estaria a nos vigiar. Empanturrados respondemos a uma pesquisa sobre os serviços do hotel. Uma estudante universitária, simpática e conversadeira nos instigam a contarmos o que achamos de seu país. Declaramos amor eterno (não a ela, mas ao seu país). No retorno ao quarto, na TV Cubana, a abertura do Congresso Estudantil da Juventude Comunista. Jovens de 15 a 17 anos, hablando sobre os reais valores estudantis. Cada um representando uma região do país, reafirmando que mesmo com um diploma, de médico ou engenheiro, por exemplo, continuarão exercendo funções dita menores, tudo para ajudar o país. Lá isso acontece de fato, o tal juramento da profissão é verdadeiro e fazem isso, não obrigados, mas como uma missão e mesmo não tendo participado do processo revolucionário, não aceitam o retrocesso e um retorno ao que Cuba foi antes de 1960. Serão eles, que com esse compromisso levarão adiante o futuro dessa bela nação.

Escapo para a rua, já andando com certa saudade por todos os lugares e cantinhos de Havana. Não vou atrás de nada do que deveria ir. Compro um CD, “Canciones al song to Che”, da BIS Music, de 2007, por meros 5 pesos, na loja da Artex, esquina da praça Copellia, defronte o Hotel Habana Libre. Gasto mais 5 pesos em cinco garrafinhas de rum, um mimo para brindar com os amigos bauruenses. O fiz numa loja de tabacos na avenida 23, quase junto ao Malecón. Nas andanças localizo um grande terminal rodoviário urbano e passo um bom tempo observando a forma como aquilo tudo funcionava. Volto ao hotel e Marcos não quer sair nesse momento, quase 11h20, pois está com os olhos vidrados na TV, assistindo algo sobre a “vanguarda dos olhos da revolução”, no Congresso dos Jovens. Assisto mais alguns momentos ao seu lado e emocionados ficamos, pois eles estudam, interessam-se pelos destinos do seu país, opinam, buscam soluções, discutem nas comissões de trabalho sem aquela “pauleira” vista nos congressos brasileiros, onde os interesses partidários sempre acabam prevalecendo. E o mais importante, vejo o próprio mandatário da nação, o comandante em chefe, Raul Castro presente o tempo todo ao lado dos jovens. Ele não participa somente da abertura, permanecendo ali o tempo todo.

Quero caminhar, Marcos me diz que sua missão por lá já está mais do que cumprida. Ele ainda tenta sair comigo, mas volta. Sua definição para isso é que não consegue mais fazer turismo em nenhum lugar, pois começa a pensar nas pessoas que não conseguem estar na mesma situação. Eu até penso assim, mas quero continuar aproveitando ao máximo tudo em Cuba e registrando até o último instante. E assim sendo, saio para conhecer a estação Ferrocarril. Conto no próximo post.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

CENA BAURUENSE (57)

EMBOLANDO FATOS E FOTOS DOS ÚLTIMOS DIAS
Querem algo enrolado, tudo embolado. É disso que trato a seguir. Correria por aqui, atribulações e um amontoado de coisas para ir comentando. Quero juntar tudo num só post e assim sendo, não esperem organização de quem mantém um desorganizado local de trabalho, com a denominação de "mafuá". Tratemos de forma rápida de assuntos variados:

1. Tristeza. Mais um amigo se vai, dessa vez MIGUEL CARLOS GARCIA, 57 anos, uma entusiasmada pessoa, funcionário de carreira do Ministério do Trabalho e conhecidíssimo na noite bauruense. Sua última tentativa com uma casa noturna foi na CASA FORTE, lá pelos lados do Residencial Camélias. Fui lá algumas vezes e numa dessas, em 2007, uma foto com duas feras da noite, Carlão e Denise Amaral (é essa aí do lado direito). Dele não tenho foto nenhuma, uma pena, mas todos que o conhecem sabem muito bem, sempre foi uma elegante pessoa, radiante e de uma pureza de dar gosto. Temos algumas histórias juntos, pois trabalhou no Rio de Janeiro durante muitos anos e viajávamos nos ônibus da Reunidas, na ida para lá, domingo à noite e na volta, de lá para cá, sexta à noite. Ele não gostava do Rio, eu sempre adorei. Papeavámos no trajeto, ele querendo ser transferido e eu querendo me instalar por lá. Dizia sempre a ele: "Miguel, você é do contra, todos querendo vir para cá com remuneração certa e você louco para retornar". Anos depois conseguiu voltar e devido a uma diabete mal tratada, feneceu e ontem pela manhã. Miguel é dessas peças sem reposição no mercado. Grande pessoa.

2. Grandioso o furo dado pela Camila ontem no BOM DIA em sua coluna diária. Numa entrevista coletiva com o cantor TOQUINHO, que esteve por aqui anteontem, ela lhe questiona sobre algo muito comentado aqui em Bauru: "Afinal, Vinicius foi íntimo ou não da Casa da Eny?". Ele abre um sorriso e prolonga o assunto. Conta detalhes e alguns deles instigantes (cliquem no texto ao lado e leiam em tamanho grande). No site do jornal um vídeo com a entrevista. Camila ajuda e muito numa batalha travada contra preconceituosos desta cidade, que nada vem de glorioso naquele que foi o mais famoso bordel do país. Eu, um daqueles a enxergar tudo de bom por lá (não tive, infelizmente, o prazer de frequentar), luto pelo filme ou mini-série sobre os anos dourados lá vividos. Aplausos para Toquinho.

3. ROBERTO MALINI é um batalhador e conseguiu realizar, à duras penas, um dos sonhos de sua vida, a realização de um curta-metragem de terror. Durante anos o acalentou, tranformado em realidade ontem com a avant-premiere de "ASFIXIA" (18 minutos), tendo participação mais do que especial de José Mojica Marins, o Zé do Caixão. Presenciei o evento e bato palmas para Malini e também para seu pai, que ontem, no coquetel presenteou a todos com um um vinho, safra especialmente feita por ele mesmo.

4. Também nesta semana, na terça, 20/04, um show solo no Jeribá Bar com ERALDO BERNARDO, o roqueiro que quase já foi vice-prefeito desta cidade. Gosto demais dele e de sua trajetória (aguardem para breve um Retratos de Bauru). Hoje, uma amostra grátis dele cantando algo que não sabia fazer parte do seu repertório (mais eclético impossível):

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quinta-feira, 22 de abril de 2010

MEMÓRIA ORAL (85)

UM AVATAR DO ALVORADA EM BAURU
A exposição patrocinada pela Prefeitura de São Paulo, "Puras Misturas", acontece na capital paulista num imenso prédio dentro do Parque do Ibirapuera. Ali estão expostos ricas coleções, valorizando expressões artísticas e culturais de nosso povo. Uma riqueza popular reunida de forma única. Algo me chama a atenção, a "Avatares do Alvorada", que justamente neste mês, quando a cidade de Brasília completa 50 anos, mostra em variados lugares espalhados pelo país, como foram reproduzidos as famosas colunas do Palácio do Alvorada. Desde fachadas de casas, edifícios, esculturas em jardins e reproduções variadas em pinturas. No texto exposto na parede, algo elucidativo: "Da prancheta de Oscar Niemeyer, as colunas do Palácio do Alvorada botaram o pé na estrada. Replicam-se em inusitadas aventuras visuais. É o candango que sobrevive, com sua participação na utopia do país".

O interesse possui um motivo bem bauruense. Conheço um avatar das famosas colunas encravado num dos bairros mais populares de Bauru, o Bela Vista. Desde criança aquela casa localizada a cem metros da Praça dos Expedicionários, quase ao lado onde antes estava localizada a PRG8 e hoje, a sede da TV Tem, chamou minha atenção, pois as famosas colunas da capital da República estão ali retratadas. E ontem, 21 de abril de 2010, a capital do país completou 50 anos. Muito se falou dela, shows ocorreram e toda a obra do famoso e centenário arquiteto esteve novamente em evidêndia. E aqui por Bauru, nada sobre a casa com as tais colunas.

Hoje, por volta das 9h bato palmas diante da mesma, localizada no cruzamento das ruas Horácio Alves Cunha e Padre Nóbrega e quem me atende pela janela é Sandra Mara Rosa, 51 anos, moradora atual e filha do construtor da casa, Reynaldo Rubens Rosa, falecido em 2006. Quando fica ciente dos motivos que lá estou abre um sorriso e me permite fazer fotos. Confirma que seu pai inspirou-se nas famosas colunas e que a casa foi inteira levantada sózinho por ele, numa área ainda não totalmente preenchida de residências, demorando aproximadamente uns quatro anos para ser concluída. "Meu pai trabalhou como construtor a vida inteira. Ninguém o conhecia pelo nome, mas pelo apelido, seu Pininho. Eu acompanhei toda sua construção, tenho algumas lembranças e uma foto da família toda diante da casa já pronta, quanto tinha por volta de uns seis anos", conta.

Uma história puxa outra e Sandra lembra outra: "Lembro que quando ele acabou tudo, passou uma pessoa e disse que aquilo lembrava uma imagem de Nossa Senhora Aparecida. Meu pai derrubou tudo, pois ele queria que tivesse a cara da nova capital do país. Fez tudo novamente, até ficar com a cara que queria". E não existe como não fazer a comparação, pois tudo é muito parecido. Certeza mesmo de datas ela me pede para voltar no final do dia, quando chamaria seu outro irmão Sérgio Richard Rosa, 50 anos, para contar algo a mais sobre a construção, pois ele quando menino, ficava ao lado do pai enquanto ele levantou a casa. Volto e ambos estão a me esperar. Sérgio tinha quatro anos e diz ter até ajudado seu pai a fazer massa para levantar as paredes, no que Sandra afirma não ser lá muita verdade, mas que estava presente observando tudo, isso é mais pura verdade.

"Eu vi tudo isso ser levantado, ele fez tudo sózinho, eu era muito pequeno, mas dei minha contribuição. Deve ter demorado uns quatro anos para levantar tudo e ficar pronta. Essa é a casa da família e isso que ele fez é motivo de muito orgulho para todos nós. Ele desenhou e fez tudo com bastante simetria, pois trabalhava com construção, era sua especialidade e aqui caprichou mais. Não usou forma nenhuma, tudo foi feito em pequenos tijolinhos e cacos. Deu uma trabalheira danada", relata. Nisso quem aparece é a matriarca da família, dona Eva V.S. Rosa, 73 anos e de sua memória novas histórias: "Demorou bastante para fazer a casa inteira, mas essa parte foi a que mais deu trabalho. Ele trabalhava fora e vinha fazer a nossa depois do seu expediente. Imagina como era, fazia até durante a noite. De uma coisa eu tenho certeza, a nossa casa ficou pronta antes da própria cidade de Brasília".

Enéas, esposo da Sandra reune fotos da família no computador, me envia por e-mail e a principal delas é a do seu Pininho. Dona Eva me diz que ali defronte a casa, todo final de tarde ficavam reunidos uma grande quantidade de trabalhores, todos sentados do outro lado da rua a observar seu marido levantar as colunas. Dela sai a informação mais preciosa, a de onde ele copiou para levantar as colunas. "Um dia ele trouxe para casa uma revista, acho que a Manchete, com uma reportagem sobre Brasília e disse que faria nossa casa com a frente igual aquelas da nova capital. Recortou a foto e copiou tudo dela. Fez vários desenhos olhando somente para essa fotografia. Lindo, não? ". Ficou lindo mesmo e isso lá se vão bem uns quarenta e tantos anos. A casa resiste ao tempo e é o orgulho da família.

Antes de me despedir, Richard me puxa pelo braço e pede para não esquecer de algo: "Pedi ao vereador Roque Ferreira, meu amigo, para que tente transformar o nome do meu pai em uma nova rua de Bauru. Ele fez casas pela cidade inteira e só por essa obra de arte aqui, merece não?". Merece sim, Roque deve se empenhar nisso e esse rico patrimônio da família é cuidado por todos. Tudo está intacto, a área do mesmo jeito que foi projetada pela cabeça do seu criador. Saio de lá pensando na exposição Puras Misturas, nesse perfeito Avatar do Alvorada e em outra coisa a lembrar da capital aqui pela região. Um pequeno distrito, em Piratininga, na estrada para Santa Cruz do Rio Pardo, denominado "Brasília Paulista". Desse nada sei, nunca estive lá, mas isso já é outra história.
OBS.: Para ver as fotos grandonas, clique em cima delas.